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Transcrição
00:00Serpentes nos rios que trançam o coração do Brasil
00:04Levando a água da vida, do fundo da terra, a produção do Brasil
00:10Gente que entende, que fala a língua das bandas dos bichos
00:16Gente que sabe o caminho das águas das terras do céu
00:23Velho mistério guardado no seio das vidas sem fim
00:28Tesouro perdido de nós, distante do bem e do mal
00:35Vem do bem e do mal
01:09Vem do bem e do mal
01:36Não se mexam
01:39Fica quietinho aí, hein?
01:42A senhora é bonita demais
01:48Mas não soube seu bico
01:53Isso não é nem um pião
01:54Sou sua patroa
01:57Esqueceu?
02:18Por que você não foi me esperar?
02:22A senhora é bonita demais?
03:09Não, mas eu só fiz perguntas simples que um presidente tem que saber responder
03:14O quê?
03:15Nada não, filó
03:17É coisa que você não entende mesmo
03:20Eu tô aborrecida com essa história do meu filho vir pra cá e querer ficar morando lá naquela tapera com
03:26a junha e a muda
03:29Eu não tô entendendo, filó
03:32Deve-lhe ser amor
03:35Isso aqui eu quero ver
03:37Mas por que você diz isso?
03:41Filó que perdão da palavra, viu?
03:43Eu não acho que meu filho seja homem pra domar aquela fera, não
03:47Ah, não tô aqui pra fazer julgamento de ninguém
03:58Tô bem arranjado nessa vida
04:00Um filho burro, outro flor
04:06Vamos lá, vem
04:07Vamos voltar às aulas
04:09Você comprou o que não viu isso, juventude?
04:11Pra você aprender
04:14Só faltou uma luzinha
04:17Ah, mas a gente nem areia da praia, né?
04:19Luzina
04:20Calma, calma, calma
04:23Primeiro
04:25Você vai ter que aprender a pegar no lápis
04:28Assim, olha
04:30Tá?
04:31Agora aqui no papel tem que ser com bastante calma, bem devagar
04:36Porque é pra não rasgar
04:37Com jeito
04:39Tá vendo?
04:41Olha lá
04:42Pra não rasgar sem acalcar muito
04:47Ju
04:50Viu?
04:52Agora me dá a tua mão
04:56Esse
04:57Pega
04:58Não pode ser com essa aqui não, juventude
05:02Você faz as coisas mais fáceis com essa mão?
05:05Eu acho que sim
05:06Tá bom
05:08Vamos lá, minha conhotinha
05:11O lápis fica aqui
05:13Vamos andar
05:27A gente fica enterrado nesse fim de mundo
05:30E não sabe o que tá acontecendo do outro lado do país
05:33E de repente leva uma aburdoada dessas
05:37O senhor tinha muito aplicado, pai?
05:40Um bom dinheiro, filho
05:42Um bom dinheiro
05:43E agora como é que vai ser, homem?
05:46Sei lá
05:47Ainda tô atordoado com essa história
05:51Mas Deus sempre há de dar um jeito, né?
05:54É
05:54Então ele vai ter que começar logo
05:57Eu tava pensando em ir pra São Paulo
06:02Pois agora vai ter que esperar
06:03E não sei até quando
06:05Teu pai tá com as calças na mão, filha
06:13Aqueles dois da cavala até aqui da hora
06:17É
06:19A essas horas já devem ter chegado lá, né?
06:23Não vai adiantar nada
06:25A burrada já tá feita
06:28Então vamos deixar na mão de Deus
06:31Pior é que o maior culpado disso tudo sou eu
06:35Ai, sério, vamos esperar, vai
06:38Amanhã eles já estão de volta?
06:40Não
06:40Uma mão na frente ou tá atrás
06:43Se eu fui lá, não consegui nada
06:45Imagina se eles vão conseguir
07:13Eu quero pagamento em Cruzeiro
07:14O senhor não me explicou que aquele dinheiro não valia mais
07:17Mas vale, é só uma questão de tempo, Tadeu
07:20Mas eu quero o que vale agora
07:22Meu padre envendeu os bois porque tava precisando dele, olha
07:26Mas isso é uma agressão?
07:28Eu podia até chamar a polícia?
07:31Pois pode chamar
07:35Vai primeiro, paga aí
07:37E de presta
07:42Eu paguei a boiada e paguei além do valor dela
07:45Com a condição dele receber em cruzado novo?
07:48Mas não me explicou que o dinheiro ia ficar preso no banco
07:50Por causa que senão eu tinha levado os bois de volta?
07:52Tá bem, não vou mais discutir que essa discussão não vai levar a lugar nenhum
07:56Eu ainda não abati nenhum dos seus bois
07:58Eu ia começar amanhã
07:59Mas vou mandar suspender e o senhor leva a boiada de volta
08:03Eu não tô lhe entendendo
08:04Eu não disponho de Cruzeiro, homem, pra lhe pagar, ainda que eu queira
08:09O tal do plano também pegou a gente dormindo de botina
08:12Assim como pegou o seu padrinho, José Leôncio
08:15Eu compro o boi dele há muitos anos
08:18Nós nunca tivemos uma discussão, homem
08:20Por causa que meu padrinho é de comer nada enrolado
08:23Porque sempre fomos honestos nas nossas transações
08:28De mais a mais eu não vou ficar discutindo com o peão dele
08:32Peça pra ele vir aqui amanhã
08:34Que eu acerto tudo com ele mesmo
08:37Vamos embora, Cadê?
08:40E pode ficar tranquilo
08:41Eu não vou abater uma só res dele
08:45Passar bem, homem
09:13Passar bem, homem
09:42Obrigado.
10:00Obrigado.
10:14Quando posso.
10:16Como é que vai ficar daqui para frente?
10:18Os meus filhos do lado de lá já estão trabalhando.
10:20Eles não vão passar fome.
10:22E eu também já devia estar trabalhando, não é mesmo?
10:25Eu não estou me queixando da sua boa vida.
10:28Pois o senhor não precisa se preocupar, papai.
10:31Porque daqui para frente eu mesma vou cuidar de mim.
10:33Eu não estou me queixando de nada.
10:35Você é minha filha.
10:36Já lhe dei tudo, já lhe dei tudo que podia até hoje.
10:39E me considero a obrigação de continuar te sustentando até o dia de você se casar.
10:44E se eu não me casar, papai?
10:47Casar não é nem nunca foi meu objetivo de vida.
10:51Pois devia ser.
10:53Ué, e por quê?
10:55Porque...
10:57Porque é da vida.
10:59E você é mulher.
11:30Pronto, Vinci.
11:32Agora é só montar.
11:37Começar para outro dia, vamos?
11:39Por quê?
11:41Ele não me conhece.
11:43Cara, Juventino, é só um cavalo.
11:46E é manso.
11:47Com você, né?
11:51Com esse medo você não vai montar é nunca.
11:55É só você ser carinhoso com ele que ele se acostuma com você.
12:02Vem.
12:03Tenta.
12:25Não vou muito com a cara dele, não, hein?
12:28Eu não tenho o outro Juventino.
12:31Não estou esquecendo.
12:32Está vendo aí?
12:33Está vendo?
12:36Você me prometeu que me ensinava a ler e escrever e eu te ensinava a montar.
12:41A primeira parte do trato continua de pé.
12:44Você é um frouxo.
13:05Quando der espinada é o cavalo.
13:21Oi, muda.
13:23O que você quer, tio?
13:25Ah, eu vinha passando e aproveitei para lhe ver.
13:29Já viu.
13:30Pode-se embora.
13:31Cara, não sei se estão a risca, muda.
13:34Eu não vou lhe fazer nada de ruim.
13:39Eu não quero prosa.
13:42Por quê?
13:44Eu não quero saber de namoro com ninguém daqui.
13:49E se eu lhe disser que...
13:52que eu te gosto?
13:54Que eu não faço nada nessa vida além de pensar no ser?
13:59Não acredito.
14:01Por sua casa, eu faço qualquer besteira nesse mundo.
14:06É.
14:08Enfrenta até o Tibério.
14:20É...
14:21Não resolvemos a questão, mas deixamos o caminho aberto.
14:24Teu pai vai voltar lá e resolver.
14:26E isso ele vai saber fazer, Tibério.
14:28E eu quero estar junto com ele quando ele for.
14:29E eu também.
14:31Quero aprender a lidar com esse assunto.
14:33Você tá certo.
14:42Tibério.
14:44Fala.
14:45Se a muda te pedisse a garupa, você dava?
14:48Para que pergunta.
14:50Claro que dava.
14:51Dava e entrava com ela, com o cavalo e tudo na primeira igreja que eu topasse pelo caminho.
14:56Pra casar?
14:59E a prenda que eu escolhi pra ser mãe dos meus filhos.
15:10Bom, eu já vou indo.
15:13Só vim ver se tá tudo bem.
15:18Vamos relaxado.
15:19Vim ver se foi seu pai que mandou.
15:30Foi o que ele queria.
15:37Eu ia saber se tava tudo em paz.
15:41Eu não gosto de gente estranha rondando a casa.
15:44Cara, a Juve é só um peão do meu pai.
15:46Mas é homem.
15:48Agora você não precisa ter medo, não.
15:50Eu tô aqui pra te defender.
15:56Eu não preciso de defensor, não, Juventinho.
16:00Eu preciso é de um peão pra me ajudar na vida.
16:07A Juve é só um peão pra me ajudar já a lidar com a conta pra te defender.
16:10Eu vouべço pra me ajudar a conversar.
16:39Legenda Adriana Zanotto
17:08Legenda Adriana Zanotto
17:37Legenda Adriana Zanotto
17:40Seus Alonso, será que eu posso falar com a Flá?
17:42Ah, eu estou lá na cozinha, fica à vontade
17:44Obrigada
17:46Então essa foi de doer, não foi?
17:49Foi
17:51Foi pior do que quando vieram confiscar minhas boiadas aqui no pasto
17:56Oi, Guda
17:58Senta
18:00Obrigada
18:02Como é que foi a vida, Flá?
18:05Ah
18:05Vai se levando
18:07Como Deus quer
18:09Eu vim pra cá com meu pai
18:11Já ouvi prosa deles lá na sala
18:15Tiveram alguma notícia do jogo, Flá?
18:17Tivemos
18:18Ele voltou
18:20Voltou?
18:21Uhum
18:22Voltou como, Flá?
18:23Para, voltando?
18:25Mas cadê ele, Flá?
18:28Foi com a Juma
18:33Assim
18:34Quer dizer que ele...
18:35Quer dizer que ele voltou, Guda
18:37Só que ele foi viver junto com a Juma
18:39Lá naquela tapera
18:42Não acredito
18:45Fiquei uma velha de mentir
18:48Ô, Flá, desculpa
18:49Não é nada disso
18:50Não quis falar isso, Flá
18:52O que é?
18:54O que está acontecendo?
18:54Esse cara ficou maluco, Flá
18:57Maluco?
18:58Maluco de amor
19:00Por aquele bicho
19:03Eu acho que ela encantou ele
19:07Que nem as cobras faz com os passarinhos
19:11Ele quer dar o bote
19:14E a Muda, Flá
19:17Foi com eles
19:42O que foi?
19:47Tá me olhando?
19:49Tô achando engraçado
19:51O quê?
19:54Você voltar a falar assim, desse jeito
19:58Já lhe expliquei
20:01É
20:03Mas mesmo assim, eu tô achando engraçado
20:09Você não se lembra de nada, né, Mú?
20:13Não sabe quem é
20:15Nem de onde veio
20:19Mas não se esqueceu de cantar
20:24A moda tava na minha cabeça
20:27E teu nome, não?
20:41Não sabe quem é
20:58Eu vou achar
21:00E eu vou achar
21:01E eu vou achar
21:10na guerra das águas.
21:13Tô de volta, velho.
21:17Tô vendo.
21:19Você sabe que o senhor foi ferido.
21:20Eu fui.
21:22Um peão do meu pai é que ele acudiu no meio da mata.
21:25Foi.
21:26Me tirou uma bala do peito?
21:28Tirou.
21:31Eu fico contente de ser até vir.
21:35Eu fico contente de ser estar de volta.
21:38Não sei por que, viu, velho.
21:41Nem eu mesmo consigo entender essa loucura que eu fiz.
21:45É por causa da Juna?
21:48É.
21:49Pode ter sido.
21:52Ela foi o motivo principal.
22:01Se tem alguma coisa a mais dentro de mim...
22:04Eu sei.
22:09Posso lhe fazer uma pergunta?
22:12Quantas quiser.
22:15Qual o seu nome?
22:18Velho do Rio.
22:20Velho do Ninhão.
22:21Velho maluco.
22:23Você escolhe?
22:25Tô falando sério, velho.
22:27Eu também.
22:36Espera, velho.
22:39Tava lhe observando.
22:42Não pode ficar tão distraído na beira d'água, não.
22:48O senhor sabe quem eu sou?
22:51Joventino.
22:52Joventino.
22:53Filho de José Leôncio.
22:55Então o senhor conhece meu pai?
22:59Como eu conheço cada jacaré, cada inúma, cada onça, cada sucuri desse pantanário.
23:07Tô falando de outra coisa, velho.
23:12Eu me pareço com quem eu quero parecer.
23:21Com meu pai?
23:25Se você me olha com o coração, tô pareço com ele.
23:30O senhor é meu avô?
23:36Podia até ser.
23:39Se o teu avô tivesse resistido àquela mordida de boca de sapo que ele levou quando caçava
23:46a Mauá sozinho aqui nas matas da fazenda dele.
23:52Então ele tá morto.
23:53De verdade.
23:57Ele foi mordido pra boca de sapo quando caçava a Mauá.
24:04O boi avançou.
24:06Matou o cavalo dele.
24:09Mas ele saiu se arrastando feito cobra.
24:14E preocupado com o Mauá, ele mudou a boca de sapo.
24:18Daí, velho.
24:21O meu amor deu ele na garganta, onde mordido de boca de sapo não tem cura.
24:26Então ele tá morto.
24:29Não.
24:31Tá vivo de você?
24:33Do filho dele?
24:37Ninguém morre de vez nessa vida.
25:00Escreveu cobrando o quê do presidente?
25:03Bom senso.
25:05Você lembra do prante que o João garante?
25:09Lembro eu.
25:10Não prantei nada, mas eu me lembro.
25:12Pois é.
25:14Naquele ano a gente teve uma safra de grão recorde.
25:18Eu me lembro muito bem.
25:19E no sul tiveram até que socar arroz nos pátios de escola, na rua, nas igrejas.
25:24Com um encerado por cima.
25:25Pode uma coisa dessa?
25:26Vou lembrar.
25:27Em São Paulo andaram enterrando cebola por falta de preço.
25:31Pois é.
25:31Pois é.
25:32E depois importaram tudo de novo.
25:35Justamente.
25:36Essas coisas, sabe?
25:38O caso do milho, por exemplo.
25:40A gente teve uma safra de milho muito boa.
25:42Mas aí exportaram tudo.
25:44Porque diz que o país precisava fazer divisa.
25:46Essa é a velha história, né?
25:47Vou lembrar.
25:48Pois é.
25:49Foi naquele ano que a safra dos Estados Unidos se perdeu.
25:52Foi.
25:53Justamente.
25:53Aí então a gente exportou tudo.
25:55Não deixamos nada aqui.
25:57E aconteceu o quê?
25:58O criador de frango.
26:00Que também exportava.
26:01Também trazia divisa para o país.
26:03Estava abrindo mercado lá fora.
26:04Esse teve que matar milhões de pintinho aí.
26:07Porque não tinha como fazer ração para eles.
26:09Justamente.
26:10Justamente.
26:11A gente teve que fazer o quê aí?
26:13Importar de volta o milho dos Estados Unidos.
26:16Foi.
26:17Pelo dobro do preço que a gente tinha vendido para eles.
26:20É coisa.
26:20É muita incompetência nossa.
26:23Você não acha?
26:25Incompetência ou sem vergonhice?
26:27É.
26:27Eu acho que são as duas coisas juntas.
26:29É.
26:30Na sua carta ao presidente, o amigo fala dessas coisas?
26:34Falo.
26:35Com todo respeito.
26:37Mas falo.
26:50O que é isso?
27:21Vai ver que vai.
27:25Filha.
27:28O que é que você tem?
27:31Nada, mãe.
27:33Estou me sentindo um lixo, só isso.
27:36Pelo amor de Deus, filha.
27:37Não fala isso.
27:39Por que você está se sentindo assim?
27:41Nada, mãe.
27:42Por nada.
27:43Filha, o almoço vai...
27:45Ah, meu irmão, o almoço vai...
27:47Não, assim está difícil, está difícil.
27:51Com licença, filha.
27:53A filha podia ter ficado para almoçar com a gente?
27:56É, deixa a minha filha.
27:57Ela é meio esquisita.
27:59É, mas é boa moça, né?
28:00É.
28:01A filha, tem razão.
28:03Mas o amigo estava falando da carta?
28:06Ah, sim.
28:09Bom, o que eu digo em linha geral...
28:12É que não adianta falar em preço mínimo para lavoura...
28:15Controle de preço, estoque regulador de mercado...
28:18Se não tem onde armazenar nada.
28:21Quer dizer, se não tiver armazém nem silo...
28:24Ah, tudo perdido.
28:25Fica tudo na palavra.
28:27Pronto que o João garante.
28:28Mas ia garantir o quê?
28:30Se ele não tinha onde guardar nada.
28:32Essas besteiras é que me aborrecem, sabe?
28:36É melhor ficar quieto e comer, né, Zé?
28:44Nossa viagem não é ligeira
28:47Ninguém tem pressa de chegar
28:50A nossa estrada é boiadeira
28:53Não interessa onde vai dar
28:56Onde a comitiva esperança chega já
29:01Começa a festas através do rio
29:29A CIDADE NO BRASIL
30:01A CIDADE NO BRASIL
30:26A CIDADE NO BRASIL
30:29A CIDADE NO BRASIL
30:40A CIDADE NO BRASIL
30:56A CIDADE NO BRASIL
30:57A CIDADE NO BRASIL
31:22A CIDADE NO BRASIL
31:25A CIDADE NO BRASIL
31:29A CIDADE NO BRASIL
31:46A CIDADE NO BRASIL
31:53A CIDADE NO BRASIL
31:57A CIDADE NO BRASIL
32:28A CIDADE NO BRASIL
32:33A CIDADE NO BRASIL
32:49A CIDADE NO BRASIL
33:07A CIDADE NO BRASIL
33:08A CIDADE NO BRASIL
33:09A CIDADE NO BRASIL
33:12A CIDADE NO BRASIL
33:14A CIDADE NO BRASIL
33:17A CIDADE NO BRASIL
33:17A CIDADE NO BRASIL
33:19A CIDADE NO BRASIL
33:22A CIDADE NO BRASIL
33:25A CIDADE NO BRASIL
33:29Ainda bem que você reconhece
33:32Não é brincadeira uma viagem dessa
33:36Eu sei
33:37Primeiro pega avião grande
33:39Depois avião pequeno
33:41É o único jeito de se chegar até aqui
33:45Agora o que importa
33:47É que você voltou
33:49E vem com a cabeça cheia de problema
33:52Ah, não tem se nesse problema
33:56Você quer tomar jeito?
33:58E o que eu estou fazendo?
34:00Estou preocupado com coisa séria
34:01E você vem desse jeito
34:03Ah, eu só estou te querendo
34:05Ou escolheu a hora errada
34:10Demorou tanto para voltar
34:12E vim com a cabeça cheia
34:14Estou lhe dizendo
34:16Mudou o governo, mudou tudo
34:19Não sei o que vai acontecer daqui para frente
34:22E dorme quieta aí
34:24E me deixe em paz
34:30É só aqui que não muda nada nunca
34:43Enfim
34:43Não sei o que vai acontecer daqui for a vez
35:08Ela me atenta, a Guta me atenta, quem ela pensa que eu sou pra fazer isso comigo?
35:21Na beira d'água vendo ela nadar pela dona, pela dona.
35:28Sou algum trouxa, sou?
35:33Qualquer dia eu agarro ela, agarro aquela filha da mãe, então ela vai aprender a nunca mais brincar comigo.
35:45Nunca mais.
35:49É tudo uma loucura, meu Deus.
35:53Não consigo ordenar tudo isso na minha cabeça.
35:58Meu pai tem uma outra família.
36:00Eu tenho irmãos e só conheço um deles, que quase me levou pra cama.
36:07Ai, Jesus, se eu tivesse dormido com ele, eu estaria em pecado mortal.
36:13É isso aí, Juma.
36:16A, E, I, O, U.
36:20A, E, O, U são as vulgares.
36:24E cada uma tem a sua família.
36:27Isso, isso aí.
36:28Que se formam com as consoantes que eu vou te ensinar depois.
36:38Essa bola ele fez pra muda.
36:41É?
36:41É bonito?
36:42Vamos ouvir eles cantar.
36:52Sorteando em Goiadeiro, procurando paz
36:59O caminho das estrelas eu deixei pra cá
37:07Vou seguindo neste mundo, nesta solidão
37:13Eu e o meu cavalo, estrada de chão
37:17Vou pensando nela, triste ilusão
37:25Quero ser o seu amigo, ser o seu abrigo
37:30Tudo o que lhe falta, ser o seu pião
37:37Quero estar sempre ao seu lado, ter o seu perfume
37:42Ser o seu amar e não sentir ciúme
37:53Sou que eu apaixonava no alto limão
38:02Eu que não acredito que ia ser capaz
38:10E se esse amor existe, pode confessar
38:16Não me deixe triste, basta um olhar
38:19Para que eu sinta que o amor nasceu
38:27Quero ser o seu amigo, ser o seu abrigo
38:33Tudo o que lhe falta, ser o seu pião
38:40Quero estar sempre ao seu lado, ter o seu perfume
38:45Ser o seu amor, ser o seu amor
38:47E não sentir ciúme
38:52Ciúme
38:56Sou que eu e a Deus amando demais
39:06Ai, é bonita demais
39:11Esse que é paixão, hein, homem?
39:13É
39:14Paixão é uma coisa muito séria
39:17Não se deve mexer com um apaixonado não, Trindade
39:20Ainda mais desse tamanho assim
39:22Eu acho que foi por causa do Tibete que a muda voltou a falar
39:26Ai, vamos deixar de prodas que o Tibete e Trindade vão cantar ontem, não vão?
39:31Ai, o patrão é quem manda
39:34Carvalho Preto
39:36Outra vez
39:36Mas essa música me faz lembrar do meu pai
39:39Ai, eu preferia que era a casinha branca
39:41Ah, não, essa não
39:43Mas, mas pera um pouco, patrão
39:45Eu queria lhe falar uma coisa
39:47Depois a gente toca
39:49Continua a nossa cantoria, né?
39:50Bem, bem
39:51Olha, dos dois dois eu prefiro a cantoria
39:55Mas é sobre o véio do Rio
39:57Ou tá o véio do Niara aí que cê fala
39:59Que que é esse véio?
40:01O senhor sabe que eu tive ele na minhas mãos, né?
40:04Tava quase morrendo
40:05Com um furo de bala no peito
40:07Eu tô sabendo
40:09Aliás, cê devia ter trazido ele aqui
40:11Bem que eu queria, mas ele sumiu de repente
40:13Não deixou nem batida, nada
40:16Mas, que que é ele?
40:18Ele me lembra muito uma pessoa, sabe?
40:21Ele me lembra muito o senhor, assim
40:25Alguma coisa, sabe?
40:27Principalmente o zóio dele, assim
40:29Tem muito...
40:30É muito parecido com o senhor
40:32O que que cê tá me falando?
40:34Até que o Juventino nós já falamos sobre isso
40:37Ele achou também muito parecido
40:38O dia que fomos levar lá a Juma, a Muda, lá pra Tapera
40:43Mas o que que cê tá querendo me dizer?
40:47Eu... eu tenho uma desconfiança, sabe?
40:50Fala
40:52Fala
40:52Fala
40:55Fala
40:55Um dia eu tava meio aturdida quando ele tava lá na minha mão, assim
40:58Eu não atinei nunca
41:00Mas depois, sabe...
41:03Fala
41:04Esse velho, eu não sei, eu acho que o pai do senhor não morreu
41:10Eu acho que o pai do senhor é esse velho do Minha, esse velho do Rio
41:16Sei lá, esse velho que todo mundo fala
41:20Meu, Nossa Senhora
41:36Eu acho que o pai do senhor é esse velho do Rio
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