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O podcast Direito Simples Assim desta semana recebe Amanda Zanetti, Terapeuta e diretora do Instituto Brasileiro de Educação e Desenvolvimento Humano. Ela falará sobre uso excessivo de ambiente digital na infância.

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#direitosimples #infância #redessociais

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Transcrição
00:00Oi, gente! Olha nós aqui de novo com o nosso Direito Simples Assim.
00:05É sempre uma alegria estarmos aqui com vocês.
00:09Bom, hoje a gente vai falar um pouco sobre essa questão ligada ao excessivo uso do mundo digital
00:21por crianças e por jovens.
00:24Nós temos nos dedicado a tratar esse assunto.
00:29Já recebemos aqui outros profissionais de outras áreas falando dessa mesma questão.
00:38E hoje nós vamos falar no aspecto dos impactos humanos e educacionais
00:47sobre esse desafio de proteção no ambiente virtual.
00:53E quem vai conversar conosco hoje é a educadora, pedagoga Amanda Zanetti,
01:02que é também, vou ler aqui, terapeuta e diretora do Instituto Brasileiro de Educação e Desenvolvimento Humano.
01:11Ela atua já há mais de duas décadas na formação de pais, de líderes, de educadores,
01:22nessa questão aí do desenvolvimento socioemocional.
01:27E é professora universitária, além de ter livros que ela escreveu.
01:33Ela não trouxe, mas depois a gente fala da obra dela aqui.
01:40Amanda, é uma alegria ter você aqui conosco.
01:43Nossa, alegria é uma honra toda minha.
01:46Que prazer estar aqui com vocês para a gente falar de um tema tão importante, tão urgente.
01:51Importante, importante.
01:51Obrigada pela oportunidade.
01:54Bom, então vou começar com uma pergunta.
01:59A gente, na última conversa que nós tivemos, nós falamos sobre o ECA digital, os desafios jurídicos e tudo.
02:11É uma língua nova, né?
02:12É, mas e essa questão dos impactos humanos e educacionais aí nessa realidade, né?
02:24O que essa vida digital está produzindo, provocando em crianças e adolescentes que chegam no ambiente escolar?
02:36Então, primeiro, antes de falar sobre os impactos, eu queria muito dizer, assim, da minha honra e o prazer de
02:43ter a oportunidade de a gente discutir mais profundamente esse aspecto.
02:48O ECA digital, ele veio fazendo bastante alarde, né?
02:52Bastante barulho.
02:53Muitos profissionais falando sobre isso em podcasts, em lives, em palestras.
02:58E a gente vê muito esforço sendo colocado, às vezes, em explicar o que vai acontecer nas escolas, o que
03:05vai acontecer com os pais, se pode ou não postar foto, as restrições.
03:10Mas essa oportunidade que a gente está tendo aqui é para olhar um pouquinho mais profundo.
03:14A gente mergulhar, entender por que essa lei foi tão urgente, por que ela causou tanto alvoroço, o que tem
03:21por trás da necessidade da gente ter essa regulamentação.
03:25Então, eu atuo, como você disse aí, né, Rosane, há mais de 20 anos, são 26 anos de vida dedicada
03:31à educação.
03:33E quem atua, pelo menos aí uns 10 anos, está vendo, assim, a mudança geracional e esses impactos que estão
03:39sendo causados pelo uso excessivo das redes digitais, pelos videogames, por esse mundo mesmo, esse ecossistema digital que as crianças
03:48e adolescentes vivem.
03:50Por que que é um ecossistema, né?
03:52Não é só sobre ter um celular ou não ter um celular.
03:54Não, a gente brinca que as crianças hoje já nascem com o dedinho assim, né?
03:57Exatamente, exatamente.
03:59É a primeira geração, Tamara, que nasceu mergulhada nesse universo.
04:04E isso impacta tudo.
04:05A forma como elas aprendem, a forma como elas se veem, a identidade delas, a forma como elas se relacionam,
04:12a forma como elas se relacionam com as emoções.
04:14Então, isso é urgente, necessário, por que esses impactos, naturalmente, estão aparecendo aí dentro das escolas, né?
04:21Pois é. Então, vamos para a segunda pergunta.
04:25Quando isso chega, esse impacto chega no ambiente escolar, como é que os professores, os educadores estão percebendo isso e
04:37o que estão fazendo?
04:39Bom, olha, a gente poderia falar de tantos aspectos, porque, como eu disse, impacta a existência, né?
04:47Dessa criança, em todos os âmbitos.
04:49Mas vamos imaginar, vou pegar um aspecto que é bastante presente, bastante do universo da escola mesmo, que é, por
04:57exemplo, a atenção das crianças.
04:59Então, vamos, podemos falar de muitos aspectos, mas nesse momento agora, para te responder, vou focar aqui na questão da
05:04atenção.
05:05Então, pensa, a Tamara disse, esses meninos nascem já com o dedinho programado ali, para rolar a tela.
05:11Então, as crianças hoje, elas acordam com o celular, elas comem com o celular, elas são reguladas emocionalmente por um
05:19celular,
05:20elas são distraídas por um celular, elas obtêm informação no celular e elas dormem, às vezes, com o celular na
05:26mão.
05:26Então, é um dia inteiro sendo impactada por um excesso de informação, um excesso de estímulo, uma velocidade, um foco
05:35na obtenção de prazer, de recompensa rápida.
05:38E, obviamente, isso vai impactar na forma como elas estão se relacionando com o conhecimento, com a aprendizagem dentro da
05:44escola.
05:44Então, por exemplo, hoje a gente tem, com qualquer professor, qualquer professor que atue atualmente dentro de uma escola,
05:52se você perguntar para ele, ele vai falar um rendimento inferior, uma queda no nível de concentração das crianças, no
05:59foco.
05:59Então, às vezes, ele tem ali uma atividade que vai exigir um pouquinho mais de esforço, vai exigir uma leitura
06:05um pouco maior,
06:06vai exigir um corpo, às vezes, parado, num movimento menos agitado, de menos movimento.
06:14E aí, imediatamente, a gente vê dentro das escolas, em qualquer nível de ensino, uma inquietação, uma ansiedade crescente,
06:22uma dificuldade de sustentar essa atenção, de se dedicar a algo que exija um pouco mais de esforço, um pouco
06:30mais de esforço cognitivo.
06:31E isso está impactando enormemente na forma como essas crianças, adolescentes, estão lendo o mundo, aprendendo.
06:39Porque é diferente, assim, né? Eu disse, eles têm muito estímulo, muita informação.
06:44A gente nunca teve antes, na história, crianças que tiveram tanto acesso à informação.
06:50Mas ter acesso à informação não significa mais aprendizado. Às vezes, até o contrário.
06:55É, porque a gente não sabe o teor dessa informação, né? O que eles estão buscando ali com essas informações?
07:00E além disso, Tamar, assim, né? De não serem, às vezes, a qualidade da informação não ser uma qualidade boa,
07:09uma qualidade ali que realmente seja adequada, aquela faz, às vezes tem isso, mas tem uma outra questão, que é
07:17a passividade.
07:18Então, olha só como é que essa questão da informação acontece.
07:22Muitas vezes, esses adolescentes e essas crianças, eles estão ali num estado de total passividade, um receptáculo apenas.
07:29Vai passando, vai passando, mas o movimento de aprendizagem, de aprender alguma coisa, de criar matriz sobre algo,
07:37de entender algum processo, envolve um conflito cognitivo, envolve um esforço, uma quebra, às vezes, de pensamento
07:45para substituir por algo maior, algo diferente.
07:49Exige, às vezes, confrontação, diálogo, criticidade.
07:53E nada disso acontece, embora eles tenham muita informação, nada disso está acontecendo.
07:59Muitas vezes, é um movimento só passivo de receber.
08:03Passa, e não fixa.
08:04Não fixa, não faz confrontação, não exerce senso crítico, não faz seleção, não há conflito cognitivo.
08:12Que adulto vai ser esse, meu Deus.
08:14Exato. Por isso, a importância desse tipo de discussão e desse tipo de lei, desse tipo de iniciativa,
08:21porque a gente não está falando só sobre regras, normas, a gente está falando sobre o futuro.
08:28O futuro social, porque as crianças, elas vão ser os adultos profissionais.
08:32Então, que futuro é esse?
08:34Que profissionais são esses?
08:36Que sociedade é essa?
08:37Se a gente olha para tudo isso, assim, com rigor, com atenção, tomando cada um a sua corresponsabilidade,
08:44a gente coloca em risco muitas questões, inclusive sociais, relacionais,
08:50porque, além das questões atencionais de aprendizagem,
08:54a gente está falando também de um impacto na forma como a gente se relaciona enquanto ser humano.
08:58Exatamente.
09:00Fica aquele pessoal mais vazio, né?
09:02A probabilidade de ficar assim.
09:04E aí, recentemente, a gente teve a promulgação de uma lei que fez bastante barulho, né?
09:10Que é proibindo o uso do celular nas escolas.
09:15E aí, ao mesmo tempo que você tinha criança e adolescente reclamando,
09:18por que eu não posso usar meu telefone?
09:20A gente tinha pai e mãe também reclamando.
09:24Como é que eu vou contactar o meu filho?
09:26Como é que eu vou saber do meu filho?
09:27Como é que eu vou saber se meu filho está bem, né?
09:29E aí, a gente percebe que esse uso excessivo, ele está alcançando níveis prejudiciais e perigosos, né?
09:40E aí, a gente se pergunta, né?
09:43Como, né?
09:44Por que que essa geração é tão difícil se manter longe das telas?
09:49Por que é tão difícil, por exemplo, se dedicar a uma leitura, né?
09:54É parar um pouco a mente pra poder absorver determinados conteúdos, fazer um estudo, né?
10:01Mais fidedigno.
10:02Por que é tão difícil?
10:03Eu vou te responder a sua pergunta por quê, que é tão difícil.
10:07Mas, antes, eu quero só comentar um aspecto que você falou.
10:10Que é a necessidade da gente conscientizar os pais.
10:14Porque, muitas vezes, o pai, quando coloca numa balança, né?
10:17O risco que o filho dele está correndo ali, com o uso daquele telefone na mão,
10:22com um aspecto tão simples, que é resolver a dinâmica de comunicar com o filho na escola,
10:27que tem tantas formas da gente...
10:29Antigamente, gente, não tinha telefone.
10:31Na minha época, não tinha telefone.
10:34E meu pai, minha mãe, não tinha segurança de saber que eu estava na escola.
10:37Exatamente.
10:38Então, assim, é uma questão facilmente resolvida.
10:41E, do outro lado, é algo que pesa muito mais.
10:43E, muitas vezes, a gente percebe que não tem essa consciência.
10:45A gente pode até falar sobre isso, mas, primeiro, vou te responder, né?
10:49Por que é tão difícil?
10:51Porque, se a gente pensar na lógica das redes sociais, por exemplo, ou dos games,
10:57é uma lógica construída, arquitetada, para que a gente não saia dali.
11:02Então, existem mecanismos, estudos de psicologia social, de funcionamento da mente, né?
11:07Do que faz a gente se fixar em algo.
11:10Que eles todos são mobilizados para construir a arquitetura de uma rede social,
11:15a arquitetura de um jogo de videogame.
11:17Então, existe uma provocação, enquanto a gente está ali, por exemplo,
11:21rolando um feed de Instagram,
11:24uma provocação que ela vai diretamente atuar no sistema de recompensa do seu cérebro.
11:31O que significa isso?
11:32Vou tentar explicar isso de uma forma bem palatável, bem assim, igual o nome do podcast, né?
11:40Simples assim.
11:41Então, a gente tem um centro dentro do nosso cérebro, né?
11:44Lá nas regiões mais ligadas à emocionalidade,
11:48que ele é o nosso centro de recompensa.
11:51O que isso quer dizer?
11:52Que a gente precisa ter algo que nos motive a buscar sempre mais,
11:57a correr atrás de algo que vai trazer satisfação, né?
12:02Essa visão, assim, de prazer, de alegria, de contentamento com a vida, né?
12:07Então, percebam, quando algo provoca em nós uma boa sensação,
12:11a gente tem uma motivação de sempre procurar por aquilo.
12:14Você está quase que descrevendo um vício.
12:17Exatamente.
12:17É assim que funciona um vício.
12:19Mas, não se chegando a um vício, isso é uma coisa saudável.
12:22É um movimento saudável da vida humana.
12:25O que acontece é que, quando a gente está num jogo de videogame,
12:28numa rede social, que as crianças não deveriam estar lá, mas estão, né?
12:34A gente está ali operando com essa mesma lógica.
12:38No sentido de, quando a gente passa, rola uma tela,
12:40a gente, às vezes, vai ter um videozinho ali que vai trazer um cachorrinho fofinho,
12:44que vai trazer alguma coisa que eu gosto, que vai ser social,
12:47alguma coisa que é prazerosa pra mim.
12:49E aquilo vai trazer uma descarga.
12:52Vocês já devem ter ouvido falar, quando a gente fala sobre isso,
12:55é muito comum essa palavra, um neurotransmissor chamado dopamina,
12:59que está ligado exatamente a essa busca por satisfação, por prazer.
13:04Essa motivação pra você ir atrás dessa sensação.
13:07Então, ali você tem uma descarga, você tem ali um movimento cerebral.
13:12E aí, você passa e aquilo vem de novo.
13:15Aquilo você passa, aquilo vem de novo.
13:16De uma forma muito simples, é só rolar um dedo,
13:19é só passar por uma fase, é só pegar mais uma estrelinha,
13:23a gente tem aquela sensação.
13:25Só que, às vezes, o próximo vídeo que vem, não é um vídeo tão prazeroso assim.
13:29Aí, depois vem um outro, não é tão engraçado assim.
13:33E aí, aquilo me dá mais vontade de continuar rolando
13:36até que eu tenha acesso a algo que vai me trazer esse prazer de novo.
13:41E isso vai criando uma lógica de dependência,
13:44uma lógica muito ligada ao vício.
13:46Por isso, é tão difícil.
13:48Não é uma questão só,
13:49ah, essa geração é uma geração muito Nutella,
13:52essa geração, esses meninos estão perdidos,
13:54eles são os viciados,
13:55porque, às vezes, a gente vê uns discursos bem superficiais, assim.
13:59E a gente não pode dizer isso quando a gente tem uma lógica
14:03tão arquitetada pra que eles permaneçam ali,
14:07aquilo é feito pra isso.
14:08Tem toda uma ciência por trás daquilo, né?
14:10A absurda ciência por trás daquilo, é feito para isso.
14:14Então, não é uma questão só de...
14:15Esse é o objetivo.
14:17É o objetivo.
14:18De quem tá atrás disso tudo.
14:19Exatamente.
14:20E, então, não é uma questão só de falar assim,
14:22sai daí, é só sair, é só ir estudar.
14:26Porque, além disso ser feito pra que eu permaneça ali,
14:32esses estímulos constantes vão criando maior dificuldade
14:37de se obter prazer fora dali.
14:39Então, imagina só.
14:41Antes, a gente abraçava um amigo
14:44e a gente tinha uma sensação de prazer.
14:46A gente conversava olho no olho,
14:48tinha um papo agradável,
14:50e a gente saía dali contente, sabe?
14:52Saía com o nosso corpo, assim, relaxado.
14:54Maravilhoso.
14:55A gente via uma flor, um pôr do sol, uma coisa...
14:57Aquilo ali causava sensações maravilhosas.
15:01Mas, um adolescente, uma criança,
15:02que tem um cérebro ainda em formação,
15:05que tá recebendo esses altos estímulos dopaminérgicos ali,
15:08quando ele olha um pôr do sol, que graça que tem.
15:11Se eu tô ali, ó, inundado,
15:14dá aquela sensação constante de prazer.
15:19Então, olhar no olho fica difícil.
15:22Abraçar é sem graça.
15:23A vida vai ficando cinza.
15:25E aí, eu só consigo obter, às vezes,
15:27aquela sensação quando eu tô ali.
15:29Por isso, essa busca constante.
15:31E essa dificuldade de sair pra fazer algo
15:34que não é tão prazeroso, assim.
15:36Entende?
15:36E na escola, Amanda?
15:38Como é que tá sendo feito esse controle do celular na escola?
15:42Tomando por base essa pergunta que a Tamara fez.
15:46É porque a gente já tem ouvido, né,
15:48relato que, embora tenha lei,
15:51essa coisa não tá funcionando tão bem assim.
15:53Não tá existindo, né, havendo a fiscalização.
15:57Então, acaba que o uso continua do mesmo jeito.
16:00É.
16:01Foi muito importante, assim.
16:02Foi essencial.
16:04Na época que, né, em 2025,
16:06quando essa lei, ela realmente passou a vigorar,
16:09eu ainda estava dentro da sala de aula da educação básica.
16:12Eu fui fazer um laboratório, sabe?
16:14Eu fui viver na pele essas dificuldades
16:17do que que significa você educar alunos imersos
16:21nesse universo digital,
16:23viciados, muitas vezes, em telas.
16:25Então, eu estava lá, nos anos anteriores,
16:272023, 2024.
16:29Estava impossível.
16:31Impossível lecionar.
16:32Então, era o tempo todo as notificações,
16:35muita dificuldade de inibir esse uso.
16:38No meio da aula, eles usando o celular.
16:40Eu não sei onde a gente ia parar
16:41se essa lei realmente não tivesse entrado em vigor.
16:44Então, o fato é,
16:46proibir foi muito importante.
16:48Mas proibir não quer dizer que eles vão deixar de usar,
16:51ou que a rede social vai deixar de existir,
16:54ou que a inteligência artificial, né?
16:57Então, assim, a gente inibiu.
17:00Mas, toda essa lógica, ela continua acontecendo.
17:03Então, os alunos, eles acabam arrumando um jeitinho de burlar.
17:08Então, às vezes, vão ao banheiro pra consultar alguma coisa,
17:12pra prova, ou pra mandar uma mensagem,
17:14ou pra ver.
17:15E aí, a gente vai entrar numa esfera bem importante da nossa conversa.
17:18As notificações, dos likes,
17:21se alguém curtiu, se alguém comentou.
17:23Porque tem toda essa questão da validação externa, né?
17:27Então, às vezes, ele tá ali.
17:29Uma aula de geografia,
17:31mas ele tá pensando,
17:32aquela foto que eu postei antes de sair pra escola,
17:35será que fulano vai curtir?
17:38Será que tem algum comentário?
17:39Porque vocês imaginam,
17:40a gente, quando era adolescente,
17:41a gente lembra,
17:42essa coisa da validação externa,
17:44ela é muito importante pra um jovem, né?
17:46Aí, você imagina,
17:47você tá ali numa aula,
17:48e não saber o que o mundo tá falando sobre você.
17:51Então, em algumas escolas,
17:53outras menos,
17:54tem escolas que isso funcionou, assim,
17:56perfeitamente.
17:57E aí, a gente viu
17:59adolescente sorrindo de novo,
18:00brincando de novo,
18:01aquele recreio cheio de vida,
18:03que era algo que não tava acontecendo.
18:05Outras escolas ainda estão com muita dificuldade.
18:08Então, às vezes, ele tira da mochila, né?
18:11Dá uma olhadinha,
18:12vai ali no banheiro, como eu disse.
18:13Então, mais do que agora,
18:16a gente limitar,
18:18ou a gente proibir,
18:19ou a gente arrancar os celulares,
18:20trancar, né?
18:22Com um cadeado numa caixinha,
18:23porque, às vezes, isso acontece.
18:24A gente tá vendo aí
18:25uma necessidade muito grande, também,
18:27de trabalhar na conscientização.
18:30Por que que existe
18:32esse tipo de limitação?
18:33Né?
18:34Então, crianças e adolescentes,
18:35eles são capazes de entender
18:37e ir criando uma maior consciência
18:39pra que eles mesmos percebam
18:41os efeitos
18:42que isso tá causando neles.
18:44A minha próxima pergunta seria essa.
18:46Quais são os impactos, né?
18:49Que essa vida digital tem causado, né?
18:52Nos adolescentes,
18:54nas crianças.
18:57Eu falo porque a gente tem se deparado
19:01com demandas,
19:02informações de pais,
19:04que tá chegando no limite,
19:07no sentido dessa questão do vício mesmo.
19:09Que a partir do momento que retira,
19:12de você ter um adolescente agressivo,
19:15impaciente,
19:16da dinâmica familiar,
19:18ficar quase,
19:19não existir diálogo.
19:21Então, assim,
19:22de uma situação bem complexa mesmo.
19:25E chegar ao ponto aqui,
19:27por exemplo,
19:28da gente falar, por exemplo,
19:29de um compartilhamento de pornografia,
19:32de fotos, né?
19:34Porque, às vezes,
19:35as pessoas ali estão se relacionando,
19:37relacionando, né?
19:39É o normal da adolescência,
19:40a curiosidade.
19:42Bate foto,
19:44manda foto pra fulano,
19:45que pega aquela foto
19:46e joga no grupo do WhatsApp
19:48dos colegas,
19:49que já transpõe aquela foto.
19:51E aí,
19:51a coisa vai perdendo,
19:53vai tomando uma forma,
19:55uma proporção enorme.
19:58E aí,
19:58como que fica o papel da escola,
20:00dos pais,
20:01como é que fica essa vivência?
20:03Amanda,
20:03o povo tá, tipo assim,
20:05doido.
20:06E é pra ficar doido mesmo.
20:08E é importante a gente falar sobre isso,
20:10porque o que que acontece?
20:11Você falou, né?
20:12Os pais não sabem mais o que fazer.
20:14Mas, muitas vezes,
20:15são os próprios pais,
20:17os próprios educadores,
20:18que estão,
20:18sem perceber,
20:20estimulando esse uso ali.
20:22Alimentando.
20:22Primeiro, pelo exemplo,
20:24que nós temos também
20:25um mundo adulto
20:27muito hiperconectado.
20:28Então, às vezes,
20:29a criança tá ali
20:30e vê o pai o tempo todo.
20:32Ou o próprio educador,
20:33que deveria servir de exemplo,
20:35mas que usa o seu celular
20:36dentro do ambiente escolar.
20:38O tempo todo ali também.
20:40Então, tem essa questão do exemplo.
20:42Tem a questão de que,
20:43muitas vezes,
20:44a gente tenta proteger
20:45as crianças,
20:46os adolescentes,
20:47do mundo real.
20:48Então,
20:49fecha a porta do quarto,
20:50não deixa mais sair,
20:51não deixa ir dormir
20:52na casa de um coleguinha.
20:53E eu entendo,
20:54tem uma proteção do mundo real
20:55que ela é importante,
20:56mas, às vezes,
20:57as crianças estão
20:58trancafiadas
20:59dentro dos seus apartamentos
21:00e estão livres,
21:03totalmente livres,
21:04sem supervisão,
21:05num mundo muito mais perigoso
21:06do que o mundo real,
21:07que é o mundo digital,
21:09diante desses problemas,
21:10essas situações que você colocou,
21:12como pornografia,
21:13pedofilia infantil,
21:14tráfego,
21:15né,
21:15crimes.
21:16Então,
21:16cyberbullying,
21:19porque a gente sabe
21:20que a rede é maldosa,
21:22né,
21:22nem sempre o adolescente
21:23ou a criança,
21:24ela tem o discernimento
21:25necessário
21:26pra saber fazer
21:27o bom uso daquilo.
21:28E é igual você falou,
21:29eles dependem
21:30de uma validação.
21:31Exato.
21:32E aí,
21:33a gente viu aquela série,
21:35né,
21:35da Netflix,
21:36Adolescente,
21:37que tem os ícones,
21:39né,
21:39as imagens
21:40que antes pra gente
21:41eram simples,
21:43eram uma figura,
21:45pra eles tem todo
21:46um significado,
21:47tem todo,
21:48e aí vai acontecendo
21:50um mundo à parte.
21:51Exato.
21:52Fora que muitas vezes
21:53a gente não sabe
21:53o que se passa.
21:54E aí,
21:55respondendo, né,
21:56sua pergunta é exatamente isso.
21:57Então,
21:57a primeira coisa,
21:59nós adultos
22:00precisamos nos responsabilizar.
22:01Não adianta a gente
22:02virar e falar assim,
22:03ah,
22:03essa geração,
22:04ah,
22:05esses adolescentes,
22:06ah,
22:06essas crianças terríveis,
22:08viciadas em telas.
22:09Nós somos responsáveis
22:10por essas crianças,
22:11adolescentes,
22:12eles ainda estão em formação.
22:14Então,
22:14a primeira coisa
22:15é a gente começar
22:16a se atentar,
22:17porque nós estamos
22:18muito alienados ainda,
22:20inclusive das linguagens,
22:21desses sites,
22:22dessas sites
22:25que muitas vezes
22:25ficam escondidos,
22:26aplicativos que às vezes
22:28ficam escondidos,
22:28que a gente nem sabe
22:30o que que tá acontecendo lá.
22:31Então,
22:31discussões como essas
22:33são importantes
22:34pra que a gente entenda
22:35que existe um risco,
22:37pra que a gente saia
22:38dessa alienação
22:39e compreenda,
22:39uma criança
22:41sem supervisão,
22:42se alimentando
22:43do que existe
22:44numa internet,
22:44ela está em risco.
22:46Assim como uma criança
22:47colocada no meio
22:48da Praça da Sé,
22:49no meio da Praça Sete,
22:51aqui,
22:51você largar ela lá
22:52o dia inteiro lá,
22:53entende?
22:53É um risco real.
22:54Então,
22:54a primeira coisa é isso.
22:55O exemplo
22:56e entender
22:57esse risco real.
22:58E depois,
22:59a gente trabalhar
23:00não só na limitação,
23:02como eu disse antes,
23:03mas na conscientização.
23:04Então,
23:05que a gente mostre
23:05os riscos,
23:06que isso vire
23:07pauta das escolas,
23:09assim,
23:09então,
23:09vai escrever
23:10uma redação,
23:11traz isso como tema,
23:12vai desenvolver
23:13um trabalho,
23:14um problema matemático,
23:16traz isso,
23:16traz uma questão,
23:17traz dados desse universo,
23:19deixa as crianças
23:20pensando sobre isso,
23:21adolescentes pensando
23:22sobre isso.
23:23Então,
23:23é importante que a gente
23:24compreenda,
23:25aqui falando da escola,
23:27que aquele tempo
23:28em que a escola
23:29tinha um único compromisso,
23:31que era ajudar
23:32os alunos
23:33a se desenvolverem
23:33cognitivamente,
23:35só acabou faz tempo.
23:36Hoje,
23:37a gente tem,
23:37falando aqui ainda
23:39no campo do direito,
23:41um documento
23:42que tem uma força
23:43de lei,
23:44que é chamado
23:44BNCC,
23:45que é a base nacional
23:46comum curricular,
23:48que regulamenta
23:49a elaboração
23:49dos currículos,
23:50e a BNCC,
23:51ela prevê
23:52que a escola
23:53tem obrigação,
23:55tem dever
23:55com a formação ética,
23:58com a formação moral,
23:59com a educação
24:00dos alunos
24:01para o uso
24:02das redes sociais,
24:03com a criticidade,
24:05com essa questão
24:05do cuidado
24:06na exposição,
24:07então tudo isso
24:09tem que estar
24:10nos currículos escolares,
24:11e muitos educadores,
24:13eles ainda estão
24:14vivendo
24:15uma realidade
24:17passada,
24:17lá de trás,
24:19achando que a única
24:20obrigação que tem
24:21é ensinar a matéria,
24:22né,
24:22história,
24:23geografia,
24:24aquilo que eu me formei
24:25na faculdade,
24:25eu vou lá e ensino,
24:26porque eu adoro
24:27a minha matéria,
24:27eu vou lá ensinar,
24:28e hoje,
24:29eu falo que a descrição
24:30de cargo de um educador,
24:32ela mudou,
24:33hoje você entra
24:34dentro de uma sala
24:35de aula,
24:35você vai lidar
24:36com alunos doentes,
24:39ansiosos,
24:39depressivos,
24:40viciados,
24:41então a gente
24:42precisa se preparar.
24:43As questões,
24:44né,
24:44de saúde mental
24:45estão muito fortes.
24:47E Amanda,
24:48e quais são os impactos,
24:50assim,
24:50quando a gente fala
24:51nessas questões,
24:52que inclusive,
24:53chega a ser crime,
24:55né,
24:55como a questão,
24:56né,
24:56de compartilhamento,
24:58produção,
24:59de pornografia,
25:00ou a questão mesmo
25:01do cyberbullying,
25:02como que a escola
25:03trabalha com essas questões,
25:05e como que os pais
25:06também podem abordar
25:08esses impactos.
25:09Porque,
25:10por exemplo,
25:10se a gente pega
25:11uma adolescente
25:12que tem uma foto dela
25:14em uma situação
25:16vulnerável ali,
25:18divulgada,
25:19ela tá numa situação
25:21vexatória,
25:22aquilo vai causar
25:22um impacto gigante
25:25na vida dela,
25:26porque o mundinho dela
25:27gira em torno
25:28da escola daquilo,
25:30então é quase que
25:31como se jogasse uma bomba
25:32ali e saia escorrendo.
25:33Então,
25:34quais são os impactos,
25:35como que a escola
25:36pode lidar
25:36com essas questões,
25:38os pais também
25:39nesse sentido,
25:40porque eu acho assim,
25:41é o que tá fervilhando
25:42aí na cabeça do povo,
25:44é a maior dúvida assim,
25:45como que eu ajudo
25:47o meu filho e minha filha
25:48numa situação
25:49como essa,
25:50por exemplo,
25:51ou como que a escola,
25:52né,
25:52porque acaba envolvendo
25:53alunos da escola,
25:55como que a escola
25:56pode lidar
25:56com essa situação?
25:58Eu vou te responder então,
25:59tanto na perspectiva
26:00da escola
26:01e dos profissionais
26:02que atuam lá,
26:03quanto da perspectiva
26:04da família
26:04que são perspectivas
26:06muito diferentes
26:07e com poder
26:08de atuação
26:09muito diferente também,
26:11mas que tem
26:12uma responsabilidade
26:12compartilhada.
26:14A gente não pode esquecer isso,
26:15por quê que eu tô falando isso?
26:17Porque se a gente pegar
26:18o ECA
26:18e a gente digitar lá,
26:20dar um Ctrl F,
26:21uma busca
26:22pela palavra escola
26:24ou pela palavra
26:25instituição educacional,
26:26você não vai achar.
26:27Você não vai achar
26:28no ECA
26:29uma menção direta
26:30à escola.
26:31então muitas escolas
26:33às vezes,
26:33considerando isso,
26:34acham que elas
26:35não têm responsabilidade
26:36porque o celular
26:37não pode entrar na escola,
26:39aquele adolescente
26:40não pode fazer uso
26:41daquele equipamento lá,
26:42então se ele tá
26:43navegando num site
26:44de pornografia,
26:45isso deveria ser
26:46obrigação da família,
26:47né,
26:47a gente poderia ter
26:48um pensamento raso
26:49de pensar assim.
26:50E tem muita gente
26:51que pensa assim.
26:52Tem muita gente,
26:52por isso que eu tô falando
26:53sobre isso, sabe,
26:54que embora o ECA
26:56não traga explicitamente
26:57ali,
26:58dizendo,
26:58olha, a escola é obrigada
27:00a fazer isso,
27:00a fazer aquilo,
27:01a fazer aquilo outro,
27:02existe ali o pano de fundo
27:05do ECA
27:05que é proteção
27:06da infância e da adolescência.
27:07É a proteção integral, né?
27:09A proteção integral.
27:09E se a gente for pensar,
27:11ele pode até não usar
27:12o termo escola,
27:14mas ele fala
27:14que a responsabilidade
27:16é do Estado,
27:17é dos pais,
27:18é da sociedade.
27:19É conjunta.
27:19Então se a gente for pensar,
27:21a escola tá englobada, né?
27:23Tem um tema importantíssimo aí, né?
27:24Exatamente.
27:25Mais, assim, essencial,
27:26porque inclusive,
27:28muitas vezes a escola
27:29é um ambiente
27:29em que o aluno passa mais tempo,
27:31o adolescente,
27:32a criança passa mais tempo.
27:33Às vezes é o ambiente
27:34em que ele vai ter
27:36maior chance
27:37de ser visto
27:37por um adulto,
27:38porque às vezes
27:39o pai trabalha o dia inteiro,
27:40vai vê-lo no fim da noite,
27:41então às vezes
27:42aquele professor,
27:42ele passa cinco,
27:43seis horas
27:44com aquela criança,
27:46então tem muito mais capacidade
27:47às vezes de perceber
27:48coisas que os pais
27:49não percebam.
27:49Então quando a gente fala,
27:50por exemplo,
27:51dentro do ambiente da escola,
27:53em situações como essa,
27:54é dever da escola
27:55observar sinais
27:57que podem indicar
27:58um sofrimento mental,
27:59um adoecimento mental,
28:01então tem muitas questões
28:02que podem mostrar isso
28:03pra gente,
28:03por exemplo,
28:03um sono mais permanente
28:05que acontece muito
28:06na adolescência,
28:07que tá fora do normal,
28:08que pode indicar
28:09que esse aluno
28:10não tá dormindo de noite,
28:11isso acontece demais, gente.
28:13Então às vezes
28:13o pai tá ali vendo,
28:15não tá acontecendo nada,
28:15os pais vão dormir
28:16e ele pega aquele celular
28:18e ele tá ali envolvido
28:19em grupos onde não deveria,
28:21sendo estimulado
28:22de formas que são nocivas
28:24à saúde mental,
28:26emocional dele.
28:27Então a escola tem o dever
28:28de perceber, por exemplo,
28:29esse isolamento maior,
28:31essa tristeza que vai aumentando,
28:33às vezes algumas marcas físicas,
28:35né, de cortes ali,
28:37que esse...
28:37Automutilação.
28:38Automutilação,
28:39que esses estudantes
28:40estão produzindo ali,
28:41essa irritação que você falou,
28:43né,
28:44uma impulsividade muito grande,
28:46uma reatividade muito grande,
28:48um prejuízo muito grande
28:50na atenção,
28:51na concentração,
28:52prejuízo de notas,
28:53tudo isso,
28:54uma queda, né,
28:55de notas,
28:55tudo isso são sinais
28:56que a gente tem que alertar,
28:59né,
28:59ficar em alerta
29:00e observando,
29:01procurando conversar.
29:03Qualquer questão observada
29:05precisa chamar a família,
29:07né,
29:07então é dever da escola
29:08caminhar em parceria
29:10com as famílias,
29:11mas muitas vezes
29:11as famílias não vão
29:13e aí muitas vezes
29:14a gente tem que saber
29:15onde recorrer,
29:16né,
29:16existem ali o conselho tutelar
29:19ou até dentro do ECA também
29:20já existe a previsibilidade
29:22de educadores,
29:23pessoas que acompanham
29:25essas crianças
29:26de denunciarem
29:27nas plataformas,
29:29de, né,
29:29solicitarem a retirada
29:31de conteúdos ali
29:32que vão denegrir
29:33a imagem desse jovem,
29:34dessa criança.
29:35A questão é,
29:37embora a gente tenha
29:39aqui no Brasil
29:39essa proibição
29:40do aparelho celular
29:41dentro das salas de aula,
29:43em nada isso muda,
29:45a nossa responsabilidade
29:46de cuidar,
29:47de preservar
29:48essa criança,
29:50né,
29:50acompanhando.
29:51A gente poderia dizer
29:52que a internet
29:55é uma vilã?
29:57Acho que não, né?
29:59É, não,
29:59porque,
30:00porque,
30:01se a gente for pensar,
30:02o mundo digital,
30:03as inteligências artificiais,
30:05as redes sociais,
30:07o WhatsApp,
30:08eles trouxeram
30:09inúmeros avanços,
30:10inclusive,
30:12na nossa,
30:13nosso acesso,
30:14às vezes,
30:15a conteúdos,
30:16a informações interessantes,
30:18a aplicativos que vão ajudar
30:20muito na compreensão
30:21de conceitos,
30:22que vão trazer,
30:24é maravilhoso.
30:25Tem escola que,
30:25inclusive,
30:26usa aplicativos,
30:27né,
30:27pra passar conteúdo,
30:28pra passar informação.
30:30Muitos,
30:30inclusive, assim,
30:31escolas, às vezes,
30:32públicas,
30:33que são carentes em recursos,
30:35às vezes,
30:35o próprio livro didático
30:36que tá sendo adotado
30:38por aquela escola
30:38tem um monte de recursos
30:40que usam da internet,
30:42ou, né,
30:42das questões digitais,
30:44ali, por exemplo,
30:44olha que coisa maravilhosa
30:45que é você,
30:46às vezes,
30:47estudar um cérebro,
30:48estudar um órgão,
30:50e você ter ali
30:51uma realidade aumentada,
30:53sabe,
30:53que coloca aquilo
30:54num plano que o aluno
30:54consegue observar
30:57tridimensionalmente,
30:57entrar dentro de um órgão,
30:59ver aquele funcionamento,
31:00coisas que eram
31:01inimagináveis,
31:02há pouco tempo atrás,
31:03nós não tivemos, né,
31:04essas oportunidades.
31:05Se vocês não tiveram,
31:07imagine eu.
31:10Então,
31:10a gente não pode dizer assim,
31:11ah,
31:12é uma vilã,
31:13tem que proibir,
31:14é terrível.
31:14Não,
31:15porque tem muitas vantagens,
31:17muitos benefícios,
31:18muita coisa que pode ser usada.
31:19A questão é,
31:20como a gente tá usando isso,
31:23como a gente tá preparando
31:24as nossas crianças,
31:25os nossos jovens,
31:26pra viver nesse mundo
31:27tão hiperconectado.
31:29E aí,
31:29vou entrar, né,
31:31num aspecto que é fundamental
31:32a gente falar assim,
31:33qual é a estrutura emocional,
31:36a imagem de si,
31:38que tá sendo construída,
31:39como esse adolescente
31:40tá se vendo,
31:41como essa criança
31:42tá se percebendo,
31:43como a gente tá
31:45fortalecendo-os
31:46na sua identidade,
31:47pra que eles lidem com isso.
31:48Porque,
31:48como a gente disse antes,
31:49esse mundo não vai pra trás,
31:51né,
31:51ele só vai pra frente,
31:53a gente vai ter cada vez
31:54mais acesso.
31:54A conscientização,
31:56como você colocou,
31:57é de extrema importância.
31:57É fundamental.
31:59É fundamental.
31:59Por isso que é importante também,
32:01dentro das escolas,
32:03ter a figura ali do psicopedagogo,
32:06do psicólogo,
32:07né,
32:08sem dúvida.
32:08Exatamente,
32:09pra ajudar nesse,
32:11dentro das limitações,
32:13ajudar nesse processo.
32:15Sem dúvida,
32:15porque são profissionais
32:16que compreendem mais
32:18essas mecânicas,
32:19né,
32:20tanto neurobiológicas,
32:22quanto das emoções,
32:24quanto da identidade,
32:25né,
32:25que estão mais ligados
32:26a esse universo
32:27e vão ter mais capacidade
32:28de fazer intervenções.
32:29Porque a Tamara
32:30até mencionou
32:31a questão
32:32da busca
32:34por validação,
32:35da imagem, né.
32:36Hoje a gente tem,
32:36essa é uma outra grande questão,
32:39assim,
32:39então você imagina,
32:40voltando lá, né,
32:41quando eu era adolescente,
32:43eu me preocupava
32:43se estavam me vendo bonita,
32:45se me achavam legal,
32:47mas eu me preocupava
32:48com a opinião
32:50dos meus vizinhos,
32:52dos meus primos,
32:53dos meus colegas ali
32:54da escola.
32:55Hoje,
32:56eles estão se preocupando
32:58com o que o mundo acha,
33:00né,
33:00nessa exposição enorme.
33:02É muitos,
33:03a gente tem muito adolescente
33:04sendo influencer.
33:05Exatamente.
33:06Se tem muito like ali,
33:07se não tem.
33:08Se não tem.
33:09Aí uma outra questão,
33:10a gente tinha como referência
33:11também nossos primos,
33:13nossos vizinhos.
33:14Hoje,
33:14eles têm como referência
33:16imagem de corpos perfeitos.
33:18Um padrão,
33:19muitas vezes,
33:20inalcançável.
33:21Um padrão inalcançável, né.
33:23Justamente pra despertar em nós,
33:24sempre um desejo
33:26de consumir algo
33:26que a gente ainda não tem,
33:28que a gente precisa daquilo
33:29pra poder ter
33:30uma determinada aparência,
33:32pra se parecer,
33:33às vezes,
33:33com um ídolo,
33:34com uma influência.
33:35Então,
33:35eles são bombardeados,
33:37vivem numa estrutura
33:38muito nociva
33:39pro desenvolvimento
33:40dessa psique.
33:40Então,
33:41eu olho pra mim
33:42e eu nunca sou suficiente.
33:44Porque sempre tem algo
33:47inalcançável ali
33:47pra muito além de mim.
33:49Isso gera frustração.
33:51Muita.
33:51que são os impactos emocionais
33:54que vem a partir disso.
33:57Não, pode causar depressão.
33:57A pessoa acaba entrando
33:59num ciclo depressivo.
34:03Sim, porque, olha,
34:04a vida é sem graça.
34:07Tudo é meio cinza.
34:08Por isso que a gente tem
34:08um número muito alto, né.
34:10Se a gente for pensar,
34:12de auto-extermínio
34:13na adolescência.
34:15hoje é a terceira causa
34:16de morte na adolescência,
34:19é o auto-extermínio.
34:20Eu não sei se vocês sabem
34:21desse dado,
34:22o Brasil é o país
34:24mais ansioso de todo mundo.
34:26Então, isso significa
34:26que a gente tem
34:27nos bancos das escolas
34:29os adolescentes
34:29mais ansiosos do mundo.
34:31Hoje, o Brasil
34:32é o campeão latino-americano
34:35em depressão.
34:37Então, vocês imaginam,
34:38isso, a escola
34:39é um reflexo da sociedade.
34:41Então, isso tá lá
34:42dentro das escolas.
34:43Então, se a gente
34:44não tem esses profissionais,
34:46se a gente não tem
34:46pessoas também
34:47que possam ir às escolas
34:49e capacitar os profissionais
34:50que estão dentro da escola,
34:51como, por exemplo,
34:52os profissionais do direito.
34:53Esse papel do profissional
34:55de direito explicando, sabe,
34:57as questões legais
34:59por trás disso,
35:00as limitações,
35:02os riscos que são corridos.
35:04Tem muitas informações, assim,
35:06que eu escuto
35:07dos profissionais de direito
35:08que me ajudam muito
35:09a compreender
35:10todo esse universo,
35:11o que pode,
35:12o que não pode,
35:12por quê,
35:13por quê sim,
35:14por quê não.
35:14Então, é também
35:16uma necessidade atual
35:17agora da gente
35:18abrir a escola também
35:20pra receber auxílio, sabe,
35:23de palestras,
35:24informações,
35:25nesse sentido, né.
35:26E vai ter muito profissional
35:28da área do direito
35:28disposto a ir fazendo.
35:34Inclusive, tem um programa
35:35da OAB, né,
35:36nesse sentido.
35:37Tem.
35:38E não só, né,
35:39do aspecto, por exemplo,
35:40em si do advogado,
35:42mas, por exemplo,
35:43a gente tem...
35:44O pessoal do mundo jurídico, né,
35:46o promotor...
35:46A delegada Sheila,
35:48que faz, né,
35:48nessa questão da criança
35:50e do adolescente.
35:51A gente tem vários
35:51outros ramos, né,
35:53o Ministério Público,
35:55o Judiciário,
35:56um pouco menos, assim,
35:57pelo menos na minha visão.
35:59Mas a gente vê órgãos
36:00trabalhando nesse sentido
36:02pra levar
36:02esse tipo de informação.
36:04Porque,
36:05se não tiver,
36:07como você falou,
36:07que tipo de geração
36:09que a gente vai ter
36:10daqui pra frente.
36:11O nosso tempo
36:12já tá começando
36:13a ficar estreito.
36:14Não fala não.
36:15Deixa eu te perguntar
36:16uma coisa.
36:17Amanda,
36:18os profissionais,
36:19a gente vê,
36:20tem visto também
36:20que os profissionais
36:22da educação,
36:22eles estão muito
36:23sobrecarregados,
36:24cansados,
36:25também estão entrando
36:26em depressão,
36:28estão adoecendo,
36:29por conta dessa
36:30mesma situação
36:33acumulada com outras, né.
36:37Tem o papel
36:39que é o papel
36:40da família,
36:41mas nesse aspecto
36:42com relação
36:43a esses profissionais,
36:45essa questão toda,
36:47como é que fica
36:48a questão
36:49da relação
36:49com a escola?
36:51A gente nem falou
36:53do papel da família, né,
36:54que era o outro ponto.
36:55Depois a gente volta lá.
36:56Pode falar e continuar
36:57com esse outro.
36:58Ótimo, então tá.
36:59Porque é ótimo
37:01você perguntar isso,
37:02obrigada, né,
37:03até pra me dar
37:03essa oportunidade,
37:04porque, de fato,
37:05assim, eu falei
37:06a descrição de cargo,
37:07a descrição de cargo
37:08de um educador,
37:09ela mudou hoje,
37:10são, antes a gente
37:11entrava na sala de aula
37:12e a gente ministrava
37:14ali a nossa aula,
37:15corrigiu para a casa,
37:16corrigia a prova,
37:17passava o dever de casa
37:18e embora pra casa
37:19com a sensação
37:20de dever cumprido, né.
37:21Quem tem aí
37:21pelo menos 15 anos
37:23lembra dessa sensação
37:24de chegar numa escola
37:25e saber o que ia acontecer,
37:27o que que esperava,
37:28tinha uma previsibilidade,
37:29uma certeza maior.
37:31Hoje a gente chega
37:31e é esse cenário
37:32que a gente enfrenta.
37:33Então, a primeira coisa
37:34é entender
37:35que esse papel mudou.
37:36Hoje a gente tem
37:37muito mais responsabilidades
37:39com essa formação
37:39integral
37:41todos os aspectos
37:42de desenvolvimento
37:43dessa criança
37:44e desse adolescente
37:45que tá lá.
37:46Então, claro
37:46que isso vai trazer
37:47uma sobrecarga,
37:49uma ansiedade,
37:51um medo,
37:51uma insegurança,
37:52porque muitos
37:53educadores
37:54que estão na escola
37:55hoje,
37:55eles não receberam
37:58formação pra isso.
37:59Então, eu sempre digo,
38:00que a gente faça
38:01um exercício
38:02de perceber
38:02o que que tá
38:03na nossa mão
38:04e o que que não
38:05tá na nossa mão.
38:06E a gente
38:07colocar a nossa energia
38:08naquilo que a gente
38:09percebe que a gente
38:10pode atuar,
38:11que a gente pode mudar.
38:12Por quê?
38:12Porque quando a gente
38:13olha pro âmbito
38:14da família,
38:15tem muita coisa
38:15que a família
38:16precisa fazer
38:17e muitas vezes
38:18não está fazendo.
38:19Como, por exemplo,
38:20o controle parental,
38:21a supervisão,
38:23a limitação do uso,
38:25essa questão mesmo
38:25que eu falei
38:26dos adolescentes
38:26que ficam usando
38:27o celular de madrugada.
38:28Então, fiscalizar mesmo,
38:30assegurar que esse telefone
38:31não vai carregar
38:32dentro do quarto,
38:33que vai ficar fora do quarto.
38:34Tudo isso,
38:35o educador,
38:36ele não consegue
38:36ir lá na casa
38:37da criança
38:38e do adolescente
38:39e fazer.
38:40Isso é responsabilidade
38:41da família.
38:42Mas, quando ele olha
38:43pro cenário dele,
38:44tem tanta coisa
38:45que ele pode trabalhar,
38:47inclusive,
38:49solicitando dentro
38:49da escola
38:50eventos que vão ajudar
38:51a conscientização
38:52da família.
38:53Entende?
38:54Ele não tem como
38:55atuar lá na família,
38:56mas ele tem como
38:56fazer uma reunião,
38:58às vezes com o pai
38:59e trazer as percepções
39:00do que está acontecendo
39:01dentro de sala de aula
39:02e falar,
39:02olha, eu acho
39:03que ele está usando
39:04excessivamente,
39:05está causando
39:06esse e esse prejuízo.
39:07Às vezes,
39:08buscar na direção,
39:09na coordenação da escola
39:10incentivos para trazer
39:12um profissional
39:12para falar com as famílias.
39:14Essa questão toda
39:15que eu falei anteriormente,
39:17de conscientizar,
39:18de trazer pautas
39:19para discussão.
39:20Então,
39:21você é professor de história,
39:23às vezes você vai fazer ali,
39:24olha,
39:24uma atividade
39:25de duplo propósito,
39:27você vai fazer um debate,
39:28às vezes,
39:29sobre alguma questão
39:31histórica ou social
39:32que vai envolver ali
39:34o uso de tecnologia.
39:35Eu vi algumas escolas
39:37trabalhando a questão
39:38do bullying.
39:39Nossa,
39:40isso é maravilhoso,
39:42a gente não pode ir embora
39:43sem falar sobre essa questão
39:44do bullying,
39:45do cyberbullying,
39:46porque se o bullying
39:47já era uma questão
39:48muito importante,
39:49que acometia aí
39:51as práticas dentro da escola,
39:52imagina agora o cyberbullying,
39:54que a criança vai embora
39:54para casa
39:55e o bullying continua.
39:56Porque antes,
39:57quando o bullying aconteceu...
39:58Vai repercutindo,
39:59repercutindo,
40:01reverberando.
40:01Reverberando,
40:02ele sai da escola
40:02e ele está lá,
40:04aquilo, né?
40:04Então,
40:04se a gente não estiver
40:06atento a esses relacionamentos,
40:07a forma como eles estão
40:08se relacionando,
40:09ao desenvolvimento
40:10da empatia,
40:11porque isso é algo
40:12que a gente pode trabalhar
40:13na escola,
40:14a escola é um ambiente
40:15mais rico em trocas sociais
40:16que essas crianças participam.
40:18Então,
40:19a gente trabalhar
40:19o que é empatia,
40:21o que é se colocar
40:21no lugar do outro,
40:22o que é imaginar a dor
40:23que o outro está sentindo.
40:25E muito mais do que,
40:26às vezes,
40:27conduzir um discurso moralizante,
40:29sabe?
40:30Esse discurso,
40:30assim,
40:31de não pode isso,
40:32pode aquilo,
40:33isso é um risco,
40:34isso é um problema,
40:34porque isso não cola
40:35com criança e adolescente.
40:36Quando eles percebem
40:37a nossa tentativa
40:39de controlar,
40:40de colocá-los em caixinhas
40:42de certo e errado,
40:42eles escapam,
40:44assim,
40:44no primeiro momento.
40:45Mas é de produzir,
40:46às vezes,
40:46levar uma questão
40:47e deixar esse debate acontecer.
40:50Deixar eles começarem
40:51a perceber
40:51o que está acontecendo
40:53na vida deles,
40:54como é experimentar,
40:55às vezes,
40:56ficar conectado
40:58com outros tipos
40:59de experiências,
41:00com tintas,
41:01com a natureza,
41:02com as brincadeiras,
41:04sabe?
41:04E aí,
41:04não só proporcionar,
41:05às vezes,
41:06uma brincadeira,
41:06mas depois disso,
41:08comparar.
41:08O que vocês sentiram?
41:10A gente consegue obter isso
41:11na rede social?
41:12Como a gente pode ter mais isso
41:14na nossa vida?
41:15Então,
41:15por que será
41:15que a gente está aqui
41:16sugerindo que vocês
41:18brinquem mais
41:19e deixar que eles
41:20percebam isso
41:22na vida deles?
41:23Então,
41:24seria um caminho.
41:25Um tempo de qualidade.
41:26A gente poderia ficar aqui,
41:27gente,
41:28a tarde inteira.
41:29Pena que o nosso tempo
41:30já até estourou.
41:31Estourou.
41:32Eu gostaria,
41:33só que você,
41:36se você quiser
41:37deixar uma mensagem,
41:39você deixar uma mensagem
41:40para as famílias,
41:42para os educadores
41:45e também deixar
41:46a sua rede social.
41:48Sim, sim.
41:49Minha rede social
41:50é Amanda Zanetti,
41:51meu nome,
41:52dois T's
41:53e no final,
41:54underline Edu.
41:55Eu conto um pouquinho
41:56sobre essas coisas lá,
41:57sobre o meu trabalho,
41:58então,
41:58convido vocês
41:58a me visitarem
42:00lá na minha rede social.
42:01E eu poderia, assim,
42:03deixar tantas mensagens
42:04nesse finalzinho,
42:06assim,
42:06mas a gente estava falando
42:07de brincar, né?
42:08De estar na natureza.
42:09Acho que a mensagem
42:10que eu vou deixar é essa,
42:11sabe?
42:11Que a gente cuide
42:13de preservar
42:14o que significa
42:14ser criança.
42:16A infância
42:17é uma fase
42:18tão curta da vida,
42:19ela passa tão rápido, né?
42:21Outro dia eu vi
42:22um médico falando assim,
42:24você pode usar a medicina
42:25para dar 10 ou 15 anos
42:27a mais de vida
42:29para uma pessoa,
42:30mas serão 10 ou 15 anos
42:32de velhice.
42:33Essa fase,
42:34ela não tem como
42:35se alargar,
42:36ela é muito pequena, né?
42:37A infância,
42:38a adolescência.
42:39Então,
42:39que a gente cuide
42:40de preservar
42:41a natureza
42:42da infância,
42:43que é a exploração,
42:45a descoberta,
42:46a vida natural,
42:47a brincadeira coletiva.
42:49Aquela magia da infância.
42:50A magia,
42:51as trocas, né?
42:52A alegria
42:53de brincar junto.
42:55Então,
42:55que a gente tire um pouco
42:56as crianças
42:57desse universo
42:58e leve elas
42:59para brincar na natureza,
43:01para correr,
43:01gritar e ser criança, né?
43:03Eu acho que aí
43:03a gente já preserva muito
43:05dessas questões
43:06que a gente discutiu
43:07aqui hoje.
43:08Ai, gente,
43:08que delícia de conversa, né?
43:10Amanda,
43:11depois a gente
43:12quer que você volte
43:13aqui para a gente falar mais.
43:14Ah, é um prazer.
43:15É,
43:16porque foi muito curtinho.
43:17A gente tem que desenvolver
43:18muito assunto.
43:19Muito, né?
43:20E isso tudo
43:21tem que ser aplicado
43:22também dentro
43:22dos grupos religiosos
43:26também,
43:27para falar disso.
43:28Falar disso
43:29nos clubes,
43:30em tudo, sabe?
43:31Para poder
43:32abrir a mente
43:33de todo mundo
43:34em relação
43:35à sua responsabilidade, né?
43:37Amanda,
43:38nós te agradecemos
43:39pela disponibilidade
43:42de vir aqui
43:43falar com a gente
43:45sobre isso,
43:45um assunto tão importante.
43:47Foi um prazer
43:47te receber.
43:48Eu amei!
43:50Então,
43:51fechou,
43:52fechou.
43:52Fechou.
43:53Gente,
43:54nós temos que ir.
43:55Tchau!
43:56Tchau!
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