Pular para o playerIr para o conteúdo principal
  • há 2 dias
O pré-candidato à Presidência da República pelo partido Missão, Renan Santos, afirmou nesta sexta-feira (19), em entrevista exclusiva ao Grupo Liberal, que sua principal prioridade nos primeiros meses de governo seria o combate às facções criminosas, com foco no desmantelamento de organizações como o Comando Vermelho e o PCC.

Segundo ele, o objetivo imediato é fazer com que a população volte a se sentir segura nas ruas do país. Para Belém, disse que os efeitos seriam visíveis desde o início, com reforço no enfrentamento ao crime organizado e, ao longo do mandato, um amplo processo de urbanização e reestruturação de áreas precárias.

Na entrevista, Renan defendeu aumento de penas, implantação de câmeras com reconhecimento facial e uma legislação específica para facções criminosas. Também afirmou ser favorável à exploração da Margem Equatorial, propôs mudanças estruturais no Bolsa Família com foco em inserção no trabalho, criticou a escala 6x1 e disse que pretende liderar uma reforma fiscal e trabalhista profunda no país.

Repórter: Jéssica Nascimento
Imagem: Carmem Helena

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00Olá, seguidores do Liberal. Para você que nos assiste, hoje a nossa entrevista é exclusiva e é com o pré
00:05-candidato à presidência do Brasil pelo partido Missão, Renan Santos.
00:09Obrigada, candidato, pela oportunidade, pela visibilidade e pela escolha.
00:13Muito obrigado, uma honra estar aqui com vocês. Já não é a primeira vez que eu venho, vim há quase
00:1710 anos atrás e sempre uma honra estar aqui.
00:21Candidato, a primeira pergunta é, se você assumir a presidência em janeiro de 2027, qual é a primeira obra ou
00:27medida concreta que Belém vai enxergar nos seus primeiros 100 dias de governo?
00:32Olha, o que Belém especificamente vai enxergar, eu acho que é o combate ao crime.
00:36Acho que é um trabalho muito duro que nós vamos fazer na área de destruição, desmantelamento e destruição das facções
00:41criminosas.
00:41Hoje mesmo eu gravei na favela do Jurunas, ali tinha já marcações do Comando Vermelho.
00:50E o fato dessas facções terem se separado em todas as regiões do Brasil, tanto o PCC quanto o Comando
00:54Vermelho, para falar as duas maiores,
00:55eu acho que essas são as coisas que seriam mais sentidas, porque eu botei como meta, e se eu falasse,
00:59olha, essa aqui é uma promessa de campanha.
01:00Eu sei que é muito old school, é muita moda de ganho, eu prometo.
01:04Mas eu tenho como meta, eu preciso fazer as pessoas, nos seis primeiros meses no Brasil, se sentirem a vontade
01:09de andar com o celular na rua no Brasil.
01:11Se em todas as capitais as pessoas se sentirem a vontade de andar com o celular, significa que nós vencemos
01:14essa primeira etapa.
01:16Agora, ponto de, se não falar dos seis primeiros meses, mas eu falar até o fim do primeiro mandato,
01:22algo que Belém vai sentir muito, até porque Belém tem muita presença disso, é o processo de urbanização e desfavelização
01:28das cidades.
01:29Infelizmente tem muitas pessoas morando em situação precária aqui, e eu acho que a gente vai criar o marco regulatório
01:34para permitir um investimento maciço em urbanização.
01:37E nós precisamos criar bairros funcionais, limpos, que tratem as pessoas com dignidade,
01:41porque isso tem um impacto em todas as áreas, é uma questão transversal, que é, você resolve a habitação,
01:47resolve moradia, cria bairros para as pessoas, você diminui coisas que vão, como gravidez da adolescência,
01:52até desempenho escolar, índice PISA, vou botar SAEB, DEB, diminui o cometimento de crimes,
02:00você consegue manter as ruas mais seguras, diminui crimes contra a mulher,
02:03isso tem um efeito que é sensacional, que ele é, é um efeito de tratar as pessoas como gente.
02:07Eu acho que o problema da favela e o problema da urbanização brasileira
02:11é um problema que nunca foi devidamente tratado,
02:13esse é um tema que nós trataríamos com muita ênfase nos quatro primeiros anos.
02:17O Pará hoje é dominado pela facção conhecida como o Comando Vermelho.
02:21Na prática, como o candidato pretende combater essa facção, se foi eleito presidente?
02:27Tem duas maneiras, a primeira coisa que a gente precisa fazer é,
02:30as leis penais ligadas a crimes violentos e tráfico de droga, elas têm que aumentar.
02:33Então, a escala do crime no Brasil, ela se dá como se fosse uma indústria.
02:39Então, uma pessoa que rouba um celular não é só uma pessoa que quis roubar um celular.
02:42O ato de roubar um celular pressupõe que essa pessoa vai vender para um receptador
02:46ou entregar para o receptador, porque ele tem uma meta.
02:49Esse receptador, ele vai pegar esse celular e vai revender.
02:52Ou ele vai exportar para fora, em geral, os celulares roubados no Brasil vão para o Paraguai ou para a
02:55África.
02:56E aí vai embora.
02:57Esse cara, para funcionar, ele tem que ser ligado a uma facção,
02:59porque a facção autoriza essa pessoa a trabalhar nesse território.
03:01Então, toda a cadeia do crime que vai do roubo de carro, roubo de celular,
03:05agora está com roubo de aliança no meio da rua.
03:08Todo ele tem que ser desmantelado com aumento de penas.
03:11Colocar câmeras nas cidades.
03:12Acho que a gente não tem que ter medo de falar nisso.
03:14Temos que ter câmera com reconhecimento facial.
03:16E com base nisso, o Estado vai poder tornar o bandido, vamos dizer,
03:21que faz um cálculo político, cálculo, desculpa, econômico sempre de
03:24olha, qual o meu risco, qual a minha recompensa?
03:26Se o risco é muito grande, eu não vou assaltar.
03:28Eu fazer o bandido ter medo de cometer o crime, porque um, ele vai ter certeza da punição,
03:32e dois, ele vai saber que a punição é forte o suficiente para fazer ele não cometer o crime.
03:35E o outro elemento é o combate específico à facção.
03:38Então, um, eu ataco o modelo de negócios do Comando Vermelho,
03:41eu estou fazendo um recorte do Comando Vermelho, porque o PCC é um pouco diferente.
03:44Envolve mais COAF, mais Polícia Federal, portos e fronteiras.
03:50E aí a segunda parte é a recuperação de territórios.
03:52Tem territórios inteiros, bairros, cidades, não só aqui no Pará.
03:55O Pará não está tão grave, por exemplo, quanto o Ceará, ainda que você já esteja
03:58com o Comando Vermelho aqui.
04:00Em que você vai precisar retomar as cidades inteiras.
04:02E aí você vai ter uma legislação especial para o faccionado,
04:05que é inspirado no direito penal do inimigo,
04:07que é a ideia de ter uma lei muito mais dura e muito mais veloz
04:10para o membro da facção, de modo ao que o governo e as forças de segurança,
04:14não só federais, mas estaduais, possam agir rápido para destruir a facção.
04:18A ideia de facção tem que ser destruída.
04:19A gente tem que tirar do imaginário brasileiro a ideia de facção criminosa.
04:22E isso é um trabalho que o governo federal vai precisar articular, muito.
04:25Sem dúvida.
04:26O candidato é a favor de liberar imediatamente a exploração da margem equatorial
04:31ou considera que os riscos ambientais justificam esperar mais?
04:34Eu acho que tem que explorar.
04:36Porque eu acho esse discurso muitas vezes esquizofrênico,
04:39porque, por exemplo, a Bahia do Rio de Janeiro tem exploração de petróleo.
04:41Então como é que funciona?
04:42Lá poderia correr o risco de poluir, aqui na margem equatorial ou não?
04:46Eu acho isso uma besteira.
04:48Eu acho que dá para fazer tudo com muito cuidado,
04:51respeitando normas que hoje são internacionais.
04:53E fazer isso e beneficiar a região.
04:56Há um problema aqui, que é uma região que tem muita, muita riqueza.
05:00Muita riqueza natural.
05:02Estou falando de terra rara, minérios, de petróleo, as próprias riquezas da floresta.
05:07Até um dado histórico que é interessante.
05:09O Pará era conhecido no século XVII pelas drogas do sertão.
05:12A gente estuda isso na escola.
05:13As drogas do sertão, que os tropeiros levaram.
05:17Então assim, sempre tem uma riqueza natural que é mal utilizada.
05:20E é quase um medo, um sentimento de culpa utilizar isso.
05:23Eu sou um conservacionista.
05:24E eu acho que precisa conciliar.
05:26As duas coisas precisam ser conciliadas.
05:28Eu acho que nós temos que trabalhar os nossos parques nacionais
05:29para que eles sejam funcionais, proteger os biomas.
05:32E ao mesmo tempo, retirar o lucro válido que a gente precisa retirar
05:36desses recursos naturais.
05:37Eu acho absurdo que a gente veja a Guiana explorando a mesma bacia,
05:41como se eles estivessem de canudinho, levando todo aquele petróleo.
05:44E a gente olhando.
05:45Já já eles levam tudo.
05:46E a gente fica...
05:47Então eu acho que isso pode trazer benefícios
05:50por trazer um emprego de alta qualidade que paga muito bem
05:53para a região como um todo.
05:54E quando a gente fala de retirada de petróleo offshore,
05:58que é no mar,
05:59poxa, os empregos pagam muito bem.
06:01A gente está falando de uma cadeia de milhares e milhares de empregos.
06:03A gente está falando, por exemplo, de pegar a região do Marajó,
06:05que é uma região paupérrima,
06:06e você ter um interposto logístico para atender as plataformas
06:09funcionando ali com empregos que pagam muito bem as pessoas que vão estar,
06:12que melhora a infraestrutura.
06:13Então isso beneficia demais para a gente ter medo.
06:16E aí eu volto a colocar,
06:17pode explorar no Rio e correr riscos no Rio de Janeiro e não aqui?
06:20Eu acho que tem que correr risco,
06:23coisa que hoje esses riscos estão muito mais mitigados.
06:25Em todos os lugares, vale a pena.
06:27O candidato manteria o Bolsa Família exatamente como é hoje
06:31ou faria cortes ou mudanças profundas?
06:33Eu não digo profundas, eu faria muitas mudanças.
06:36Mantenha como está,
06:37você tem um sistema de incentivo ao aumento dessa política social.
06:42É uma política social que ela não tem que aumentar.
06:45O aumento dela significa que o país não está indo bem.
06:48O Roosevelt, nos Estados Unidos,
06:49quando teve a famosa crise de 29,
06:51ele comemorou quando as pessoas voltaram a recuperar o emprego
06:53e não quando as pessoas recebiam o que eles chamavam na época de food stamps,
06:57que eram selos alimentares, selos de alimentação,
07:00que existe um termo até hoje nos Estados Unidos.
07:01A gente comemora o aumento do Bolsa Família.
07:04Lula, olha, agora o Bolsa Família vai chegar, não sei.
07:06Isso é loucura?
07:07Isso é um sintoma de uma falência de um modelo.
07:10Nós precisamos fazer com que as pessoas voltem a trabalhar.
07:12Existem pessoas, e aí minha experiência de rodar o Brasil pelo interior
07:16mostra isso, lugares onde não há atividade econômica.
07:18Onde há, por exemplo, uma mãe que tem 3, 4 filhos,
07:21ela tem que cuidar os filhos em casa,
07:23mal a escola consegue atender essas crianças,
07:25e essa mulher não vai conseguir trabalhar.
07:26E o marido não é presente.
07:28Pois bem, essa mulher tem que ter o Bolsa Família.
07:30E eu sou a favor pra essa mulher, até ter quase um salário mínimo pra ela.
07:33Agora, o filho homem dela, de 20 anos,
07:36desculpa, ele não tem que ter o Bolsa Família.
07:39Aí o governo federal tem que se aproximar desses municípios
07:41e falar, vai ter uma frente de trabalho.
07:42Vamos ajudar a construir a infraestrutura local.
07:45Ou o governo federal contratar ele,
07:46por um valor maior que o Bolsa Família.
07:47Eventualmente, contrato temporário, com 3 dias por semana de trabalho.
07:51E se ele não quiser aceitar, tudo bem, ele não recebe o Bolsa Família.
07:54Agora, é separar.
07:55Quem precisa, entregar pra quem precisa.
07:58Quem não precisa, entregar a cultura de trabalho
08:00e o governo federal ajudar a transformar esses municípios
08:03que hoje são inviáveis, do ponto de vista da geração de emprego,
08:06em viáveis.
08:07Tanto que todos os prefeitos no Brasil,
08:09eles vão ter que entrar numa guerra junto com o governo federal,
08:11que é, seu município tem que aumentar a atividade econômica.
08:14Todo o papel de um prefeito tem que aumentar a atividade econômica
08:16no seu município.
08:16Porque hoje, eles não têm obrigação.
08:18Eles vivem com o Pires na mão,
08:20pedindo o FPM, que é Fundo de Participação dos Municípios,
08:23e aguardando chegar uma emenda no deputado.
08:24E aí, emprega um pessoal na prefeitura e não faz lição de casa.
08:28Nós temos que fazer as pessoas saírem disso.
08:30Vai ser uma grande maratona pra alterar.
08:32E pras pessoas saírem, não precisarem mais de Bolsa Família,
08:36você defende a contratação dessas pessoas de forma temporária,
08:39a inserção no mercado de trabalho, é isso?
08:41Exato.
08:42Um, a gente tem que fomentar a atividade econômica como um todo no país.
08:45Então, eu vou fazer uma grande reforma,
08:46que é a nossa reforma fiscal,
08:47que vai ter como efeito geral.
08:50Diminuição enorme nos juros,
08:52vai permitir uma diminuição também na carga de impostos no Brasil.
08:54Os juros, quase na hora, você vai poder diminuir,
08:57mas o de impostos, pelo menos, depois de um, dois anos.
08:59E isso tem um efeito de geração de investimento colossal.
09:03Se os juros no Brasil caem pra 6%, 7%,
09:06com, por exemplo, a nova legislação de licenciamento ambiental,
09:10quantidade de dinheiro,
09:11tô falando centenas de bilhões de reais que vão entrar em infraestrutura,
09:13será enorme.
09:14E onde isso vai beneficiar?
09:15Olha que coisa boa.
09:15Muito região norte.
09:17Norte e certos interiores do Brasil vão ter uma chuva maciça de investimento,
09:21que aí gera empregos,
09:22e isso tem um efeito direto nessas cidades.
09:24E aí, pra cidade pequena,
09:26eu vou dar um exemplo,
09:27cidade em que mais de 40% dos domicílios estão no Bolsa Família
09:31e não há atividade econômica,
09:32aí o Estado entra.
09:33Porque essas cidades, em geral,
09:34você não consegue conectar os moradores da área mais rural da cidade
09:38com a capital,
09:41com o centro da cidade.
09:43E aí, às vezes, é uma via,
09:44que é uma via de terra que tá bloqueada,
09:46às vezes é energia elétrica que você precisa levar,
09:48às vezes são pontos de internet.
09:49Então, vamos chamar a população pra participar dessas obras,
09:51especialmente os homens.
09:53Muito especialmente os homens.
09:54A ideia do Bolsa Família sempre foi uma proteção à mulher,
09:56porque a mulher, nos municípios mais humildes do Brasil,
09:59ela não tem a presença masculina.
10:01Você tem famílias muito destruídas.
10:02Eu entrevistei ontem, em Melgaço,
10:04uma senhora que cuida de oito filhos.
10:06O marido dela tava bêbado,
10:07na casa sem fazer nada.
10:09Então, o Bolsa Família tem esse papel assistencial
10:11de entender que a mulher acaba adotando o papel de prover.
10:13E o homem? Vai ralar, especialmente o homem.
10:16Não que mulheres jovens que não têm filhos
10:19não precisem também trabalhar.
10:21Nesse sentido, uma mulher jovem saudável,
10:22apta a trabalhar,
10:23ela tá na situação agora...
10:24Uma mãe, o nome Bolsa Família,
10:26por isso, põe mãe.
10:27Uma mãe, ela tem que ser amparada ali.
10:29Até porque a gente tem que olhar pelas crianças dela,
10:31porque as crianças dela têm escolas boas,
10:32pra que elas adentem o mercado de trabalho,
10:34sem precisar ter essa tristeza de não achar um emprego,
10:37não ter uma oportunidade.
10:38Se o segundo turno da eleição fosse hoje,
10:41entre Lula e Bolsonaro,
10:43em quem um candidato votaria e por quê?
10:45Eu votaria no Renan Santos.
10:46Eu votaria sempre no Renan Santos.
10:48E se o Renan Santos não estivesse no segundo turno?
10:51Eu só conheço esse cara.
10:52Aqueles dois ali, pra mim, é um negócio intragável.
10:55Eu não vou...
10:56Assim, não senta numa guerra pra perder.
10:58Então, nunca vou imaginar eu perdendo,
11:00eu não estando lá.
11:01Eu comecei essa eleição com 0,3
11:05na primeira pesquisa que me colocaram.
11:07E agora já tô em algumas pesquisas próximo de 10.
11:09Em São Paulo, eu acabei de bater 10
11:10na pesquisa real-time, big data,
11:12nos trackings que os bancos e partidos contratam.
11:15Tô variando de 8 a 10.
11:17Então, é ideia fixa.
11:19Eleição é guerra.
11:20Se você tiver com uma entrada que você vai perder,
11:22você perde.
11:22Em geral, quem perde é que faz o acordo.
11:24Eu não quero fazer acordo com ninguém.
11:25Eu não quero sentar numa mesa com o Flávio.
11:26Eu não quero sentar numa mesa com o Lula.
11:28Eu não quero.
11:28Eu quero fazer o que eu acredito.
11:30É isso.
11:31O que o bolsonarismo fez de errado
11:34que o candidato pretende não repetir,
11:36caso seja eleito?
11:39Tanta coisa.
11:40Tanta coisa.
11:41Vou tentar listar.
11:43Primeira coisa, o bolsonarismo,
11:44ele não tinha uma versão otimista do Brasil.
11:47As pessoas falam...
11:48Algumas pessoas falam
11:48que o Renan tem um discurso de ódio
11:49que ele fala que vai matar bandido.
11:51Cara, eu tenho uma versão otimista.
11:52Eu sou muito otimista sobre o Brasil.
11:54Muito otimista.
11:55E eu gosto de todas as regiões.
11:57Eu tenho que entender todas as regiões do Brasil.
11:58Porque a gente tem que criar uma versão generosa do Brasil.
12:00O Bolsonaro não tinha isso.
12:01O Bolsonaro tinha uma ideia de uma vingança contra uma esquerda
12:03que tinha ficado no poder no Brasil por muito tempo
12:05e que calou a geração deles.
12:07O Jair é da geração do final do período do regime militar
12:10em que eles se ressentiam da redemocratização.
12:13Então ele pegou, especialmente nos eleitores mais velhos,
12:15esse sentimento tipo
12:16essa redemocratização foi entregar o Brasil para essas comunas.
12:19E aí era como se chama desforra.
12:21Todo mundo que vai para uma entrada de desforra não dá certo.
12:22Então o modelo já era um modelo ressentido.
12:25Segunda coisa, não houve projeto.
12:27O Jair, quando assumiu, ele não sabia o que fazer.
12:30É igual se me desse, sei lá, uma Ferrari de Fórmula 1 para eu dirigir.
12:33Eu acho lindo, acho sensacional, adoro Fórmula 1.
12:36Agora eu não sabia o que fazer com aquele carro.
12:38Eu ia botar e eu ia bater ele no primeiro minuto.
12:42Ele não se preocupou em aprender a dirigir o carro.
12:44Em aprender a conhecer os detalhes.
12:45Então o Bolsonaro teve um não governo.
12:47Foi um governo confuso.
12:48Tanto que no meio do mandato ele entregou o governo inteiro para o Centrão.
12:51E aí você começa a ver escândalo de corrupção.
12:52O escândalo do Banco Master cresce ao longo do governo do Bolsonaro.
12:57Eu não consigo me espelhar em nada deles.
12:59Hoje, claro, o candidato se coloca como oposição ao Bolsonaro,
13:03ao bolsonarismo, à direita bolsonarista.
13:05Mas em 2018 houve um apoio à eleição de Bolsonaro.
13:09Que fez...
13:10Só no segundo turno.
13:11O candidato apoiar o Bolsonaro em 2018.
13:14Foi só no segundo turno.
13:15A gente já era contrário a ele já na campanha.
13:17Na verdade, tem alguns episódios que são bem marcantes para a gente.
13:20Em 2017, o Bolsonaro, com um dos seus grandes aliados, o Alexandre Frota.
13:25Conheço.
13:26Ator de muitas áreas, Alexandre Frota.
13:28Eles tentaram roubar a nossa marca na justiça.
13:30E a Mônica Bergamo da Folha fez uma entrevista com o Jair.
13:32E perguntou, mas você realmente quer pegar a marca do Mimbele?
13:34E ele falou assim, ah, o Frota me prometeu.
13:36Se ele quiser me dar, pode me dar.
13:37Eu só não aceito o beijo na boca dele.
13:40Eu...
13:40O quê?
13:42Assim, o Bolsonaro se comportava de uma maneira...
13:46Igual um moleque nessas coisas.
13:48Então a gente já não tinha...
13:48A nossa relação com ele era péssima.
13:50Então, no primeiro turno, a gente não apoiou o Flávio Jair Bolsonaro em 18.
13:54E no segundo turno...
13:55Aí sim, nós fizemos uma escolha.
13:57Olha, nós temos a certeza...
13:58O argumento é assim, ah, nós temos a certeza de um governo muito ruim,
14:01que é o governo do Haddad, que viria por aí.
14:03Agora nós temos a incerteza do Bolsonaro.
14:05Então vamos adotar a incerteza do que é a certeza.
14:08E a incerteza deu numa certeza de fracasso, logo no início.
14:11Tanto que a gente se tornou oposição dele em dois meses de mandato.
14:14Exatamente.
14:16Qual decisão do Lula o candidato revogaria no primeiro dia de governo?
14:25Tem que ver as decisões que vieram por decreto.
14:27Alguns decretos na área tributária.
14:29Decretos envolvendo taxações das mais diversas.
14:32Talvez alguns mini...
14:35Algo que não é um decreto que revogaria, mas uma mudança, uma reorientação na política externa, com certeza.
14:41Essas são as primeiras coisas que daria para a gente trabalhar.
14:46Existem também alguns decretos e regulamentações de áreas específicas que são portarias de ministérios,
14:52que a gente poderia mexer, por exemplo, na área fundiária,
14:54porque está tendo muita guerra fundiária, muitas questões que impedem, vamos dizer,
14:58que o agricultor consiga trabalhar, que acho que dá para fazer sem ser projetos de lei.
15:02Entendo.
15:03Qual é a decisão que o candidato tomaria no primeiro dia de governo
15:07e que faria metade do Congresso ficar contra você?
15:12Olha, eu sou otimista com relação às medidas de combate ao crime organizado.
15:17Agora, os de crime de colarinho branco, acho que mais da metade ficaria contra mim.
15:20Porque vai precisar mexer nisso também.
15:22A gente precisa voltar com a prisão em segunda instância.
15:24A ideia de que, por exemplo, um político investigado,
15:26ele, quando pego e tendo uma prisão decretada já na segunda instância,
15:32ele vá para a cadeia.
15:33Porque hoje eles se valem das mil instâncias.
15:36Aí ele vai para a STJ, depois ele vai para a STF,
15:38e aí basta contratar um escritório de algum familiar da STF que ele misteriosamente escapa.
15:43Então, eu acho que eles não vão gostar desse projeto, mas é inevitável.
15:49O candidato defende a pena de morte e a prisão perpétua no Brasil?
15:53Em termos valorativos, eu acho que o Brasil precisa discutir ambos,
15:57só que não cabe essa discussão no modelo constitucional nosso,
16:00porque elas são cláusula pétrea.
16:01Então, eu posso ser favorável quantas vezes eu quiser, mas simplesmente não dá.
16:06Agora, eu acho que, por exemplo, um estuprador em série, pedófilo em série,
16:11esse cara não precisa, nem deve voltar à sociedade.
16:13Eu não vou recuperar uma pessoa dessas.
16:15Eu não consigo imaginar que nós vamos recuperar uma pessoa dessas.
16:18Até porque a vítima nunca vai ser recuperada.
16:20uma mulher que foi abusada, ela não vai se recuperar.
16:24E nesse caso, o senhor defenderia a prisão perpétua?
16:26Sim, mas mesmo isso, infelizmente, a nossa Constituição não permite,
16:30nem que eu altere ela, porque ela não é apenas um artigo,
16:33são cláusulas pétreas.
16:34Aí eu tenho que fazer uma constituinte.
16:35Eu acho que o primeiro mandato não dá.
16:36O que eu posso é aumentar muito, muito as penas.
16:39Agora, nós estamos tendo assim, desculpa fazer,
16:41não é nenhum dos assuntos, mas isso aqui faz parte.
16:43É um alerta, porque agora querem acabar com os hospitais psiquiátricos no Brasil,
16:47aí vão soltar figuras como o maníaco do parque.
16:49Que era um violador sexual em série.
16:53E, ah, não, vamos soltar porque temos a luta antimanicomial.
16:56Essas pessoas têm que ficar presas para sempre.
16:58Porque os hospitais psiquiátricos, no fundo, você mantém preso
17:02de canibais a estupradores em série, a pedófilos que são doentes
17:07e que precisam ficar presos.
17:08E é uma discussão séria em soltar.
17:09Na verdade, o mais provável é que essas pessoas sejam soltas.
17:12E a pena de morte, o candidato defende em quais circunstâncias?
17:16Apenas para crimes hediondos com violência extrema e que sejam inequívocos.
17:23Ou seja, que não há discussão mais sobre autoria.
17:28Por exemplo, é muito claro que esse sujeito cometeu um crime de pedofilia
17:32com quatro, cinco crianças e matou elas.
17:34É inequívoco.
17:35Não há uma discussão mais sobre autoria.
17:37Há uma discussão sobre dosimetria da pena.
17:38Pois bem, tem que entrar na mesa a possibilidade de matar uma figura dessas.
17:44Entendi.
17:44Agora, são casos especialíssimos e sempre inequívocos.
17:48A partir do momento que não há mais nenhuma discussão sobre autoria.
17:50Porque é, naturalmente, para as pessoas que se tornam um tema perigoso.
17:53E é.
17:54Ainda mais num país em que a justiça sempre é instrumentalizada.
17:56Portanto, não é uma arma que tem que ser banalizada de maneira alguma.
17:59É uma ferramenta que tem para casos especialíssimos
18:02quando não há mais absolutamente nenhuma discussão sobre autoria.
18:05Escala 6 por 1.
18:06Favor ou contra?
18:08A escala em si ou o fim da escala?
18:10O fim da escala.
18:11Eu não gosto do projeto.
18:12É um projeto populista.
18:13Eu acho que nós teremos que ter uma liberalização do mercado de trabalho brasileiro.
18:17E a gente percebe que a CLT, no modelo atual, já não funciona
18:20quando a maior parte das empresas, especialmente na área de serviços,
18:23que quem mais contrata é o setor que mais contrata no Brasil,
18:26já contata as pessoas PJ.
18:28As MEIs saíram de 300 mil há 15 anos atrás.
18:31Hoje, você tem praticamente 20 milhões de pessoas trabalhando como MEI.
18:34Essas pessoas que trabalham como MEI não são MEI
18:36porque elas são microempreendedoras individuais.
18:39Elas estão em um emprego e isso é uma espécie de um cambalacho
18:42que contratante e contratado precisam fazer
18:45para que as pessoas possam trabalhar com segurança.
18:47Então, o modelo da CLT com a justiça trabalhista com a altíssima litigância
18:50que a gente tem não funciona.
18:53E o problema da escala 6 por 1,
18:55veja, ela é um problema muito urbano.
18:57É um problema, no fundo, que a gente fala sobre infraestrutura e logística.
19:00Eu sou de São Paulo.
19:01Uma pessoa que mora na periferia de São Paulo e que vai trabalhar no centro,
19:04ela gasta quase 4 horas do dia dela em transporte.
19:064 horas por dia, vezes 6 dias.
19:09A gente está falando em 24 horas só de deslocamento.
19:14Naturalmente, a vida dessa pessoa é estressante.
19:15A escala 6 por 1, entretanto,
19:17uma pessoa que mora em uma cidade interior
19:18que está a 4, 5 minutos do trabalho,
19:20ela é diferente.
19:21Muitas pessoas preferem,
19:22porque elas passam a maior parte do dia,
19:24elas gastam uma hora a menos de trabalho por dia
19:27e aí gastam uma manhã no sábado.
19:28É uma escolha que alguns setores faziam.
19:31E aí fazia, era natural.
19:33Portanto, essa discussão surge muito em São Paulo,
19:34no Rio, da escala 6 por 1,
19:35porque uma instituição que envolvia muito a questão logística.
19:38Isso é um problema de infraestrutura.
19:39Isso não é nenhum problema de legislação trabalhista.
19:41Mas aí qual a solução?
19:43A solução é a liberalização do mercado de trabalho.
19:45Ou seja, nós temos que ter regras mais simples
19:47para a contratação das pessoas.
19:50A justiça do trabalho sair
19:52e a gente entregar para a justiça cível
19:55as relações contratuais entre contratante e contratado.
19:58sem penalização mútua, como acontece hoje.
20:02E, paralelo a isso,
20:03você diminuir a taxação que você tem na folha de pagamento.
20:06Ao fazer isso, você cria um parâmetro comum
20:08que permite que o Estado arrecade para o INSS,
20:11porque a gente tem uma questão previdenciária,
20:12que as pessoas dispõem disso.
20:14E, do outro lado,
20:15não seja punitivo contratar e formalizar as pessoas.
20:18O modelo que eu proponho, na verdade,
20:19é o modelo que todos os países de terceiro mundo em ascensão
20:22adotaram para poder crescer.
20:23Foi o modelo que a China adotou, que a Coreia adotou.
20:25A Coreia, inclusive, nem tem limite de horas trabalhadas.
20:28Eles chegaram a ter uma semana de 68 horas.
20:30E agora, acho que caiu para 50 e poucas horas de trabalho.
20:34E a questão das 6x1
20:35é uma questão muito discutida apenas no Brasil.
20:38Porque, no México,
20:39no governo de esquerda, bem de esquerda,
20:41da Scheinbaum,
20:42teve uma redução de 44 para 40 horas.
20:44Mas, sem mexer nos dias trabalhados.
20:47Aqui no Brasil, você diminuiu o número de dias trabalhados
20:49e diminuiu o número de horas.
20:50Vai ter um impacto econômico isso colossal.
20:54E já está começando a ser sentido em muitos setores.
20:56E vai acelerar o processo de automação em vários setores.
20:59E o trabalhador irá sentir.
21:01Eu estou avisando todo mundo.
21:02Irá sentir.
21:02Porque não se resolve num país
21:03que está perdendo produtividade.
21:06Ou seja, as pessoas estão tendo que trabalhar mais
21:07para conseguir pagar as contas
21:08porque elas estão mais pobres.
21:10E porque o custo de vida aumentou.
21:11Você não vai resolver as coisas um passo de mágico.
21:13Olha, você vai trabalhar menos e vai ganhar mais.
21:15É isso que o Finesc Cláss 1 propõe.
21:17Você vai ganhar o mesmo valor mensal
21:19trabalhando menos horas.
21:20Portanto, sua hora de trabalho vale mais.
21:22Você não vai conseguir fazer isso acontecer como mágica
21:24sem aumentar a produtividade.
21:25Portugal conseguiu reduzir as horas trabalhadas.
21:29Mas Portugal teve ganhos de produtividade colossais
21:31porque, no fim do dia, Portugal é bancado pela União Europeia.
21:34Então, quando você tem toda a economia da União Europeia
21:36sustentando o investimento em um país de 9 milhões de habitantes,
21:39você consegue ter ganho de produtividade.
21:40O Brasil não tem isso.
21:42Pelo contrário, o Brasil,
21:43a capacidade produtiva do trabalhador brasileiro
21:47não aumenta comparada com os trabalhadores ao redor do mundo.
21:50Então, isso é assustador.
21:52Eu sei, mas nessa questão da escala,
21:53do brasileiro que deseja trabalhar menos,
21:57que é contra...
21:57Do brasileiro que não gosta da escala 6x1,
21:59ou seja, quer a folga, sábado e domingo.
22:02Como que o senhor vê isso?
22:04Ora, se a gente flexibiliza,
22:07quando estou falando de flexibilizar,
22:08as pessoas poderem vender a hora de trabalho dela.
22:10Essa pessoa vai poder vender a hora de trabalho dela.
22:12Como acontece, por exemplo, nos Estados Unidos,
22:14como acontece em boa parte do mundo desenvolvido.
22:16Você pode...
22:16Olha, eu vou trabalhar quatro vezes essa semana
22:18e eu quero estudar.
22:19Ah, ele vende a hora dele.
22:21Por exemplo, quando você vai numa lanchonete,
22:23eu pude ver isso nos Estados Unidos,
22:24é muito comum.
22:25A pessoa vai no McDonald's e fala,
22:27como é que é a escala de trabalho aqui?
22:28Olha, eu posso trabalhar quatro vezes por semana?
22:30Eles vão se trabalhando às horas.
22:31Ó, enfim, trabalho três horas na terça-feira,
22:33na quarta-feira eu tenho...
22:34Você quer trabalhar sete horas na quarta-feira?
22:35Quero.
22:35Entendi.
22:36Aí você monta o seu horário junto com ele.
22:37E é muito comum.
22:38As pessoas fazem a compra e a venda da sua hora nisso.
22:41Tanto que nos Estados Unidos,
22:42você tem as tabelas para contratação,
22:45tudo por hora.
22:46Então, aqui, hora para trabalhar num posto de gasolina,
22:48hora para trabalhar numa xerox,
22:50hora para trabalhar num restaurante.
22:52Você vende a sua hora e você compra a hora.
22:54E aí você negocia a hora de trabalho.
22:56Aí a pessoa pode montar o pacote dela.
22:59É que o nosso modelo de contratação
23:00é um modelo que antigamente previa,
23:01inclusive, estabilidade.
23:02Se você era contratado CLT,
23:04você tinha uma estabilidade para sempre.
23:05Esse modelo não existe porque o mundo mudou completamente.
23:08E não é nem que eu quero,
23:08ah, Renan, então esse mundo mudou,
23:09vamos ficar igual.
23:10O mundo é cruel.
23:12O fato da gente querer alguma coisa
23:13não quer dizer que o mundo vai se adaptar a isso.
23:15Muito pelo contrário.
23:16Claro.
23:16E uma última pergunta
23:17para a gente finalizar a nossa entrevista.
23:19O candidato nunca ocupou cargo eletivo.
23:21Por que o brasileiro deveria entregar
23:23a presidência da República
23:24para alguém que nunca administrou
23:26sequer uma prefeitura?
23:27Porque isso não é um critério
23:29para ser presidente da República.
23:30O presidente da República,
23:30antes de tudo, é um líder.
23:32Ele não é apenas um gestor.
23:34Ele é também um gestor.
23:35E ser o gestor,
23:37ou seja,
23:37imagina que o presidente vai ficar
23:38com um computador aberto,
23:40com uma planilha,
23:41com os dados agora da economia,
23:43e agora eu vou dar os dados
23:44de como estão os usuários do SUS.
23:46Isso é uma ficção.
23:47O presidente tem que fazer
23:48a coordenação política de um projeto.
23:50É uma coordenação política e simbólica.
23:52Portanto,
23:53a função do presidente
23:54é ser um líder.
23:54E eu sou um líder político
23:56há 12 anos.
23:57Eu liderei as manifestações
23:58da roubar de Monsef,
23:59eu fui vice-presidente
24:00do comitê de impeachment,
24:01eu fundei um partido político.
24:03Não eu fundei apenas
24:03um partido político,
24:04eu fundei um campo político.
24:06O campo político
24:06do nem Lula,
24:07nem Bolsonaro no Brasil,
24:08modéstia à parte,
24:09foi eu e o meu grupo
24:10que fundamos.
24:10E fundamos publicando livros,
24:12publicando artigos,
24:13não só fazendo a parte
24:14do barulho nas redes,
24:16mas nós temos muitos artigos.
24:18Nós montamos uma editora,
24:19publicamos um livro,
24:20formamos milhares de pessoas
24:22ao redor do Brasil
24:23defendendo as nossas terras.
24:24Formação mesmo,
24:25concurso, treinamento.
24:26E isso me valida
24:27ser o líder de um campo.
24:29Então, o campo,
24:30o Brasil que não quer
24:31nenhum nem outro,
24:32o Brasil que imagina
24:32que o futuro pode ser glorioso,
24:34que nós podemos ter
24:35um projeto generoso
24:36para todas as regiões do Brasil,
24:38esse campo tem um líder,
24:39e esse líder sou eu.
24:40Então, isso não ter tido
24:42um cargo não desqualifica
24:43de maneira alguma.
24:44Até porque Dilma Rousseff
24:46teve cargos anteriores
24:47e Fernando Collor teve.
24:48Ambos tomaram impeachment.
24:50Isso nos credenciou
24:51a serem bons ou ruins.
24:52O Milley, por exemplo,
24:54não teve cargo nenhum
24:54e hoje está fazendo um mandato,
24:56podem discutir
24:57se é bom ou ruim,
24:58mas é um mandato
24:59que é funcional.
25:00Ele vem aprovando
25:00as coisas dele.
25:02A agenda dele está passando.
25:03Então, ele sem experiência
25:05política prévia,
25:05ele conseguiu aprovar.
25:06Donald Trump,
25:07eu tenho muitas críticas,
25:08eu gosto mais do Milley do que do Trump.
25:09Não tinha experiência política nenhuma,
25:11ganhou e teve um governo funcional.
25:12Temos várias críticas,
25:13mas ele tem um governo funcional.
25:15E eu vou encontrar
25:15a esquerda, a direita e ao centro,
25:16inúmeras figuras
25:17que não tiveram essa experiência
25:18e que fizeram bons
25:19e maus governos.
25:20É porque o que eu quero dizer
25:21é esse não é o principal critério.
25:23O critério,
25:24realmente,
25:24é o critério de liderança.
25:25O brasileiro da classe média
25:27vai encontrar qual o diferencial
25:29se você foi eleito presidente?
25:31Eu sou...
25:32O fato de eu ser,
25:33de maneira identitária,
25:34um brasileiro de classe média.
25:35Eu vim de uma família lá de São Paulo,
25:37que é uma família de operários,
25:38de um bairro de operários na Boca.
25:40Minha mãe é uma psicóloga jovem,
25:42casou com um cara formado em direito,
25:44jovem mesmo.
25:45Morava,
25:46tinha um fusquinha de carro
25:47nos anos 80.
25:49Era a típica família paulistana
25:51de classe média.
25:52E eu tenho os espíritos,
25:54os valores e as dores
25:55de uma pessoa de classe média.
25:55Então,
25:56foi muito legal
25:56que você utilizou esse termo,
25:57porque é muito o que eu acho
26:01que tem que ser o país
26:02que nós vivemos.
26:02Se nós tivermos um país
26:03de classe média,
26:04significa que a vontade geral
26:06vai se encaminhar
26:07para a vontade de um Brasil
26:08que trabalha e produz.
26:09Isso quer dizer que tem
26:10menos gente na pobreza extrema,
26:12mais gente sendo produtiva,
26:14e menos gente no topo
26:15mandando na gente.
26:16Um país que é conduzido
26:17pela classe média
26:17é sempre um país melhor.
26:19Hoje,
26:19o nosso país,
26:20ele tem o que se chama
26:21na ciência política
26:21de aliança topo-base.
26:23Então,
26:23o topo,
26:23uma elite econômica
26:24e política que mistura
26:25de banqueiros,
26:28topo do judiciário,
26:29uma certa elite intelectual
26:30mais à esquerda,
26:31tem uma aliança
26:32com o eleitorado mais pobre
26:33que está fora do mercado
26:34de trabalho.
26:35E essa aliança topo-base,
26:36ela arrocha a classe média.
26:38Então,
26:39para a pessoa de classe média,
26:40o que eu vou falar é
26:40minha aliança é com vocês.
26:42E minha aliança
26:42com os mais pobres
26:43será no sentido
26:44de transformá-los
26:44em classe média.
26:45E não de manter os pobres
26:46e convencê-los
26:47de que aquilo é um modo de vida,
26:48mas sim de que
26:48o futuro é eles
26:49e ela é em classe média.
26:50Entendo.
26:51Muito obrigada, candidato.
26:52Essa foi a nossa entrevista
26:53com o Renan Santos,
26:54pré-candidato à presidência
26:55pelo Missão.
26:56Candidato,
26:57a gente agradece mais uma vez
26:58pela sua escolha,
26:59pelo seu tempo.
26:59Muito obrigado.
27:00Foi um prazer.
Comentários

Recomendado