- há 23 horas
O podcast Direito Simples Assim discute Direito do Trabalho. Vinícius e Cláudia Viegas conversam com Washington Timóteo Teixeira Neto, mestre em Direito e professor, e com a professora Cida Vidigal, mestre em Direito do Trabalho.
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NotíciasTranscrição
00:00Olá meus amigos do Direito Simples Assim, hoje aqui de novo com mais um programa, sempre a gente traz aqui
00:06os temas mais interessantes sobre o direito, as pessoas que têm muita coisa para falar
00:11e hoje nós estamos aqui mais uma vez trazendo um tema muito interessante.
00:16Hoje do meu lado aqui a gente tem algumas mudanças, gente nova no pedaço, mas que é nossa parceira de
00:23muito tempo
00:24e principalmente o tema é muito interessante e ela vai nos ajudar a contribuir junto com as outras pessoas que
00:31vão falar aqui
00:32que é a nossa nova companheira, Cláudia Viegas, que vai estar aqui junto com a gente ajudando a debater o
00:40tema.
00:40Olá pessoal, é uma honra estar aqui no Direito Simples Assim e será uma excelente entrevista.
00:48Bom, hoje nós temos um tema muito interessante, até em conversa com uma das nossas debatedoras aqui
00:56a gente tem visto, eu que sou advogado, a gente vê muito nas redes sociais um alarde de terror
01:03muitas vezes calibrado um pouco como técnica de venda, nada como você assustar um pouco para poder vender o seu
01:10produto
01:10que muitas vezes a gente sabe que às vezes nem resolve tudo.
01:13Então o tema de hoje é muito interessante, muito atual, nós vamos falar hoje sobre a norma regulamentadora 01
01:21que é a NR01, a famosa NR01, que vai tratar das questões de segurança e saúde do trabalho
01:28essa regra já existe, mas agora ela tem uma nova incorporação nela
01:33e nós vamos entender um pouco sobre esse tema e para hoje nós trouxemos duas pessoas muito especiais
01:40futuros colaboradores, porque geralmente a pessoa vem aqui e não vem uma vez, ela repete.
01:45Então vamos estar aqui hoje com o doutor Washington Timóteo Teixeira Neto
01:49que é juiz federal do trabalho, presidente da Amatra 3, mestre em Direito e professor
01:58e também recebemos para nos ajudar aqui na conversa de hoje
02:02a Cida Vidigal, professora Cid Vidigal, que é advogada, mestre em Direito do Trabalho
02:07e minha colega também da docência.
02:10Muito obrigado pela presença dos dois, é um tema muito interessante e vamos começar já falando, né?
02:18Isso que é muito importante.
02:21A gente trouxe, também vão ser feitas perguntas aqui, os meninos estão acompanhando ali no bastidor
02:27algumas perguntas que chegam, né? Quando a gente avisa dos temas que a gente tem.
02:32Mas vamos começar e aí pode ser dividida a pergunta entre os dois, cada um vai trabalhar no foco
02:37que é, afinal de contas, uma coisa muito interessante que a gente sempre tenta trabalhar aqui
02:42é uma linguagem simples, porque a gente tem público de todos os lados, né?
02:46Pessoas que são entusiastas do direito, mas não são da área, advogados, estudantes que querem entender.
02:54Primeira coisa, a gente sempre começa explicando, né?
02:57Afinal, o que é essa NR1?
03:01Bom, vamos lá.
03:02Mulheres primeiro, ladies first.
03:04A NR1 é uma norma regulamentadora, não é novidade no nosso ordenamento, na nossa sociedade,
03:12porque ela já existe desde 1978.
03:15Então, ela tem quase 50 anos de existência.
03:18Ela é considerada uma norma mãe para os ambientes de trabalho.
03:22Mas ela teve um destaque muito grande em 2024 com a sua atualização.
03:27O que aconteceu?
03:29Em 2024, percebeu-se que as doenças mentais, os SIDS vinculados aos adoecimentos mentais,
03:37têm aumentado absurdamente.
03:39E isso fez com que isso gerasse uma necessidade de se regulamentar melhor o ambiente de trabalho.
03:46Então, em 2024, houve essa alteração.
03:49E agora, em 2026, passa a efetivamente fazer, como que a gente vai dizer, agora tem que acontecer.
03:59As pessoas, as empresas precisam mudar um paradigma antigo e começar a cuidar da saúde mental dos seus empregados.
04:09Lembrando que essas normas regulamentadoras, é importante a gente esclarecer que elas são produzidas num contexto muito democrático.
04:18Há participação de empregadores, empregados e o governo na discussão e no debate em torno dessas normas regulamentadoras.
04:26E a NR1, ela estabelece agora como um dos riscos, o risco psicossocial, mas ele vem a somar, junto com
04:36os outros riscos que já são conhecidos,
04:38eu acho, do ambiente de trabalho, que são os agentes químicos, físicos, biológicos e questões de ergonomia também.
04:47Então, essas normas regulamentadoras, existem mais normas, essa norma 1 seria o guarda-chuva.
04:54Então, existem outras normas regulamentadoras que tratam de outros riscos à saúde do trabalhador e que isso é importante que
05:03a gente tenha em mente.
05:05Eu até gosto de comentar, por exemplo, que até pouco tempo atrás o uso do cinto de segurança no carro
05:11não era valorizado, não era algo normal.
05:16Então, a gente precisa ter critérios, precisa ter esse olhar, esse viés mais na prevenção do que no remédio para
05:24algum mal causado à saúde do trabalhador.
05:27Então, é dentro desse contexto que veio esse acréscimo.
05:30Então, a gente tem que entender também como um grande movimento, um grande momento de mudança de paradigma social.
05:37A gente sai de um, talvez, de um modelo em que não havia essa preocupação com o trabalhador,
05:44que os afastamentos aconteciam e a gente era só mais um dentro da empresa.
05:49E agora essa norma vem como um sinal de alerta até social, não é, doutor?
05:54Porque o que a gente percebe é que as pessoas têm adoecido muito mais.
05:59E, muitas vezes, o ambiente de trabalho, o excesso de cobrança, o ambiente desgastante, tóxico,
06:07ele acaba incentivando e colaborando para que o trabalhador adoeça mais.
06:11Sobretudo após a pandemia.
06:13Exatamente.
06:15Porque após a pandemia, os transtornos mentais aumentaram consideravelmente no nosso país.
06:21Eu creio que no mundo.
06:22Eu não sei se a gente já estava adoecido e não percebeu,
06:28ou se a pandemia veio como aquele tiro de misericórdia para desenrolar aí um cenário muito grave.
06:38Muito grave.
06:39Mas, por exemplo, doutor Washington, é uma novidade, pelo que o senhor está nos explicando,
06:45é uma novidade a incorporação desses riscos.
06:49O que são esses riscos psicossociais?
06:51Você pode dar algum exemplo para a gente sobre o que está pegando mais nessa questão?
06:56Sim, vamos lá.
06:57O primeiro olhar, na última fala da professora Cid, ela falou do ambiente de trabalho.
07:02E isso é importante a gente também ressaltar aqui, que o foco não é no indivíduo, no trabalhador.
07:08E sim na estrutura da organização.
07:11É a organização que tem um modus operandi, uma forma de se organizar, que, por exemplo,
07:19traz uma cobrança excessiva de metas, e aí a gente vem com exemplos.
07:23Uma cobrança excessiva de metas, ou metas impossíveis de se atingir,
07:27ou quando se atinge, dobra-se a meta.
07:31Exatamente.
07:31No Brasil a gente está acostumado, não é, doutor?
07:33Exatamente.
07:35Quando você retira do trabalhador a autonomia para ele resolver o problema,
07:40então ele se sente impotente naquele ambiente de trabalho.
07:43A questão do assédio, tanto o assédio moral quanto o sexual também entram nessa situação,
07:51especialmente porque são ações muitas vezes silenciosas, debaixo dos panos,
07:56e que a gente não consegue detectar com muita facilidade.
08:01Pode completar.
08:02Não, porque se o doutor permitir, eu acho que tem um que é muito silencioso,
08:06e que às vezes a gente não presta muita atenção a ele,
08:09que é a ausência do reconhecimento do empregado,
08:12e também a insegurança sobre a continuidade do trabalho.
08:17Eu gosto de falar, professora Cida, que para tacar pedra faz fila lá fora.
08:22Exatamente.
08:23Mas para elogiar...
08:24Elogiar é mais difícil.
08:25Exato.
08:26Eu acho até que seria, o elogio é uma arte do líder.
08:31Sim, porque aí a gente vai estar diante de uma situação também que é o líder,
08:36que está preparado, e aquele que só tem aquele discurso agressivo,
08:41aquela fala mais violenta e só sabe cobrar.
08:44A ameaça de demissão.
08:45Exato.
08:46É o que gera instabilidade.
08:47Sim, traz essa insegurança.
08:49As pessoas precisam ter o mínimo de estabilidade para seguir com a vida,
08:53com os outros momentos da vida.
08:55E fazendo um link com a pandemia, a gente tem um novo risco, que é a hiperconectividade.
09:01A gente virtualizou o nosso mundo do trabalho de uma hora para outra.
09:06Então, assim, a gente já tem alguns anos, pós-pandemia, e ainda, até agora,
09:12a gente está tentando se adaptar a essa nova rotina do teletrabalho, trabalho remoto,
09:18e a gente conseguir se desconectar.
09:20A gente tinha uma discussão antiga no direito de trabalho,
09:24do direito à desconexão.
09:27O direito à desconexão, que trazia um dano à própria existência da vida,
09:32aos projetos pessoais, e hoje a gente tem no nosso aparelho dispositivo eletrônico,
09:39a nossa conexão full-time.
09:40Tem um lado bom, claro, a gente está em contato com amigos, distantes,
09:45com pessoas com as quais a gente não convivia, pela distância, às vezes, física,
09:50mas tem um lado ruim, porque a qualquer momento você recebe uma demanda
09:54e pode ser interpretado pela chefia, e aí que vem essa questão da estrutura,
09:59da empresa, da organização, para que haja limites.
10:03Tudo tem que ter limite, né?
10:05Porque, muitas vezes, o patrão não consegue estabelecer um limite,
10:09e o próprio empregado, principalmente esse que está em home office,
10:13ele não consegue separar o momento que é a casa e o momento que é o trabalho.
10:17Eu acho essa questão muito complicada, sabe, doutor Washington?
10:20Porque eu vejo algumas pessoas que trabalham em home office,
10:24trabalham muito mais, muito, infinitamente mais,
10:27do que aqueles que estão indo para o trabalho,
10:31cumprindo uma determinada jornada e retornando depois.
10:34É, o trabalho se dilui ao longo do dia, né?
10:36Se mistura com os afazeres da casa.
10:39Com a sua vida pessoal também, né?
10:40Exato.
10:40E eu acho assim, essa NR1, ela veio nos obrigar a ter um novo olhar para o ambiente de trabalho.
10:48E aí vem aquela pergunta, então a empresa agora passa a ser responsável pela saúde mental
10:53dos seus empregados, ou eles sempre foram responsáveis, né?
10:57As instituições sempre foram responsáveis.
10:59O que a NR1 traz para nós de novidade em relação à responsabilidade do empregador e das organizações?
11:07Eu vou começar aí, doutor Washington, me corrija.
11:11Olha, eu entendo que as empresas, elas cumprem um papel social, que é muito importante.
11:17Eu não posso mais querer ter um modelo de empresa como nos tempos antigos,
11:24em que havia uma exploração que levava o empregado à sua exaustão,
11:29e quando ele não prestava para mais nada, a gente joga fora como se fosse um objeto.
11:33Hoje, e sempre, né?
11:35A nossa Constituição protege o trabalhador, a própria CLT também protege o trabalhador.
11:40O Código Civil protege aquele que é vítima de dano, precisa ser reparado o dano.
11:45Então, nós temos um universo jurídico aí de leis que nos protege.
11:51O que a gente precisa mesmo, e aí eu insisto nessa ideia da mudança de paradigma,
11:55é o empresário entender que o melhor patrimônio da sua empresa chama-se pessoas.
12:00Porque quando você tem pessoas que trabalham bem, que estão felizes,
12:05isso não significa que o empresário vai começar a saber o que eu faço depois que eu saio do trabalho,
12:10saber quais são minhas brigas com meu marido, com meus filhos, isso não é o papel da empresa.
12:16Mas é dentro do ambiente de trabalho, a empresa promover algo que possa fazer com que aquele empregado tenha prazer
12:25em estar ali.
12:26Eu acho que é muito por aí, assim, sem querer romantizar.
12:31Porque senão a gente começa a romantizar, daí a pouco vai ter que colocar o patrão, colocar o empregado no
12:36divã.
12:36Não é isso que a gente está falando.
12:38A gente está falando em você poder chegar no seu trabalho e saber que você está ali trabalhando,
12:44cumprindo a sua obrigação, sem ser abusado.
12:47E esse abuso, muitas vezes, ele está velado.
12:51É, porque a responsabilidade objetiva do empregador, ela é antiga, nós sabemos disso.
12:57E aí, nesse caso, a saúde mental do trabalhador, ela não se tornou agora uma preocupação.
13:05Mas o que a NR1 traz pra nós ali de diferença em relação a essa saúde mental, doutor Washington?
13:12Então, a novidade é praticamente nenhuma no sentido do perigo, do risco, do psicossocial.
13:19O que se tem agora de novidade é que isso faz parte de um complexo de normas que buscam preservar
13:27a saúde e a segurança do trabalhador.
13:31Como eu disse no começo aqui do nosso bate-papo, já se tem consolidado, por exemplo, a insalubridade, a periculosidade,
13:42as questões ergonômicas devem ser de responsabilidade do empregador.
13:47E o que se deixou agora como um atítulo de reforço, não foi uma novidade,
13:52é um reforço de que o adoecimento mental também é um problema da organização de trabalho.
14:01Isso não é novidade no mundo, não é uma jabuticaba brasileira, não é só aqui no Brasil que existe isso.
14:09Existe normativa internacional da OIT, o Brasil está se alinhando a esses normativos internacionais.
14:16E não é novidade também na justiça do trabalho.
14:19Lembrando que a professora Cida falou da função social da propriedade,
14:25isso está na Constituição, lá no capítulo da ordem econômica que estabelece as diretrizes da nossa economia,
14:33no Brasil, prevê a função social da propriedade e mais adiante ainda prevê o direito ao meio ambiente equilibrado,
14:40inclusive o meio ambiente do trabalho.
14:44Então está expresso na Constituição essa garantia de um meio ambiente do trabalho equilibrado.
14:49E na justiça temos casos, sim, e a gente acabou não falando ainda do burnout, né?
14:55Eu ia até perguntar sobre isso agora.
14:58Síndrome da exaustão, né?
15:00Então se a gente fizer uma rápida pesquisa no Google, burnout, indenização,
15:04a gente vai ver que temos casos, assim, bastante diversificados.
15:10Consolidados, né?
15:11Desse esgotamento.
15:11São casos que já passaram por tribunais, já passaram por tribunais superiores, então não há muito, não é novidade.
15:18Eu acho que essa é a grande questão.
15:20O que eu tenho também, sabe, doutor Washington, é que aquilo que era muito mais complicado para o trabalhador provar
15:27diante da justiça,
15:28talvez se torne um pouco mais fácil com a objetividade que a NR1 traz também.
15:36Porque a NR1, ela traz uma série de procedimentos e obrigações que deverão ser, exato, que o empregador vai ter
15:43que manter e comprovar.
15:45É igual visita de MEC, né?
15:47Você tem que comprovar as evidências de que você promove boas ações.
15:53Então, uma coisa que é muito interessante, que às vezes o patrão acha que é só pagar benefício e continuar
15:57sendo abusivo.
15:58Não.
15:59O empregado, muitas vezes, ele quer só um tratamento de respeito.
16:02Eu ia citar isso, né?
16:04Você citar alguns exemplos de riscos psicossociais.
16:09E aí eu queria falar, voltado para a depressão e pela concausa.
16:13A concausa, ela também vai ser objeto da NR1?
16:17Por exemplo, a pessoa já entrou no trabalho com ansiedade, com uma depressão.
16:23Isso é muito comum, principalmente nos dias atuais.
16:26Todos nós.
16:26Nós fizemos uma pesquisa aqui, que em 2025 foram 546 mil benefícios por incapacidade temporária relacionada a transtorno mental.
16:36Então, assim, essa concausa, ela também vai ser abordada.
16:39Vocês têm alguns outros exemplos que poderiam nos citar de riscos psicossociais?
16:45Que vocês sempre lidam, doutor Washington, em processo, doutora Cida...
16:50Na prática, né?
16:52Porque, às vezes, assim, eu vou falar da advocacia e doutor Washington fala lá do outro lado do balcão, né?
16:57Porque, muitas vezes, a empresa também tem uma questão que eu acho que a gente...
17:01As empresas pecam muito.
17:03É o momento da contratação.
17:06Os nossos...
17:08O nosso médico do trabalho, eles precisam ser melhor equipados para fazer identificações ali, não discriminatórias,
17:17mas preventivas e que possam auxiliar o empregado.
17:20Também é até perigoso, né?
17:22Se começar assim, virar uma coisa de discriminação.
17:24Verdade.
17:25Mas é muito básico, né?
17:26Mas é muito básico e, às vezes, a pessoa entra num processo até de surto e ela faz um exame
17:31e vai.
17:32E ela vai ter um gatilho dentro da empresa e, ali, desenrolar uma situação que, muitas vezes, a própria empresa
17:40não propiciou isso.
17:42Então, com causa aí, é preciso que a gente tenha muito cuidado.
17:46E eu espero que os tribunais também tenham muito cuidado quando forem verificar isso,
17:51porque, senão, as empresas vão virar vilãs.
17:54Sim.
17:54E ninguém vai conseguir cercar isso.
17:56A justiça tem, sim, uma preocupação.
17:59É evidente que cada um tem a sua vida fora do trabalho.
18:03E é evidente também que essa vida do trabalho pode trazer alguns fatores com causalidade
18:10que, dentro daquele ambiente que também já não é saudável, vai entornar o cauda.
18:20Então, para isso, a gente, na justiça do trabalho, nas ações, a gente designa uma perícia médica.
18:26Os juízes não são médicos.
18:29Eu até conheço uma colega que é médica também.
18:32Mas não é o normal.
18:34Então, a gente precisa de uma opinião técnica para dizer se há uma concausalidade.
18:39E aí, sim, o perito, dentro da expertise, do sigilo médico, tudo, ele vai fazer toda a análise cabível, se
18:47há realmente.
18:47Às vezes, a pessoa se separou, às vezes, perdeu um parente querido.
18:50Sim, sim.
18:51E aquilo desencadeou, não é?
18:53Exatamente.
18:54E toda empresa precisa cumprir as obrigações da NR1 ou vale apenas para as grandes organizações?
19:02Essa semana, eu estava conversando com o dono de boteco.
19:05É?
19:06O dono de boteco, ele precisa cumprir a NR1 e como que ele vai fazer isso?
19:10Ele precisa, ele precisa.
19:13E eu acho que aí, sabe, professor Vinícius, a gente vai ter que vigiar muito a quinta série dentro das
19:18empresas, né?
19:19Que é aquilo que a gente, que muitas vezes a gente brinca que é a quinta série, a geração, a
19:23minha geração, por exemplo,
19:25leva isso na naturalidade, mas que, às vezes, pode ser desencadear dores em pessoas que não estão querendo esse tipo
19:33de brincadeira.
19:34Então, foi muito nesse sentido que eu falei para ele, olha, tem que tomar cuidado,
19:38porque a quinta série dentro do boteco vai ter que ser pensada.
19:42Os bullying, né, professor?
19:44Hoje chama bullying, né?
19:45Na nossa época era só quinta série.
19:47Era uma gozação.
19:48É uma brincadeira que a gente achava que não tinha repercussão na vida da pessoa,
19:52mas acaba tendo repercussão muito grande.
19:54Muito grande.
19:54Gera traumas, né?
19:56Exatamente.
19:56Então, é preciso, e aí a gente conversando sobre isso, e eu falei para ele, olha,
20:01você não tem que ter um psicólogo dentro do seu botequinho.
20:05Você não tem que ter nada muito sofisticado,
20:08mas você precisa garantir que os seus empregados mantenham minimamente o respeito uns com os outros.
20:14E que você também os respeite, o limite de jornada, sem exigências.
20:20O cliente tem que ser educado.
20:22Não é porque é cliente que pode chegar xingando uma pessoa, brigando com aquele trabalhador.
20:27Então, tudo isso tem que ser mudado.
20:30Então, qualquer empresa vai ter que ter cuidado.
20:33Todas as empresas, cada...
20:35E aí existem algumas, na normativa nova, existem simplificações, por exemplo, para o microempreendedor individual.
20:44Ele está dispensado de fazer o tal do PGR, que é o Programa de Gerenciamento de Riscos.
20:48Sim.
20:49Mas não o desobriga de cumprir as regras...
20:53Qualquer microempreendedor está dispensado, então?
20:54De fazer o PGR.
20:57O PGR, que é o Programa, né?
20:59Sim.
20:59É um documento que ele vai fazer o mapeamento, enfim, é um documento mais complexo.
21:05Então, as microempresas e empresas de pequeno poste também têm lá umas hipóteses que elas são dispensadas.
21:13Mas, todas, em qualquer caso, são obrigadas a cumprir e a seguir todas as regras de prevenção a esse risco
21:21psicossocial.
21:22E a grande empresa, quando ela quer, é importante, talvez, até criar um comitê de gerenciamento de riscos dentro da
21:30grande empresa,
21:30para que ela possa ter ali um cuidado maior com as empregadas.
21:33Um diagnóstico mais fácil.
21:35É, para as grandes empresas é mais fácil.
21:37Geralmente vai ter um setor de compliance, geralmente tem uma ouvidoria.
21:41Então, já tem mecanismos aí mais...
21:45Discuta do empregado, né?
21:46Acessíveis, discuta isso.
21:49Também, como é que as empresas devem começar a...
21:53Vou fazer duas perguntas aqui, daqui a pouco eu vou fazer uma que chegou para a gente aqui do pessoal
21:58que está nos vendo também.
22:00Que é o seguinte, como que ela pode se adequar e o papel do líder nesse quesito.
22:06Nesse contexto.
22:07Nesse contexto.
22:08Vamos lá.
22:08A primeira coisa que a empresa precisa fazer é o seguinte, ela precisa conhecer, a empresa precisa se conhecer.
22:16Então, não é chamar o... sem querer, sem querer...
22:20Sida, só te interrompendo, cafezinho, vamos tomar.
22:23Vamos tomar.
22:25É, aqui, ó.
22:25Doutor Washington, eu estou vendo aqui, o cafezinho no intervalo.
22:28É o papinho.
22:30Essa aqui é uma conversa de mineiros com bom pão de queijo e um cafezinho.
22:33Agora, não é querer que a empresa, de repente, assim, crie uma situação que ela não dê conta.
22:42Não é isso.
22:42Mas a empresa precisa se conhecer.
22:44A empresa precisa...
22:46Ela não é trazer alguém de fora para implementar.
22:50Nesse primeiro momento, o primeiro momento de adequação é...
22:53Eu preciso conhecer o ambiente da minha empresa.
22:56O que está acontecendo ali?
22:57E aí, sim.
22:59E aí vem os agregados.
23:00Aqueles...
23:01A consultoria.
23:02Vem, sei lá, o advogado.
23:04Não sei quem mais que vai entrar nessa maré aí, não.
23:07Mas, primeiro, o dono da empresa precisa conhecer o lugar dele.
23:12E essa liderança, ela é extremamente importante.
23:15Porque uma liderança despreparada, ela joga contra o time.
23:20A liderança tem que estar alinhada com o time.
23:23Tem que estar junto com o time.
23:25Porque se você tem ali um grupo que detesta o líder, ou um líder que só é autoritário,
23:32mas não é, não tem empatia com os empregados, isso gera um problema muito grande para todos.
23:38Esse assunto não é exclusivo do RH.
23:41E eu acho que é essa visão das novidades da NR1 que trazem para os líderes, para os gestores, essa
23:49responsabilidade.
23:51Já tinham, mas agora está expresso e reforçado na normativa.
23:55Mas a empresa, ela precisa, o que a doutora Cida disse aqui, de se conhecer, é fundamental.
24:02Ela precisa, o gestor, precisa saber o que se passa dentro do estabelecimento do escritório.
24:09Enfim, daquele empreendimento.
24:11Ela precisa fazer essa avaliação de riscos psicossociais.
24:15Ela precisa fazer esse monitoramento também periódico.
24:19Não basta fazer lá...
24:20Só preencher um...
24:22Em 1900 e bolinha, né?
24:24E viver centenas de anos com aquele risco lá de trás, até porque as circunstâncias mudam.
24:29A gente acabou de dizer aqui que a pandemia trouxe o teletrabalho, o virtual, para dentro de casa.
24:36Então, essas situações são dinâmicas.
24:39A normativa prevê também alguns prazos mínimos, entre dois e três anos para a revisão.
24:45Ou alguns eventos também que reforçam a revisão.
24:49Por exemplo, um acidente de trabalho.
24:51Lembrando que a gente não está falando aqui, quando fala de saúde e segurança do trabalhador,
24:55esse risco psicossocial é mais um dos riscos, né?
24:58Sim.
24:59Então, a empresa também precisa se prevenir para acidentes.
25:03Se ocorre algum tipo de acidente, ela tem que refazer o mapeamento dela e reestruturar para que se evite a
25:11reincidência, obviamente,
25:12e que isso possa gerar também um aprendizado.
25:16Entender o que está indo mal, né?
25:18Às vezes a gente vê ali motoristas, por exemplo, empresa que tem transporte.
25:22Muitas vezes os motoristas, eles trabalham sob a pressão de fazer entregas em determinado tempo e num trânsito louco.
25:30E aí essas pessoas ficam, acabam gerando acidentes, acabam fazendo situações que vão ser prejudiciais para eles e para terceiros.
25:39Então, a empresa precisa olhar para casa.
25:42É famoso olhar para a minha casa e verificar o que está precisando ser consertado ali.
25:46Até para detectar as habilidades e competências do empregado, para deixá-lo mais à vontade e feliz para trabalhar.
25:52Olha que interessante.
25:53A professora Cida trouxe um desdobramento aí que foge a área trabalhista.
25:57Se um caminhoneiro, trabalhando para uma empresa, que não faça esse gerenciamento, ele causa um acidente, mate alguém ou cause
26:07danos a terceiros,
26:08Olha para onde que a gente está desdobrando.
26:09Certamente, naquele processo cível, eles vão discutir se a empresa tinha um monitoramento, se não tinha, se a empresa tentou
26:17prevenir ou não, porque aí entra a responsabilidade e o objetivo.
26:22Exatamente.
26:22Tem até aqui, tem uma perguntinha aqui, porque a gente faz as nossas perguntas e tem umas que chegam para
26:27a gente aqui.
26:29Que eu acho que, essa pergunta aqui, eu imagino que seja alguém que está passando por isso.
26:35E ele pede para que a gente fale sobre, como a gente está tudo digitalizado, a gente está tudo nas
26:44redes,
26:44que é a obrigação do trabalhador a postar e compartilhar nas redes ou fazer aquelas brincadeiras, sabe?
26:53A gente vê demais hoje para chamar atenção, até parece que muitos...
26:57Se ele assinou o contrato de trabalho e está recebendo uma bolada para fazer isso, continue fazendo isso.
27:02Mas se ele não recebe por isso, ele não é obrigado a fazer isso.
27:05Não existe essa obrigação.
27:06Sua opinião sobre isso?
27:07É, professora Cira já...
27:10Essa pergunta aqui veio, uma pergunta assim de alguém que deve estar passando por isso.
27:15Sendo constrangida, talvez.
27:17É o que a gente tem visto muito nos ambientes organizacionais, da iniciativa privada.
27:23As pessoas, hoje nós somos digitais, 100% digital.
27:27Quem não é, está excluído.
27:28E aí as empresas entendem que nós somos marqueteiros da empresa e nós temos que reproduzir tudo.
27:36Então, é preciso que o empregado tenha muita tranquilidade com relação a isso.
27:40Se ele tem no contrato de trabalho dele uma cláusula e uma remuneração adequada para esse tipo de serviço...
27:48Continua, isso.
27:49Autorização.
27:50Remunerado para ele é dinheiro, porque a gente gosta de dinheiro.
27:54É?
27:54A gente gosta de dinheiro.
27:55Agora, se não tem, muito obrigada, não dá, para mim não dá.
27:59Só para finalizar aqui, até passar para a Claudinha, que é Cláudia, mas aqui é Cláudia.
28:05É Cláudia.
28:05É o seguinte, como que a gente pode fazer esse mapeamento dos riscos psicossociais sem invadir a privacidade?
28:13Porque a gente está falando do ambiente de trabalho, mas a gente está falando do indivíduo, de certa forma, também
28:19dentro daquele ambiente.
28:20Esse é um limiar perigoso, porque muitas vezes o empregador pode confundir o mapeamento da empresa, do ambiente de trabalho,
28:28com a invasão da vida do empregado.
28:32Isso aí, a empresa precisa se preparar para isso.
28:36Eu não posso chegar na empresa, eu tenho que propiciar, por exemplo, para que as meninas da empresa cheguem e
28:42se sintam bem.
28:43Mas eu não posso querer saber sobre a vida dela, porque isso, inclusive, fere a lei de proteção de dados.
28:50Eu vou aplicar lá os questionários, eu vou aplicar, e isso é outra coisa séria, né, gente?
28:56Questionário de satisfação de empresa, para avaliar a empresa.
29:00Ah, ninguém está sendo reconhecido aqui, de repente está todo mundo sendo identificado.
29:06Já vi várias brincadeiras na internet com isso.
29:09Dizem que é, dizem que é a nona, aí ele sai, mostra um meme assim de alguém saindo preso.
29:15Preso, saindo, ou é demitido, ou entra numa geladeira, né?
29:20Então, assim, a empresa precisa tomar muito cuidado com isso, porque se chegar no doutor Washington, ele vai condenar.
29:27Exatamente.
29:28Eu espero que ele condena, né, gente?
29:29Porque se chegar lá que a empresa violou a intimidade do empregado, colocando ali os seus dados, demonstrando, colocando, explicitando,
29:41mostrando os seus dados para outros,
29:43isso é violar a intimidade.
29:45E o nosso grande problema é que o empregado, muitas vezes, não tem meios para poder provar isso.
29:50É muito difícil provar isso.
29:53Mas existe uma coisa chamada nexo de causalidade.
29:55Olha, eu acabei de responder um questionário que falaram que era anônimo e não é.
30:01Depois disso, a minha promoção não vem, o meu esforço não vem, eu fui levado para outros lugares, eu fui
30:08transferido.
30:09Meu desligamento chegou.
30:11Então, assim, há um nexo aí que se o empregado consegue provar, eu acredito que nenhum juiz vai se negar
30:18a condenar.
30:19Exatamente.
30:19É, tudo depende de prova, né?
30:21Se for vinculado realmente a uma retaliação, não tem dúvida.
30:24Não tem dúvida.
30:25Mas a empresa precisa se precaver, realmente.
30:28Se ela for distribuir um formulário, precisa anonimizar.
30:33E precisa também ter uma atenção, não só com quem faz o preenchimento do formulário, mas com os colegas, enfim.
30:41Para que não haja, nesse mapeamento, uma perseguição que é exatamente o que se busca evitar.
30:47Até pela boa-fé, né, doutor Lógico?
30:49Porque, queira ou não, a boa-fé, o objetivo, ela está em todas as relações.
30:53Então, o empregado tem que confiar na empresa para ele poder dizer, para ter uma escuta realmente, digamos assim, honesta.
31:01Não é verdade?
31:02E eu costumo dizer que, assim, a gente precisa mudar isso.
31:06Porque hoje, hoje há muito tempo, né, eu estou nessa área trabalhista, desde sempre.
31:12Eu sou da época das juntas de conciliação na rua Curitiba.
31:15Eu também, exatamente.
31:15Sabe, subindo naquele elevador horroroso lá para fazer conciliação com o juiz vogal.
31:20Sim.
31:20E eu me lembro, assim, que desde essa época existe o mito de que a empresa explora e o empregado
31:27não trabalha.
31:28É aquela coisa, é uma guerra.
31:30É a luta capital, é a luta, exato.
31:32E a gente precisaria mudar isso de alguma forma.
31:36E eu acho que a NR1, ela vem, de algum modo, trazendo um pouco de sensibilidade para o empresário, aquele
31:43que quiser.
31:44Porque aqueles que não quiserem vão continuar.
31:46E aí vão para a justiça, vão pagar a conta lá na justiça do trabalho, no Ministério Público do Trabalho,
31:52nas fiscalizações.
31:53É uma mudança cultural, como eu disse, da metáfora do cinto de segurança no carro.
31:59Hoje a gente já usa, nem pergunta por quê.
32:01É terminalizado.
32:02Já usa.
32:03Enfim, já é algo normal.
32:07Mas o importante é que a empresa tenha realmente esse cuidado.
32:11Porque aqui a gente entra no limite do que pode ser feito, do que realmente é proibido e vai gerar
32:17uma consequência ainda pior do que se não fizesse nada.
32:20E, mais uma vez, o olhar da NR1, ele é coletivo.
32:25Ele não é um olhar para as individualidades.
32:27É óbvio que o resultado, a consequência é individual.
32:31É o trabalhador que vai sofrer.
32:33Mas o foco da NR não é na pessoa A, B, C ou D.
32:37É no contexto.
32:38É na estrutura do ambiente de trabalho.
32:39Na estrutura organizacional, exatamente.
32:41E dentro desse contexto da estrutura, da prevenção, que vocês falaram muito bem que a NR1 está voltada para a
32:47prevenção,
32:48quais seriam os primeiros passos para uma empresa implantar, se adequar, para que ele realmente ali consiga dizer ou evidenciar
32:59para a sociedade
33:00que aquela empresa, ela mudou o seu olhar para o ambiente de trabalho.
33:04Olha, Cláudia, eu acho que a gente, como a gente já disse aqui várias vezes, é uma mudança de cultura,
33:10mudança de paradigma.
33:12Mas a primeira coisa é a empresa passar a olhar para o ambiente de trabalho e tentar prevenir os riscos.
33:20Diagnosticar, né?
33:21Diagnosticar.
33:21É aquela história.
33:22Eu preciso conhecer para mudar.
33:25Porque se eu acho que eu sou um empregador muito bom, apesar de ser abusivo, eu não vou achar que
33:29tem nada para ser mudado.
33:31E assim, por isso que a NR1 traz ali o mapeamento de riscos, ouvir as pessoas, implementar medidas, dar feedbacks,
33:41saber o que está acontecendo.
33:43Porque não é uma coisa assim, eu faço e acabou.
33:46Não, é um comportamento que tem que ser sequencial, tem que ser contínuo, não pode parar.
33:54É objetivo, professora?
33:56Seriam ações objetivas ou subjetivas?
34:00Eu acho que as duas coisas, sabe?
34:02A gente precisa começar a pensar nisso como um olhar mais amplo.
34:06Não dá para fechar em fórmulas.
34:09E é por isso que eu tenho muito medo quando alguém fala assim, vai para o Instagram, para o Facebook,
34:14para essas redes sociais e começa com ameaças.
34:17Não é ameaça.
34:18Porque se eu mudar, se eu fizer qualquer coisa na minha empresa porque eu estou sendo ameaçado, eu não vou
34:24mudar o clima de terror dentro da empresa.
34:27Eu posso até construir documentos que vão evidenciar uma certa saúde dentro do ambiente de trabalho.
34:35Mas, no fundo, no fundo, eu vou estar criando um monte de gente doente ali dentro.
34:39Isso que a professora Cida falou é importante.
34:41Não existe fórmula.
34:42Se nós quatro aqui fôssemos advogados, dono cada um do seu escritório.
34:46A atividade é a mesma, mas os riscos são absolutamente peculiares a cada escritório, a cada organização.
34:54E outra coisa que eu poderia dizer para as empresas, e voltando até a pergunta do papel das lideranças, é
35:00capacitação.
35:01Capacitação.
35:02Isso é fundamental.
35:03As empresas precisam investir em capacitação.
35:05As lideranças têm que ter esse olhar humano.
35:11O líder lida com pessoas, não é só com máquinas, lida também com máquinas.
35:17Mas as pessoas são suscetíveis a não entender bem ou mal interpretar uma frase dita de forma grosseira.
35:25Então, as lideranças precisam entender que não é mimimi, não é frescura.
35:30É uma necessidade que um ambiente de trabalho seja decente, digno, saudável.
35:37E, doutor Washington, será necessário psicólogo?
35:40Será necessária a organização contratar um psicólogo ou uma equipe multidisciplinar?
35:45Não necessariamente.
35:47Até porque a gente lida com empregadores dos mais variados portes.
35:51Pode ser que uma grande empresa já até tenha, disponha de psicólogo próprio.
35:56Mas não é uma obrigatoriedade.
35:58Na norma não exige essa obrigatoriedade.
36:01Mas é óbvio que, imagino, até a gente comentou aqui no pré-jogo,
36:06que já tem um mercado de profissionais que buscam tentar.
36:11E aí, certamente, vai ter equipe multidisciplinar que vai oferecer serviço, enfim.
36:16Mas não vejo como obrigatoriedade.
36:18E a gente tem que tomar muito cuidado com os fake news, né?
36:21Que tá na moda, né?
36:22Que tá na moda e que serve pra vender ilusões.
36:26Então, a gente volta sempre a bater na mesma tecla.
36:28A pessoa, o empresário precisa conhecer sua empresa.
36:31Ao conhecer sua empresa, é ele que define quais os caminhos que ele vai seguir
36:35pra tornar aquele ambiente melhor.
36:37Então, se eventualmente ele entender que talvez palestras, treinamentos,
36:43a liderança estar melhor preparada, isso é um caminho legal?
36:48Faça.
36:49Se entender que é outra coisa, é melhorar benefícios.
36:52Às vezes, o trabalhador também precisa comer, precisa melhorar os salários,
36:56precisa melhorar o ambiente.
36:58Faça isso.
36:58Então, assim, é criar uma série de situações que não tem que ser uma só.
37:03São muitas.
37:04São muitos atos e que dependem daquele mercado, né?
37:08Daquele empregador, das ações que ele tem que ter no dia a dia.
37:12Não é só ação, enfim, a gente fala ação, mas são ações, realmente.
37:17Aí precisa fazer algo.
37:18Sim.
37:19E não simplesmente assistir o jogo acontecendo.
37:24E tem algumas coisas que precisam ficar, os empregadores precisam ficar atentos.
37:28Por exemplo, muito CID de saúde mental chegando no RH.
37:32Tem que ligar, tem que ligar as antenas.
37:35Por que que tá acontecendo isso?
37:38Muitas ausências, muitas faltas, o absenteísmo exagerado.
37:42Tem que abrir um sinal de alerta em alguém dentro da empresa.
37:46Por que que aquela pessoa...
37:48Ou até o presenteísmo também.
37:50É.
37:51A pessoa vai doente trabalhar.
37:52Exato.
37:53E tem também...
37:57Tá certo.
38:00Por que que ninguém para ali, né?
38:02Por que que ninguém para naquela empresa?
38:04Aí você vai, uma semana depois, tá, trocou todo mundo.
38:06Duas semanas depois, trocou todo mundo.
38:08Isso tem...
38:09É um motivo pra se...
38:13Ligar as antenas.
38:14É um sinal de alerta.
38:15É um sinal de alerta.
38:16Porque tem algo errado.
38:17E se a empresa descumprir, negligenciar a NRU, quais são as consequências?
38:25O que poderia acontecer com essas empresas?
38:27Aí tem até um fator novo, né?
38:30Que é a decisão do Supremo.
38:31Uma das novidades da inclusão do risco na NR1 e na NR17 é a possibilidade de fiscalização
38:39pela Auditoria Fiscal do Trabalho com imposição de multa.
38:43Multa.
38:43Mas, em ação recente no Supremo Tribunal Federal, o relator suspendeu, salvo engano,
38:49por 90 dias a exigibilidade das multas, até para que as empresas possam se adaptar, enfim.
38:55E como que é a parametrização dessas multas?
38:58Elas chegam...
38:59É porque depende de número de funcionários, depende do porte da empresa, mas tem...
39:05Eu até fiz uma anotação.
39:07Pode chegar a mais de R$ 3.200 por empregado.
39:10Nossa.
39:11Validante, né?
39:12Então, se for uma empresa grande, gera um impacto bem significativo.
39:16Tem repercussão cível também.
39:18Agora, assim, mesmo com a suspensão que eu disse aqui da multa administrativa, não
39:23está suspensa a obrigação de seguir as novas regras sobre o risco psicossocial.
39:30Então, o que não vai haver nesse momento é a aplicação de multa pela Auditoria Fiscal
39:36do Trabalho.
39:37Mas, se a empresa for demandada em juízo, a justiça pode impor aquela obrigação de
39:44fazer sob pena de multa.
39:45E aí já é uma multa judicial.
39:48Não tem nenhuma relação com a ação que tramita lá no Supremo.
39:52Ok.
39:54Claro.
39:55E aí o seguinte, quem vai fazer...
40:01O senhor até já citou aí, mas a gente sempre fala para...
40:04Imagina que vamos ter aqui alguns empresários assistindo também, querendo saber.
40:11São duas perguntas e uma, que é o seguinte, quem vai fiscalizar essa nova NR1 e como funciona
40:19essa fiscalização na prática?
40:20Vamos fazer essas duas perguntas junto.
40:22Quem vai fiscalizar?
40:24Eu acho que na prática, e aqui é minha opinião, eu acho que na prática essa fiscalização
40:31virá apenas através de denúncias.
40:35Ou, se, por exemplo, começarem a chegar muitas ações, isso pode despertar uma fiscalização.
40:45A gente tem que lembrar que a gente tem o Ministério Público do Trabalho, que sob denúncia, ele atua.
40:52Então, o empregado, ele pode fazer uma denúncia anônima no Ministério Público do Trabalho e o Ministério Público vai atuar.
40:58Então, eu imagino, sabe, doutor Washington, que não é para os empregados, os empregadores ficarem relaxados, não.
41:08Porque, às vezes, pode pensar, ah, mas não tem gente para fiscalizar.
41:11Lei no país só pega se tivesse fiscalização.
41:14Eu acho que a gente precisa tomar muito cuidado, porque daqui para frente, nós vamos começar, eu acredito que os
41:20órgãos públicos vão começar a trabalhar com números.
41:23Qual o número de processos que estão chegando nesse sentido?
41:28Como anda aí a saúde do empregado?
41:31Porque o empregado adoecido, ele está onerando o Estado.
41:36Ele é um prejuízo para o Estado, tanto na área de saúde, quanto na área previdenciária, ele está ali onerando
41:41o Estado.
41:42Então, isso vai gerar a necessidade de começarmos a fiscalizar melhor.
41:48É interessante o que a professora Cida diz, porque, de fato, além da Auditoria Fiscal do Trabalho, que espontaneamente fiscaliza
41:56as unidades, as empresas,
41:58há possibilidade também do Ministério Público do Trabalho atuar.
42:02E atua, muitas vezes, nem chega a juizar a ação, por quê?
42:06Eles vão propor à empresa um termo de ajustamento de conduta, com imposição de multas e tudo mais.
42:12Mas é uma fiscalização efetiva, vai ser cobrada, não tenha dúvida disso.
42:17Basta uma mera denúncia anônima, e eu já vi inúmeros casos assim, que geram um inquérito civil e, a partir
42:26daí, se desdobra ou num TAC ou numa ação civil pública.
42:31Para a gente já, caminhando para o final aqui, fazer as minhas perguntas, a Claudia também faz as delas aí
42:36para a gente finalizar.
42:37Qual que é o papel do RH?
42:39Porque é onde que é um termômetro muito da empresa, que você sabe ali o que está acontecendo,
42:43você está acompanhando as faltas, se tem um canal, o que é o normal do RH ter, você já, mais
42:51ou menos, consegue até perceber.
42:53Porque, na verdade, parece que é o seguinte, para uma empresa que está razoavelmente preocupada com isso,
42:58e já colocou na cabeça que o empregado é um ativo, o empregado satisfeito é um ativo,
43:03já tem mecanismos, antes da lei, que já mapeavam isso.
43:07Como é que o RH agora, agora que nós vamos ter essa exigência, ele vai agir?
43:11Eu acho que o RH vai ser uma fonte de informações muito precisas para a empresa.
43:18Ele vai entregar números muito objetivos.
43:21Como a gente disse, a rotatividade, a dificuldade, muitas vezes, porque tem empresa, por incrível que pareça,
43:28que tem ótimos benefícios, pagam bem, mas não conseguem reter o empregado.
43:35E, assim, os empregados não ficam. Por quê?
43:37Porque existe, principalmente, e eu amo isso nas novas gerações, sabe?
43:41Eu acho que a minha geração pecou muito nisso.
43:44Se eles não forem felizes, eles não ficam.
43:46Eu acho isso maravilhoso.
43:48Eu sempre quis pedir atenção.
43:49Eu também.
43:50Eu era louca para pedir.
43:53Eu não precisava.
43:55E a gente tem vida de uma geração muito resiliente, né?
43:58Nossa.
43:59Aos abusos.
44:00Eu tenho que confessar isso.
44:01Até que ponto isso não adoece, né?
44:03Exatamente.
44:03Isso é o que nos adoece.
44:06Porque o que que...
44:07Assim, eu morro de inveja deles.
44:09Eles chegam...
44:10Pode ser o que for.
44:11Você não está satisfeito.
44:13Não gostei de você.
44:14Você é muito bruto.
44:16Você não tem conversa.
44:17Sua linguagem é violenta.
44:18Tial.
44:19Exatamente.
44:19Eu acho isso fantástico.
44:21Então, assim, eu acho que o RH, ele não vai resolver.
44:24E ele não pode resolver tudo sozinho.
44:26Até porque as decisões passam pela direção.
44:30Mas o RH vai ser um grande termômetro para a empresa.
44:36Perfeito.
44:36Ele pode mapear, por exemplo, de dez setores da empresa, tem uma incidência maior de atestado
44:41em um setor.
44:42Isso.
44:42Olha, a chefia ali, de repente, é o problema.
44:46Aquela liderança pode ser o problema.
44:49Então, o RH vai, de fato, ter esse termômetro.
44:52Porque ele vai ter base de dados estatísticos para poder fazer uma boa gestão.
44:58E a professora se licitou mais uma coisa superinteressante, que é esse conflito geracional.
45:04A gente tem, entrando no mercado de trabalho, uma nova geração.
45:08E não significa que seja melhor ou pior do que a nossa outra geração anterior.
45:13Ou as outras anteriores.
45:15É diferente.
45:16E o que a gente pode fazer?
45:17A gente vai conseguir mudar a nova geração?
45:19Não vamos.
45:20A gente tem que trabalhar com o que temos.
45:23E o que temos está posto aí.
45:25Não é nível Brasil.
45:26É no mundo.
45:27É em nível mundial.
45:29É uma nova geração.
45:31Já 100% digital.
45:33Com outra vibe, outra sensação.
45:35Se está insatisfeita, ela vai pedir para sair.
45:38De fato.
45:39Quer ser feliz.
45:41Eu acho isso muito interessante.
45:42Eu escutei isso de um jovem.
45:44Eu quero ser feliz.
45:45É, uma geração que não quer tirar carteira.
45:48Não tem...
45:48Vai se aposentar?
45:50Não sei.
45:51Não, não.
45:52Até vícios eles têm menos.
45:54É.
45:55Outro dia, eu vi uma pessoa que foi trabalhar.
45:57No primeiro dia, ela foi embora porque tinha que deixar o celular no escaninho.
46:02Então, assim, já é algo que também é deles, né?
46:06A hiperconectividade.
46:08Conectividade.
46:08E os empregadores, eles precisam trabalhar com o mercado que eles têm.
46:14Eles não vão garimpar ou alterar uma geração inteira.
46:20E é interessante também entender que tudo que a gente disse aqui hoje não é no nível de despesa, é
46:26investimento.
46:27Exato.
46:28Exato.
46:28Eu ia dizer isso.
46:29Muito bom.
46:30Porque, né?
46:30É investimento.
46:31Pensar em saúde mental é custo?
46:33Seria custo?
46:33É investimento, exatamente.
46:34O que vocês acham que seria, assim?
46:36O que a empresa...
46:37O que vocês têm para falar para o empregador que não está acreditando na NR1?
46:41Que acha que ela é um blefe?
46:44Ou mais uma forma de onerar o empregado, o empresário, né?
46:49Eu acho que o empregador precisa conscientizar, como a gente já disse aqui, que o material humano é extremamente importante
46:58dentro da empresa.
46:59O dia que ele tiver essa consciência, realmente, e não apenas enxergar o empregado...
47:04Muitos já têm, né?
47:05É, muitos já têm.
47:07E eles nem passam na porta da justiça do trabalho, porque não se tem problema.
47:10Exatamente.
47:11Em determinadas grandes empresas.
47:13E as pessoas querem ficar lá, né?
47:13Querem ficar na empresa.
47:14São empresas que estão em vínculos de 20, 30 anos e...
47:17Conseguem reter talento.
47:19Exato, exatamente.
47:20Porque quando você retei...
47:21Porque você tem que entender o seguinte, o alto custo de uma demissão e uma admissão gera um alto custo
47:28operacional para a empresa.
47:30Então, é investimento nesse sentido.
47:31Quando eu cuido do empregado, eu estou investindo na empresa.
47:36Porque é o treinamento, são as verbas de rescisão, é o movimento que você faz ali.
47:43Tem com toda a empresa para contratar uma nova leva de empregados.
47:47Então, isso tudo gera prejuízo.
47:49Sim, é prevenção.
47:50É prevenção.
47:50Reter é lucro.
47:51Eu faço outra metáfora aqui.
47:53A gente compra um carro, o que é que a gente faz com ele regularmente?
47:56Manutenção.
47:57Manutenção.
47:58Preventivo.
47:58Exato.
47:59A gente não espera estourar alguma coisa para reparar um custo altíssimo.
48:03A gente faz isso.
48:04Eu estou falando num cenário micro, pequeno.
48:07Agora, numa empresa, e aí é a partir da dimensão da empresa, isso vai se tornando algo exponencial.
48:14Muito maior.
48:14Um risco exponencial.
48:17Trabalhador bem tratado é trabalhador produtivo.
48:20Motivado, produtivo, ineficiente.
48:23E não vai usar a justiça do trabalho como uma vingança.
48:25Não, nem lá vai, nem passa na porta.
48:27Não passa.
48:27Nem passa na porta.
48:28E ainda que, e eu conheço casos assim, ainda que alguma coisa tenha ficado ali mal contada
48:34naquela história, pela gratidão ele sequer vai na justiça do trabalho.
48:39Ele sabe que tem o direito, mas prefere...
48:40Sabe que tem o direito, mas isso aqui é o de menos.
48:42Eu fui feliz, sou grato, eu conquistei uma experiência.
48:47O ciclo acabou, né?
48:49Tá dentro desse mundo polarizado que a gente vive, com aumento de violência.
48:54Tudo ainda existe a gratidão.
48:56Isso é muito importante.
48:57Gente, mas que conversa boa.
48:59E bom que nós fechamos com uma coisa...
49:02Eu sempre gosto de fechar com uma visão mais positiva, de tirar sobre só a questão que
49:09o pessoal pensa em custo, mas foi assim, sem a gente querer, sem essa intenção, a gente
49:17terminou com a palavra bonitinha, né?
49:18Terminamos com o alento dessa... de adequar mesmo e pensar que o empregado ele é um ativo
49:27da empresa e que não é jogar dinheiro fora o investimento.
49:31Gente, eu queria agradecer muito aqui a Cláudia, né?
49:33Eu que agradeço.
49:35Que tá aqui do lado.
49:35Foi muito bom.
49:37Ao doutor Washington, pela participação, pra poder ajudar, né?
49:41A gente ia entender um pouco, no viés aí do judiciário, como que vai ser essa implementação
49:46e a professora Cida também, que veio cá nos ajudar a dirimir aí um pouco de dúvidas.
49:54Se vocês quiserem, não sei se...
49:56Às vezes algumas pessoas assistem, querem contato, assim, né?
50:00Hoje todo mundo.
50:01É.
50:01Se vocês quiserem deixar uma palavra final rapidinho em suas redes sociais, se quiserem, né?
50:05É isso.
50:05Eu quero agradecer pela oportunidade de participar.
50:09E se alguém quiser continuar essa prosa, bater papo, pode ir lá pro Instagram,
50:14professora Cida Vidigal.
50:16Puxa a conversa que a gente vai embora nela.
50:19Eu queria agradecer também a oportunidade.
50:21Eu gosto de conversar sobre direito.
50:24Gosto especialmente de falar sobre o direito do trabalho.
50:27Acho que a gente precisa...
50:29Por onde a gente olhar da janela da nossa casa, do nosso trabalho, o mundo respira o trabalho.
50:34O trabalho é que impulsiona a economia.
50:37Se não fosse o direito do trabalho e um trabalho decente, a gente não estaria aqui onde estamos.
50:44E eu queria agradecer mais uma vez a professora Cida, a Vinícius, a Cláudia, por todos aqui, a equipe que
50:49está aqui também nos acompanhando.
50:51E quem quiser seguir no Instagram, o perfil é aberto, é WTT Neto.
50:57Tendo alguma dúvida, eu fico à disposição.
50:59Estou lá na Amatra também, na presidência da Associação dos Magistrados.
51:03E o que precisarem, contem conosco.
51:05Doutor Watt, muito obrigado.
51:07Professora Cida também.
51:09Espero que a gente...
51:10Faça novo.
51:11Não, com certeza.
51:12Ninguém vem aqui uma vez.
51:14E nossos queridos que nos acompanham aí no Direito Simples Assim, só não deixando de lembrar, de fazer o nosso...
51:22De falar onde...
51:23No seguir, né?
51:24E aonde que a gente está?
51:25Nós estamos com a nossa coluna Direito Simples Assim no AM Digital.
51:29No Instagram temos lá nosso canal, que é o Direito Simples Assim ADV.
51:34E esse podcast aqui está dentro do portal Uai.
51:39A sua audiência é muito importante para a gente e aguardamos vocês aí para os próximos programas.
51:45E no Spotify, né?
51:46E no Spotify também, novidade.
51:48Spotify agora, um novo canal nosso.
51:51E vamos aí aproveitando as redes para poder levar esse conteúdo para vocês.
51:56Que é feito com muito carinho e dedicação de todos que participam aqui.
52:00Pessoal, muito obrigado e até a próxima.
52:02Até a próxima, muito obrigada.
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