- há 10 horas
Um dos grandes desafios atuais da sustentabilidade é o financiamento climático. Como direcionar dinheiro para empreendimentos e projetos que ajudam na mitigação e adaptação às mudanças climáticas? Em entrevista ao programa Veja+ Verde, Fabiana Goulart, vice-presidente de sustentabilidade da GEF Capital Partners, defende que o principal desafio da transição para uma economia de baixo carbono é ampliar a participação do setor privado no financiamento desse setor.
Gestora de private equity com foco climático, a GEF Capital Partners investe em empresas de médio porte que já possuem operação consolidada e potencial de crescimento. Diferentemente dos fundos de venture capital, voltados para startups em estágio inicial, o private equity trabalha com menos empresas e uma atuação mais próxima da gestão. Segundo Fabiana, a estratégia envolve não apenas o aporte financeiro, mas também a profissionalização da companhia, o fortalecimento da governança e a expansão comercial. Hoje, a plataforma administra cerca de 2 bilhões de reais no Brasil e aproximadamente 2 bilhões de dólares globalmente.
Os critérios de investimento da gestora combinam desempenho financeiro e impacto climático. A executiva explica que a empresa evita negócios em estágio inicial e prioriza companhias com receitas recorrentes, margens positivas e capacidade de escala. Ao mesmo tempo, exige que a atividade principal da empresa tenha contribuição concreta para mitigação ou adaptação às mudanças climáticas. “Precisamos realmente garantir que a atividade core do negócio gere adicionalidade climática e está alinhada com os principais desafios do contexto brasileiro”, afirma.
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Gestora de private equity com foco climático, a GEF Capital Partners investe em empresas de médio porte que já possuem operação consolidada e potencial de crescimento. Diferentemente dos fundos de venture capital, voltados para startups em estágio inicial, o private equity trabalha com menos empresas e uma atuação mais próxima da gestão. Segundo Fabiana, a estratégia envolve não apenas o aporte financeiro, mas também a profissionalização da companhia, o fortalecimento da governança e a expansão comercial. Hoje, a plataforma administra cerca de 2 bilhões de reais no Brasil e aproximadamente 2 bilhões de dólares globalmente.
Os critérios de investimento da gestora combinam desempenho financeiro e impacto climático. A executiva explica que a empresa evita negócios em estágio inicial e prioriza companhias com receitas recorrentes, margens positivas e capacidade de escala. Ao mesmo tempo, exige que a atividade principal da empresa tenha contribuição concreta para mitigação ou adaptação às mudanças climáticas. “Precisamos realmente garantir que a atividade core do negócio gere adicionalidade climática e está alinhada com os principais desafios do contexto brasileiro”, afirma.
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NotíciasTranscrição
00:01Transição. Tem a ver com o trânsito, tem a ver com mudança e também tem a ver com a Juliana.
00:06E com essa pedra aqui ó, o níquel.
00:09O níquel é essencial em vários tipos de bateria, nas placas solares ou nos carros elétricos.
00:15E tudo isso tem a ver com o papel da Vale para acelerar essa tal de transição energética.
00:21Essa é a mineração que pensa no hoje e no amanhã.
00:24Essencial para todos. E se é essencial para você, tem a ver com a Vale.
00:30Olá, eu sou o Diogo Schelp, editor da Veja Negócios e esse é o programa Veja Mais Verde.
00:35Um dos grandes desafios atuais de sustentabilidade é o financiamento climático.
00:41Como direcionar dinheiro para empreendimentos e projetos que ajudam a mitigação e adaptação às mudanças climáticas.
00:49Esse é o tema do nosso episódio de hoje.
00:52Veja Mais Verde.
00:55Um oferecimento Vale.
01:00Olá, hoje nós vamos falar com Fabiana Goulart da DIF Capital.
01:05Fabiana, obrigado por aceitar o nosso convite para a entrevista.
01:07Um prazer enorme estar aqui hoje com você.
01:10A Fabiana, ela é vice-presidente de sustentabilidade da DIF Capital.
01:14E uma curiosidade, né Fabiana, você também é descendente distante, digamos, do Santos Dumont?
01:21Sim, sim, eu sou da família do Santos Dumont.
01:25Muito bem, mas hoje nós vamos falar sobre sustentabilidade, né?
01:28E tem muito a ver com a questão das tecnologias que vêm surgindo, das empresas, dos negócios que vêm surgindo,
01:35buscando soluções, né?
01:37A gente faz essa conexão aí com o Santos Dumont, que também fazia isso, né?
01:41Eu queria começar do básico. O que é exatamente um fundo de investimento que faz o que a DIF Capital
01:49faz?
01:49Legal. A DIF Capital, ela é uma gestora de Private Equity.
01:54E gestoras de Private Equity, elas fazem investimento em empresas, normalmente de médio porte, empresas de capital fechado,
02:02que elas têm potencial de transformação e de crescimento ao longo do tempo.
02:06Então, basicamente, o retorno do acionista, ele vem desse crescimento ou dessa melhoria de margens, né?
02:13Então, a empresa, ela crescendo e conseguindo operar de uma forma financeiramente mais rentável, ela gera o retorno desse acionista.
02:23Diferente de outros fundos de participação, que até são muito... a gente conhece muito, fala bastante de Venture Capital.
02:31Os fundos de Venture Capital, eles acabam operando com uma lógica muito mais a nível de quantidade,
02:37porque eles operam em maior risco e em mais quantidade.
02:40O Private Equity, ele tem realmente o privilégio, digamos assim, de trabalhar concentrado em poucas operações,
02:47então, com poucas empresas no portfólio, porque a característica da empresa, do perfil da empresa,
02:53ela acaba sendo uma empresa que já tem um histórico consolidado, ela apresenta menos risco
02:59quando comparado a uma empresa de estágio inicial.
03:01Então, o posicionamento da gestora é também um posicionamento que não é tão passivo.
03:06A gente consegue, como fundo de investimento, trabalhar, ser bem ativo, bem próximo da empresa investida.
03:13Então, fornecer não só o capital, mas também outras formas de agregação de valor para esse investimento.
03:20Então, profissionalização, conhecimento, conexões e por aí vai.
03:23E qual é o critério para a escolha das empresas do portfólio?
03:26Bom, a gente tem dois ângulos, né, porque a GF Capital, ela é um fundo que ele é de Private
03:33Equity,
03:34mas para além de ser Private Equity, a gente também tem um foco climático.
03:37Então, a gente tem critérios tanto no que tange as características, né,
03:42que representam ali um potencial de bom retorno financeiro,
03:45quanto também o que são nossos critérios para garantir que são investimentos
03:50que trabalham com os principais desafios hoje no que tange a clima no Brasil.
03:56Então, do ponto de vista financeiro, a gente basicamente não assume risco early stage, né?
04:01Então, são empresas que já têm realmente um histórico de operação,
04:05já têm anos ali conseguindo manter um crescimento consolidado, margens positivas,
04:11então, que dão para a gente uma segurança a nível de consistência operacional
04:16e que a gente entende que a gente de fato consegue entrar e agregar valor
04:21para realmente chegar nessa valorização que eu comentei logo no início.
04:25Então, em suma, seria realmente garantir esses aspectos que estão aderentes ao perfil de risco
04:30que a gente normalmente investe.
04:32E da parte de climática, a gente precisa realmente garantir que a atividade core
04:38do negócio que a gente está investindo, ela de fato gera adicionalidade climática,
04:44ela de fato está alinhada com o que é prioridade para os desafios climáticos no contexto brasileiro.
04:49E aí, isso a gente consegue analisar com uma série de subcritérios, assim,
04:54que a gente pode entrar em mais detalhes se você quiser.
04:57Você pode dar um exemplo de uma empresa que está no portfólio de vocês e o que ela faz?
05:01Claro. A gente tem, eu vou trazer como exemplo, né, a gente fala de case dentro do Private Equity,
05:10quando a gente consegue fazer a trajetória completa, né?
05:13Então, a gente faz um bom investimento logo de início, consegue fazer a agregação de valor
05:19e depois consegue fazer uma saída, uma venda de sucesso.
05:22Então, vou contar um case da Automa, que foi uma empresa que a gente acabou de fazer a venda agora
05:29no início do ano.
05:30A Automa, ela é uma empresa de soluções digitais para plantas renováveis,
05:37então, realmente, fazendas solares e hidrelétricas.
05:43E eu gosto de explicar a agregação de valor dela para os clientes usando o paralelo de um carro.
05:51Então, vamos supor, quando você está dirigindo um carro e você coloca no piloto automático,
05:56um dos grandes benefícios é justamente a economia de energia, a economia de gasolina.
06:01Então, o piloto automático, ele tem essa inteligência de saber justamente o quanto acelerar e o quanto diminuir
06:08para justamente evitar aceleradas e freadas desnecessárias, né?
06:13Então, isso que faz a economia da gasolina no final.
06:16A Automa, ela opera como um piloto automático para essas grandes plantas renováveis, né?
06:21Então, ela garante que elas estão fazendo o melhor uso do despete de energia dentro do grid brasileiro.
06:27E é legal, é um case, porque a gente fez um investimento em 2022.
06:30A gente conseguiu fazer a agregação de valor, então, a gente conseguiu montar uma equipe de lideranças executivas,
06:39instituiu toda a parte de conselhos, comitês, conseguiu desenvolver uma boa estratégia comercial
06:45e elencar as receitas, aumentar as receitas dentro do contexto brasileiro e também fazer a expansão internacional.
06:52Então, a gente fez a saída hoje já conseguindo quase triplicar a receita e concluir a saída para um estratégico
06:59norueguês.
07:00Então, é...
07:01Quer dizer, a saída que você fala, a empresa agora está sendo vendida para outro grupo, é isso?
07:05Isso, perfeito.
07:06E, justamente, é isso que caracteriza o que um fundo de private equity em clima faz, né?
07:11Então, a gente fez a aquisição de uma empresa que a gente via bastante potencial,
07:15conseguiu fazer essa transformação a nível de gestão, fazer a empresa crescer a nível de receita de forma relevante,
07:22conseguiu dar as melhores práticas a nível de governança, de gestão socioambiental
07:26e aí fez a venda para um estratégico, dando, assim, pro fundo tanto o retorno financeiro
07:33para o acionista, como também as externalidades positivas que o próprio produto da Automa gera, né?
07:39Porque uma vez que você aumenta o output dessas plantas renováveis,
07:44você está também contribuindo com a redução de emissões no contexto brasileiro.
07:48Fabiana, você pode dar um exemplo de como que esse sistema melhora a eficácia nas plantas solares?
07:55Então, justamente, hoje, quando você tem o despete de energia dentro do grid,
08:01é justamente porque as plantas solares, né, ou mesmo as hidrelétricas,
08:07elas não têm esse controle, como eu expliquei e dei o exemplo do carro,
08:12elas acabam realmente desperdiçando porque o próprio grid não consegue receber,
08:17às vezes, o volume que ela está implementando.
08:18Então, essas soluções, que elas aumentam a flexibilidade,
08:22conseguem, justamente, calcular qual é o percentual necessário
08:25que deve ser colocado para não ter desperdício,
08:28é o tipo de solução que a Automa oferece.
08:30Os fundadores, como ficam nesse processo, né?
08:34Durante, né, depois de receber os investimentos,
08:38qual a participação que eles passam a ter na empresa?
08:40Legal.
08:41Dentro do contexto de Private Equity,
08:43isso vai depender bastante do quantos porcento você está comprando da empresa, né?
08:47Então, a gente tende, a nossa preferência sempre é por ser um minoritário relevante,
08:53então, a gente compra uma participação para garantir que a gente consiga realmente
08:59ter uma vivência próxima com o sócio,
09:01garantir que a gente consiga, de fato, fazer uma agregação relevante,
09:05então, ter discussões boas no conselho,
09:07mas sem, também, tirar a autonomia hoje e a visão que hoje ele tem para o negócio.
09:14Então, no caso da Automa, foi justamente isso.
09:16Eu já ouvi de alguns empreendedores que eles sentem que a jornada empreendedora,
09:23ela acaba sendo como um videogame com várias fases, né?
09:27Então, é natural que se chegue até uma fase onde que o limite do conhecimento
09:33e das soluções que eles têm dentro da caixa de ferramentas,
09:36ele chega num certo nível de estresse.
09:38Então, geralmente, a busca também pelo sócio,
09:41um sócio como o de Private Equity,
09:43ele vem de um certo desejo de compartilhar os desafios
09:47e conseguir ter apoio para essa profissionalização
09:50que já não é tão óbvia mais.
09:52Tá. Me fala valores, quer dizer,
09:55quanto de recursos vocês têm alocados aqui no Brasil?
09:59A gente está com...
10:00Legal a pergunta, porque acho que não dei esse contexto,
10:04mas a GF é uma plataforma global.
10:06Então, a gente opera Estados Unidos, Índia, Brasil.
10:10No Brasil, a gente está com aproximadamente 2 bi de real de recursos sobre gestão.
10:17E no mundo, considerando o todo, a gente está falando de 2 bi de dólar.
10:21Tá. Como que a GF foi por esse caminho, né?
10:25De apostar em fundos, quer dizer, de ser um fundo climático
10:30e de apostar em empresas que têm essa vertente?
10:34A GF nasceu do legado do que foi uma das primeiras casas
10:40que começou a falar sobre investimentos sustentáveis no mundo,
10:44que se chamou Global Environmental Fund.
10:46Nasceu lá nos Estados Unidos, lá na década de 90,
10:49e realmente foi esse desafio de colocar o aspecto de sustentabilidade
10:53dentro de um contexto de investimento tradicional.
10:57O Global Environmental Fund veio para o Brasil ali por 2013.
11:02A gente fez um management buyout, que realmente foi a...
11:07Os sócios compraram a operação da gestora
11:10e aí que realmente se instituiu a GF Capital Partners, né?
11:13Ou então consolidando nessas três regiões.
11:16Então, já veio de um legado existente e todas as regiões,
11:19todas as operações, elas seguem esse mesmo critério
11:22que é de investimentos em private equity, investimentos em empresas com alinhamento climático.
11:27São empresas de médio porte?
11:29Isso.
11:29De médio porte.
11:30Que significa que tem um faturamento de até quanto, mais ou menos?
11:33A gente fala aqui entre 200 milhões até 1 bi de reais de receita.
11:42E os investidores, no fundo, eles são majoritariamente estrangeiros?
11:48Qual é a fonte dos recursos?
11:49Bom, hoje os investidores, a gente tem desde...
11:52A grande maioria, o perfil, são bancos de desenvolvimento
11:56que eles seguem tendo esse apreço pelo retorno financeiro,
12:00mas também uma preocupação já aonde que o dinheiro está sendo alocado, né?
12:04Então, essa preocupação para além do retorno financeiro, qual que é a adicionalidade climática.
12:09Então, a gente tem desde casos como o BNDES aqui no Brasil,
12:13como também outros bancos de desenvolvimento, como o Banco de Desenvolvimento Europeu,
12:18o Banco de Desenvolvimento Japonês, a Proparco, a Agência de Desenvolvimento Francesa,
12:23entre outros investidores também de famílias empresárias que estão já alinhados com esses dois grandes objetivos.
12:31Fundos públicos também?
12:33Como sim, fundos públicos?
12:35Digamos, recursos de fontes públicas, governamentais?
12:40É, hoje o BNDES.
12:41O BNDES, no caso, e de fora do Brasil?
12:44É, de fora do Brasil são essas agências de desenvolvimento também.
12:47São as agências de desenvolvimento também.
12:48Existe, por exemplo, uma tentativa de atrair, por exemplo, fundos de previdência,
12:56outras grandes fontes de recursos?
13:00Atualmente, a gente tem relacionamento, contato, mas atualmente o foco dessas outras agências
13:08tem sido outros tipos de ativo que não o de private equity.
13:13Há uma novidade também relacionada ao Fundo Verde da ONU. Você pode explicar um pouco sobre isso?
13:18Claro. O Fundo Verde do Clima, conhecido também como Green Climate Fund,
13:23ele é a maior iniciativa hoje para investimento em operações com alinhamento climático.
13:30E hoje a GF Capital, a gente está com um programa em andamento
13:34que acabou de ter a confirmação da participação do Fundo Verde do Clima,
13:39o que é um marco muito relevante porque é a primeira vez que um fundo de private equity brasileiro
13:45consegue esse tipo de participação.
13:47Então, acho que ter essa validação institucional reforça como que o Brasil está preparado
13:54para receber esse tipo de investimento, ele está demonstrando realmente potencial
13:57tanto a ponto de clima como também financeiro.
14:00É realmente um endosso muito grande vindo do fundo que representa o Acordo de Paris.
14:05Muito bem. Nós vamos para um rápido intervalo e já voltamos.
14:08Veja mais verde. Um oferecimento vale.
14:27Voltamos com a entrevista com Fabiana Goulart da GF Capital.
14:31Fabiana, eu queria saber sobre os critérios.
14:35A gente falou um pouco sobre os critérios no primeiro bloco, mas eu queria saber o seguinte.
14:38Nós temos em SG inúmeras formas de medir o impacto das ações e dos negócios.
14:46O que vocês usam?
14:48Quais são os parâmetros de fato para vocês avaliarem que uma empresa tem uma contribuição importante
14:56e não é apenas marketing, digamos assim?
14:59Perfeito.
15:00Bom, eu diria, Diogo, esse é um assunto muito importante de se discutir, né?
15:05E eu diria que, assim, todo veículo que esteja com essa preocupação climática,
15:10em suma, ele deveria se preocupar com três grandes pontos, né?
15:14O primeiro, ele é um princípio que ele foi bem difundido em contexto europeu,
15:19que eu traduziria como não fazer danos, né?
15:21O do no harm, que ele parte do princípio que você,
15:25antes de você fazer o investimento climático, você precisa garantir que não tem nenhum tipo de externalidade negativa
15:32aferindo outras esferas, né?
15:34Então, não adianta se investir numa planta de energia renovável,
15:38sendo que essa operação está gerando perda de biodiversidade ou algum efeito a nível social.
15:43Então, a gente começa por esse pilar.
15:47Quando o investimento, a gente vai avaliar uma empresa, a gente faz uma diligência específica
15:51com especialistas, utilizando o padrão ouro, né?
15:55Que é a salvaguarda do Banco Mundial,
15:58para entender, realmente abrir a cozinha e entender como que a operação
16:02ela está performando dentro dos aspectos socioambientais, né?
16:05Então, a níveis trabalhistas, a níveis considerando biodiversidade, comunidades tradicionais, todo o espectro.
16:12Uma vez que a gente faz essa diligência, a gente entende todos os aspectos que a gente precisa
16:18trabalhar durante o período de investimento para garantir que essa empresa,
16:22ela esteja de acordo com o padrão ouro, né?
16:25De governança socioambiental.
16:28Então, esse é o primeiro ponto.
16:29O segundo ponto, ele é o alinhamento climático.
16:33Então, como se faz alinhamento climático?
16:35Há muito tempo atrás, a gente...
16:37Era até um trabalho bem pesado, porque você precisava, primeiro, garantir que você estava
16:42vendo um problema relevante, né?
16:44Que você estava tratando de um problema relevante.
16:45Depois, entendendo que esse problema, realmente, não tem soluções, hoje, para solucioná-lo.
16:50E aí, entendendo que a operação daquela empresa que você está investindo, de fato, soluciona esse problema.
16:55Então, era quase um trabalho de tese, né?
16:58Hoje, dado que o investimento climático cresceu muito, a gente já tem um senso comum.
17:03Eles são formalizados em taxonomias, classificações.
17:06Então, é muito usada a taxonomia europeia.
17:09A gente teve, agora, o lançamento da taxonomia brasileira.
17:12Então, a gente segue algumas taxonomias e também frameworks que esses próprios investidores
17:17que acabam investindo na GF, eles exigem para dar conforto para eles que, de fato, a gente
17:24está falando de investimento climático.
17:26E, por fim, o último pilar, é talvez o pilar que ele esteja mais em alta, ele está
17:31começando a ganhar muita força, que é, antes, você falar que esse investimento
17:36renovável era, é, é, climático já bastava.
17:40Agora, basta, você também, você precisa também pensar no quanto, né?
17:44É sobre adicionalidade, eficiência e eficácia.
17:47Então, o investidor, ele está passando a se perguntar, não só para cada real que
17:52eu invisto, o quanto ele está me gerando de retorno financeiro, mas também o quanto
17:56que ele está me gerando de retorno climático.
17:58Então, se eu tenho dois fundos e um me gera duas emissões evitadas e o outro me gera quatro,
18:04esse quatro vai ser mais interessante, dado mesmo o retorno financeiro.
18:07Então, essa parte, essa última parte, a gente também trabalha com as empresas,
18:12garantindo que eles têm metodologias verificáveis de mensuração de impacto.
18:16Então, para investimentos em mitigação, a gente está falando de emissões evitadas,
18:21para adaptação a realmente beneficiários e também que garante toda uma robustez a nível
18:28de mensuração e verificação, para que a gente consiga reportar com segurança esses resultados.
18:33Fabiana, quais são os setores que estão aí no radar de vocês?
18:37Bom, a gente fez um estudo justamente para garantir que os setores que a gente olhava,
18:44eles apresentassem tanto esse potencial de retorno financeiro, quanto estivessem alinhados
18:49com as principais oportunidades climáticas do contexto brasileiro.
18:53Então, em suma, eu diria que são três grandes setores.
18:56O primeiro deles é energia limpa.
18:59Então, aqui a gente está falando renováveis, sistemas de aumento de flexibilidade,
19:04então baterias, sistemas de eficiência, até mobilidade de baixo carbono.
19:09O segundo, soluções urbanas.
19:12Então, aqui entra tudo que vai deixar os centros urbanos mais resilientes também
19:16no contexto de adaptação climática.
19:18Então, a gente está falando de saneamento, resíduos e também indústria de baixo carbono.
19:26E por fim, talvez o setor que seja mais relevante do ponto de vista de emissões no contexto brasileiro,
19:33a gente não pode falar de redução de emissões sem falar de agricultura e uso do solo.
19:38Então, tudo que é o ecossistema que está envolto desse subsetor,
19:42então biofertilizantes, agricultura de precisão são atividades que a gente tem olhado com muito cuidado aqui dentro.
19:50Quantas empresas vocês têm no portfólio, assim, simultaneamente, digamos assim?
19:54Hoje, a gente tem dois fundos em operações.
19:57Eles tinham um total de 14 empresas e agora a gente está com nove porque fizemos algumas saídas.
20:03Fizeram algumas saídas e tem planos aí pela frente, né?
20:06Sim.
20:07Quando vocês começam a exigir dados, metas, resultados, vocês encontram resistência?
20:13Por exemplo, quando há uma situação em que os fundadores continuam ali atuando?
20:19Assim, não diria que é bem uma resistência, só que a parte da mensuração, ela realmente dá muito trabalho.
20:26Então, não é realmente uma resistência no sentido de ser filosoficamente contra,
20:32é só de priorização de esforços e por isso que a gente entendeu que parte desse trabalho
20:38ele teria que também ser uma agregação de valor da própria DIF, né?
20:41Porque tem conhecimentos que é muito difícil você esperar que a própria empresa tenha, né?
20:47Então, uma empresa de médio porte dentro do Brasil, você já ter uma área de sustentabilidade
20:52super formalizada, com os melhores padrões, não é uma expectativa muito realista.
20:56Então, esse é o tipo de coisa que no pós investimento, uma das pautas que a gente trabalha
21:02com muita proximidade das investidas é justamente essa, de gestão socioambiental que inclui também
21:09mostrar para eles todos os indicadores que eles precisam ser mensurados,
21:13mostrar como que se faz de fato essa implementação e garantir essas agendas de verificação, auditoria, enfim.
21:19É mais difícil criar uma cultura de sustentabilidade numa empresa média ou numa empresa grande?
21:26Nossa, excelente pergunta. Eu diria que assim, para mim, a variável que mais influencia
21:33é o quanto de alinhamento a gente tem com os tomadores de decisão, independente se é médio ou grande.
21:39Isso até é um aprendizado que a gente teve durante a seleção dos processos de investimento,
21:45que o alinhamento, pautar que isso vai ser uma pauta do pós investimento e que a gente vai trabalhar
21:51a mensuração, a gente vai trabalhar com esse plano de ação que é uma pauta muito cara para a DIF,
21:57são pontos que a gente traz desde a primeira conversa de investimento, né?
22:00Então, contar um pouco da DIF, que a gente é um fundo de clima e que a gente trabalha com
22:03esses parâmetros,
22:04justamente para a gente entender o quanto que os potenciais, os futuros sócios,
22:09eles já estão comprados com essa agenda no início.
22:11Então, acho que é menos sobre tamanho de empresa e mais sobre compromisso dos sócios atuais com o que a
22:19gente está propondo.
22:20Além da questão de redução de emissão, que é sempre uma centralidade nessa parte da preocupação climática,
22:31o que se pode imaginar, assim, dos setores mais promissores na parte de adaptação,
22:37que também é um tema que foi muito discutido, inclusive, na última cópia?
22:41Legal. Até dando um passo para trás, né?
22:43Para garantir que a gente está partindo do mesmo ponto de início.
22:47Então, mitigação, realmente, quando a gente olha para mitigação,
22:51a gente está olhando para atividades, né?
22:53Empresas que façam atividades que elas consigam diminuir o grau de emissões,
22:57então, é sobre atuar sobre o que causa o aquecimento global,
23:00e adaptação é sobre atuar sobre os efeitos do aquecimento global, né?
23:05Então, por mais que a gente está fazendo os melhores esforços para evitar que ele aconteça,
23:10a gente já está sofrendo com o aumento de temperatura.
23:12Então, a gente já tem consequências que a gente está sofrendo que a gente precisa de investimento
23:18para garantir que as sociedades, as cidades, as infraestruturas,
23:23elas se tornem mais resilientes para essa mudança.
23:25Então, do ponto de vista de adaptação, a gente vê...
23:30Ele é um conceito completamente geográfico, né?
23:33Então, a adaptação, ela...
23:35Se precisa entender, justamente, quais que são as ameaças dentro de um contexto geográfico,
23:41como que aquela região está exposta, qual que é a capacidade dela de reagir,
23:46e aí sim entender qual que são as possíveis soluções, né?
23:50Então, dentro disso, a gente olha para o Brasil, a gente tem realmente inúmeras ameaças climáticas.
23:56Então, claro, pegando, por exemplo, o aumento de temperatura,
23:59ele vai realmente causar estresse térmico, estresse hídrico,
24:03e isso vai afetar, por exemplo, plantações, né?
24:08Então, a gente precisa de um manejo mais eficiente, mais sustentável de água.
24:13Então, tudo que canje as tecnologias que estão conseguindo melhorar a adaptação,
24:18nesse sentido, a gente tem olhado com muito cuidado.
24:21E, em especial, falando um segmento específico, a pauta de saneamento, né?
24:25Dentro do contexto brasileiro.
24:28Quer dizer, um investimento em saneamento seria condizente com a tese de investimento de vocês?
24:36Sim, sim, super.
24:38Então, até por entender que a gente precisa cada vez mais do uso eficiente de água,
24:44e a gente conseguir ter soluções que diminuem a pressão por esse recurso natural,
24:49ele acaba corroborando com muita parte da geografia brasileira, né?
24:54Tá. Você esteve também na COP30?
24:58Sim.
24:58Imagino que sim.
24:59A gente estava lá e um dos temas muito importantes era a questão do financiamento climático,
25:04que, enfim, é um tema no qual vocês se inserem, né?
25:07Acompanhando as discussões na COP30, você acredita que houve um avanço em relação a isso,
25:12em relação ao tema do financiamento climático?
25:14Com certeza.
25:16Eu acho que, assim, o grande desafio hoje no que tem o contexto brasileiro,
25:22ele é um desafio de envolvimento do setor privado na pauta, né?
25:26Porque a gente tem hoje o que a gente chama de um premium de risco distorcido, né?
25:33Então, a IODF é um caso clássico que consegue comprovar que é possível gerar retorno de mercado,
25:39então a gente não abre mão de retorno para fazer esses investimentos,
25:42e, além disso, gerar adicionalidades climáticas.
25:45E isso acaba sendo muito difícil para o mercado privado, nem todo mercado privado ele aceita, né?
25:54Ele ainda acaba entendendo o investimento climático como um investimento que,
25:58por natureza, ele teria um grau de risco maior, o que não se comprova na prática, né?
26:03Então, hoje, quando você olha para o Brasil, a gente é diferente de outros países
26:08que eles, de fato, não têm mercados financeiros desenvolvidos ou que eles têm certos problemas de liquidez,
26:14problemas, realmente, de soluções para serem investidas, não é o nosso caso.
26:18No nosso caso, a gente consegue, sim, ter um pipeline bom, a gente consegue alocar esse capital
26:22e, realmente, um dos objetivos, inclusive, com esse novo programa
26:26que a gente está lançando junto ao Fundo Verde do Clima
26:29é mostrar e conseguir fazer esses cases para que o mercado privado cada vez mais entenda
26:35que é possível você olhar a classe de investimentos climáticos como uma composição de portfólio
26:40que não afeta o retorno total, né?
26:44Ou que não afeta ou que não contradiz, né, digamos assim, uma estratégia que busca rentabilidade, né?
26:51Exatamente.
26:52Porque, assim, a gente vê isso...
26:55É quase como se investir em meio ambiente, você vai me dizer se isso é verdade ou não,
27:01eu estou aqui loucubrando, né, se investir em sustentabilidade, em soluções climáticas
27:06fosse uma filantropia, né, e não um negócio.
27:10É mais ou menos por aí?
27:11É, porque, assim, dentro do espectro impacto e retorno, você tem diversos tipos de veículos.
27:20Você vai ter veículos que são puramente filantrópicos
27:23como você vai ter veículos que são puramente voltados a retorno financeiro.
27:27O ponto é, existem veículos que conseguem gerar o retorno financeiro ajustado ao mercado
27:35e gerar essas adicionalidades, um sem abrir mão do outro.
27:39E é esse o ponto, uma vez que a gente consegue mostrar isso, né,
27:44principalmente para o mercado privado ter aderência desse tipo de produto,
27:50a gente consegue solucionar o que hoje é uma das principais travas
27:53quando a gente fala de bater as metas climáticas, que é o gap de financiamento, né.
27:57Então, quando você olha para o gap de financiamento, o dinheiro hoje de banco de desenvolvimento,
28:02ele não vai ser suficiente para a gente conseguir, de fato, fazer uma transição
28:06para uma economia de baixo carbono.
28:08A hipótese que a gente não chega numa calamidade climática
28:11é o envolvimento do mercado privado.
28:13E para isso você precisa de produtos como o que a gente está estruturando, né.
28:18Então, aqui é mais para distinguir que sim, tipo, é possível fazer esse tipo de produtos
28:22apesar de que existem outros produtos com características filantrópicas
28:26que eles são igualmente importantes para financiar coisas que um produto como o nosso
28:31não vai conseguir financiar.
28:32Tem certas tecnologias bem nascentes, né, que você precisa de um capital ultrapaciente
28:37que ele está realmente disposto a ser fundo perdido mesmo
28:40para conseguir fazer a transição dessa tecnologia para um grau de maturidade maior mesmo.
28:46E somando-se ao trabalho que vocês fazem, existe, eu imagino, uma preocupação também cada vez maior
28:53de fundos de investimento ou de investidores em geral
28:59em saber se aqueles ativos, né, que eles estão adquirindo
29:02são de empresas que têm uma preocupação com a sustentabilidade, né.
29:08Pode não ser o seu core business, né, como você falou, mas que estão...
29:11Quer dizer, você vê isso acontecendo, essa preocupação crescente...
29:16Você disse sobre a governança em si do...
29:17Sobre a governança das empresas e o olhar que elas têm, né,
29:21para que o negócio delas tenha um impacto cada vez menor, né.
29:25Exato, perfeito. Então, é até interessante você ter falado isso, Diogo,
29:30porque, inclusive, um dos debates da COP foi justamente, né,
29:34como que a gente sempre fala sobre o gap de financiamento
29:36no sentido de simplificar em um número o quanto que a gente precisa
29:41para fazer essa transição para uma economia de baixo carbono,
29:44mas que, na real, se a gente não mudar a nossa forma de operar
29:47para uma maneira mais inclusiva, mais sustentável, a gente vai continuar no mesmo lugar.
29:52Porque a gente vai tampar esse buraco, mas vão surgir outros, né.
29:56A nossa filosofia de operação, ela já não está certa por natureza.
30:00Então, não adianta a gente falar de investimento com adicionalidade climática
30:04sem a gente falar, realmente, de uma governança responsável, né, e inclusiva.
30:09Então, hoje, isso, eu diria que, assim, a demanda que eu tenho desses investidores institucionais
30:15para alinhamento climático, ela é tão pesada quanto da gente instituir no pós-investimento
30:20realmente uma gestão socioambiental com um padrão super elevado.
30:25Ela, eu diria que é o mesmo grau de preocupação.
30:27Então, hoje, a gente também é uma pauta caríssima de quando a gente busca essas empresas,
30:31e eu diria que é algo que está cada vez mais se tornando comum,
30:36até porque uma boa gestão socioambiental, uma boa governança,
30:39ele também, ele é quase um preditivo de melhores retornos, né,
30:43porque você tem aí um melhor mapeamento de risco
30:45e consegue, realmente, garantir uma sobrevivência maior, né, do empreendimento.
30:53Existem outras gestoras que fazem exatamente o mesmo trabalho que vocês no Brasil?
30:57Sim, sim. A gente tem, hoje, algumas gestoras já também olhando só para a pauta de clima.
31:04Então, a gente tem a EB Capital, a gente tem a Just Climate.
31:11Então, a Vint também tem olhado bastante para essa pauta de impacto.
31:16A Light Rock também é uma casa de impacto, mas também faz bastante investimento climático.
31:21Então, todas elas com um grau de apreço pela pauta muito grande.
31:26Isso demonstra que é um mercado com bastante oportunidade, não é?
31:31Perfeito.
31:32Muito bem. Fabiana, muito obrigado pela entrevista.
31:35Muito obrigada, Diogo.
31:36Este foi o Veja Mais Verde. Muito obrigado pela audiência e até breve.
31:41Veja Mais Verde.
31:44Um oferecimento Vale.
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