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  • há 4 semanas
No novo episódio do Videocast Tecnoagro especial Feira da Nater Coop, o desenvolvimento sustentável da cafeicultura de arábica no Estado é pauta.

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Transcrição
00:03Sejam bem-vindos a mais um videocast Tecnoagro SEAG da feira Agronatercorp.
00:09Eu sou Cláudia Gregório e estou aqui em Santa Maria de Getibá para mais uma etapa deste evento
00:14que celebra a inovação e o agronegócio do Espírito Santo.
00:19E hoje nós vamos falar sobre o cultivo de um dos produtos mais importantes do agrocapixaba, o café.
00:25A cafeicultura movimentou mais de 420 milhões de dólares em exportações o ano passado
00:32e é desenvolvida em quase todos os municípios capixabas.
00:36O Estado do Espírito Santo, inclusive, é o terceiro maior produtor de café arábica do Brasil.
00:42Para falar sobre isso, eu estou aqui com o agente de desenvolvimento rural e pesquisador do INCAPER, César Abel Krolin.
00:49Bem-vindo, César.
00:49Obrigado, Cláudia.
00:52É uma satisfação estar aqui, né?
00:54Contribuir com algumas informações a respeito dessa cafeicultura arábica que tem, assim, grande importância
01:01para o Estado do Espírito Santo e também para os produtores que o produzem nesse relevo acedentado, né?
01:08Da nossa região, tanto das montanhas como do Caparaó, Capixaba.
01:13Bom, o café, como a gente já sabe, é um produto de extrema importância para o nosso agro,
01:17mas qual a importância do café arábica mais especificamente para o nosso Estado?
01:23Eu diria, Cláudia, que o principal é geração de valor, de renda para os produtores.
01:31Porque nós estamos falando de pequenos produtores que cultivam café, assim, com exceções de médios e grandes,
01:39mas a grande maioria, né?
01:41Mais de 70%, 80% é de pequenos produtores, com uma área média aí de menos de 6 hectares por
01:49família.
01:49Então, o café, ele tem uma importância fundamental, porque ele gera renda, é uma atividade perene,
01:56ou seja, você tem café plantado de 20, 30 anos, né?
02:01E o café, ele é uma cultura que te dá renda todo ano, né?
02:05E nessa região de montanhas do Estado do Espírito Santo, ele é fundamental para a permanência desse produtor,
02:14para os filhos de produtores, né?
02:15Que a gente está falando muito da juventude rural, ficar na atividade rural.
02:20E uma coisa que aconteceu nas duas últimas décadas, assim, de importância fundamental,
02:26foi a geração de valor agregado, principalmente pela produção de cafés especiais,
02:33aonde o nosso Estado, hoje, ele ocupa uma posição de destaque, né?
02:37A nível nacional e internacional.
02:40Imagina, toda atividade enfrenta alguns desafios.
02:44Quais os principais desafios para essa atividade?
02:46Eu diria que os desafios, assim, mais importantes, inclusive eles foram nomeados no último PDAG,
02:56a mão de obra é um dos problemas, foi enumerado também as mudanças climáticas,
03:03o alto custo de produção ainda, o relevo acidentado nessa cafeicultura de montanha,
03:10e também o manejo de pragas e doenças dessa cafeicultura, né?
03:16Por ser de montanha, região montanhosa.
03:19Acho que esses são os principais desafios.
03:21E para enfrentar esses desafios, né?
03:23A pesquisa é fundamental.
03:26E você está diante de um estudo muito importante,
03:29que são as novas cultivares de café arábica para o Espírito Santo,
03:32avaliação econômica, social e ambiental do Incapé.
03:35Você pode explicar o que é esse estudo e qual a importância dele?
03:41Olha, se a gente analisar esse projeto de pesquisa que a gente começou em 2019,
03:49ele impacta diretamente em todos esses desafios citados.
03:55Citamos, por exemplo, mudanças climáticas.
03:57O que a gente viu nos últimos anos?
03:59Estresse hídrico, né?
04:01Tanto no norte do Espírito Santo, como no sul, no Arábica e no Conilão.
04:04E o que a gente viu?
04:06Mesmo com as mudanças climáticas, mesmo com altas temperaturas,
04:11nós conseguimos, em 14 municípios, com as 10 cultivares que a gente trabalhou,
04:18produzir entre 40 a 60 sacas de café beneficiadas por hectare com os novos materiais.
04:25Qual a nossa produtividade aqui, em média, no Espírito Santo?
04:29Ô, Cláudia, a nossa produtividade média dos últimos 5 bienes, ou seja, 10 anos,
04:34ela está em média aproximada de 25 sacas por hectare.
04:38Ou seja, os resultados de pesquisa mostram que, na média dessas 14 experimentos,
04:46a gente pode dobrar a produtividade do café.
04:48Ou seja, hoje a gente poderia, no Estado do Espírito Santo,
04:52estar produzindo aproximadamente 6 milhões de sacas de café para essa safra de 2025.
04:58A Conavestima aí, uma previsão de 3,3 milhões.
05:02Você está dizendo que dobraria?
05:03Poderíamos praticamente dobrar essa produção de café,
05:07simplesmente utilizando materiais genéticos.
05:11E aí, esses materiais genéticos, por ser resistentes à ferrugem,
05:16então, assim, você diminui o uso de químicos, principalmente no caso fungicidas, né?
05:23E você, quando aumenta a produtividade da lavoura,
05:27isso impacta na redução do custo de produção.
05:31Reduzir custo, aumentar a produtividade,
05:34é mais renda.
05:36Ou seja, é afetar diretamente por produtor,
05:43principalmente o eixo econômico.
05:46Ou seja, eu ganho mais dinheiro.
05:48Para quem está nos acompanhando e, às vezes, não entende muito, né?
05:52Da cafeicultura, explica um pouco o que é uma cultivar.
05:55Olha, o cultivar de café é, normalmente,
06:00é derivado de um cruzamento genético.
06:02Pode ser um cruzamento entre duas espécies,
06:06como é o caso, por exemplo, de o Icatu.
06:08O Icatu foi um cruzamento de cófia canéfora com o cófia arábica.
06:12Temos agora um material recente, né,
06:15que está sendo introduzido e pesquisado no Brasil, por exemplo,
06:19que é o seriema, que é um cruzamento também de duas espécies.
06:22Mas os materiais mais plantados hoje,
06:25eles são derivados de cruzamento entre dois materiais de cófia arábica.
06:31Então, por exemplo, você tem o grupo dos catimores,
06:34que é o híbrido de timor com catuaí.
06:36Você tem os sartimores, né, que é a vila sarti, com outros materiais.
06:42E você tem o grupo mais plantado hoje,
06:44que é o grupo dos catucaís,
06:46que é cruzamento de Icatu com catuaí.
06:49Mas você já explicou, pelo que eu entendi,
06:53que esses cultivares que estão hoje plantados aí
06:56nas nossas lavouras de café arábica
07:00produzem, em média, nem 30 sacos por hectare.
07:04É, o grupo mais plantado hoje no estado do Espírito Santo
07:08de café arábica e no Brasil
07:10é o grupo dos catuaís.
07:12Os catuaís foi um cruzamento de mundo novo com caturra.
07:17Só que todos estes dois materiais,
07:19tanto o mundo novo como o caturra,
07:21eles são altamente suscetíveis à ferrugem do café,
07:25que é a doença mais avassaladora
07:28para a diminuição da produtividade do café,
07:32que causa a bienalidade tão famosa na nossa cafeicultura.
07:38Ou seja, o Brasil um ano produz muito,
07:39outro ano produz pouco.
07:40Esses materiais que têm resistência para a ferrugem
07:44vêm exatamente nesse sentido
07:46de diminuir a bienalidade,
07:50diminuir o uso de agroquímicos,
07:53principalmente no caso o agrotóxico fungicida,
07:56e aumentar a produtividade,
07:58aumenta a produtividade,
07:59ou diminui o custo, ou aumenta a renda.
08:01Ou seja, tem um impacto econômico,
08:03um impacto social e um impacto, inclusive, ambiental.
08:07Então, mas nesse estudo,
08:09nesse experimento que vocês estão fazendo,
08:12mostra que podemos aumentar a produtividade, não é isso?
08:15Agora, como fazer então que a cafeicultura
08:18aumenta ou tenha essa autoprodutividade?
08:21O que o produtor tem que fazer, por exemplo,
08:23para ter acesso a esse experimento
08:24e colocá-lo em prática na propriedade?
08:26Olha, é como esse experimento foi conduzido
08:29nas três regiões produtoras de Arábica,
08:31ou seja, Noroeste, Montanhas, Ecaparau, Acapixaba.
08:35Então, os produtores têm disponível
08:38estes experimentos para poder visitar, avaliar,
08:44e introduzir esses materiais.
08:46Para aumentar a produtividade,
08:48é necessário o produtor fazer renovação de lavouras de café.
08:52Então, o nosso parque cafeiro,
08:54eles são de lavouras velhas,
08:57lavouras de mais de 30 anos, na sua grande maioria,
09:01materiais genéticos que não têm resistência para ferrugem,
09:04e com um espaçamento muito adensado,
09:07ou seja, poucas plantas por hectare,
09:09em torno de 2 mil a 3 mil plantas por hectare.
09:12Hoje, a nossa recomendação é o uso do adensamento,
09:17ou seja, é o produtor trabalhar com,
09:20no mínimo, 5 mil plantas por hectare.
09:22Mas existe também a possibilidade de você trabalhar
09:25até com 10 mil plantas por hectare.
09:28E, para este manejo,
09:30você pode fazer as podas,
09:33que podem ser utilizadas no café,
09:35vai ser de acordo com a região,
09:36Poda programada, dependendo da região.
09:38Exatamente.
09:39E como é que está sendo a receptividade desse?
09:42Olha...
09:42Como é que os produtores estão vendo?
09:43Ah, você vai ter que renovar toda a sua lavoura,
09:45vamos colocar uma variedade aí,
09:47com mais produtividade,
09:50fazer adensamento.
09:51Como é que ele está vendo isso?
09:52A gente não pode esquecer
09:54que, para a grande maioria desses produtores
09:58que produzem café arábio,
09:59que nós estamos falando em praticamente
10:00de 80% dos produtores,
10:02a renda principal é o café.
10:04Então, essa renovação,
10:06ela é feita, é realizada,
10:10de uma maneira, assim, muito gradual,
10:13muito com calma pelos produtores.
10:15Mas a gente vê que existe esse potencial
10:18de renovação que está acontecendo
10:20em torno de 3% a 5% ao ano,
10:24os produtores, de um modo geral,
10:26estão fazendo essas renovações.
10:27Mas como a fonte de renda é o café,
10:30e principalmente agora,
10:31em época de preço de café elevado,
10:33então o produtor, ele às vezes,
10:35ele não quer tirar aquele pé de café
10:37que ainda está dando uma renda para ele.
10:38Mas isso, gradativamente,
10:40isso está acontecendo na nossa cafeicultura,
10:44tanto no Estado do Espírito Santo,
10:45como inclusive a nível de Brasil.
10:47A pesquisa, ela foi feita na área,
10:50na fazenda experimental do Incapé,
10:52ou foi feita, de repente,
10:55com a ajuda de outros produtores?
10:56Como é que foi feita a pesquisa?
10:57Fala um pouco.
10:59Olha, Cláudia,
11:00quando a gente pensou nesse experimento,
11:02a gente pensou não fazer
11:05nas estações experimentais do Incapé.
11:08Então, todos esses experimentos,
11:10eles foram montados,
11:11instalados em propriedade
11:13de produtores rurais,
11:16que foram selecionados pelos técnicos
11:19do Incapé de cada município,
11:22e todos os experimentos foram instalados
11:24em área de renovação de lavoura,
11:26ou seja, a área onde já tinha café,
11:28aqui você tem principalmente
11:29o problema de nematóide.
11:31Então, a gente queria ver
11:32o comportamento e a produtividade
11:34e também a qualidade desses materiais
11:38nestas condições de renovação de lavoura,
11:41porque o propósito é esse,
11:43é eu indicar, validar,
11:46recomendar uma cultivada de café
11:49para uma área onde já tem café
11:51para mim fazer uma renovação
11:53para aumentar a produtividade
11:54e a renda do produtor.
11:56E o manejo?
11:58Olha, o manejo foi basicamente
12:01o manejo que o produtor faz na lavoura.
12:04Claro que com as recomendações técnicas
12:07nossas do Incapé,
12:08que a gente fala que é a BPA,
12:11ou seja, é utilizando as boas práticas agrícolas,
12:15que na verdade nada mais é
12:17do que o feijão com arroz
12:18que o produtor na verdade já faz
12:20dentro da propriedade dele.
12:23E são áreas irrigadas?
12:24Não.
12:26Porque a gente vê muito a irrigação
12:27mais no café robusta,
12:29no café conilom,
12:30mas não tanto no arábico,
12:31é muito...
12:31O propósito inicial desses experimentos
12:35instalados lá em 2019
12:37foram todos sem irrigação.
12:39Porque a nossa cafeicultura de arábica
12:41ainda praticamente 99% dela
12:44ou mais é sem irrigação.
12:46Entretanto, nós já instalamos agora
12:49mais oito experimentos
12:51nos diversos municípios também
12:54e agora a gente está instalando
12:56com irrigação e sem irrigação
12:57para poder exatamente provar
13:00e isso a gente já tem dados
13:02do Incapé em vários municípios,
13:05provando que se eu aumentar a irrigação,
13:08essa produtividade que hoje gira
13:10em torno, média, de 50 sacas
13:12nesses experimentos,
13:13ela pode passar para 70 até 80 sacas
13:16por hectare.
13:17Os resultados vão mostrar isso no futuro.
13:19Muito bacana.
13:20Parabéns pelo trabalho.
13:22Que bom saber que está sendo
13:23dada toda atenção para uma cultura
13:26tão importante para o nosso Espírito Santo.
13:28Nós vamos aqui, ficando por aqui.
13:30Muito obrigada.
13:31Obrigada, César.
13:32E você também que acompanhou,
13:34muito obrigada.
13:35E aqui lembrando que teremos mais episódios
13:38recheados de informações
13:39sobre a feira Agronatercorp
13:41e também a Arena Tecnoagro SEAG.
13:43E conteúdos aí você pode acompanhar
13:45no nosso Instagram,
13:46arroba.hzts
13:48no site agazeta.com.br
13:51Até a próxima.
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