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O cineasta e roteirista Nilton Canito comenta as primeiras peças do horário eleitoral gratuito de 2026, elogia a abordagem conceitual de Augusto Cury, critica o "desgaste de material" da propaganda de Lula e destaca como Flávio Bolsonaro apostou no discurso sobre o poder das mulheres.

Ele explica por que a TV, e não as redes sociais, deve pesar mais na decisão do eleitor indeciso.

Papo Antagonista é o programa que explica e debate os principais acontecimentos do dia com análises críticas e aprofundadas sobre a política brasileira e seus bastidores.

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Transcrição
00:00Bom, e seguimos para a última entrevista aqui do dia, a gente vai conversar com o roteirista e cineasta
00:06Newton Canito. Newton já está com a gente aqui online. Tudo bem, Newton? Boa noite.
00:12Boa noite.
00:14Newton, eu queria saber o que você tem achado das peças aí do horário eleitoral gratuito
00:21e queria que você desse uma olhadinha antes. A gente tem uma peça curtinha do Augusto Cury,
00:26vou pedir para a produção colocar e aí você comenta, Newton. Produção, pode colocar.
00:38Produção, a gente tem um vídeo do Augusto Cury.
00:42É tão curtinho que já passou.
00:59É isso que vocês querem? Mais quatro anos de risco?
01:03Ou a gente para de gritar, senta, se escuta e cura este país?
01:09Não tem cura sem escuta. Vamos juntos?
01:15E aí, Newton, o que você achou?
01:19Essa eu gostei bastante, que é uma das poucas peças conceituais que a gente viu na campanha.
01:25Eu acho que uma das coisas da campanha política que eu gosto muito é quando a gente consegue fazer peças
01:29que não são apenas biográficas ou de supostas propostas, vão em conceitos mesmo,
01:35criam conceitos. E ela atacou bem no conceito, uma demanda imaginária que a gente percebeu
01:39que o Cury está atacando. Qual que é a demanda imaginária do Cury?
01:43É quem não aguenta mais essa briga.
01:45Então, tem muita gente que é esse público indeciso.
01:49Não é nem indeciso, é quem já está cansado mesmo, né?
01:51Quem já está cansado da briga, não aguenta mais nem ver a gente falar.
01:54Não quer mais nem assistir o antagonista, nem o protagonista.
01:57Quem já está atacando, não quer aguentar mais.
01:59Então, essa turma, que é a turma que está...
02:01O público da TV aberta, o público não politizado.
02:05E é o público que ele está atacando e deu certo, né?
02:08Não é só hoje, deu certo essa estratégia, deu certo estar crescendo e virou em terceiro.
02:13Em contraste, é engraçado a gente pensar, em contraste com o Renan, né?
02:16Que fez uma campanha brigando com os dois lados, ao contrário do Cury, que é amizade com os dois lados.
02:22Ele fez brigando com os dois lados.
02:24E no marco que fale, fale, muita rede social.
02:27Você vê que não repercute no público, né?
02:29No povo mesmo.
02:31Então, a gente confunde muito rede social com o público.
02:33Tem que parar.
02:34Quem faz marcas político não atenta só à rede social.
02:37Há pessoas que assistem mesmo, donas de casa, pessoas que não são politizadas,
02:41que são o nosso principal público.
02:43E o Cury atacou muito bem nesse lugar.
02:46E, Vitor, o que você achou das peças aí do presidente Lula e do Flávio Bolsonaro?
02:56O Lula está numa sinuca de bico, né?
02:59É difícil pro Lula mesmo, né?
03:01Eu não sei o que ele vai fazer.
03:03Se eu fosse o Marquitinho do Lula, eu estaria preocupado.
03:05É difícil mesmo, cara.
03:06Porque a biografia não tem saída.
03:08Ele fica uma biografia lá, a mesma coisa de sempre.
03:10A única...
03:11Já aguenta mais o papo, que superou, né?
03:13Não aguenta mais.
03:14Então, é tipo o remake de um filme de 40 anos atrás, com um ator mais velho.
03:19Sabe o filme do Trapalhões, que o Didi está velho, fingindo que é novinho?
03:23É meio isso, né?
03:24Porque eles chamam do Trapalhões, que o Didi tentando namorar a novinha.
03:27Sabe aquela coisa que você vê que é uma coisa que já não é de hoje?
03:30É uma coisa antiga.
03:30E não consegue sair disso.
03:32É impossível sair disso.
03:33É muito difícil.
03:34Em marketing, por isso que a gente chama desgaste de material, né?
03:36Então, ele tem um desgaste de material do leitor que não aguenta mais aquele mesmo cara.
03:40Como é que ele fosse?
03:41Deus, não dá essa.
03:42Nem aguenta.
03:42Então, é difícil com o Lula ali.
03:45A única novidade é a Janja, que eles botaram na propaganda, que era uma novidade negativa.
03:49Na verdade, não é uma novidade positiva.
03:51E aí, você vê que a campanha...
03:53Você sabe que a Janja demitiu o marqueteiro, gente.
03:56Recentemente.
03:57O ministro aí da...
03:59Como é que é essa?
04:00O Cidone.
04:00O Cidone.
04:01O Cidone não está na campanha, porque brigou com a Dilma.
04:04Com a Dilma não, com a Janja.
04:06Então...
04:07Não vai você também.
04:08É difícil.
04:09Imagina, ela está mandando a campanha.
04:10O Lula está numa fria.
04:12Está numa fria.
04:13Está difícil.
04:14O Flávio apostou numa pegada, a biografia do Flávio.
04:17Foi muito bem construída, viu?
04:18Eu achei bem legal, porque ele apostou numa pegada.
04:20Ele citou o Jair muito rápido, se você pegar.
04:23Dez segundos citou o Jair.
04:24E enfatizou como ele aprendeu com as mulheres.
04:27Então, está todo mundo disputando o livro das mulheres, claro.
04:30A gente sabe disso.
04:30E o Flávio fez toda uma biografia inteira de como ele aprendeu com as mulheres.
04:36Aprendeu com a mãe.
04:37Aprendeu com as filhas, com a esposa.
04:39Foi toda uma biografia naquele papo do Churchill.
04:42Os homens dominam o mundo, mas as mulheres dominam os homens.
04:45E ele ficou falando isso.
04:47Ele falou, não, eu quem manda é elas.
04:49Então, ele foi nessa pegada de mostrar o poder feminino na casa, no ar, etc.
04:55Também pegando o público dele.
04:56Eu achei uma estratégia bem inteligente.
05:00Em relação ao tempo de propaganda eleitoral de cada um deles,
05:06o do Augusto Cury é muito curtinho.
05:08A gente viu.
05:09E é isso que ele tem.
05:10Cada vez que ele aparecer, vai ser isso aí.
05:13Dá para fazer barulho numa campanha com esse tempo?
05:19Sim, com certeza.
05:20O caso Emeias é o mais famoso.
05:22O Augusto começou bem.
05:24Dá para fazer.
05:25Você tem que criar coisas muito disruptivas.
05:27A própria campanha da Raquel Lira também, que tinha um tempo maior, mas ela criou aquele silêncio no começo.
05:32Vocês viram?
05:32Não sei se vocês acompanharam essa.
05:33Foi genial a criação sobre o Igor.
05:35Uma arquitetura muito boa.
05:36Achei muito bom aquilo.
05:38Porque o que acontece em TV, gente, é que se você está todo mundo fazendo o mesmo tom, você tem
05:43que quebrar o tom.
05:45Porque a TV...
05:46Quem assiste TV no dia a dia, eu sou uma especialista nisso, né?
05:49É fluxo, né?
05:49Então o cara está assistindo, ele não está prestando tanta atenção, entendeu?
05:52Então, está todo mundo num tom, se você quebra o tom, chama atenção.
05:56Por isso que eu gostei da campanha do Cury.
05:58Eu gostei da...
05:58Então, quem tem pouco tempo, tem que achar um jeito de quebrar o tom.
06:02O jeito do Emeias clássico era bravão.
06:05O bravão, hoje em dia, virou commodity.
06:08É todo mundo bravão.
06:09Porque bravão é o que funciona no digital.
06:12O digital funciona bravão, sabe disso?
06:13O digital tem que estar bravo o tempo todo.
06:15Se estiver bravo, não funciona.
06:16Vê que o jornalista bom, que nem vocês, no digital não funciona.
06:20Porque, na verdade, tem que ser bravão.
06:23E é assim.
06:24O digital é assim, o algoritmo.
06:26Mas na TV não é.
06:28Não é isso.
06:29Então tem que buscar outras estratégias.
06:31Não dá aula, não tem que dar aula.
06:34Mas tem como fazer, sim.
06:35E o problema principal é que também não tem spot.
06:38A gente fala do programa inteiro, eleitoral,
06:41mas os spots são muito importantes.
06:42Os spots em rádio, em TV, também.
06:44A chegam muito.
06:45E tendo muito menos esporte, é claro.
06:47O CUR, então, isso é relevante.
06:49Mas não é só pelo tempo, não.
06:51Mas a gente viu, a eleição não se define só por isso, não.
06:54Define por demanda imaginária.
06:56Se você acerta a demanda de imaginário, você cresce.
07:01Então, tem uma demanda agora de fim da briga.
07:05De pacificação nacional.
07:07E essa demanda o CUR conseguiu preencher bem.
07:11E o Flávio está se posicionando bem nisso, para o segundo turno.
07:15Eu acho que não está errado essa tese do Flávio.
07:17De tentar ser esse paz e amor.
07:20A gente chamava Lulinha, paz e amor.
07:23Então, está o Bolsonaro, paz e amor.
07:25Eu falo legal.
07:26No sentido de tentar pegar esses votos do CUR.
07:28Que é o que a gente vai ter a decisão.
07:31O voto do CUR, não quer dizer, nem do CUR.
07:32Do público que atualmente está falando que vai votar no CUR.
07:36Esse público que está cansado de briga.
07:39Esse público tem que...
07:41Vai para quem?
07:42Vai no Lulo?
07:43Não vai votar?
07:44Que é bem possível que não vão votar.
07:47Muitas pessoas se abstêm.
07:48Mas quem conseguir conquistar um pouquinho desse público.
07:52Pode ganhar a eleição.
07:53A eleição vai ser decidida muito pela TV, gente.
07:56A vontade de todo mundo falar.
07:57A eleição decidida pela internet em 2018.
07:59Foi a tecnologia nova.
08:01Agora já não é mais nova.
08:02Então, a tecnologia digital.
08:04Todo mundo usa de uma forma melhor ou pior.
08:05Mas todo mundo está usando.
08:07E aí volta o indeciso.
08:09A TV.
08:09Olha que curioso.
08:10Então, eu acho que a decisão.
08:12A TV vai ser importante.
08:13A gente fala TV, rádio, mídias tradicionais.
08:15Vai ser importante nessa decisão de presidente, especialmente.
08:20Outras coisas não é tanto.
08:21Essas coisas é digital mesmo.
08:23Deputado e tal.
08:24Mas presidente, especialmente.
08:25Eu acho que a televisão vai ser bem importante.
08:27Até quando você vai deixar que criem narrativas para esconder a verdade de você?
08:32O bombardeio diário de informações, o barulho das redes sociais e as minhas verdades
08:37só servem para uma coisa.
08:39Te confundir.
08:39Mas o jogo político real acontece nos bastidores.
08:43E Rodolfo Borges.
08:44Mas existe um lugar que não baixa a cabeça.
08:47Onde a velocidade da notícia em tempo real de um antagonista se une à investigação profunda.
08:53Sem amarras da revista Cruzoé.
08:56Nós vejamos quem está no poder.
08:59Não importa o partido.
09:02Assinar o nosso combo significa ter na palma da sua mão os bastidores de Brasília em tempo real.
09:09Análises de quem conhece o jogo político por dentro.
09:12E grandes reportagens que a imprensa tradicional muitas vezes prefere não mostrar.
09:20E hoje você não precisa escolher entre a agilidade e a profundidade.
09:25Preparamos uma condição exclusiva para o nosso público do YouTube.
09:29Um combo promocional imperdível para você garantir o acesso total ao antagonista e a Cruzoé por um valor que cabe
09:37no seu bolso.
09:37Não seja apenas mais um espectador da história.
09:40Faça parte do jornalismo que incomoda os poderosos e defende a sua liberdade.
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