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  • há 4 semanas
Gil Barabach, economista e especialista em café da Safras & Mercado, consultoria agrícola do agro brasileiro, analisa o cenário atual da cafeicultura e orienta produtores sobre como se posicionar diante das oscilações do mercado em novo episódio do Videocast TecnoAgro

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Transcrição
00:03Oi para você de casa, oi para você que está nos assistindo, eu sou o repórter Douglas Mota
00:08e estamos de volta com mais um episódio do nosso videocast Tecnoagro, que dessa vez
00:12está sendo feito em parceria com a feira Agronater Cup.
00:17Aqui na feira a gente celebra a força do campo, a inovação e o espírito cooperativista
00:21que movem o agro capixaba, sendo um ponto de encontro para conexões e muito conhecimento.
00:26E hoje o assunto é aquele queridinho da mesa dos capixabas.
00:30Seja para começar bem o dia, seja para dar aquela dose de disposição, o café é a escolha certa.
00:35E quando o assunto é consumo, o produtor precisa estar de olho nas tendências do mercado,
00:40no que influencia os preços e, claro, nas oportunidades que o cenário oferece.
00:44E para nos ajudar a entender um pouco mais sobre a cafeicultura,
00:47meio a tantas novidades na economia nacional e internacional, eu recebo aqui um especialista no assunto.
00:53Gil Barabache, analista da consultoria Safras e Mercado.
00:58Seja muito bem-vindo ao nosso videocast, Gil. Muito obrigado pela sua presença.
01:01Obrigado pelo convite, Douglas. É um prazer estar aqui falando com vocês.
01:04Porque é isso, o prazer é nosso.
01:06Gil, vamos começar com um panorama geral.
01:08Como você enxerga a atual conjuntura do mercado do café no Brasil e no mundo?
01:12O cenário é positivo em meio a tantas instabilidades?
01:15Olha, como você falou, está muito instável.
01:18A gente está passando por um processo de mudança de comportamento.
01:21A gente teve um ano de 2024 de alta muito acentuada do preço do café no mercado internacional.
01:27Essa alta persistiu até o começo de 2025.
01:30E agora a gente está vendo o quê?
01:32Ele está recuando.
01:33Os preços internacionais e os preços nacionais do café estão recuando.
01:37Chegada de safra, uma perspectiva de melhora de café robusta no mundo.
01:42É um cenário de maior incerteza econômica.
01:47Isso mexendo com o comportamento também do consumidor e da demanda internacional.
01:52Tudo isso vem afetando o mercado.
01:55E daí o preço vem recuando.
01:57Mas, apesar do preço estar recuando, o cenário ainda é um cenário bastante favorável para o produtor de café.
02:04Entendi.
02:04Você falou um pouco sobre isso.
02:05Acho que a gente pode aprofundar um pouco mais agora.
02:07Quais são os principais fatores que têm pressionado ou sustentado os preços atualmente, visto que eles estão oscilando?
02:13Sim.
02:15Da questão de queda nos preços, a gente tem um fator que está jogando para baixo, que é uma melhora
02:22na perspectiva de produção.
02:23O ano passado, toda a narrativa do mercado estava em cima da escassez.
02:28Falta de café, clima adverso.
02:30A gente teve seca no Brasil, a gente teve seca em outros lugares do mundo, como a Ásia, no Vietnã,
02:37que é um importante produtor de robusta no mundo.
02:39Então, você teve também uma aceleração de compra, uma demanda muito agressiva, porque estava vulnerável quando ocorreu esse problema climático.
02:49Então, ela não tinha estoque.
02:50Ela viu que poderia faltar café.
02:53Ela veio de uma forma mais agressiva para o mercado.
02:55Tudo isso ocasionou uma alta expressiva do preço.
02:59Então, você teve toda essa narrativa em 2024.
03:01A narrativa para 2025, você começa a mudar.
03:03Você começa a deixar a questão de escassez e começa a olhar para quê?
03:08Melhora na produção, principalmente de robusta.
03:11Brasil, o Espírito Santo produzindo mais café, robusta com nilon e também a Ásia produzindo mais.
03:19Então, a oferta melhorou.
03:21Mas, isso tudo fez com que você recuasse e a acomodação nos preços.
03:26Mas, o quadro ainda é um quadro de instabilidade.
03:30A gente está num processo, num processo que a gente estava de escassez e a narrativa começa a mudar para
03:34um pouquinho mais de abundância.
03:36Mas, ainda, essa é a abundância relativa, porque ela é uma oferta maior de café robusta.
03:41De arábica, ainda não.
03:43E os estoques mundiais ainda estão em baixa.
03:46Então, isso é um fator que alivia esse movimento dos preços.
03:50Então, você tem, de um lado, uma melhora na produção e, do outro lado, você tem ainda estoques baixos.
03:55Então, o mercado recuou e está buscando um equilíbrio em cima desses dois fatores.
04:00Perfeito.
04:01E, quando a gente olha para o futuro próximo, o que a gente pode esperar?
04:04Tem alguma tendência mais clara, por exemplo, para os próximos anos, para o próximo ciclo, desculpa, do café com nilon?
04:08Então, sim, a gente está passando por um processo de crescimento da produção de robusta com nilon no mundo.
04:17E uma notícia boa, que o Brasil é que está liderando esse processo de crescimento.
04:22Hoje, ainda, o Brasil não é o principal produtor.
04:25O Brasil é o principal produtor de café do mundo.
04:27É o principal produtor de arábica.
04:29É o segundo principal produtor de conilon robusta.
04:32Ele só perde para o Vietnã.
04:34Mas, nos últimos anos, a gente vem se aproximando muito.
04:36E há uma tendência, se pegar num ciclo para cinco anos, de o Brasil ou empatar ou até superar.
04:44Então, essa é a novidade.
04:47E essa novidade de crescimento da produção de conilon, de robusta, no Brasil, ele está mirando muito mais no mercado
04:54internacional.
04:55Então, o Brasil, antes, era um exportador eventual.
04:58Quando sobrava café, a gente exportava esse tipo de café.
05:02Agora, não.
05:03A gente já está se consolidando como um fornecedor.
05:06E a tendência é que, nos próximos anos, a gente amplie essa participação no mercado.
05:11Muito interessante.
05:11E quando a gente fala disso, a gente não dá para esquecer, no caso, de falar de quem faz essa
05:15roda girar, que é o produtor.
05:18Nesse cenário, que tipo de estratégia você recomenda para quem está colhendo ou se preparando para a próxima safra?
05:24A gente tem dois cenários.
05:25O cenário dessa safra, que é um cenário importante.
05:29A gente teve aí uma queda acentuada dos preços do começo do ano para agora.
05:33Ainda está dentro de uma relação favorável de rentabilidade ainda relativamente alta.
05:40Não é tão alta como esteve no ano passado e começo de 2025, mas ainda é uma rentabilidade bastante expressiva.
05:47O impacto maior da chegada da safra já aconteceu.
05:51Então, para o produtor, agora, é um cenário mais de acomodação na curva de preços.
05:56Então, para ele, a recomendação seria o quê?
06:00Trabalhar com... não é um momento de afobação.
06:02Ele fica atento a essas flutuações no mercado financeiro e também algumas oscilações que possam acontecer na curva de preços
06:11por conta dessa questão das tarifas que podem fazer esse preço flutuar.
06:15Ele fica atento e trabalhando de forma escalonada as suas posições de venda.
06:20Pensando para 2026, daí, muda um pouquinho o quadro, porque para 2026, o que vai pesar vai ser o tamanho
06:29da próxima safra brasileira.
06:31Principalmente da próxima safra de arábica do Brasil.
06:34E isso começa a se definir ao longo de setembro, outubro e ao longo do último trimestre do ano.
06:38Então, daí ele tem que ficar prestando atenção, porque pode ter outras mudanças nessa curva de preços para esse final
06:44do ano.
06:44Perfeito. E assim, não tem como não lembrar das cooperativas, ainda mais para a gente estar aqui em parceria com
06:49a Natercope,
06:50na feira Agro, a Natercope, que é a maior cooperativa agrícola do Estado.
06:54Sendo assim, também queria ver a sua análise sobre o papel das cooperativas nesse contexto.
06:58Elas têm ajudado o produtor a lidar melhor com o mercado?
07:01Sim, sem dúvida nenhuma.
07:02Sem dúvida nenhuma.
07:03Além da questão da ideia inicial da cooperativa, que é você unir para você criar uma unidade mais forte,
07:13principalmente para compras, para ajudar a reduzir custo do produtor, orientação técnica.
07:18Ela também tem um papel muito importante na questão da comercialização, trazendo ferramentas,
07:24trazendo instrumentos que auxiliam o produtor na comercialização.
07:28Esse ponto que eu mencionei em relação à abertura de mercado, a essa questão da participação do café
07:35com Nilon brasileiro no mercado internacional, sem dúvida nenhuma, a cooperativa também vai ter um papel muito importante.
07:41Gil, caminhamos agora para o nosso final.
07:43Quero te agradecer pela oportunidade de poder trocar esse papo com você.
07:46Espero que a gente tenha contribuído muito para o agro, tá?
07:48Muito obrigado.
07:49Oi, eu que agradeço, Douglas.
07:51Que bom estar aqui para ter um papo contigo, a gente conversar sobre o mercado de café.
07:55Muito obrigado também a você que nos acompanhou até aqui.
07:58A informação é, sem dúvida, um sumo fundamental para esse ciclo de produção.
08:02Tem outros episódios, temos outros episódios recheados de informações sobre a feira AgronaterCorp.
08:07e também conteúdos no nosso Instagram em arroba agazeta.es e no site agazeta.com.br barra agro.
08:14Muito obrigado e até a próxima.
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