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O podcast Direito Simples desta semana recebe Ana Flávia Salles e Cristiane Simões, autoras de livros de contos sobre direito de família.
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NotíciasTranscrição
00:00Olá, olá! Eu tava semidinha, né? Mas tô de volta. Sempre estive por aqui.
00:06É que às vezes é necessário ausentar um pouquinho, né?
00:11Mas a gente tá feliz de estar aqui de volta. O Direito Simples Assim tá aqui com vocês sempre, né?
00:20Hoje nós vamos conversar, uma conversa leve, uma conversa tranquila sobre o direito das famílias.
00:32Mas olha só, é o direito das famílias num formato totalmente diferente, né?
00:40É em formato de contos, né? E quem vai falar disso pra nós aqui hoje?
00:50Pra mim, pra Tamara. Oi, gente.
00:52E pra equipe que tá ali com a gente, o Vinícius, aí ela tá ali com a gente.
00:56E o Otávio também, né? Vai falar pra gente?
01:00É a Ana Flávia Salles, que é a nossa parceira.
01:05E Cristiane Simões, que escreveram esta obra aqui.
01:15Essa obra aqui.
01:18Famílias Reais.
01:20E é sobre isso que nós vamos conversar hoje.
01:23É o direito das famílias, mas dentro da realidade daquilo que acontece sempre.
01:33Que tal, meninas?
01:35Boa, boa.
01:37Ixi.
01:38Tem problema. Sejam bem-vindas.
01:40Aí você tira isso, né?
01:41Eu falei pra não falar boa tarde, lá ia eu falar boa tarde.
01:47Repito, hein, meninas?
01:50E aí, meninas?
01:52Sejam bem-vindas.
01:56Obrigada, Rosane.
01:58Obrigada, Tamara.
02:00Um prazer estar aqui novamente com vocês.
02:03E falar um pouquinho, né?
02:05Desse livro que a gente escreveu com todo carinho.
02:08Que reflete um pouquinho do nosso trabalho.
02:1220 anos de advocacia.
02:14Então, eu tô aqui com a minha sócia, amiga.
02:17A Cristiane.
02:19E vou deixar ela se apresentar um pouquinho.
02:22Falar um pouquinho do nosso livro.
02:25Primeiramente, gostaria de agradecer o convite.
02:28Minha primeira vez aqui no Direito Simples Assim.
02:31Já estava ansiosa.
02:35Já era pra ter vindo.
02:36Ana Flávia.
02:38Ana Flávia me falou.
02:39Topei na hora.
02:40Porque esse livro foi escrito com muito carinho, né?
02:44E foi uma junção de todas as nossas histórias.
02:49De toda a nossa vivência.
02:51Durante esses 20 anos de advocacia.
02:55Né?
02:55Então, quando a gente começou lá atrás.
02:58Né?
02:59Conhecendo os clientes.
03:01Conhecendo o direito.
03:03A gente nunca imaginava, né?
03:06Que seria, né?
03:08A gente aconteceria esse livro.
03:11Né?
03:11Que a gente escreveria esse livro.
03:13E foi um prazer.
03:14Muito grande.
03:15Narrar as histórias que nós vivemos.
03:18Todo advogado tem muita...
03:20Que atua na área da família.
03:23Tem muita história pra contar, né?
03:25Vale lembrar, pessoal.
03:27Que elas são professoras, né?
03:30Professora universitária.
03:33A Ana Flávia é professora de processo civil.
03:36Inclusive, né?
03:37Isso.
03:38E advogadas, né?
03:40Advogam mesmo, né?
03:44Então, assim, a experiência aqui é bem grande.
03:47Então, a gente vai começar perguntando o que foi que motivou, né?
03:53Vocês a produzirem essa obra literária.
03:58Pois é.
04:00Pessoal, eu acho...
04:01Eu acho, não, eu tenho certeza.
04:03Que o direito de família é um dos ramos mais difíceis que nós temos na espécie aí de direitos, sabe?
04:12Eu vi até um juiz falando esses dias mesmo, que ele já atuou na vara criminal, que já atuou na
04:19vara trabalhista, que na época, quando ele era juiz, inclusive, era uma vara única, né?
04:26Então, ele precisou entender um pouco do direito do trabalho, direito penal e tudo mais.
04:32Ele falou assim que nem trabalhando com o direito penal, ele achou que era tão difícil.
04:37Mas por quê?
04:38Porque o direito de família, ele trabalha com pessoas.
04:44Nós estamos aqui discutindo algo, nós estamos discutindo a vida das pessoas.
04:52E é muito difícil quando a pessoa, ela traz pra gente ali o seu, a sua história, porque é uma
05:01história.
05:02Porque o direito de família, o que que é?
05:04É algo que fracassou.
05:07E é algo, talvez, mais importante da vida dela, que fracassou.
05:14E aí, ela precisa de resolver questões objetivas.
05:20Tem questões objetivas.
05:22Legais.
05:22Legais, que são extremamente importantes.
05:26E, abre aspas, fáceis, porque assinar um papel é fácil, tirar o nome de casado é fácil.
05:33Mas aí, dividir o patrimônio, talvez, seja fácil.
05:38Mas, quando aí envolve sentimento, filhos, aí nós temos aí um grande desafio.
05:51Não falo que é problema, é um grande desafio.
05:53Eu até brinco, lá no escritório, que trabalhar com o direito das famílias, né?
05:59É você, além de ser advogado, você ser psicólogo.
06:02Psicólogo, psicólogo.
06:03Porque você tá trabalhando, também, com a dor das pessoas.
06:06Sim.
06:07É como você falou, chegou num nível que determinadas relações, pelo menos naquele objetivo, fracassaram.
06:13Então, além de você trabalhar com o aspecto legal, objetivo, você também tem que lidar com os aspectos emocionais que
06:22influem diretamente.
06:25No curso do processo.
06:26No curso do processo.
06:27E aí, a gente vai trabalhar aí com uma questão legal, né?
06:30Vamos dizer assim, é possível, às vezes, trabalhar com uma questão consensual, onde as partes, ali, conseguem conversar e chegar
06:38no acordo.
06:38Ou, na maioria das vezes, com uma questão litigiosa, onde o pessoal vem pra briga mesmo.
06:44Isso.
06:45Porque quer, no processo, descontar as frustrações dele, das relações.
06:50Como você disse, né?
06:52Pode falar, pode falar.
06:53É o que a gente chama de humanização mesmo, né?
06:57No atendimento, né?
06:59Porque tudo começa no atendimento.
07:01Naquela ligação que o cliente faz, nossa, tô...
07:06Quero me divorciar.
07:07Não sei por onde começar, né?
07:10Então, toda essa humanização, né?
07:13Que tá por trás, ela é muito importante.
07:16Por quê?
07:17Porque é ali que a gente vai conhecer o cliente, vai desenhar a estratégia, né?
07:23Que nós vamos adotar.
07:25E mais do que isso, né, Ana?
07:27A gente vai atuar nessa parte psicológica também.
07:32Porque, muitas vezes, o cliente tá tão nervoso que ele não consegue nem dizer pra gente o que ele quer,
07:37né?
07:38Ah, eu quero me divorciar.
07:40Tem filhos? Não tem?
07:42Ah, o que eu faço?
07:43Eu tô com meu filho hoje, mas eu não quero deixar meu filho com o pai amanhã.
07:47E as coisas não funcionam dessa forma, né?
07:50Então, a gente começa a desenhar, né, todo um contexto para que as partes tenham um mínimo, né, de consenso
07:59ali, especialmente quando tem filhos, né?
08:04Envolvidos na relação.
08:05As relações são difíceis.
08:06Exatamente, é.
08:07Quando chega no escritório, o avião já tá embicado ou já caiu, né?
08:14E o que que acontece?
08:15O que a gente tem percebido?
08:17Que, não muito raro, o cliente, ele quer ser acolhido.
08:23Eles precisam desse acolhimento.
08:24Ele precisa desse acolhimento.
08:26A gente teve situações em nosso escritório, que, de uma certa forma, foi levado aí pro nosso livro,
08:32de uma cliente nossa, que ela chegou arrasada.
08:38Uma mulher maravilhosa.
08:40Você via que era uma mulher forte, uma mulher de fibra.
08:44Com uma filha.
08:45Com uma filha.
08:46E o fim do casamento a destruiu.
08:50Ela queria ouvir o quê?
08:52Você é maravilhosa.
08:55Porque ela é.
08:57Você consegue se reestruturar.
09:01Vamos procurar um trabalho?
09:03Ah, tem 20 anos que eu não estou no mercado.
09:06Ainda é tempo, você é jovem.
09:08Vamos, porque isso vai ser bom.
09:10Não é só pra uma questão de dependência.
09:13É uma questão pra você se sentir forte.
09:15Hoje, ela está no mercado de trabalho.
09:18Já está uma excelente profissional.
09:22Foi promovida.
09:23Foi promovida, inclusive, porque elas contam pra gente.
09:25O divórcio já acabou tem um ano, né?
09:27E ela conta pra gente.
09:28Olha, eu fui promovida.
09:30Aconteceu tudo isso.
09:31A gente agradece muito a vocês.
09:33Por quê?
09:33Porque ela queria ser ouvida.
09:35A dor dela.
09:36E mais do que isso.
09:37Quando a gente pega essa dor.
09:40E, de certa forma, a gente leva pro processo.
09:43Parece que é um alívio.
09:45Tão grande.
09:46Falando, você é exatamente isso que eu falei.
09:48Vocês colocaram no papel.
09:49Parece que o desabafo foi.
09:51Colocou no papel ali.
09:54A gente teve uma cliente recente agora.
09:56Que falou assim com a gente.
09:56Vocês escreveram exatamente aquilo que aconteceu comigo.
10:01Vocês colocaram no papel da forma como deveria ser feito.
10:08Exata como a gente descreve.
10:10Como eu descrevi pra vocês.
10:12Então, a gente vê o que é um alívio pra elas.
10:16Sabe?
10:17E tira aquela dor, né, Ana?
10:20Isso.
10:20E a dor foi pro papel.
10:21Foi.
10:22Então, tá lá.
10:24Tá ali.
10:25Com vocês.
10:26Confio em vocês.
10:28A minha dor tá ali.
10:30Tá ali em algum lugar.
10:32Não está em mim mais.
10:34Não está em mim mais.
10:35E como é que vocês aí fizeram, né, a construção dessa ponte aí, né, unindo o que no livro, né,
10:46tá como ficção, embora seja baseado em fatos reais, né, com essa questão emocional e a parte técnica jurídica.
10:57Você quer falar ou eu falo?
10:58Pode falar.
10:59Pode falar.
11:00O que que acontece?
11:03O direito de família, a Tamara tá me dizendo aqui que vocês trabalham muito com direito de família no escritório
11:08de vocês também.
11:09Eu sei disso, né?
11:11Só reforçando aqui.
11:14Muitas das vezes, a gente também mexe com a gente.
11:18Não dá pra falar que a pessoa te conta um caso e ela vai te trazendo algumas coisas ali no
11:23decorrer do processo.
11:24A gente fica chateado, a gente fica também brava.
11:27Não tem como, não tem empatia, né?
11:29Não tem como não ter.
11:31A gente se envolve com tudo.
11:32E não se envolver em várias histórias.
11:36A gente ficava assim, nossa, isso aqui é uma história.
11:39Eu e a Cristiana o tempo todo assim, nossa, Cris, olha isso aqui, gente, isso aqui, você pode uma coisa
11:44dessa?
11:45E a gente ficou pensando nisso, sabe?
11:47Não, a gente podia escrever, contar, fazer uns...
11:51Escrever, fazer esses contos e a gente começou a rascunhar isso num papel, né?
11:56Olha, vamos pôr esse caso aqui assim, assim.
11:58E eu, pensando lá no acadêmico, né?
12:01Falei, olha, não basta só o caso.
12:03Então, a gente tem que colocar aqui no finalzinho do livro quais são aqui as questões jurídicas
12:09e o que a gente aprende com esse caso.
12:12Então, a gente uniu a técnica, primeiro veio essa questão mesmo de colocar esses casos
12:17que as pessoas gostam muito de conhecer histórias de família, ler esses contos,
12:24que são contos pequenininhos, o livro é cheio de contos, né?
12:26Ali de duas, três páginas.
12:28Bem gostoso de ler.
12:30Até pelos alunos que estão vindo agora, os novos operadores do direito, né?
12:35É importante eles também terem a vivência, ainda que por histórias da prática, juntando isso, né?
12:43Porque é a prática propriamente dita.
12:46O livro é um livro prático de direito das famílias, né?
12:49Ali a gente, é claro que não dá pra abordar tudo, né, gente? Não dá.
12:53Não, o código é muito grande.
12:54É, não dá pra abordar tudo.
12:56Mas ali a gente traz questões sobre guarda, alimentos, divórcio, medida protetiva, alienação parental.
13:06A gente trata vários assuntos ali.
13:08E por que não fazer esse link também para o profissional do direito, né?
13:15Então, a história veio disso.
13:18Da gente ter essas escutas ao longo de todos esses anos.
13:22Tem algumas histórias aí que não são nossas, que a gente não vivenciou.
13:26Colegas que contaram.
13:27Algumas que a gente viu no jornal, né?
13:31E aí que impactaram e tudo mais.
13:33A gente também colocou.
13:34Os nomes que estão ali.
13:36Tudo que são toxiquitícios.
13:38As histórias também.
13:40Nenhuma é idêntica.
13:42A gente sempre mudou ali, sabe?
13:45Pegou um gancho, né?
13:46Pegava um ganchozinho e inventava outras coisas.
13:50Desenvolvia outras histórias.
13:51Agora, me conta aqui, meninas.
13:54Quando vocês perceberam que muito dessas histórias que a gente trabalha aí, lidar aí diariamente,
14:02elas se repetem.
14:03Os personagens são diferentes.
14:06Mas as histórias são bem semelhantes.
14:08Me conta aqui.
14:09Porque tem dia que a gente fica assim, não, mas é igual o caso do fulano.
14:13Não tem como.
14:15Não tem como.
14:16Elas não são idênticas.
14:18Idênticas.
14:19Não, sim.
14:19As histórias são semelhantes.
14:22São muito semelhantes.
14:23A gente começou a perceber no decorrer mesmo da nossa carreira.
14:30Assim, muito divórcio.
14:33Muito divórcio consensual e muito divórcio litigioso também.
14:37Porque, como a gente diz, né?
14:41O carro-chefe é o divórcio, né?
14:44Menos curatela, mais guarda também.
14:48Enfim, a gente foi pincelando um pouquinho de cada assunto, né?
14:53No livro, pra gente tentar abordar, de uma forma geral, né?
14:58Tudo que acontece no direito.
15:00Não tem como falar de tudo, né?
15:02Impossível.
15:03Mas a gente tentou pegar ali um pouquinho de cada tema pra trazer pro livro.
15:09Justamente por isso.
15:10Porque as histórias são muito semelhantes.
15:12Não tinha como contar todas.
15:13Então, a gente pincelou um pouquinho...
15:16Aquele caso que mais marcou aqui, né?
15:17O mais marcante.
15:19O mais interessante.
15:23E eu brinco muito com a Ana Flávia.
15:25E eu fiz uma ligação pra ela.
15:28Atendi uma cliente.
15:30E foi um caso engraçadíssimo.
15:32Porque ela queria se divorciar.
15:34O marido tinha uma profissão X.
15:36Ele não ficava em casa.
15:38E ela falou, Cristiana, eu estou saindo de casa.
15:40E eu vou levar tudo.
15:42E ela levou tudo, né?
15:45A Ana Flávia.
15:47Inclusive...
15:47A privada.
15:49Ela arrancou a privada e levou.
15:51A gente não teve como a gente não ir.
15:54Você tá falando a privada.
15:55Depois eu já dividi até os garfos.
15:58Três pra um, três pra outro.
16:00Teve assim, esses dias.
16:02Muito recente.
16:03Cristiana me manda uma petição.
16:05Bem assim.
16:06Eu falei, ô, Cris.
16:08Isso aí é muito comum.
16:09A gente já tá rindo aqui, né?
16:14Mas tem situações contas.
16:16Tenho.
16:16Eu tive um divórcio.
16:22Um ficou com as fotos.
16:24E o outro ficou com os porta-retratos.
16:28Pegaram a mangueira.
16:30De lavar o quintal.
16:32Dividiram no meio certinho.
16:34Eu mandei pra Ana Flávia.
16:36A vassoura.
16:37A vassoura.
16:38E o sabão em pó.
16:38Aí colocou assim, leite.
16:39Leite.
16:40Caixinhas de leite.
16:41Eu falei assim, será que a Cristiana tá falando de alimentos, gente?
16:44Eu perdi aqui na leitura?
16:46Porque pode ser, né?
16:47Leite.
16:48Aí eu liguei pra ela.
16:49Falei, o que tá acontecendo aqui?
16:50Você fez uma lista de compra e colocou aqui.
16:54Ela falou assim, não.
16:55É porque ele quer assim.
16:59Ele quer dividir dessa forma.
17:01Vamos conversar aqui.
17:02Vamos falar com ele que a gente vai fazer isso aqui à parte.
17:05Num documentozinho que ele assina.
17:06Mas vamos colocar essa petição pro juiz, não?
17:08Porque não vai ficar legal.
17:09Sabão em pó.
17:10Sabão em pó.
17:12Leite.
17:12Caixinhas de leite.
17:14Da lado de...
17:14Gente, é isso.
17:15Infelizmente é isso.
17:16Então nós temos o lado...
17:18Esse lado também.
17:20Porque quando ela falou nela, ela ligou pra mim.
17:23Ela falou assim, estou levando tudo.
17:24Inclusive a privada.
17:25Ele vai chegar e não vai ter nada.
17:27Ela não deixou nada pra ele.
17:29Então assim, são situações também que pegam a gente de surpresa, né?
17:35Ou só...
17:36Ana Flávia, muita gente que não conhece bem a terminologia jurídica
17:43tem muito medo da palavra divórcio litigioso.
17:51Eu queria que você explicasse quando é que o divórcio é consensual
17:56pra quem tá assistindo a gente
17:58quando é que ele é litigioso.
18:00Perfeito.
18:01O divórcio consensual, ele acontece quando há o quê?
18:05Um acordo entre as partes em relação a tudo.
18:09Né?
18:10Então eu tenho acordo em relação a patrimônio.
18:14Se tiver filhos, a guarda dos filhos.
18:17Pensão alimentícia.
18:19Então eu tenho um acordo em relação a tudo.
18:21A todos os pontos.
18:22A todos os pontos do divórcio.
18:23Engraçado você mencionar esses pontos do divórcio
18:26porque muita gente quando fala assim
18:28eu quero me divorciar
18:29ela só acha que é tipo assim, é desquitar.
18:32É largar ou o sujeito ou a mulher.
18:36Não.
18:36Mas quando tem, né?
18:37Envolve.
18:38Tem patrimônio em conjunto.
18:40Porque caso olhe num regime.
18:42Tem também a questão dos filhos, se houver.
18:44Então como é que vai ficar?
18:45A questão da convivência.
18:47A questão da residência fixa.
18:50Os alimentos pra prover a subsistência.
18:53E aí quando você começa a tocar nesses pontos...
18:56Aí o negócio muda.
18:57Exatamente.
18:58Aí o negócio muda.
19:00O litigioso ele acontece...
19:03Acontece quando?
19:05Melhor dizendo.
19:06Acontece-se quando eu tenho esses pontos
19:09e as partes o quê?
19:11Divergem.
19:13A divisão não pode ser assim.
19:15Eu não concordo da guarda ser dessa forma.
19:18Eu quero um regime de convivência diferenciado.
19:21Anunciado.
19:22Então aí eu tenho o divórcio litigioso.
19:24Eu quero aquele bem.
19:25Mas aquele bem não é seu, é meu.
19:27É.
19:28Exatamente.
19:29E aí eu queria pegar essa ponte aqui.
19:32Que eu e a Cristiana, a gente tá conversando muito sobre isso nos últimos dias.
19:36Sabe, gente?
19:37É um ponto até de alerta mesmo.
19:39E até de falar um pouco de um olhar diferente.
19:45Como nós estamos falando aqui, o direito de família, ele versa sobre o quê?
19:51Ele trabalha com o quê?
19:52Com vidas.
19:53Sim.
19:53Com vidas.
19:56E não muito raro, as pessoas querem briga.
20:02E o que a briga faz num caso de divórcio?
20:05É eu pegar a minha vida e colocar na mão do juiz pra ele decidir.
20:12Olha o perigo disso.
20:14Isso é muito perigoso.
20:16Por quê?
20:16Porque o juiz não me conhece.
20:18Não conhece a rotina dos meus filhos.
20:21Não conhece como sou eu nas quatro paredes da minha casa.
20:27Não sabe como que é o meu marido.
20:31E o que a gente tem visto hoje, gente, o futuro do direito das famílias é a mediação.
20:37Isso não quer dizer que eu vou perder.
20:40Exatamente.
20:41Eu não vou perder.
20:43Eles ficam muito numa questão de quem ganha e quem perde.
20:46Na verdade, não tem isso.
20:47Não tem isso.
20:48Sabe por quê, Tamara?
20:49Porque o que a gente vê, Rô, é que com o litígio, um processo que vai durar cinco anos,
20:59lá na frente, não mudaria muito o que a gente conseguiria aqui atrás, ó, numa mediação.
21:04Só que aí já passou esse tempo todo de tempo processual, desgaste mental, sabe?
21:12Sofrimento.
21:13Patrimônio, às vezes, depreciando.
21:14Patrimônio, depreciando, briga, gente.
21:17A mediação é o caminho.
21:19É o caminho.
21:20Sim.
21:21E às vezes, não muito raro, gente, nossos colegas, eles não querem.
21:27Os nossos colegas entram na frente dos seus clientes e não permitem.
21:32Nós tivemos um caso que a advogada não me deixou falar com a parte contrária numa audiência de conciliação.
21:37Eu falei, deixa eu falar o que eu quero oferecer pra vocês.
21:40Não, não tem acordo, não tem acordo.
21:42E gritava.
21:44Eu falei, mas deixa eu falar.
21:46E tudo que a gente estava oferecendo era o que ela estava pedindo na inicial.
21:51Inclusive, não teve acordo.
21:53Inclusive, era até superior ao pedido, né?
21:55É, é isso, isso.
21:57O marido estava, inclusive, oferecendo um valor a mais.
22:01Ela não quis ouvir, não deixou a cliente dela.
22:04Na hora que a cliente dela queria, ela ia falar, a gente percebeu que a cliente queria.
22:09Ela não deixou, ela entrou na frente e não permitiu.
22:11Ok, nós estamos agora num litigioso.
22:13Pra quê?
22:14Sem necessidade.
22:14Sem necessidade.
22:15Sem, né?
22:15Pro juiz chegar lá na frente e a decisão vai ser pior pra ela.
22:20Infelizmente, a decisão vai ser pior pra ela.
22:23É.
22:24Então, é o futuro.
22:26Gente, vamos sentar.
22:27Passa pela conscientização da própria classe, né?
22:30Da própria classe e outra.
22:32Vamos, nós resolvemos os nossos problemas.
22:36Direito de família é problema pessoal.
22:38Vamos tratar, vamos pensar.
22:40Direito de família é problema pessoal.
22:42Problema pessoal eu resolvo onde?
22:44Dentro da minha casa.
22:46E tem essa questão também de levar para os filhos.
22:50Essa frustração do casamento, essa frustração do divórcio e descontar nos filhos.
22:56Inclusive, gerando a questão da alienação parental.
23:00A alienação parental e um desgaste enorme.
23:03Porque quando um pai não consegue pegar um filho, a mãe não consegue pegar um filho.
23:08Gente, aquilo, assim, acaba com a pessoa.
23:11É, aquelas crianças, às vezes, ficam órfãs de pais e mães vivos, né?
23:18Pô, exatamente.
23:19E é engraçado que a gente tem percebido também uma mudança nesse aspecto, né?
23:26Porque, geralmente, se tem a residência fixa, né?
23:29Materna.
23:30Principalmente quando a gente está falando de menores, né?
23:34Pequenos e tal.
23:35E os pais, cada vez mais, eles querem participar.
23:40Eles querem ser pais.
23:42E não pais de final de semana.
23:45Então, como que é a percepção de vocês nessa mudança?
23:48Porque a gente tem percebido esse caminho.
23:52Porque pai é pai, gente.
23:54E aí, muitas vezes, a gente tem que ir pra justiça pra brigar pro pai poder participar.
24:01E é exatamente isso.
24:02A gente tem visto isso de uma forma muito crescente, tem aparecido no nosso escritório, né, Cris?
24:08Sim.
24:08Muito crescente.
24:10Porque, gente, vamos pensar.
24:11Tudo mudou.
24:13Antes, antigamente, as pessoas tinham dez filhos.
24:16Aí, tinha os filhos, cresciam, tava tudo largado e tudo mais.
24:21A geração dos nossos pais já era essa.
24:24A nossa geração já é a geração de pais que tem menos filhos.
24:28Tem três filhos, dois filhos.
24:30É essa geração.
24:31E essa nova geração, quantos filhos os pais têm?
24:34É um.
24:34No máximo, dois.
24:36Os filhos, hoje, eles são muito desejados.
24:39Eles são planejados.
24:41Eles, eu quero ser mãe, eu quero ser pai.
24:44E a relação mudou.
24:46A mulher trabalha e o homem trabalha.
24:49Então, o homem, hoje, tem desenvolvido um papel dentro de casa com uma mulher.
24:55É um homem ajuda nos deveres de casa, ajuda nas atividades domésticas, leva na escola, busca na escola.
25:01E por que, então, com a separação vai mudar?
25:04Então, é isso que eles colocam pra gente.
25:06Eu tive um cliente que falou assim pra mim, eu quero ser pai.
25:09Pai, me deixa ser pai.
25:12Eu tô separando, né?
25:14E o homem é minha filha.
25:15O que a gente tá terminando aqui é o laço conjugal.
25:18Sim.
25:19E não o laço filial, né?
25:20Isso.
25:21E a gente tem percebido isso de uma forma muito crescente.
25:23Então, o pai, hoje, ele não quer pegar a criança de 15 em 15 dias.
25:27Ele quer pernoites semanais.
25:29Quando ele não quer que o lar de referência seja o lar dele.
25:34Quando ele não quer isso.
25:36E a gente tem visto um movimento que eles estão conseguindo.
25:41Não porque a mãe é uma má mãe.
25:44De forma nenhuma.
25:45Porque, às vezes, a rotina da criança, ela ficava mais com o pai.
25:50Por que eu vou mudar isso?
25:53Não tem necessidade de mudar isso.
25:56Então, é isso que a gente tem percebido.
25:59Sabe?
25:59De uma forma muito crescente.
26:01Os pais querendo exercer o seu papel de uma forma mais incisiva mesmo.
26:10Sabe?
26:11Mais participativa.
26:12Mais participativa.
26:15Só um minutinho, Tamara.
26:17De outro lado, nós temos também mães que querem que o pai seja pai.
26:27E ele é que não quer.
26:28E temos também.
26:30Rô, eu acho que 70% está nessa situação aí que você disse.
26:36Ainda continua a maioria, né?
26:38Ainda continua a maioria.
26:39Isso tudo que a gente está dizendo aqui, né?
26:41Dos pais participativos, dos pais que querem ser pais.
26:44É uma minoria.
26:46Ainda é uma minoria.
26:48Mas, a regra é essa.
26:50As mães querendo que os pais sejam pais que colaborem, que ajudem.
26:55Mas, eu acho que está virando.
26:57Eu acho que esse jogo aí, uma hora vai ficar equilibrado.
27:01Tinha que ficar equilibrado.
27:02Vai ficar equilibrado.
27:03Eu acho que a gente está caminhando para isso.
27:06Ainda não temos, mas estamos caminhando para isso.
27:09Exatamente isso que uma juíza nos disse numa audiência que a gente participou.
27:13Que o pai queria ser pai, né?
27:15Numa dessas audiências que a gente participou.
27:17Ela falou, gente, falou com a mãe.
27:20Ela tratou assim, ô mãezinha.
27:22Aqui no direito de...
27:23Aqui na meia vara, a maioria das mães tem que brigar.
27:26Ele quer exercer a paternidade.
27:29Ele quer ficar com a filha.
27:30Vamos pensar.
27:31Vamos conversar.
27:32A juíza foi muito sábia, sabe?
27:35Nesse momento em fazer, ali é uma intervenção.
27:38Mas é exatamente o que você falou.
27:40A maioria, como a Cris falou, a maioria ainda são os pais de finais de semana.
27:44E olha lá.
27:46Mas nós temos os pais que querem ser pais efetivos.
27:51E o número tem crescido bastante nesse sentido.
27:53Tem.
27:54E a gente ainda não pode esquecer que a gente está falando aqui do direito das famílias.
27:59Mas e quando esse direito das famílias, ele cruza com o direito criminal?
28:04Exatamente.
28:05Quando a gente pega aí a questão de uma medida protetiva, né?
28:08Muitas vezes, tá, gente?
28:10E aqui eu estou...
28:11Não quero dizer que é a regra, né?
28:13Porque a gente sabe que o número de feminicídios cada vez está maior.
28:16Mas muitas vezes, na questão do direito das famílias, essas medidas vêm como instrumento de vingança.
28:24Ela vem como forma de tentar afastar o genitor dos filhos, da casa, do local.
28:35E aí, o litígio que já era difícil fica muito maior.
28:40Porque aí a gente vai precisar de um mediador para poder intermediar essas conversas dos filhos.
28:46E aí a coisa toma um patamar, sim.
28:49Totalmente.
28:50Conta aí para a gente, gente, qual que é a experiência de vocês nesse sentido?
28:54Você quer começar a falar?
28:55Pode começar a falar.
28:58O que é que acontece, tá, Mara?
29:01Que a gente também tem visto o número disso crescer consideravelmente.
29:05Crescer consideravelmente.
29:06O problema é que as pessoas hoje, elas confundem muito os institutos.
29:10Sim.
29:10Uma coisa é a medida protetiva, que ela é deferida em favor de quem?
29:16Eu tenho que delimitar.
29:18Se a medida protetiva, ela é específica para a ex-mulher, os filhos continuam com acesso ao pai normalmente.
29:30Né?
29:31E o que que tem acontecido automaticamente?
29:34Se eu tenho uma medida protetiva, geralmente lá no juízo de família, ele defere uma guarda unilateral provisória porque não
29:41pode ter o contato entre os pais.
29:43Então, para a mãe o quê?
29:45Tomar uma decisão específica sobre uma matrícula de escola, sobre uma questão ali rotineira, pontual da criança.
29:53Quando se defere uma guarda unilateral provisória, não quer dizer que o pai perdeu o poder familiar.
30:02Ele continua exercendo o seu poder familiar.
30:05É um outro ponto.
30:06Porque a gente tem situações, por exemplo, que a mãe, ela corta todos os acessos do filho em relação ao
30:14pai.
30:15E a medida protetiva não é.
30:17Não é, não é da criança.
30:18Então, o pai não passa a não ter acesso a questões escolares, questões médicas da criança.
30:23E não é isso.
30:25E aí, isso vai deságua aonde?
30:29Na alienação parental.
30:31Porque uma vez que quem ali detém a medida provisória, a medida protetiva, né?
30:39E que eu não entro nesse aspecto.
30:40Se deferiu a medida protetiva, eu tinha que deferir mesmo.
30:43Eu não entro nessa questão.
30:46Mas o problema passa a partir de que a criança é colocada nesse conflito.
30:51E ela passa a ser o quê?
30:53Um instrumento para se vingar do pai.
30:57E isso não pode acontecer.
30:59Não.
30:59Explica aqui, para os leigos, o que é alienação parental?
31:03A alienação parental, ela acontece quando qualquer um dos cônjuges, tá?
31:09Isso pode ser a mãe ou o pai.
31:11Ou qualquer outro membro da família.
31:12Qualquer outro membro da família.
31:14Perfeito.
31:14Qualquer outro membro da família.
31:17Ele passa informações para a criança para desqualificar o seu genitor.
31:25Né?
31:25Por exemplo, o pai fala mal da mãe.
31:29Fala, por exemplo, que...
31:32Ah, o seu pai não dá pensão?
31:34O seu pai não veio te buscar hoje?
31:37Ah, você vai viajar?
31:39Aquele lugar é tão ruim com o seu pai?
31:40É assim.
31:41Né?
31:42É horrível aquele lugar.
31:43Se eu fosse você, eu não ia, não.
31:44Ai, hoje eu não posso comprar esse bolo para você porque o seu pai não pagou a pensão.
31:51Exatamente.
31:52E às vezes pagou tudo, né?
31:55E às vezes pagou tudo.
31:57Então, a alienação parental é isso.
32:00É desqualificar.
32:02É colocar a criança ou o adolescente no centro do conflito.
32:08Por exemplo, eu não posso conversar com o meu ex-marido porque eu tenho uma medida protetiva.
32:14A criança passa a ser a ponte.
32:16Tem assuntos que não são assuntos de criança.
32:18A criança vai falar assim.
32:19Ah, porque minha mãe falou assim que amanhã você vai me buscar lá na casa do meu tio.
32:25Ah, o dia das minhas férias é dia tal.
32:27Isso não é conversa para a criança.
32:29Isso não é conversa.
32:30Os genitores que tem que decidir, né?
32:32É os genitores.
32:33Ah, tem uma medida protetiva.
32:34Cadê o terceiro intermediador?
32:36Porque às vezes também eles não conseguem definir quem é o terceiro intermediador.
32:40Não estou falando que está certo ou errado, não.
32:42Mas eles têm que definir.
32:43E às vezes acaba que cai para a gente.
32:46Tem hora que até o advogado só faz isso.
32:48Até o advogado tem que ser o terceiro intermediador.
32:50E isso não é função do advogado.
32:52Isso é uma questão de família.
32:53É eles que têm que resolver.
32:55Como que eu vou definir o local para buscar uma criança?
32:59Para a gente, essa confusão dos institutos é o que mais tem ocorrido.
33:06E o que a gente acha mais grave, sabe?
33:10Essa confusão da medida protetiva para a mãe, né?
33:14E o pai não poder fazer nada com a criança.
33:18Não poder sequer pegar a criança, né?
33:21Nós tivemos um caso no escritório que o pai ficou 90 dias sem ver a filha, né?
33:26Você está falando 90, eu tenho um que já passou de dois anos.
33:30Pois é, né?
33:31Nós estamos falando aqui de muito tempo.
33:34E o que acontece com a criança?
33:35Ela vai perdendo as referências, ela vai perdendo o vínculo.
33:39Ela perde aquele amor mesmo que ela sentia pelo pai.
33:43Nossa, mas tem 90 dias que eu não vejo o meu pai.
33:45Então, a gente percebe essa dificuldade enorme, né?
33:52Dessa volta aí para a convivência, né?
33:57Com essa confusão dos institutos.
34:00E a medida protetiva para a mãe...
34:02Pois é, mas como resolver isso?
34:05Principalmente se estiver bombardeando a criança com informações mentirosas.
34:09Mentirosas, né?
34:10E normalmente está, Rô.
34:12E normalmente acontece.
34:13A gente teve casos no escritório que a mãe falando que o pai teve relacionamento extra-conjugal
34:19quando ela estava grávida, falando para a filha.
34:23Aí o pai chegou para a gente, Ana Flávia, eu não falei, não tive.
34:26Eu falei, mas ainda que tivesse.
34:27Isso não era um assunto para ela tratar com a filha.
34:30A menina tem 14, 15 anos, foi contar isso para ela.
34:34O pai descobriu porque viu no celular da menina.
34:37Ela contando isso para um colega.
34:40É extremamente complicado.
34:42A menina está com um monte do pai.
34:43Ele falou assim, como é que eu vou trazer a minha filha de volta?
34:46E aí a gente tem a confusão, né?
34:48Desses institutos.
34:50Aplicando isso na prática também que não facilita.
34:53Porque a criança, num dia tem.
34:55O pai e a mãe dentro de casa, está tudo certo.
34:58Num outro, o pai sumiu.
35:00O pai não aparece mais.
35:01A criança fica com esse sentimento de que foi abandonado.
35:05Exatamente.
35:06E aí o pai não pode entrar em contato.
35:09Porque muitas vezes, a gente está falando que essa ainda tem 15.
35:13Ela consegue ter acesso ao celular e poder conversar com o pai diretamente.
35:17Mas é aquele que tem 2, 3.
35:19Que não tem como.
35:20Que aí depende, por exemplo, do celular da mãe para manter esse contato com o pai.
35:25Com a medida protetiva, isso cai.
35:27E aí cadê o intermediário para fazer isso?
35:30O intermediário está no mesmo lugar?
35:31Está na mesma casa?
35:32Como é que...
35:33Ô gente, é tanta complexidade que muitas vezes, muitas vezes a lei não é capaz.
35:39Ela não é capaz.
35:40Eu falo que a lei é fria.
35:42Ela é fria.
35:43Ela não é capaz de lidar com essas relações.
35:45Ela não consegue trabalhar com os problemas pessoais.
35:49Direito de família, direito das famílias é o quê?
35:52São problemas pessoais.
35:56Exatamente.
35:57São problemas pessoais, gente.
35:58E muitas vezes, gente, uma simples conversa resolveria.
36:04Uma simples conversa.
36:06Ah, você pode.
36:09Temos também no escritório, vocês devem ter também.
36:12Ah, troca de final de semana.
36:14Muitos pais não aceitam trocar o final de semana e acabou.
36:19E aquilo vira uma regra.
36:21E não tem jeito, né?
36:24Então, assim, uma simples conversa.
36:25Você pode trocar comigo um final de semana?
36:28Eu posso passar um final de semana com você?
36:30Posso ficar dois finais de semana com a minha filha?
36:32Você fica dois?
36:33Então, essa falta de comunicação, né?
36:36Que gera todo esse desgaste pro filho.
36:39Também é um grande problema.
36:42Que a lei também...
36:42Mas a origem disso é a origem de cada um.
36:45É, cada um.
36:46Não tem nada a ver com as crianças.
36:48E o juiz não consegue decidir.
36:49E aí leva pro judiciário.
36:51Acha que o judiciário vai resolver isso.
36:53E o judiciário não resolve.
36:55Aí é que tá o problema.
36:56O que a gente percebe nessa geração de agora
36:59é a falta de maturidade emocional
37:02pra separar as coisas e lidar com os determinados problemas.
37:07Porque separa-se da relação conjugal,
37:09mas não consegue se separar de toda a confusão
37:13e saber que as crianças não tem nada a ver com aquilo.
37:16e que, por exemplo,
37:17quão melhor seria se eu tivesse um pai participativo
37:21que pudesse dividir comigo?
37:23Porque a gente sabe que a vida acontece.
37:25Então, se determinado final de semana que seria meu,
37:28mas eu tenho, por exemplo, uma atividade profissional,
37:31alguma coisa pra fazer,
37:32olha, você pode trocar comigo?
37:34Porque é isso, gente.
37:35Os pais, na criação dos filhos,
37:37eles têm que ser complementares.
37:40Eles têm que se ajudar.
37:42E aí ficam na brigaiada,
37:43achando que isso vai resolver alguma coisa,
37:45que o juiz vai resolver isso.
37:46É que o juiz vai resolver.
37:47E não vai.
37:48O juiz é o salvador.
37:49E não vai.
37:50E uma conversa de cinco minutos
37:53resolveria absolutamente...
37:54E o judiciário ali, atolado de processos...
37:57Não consegue.
37:57Por conta disso.
37:58Não consegue.
37:59E a gente precisa concordar com o judiciário,
38:01porque isso não é o papel do judiciário, realmente.
38:03Não.
38:03Não é o papel do judiciário.
38:05Não é o papel do advogado.
38:06Eu sinto muito quando eu vejo
38:08que os processos de divórcio,
38:11eles vão...
38:12Eles caminham, né?
38:13Eles caminham pra frente.
38:15Porque eu falo,
38:15gente, dava pra resolver isso
38:17na audiência de conciliação.
38:18Exatamente.
38:19Dava pra resolver isso
38:20nós sentados no nosso escritório,
38:23eu e os advogados da parte contrária, né?
38:25Nós aqui.
38:27Dava pra resolver isso.
38:29É.
38:30Porque vai chegar lá na frente,
38:31não vai ficar muito diferente.
38:33Talvez aí também a gente precise também
38:35dessa questão da mediação, né?
38:37Da mediação ser mais divulgada.
38:40Dessa questão, né?
38:41Das conversas.
38:42Porque a mediação é exatamente isso.
38:43Quem resolve não é o juiz.
38:46É as partes.
38:47São as partes.
38:47As próprias partes que resolvem.
38:50Com a ajuda do intermediador.
38:53Então, talvez...
38:54Do mediador.
38:54É, do mediador.
38:55Então, talvez o mais importante
38:57é abrir o leque,
38:59é abrir as possibilidades
39:01e as pessoas terem mais acesso
39:03a essa questão da mediação.
39:06Porque muitos advogados, né?
39:07Como aqui, a gente, vocês,
39:08são formados em mediação.
39:10E são passíveis, né?
39:12De poder realizar isso.
39:13Então, a gente ainda tem um caminho,
39:15eu acho que, árduo.
39:16Porque essas questões, né?
39:19Que vem ali, a alienação parental,
39:20a medida protetiva,
39:22elas cada vez mais dificultam, né?
39:24As relações sociais, né?
39:27Envolvendo aí a questão
39:28dos direitos das famílias, né, gente?
39:30Mas como é que é isso?
39:31Vamos falar aqui, de novo, sobre isso.
39:32Como é que é tirar...
39:34Tá ali envolvido com aquela narrativa,
39:37aquela história
39:37daquele cliente que chegou,
39:40que tá ali narrando os fatos e tal.
39:44Chega a estar envolvido ali,
39:47emocionalmente, com aquela narrativa
39:48e separar isso do técnico.
39:53É difícil.
39:55É difícil.
39:56É difícil.
39:56Porque, muitas vezes,
39:58a gente se envolve.
40:00A gente se envolve.
40:01Então, a gente precisa ter
40:02muito foco
40:04e a racionalidade mesmo
40:06pra lidar, né?
40:08Com a petição,
40:09com o processo
40:10e também com a emoção.
40:13Porque nos aflige também, né?
40:15Um cliente que ele não tem
40:17uma tutela deferida,
40:20isso não...
40:21Isso é chato pra gente.
40:22Isso é chato pra gente.
40:23É difícil de engolir.
40:23A gente fica triste.
40:24É difícil de engolir.
40:26É difícil de aceitar também, né?
40:29É difícil.
40:30Mas a gente vai, né?
40:32Por etapas,
40:33vamos criando estratégias.
40:36Caminhando, né?
40:36Caminhando, né?
40:37Tem os recursos, obviamente.
40:39E a gente vai caminhando
40:40nesse sentido pra tratar.
40:41Mas é tudo coisa que alonga
40:42o processo, né?
40:44Uma coisa que já poderia
40:45ter sido resolvida.
40:50Né?
40:50que advogar em conjunto
40:52facilita muito a vida.
40:54Porque quando a gente
40:55se envolve em determinados casos,
40:57assim, porque...
40:58A gente também é humano.
41:00É, a gente se envolve.
41:00E aí, você vir e fala,
41:02não, Rô, você faz a peça
41:03desse trem,
41:03que eu não tô dando conta, não.
41:05Entendeu?
41:06E aí, você vai trocando.
41:08E aí, ou se não,
41:09você faz,
41:10mas aí outro vai lá,
41:11revisa,
41:11porque, né?
41:12Você tá envolvido ali,
41:14principalmente,
41:15porque acho que todo mundo
41:16já passou por isso
41:16quando a gente advoga
41:17pra parente, né?
41:19Ou família,
41:20que a gente tá enfiado
41:21no meio,
41:22aí fica difícil.
41:23É pior ainda.
41:24É pior ainda.
41:25Então, aí, às vezes...
41:26Melhor é não advogar
41:27pra parente,
41:28mas não tem jeito, né?
41:29Sempre vem.
41:30Então, aí,
41:31por isso que eu falo
41:32tanto que ajuda
41:33a gente a advogar
41:34em conjunto.
41:35Que além de ter
41:36essas trocas, né?
41:37A gente é possível,
41:38tem hora,
41:39não, segura aí
41:40que eu não tô dando conta, não.
41:41Exatamente.
41:43Exatamente.
41:44Mas me fala
41:45uma coisa aqui.
41:48vocês acham
41:49que as pessoas hoje
41:49estão mais informadas
41:51dos seus direitos?
41:54Não.
41:55Continuam não...
41:56O que que acontece?
41:57As pessoas acham
41:59que as informações,
42:00elas chegam.
42:01O Instagram tá aí,
42:03o TikTok tá aí.
42:05Gente,
42:07o que que tá acontecendo?
42:09São informações truncadas.
42:11São informações erradas.
42:12As pessoas acham
42:14que elas sabem
42:15quais são os seus direitos.
42:18é ler...
42:20Antes era ler o Google, né?
42:21Agora é a inteligência artificial.
42:23Hoje é a inteligência artificial.
42:26A inteligência artificial,
42:27ela não resolve os problemas.
42:29A gente sabe perfeitamente.
42:32Pra você...
42:33Tem gente fazendo terapia
42:35pela inteligência artificial.
42:36o pessoal que faltava, né?
42:38O que que acontece?
42:40Eu posso me utilizar
42:41da inteligência artificial?
42:43Eu posso e devo.
42:44Ela tá aí.
42:45É uma...
42:46Uma ferramenta.
42:47Uma ferramenta.
42:48É isso.
42:49Contudo, gente,
42:50pra eu saber
42:51se aquela informação
42:53ela pode ser utilizada
42:54ou não,
42:54eu tenho que ter
42:57bagagem pra tanto.
42:59então eu sei
43:00se eu faço uma pergunta
43:01lá
43:03para a inteligência artificial
43:04sobre determinado tema
43:05eu sei se essa resposta
43:07está certa
43:08ou se está errada.
43:09Às vezes eu tô querendo
43:10uma outra coisa
43:11que ela me traga
43:12uma outra coisa
43:12um dispositivo de lei
43:13que eu esqueci
43:14ou se tem alguma outra coisa
43:16que eu podia pensar
43:17e tudo mais
43:17pra complementar.
43:19Mas o leigo
43:21quando ele lê
43:22algo
43:23que ele tem uma informação
43:24no Instagram
43:24no TikTok
43:26ele acha
43:27que ele tem informação
43:29mas ele não tem
43:30porque nem os advogados
43:32estão tendo
43:32isso é uma realidade.
43:34Os recém-formados
43:35Eles não estão tendo
43:36porque eles estão formando
43:38gente, me perdoe
43:39mas é...
43:40Não é a regra.
43:42Botou a boca no trombone.
43:44É a geração
43:46ali
43:47é a geração
43:49formada no chat
43:50é a geração
43:51formada no TikTok
43:52porque não pega
43:54um livro pra ler
43:55e confia 100%
43:57por isso que a gente tem
43:58jurisprudência fake
43:59nas petições
44:00nós temos
44:02petições de inteligência
44:03artificial horríveis
44:05porque a gente pega
44:06peguei uma petição
44:08recentemente aí
44:09de 30 e tantas páginas
44:10tudo repetitivo
44:12a pessoa nem leu
44:13o que ela
44:14que a inteligência artificial fez
44:17nem leu
44:18e colocou lá no processo
44:20e já tá gerando
44:21isso já tá gerando
44:22multa
44:23já
44:23multa
44:24litigada
44:24é um advogado
44:25isso
44:25é ofício
44:26pra UAB
44:26e tudo mais
44:27então assim
44:29informação não
44:30tamadão
44:31não estão
44:32nós somos
44:34da geração
44:35empurrando carrinho
44:36no fórum
44:38empurrando carrinho
44:39no fórum
44:40indo ao fórum
44:41fazer carga em processo
44:42pegando os camalhaços
44:43né
44:43nossa
44:44uma distração
44:45que leia
44:46que lia
44:46livros
44:47às vezes
44:48eu fui coordenadora
44:49gente
44:50aluno chegava pra mim
44:51ah o professor é ruim
44:52aí você pergunta assim
44:53qual livro você está lendo
44:55é
44:55é
44:56é
44:57é
44:57é
44:57é
44:57é
44:58é nenhum
45:00aí eu só não tenho como
45:01argumentar comigo
45:02porque
45:02quando eu leio um livro
45:04aí eu posso falar assim
45:05o professor é muito ruim
45:07porque
45:08tudo que ele está falando
45:09está contrário aqui
45:10ou ele é muito bom
45:11nossa
45:12tem uma coisa complexa
45:13que eu li aqui
45:13ele me explicou
45:14e é demais
45:17mas não leia um livro
45:18é difícil
45:20ô gente
45:20vocês acreditam
45:21que o nosso tempo
45:22ah
45:22ah
45:23a gente começa né
45:27nessa falação
45:28e é tanto
45:29tanto
45:31caso que a gente tem
45:32tanta coisa pra passar
45:33mas a gente pode fazer isso
45:35mais vezes
45:36né
45:37de
45:38reunir pra conversar
45:39sobre os casos
45:41que a gente recebe
45:43nos
45:43emblemáticos
45:44no escritório
45:45de todas as áreas
45:47de
45:47de sucessão
45:49que também dá muita confusão
45:51né
45:52ou
45:53enfim
45:54a gente pode falar
45:54de várias coisas
45:55qual que parte do direito
45:56que não dá confusão quase
45:58é
45:58então
45:58ah
45:59o que vocês querem
46:00deixar aí pro
46:01pro público
46:03pra gente
46:03encerrar aqui
46:04podem falar também
46:05as
46:07as
46:07as
46:07contatos
46:08as redes
46:09de vocês
46:10ó pessoal
46:11é agradecer
46:12mesmo
46:13a oportunidade de estar aqui
46:14falando um pouquinho
46:15sobre nós
46:15sobre o livro
46:16né
46:17o livro aí
46:18famílias reais
46:18qual dessas histórias
46:20é a sua
46:20e tem também o outro aqui
46:21né
46:21e tem o outro
46:21meu aqui
46:22esse já é específico
46:24pra né
46:25quem é formado em direito
46:26quem é estudante
46:27que são
46:27é o livro
46:28sobre juizados especiais
46:29o meu instagram
46:31é
46:32arroba
46:32deixa eu lembrar
46:34tá vendo
46:35eu não sou
46:35dessa geração
46:36eu acho
46:37ah não
46:37tá
46:39arroba
46:40advogada
46:40Ana Flávia Salles
46:42o da Cris
46:42é qual Cris?
46:43é
46:44Cris
46:44TH Simões
46:46é
46:47Cris
46:48TH Simões
46:49é um instagram
46:50gente
46:50vocês estão bugando
46:51pelo amor de Deus
46:52e hoje eu falei
46:53não
46:53bugando
46:53não
46:54e o do nosso
46:56escritório
46:57é
46:57Salles e Simões
47:00muito bem
47:00vou aproveitar
47:01e vou fazer propaganda
47:02do nosso também
47:03né
47:03a gente tem gente
47:05o instagram
47:06do Direito Simples
47:07assim
47:07é
47:08ADV
47:08que tem muita informação
47:10que a gente vai divulgando
47:11aqui os podcasts
47:12a nossa coluna
47:14no EM Digital
47:15e o nosso podcast
47:16que tá aqui
47:17no Portal AY
47:18né
47:18no canal no Youtube
47:19vinculado ao Estado
47:21de Minas
47:22e a gente agora
47:23tem Spotify
47:25né
47:25então procura a gente
47:27lá também
47:27no Spotify
47:28pra poder ouvir a gente
47:29agora
47:30quando quiser
47:31ótimo
47:32e a Ana
47:33faz parte aqui
47:33do grupo
47:34exatamente
47:35eu ia falar no início
47:36a Ana não tem nem
47:37o que falar
47:38porque ela já é
47:40faz parte aqui
47:41da casa
47:42exatamente
47:42a gente quer agradecer
47:44ela tem que voltar mais
47:45o Otávio
47:45que tá ali
47:46como sempre
47:46dando a maior força
47:47pra nós
47:48o Vinícius
47:49obrigada
47:49gente
47:50então nós vamos
47:50ficar por aqui
47:51tá
47:52obrigada
47:53tchau
47:53tchau
47:53tchau
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