- há 22 horas
No Tribuna Manhã, especialista fala sobre o uso de robôs como suporte emocional.
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NotíciasTranscrição
00:00Pesquisar sintomas, pedir conselhos e até desabafar com a inteligência artificial.
00:06Você já fez isso?
00:07Cada vez mais brasileiros vêm recorrendo à inteligência artificial, aos robôs, né?
00:14Pra falar sobre sentimentos, ansiedade, dificuldades emocionais, os chats da vida, né?
00:20Às vezes a gente tá meio angustiado ali, o que será que eu poderia fazer, né?
00:26E acaba pedindo essa ajuda, esse suporte, um levantamento aponta que mais de 12 milhões de pessoas no país
00:33já buscaram a inteligência artificial pra fazer terapia ou encontrar apoio emocional.
00:40Mas aí eu te pergunto, até onde essa conversa pode ajudar?
00:45Quando que é hora da pessoa procurar um psicólogo de verdade, uma ajuda especializada?
00:52Até onde? Qual que é o limite disso aí?
00:54Porque às vezes a pessoa deixa de procurar essa ajuda e fica ali só tendo esse apoio, né?
01:00Do robô.
01:01Vamos falar sobre os limites da inteligência artificial no cuidado com a nossa saúde mental.
01:06Eu tô aqui com a Andréia Loss, que é psicóloga e também conselheira-presidente da Comissão de Psicologia Clínica
01:14do Conselho Regional de Psicologia do Espírito Santo.
01:17Andréia, bem-vinda. Bom dia pra você.
01:19Muito bom ter você por aqui. A gente tá aqui com a Sanayra Ribeiro, que é analista de projetos.
01:25Você tem uma longa caminhada. Aí vai contar pra gente um pouco, um exemplo de uma pessoa, né, Sanayra?
01:31Que faz acompanhamento psicológico desde muito cedo. Bem-vinda.
01:36Obrigada. Agradeço o convite de estar aqui podendo passar um pouco da minha experiência.
01:43Com certeza. Conta pra gente, Sanayra, desde que idade que você faz terapia e buscou esse apoio?
01:49Então, Bruna, eu busco a terapia, na verdade, desde os sete anos.
01:57Meus pais me levaram, né, a terapia desde os sete anos.
02:02E... Por quê? O motivo era porque eu chorava muito.
02:06Era uma criança muito chorona.
02:09E aí, naquela época, não se tinha tanto acesso, né, a terapia.
02:15Tenho mais de 40 a mais.
02:17E aí, como eu era muito chorona pequena, e eles achavam isso que não condizia, né, chorava por tudo e
02:29sem motivo.
02:30Minha mãe conseguiu, mais ou menos por volta de sete, oito anos, uma terapia pelo SUS, em Jardim Cambori.
02:38E aí eu comecei, e a pergunta dela era por que essa menina não chora tanto.
02:44Porque eram coisas muito simples, né, desde uma prova que eu não atingia, uma briga, assim, um puxão de orelha,
02:54tudo era motivo de choro.
02:55Uma amiga que... Então, assim, na infância era uma fase muito lúdica.
02:59Eu passava pela terapeuta por um processo muito lúdico, mas que me ajudava muito.
03:05Então, era a fase do desenho, de contar o que estava acontecendo, dela explicar o porquê, né, aquelas situações aconteciam.
03:15E ao longo desses 40 anos até hoje, eu passei em vários momentos pelo processo de terapia.
03:23Sempre buscando o autoconhecimento, que eu acho que é a principal chave, assim, da terapia, pra mim.
03:32Então, eu já fiz terapia na adolescência, fiz terapia quando casei, que casei muito nova, que é uma outra fase
03:43da nossa vida.
03:44As fases vão mudando, né?
03:45Exatamente. A gente precisa se autoconhecer e também se permitir conhecer o outro.
03:53Na fase profissional, muitas vezes, eu agora, aos 40 anos, entrei, mudei de profissão.
04:02Eu trabalhei 20 anos como técnica de segurança do trabalho em algumas empresas, né, algumas mais tempo, outras menos.
04:10E com 40 anos, eu resolvi migrar pra área de tecnologia, de gerenciamento de projetos.
04:17E hoje, eu trabalho como analista de projetos, né, na área de tecnologia, trabalho com o IA, trabalho com o
04:23sistema.
04:25Porém, eu acho que a terapia com a pessoa, com o profissional, ela tem total diferença.
04:33Porque nós nos escutamos fazendo terapia e nós nos conhecemos.
04:41E, através da inteligência artificial, é o que você coloca, ela te responde exatamente, rapidamente, sem custo, sem compromisso.
04:53Você pode fazer em qualquer horário.
04:56Então, assim, até isso a terapia te disciplina.
04:59Então, hoje, eu faço análise há dois anos com a Patrícia Scarlett.
05:06E ela faz a psicanálise freudiana, que é a abordagem que eu mais me adaptei.
05:14Legal.
05:14E que me ajuda, hoje, a fazer essa transição de carreira.
05:17Que incrível.
05:18Ter uma filha adolescente, também.
05:21E com todos os desafios, né, que nessa etapa da vida a gente passa.
05:25Que legal.
05:27Parabéns aí.
05:28Um exemplo para muita gente que está assistindo a gente, que tem essa dificuldade, tem essa resistência, muitas vezes, em
05:34buscar esse apoio.
05:35Andréia, nem todo mundo tem esse pensamento.
05:38Você vê uma pessoa que começou lá de trás, essa Naira, né?
05:42Então, ela já vem com esse acompanhamento, já vem com essa consciência.
05:45A família trouxe isso para ela.
05:47Mas tem gente que acha que não.
05:48Realmente, hoje, a tecnologia está aí.
05:51Por que eu vou, um profissional, marcar uma consulta, pagar uma consulta, ou que seja pelo SUS, né?
05:57Se eu posso perguntar aqui, ó, para o chat.
06:00Ele resolve o meu problema.
06:01Vocês vêm observado esse movimento?
06:04Sim, a gente tem observado esse movimento, essa busca, né, pelo uso das tecnologias.
06:09Mas é muito diferente.
06:11É um trabalho muito diferente, né?
06:13A psicoterapia é um processo onde envolve vários aspectos do ser humano.
06:20Não é simplesmente perguntar e obter uma resposta objetiva, né?
06:25Esse tipo de tecnologia, ela pode favorecer ou adquirir alguma informação, e mesmo assim, com cuidado, sobre algum tema.
06:32Mas o processo psicoterapêutico, ele é diferente.
06:36O processo psicoterapêutico, inclusive, ele favorece o desenvolvimento e a autonomia do ser humano.
06:43Diferente do que a gente vem observando, né, quando se usa esse tipo de tecnologia,
06:48onde as pessoas voltam e voltam várias vezes, e acabam muitas vezes se tornando dependentes da tecnologia,
06:56e sem obter, favorecer o desenvolvimento daquela pessoa, como é o objetivo da psicoterapia, né?
07:05Então, envolvem aspectos muito diferentes.
07:10Eu diria que o que estão chamando de terapia com a IA não é uma psicoterapia.
07:16O que seria?
07:18A psicoterapia é um processo sistemático, onde o psicólogo, que é um profissional capacitado, né,
07:25baseado, que construiu o seu conhecimento, né, através do desenvolvimento de uma psicologia científica, né,
07:33hoje aqui no Brasil a gente vai completar 64 anos, né, de psicologia científica,
07:39através de muitos estudos, de muita construção, de muitos protocolos, que vão dar mais segurança
07:45para a atuação daquele profissional ser humano, né, que vai buscar compreender, escutar, né,
07:52e identificar as verdadeiras necessidades que aquela pessoa, dentro da sua singularidade,
07:57dentro da sua subjetividade, apresenta ali naquele momento.
08:01Isso, por exemplo, a tecnologia não faz.
08:05Ela não tem essa leitura subjetiva e contextualizada, né, que é necessária dentro de um processo terapêutico.
08:13Legal.
08:14E a gente está aqui falando muito de autoconhecimento, né, e dessa busca,
08:18mas muitas vezes a pessoa recorre a um robô no momento crítico, de ansiedade, de uma crise de pânico, de
08:27um dilema.
08:29Quando que essa conversa, André, ela deixa de ser uma ajuda e passa a ser um risco?
08:36É, eu diria que numa situação dessa já é um risco, porque justamente a tecnologia, ela não vai fazer uma
08:44avaliação psicológica,
08:46ela não tem condição de fazer um diagnóstico, né, então como o retorno ali daquela tecnologia é muitas vezes devolver
08:57aquela mesma informação
08:58que foi coletada e reafirmando algumas falas.
09:02Isso é muito perigoso.
09:03Se a pessoa estiver passando por alguma crise, né, isso pode trazer prejuízos mais graves ainda.
09:11Então a orientação é que essa pessoa não espere, não aguarde, busque ajuda de um profissional capacitado,
09:17que é o psicólogo, né, que vai estar ajudando essa pessoa a encontrar o melhor caminho para solucionar e, né,
09:24regular as suas necessidades.
09:26Às vezes a pessoa ali naquele momento que é um alívio rápido, instantâneo e é justamente o que o robô
09:32vai te dar, né.
09:34A gente vai conhecer agora também a Elisa Lima, ela é uma jovem, faz terapia há seis anos, assim como
09:41você
09:41e é legal que ela destaca que ao longo desse tempo ela foi mudando a abordagem e os profissionais,
09:47porque a fase que ela estava ali também foi mudando, né.
09:50Vamos ver o que a Elisa falou pra gente.
09:54Eu comecei na minha adolescência, num período que eu estava muito mal e é muito interessante ver o processo terapêutico
10:04funcionando.
10:05Eu passei por alguns psicólogos e eu mudei não porque eu não gostava nem nada,
10:11mas porque a minha vida foi mudando mesmo e eu fui precisando ver a demanda que eu precisava
10:16e que cada psicólogo trouxe pra mim, né, de precisar mexer em coisas que eu às vezes não percebia.
10:23A terapia me melhorou nos meus vínculos familiares, nas minhas amizades,
10:29em tudo que pode encostar, mas principalmente na minha relação comigo mesma.
10:37Que bacana, né, tão jovem. Parabéns aí pra Elisa, também pros jovens é importante.
10:43Jovens que estão muito nesse contexto hoje, que já praticamente nasceram, né, gente.
10:48Pra eles é muito comum buscar qualquer tipo de ajuda e qualquer tipo de suporte num chat, né,
10:55sintoma físico ou clínico que a pessoa está sentindo.
10:57Então, a gente tem que trazer essa conscientização.
11:01O que você diria pra uma pessoa que tem resistência, principalmente os homens, né,
11:08que não buscam essa ajuda, que acham que não é válido, que é uma besteira.
11:14Você é um exemplo vivo de quem faz há muito tempo, né, terapia.
11:17O que você diria pra essa pessoa?
11:19Eu vou falar pra você que... vou falar dentro da minha casa, né.
11:24Meu esposo sempre foi muito irresistente, mesmo quando eu fazia.
11:29Então, ele falava que era coisa de pessoas que não sabiam lidar com problemas,
11:36eram pessoas frágeis e tudo mais, e eu nunca vi desse lado.
11:40E nós tivemos um presente que a minha filha é neurodivergente.
11:45Então, aos sete anos, ela foi diagnosticada com neurodivergência,
11:50já tendo que entrar na terapia.
11:52Então, ela também tá com 14 anos, mas ela faz terapia desde os sete.
11:56Faz TCC, já fez terapia de outras metodologias também.
12:02E aí, meu marido, ele também acabou há um ano atrás aderindo a terapia pessoal pra ele.
12:12Mas nós já fizemos terapia de casal em algum momento do trânsito aí do casamento.
12:18Que incrível, que exemplo bacana.
12:20Mas tem gente ainda na família, assim, na minha própria família, que fala.
12:25Ah, é, vai exar, vai, isso é uma falta de fé.
12:30E algumas coisas do tipo, algumas falas do tipo, né.
12:33Não há necessidade, eu resolvo sozinha.
12:35Mas não é esse o caminho, né.
12:37A gente sabe que é um estudo muito aprofundado, né.
12:41São vários anos de estudo pra ter um profissional ali pra te acompanhar.
12:45Com certeza.
12:46Só pra gente finalizar em segundos, Andréia, acho que você pode afirmar o que ela falou, né.
12:51Não resolva sozinho, não fique buscando só ajuda da inteligência artificial, né.
12:56Sim, a inteligência artificial, ela não dá condições suficientes pra que a pessoa consiga regular, né.
13:05Alguma necessidade que ela esteja apresentando ali.
13:08O profissional psicólogo que é preparado, né.
13:11Para esse fim, vai sim ter condições de ajudar essa pessoa diante das necessidades que ela estiver apresentando naquele momento.
13:19Perfeito.
13:19Então, é mais seguro, né.
13:21O profissional psicólogo, ele segue uma ética.
13:25Nós temos um código de ética.
13:26Nós temos um conselho, né, que regula, né.
13:29A essa atuação, então vai trazer mais segurança pra pessoa, pra sociedade, e que visa realmente o desenvolvimento, né, da
13:39saúde mental e física daquela pessoa.
13:41Ok, perfeito.
13:42Meninas, que bate-papo bacana e necessário.
13:45Obrigada pela presença de vocês duas aqui no Tribu da Manhã.
13:48Eu que agradeço.
13:49Obrigada.
13:50Obrigada.
13:51Obrigada.
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