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  • há 4 semanas
O gerente de atendimento do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo (Crea-ES), José Maria Cola dos Santos, participou do Videocast TecnoAgro.

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Transcrição
00:04A Tatiel, gente, ela é doutora em engenharia química, pesquisadora e produtora de café
00:10em governador Lindenberg, aqui no estado do Espírito Santo. Desde muito cedo ela ajudou
00:15na organização e na gestão da propriedade da família e ela venceu o prêmio Mulheres
00:19do Agro em 2020. E a gente tem também aqui uma, podemos dizer assim, embaixadora das
00:28Mulheres do Agro Brasileiro, a Sônia Bonato. Sônia, gente, para quem não conhece, ela
00:36é uma mulher que abre caminhos e inspira outras mulheres que estão vindo depois dela.
00:43Ela já foi vendedora de móveis, frutas, motos e hoje ela comanda uma fazenda de milho e
00:48soja lá em Ipameri, lá em Goiás. Então eu vou passar a primeira palavra aqui para a
00:55Sônia, tá, Tatiel? A gente começou com a sua frase inspiradora, mas a gente vai começar
01:00com a Sônia, que está abrindo os caminhos aí antes da gente, né, nesse caminho que as
01:05mulheres percorrem. Contar um pouquinho a sua história, os desafios. Eu sei que você tem
01:10causos pra caramba que a gente já conversou um pouco. Então vamos lá contar e conhecer
01:14a história dessa mulher incrível. Eu gosto de andar um pouquinho para falar.
01:18Bom dia. Ai, gente, vocês não tomaram café hoje, não? Bom dia. Melhorou. Gente, é um
01:28prazer estar aqui. Agradeço o convite. Vir no Espírito Santo pela primeira vez, não
01:35conhecia. Povo muito receptivo. Fui bem cuidada até agora. Então eu agradeço muito o convite
01:44e espero voltar outras vezes. Eu sou uma filha de um funcionário de fazenda. Meu pai trabalhava
01:53numa fazenda e com seis anos a gente mudou para a cidade porque vem aquela história do
01:58vocês têm que estudar. Então a gente mudou para a cidade, entramos na escola e meu pai continuou
02:06indo de caminhão para a fazenda trabalhar e voltava todo dia. Minha mãe ajudava de vez em
02:13quando ia apanhar algodão. Não sei se tem alguém aqui que lembra do como era apanhado
02:18algodão antigamente. Na época da colheita do algodão era arrobas, né? Um saco assim
02:24atrás e às vezes ela me levava para a roça junto porque não tinha com quem me deixar.
02:28Meus dois irmãos ficavam mais velhos que eu. Eu sou a caçula. E passou-se os anos e a
02:37Sônia cresceu, começou a trabalhar com oito anos de idade, que não é, para mim, não é
02:43crime nenhum você trabalhar e começar a aprender novo. Não era escravo, era um trabalho bacana
02:50que eu gostava muito e aprendi muito com todas essas pessoas que me deram a mão. As pessoas
02:56te acolhem e elas estão te apoiando. Toda pessoa que te acolhe é um apoio. E foi assim que eu
03:02cresci.
03:02Não parei de trabalhar até hoje. Durante esse tempo de urbana, eu fui aprender muitas coisas.
03:13Comecei a estudar, parei de estudar, fui trabalhar só, as dificuldades chegaram. Voltei a estudar,
03:23não consegui completar até a universidade. Mas eu aprendi muito na outra universidade que se chama
03:29vida. Porque você também tem que querer aprender. E não é só lá que você aprende. É quando você
03:35quer aprender, você busca conhecimentos aonde tem e aprende através disso tudo.
03:44Durante todo esse tempo, eu comecei a trabalhar em lojas, vender verdura, depois fui vender imóveis,
03:50depois fui vender carro, motos e tal. E acabei saindo dessa concessionária Ford
03:58em 1995, quando o vovô do meu marido faleceu.
04:03E a gente mudou para Goiás, porque ele recebeu a serança e comprou uma fazenda em Goiás.
04:08E aí eu virei do agro. Totalmente diferente. Vendia carro.
04:13E aí eu fui plantar a matéria-prima para a alimentação das pessoas e para roupas e para calçados e
04:22para todas
04:23muitas outras coisas que vêm lá no rótulo escrito que vêm do campo.
04:29É só olhar no rótulo lá que vocês vão ver muita coisa que vem do campo e às vezes você
04:35usa e não sabe.
04:37E foi aí que eu me apaixonei, sabe? Porque aí eu descobri como é que plantava um pé de milho,
04:42como é que plantava um pé de arroz, como é que colhia isso tudo, o trabalho que dava,
04:47a reza que você tinha que fazer para São Pedro.
04:50Tudo isso era envolvido nessa produção.
04:55E, como eu não entendia, eu tive que estudar.
04:59Eu sabia como é que o meu marido estava fazendo aquilo, mas eu não entendia.
05:04Para entender e para ajudar ele dentro da propriedade rural, fui fazer cursos.
05:09Só que os cursos que tinham, eles não eram para o que eu queria.
05:13Porque o meu marido era o técnico e eu era administradora.
05:18Porque eu sempre gostei muito de papéis e números.
05:21Eu trabalhava com isso, então...
05:23E eu falei, eu vou levar isso tudo para dentro da nossa empresa, né?
05:28Que a fazenda é uma empresa.
05:30Ah, mas não sei, é uma empresa.
05:32Põe dinheiro, tira dinheiro, compra, vende, é uma empresa.
05:37Tem funcionários, tem tudo para cuidar.
05:39E fui aprender a fazer tudo isso.
05:43Aí eu fui procurar cursos de administração para empresas rurais.
05:47E eu consegui um curso através de duas instituições, que é o SEBRAE junto com o SENAR.
05:54Ele chama Empreendedor Rural.
05:56E foi aí que eu aprendi a fazer toda a movimentação financeira e gestão da nossa propriedade.
06:04Então, nós começamos.
06:05Eu vendia ovo, galinha, frango na rua.
06:08Entregava de casa em casa durante cinco anos.
06:11Mas tudo administrando aquele pouquinho que pingava ali.
06:15Leite, né?
06:16A gente tirava um pouquinho de leite.
06:17E fomos trabalhando com isso e fomos organizando a nossa propriedade.
06:23Através de números, através de planejamento e de uma boa gestão.
06:28Eu falo uma boa gestão porque eu fui premiada com gestão.
06:31Então, eu acredito que foi uma boa gestão.
06:33E a gente também cresceu muito nesses anos.
06:36São 27 anos que a gente está lá.
06:38Os primeiros cinco anos foram difíceis até chegar num momento que a formalização de investimento dentro da fazenda cresceu.
06:52E aí que a gente melhorou ainda mais esse patamar de movimentação financeira dentro da nossa propriedade.
06:59Durante esse trabalho que eu aprendi com o curso, que a primeira coisa chama-se diagnóstico.
07:07E eu falo para todo mundo fazer isso.
07:09Não só apenas do agro.
07:12Principalmente na vida.
07:13Fazer um diagnóstico de como você está, onde você está e onde você quer chegar.
07:18Você, por aí, vai fazer um planejamento da sua vida que vai te trazer melhores resultados.
07:23E foi isso que me ajudou a mudar toda a parte financeira da fazenda, do qual a Exalc foi lá
07:32na minha fazenda ver minhas planilhas de custos e de planejamento.
07:38Que foi quando chegou lá que eu fazia isso.
07:42E eles pediram para uma pessoa ir lá e olhar tudo isso.
07:45Então, assim, você vê uma universidade do tamanho que é a Exalc numa fazenda de 130 hectares,
07:50que é uma pequena propriedade de grande resultado, ele chamou a atenção de uma universidade dessa.
07:56É porque alguma coisa de bom tinha lá, né?
07:59E aí, durante tudo isso, eu fui investindo, fazendo planejamento, cuidando de tudo, de todas as coisas da fazenda.
08:11Planejamento pessoal, que é passear, tirar férias, ir na praia, sei lá onde você tiver vontade.
08:18Reserva monetária para dificuldades financeiras que aparecem do nada, né?
08:23De repente, você precisa lá de dinheiro e você não tem uma reserva financeira adequada para acudir o que você
08:29precisa.
08:29Principalmente nós que temos máquinas caríssimas e, quando elas estragam, o conserto também é muito caro.
08:35Então, nós temos que cuidar de tudo isso.
08:38Eu estou falando meio rápido, porque a gente é...
08:40Você vai me avisando aí, que quando eu começo eu disparo, tá?
08:43Pode deixar.
08:44E aí, isso tudo faz parte do seu planejamento.
08:49Se você faz um planejamento, e não é só no agro, gente.
08:52Quando eu falo isso, eu falo isso para a vida, para qualquer setor e para onde você quiser trabalhar.
08:58Então, comece com um diagnóstico, depois um planejamento.
09:02Eu vim com um senhor que falou assim, eu tinha um sítio.
09:05Eu falei, mas o que aconteceu?
09:07Aí, eu vendi.
09:08Falei, ah, vou plantar mandioca, vou não sei o quê.
09:11Plantou a mandioca e tudo.
09:12Eu falei, mas a hora que o senhor foi plantar mandioca, o senhor já sabia para quem o senhor ia
09:15vender?
09:17Não.
09:18Falei, o senhor errou aí.
09:20Então, não adianta você produzir uma coisa que você não sabe para quem você vai vender.
09:23Então, o diagnóstico, ele é bom por isso.
09:25Ele te mostra todo esse enredor ali do que você vai fazer.
09:30Então, quando a gente começou a melhorar, que começamos a fazer esse planejamento, foi onde nós começamos a ter clientes
09:40de silagem.
09:41A gente produzia silagem de boa qualidade, até hoje produzimos.
09:45E aí, esse foi um dos pontapés iniciais, que foi, entrou no planejamento para fazer projetos de curto, médio e
09:54longo prazo.
09:55O de curto prazo é o que te traz dinheiro mais rápido, que você mantém.
09:59E o de médio prazo, aí ele é concluído e que vai sustentar o de longo prazo.
10:05Então, o que eu fiz?
10:05Eu pus na planilha.
10:08Curto prazo, silagem, 80, 90 dias.
10:12Dinheiro na mão.
10:14Médio prazo, soja, 130 dias, mais ou menos, você está ali com a colheita na mão.
10:21Se você vai vender, aí já é outro negócio.
10:23Depende do seu planejamento.
10:26E, longo prazo, uma genética de gado, de qual demora, do jeito que eu quero fazer,
10:32que eu aprendi com o dono da Lambruger Nelore.
10:36Eu fui na fazenda dele, fiquei um dia lá aprendendo, mexer com gado.
10:39Porque, se você quer fazer alguma coisa, tem que fazer bem feita.
10:43E, para você fazer bem feita, você procure os experientes.
10:48Para quem já passou por tudo isso e vai passar mais ainda.
10:52E aí, eu fiz esse projeto, curto, médio e longo prazo.
10:56Hoje, nós estamos com bezerros Brahman.
10:59Porque, como é uma propriedade pequena, nós temos 50 matrizes, 60 hectares de soja,
11:08mais ou menos 20, 22 de pasta, e o restante é preservação de 130 hectares.
11:15Nós estamos em dois programas de sustentabilidade internacionais,
11:19dos quais a gente vai ser certificado e o nosso produto vai agregar valor.
11:24Tudo isso é o que o produtor faz dentro da porteira e fora da porteira.
11:29Fora da porteira, nós dependemos de vários outros para nos proteger, para nos ajudar
11:35e para agregar ainda mais valor em tudo isso.
11:38E isso trouxe prêmios.
11:40E os prêmios, nas duas formas premiadas,
11:43Eu fui em 2018, na primeira edição do prêmio.
11:46Você foi em 2020, na terceira edição.
11:49Por quê?
11:50Porque nós, mulheres, não somos melhor que os homens.
11:54A gente aprende com eles, mas a gente tem um olhar diferenciado para tudo que a gente vai fazer.
11:59Eu acho que é um pouco agrega ao trabalho do homem.
12:03A gente não quer separar, porque a gente precisa de vocês, homens,
12:08para a gente continuar melhorando e agregando ainda mais valor àquilo que a gente faz.
12:14E tem mais coisa para contar, mas meu tempo acabou, eu acho.
12:18Tem muita coisa para contar ainda.
12:19Vamos deixar a Tatiel falar um pouquinho da história dela.
12:22E a gente vai trocando aqui.
12:24E até para as pessoas que quiserem perguntar também, para a gente abrir para vocês.
12:28Vamos lá, Tati.
12:29Obrigada, Elaine.
12:30Nossa, depois dessa inspiração toda da Sônia, eu vou ficar até sentada.
12:35Não estou tão à vontade com o palco, não.
12:39Então, eu sou a Tatiel, eu sou daqui do Estado, sou de governador de Alineberg.
12:44A minha família é produtora rural, sempre foi produtora rural, produziu café.
12:50Mas o meu pai teve duas filhas e há 20 anos atrás, o que eu vou fazer com duas filhas
12:58em casa?
13:00Preciso colocar para estudar, então essas meninas vão estudar.
13:03Então, desde o início lá, quando nós éramos pequenas, nunca foi pensado em mim ou na minha irmã como sucessoras
13:11para tocar o negócio, a propriedade da família para frente.
13:14Então, eu segui meu caminho de formação, fui fazer engenharia química, sou engenharia química de formação, fiz mestrado, doutorado pela
13:23Unicamp.
13:24Mas, durante todo esse período, eu não me desvinculei da propriedade.
13:32Porque, querendo ou não, era uma propriedade familiar, é uma propriedade familiar.
13:38Tanto o meu pai quanto a minha mãe tinham pouca instrução e a gente precisa de alguém para lidar com
13:44a papelada, com a burocracia.
13:46E aí eu puxei essa responsabilidade para mim.
13:50Puxei desde pequena, muito com o incentivo do meu pai, ele me colocava lá para fazer acerto de contas, viu,
13:56Sônia?
13:57Treze anos de idade, ele falava, não, você já sabe fazer conta, vem aqui, hoje é você que vai acertar
14:02com o pessoal.
14:02Então, ele me colocava lá para poder fazer acerto de contas com o pessoal e eu fui tomando gosto e
14:07fui puxando para mim essa responsabilidade.
14:10Então, mesmo no meu período em que eu estava em Campinas, fazendo pós-graduação, eu não me afastava das atividades.
14:19Quando eu estava aqui no Estado ainda, que eu fiz minha graduação aqui no Estado, então eu ia para casa
14:26todo final de semana.
14:27Então, todo final de semana eu ia para casa, mas com o compromisso de ajudar a organizar as contas, a
14:36gestão.
14:37Depois, em 2011, quando eu fui fazer pós-graduação, então eu já não consegui estar todo final de semana.
14:43Mas, então, nós temos um calendário que permite bastante feriados.
14:48Então, eu me organizava para nos feriados estar em casa.
14:53E aí, de lá, eu organizava o meu trabalho para que eu tivesse uma certa flexibilidade de, quando vir para
15:01casa, poder estar cinco dias em casa.
15:03E eu organizava as coisas aqui para que eu pudesse acompanhar de longe.
15:07Então, assim como você, eu trabalhei muito com planilhas.
15:11Eu e minha mãe.
15:12E minha mãe, não me deixam mentir.
15:14Há muito tempo, a gente já fazia parte de gestão de custos da propriedade.
15:20Então, minha mãe, ela não tem muita habilidade com a parte do Excel, do computador, mas a gente tem até
15:26hoje uma agenda.
15:27Todo dia ela anota todos os gastos.
15:29Aí, depois, eu vou lá no final da semana e eu separo.
15:32Isso é pessoal, isso é da roça, isso é para isso.
15:35E aí a gente foi se organizando.
15:38Então, assim, essa visão de empresa rural já vinha sendo desenvolvida ao longo do tempo,
15:47mas não muito em função, assim, da necessidade que eu via de organizar a propriedade de uma forma que eu
15:56pudesse acompanhar o que estivesse acontecendo de longe, né?
15:59E dar um suporte para os meus pais que tinham pouca informação.
16:03Porque a gente vinha identificando uma mudança muito grande no agro, né?
16:09Nos últimos anos, em curto tempo, o sistema de produção mudou muito e o que você precisa para poder manter
16:18um negócio,
16:18o nível de organização, de burocracia, aumentou consideravelmente, né?
16:24Então, a gente foi desenvolvendo um trabalho muito em função dessa necessidade de estar acompanhando o que estava sendo feito
16:32na propriedade.
16:34Então, fiz também, o que a Sônia falou, né?
16:37A parte de diagnóstico, fizemos um diagnóstico na propriedade.
16:41Então, a gente tem todas as áreas, todas as nossas áreas produtivas, elas são mapeadas.
16:47Fomos crescendo, assim, aos pouquinhos.
16:50Então, apesar de termos apenas 80 hectares produzindo, eu tenho 36 áreas diferentes.
16:57Porque meu pai foi plantando assim, de acordo com o que dava, né?
17:00Eu vou plantar um hectare aqui hoje, outro amanhã.
17:03E a gente conseguiu fazer um trabalho de mapeamento em todas essas 36 áreas, com data de plantio, cone.
17:10A gente faz um trabalho muito interessante na propriedade, que é um trabalho de parceria agrícola.
17:16Isso eu tenho um orgulho danado de falar, né?
17:19Nós temos oito famílias que moram na propriedade, trabalham em cima do que a gente planta.
17:27Eles têm autonomia para poder cuidar da parte da lavoura deles.
17:30Então, é um trabalho, assim, maravilhoso que o meu pai que implementou.
17:35E hoje, mesmo quando o pessoal fala assim, ah, mas isso o pessoal lá em 1970 fazia.
17:40Hoje em dia, você já consegue fazer diferente e tal?
17:44Não é algo que esteja no meu planejamento.
17:48Porque eu acredito que é um trabalho social muito importante, muito válido, né?
17:5280% das pessoas que saíram da nossa propriedade foram para comprar o próprio pedaço de terra.
17:59E isso eu tenho um orgulho danado, né?
18:02Do que foi construído.
18:04Então, voltando um pouquinho para a minha história,
18:07estava eu lá em Campinas, então, fazendo essa gestão à distância, né?
18:13Como engenheira, assim, a gente aprende muito na universidade a ter a visão de processos.
18:19Então, o que eu sempre busquei colocar em prática nas atividades da roça
18:26foi essa visão de processo, né?
18:29Esse processo separar, organizar negócio.
18:32E isso, esse negócio alimenta o segundo planejamento, como a Sônia colocou.
18:40Então, a questão de rastreadibilidade, por exemplo, né?
18:45De cada talhão desse que é produzido, a gente consegue identificar, lá quando o café chega no nosso armazém,
18:54de onde que ele veio, de qual talhão, qual é o parceiro que está tomando conta,
18:59qual o insumo que foi colocado em cada um daqueles talhões.
19:02A gente tem um sistema de rastreadibilidade completo pelo que é feito dentro da fazenda.
19:07E todo esse trabalho culminou em prêmios, em reconhecimento, como a Sônia disse, né?
19:13Então, fui vencedora do prêmio Mulheres do Agro, da terceira edição do ano de 2020, né?
19:20Pelo trabalho de gestão, que eu acredito também que é um bom trabalho feito por mim e pela minha mãe.
19:26Sempre fomos nós duas, né, mãe?
19:29E, hoje em dia, a propriedade é certificada pelo 4C, né?
19:34Que é o Código Comum da Comunidade Cafeeira, que tem o apoio da Nestlé e da Avô Café,
19:39que é uma empresa que tem atuação aqui no Estado.
19:45Então, essa certificação reconhece o trabalho que é feito com base nos pilares da sustentabilidade, né?
19:53Então, todo café que sai da propriedade e é vendido, ele sai com o selinho lá, que tem produção sustentável,
20:02né?
20:02Então, foi também uma conquista do nosso trabalho lá de gestão, porque o que acontecia era que o meu pai,
20:09como a frente da propriedade e a frente da parte técnica, como a Sônia disse, né?
20:16Para eu me encaixar no sistema de produção, eu teria que identificar onde eu poderia agregar.
20:24E onde eu poderia agregar? Onde eu tinha conhecimento? Onde eu poderia conseguir conhecimento, né?
20:30Então, foram os meus conhecimentos lá de engenharia, de gestão, de rastreabilidade,
20:35essa questão de identificação, da importância de um selo de certificação para o produto,
20:40para poder agregar valor para o nosso produto, né?
20:44Ainda também, depois que eu estava aqui na propriedade, nós fizemos um trabalho para a qualidade de café
20:52e, assim como a Sônia disse, né?
20:55Toda vez que você quer fazer algo diferente, começar algo, você tem que procurar quem já faz, quem faz bem
21:01feito.
21:02Não adianta você começar pelas metades, mais ou menos, que o seu negócio vai ser mais ou menos, né?
21:08E daí, da minha veia científica, Sônia, eu identifiquei, procurei o pessoal do Instituto Federal do Espírito Santo,
21:15do Campus de Venda Nova, que faz um trabalho excepcional com qualidade de café e eles me deram todo um
21:21suporte.
21:23E, no ano de 2021, nós ganhamos o Prêmio Abic, 18ª edição do Prêmio Abic, de melhor café conilão do
21:32Brasil.
21:32Então, o melhor café conilão do Brasil do ano de 2021 saiu da nossa propriedade, né?
21:39Então, assim, tudo isso é reconhecimento de um trabalho que tem sido feito na propriedade
21:46e que tem sido feito muito em função dessa visão diferenciada que eu tenho e que nós, mulheres, temos, né?
21:54E que consegue agregar.
21:56Então, o que a Sônia disse é o que eu sempre falo também.
22:00O nosso trabalho é muito de completar, de complementar.
22:07Nós somos fisiologicamente distintos, naturalmente distintos dos homens, né?
22:12Então, a gente aprende com eles e eles também podem aprender conosco.
22:17Então, os trabalhos, eles são complementares.
22:19Então, eu sempre olhei para o meu trabalho dentro da propriedade e complementaram ao meu pai
22:25o que eu poderia fazer, que era algo que ele não poderia fazer.
22:29E isso culminou num avanço, numa melhoria, né?
22:34Numa progressão muito grande para a propriedade.
22:36Então, eu acho, assim, que nós, como mulheres,
22:41nós temos que nos colocar nessa posição de força de que a gente é capaz e de que a gente
22:45pode.
22:46E o caminho não é o caminho da competição, nem com homens, nem com outras mulheres, né?
22:52Eu nunca estive tomando o lugar do meu pai à frente da propriedade.
22:59A gente sempre esteve trabalhando em conjunto.
23:01Mas é difícil, às vezes, a gente se enxergar nessa posição, viu, Sônia?
23:05É difícil.
23:05Por isso que a gente precisa ter outras mulheres falando...
23:09Pegando o gancho do que você está falando, eu estava conversando com elas que o dado nosso de IBGE, por
23:14exemplo,
23:15é um dado de que a gente saltou, em 2006, de 7 mil mulheres, 7.500 mulheres à frente de
23:22propriedades aqui,
23:23produtoras, para 15 mil mulheres em 2017.
23:27Mas eu não acredito que tenha só 15 mil mulheres à frente de propriedades aqui.
23:31Porque essa é a situação.
23:33Eu acho que não é competição.
23:35Eu acho que a gente tem aqui no Estado, acho que em Goiás também, Sônia,
23:39é uma agricultura familiar muito forte.
23:41Lá tem grandes fazendas, mas aqui a gente tem pequenas propriedades, são familiares, né?
23:47E essas propriedades, muitas vezes, estão registradas nos nomes dos homens.
23:53O registro em si, eu acho que é até uma burocracia.
23:55Mas, quando a gente fala no trabalho, a gente também está brigando por valorização.
24:02Valorização financeira, valorização perante o mercado, reconhecimento.
24:07E não brigar, eu quero passar na frente, só eu apareço, não é nada disso.
24:12É uma questão mesmo de complementação do trabalho.
24:16E eu acho que vocês falaram uma coisa chave aqui, que vale não só para o agro,
24:20mas eu acho que no agro a gente também tem visto muito aqui isso, né?
24:24A questão do conhecimento, a questão de você se aprofundar nos estudos,
24:30a questão da gestão.
24:32Então, sem conhecimento, nem homem nem mulher vai conseguir botar essa propriedade para frente.
24:36Mas vocês são exemplos aqui, muitas vezes, para outras mulheres que estão lá,
24:42às vezes, ao lado dos seus maridos que são donos de propriedade,
24:46e que poderiam estar ajudando também e complementando com ideias, com inovação, com gestão.
24:53Então, a importância do conhecimento, acho que se vocês puderem reforçar isso, assim,
24:57como fez a diferença, que seja de uma pós-graduação, como ela falou,
25:04a você ir um dia em um lugar, fazer uma imersão e aprender tudo,
25:08como que isso faz a diferença na atividade de vocês?
25:13Bom, eu sou muito participativa.
25:17Então, em 1996, nós fomos no Sindicato Rural e filiamos ao Sindicato Rural.
25:25E eu não saía mais de lá, né?
25:27Era palestra, eu ia, era dia de campo, eu estava no dia de campo.
25:31Às vezes, meu marido não podia ir, eu ia sozinha.
25:33Às vezes, tinha só eu de mulher lá no meio do mato, das plantações lá,
25:37mas eu tinha que aprender, gente, eu não sabia nada de agro.
25:41Em 1995, eu caí de paraquedas lá em Pameri para cuidar de uma fazenda,
25:46junto com meu marido.
25:48Só que eu não sabia.
25:49E meu marido, ele era mais do leite na fazenda do vô dele,
25:54ele não era dos grãos.
25:55E a gente queria mexer com grãos também lá na fazenda.
25:59E eu falei, eu vou começar a estudar.
26:02E foi onde eu comecei a participar de eventos e cursos.
26:09Não podia falar que tinha alguma coisa, que tinha uma informação que eu estava lá.
26:15Eu lembro de uma palestra que eu fui, eu andei mais de 200 quilômetros para estar em Uberaba,
26:20numa palestra com o Carlos Gogo.
26:23Ele era, faz um tempo já, né?
26:25Ele era bem novo ainda, eu também.
26:27Mas eu gosto de sentar aqui na primeira fileira, para assistir palestra,
26:32para ninguém me atrapalhar, né?
26:35E eu sentei.
26:36Eu falei para o meu marido, eu vou lá na frente.
26:38Ele falou, eu não vou não.
26:39Eu falei, eu vou.
26:40Eu sentei na frente, ele ficou mais lá para trás.
26:42E eu sou assim, eu não saio com dúvidas.
26:45Outra coisa que eu gosto de explicar muito para as pessoas,
26:48não adianta você fazer um curso, participar de uma palestra,
26:51participar de um dia de campo, chegar em casa e falar assim,
26:54e aquele negócio que ele falou mesmo, como é que será que funciona?
26:57Não adiantou nada, sei lá.
26:59Chegou em casa, você não entendeu?
27:01Então, gente, não saiam de eventos, de cursos,
27:04de qualquer lugar que vocês foram para aprender,
27:06com dificuldade de entender aquilo que foi falado.
27:10E sobre mulheres estar presentes nesses eventos,
27:15eu, graças a Deus, não tive nenhum problema de ser aceita ou não nesses lugares,
27:22porque eu não prestava atenção também.
27:25Se o povo me olhava torto ou alguma coisa também, eu não vi,
27:28por conta de eu estar lá tão focada no que eu queria aprender.
27:33Então, eu não prestei atenção nessas coisas.
27:35Se tinha, não vi.
27:36Então, participei, aprendi e pus em prática dentro da nossa propriedade,
27:42que é o mais importante.
27:43Se você aprende, entendeu e não faz, também não adianta nada.
27:48Sobre também o apoio de mulheres com mulheres.
27:52Nós temos mulheres que nos apoiam, nós temos mulheres do agro que ralam para caramba.
27:58Nós temos mulheres que, às vezes, vai para a roça com o marido trabalhar na roça mesmo.
28:03Temos muitas, e vocês não fazem ideia o tanto.
28:07E temos mulheres, que a moda da mulher do agro é moda,
28:11e elas estão aí entrando na moda da mulher do agro.
28:14Então, nós temos mulheres do agro de todas as maneiras.
28:18E isso faz com que a gente busque ainda mais levar essa voz
28:22para homens e para mulheres que queiram estar nesse meio,
28:28que já estão inseridas, mas não têm voz
28:31e também não estão protagonizando a história delas.
28:37Por que não?
28:39Eu e meu marido, assim,
28:41quando ele está comigo em eventos, que é muito raro, que ele não gosta,
28:46que as pessoas começam a me chamar e falar
28:48a Sônia que fez isso, fez isso, fez isso, fez isso, fez isso, ele chora.
28:53Então, assim, é um apoio tão grande que ele me dá,
28:57fazendo com que esse sentimento que ele tem de orgulho do que eu faço
29:02e do que foi transformada a minha vida após eu entender
29:06que eu também era a voz de outras mulheres,
29:09por isso que eu estou aqui.
29:12Ela sabe que eu venho em palestras não por dinheiro.
29:16e, quando as pessoas me pagam, eu dou para instituições,
29:20porque não é o meu foco ganhar dinheiro com palestras.
29:24Isso tudo faz com que outras mulheres também queiram estar no meu lugar.
29:30Mas isso é outra conversa e não me atinge também.
29:34Mas eu gosto muito de falar que o prêmio foi muito importante,
29:39mas foi o resultado de dedicação e amor ao que você faz.
29:43Se você faz bem feito, com amor e com dedicação,
29:48você consegue resultados que vão ser reconhecidos.
29:53E nada melhor do que mostrar para a sociedade,
29:58para todos os setores, com resultados do que a gente é capaz de fazer.
30:04É isso que traz o respeito para nós.
30:08Quando você mostra resultado naquilo que você faz,
30:11você consegue que as pessoas entendam que você está ali para trabalhar,
30:17para trazer para outras mulheres também inspiração,
30:22para que elas também façam assim.
30:24Então, as mulheres hoje estão em um patamar de desenvolvimento
30:29e de aceitação de todas as instituições,
30:33homens e mulheres,
30:34e também agregar valor ao trabalho da mulher.
30:37Então, essa igualdade ainda está difícil,
30:40a gente sabe disso na parte monetária,
30:43mas nós vamos chegar lá,
30:44porque quando a mulher faz um bom trabalho,
30:47ela consegue chegar à gerência, à presidência de empresas,
30:52e eu espero que isso também aconteça com acolhimento em instituições,
30:56porque tem muitas mulheres nas instituições,
30:58mas os chefes são homens.
31:00Então, você tem que seguir a régua deles.
31:04E isso é muito difícil.
31:06Eu gostaria muito que a gente fosse de igual para igual em todos os lugares.
31:13Tati, se quiser completar sobre a questão da informação, conhecimento,
31:17como que isso faz a diferença para esse empreender de vocês.
31:21Eu achei muito legal também essa questão do respeito ao legado que o seu pai também deixou.
31:27Porque eu acho que bater de frente nessa hora,
31:29por mais que seja uma nova geração,
31:30a gente que está dentro das empresas encontra a mesma dificuldade muitas vezes,
31:34não acrescenta nada.
31:35A informação não pode também nos tornar arrogantes.
31:39A gente tem que dar serventia para ela, como ela falou.
31:43Eu acho que o conhecimento une pessoas.
31:46Todas elas, que é o projeto nosso lá,
31:47a gente quer muito se colocar como essa rede de apoio
31:50para mostrar para as mulheres que elas podem,
31:52pelo aprendizado até de outras,
31:54elas caminharem.
31:55Então, é bonito também, como você fala assim,
31:58que eu fui com o meu olhar,
31:59mas respeitando também o que estava posto.
32:01Eu não quis ir chegando, derrubando tudo e fazendo só do meu jeito.
32:04Isso eu acho que o conhecimento também traz essa...
32:08Algumas pessoas não são assim,
32:10mas quem consegue fazer isso,
32:12esse conhecimento impor,
32:15tudo isso que você construiu,
32:17a Sônia também,
32:18é muito importante.
32:20Só pegando um gancho aqui,
32:22é interessante isso que você falou,
32:24porque, aparentemente,
32:26parece que vivesse uma moda de mulheres nisso,
32:30mulheres naquilo,
32:32e aí existe uma tendência
32:35das pessoas quererem se aproveitar
32:36pelo fato de ser mulher
32:38e assumir uma posição que, de repente,
32:41não seria,
32:43não corresponderia, exatamente, Sônia.
32:47E vai bem em linha isso que você falou
32:50e o que a Sônia colocou.
32:51Eu sempre acreditei muito na competência,
32:56em você se mostrar que você veio,
32:59mostrar o seu valor por competência.
33:01Acho que não foi à toa que eu escolhi engenharia,
33:03que já é uma profissão que, tradicionalmente,
33:06é bem masculina na minha sala.
33:09A maioria dos alunos eram homens.
33:11E também nunca me importei por isso.
33:15Assim como também não me importo
33:17de entrar numa sala
33:18para poder fazer um curso
33:19e só ter o homem fazendo o curso
33:21e apenas eu de mulher.
33:23Então, assim,
33:25eu torço pelo dia
33:27em que os painéis
33:29vão ser direcionados igualmente
33:32para homens e mulheres.
33:33Nós vamos estar aqui
33:34dividindo o palco com homens
33:36para poder falar sobre competências
33:38e ações que você faz na sua propriedade
33:42e que eu faço na minha
33:43de igual para igual
33:44e que não tem necessidade
33:46de a gente fazer esse trabalho
33:50não separado,
33:51mas esse trabalho...
33:53De busca da valorização.
33:54De busca da valorização, exatamente.
33:56Mas eu sei que ainda é um horizonte
33:59um pouco longínquo
34:00e que, para a gente começar,
34:02a gente precisa começar exatamente aqui,
34:04exatamente onde nós estamos.
34:07Queria só aproveitar a sua fala.
34:09Voltando à parte do conhecimento,
34:13eu acredito que a gente tem que mesmo
34:15buscar conhecimento,
34:17principalmente quando a gente não sabe,
34:19mas o conhecimento tem que ser direcionado,
34:22ele não pode ser enviesado.
34:26Por exemplo,
34:26quando eu comecei a fazer a graduação,
34:28fiz engenharia química,
34:29então nós estudamos lá
34:31na parte de fenômenos de transporte
34:32secadores rotativos.
34:34Eu não fazia qualquer assimilação
34:37do secador
34:38que o professor colocava
34:41com o secador de café
34:42que o meu pai tinha na propriedade
34:45há muito tempo.
34:47Não me tocava.
34:49Porque a minha graduação
34:50era para formar engenheiros químicos
34:51e engenheiros químicos
34:52vão trabalhar na indústria petroquímica,
34:54indústria de fertilizantes,
34:55outra coisa.
34:56E eu também,
34:58pela minha construção familiar,
35:00não estava sendo preparada oficialmente
35:02para ser uma sucessora.
35:05Mas aí o que aconteceu?
35:06Quando eu comecei a me dar conta,
35:08a gente vai amadurecendo
35:10e a gente vai se dando conta
35:11do potencial da propriedade,
35:12enxergando toda a necessidade
35:14dos meus pais
35:15com a parte administrativa
35:17e vindo a propriedade avançar.
35:20Então, essa minha visão
35:21começou a mudar.
35:23Então, por exemplo,
35:24eu fiz estágio
35:25na Suzano Papel e Celulose
35:27e lá na Suzano
35:29quando chegavam
35:30lá no último lote
35:31de celulose,
35:34eles sabiam exatamente
35:35de qual campo tinha saído,
35:38qual era a árvore,
35:39quais eram os clones
35:40na época do plantio.
35:42Aí eu comecei a olhar
35:42para essas coisas
35:43e falei assim,
35:43acho que dá para isso
35:44para fazer com café, né?
35:46Tem uma área lá,
35:47tal clone produz,
35:48vamos fazer.
35:49E aí surgiu a ideia
35:50de começar a implementar
35:51o processo de rastreabilidade
35:53dos lotes de café
35:54produzidos na propriedade.
35:55Isso hoje é um grande diferencial.
35:57O pessoal vai lá visitar
35:58e fica encantado
35:59com o nosso processo
36:00de rastreabilidade
36:02dentro da propriedade.
36:04Durante a minha
36:06estada em Campinas,
36:08fiz uma pós-graduação
36:10de Sistema de Gestão da Qualidade.
36:13E gestão da qualidade
36:14você aprende muito.
36:15Gestão, processos,
36:17ser bem metódica.
36:19Então, eu sou bem metódica
36:21em tudo que...
36:23Todos os processos,
36:24eu falo até processos demais,
36:25em tudo que é feito
36:26dentro da propriedade.
36:27Então, eu aplico
36:28metodologia científica.
36:30Chega até a ser meio chato,
36:31às vezes.
36:32Mas, eu aplico
36:33metodologia científica.
36:34E isso tudo
36:35vem de conhecimento
36:36que, anteriormente,
36:38não estava sendo direcionado
36:40para o agro, né?
36:42Mas, que eu enxerguei
36:44a forma de...
36:46Nós conseguimos enxergar
36:47a forma de aplicar
36:49aquilo que eu estava adquirindo
36:51na propriedade.
36:53de novo,
36:53sempre em busca, assim,
36:55de melhorar o que estava sendo feito,
36:57de complementar
36:58o que estava sendo feito.
37:00Então, eu não tive
37:02formação agronômica,
37:04mas eu podia complementar,
37:07complementar o trabalho
37:08que estava sendo feito
37:08de alguma forma
37:09com as minhas habilidades, né?
37:11E aí,
37:12toda a parte
37:12desse conhecimento
37:15da pós-graduação
37:17me ajudou muito.
37:18E, como a Sônia falou,
37:19não adianta você
37:20sentar em uma roda
37:21de conversa
37:22e buscar que as pessoas
37:23te reconheçam
37:24só pelo fato
37:25de você ser mulher.
37:26Não, você tem que saber
37:28o que você está falando,
37:30você tem que estar
37:30integrada dentro do assunto,
37:32você tem que vivenciar,
37:33de fato,
37:33o que é feito
37:34dentro da sua propriedade,
37:36né?
37:37E você tem que entender
37:39do seu negócio.
37:40É isso.
37:41Gente,
37:41eu queria abrir
37:42para perguntas, né?
37:43Eu acho que
37:44é importante,
37:45se vocês quiserem
37:46perguntar alguma coisa,
37:47aproveitar esse conhecimento
37:48todo dessas mulheres aqui.
37:50Alguém tem vontade
37:51aí de perguntar?
37:53Ali.
37:55Vou levar o microfone.
37:57Pois é,
37:57ela.
38:01Bom dia.
38:02Eu queria dizer que
38:03é um prazer
38:04ouvir essas histórias
38:06de sucesso, né?
38:08De mulheres
38:08que ocupavam espaços
38:10que antes não existiam
38:11para as mulheres.
38:13Eu gostaria de saber
38:14hoje,
38:14dentro de todos
38:15esses avanços
38:16que vocês já vivenciaram,
38:18qual seria
38:19dentro do contexto
38:20do nosso país
38:20o grande desafio
38:22do agro
38:23hoje
38:23para conseguir
38:24ter avanços
38:25ainda maiores?
38:27E como que as mulheres
38:28têm conseguido
38:30fazer com que isso
38:31seja otimizado,
38:33esse caminho?
38:37Vamos começar
38:38pela Sônia.
38:40Bom,
38:41em primeiro lugar,
38:42a tecnologia
38:44chegou
38:44para nos ajudar, né?
38:45e principalmente
38:46nós mulheres, né?
38:47Porque a gente
38:49tem muito
38:50que aprender ainda,
38:52mas ela veio
38:54para mostrar
38:54que não precisa
38:56força, né?
38:57Você não precisa
38:57mais de ter
38:58aquele bração
39:00para trabalhar
39:01com o agro
39:02e você pode ajudar
39:04ainda mais, né?
39:04O seu companheiro
39:05fazendo com que
39:07essa produção,
39:08ela aumente,
39:10que é um desafio
39:10muito grande
39:11que nós temos hoje,
39:13aumentar a produção
39:14no mesmo espaço
39:15com sustentabilidade.
39:18Isso é um pedido
39:20não só
39:21do Código
39:22Florestal Brasileiro,
39:24como também
39:24das exportações
39:26que a gente faz.
39:27Então,
39:28quando você
39:28produz um grão
39:29que você vai exportar,
39:31eles querem saber
39:32como você produziu.
39:34E isso tudo
39:35é feito
39:35numa planilha
39:36que é
39:37pela empresa, né?
39:38Que faz
39:39tudo isso lá
39:40com a gente,
39:41pelo menos a vivência
39:42nossa é assim,
39:43e lá vai tudo
39:44que você usou
39:45dentro da sua propriedade
39:47para produzir
39:48esse grão.
39:50E, através disso,
39:51você é taxado.
39:53Se você
39:53produziu bem,
39:54seu grão vai.
39:55Se tiver alguma
39:56coisinha ali
39:56que não foi legal,
39:58seu grão fica.
39:59E aí desvaloriza.
40:00Então,
40:01esse é o desafio
40:02maior que nós temos
40:03hoje e eu acho
40:04que nós, mulheres,
40:05vamos agregar
40:06muito nessa parte.
40:08Porque a gente
40:09tem esse cuidado.
40:10mesmo sem saber,
40:11só para vocês
40:12terem uma ideia,
40:13que um dia
40:14iria existir isso
40:15lá,
40:16há 27 anos atrás,
40:18tinha uma erosão
40:19na nossa propriedade
40:20que eu falei,
40:20isso vai parar,
40:22não vai continuar,
40:23essa erosão
40:23ela vai diminuir,
40:25porque eu vou cuidar dela.
40:27E hoje
40:27ela tem uma nascente
40:28dentro dela
40:29e lá tem vários
40:30bichos naturais
40:32aí da floresta
40:33e dentro
40:34dessa erosão.
40:35Ela parou de crescer,
40:36a gente fez barro lá,
40:37foi copiar dos índios
40:39lá,
40:40como que plantava
40:41dentro de buracos,
40:42erosões grandes
40:43assim,
40:44eles faziam barro
40:45com semente
40:45e jogavam lá dentro
40:46essas bolas de barro
40:48aí e quando chovia
40:49nascia as árvores
40:51e foi assim
40:51que a gente
40:52recuperou
40:52essa erosão.
40:54Então,
40:55através desse olhar
40:56da mulher,
40:56eu acredito
40:57que a sustentabilidade
40:59vai crescer muito,
41:00que é um desafio
41:00muito grande
41:01que nós temos
41:02aí pela frente.
41:04e o outro
41:05é trazer
41:07para dentro
41:08da propriedade
41:08os jovens.
41:10A gente tem
41:10uma dificuldade
41:11muito grande
41:12que eles entendam
41:13como que é
41:14o agro.
41:16Nós temos
41:17uma universidade
41:18de agronomia
41:18na nossa propriedade
41:20e nós temos
41:21toda a safra
41:22os estagiários,
41:24que ficam lá
41:25uma vez por semana
41:27quatro horas por dia
41:28e a gente lá
41:30fazendo com que
41:32eles entendam
41:32como que é feito
41:33o trabalho
41:34no campo,
41:34porque eles aprendem
41:35dentro da sala de aula,
41:37mas lá a gente
41:37mostra como é feito.
41:39E eu tenho
41:39muito orgulho
41:40que faz dez anos
41:41que a gente já faz
41:42isso lá na nossa
41:43propriedade
41:44e tem vários
41:46funcionários
41:47de empresa
41:47aí que passou
41:48dentro da nossa
41:48propriedade hoje
41:49e são bons funcionários.
41:51Então, tudo isso
41:52é um desafio
41:53muito grande
41:54e eu acredito
41:55que as empresas
41:56também têm
41:57uma grande responsabilidade,
41:59as empresas
42:00que nos fornecem
42:01insumos
42:01e nos ajudar
42:03a levar
42:04tudo isso
42:05também
42:06para os urbanos,
42:07que é um trabalho
42:08dificultoso,
42:09o trabalho no campo,
42:10não é uma coisa
42:11que as pessoas
42:11acham que você joga
42:12semente no chão
42:13e vai para a praia.
42:14Se você não for lá
42:15todo dia
42:16ou quase todo dia
42:17olhar suas plantinhas,
42:19você perde
42:20elas todas,
42:21porque nós moramos
42:22em um país tropical.
42:23Então,
42:24um dos desafios
42:25muito grandes
42:25acredito
42:26que são esses.
42:28Tati?
42:30Vou repetir
42:31a fala da Sônia,
42:33desculpa,
42:33porque
42:34eu acredito
42:36que é isso mesmo,
42:36produzir mais
42:38na mesma área
42:40cultivada,
42:41com sustentabilidade,
42:43respeitando
42:43não só
42:45o código florestal,
42:46mas o que a gente
42:46tem de senso,
42:48de discernimento
42:50do que a natureza,
42:53de como a natureza
42:54funciona,
42:54de como as coisas
42:55funcionam.
42:57E eu acho
42:58que nós,
42:59como mulheres,
43:00a gente traz
43:01muito essa visão
43:02do cuidado,
43:03esse sentimento,
43:04essa visão
43:04do cuidado,
43:07da minuciosidade.
43:08Eu costumo dizer
43:09alguma coisa,
43:10costumo dizer assim,
43:11que a gente
43:12quer produzir,
43:12mas a gente não
43:13quer produzir
43:13de qualquer jeito.
43:15Então,
43:16tem certas práticas
43:18que eu aboli
43:19e que eu falo assim,
43:19gente,
43:20me recuso
43:20a fazer dessa forma.
43:26eu acredito
43:27que esse
43:27é o desafio-chave,
43:30a gente produzir
43:31em áreas,
43:32na mesma área,
43:33mas em áreas
43:35talvez até menores,
43:37produzir uma quantidade
43:38maior de alimentos
43:40de forma consciente,
43:44de forma sustentável
43:46e de forma consciente.
43:47E, sem dúvida,
43:48essa questão também
43:49dos jovens
43:50e da mão de obra.
43:52Hoje em dia,
43:53reter pessoas no campo,
43:56independentemente
43:56da faixa etária,
43:58tem sido difícil,
43:59tem sido desafiador.
44:01E, como a Sônia disse,
44:03a gente tem a tecnologia
44:05que ajuda bastante,
44:06mas a gente também
44:06precisa de mão de obra
44:07qualificada
44:08para poder operar
44:10com toda essa tecnologia.
44:12Então,
44:14é uma temática
44:15às vezes difícil
44:16de a gente conseguir
44:19reunir, juntar.
44:21mas eu acho
44:21que a gente tem
44:23habilidade
44:23para lidar
44:25com essas situações.
44:27Eu acho que
44:27é nesse ponto
44:28que a gente faz
44:29o diferencial.
44:30Eu acho
44:31que as mulheres
44:32são mais habilidosas
44:34para poder lidar
44:34com as pessoas.
44:37Mais alguma pergunta,
44:38gente?
44:39Quem tem?
44:41Não saiam com dúvidas.
44:43Esse é o recadinho
44:44da Sônia.
44:44Mas eu vou puxar
44:46uma fala da Sônia
44:47que foi,
44:48quando a gente
44:49estava ali antes,
44:50que ela falou,
44:51que eu acho
44:51que é muito interessante
44:52para a nossa reflexão.
44:54Reflexão
44:55da nossa temática
44:57aqui de mulher,
44:57mas do agro também.
44:59E desses desafios,
45:00eu acho que a Luciane
45:01perguntou muito bem ali.
45:03Ela respondeu
45:04a uma pessoa
45:05que pediu
45:06uma comparação
45:07do que era
45:09uma mulher grávida.
45:11Qual a semelhança
45:12que isso teria
45:13com o agro?
45:14e ela fez uma frase
45:16que eu vou deixar
45:16ela falar para vocês
45:17essa frase aqui
45:18e depois eu complemento.
45:19Fala a frase,
45:20Sônia.
45:21Os dois são responsáveis
45:22pela vida.
45:25Isso é tudo, gente.
45:26Isso é tudo, sabe?
45:28Eu acho que,
45:29se a gente entender
45:30que a importância
45:32dessa mulher
45:32que gera um filho,
45:34a importância
45:34do agronegócio
45:36que gera tudo,
45:37alimento para a gente.
45:39E aí,
45:40olha que coisa bonita
45:41que tem aqui de exemplo.
45:42lá na sua fazenda,
45:44na sua propriedade,
45:45você está com pessoas
45:47que estão tendo
45:48as suas propriedades
45:50ali dentro
45:50para cuidar um pouco
45:52da área social.
45:53Lá na sua,
45:54além de outras tantas,
45:55você está com meninos
45:56tentando ensinar
45:57esses meninos
45:58a seguir em frente,
46:00a seguir uma carreira,
46:02a capacitar esses meninos
46:03com toda a paciência,
46:04acabar com uma erosão
46:05e transformar
46:06em uma floresta
46:07dentro de uma propriedade,
46:08como você disse,
46:09que é pequena.
46:09Eu não tenho muita noção
46:10de hectare,
46:11quantos são,
46:11mas você falou,
46:12não é uma propriedade gigante,
46:14mas que você planta
46:15e você mantém
46:17uma preservação.
46:18Isso é vida.
46:20Então,
46:20mulher é vida
46:21e agro é vida.
46:22Isso é muito bonito.
46:23Eu acho que a gente
46:23pode encerrar
46:24com essa mensagem.
46:26Foi muito bom,
46:27muito produtivo
46:28conversar com vocês,
46:29te conhecer,
46:30sabe,
46:30Sônia?
46:31É prazer mesmo.
46:32Tatiele também,
46:33que é uma menina nova,
46:35que saiu,
46:35que estudou,
46:36não teve medo.
46:37e aí é aquela coisa,
46:39assim,
46:39o Todas,
46:40o Todas Elas,
46:40ele tem muito
46:41essa capacidade,
46:43reunir essas histórias,
46:44porque,
46:45imagina,
46:45uma mulher que abriu
46:46esse caminho lá atrás,
46:48ela está trazendo essa,
46:49ela está passando,
46:50você está passando
46:51e está passando mais gente.
46:52E a gente quer que isso aconteça
46:54em todas as áreas,
46:55não só no agronegócio.
46:56Então,
46:56muito obrigada.
46:57Se quiserem deixar
46:58as mensagens de vocês
46:59para finalizar.
47:00você falou de mulheres
47:02que trazem outras mulheres,
47:04eu estou aqui
47:05porque outras mulheres
47:05também me apoiaram.
47:08Então,
47:08a gente não pode esquecer disso.
47:10Quando eu fui me inscrever
47:11para o prêmio,
47:12eu não queria de jeito nenhum,
47:14não sei se com você foi assim,
47:15porque a gente acha
47:17que a nossa história é normal,
47:19porque a gente nunca para
47:20todo dia para pensar
47:21o que você realizou.
47:23Então,
47:24quando você começa a escrever,
47:26que foi uma grande mulher
47:28que me puxou para o prêmio,
47:30que é a Teca Vendramini,
47:31a conheci em um evento,
47:34onde eu puder ir,
47:35gente,
47:36eu vou mesmo.
47:37E me apresentaram a ela
47:38e depois contaram
47:41minha história para ela
47:42e deram meu contato para ela
47:44e ela começou a me ligar.
47:45Então,
47:46o que ela fez?
47:47Ela fez com que eu
47:49me valorizasse.
47:51Então,
47:51esse insight que ela fazia
47:54de se inscreva,
47:55se inscreva,
47:56se inscreva,
47:57até que ela desistiu,
47:58mas ela pôs outra pessoa
47:59para me ligar,
48:00que aí eu me inscrevi
48:01para a menina parar
48:02de me ligar,
48:04e aí
48:06fez com que
48:07hoje
48:08eu seja
48:09o que ela é
48:09para mim.
48:11Então,
48:11isso é muito importante
48:12para nós,
48:13mulheres
48:13e homens também,
48:15porque não,
48:16você não inspira
48:17outros homens.
48:18Tenho certeza
48:19que muito jovem
48:21olha o trabalho
48:22de muitos homens hoje
48:23e fala
48:23eu quero ser igual a ele.
48:25vocês falam menos,
48:27mas a gente fala mais,
48:29a gente declara mais amor.
48:31Acho que isso é de nós mesmos.
48:32Obrigada, gente.
48:34Prazer estar aqui com vocês
48:35e espero voltar aqui.
48:37Adorei
48:38o Espírito Santo,
48:40principalmente aquele
48:41em Ares,
48:41que me recebeu
48:42e eu também.
48:43Obrigada.
48:48Pode deixar sua mensagem, Tati.
48:50Bacana.
48:52falando em relação ao prêmio,
48:53na verdade,
48:54quando eu me inscrevi
48:55para o prêmio,
48:56eu estava em busca
48:57de uma luz,
48:58de um direcionamento.
49:00Ainda dá tempo,
49:01até dia 20,
49:03eu ia falar dia 16,
49:04não,
49:04mas é até dia 20.
49:05Porque o que aconteceu?
49:07A pandemia me trouxe
49:08de volta para o interior.
49:09Na verdade,
49:10eu pulei essa parte
49:11da minha história,
49:11mas eu voltei a morar
49:13aqui em Lindenberg
49:14por causa da pandemia.
49:16Saiu correndo
49:17da cidade grande,
49:18eu tinha possibilidade
49:18de trabalhar home office,
49:20e fui fazer home office
49:21na fazenda.
49:24E aí foi onde eu falei,
49:25não,
49:25acho que aqui
49:26eu tenho que ficar.
49:28Então,
49:28eu estava em um período
49:29meio assim,
49:30fico, não fico,
49:31um pé lá,
49:32outro cá,
49:32será que eu consigo
49:33continuar tocando
49:34de lá de Campinas mesmo,
49:36ajudando?
49:37E aí,
49:38foi surpresa para mim
49:39ter ganhado o prêmio,
49:41porque,
49:41quando você preenche
49:42o formulário,
49:43o formulário pede
49:45todas as ações
49:45que você pratica
49:46na propriedade,
49:47relacionadas à gestão,
49:49sustentabilidade,
49:50enfim,
49:52porque eu não
49:53me enxergava
49:55como mulher,
49:56uma mulher à frente
49:57da propriedade,
49:58fazendo aquele trabalho
49:59todo de gestão.
50:00Eu estava lá atrás,
50:01junto com a minha mãe,
50:03no backstage,
50:04atrás do palco,
50:05o à frente da propriedade
50:07era o meu pai.
50:08Então,
50:09assim,
50:09como eu vou falar
50:10para o meu pai
50:10que eu ganhei um prêmio
50:12que valoriza a mulher
50:13que está à frente
50:13da propriedade?
50:14e eu estava até conversando
50:17com a Sônia
50:17um pouquinho antes
50:18sobre isso.
50:19Aqui no Estado,
50:20especialmente,
50:22a gente tem muito
50:23essa característica
50:24de pequenas e médias
50:25propriedades
50:26em que predomina
50:27a economia familiar
50:28e o homem
50:29está à frente
50:30da propriedade,
50:31não só burocraticamente
50:33inscrito,
50:34mas porque
50:35a coisa é posicionada,
50:38é desenhada
50:38dessa forma.
50:39E aí,
50:40quando eu ganhei
50:41o prêmio,
50:42eu vi mulheres incríveis
50:44como a Sônia
50:45que já tinha ganhado
50:46e tantas outras mulheres
50:48que estavam fazendo
50:49trabalhos espetaculares
50:52por esse Brasil afora.
50:53Eu sou a única ganhadora
50:55do prêmio
50:55daqui do Estado,
50:56então, por favor,
50:57meninas,
50:58se inscrevam,
50:59porque tem que trazer
51:01mais prêmio para cá.
51:04Então,
51:05o prêmio me ajudou
51:07a me enxergar
51:08como mulher,
51:09à frente da propriedade.
51:11Não à frente
51:11porque eu estava
51:13à frente do meu pai,
51:14mas porque eu estava
51:15do lado,
51:17fazendo tanto quanto ele,
51:18apesar de não ser eu
51:20quem estava
51:21na direção técnica
51:22da propriedade.
51:25Então,
51:26eu acredito muito
51:28no que a Sônia
51:29coloca também,
51:30a gente está,
51:31nós estamos
51:31onde nós realmente
51:32deveríamos estar.
51:34Então,
51:34já estive no Estado,
51:35na posição de filha,
51:36já fui para Campinas,
51:38já estive lá
51:38por dez anos
51:40estudando
51:40e agora retornei.
51:43Recentemente,
51:44tem dois anos
51:44que eu estou,
51:45três anos que eu estou
51:46na propriedade
51:47e com orgulho
51:49à frente da propriedade.
51:50Então,
51:51eu acho que a gente
51:52tem que se investir
51:53mesmo
51:54dessa camisa aí,
51:56porque nós estamos
51:57onde nós deveríamos estar.
52:00e é isso.
52:01Muito bom,
52:02gente.
52:03Muito obrigada
52:05a todos
52:06que assistiram aqui
52:06e assistiram também
52:07pela Gazeta.
52:09E esse evento
52:10eu acho que é maravilhoso
52:11para discutir
52:12tantas coisas importantes,
52:13não só da mulher,
52:14mas do agro,
52:15capixaba e brasileiro.
52:16Obrigada, gente.
52:17Valeu.
52:28Obrigada, gente.
52:30Vamos fazer agora
52:31aquela pausa
52:33para o almoço,
52:34Mário Bonela.
52:35Há uma praça
52:36de alimentação
52:37aqui, gente.
52:37Quem quiser que
52:39permaneça
52:39no local do evento.
52:41Obrigada pela presença
52:42agora pela manhã,
52:43mas retornaremos,
52:44viu?
52:45A partir das duas horas
52:47da tarde,
52:47retornaremos
52:48com a nossa programação.
52:50Obrigada a você
52:50que está aqui presencialmente
52:52e a você também
52:52que está acompanhando
52:54tudo pela internet.
52:55Até as duas da tarde, hein?
52:56Até daqui a pouco.
52:59Até daqui a pouco.
53:05Até daqui a pouco.
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