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  • há 2 dias
Na cobertura especial de VEJA sobre a guerra no Irã, a pesquisadora sênior da Universidade de Kassel, Luiza Ceiroli, analisa os possíveis caminhos políticos para o país após a morte do líder supremo Ali Khamenei.

Segundo Ceiroli, prever o futuro do regime é extremamente difícil. O Irã é um sistema dual: combina uma estrutura republicana (com presidente e instituições civis) e uma estrutura religiosa, liderada pelo aiatolá e pelo Conselho de Guardiões.

📌 Pontos centrais da análise:

A sucessão do líder supremo só ocorreu uma vez desde 1979.

Já existiam cenários preparados para uma transição, mas não necessariamente em meio a um ataque militar.

Um conselho de liderança interino reúne figuras do Executivo, do Judiciário e do clero.

A Guarda Revolucionária mantém forte influência política e militar.

Ceiroli avalia que, no curto prazo, o regime tende a priorizar a sobrevivência institucional. Em momentos de ameaça existencial, sistemas autoritários costumam fechar fileiras para preservar estabilidade.

Ela levanta ainda a possibilidade de o conselho interino permanecer por um período mais longo, evitando a indicação imediata de um novo líder — o que poderia transformá-lo em alvo direto em meio ao conflito.

Para a pesquisadora, o que começa agora é um intenso jogo político interno, semelhante a um “conclave”, em que diferentes correntes do regime disputarão influência sobre a sucessão.

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Transcrição
00:00Agora, Luísa, uma outra questão é em relação ao futuro do Irã.
00:04Quais caminhos que a gente pode imaginar, porque a gente viu que tem agora um interino,
00:11um governo, um conselho que participa ali, o Ayatollah, também tem o chefe do judiciário
00:18e também, se não me engano, da Força Revolucionária.
00:23Como é que isso pode se dar na prática daqui a com o tempo?
00:26Quais podem ser os caminhos para o Irã?
00:30De governabilidade?
00:34Extremamente complicado de responder isso.
00:36Acho que quem conseguir te responder isso tem bode cristal ou está delirando.
00:39Porque, assim, com concreto, extremamente concreto.
00:43Por quê?
00:44O Irã é um regime dual, com um sistema presencial e um sistema religioso.
00:49O sistema religioso tem o Ayatollah, um líder supremo, e tem o conselho de guardiões.
00:54E essa troca de líder supremo aconteceu somente uma vez,
00:56que foi após a morte do Comerê.
01:00E agora a gente tem com a questão, o que vai acontecer?
01:04Ele era um líder de 86 anos, ou seja, já faz muito tempo que se imaginava que ele iria falecer
01:11de um momento,
01:11não necessariamente através de uma intervenção militar,
01:14mas já existia, certamente dá para cravar, que já existia pelo menos uma, duas ou três rotas
01:22de como é que vai ser a transição dessa liderança da parte religiosa,
01:27esse líder supremo, Ayatollah.
01:29Agora, o que a gente tem é um conselho de liderança temporário,
01:32que tem o presidente e tem membros do clérigo,
01:37membros do conselho de juristas e membros ligados ao judiciário,
01:40o Ejei, o Arafi e o Pechachkan.
01:43E o poder agora está meio administrativo na mão do Larinjani,
01:47que é uma pessoa de alto calão que está no governo já faz muito tempo.
01:50Eu não posso dizer o que vai acontecer,
01:52se eles vão decidir por um Ayatollah logo,
01:54ou se eles vão manter esse conselho de liderança temporário.
01:57Eu acho que agora o que a gente vai ver,
01:59principalmente quando esses bombardeamentos derem uma reduzida,
02:03quando isso acontecer, a gente ainda está vendo muito bombardeamento,
02:06tanto em Terran, quanto na região em geral,
02:09mas o que vai acontecer agora é um verdadeiro conclave político,
02:13um jogo político extremo, de tentar decidir como é que vai ser,
02:17quem vai conseguir ter a influência e o controle de decidir
02:19qual vai ser o tipo de liderança.
02:21E eu posso até te imaginar que durante um tempo
02:24vai se manter esse conselho temporário,
02:26até porque não apontar um líder significa apontar um alvo, talvez.
02:30Então, talvez eles mantenham por um tempo isso,
02:33porque o real objetivo agora do regime é sim,
02:37a vitória é resistir, digamos assim.
02:40O que aconteceu ontem, o que está acontecendo agora,
02:42é uma atual, uma sensação direta para o regime
02:46de uma ameaça assistencial,
02:47e quando o regime está com uma ameaça assistencial,
02:49o objetivo é sobreviver.
02:51E sobreviver vai se utilizar todo o aparato possível.
02:54Mas uma coisa que eu queria só apontar,
02:56já faz muito tempo, principalmente pelo empoderamento
02:59das forças revolucionárias, da IRGC,
03:02é que o Irã é um regime autoritário competitivo.
03:06Então, existem milhões, não, mas milhares de figuras,
03:09por mais que a gente já viu que entre hoje e ontem
03:11morreram em torno de 30, 40 figuras importantes,
03:14a gente não sabe exatamente os dados,
03:16de figuras de alto calão,
03:17tanto das forças armadas,
03:19quanto das forças políticas,
03:21que foram assassinados,
03:22mas existe a possibilidade de que eles vão continuar
03:25se fechando por um tempo
03:26para manter a estabilidade do regime,
03:28e talvez não agora, imediatamente,
03:32anunciar um novo e outro lado.
03:34Eu apostaria por aí,
03:36eu apostaria por um tempo,
03:37esse conselho de liderança temporário
03:39durar um tempo relativamente médio.
03:41Sim, é, é, claro que são só caminhos, né,
03:46a gente tentar ver, confirmar o que vai acontecer,
03:51é impossível, mas acho que é isso, né,
03:54são esses os caminhos aí que se apontou
03:56que podem ser o que vai acontecer no país.
03:59A gente conversou com a Luísa Serioli,
04:01que é pesquisadora sênior na Universidade de Kassel,
04:03na Alemanha, que fala, então, né,
04:05diretamente lá, sentindo o clima da Europa mesmo,
04:08de como que essa guerra no Irã repercutiu por aí.
04:12Obrigada e até uma próxima.
04:13Bom trabalho. Bom domingo.
04:14Imagina, obrigada.
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