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  • há 2 dias
O telefonema de 50 minutos entre Luís Inácio Lula da Silva e Donald Trump entrou no radar do mercado. A conversa abordou crime organizado, Venezuela, segurança regional e economia, em um momento em que 20% das exportações brasileiras seguem atingidas por tarifas de 40%.

No Mercado de hoje, os economistas Ricardo Rocha e Laura Pacheco analisaram se o diálogo entre os dois líderes, a possível visita de Lula aos EUA e o tom diplomático podem influenciar o humor do mercado e a comunicação do Banco Central após a decisão da Selic. A avaliação é que, no curto prazo, a política monetária segue guiada pela inflação, mas avanços comerciais podem reduzir o risco percebido sobre o Brasil.

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Transcrição
00:00Outro assunto que eu quero trazer aqui, ainda envolve Trump, é a conversa que o presidente Luiz Inácio Lula da
00:05Silva divulgou ontem o Palácio do Planalto.
00:08Eles tiveram um telefonema de 50 minutos por volta das 11 horas da manhã, começou esse telefonema.
00:15Lembrando, tá gente, que eles falaram sobre vários assuntos, crime organizado, Venezuela, a segurança da região, a economia da região,
00:24falaram sobre a economia de cada um dos seus países, Estados Unidos e Brasil, mas lembrando que 20% das
00:30exportações brasileiras ainda tem o tarifácio de 40%, tá?
00:35O Trump retirou Lei Magnitsky de Alexandre de Moraes e da esposa, mas outros ministros ainda estão restritos e a
00:45gente tem os 20% das exportações brasileiras.
00:48E aí, eu quero perguntar a vocês dois, Ricardo e Laura, já contando aí com esse tom do comunicado do
00:56Banco Central,
00:57que virá amanhã, depois da decisão da Selic, quero perguntar aos dois, né?
01:02Isso influencia a decisão do Banco Central, essa conversa, essa possível visita do Lula aos Estados Unidos,
01:09influencia o mercado e qual é o peso que o mercado vai dar ao tom desse comunicado?
01:13Começo com o professor Ricardo Rocha.
01:17Olha, especificamente, na minha visão, para a reunião próxima, acho que nada vai influenciar,
01:23porque o Banco Central tem sido muito cauteloso, ele olha a convergência dos preços para o centro da meta,
01:31e essa reunião, a gente precisa de mais transparência por parte do governo federal,
01:38cada vez que ele tem uma reunião com o Trump, porque, de fato, a gente não sabe o que eles
01:42conversaram.
01:42Acho que tem um ponto importante, que é uma negociação que foi aberta,
01:48e há uma possibilidade de redução de tarifas, porque os Estados Unidos também precisam ter mais bons parceiros comerciais,
01:56e acho que ele percebeu que o saldo do comércio é positivo aos Estados Unidos,
02:00mas eu acho que o grande problema do Brasil não é bem do Brasil, é um alinhamento ideológico do presidente
02:08da República.
02:09O presidente da República, na minha opinião, ele esquece duas coisas importantes.
02:13Primeiro, que ele foi eleito com uma diferença de votos muito pequena,
02:17e segundo, que ele representa um país e não um partido político.
02:21E o que me parece é que ele continua insistindo na questão da Venezuela,
02:26e por isso que eu fiz até aquele trocadilho, os venezuelanos já esqueceram do Maduro,
02:31mas o Trump, o Lula, não.
02:32É algo que me surpreende.
02:34Outra coisa que me parece que não vai ter solução é o convite para o Brasil participar do grupo de
02:41paz lá de Gaza,
02:42acho que também, numa visão mais ideológica, não há nenhum interesse.
02:48Então, acho que isso não impacta na decisão do Copom.
02:53Obviamente que precisa ver se dessa conversa sai alguma coisa boa para nós,
02:58que seria redução de tarifa, algum acordo comercial mais favorável,
03:05lembrando que esse acordo com a União Europeia vai, mas não vai.
03:09Então, a gente também tem que entender que os Estados Unidos podem ser um bom parceiro comercial
03:16e explicar para o Trump que ele está sendo exagerado nas tarifas.
03:20Agora, eu posso ter a minha opinião sobre um tema, mas não preciso falar o tempo todo publicamente.
03:27Eu acho que o Lula percebeu que ele está meio que isolado na América do Sul,
03:35como o único governante que, de fato, questiona a decisão do Trump.
03:39Nem a Colômbia está fazendo isso mais.
03:41Então, eu acho que o Banco Central, sendo bem objetivo, não está preocupado em absolutamente nada,
03:47nesse momento, a não ser que desta reunião surja algum fato positivo
03:52que possa colaborar para um alinhamento de preço, diminuição da expectativa de risco do Brasil,
03:59entrada de dinheiro na Bolsa, enfim.
04:01Se virem notícias positivas, acho que sim, mas nesse momento acho que não.
04:05Acho não, eu afirmo que não.
04:07Laura, o que o mercado espera de tom nesse comunicado, nessa mensagem do Banco Central,
04:13logo depois da decisão da Selic, que será divulgado junto amanhã?
04:17Bom, eu concordo com o professor de que para essa decisão o impacto vai ser,
04:24não vai impactar na decisão da taxa de juros dessa semana,
04:29mas certamente vai haver algum parágrafo, alguma passagem na ata do COPOM,
04:34acredito que ali na ata da reunião vai mencionar alguma coisa relacionada a essa conversa,
04:41a essa reunião e dos possíveis desdobramentos ali, já cantarolando,
04:45que podemos aguardar para as próximas decisões.
04:49Um ponto muito curioso é que o ambiente ali da diplomacia política,
04:55a gente vê ali o representante, de um representante ali, de uma determinada posição ali como um governante,
05:01e ele tem que fazer ali aquela, botar aquela máscara do movimento ideológico
05:07que sustenta o posicionamento dele ali como chefe de Estado, né?
05:14Então a gente tem ali a figura do Lula, que, segundo o nosso entendimento,
05:20tem uma certa rivalidade com o Donald Trump.
05:22Porém, nos bastidores, existe ali a informação de que ele tem uma relação bastante diplomática
05:28com o Donald Trump nos bastidores, e bastante próxima, inclusive.
05:33O que não é de se querer fazer qualquer tipo de aposição,
05:37é porque a figura do Lula, eu vejo ele como uma figura muito articulada politicamente.
05:43Ao mesmo tempo que ele se mostra estar articulando de um lado,
05:48por trás, às vezes, ele está articulando no outro.
05:50E a gente não sabe, de fato, às vezes, porque a informação que chega para nós
05:54é o que é mostrado, mas o que acontece nos bastidores, às vezes, é um movimento um pouquinho diferente.
05:59Eu, inclusive, suspeito de que, ao passo que avançando a operação da captura do Maduro,
06:05eu acredito que o Lula talvez tivesse essa informação
06:08de que esse movimento estava acontecendo, de que estava havendo ali uma operação para a captura,
06:15e ele já estava até ali articulando com as suas movimentações políticas
06:19do como ele iria se posicionar, obviamente, para ser o mocinho da história.
06:24Por quê? Porque existe uma grande empatia à Venezuela?
06:26Não, porque a Venezuela é a maior reserva de petróleo do mundo.
06:29E aí, para poder se posicionar ali de forma diplomática, representando um país
06:35e também respeitando os seus parceiros comerciais,
06:39você tem que ter ali um jogo de cintura muito grande e já estar preparado para o discurso.
06:44Então, eu vejo que, de fato, para essa reunião, não vejo impactos concretos ainda.
06:52Para a próxima, pode até que ser que aconteça.
06:55Eu vejo também que o Donald Trump quis manter ali o seu posicionamento firme,
07:00até para não descredibilizar as ameaças, porque ele chegou ameaçando lá o tarifácio.
07:06E aí, ao passo que você vai vendo que não se cumpre, o cara perde credibilidade.
07:10Então, ele tem que cumprir também aquilo que ele fala para mostrar.
07:13Eu falo, eu cumpro e eu realmente realizo aquilo que eu falei.
07:18Então, eu vejo que existe essa figura toda que é feita dos chefes de Estado,
07:24mas nos bastidores as conversas acabam sendo muito diferentes
07:28daquelas que chegam, talvez, nas notícias.
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