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  • há 18 horas
A possível criação de uma CPMI para investigar o caso Banco Master reacendeu o debate sobre o uso político das comissões parlamentares em ano eleitoral.

No programa Ponto de Vista, o senador Carlos Viana (PSD-MG) rebate críticas sobre o desgaste das últimas CPMIs e afirma que é impossível separar investigação e ambiente político dentro do Congresso.

Durante a entrevista, o senador defende que a CPMI do INSS teve resultados concretos, apesar de não aprovar relatório final, e afirma que as investigações envolvendo o Banco Master podem atingir nomes tanto da direita quanto da esquerda.

O Viana também critica vazamentos seletivos, cita o áudio envolvendo Flávio Bolsonaro e defende uma investigação “visível” e transparente para evitar interferências políticas e judiciais.

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Transcrição
00:00Desculpe o ceticismo, mas eu preciso fazer essa pergunta.
00:03As duas últimas comissões parlamentares, a CPMI destinadas a investigar escândalos financeiros,
00:08a CPMI do INSS e a CPI do crime organizado, tiveram um andamento bastante tumultuado
00:13e terminaram de forma um pouco melancólica, porque nenhuma das duas conseguiu aprovar o seu relatório final,
00:18que é o objetivo de toda a CPMI, é no final ter um relatório para ser aprovado e para ser
00:23encaminhado para as autoridades,
00:25e as duas não conseguiram. E isso se deu em boa parte por conta do clima político eleitoral.
00:30Havia muita tentativa de exploração eleitoreira do episódio, inclusive nos dois relatórios, senador.
00:35O senhor me desculpe, o relator da CPMI do INSS virava muito o governo e o relatório da CPI do
00:40crime organizado
00:41virava o ministro do STF. Então, assim, isso não deu certo.
00:44O que faz o senhor acreditar que uma CPMI agora, no meio da pré-campanha eleitoral,
00:49há quatro meses e pouco da eleição, não vai ser contaminada pelo mesmo clima
00:54e não vai terminar da mesma forma melancólica?
00:57Olha, José Benedito, é uma pergunta muito boa para a gente poder conversar sobre os resultados.
01:04Primeiro, fugir do clima político é impossível.
01:06É uma casa política e aqui todas as forças, tanto ideológicas quanto partidárias,
01:12elas se convergem ou se opõem.
01:14Essa é uma realidade que cabe a quem está na presidência e na relatoria,
01:19da sequência técnica da investigação, e isso nós conseguimos fazer no INSS.
01:25Os dois relatórios, a CPMI do quanto o nosso, que você colocou bem,
01:32os alvos não estavam envolvidos?
01:36Não tinham explicação.
01:37Falar do INSS, que é o meu caso.
01:40Nós conseguimos pegar o sigilo do Lulinha, convocar o irmão do presidente da República
01:45e o que aconteceu, veio uma decisão do Supremo pedindo de dar sequência.
01:51E isso foi uma decisão de matar a CPMI.
01:55Só que tem dois pontos.
01:56Primeiro, nós conseguimos, por pressão política, porque essa é a nossa função,
02:02mostrar aí o que estava acontecendo.
02:03O desgaste ao governo Lula fez com que o presidente assinasse uma lei
02:08que prejudicou profundamente os sindicatos.
02:11Ninguém desconta mais de aposentado hoje.
02:13É resultado da CPMI.
02:15Segundo ponto, nós conseguimos, numa investigação, mostrar aos brasileiros
02:20quem estava envolvido, como roubou, onde foi parar o dinheiro,
02:24as implicações críticas.
02:25Só não conseguimos avançar nas quebras de sigilo de colegas meus do Senado, do Parlamento.
02:31Mas a população ficou sabendo o que aconteceu.
02:34Essa é uma das funções da CPMI.
02:36Outro ponto importante.
02:37Toda a nossa investigação, que eu digo para você com muita tranquilidade,
02:42estava mais avançada do que alguns pontos da Polícia Federal,
02:45que a Polícia Federal tem que fazer um inquérito embasado em várias situações técnicas, periciais.
02:51A nossa investigação estava muito à frente.
02:53Quando nós começamos a entrar na CPMI do Banco Master,
02:57nós já sabíamos do tamanho das implicações que nós teríamos
03:02de envolvimento de parlamentares, nos arquivos em que envolviam
03:06a ex-namorada, o pastor Zetel, a questão do Banco Master com o Crédito Sexta,
03:11a presença, a figura de Augusto Lima, os líderes do PT,
03:16ou seja, a investigação caminhava para o atual governo,
03:19que tem também implicações nessa questão.
03:22Hoje vazou um áudio específico com relação ao Flávio Bolsonaro,
03:27que ele tem que dar explicações, mas a investigação é muito mais ampla.
03:31Se nós tivermos uma investigação isenta, vão aparecer álbuns também envolvendo líderes da esquerda.
03:37O problema é que é um vazamento seletivo, num ano eleitoral,
03:41e você colocou muito bem, a questão política acaba gerando uma polarização.
03:47Polarização que nos impede de investigar corretamente,
03:50tomar decisões em nome do país corretamente, mas que é a realidade.
03:53O melhor é que a gente tenha uma CPM visível,
03:57onde as pessoas possam acompanhar, a imprensa possa divulgar livremente,
04:01sem nós tentarmos, como está hoje, um acordo em que é que está para as provas,
04:06e lá se derrubem as provas numa hipótese como aconteceu com a Lava Jato, José Werner.
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