- há 10 horas
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NotíciasTranscrição
00:01Transição tem a ver com o trânsito, tem a ver com mudança e também tem a ver com a Juliana.
00:06E com essa pedra aqui ó, o níquel.
00:09O níquel é essencial em vários tipos de bateria.
00:12Nas placas solares ou nos carros elétricos.
00:15E tudo isso tem a ver com o papel da Vale para acelerar essa tal de transição energética.
00:21Essa é a mineração que pensa no hoje e no amanhã.
00:24Essencial para todos.
00:26E se é essencial para você, tem a ver com a Vale.
00:30Olá, meu nome é Diogo Schelp e eu sou editor de Veja Negócios e esse é o programa Veja Mais
00:34Verde.
00:35No episódio de hoje, nós vamos falar sobre como tornar a cidade de São Paulo mais amigável para o ciclismo.
00:41Essa forma de locomoção que é tão importante para o meio ambiente.
00:45Acompanhe.
00:46Veja Mais Verde.
00:50Um oferecimento Vale.
00:55Olá.
00:56No episódio de hoje, nós vamos falar com a vereadora Renata Falzone.
01:01Renata, muito obrigado por aceitar o convite para essa entrevista.
01:04O prazer é todo meu.
01:05Eu que agradeço essa oportunidade.
01:08Queria saber o seguinte.
01:09O que uma vida sobre duas rodas, pedalando, ensina ou ensinou sobre as cidades e sobre o urbanismo?
01:16Tudo.
01:17Tudo.
01:18Eu me formei arquiteta em 77 e deixei meu carro, dei meu carro de presente para o meu irmão em
01:2376.
01:24A partir daí foi vivenciando na escala humana a cidade que eu fiz a minha pós-graduação em urbanismo.
01:30Queria entender a grande dramática de uma cidade que não é desenhada para as pessoas e sim para a fluidez
01:36dos automóveis.
01:37Então, observar a calçada, caminhos dos pedestres, caminhos dos ciclistas, a forma como você não consegue chegar numa praça porque
01:46tem uma avenida que não tem como atravessar e por aí vai.
01:50E, depois disso, eu ainda tive a oportunidade de viajar muito de bicicleta mundo afora, por mais de 33 países.
01:57E, com isso, observar um pouco as soluções de urbanismo de outras cidades.
02:01Então, me deslocar em bicicleta, além de ter me trazido um grande prazer, aquela eterna felicidade de criança, que a
02:08bicicleta tem essa conexão com a alegria de infância,
02:11também de poder vivenciar os desenhos e as estruturas urbanas e a beleza do universo de uma forma orgânica.
02:22E como que você avalia a mentalidade dos paulistanos em relação ao espaço público, principalmente quando a gente pensa nas
02:29vias públicas?
02:31O paulistano é um povo maravilhoso em relação a exatamente isso.
02:34Eu sempre disse que a cidade de São Paulo sempre foi, muito antes das estruturas cloveárias, a melhor grande cidade
02:40do Brasil para se pedalar.
02:41Eu não coloco o Brasil num país bom para se pedalar.
02:45Os 30 e tantos países que eu já pedalei, eu acho que o Brasil só perde mesmo para a África
02:50do Sul, no sentido de o quanto é difícil você se locomover de bicicleta nesse país.
02:55A vida nesse país não tem valor.
02:58Se você, até sem querer, tira a vida de alguém, você dificilmente vai pagar, vai ter problema com isso.
03:07Então, a gente tem um país em que o valor da vida não é mensurado e, muito menos, você tem
03:13problema se você ceifa a vida de alguém num sinistro de trânsito.
03:17Então, a gente cria uma impunidade que faz com que o convívio no espaço público, na mobilidade, ele deprecie muito
03:25a vida do outro.
03:27Isso é um grande problema do Brasil, sim.
03:29Outros países de terceiro mundo são bem diferentes.
03:32Mas, voltando para a apropriação do espaço público, o paulistano sempre...
03:37A cidade de São Paulo é pujante, tem muita gente na rua e que ocupa o espaço público.
03:41E, de uns 15 anos para cá, a gente vem experimentando políticas públicas e pressões políticas muito calcadas pela desigualdade
03:50de você retirar e de você dificultar essa apropriação maravilhosa cidadã do espaço público.
03:58Sendo que é nas ruas, é nessa convivência orgânica das praças, dos bosques, dos parques, que a gente molda a
04:08cidadania e a cultura.
04:09Então, o Brasil é um país onde se utiliza bem o espaço público.
04:15A cidade de São Paulo é um exemplo disso, muito pujante, muita gente na rua.
04:19Mas, sim, nós estamos sofrendo um movimento perigoso no sentido de a gente ter esse espaço público cerceado, privatizado.
04:28Por que carros e motos dominam o espaço público ou as vias públicas?
04:34É uma questão de mentalidade ou uma questão de estrutura?
04:40Isso é uma coisa incrível esse ponto que você trouxe.
04:43Eu ia até dar esse comentário.
04:46Eu moro numa determinada rua, meu escritório está lá.
04:49Está pequeno.
04:50Eu posso colocar um carro estacionado na rua e botar um escritório dentro dele que praticamente ninguém vai achar estranho.
04:59Então, eu coloco uma Kombi, trabalho dentro lá, tudo bem.
05:02Se eu chegar lá e colocar mesinhas e tudo, não, você está privatizando.
05:06Então, isso é um problema universal.
05:09Ainda que nenhuma constituição do mundo garanta a vaga de automóvel como um direito constitucional,
05:18a forma como a indústria automobilística se apropriou da nossa cultura, do nosso mindset,
05:25principalmente do espaço público das cidades, principalmente a partir dos anos 20 do século passado,
05:30há exatamente 110 anos atrás, entende-se que as vias são para os automóveis e os meio-fios são para
05:39privatizar para o uso de automóveis.
05:42Essa discussão, eu tenho 72 anos, essa discussão há anos eu trago e as pessoas não entram, não conseguem perceber.
05:52Então, por exemplo, hoje você vê os parklets na cidade.
05:55Antigamente, eles eram espaços de domínio público.
05:57Qualquer um poderia, num parklet, que são aquelas estruturas de madeira que ocupam um espaço que antigamente estaria sendo usado
06:05para o automóvel,
06:07para as pessoas sentarem, uma espécie de um parque, um resgate de uma área pública que é privatizada para o
06:13automóvel para a população.
06:14E mudou o conceito, agora eles estão em função de um negócio.
06:19E isso é um absurdo.
06:22Mas é viável você contar para um cidadão paulistano que aquele parklet privatizado,
06:28onde só senta quem estiver consumindo naquele estabelecimento, está autorizado sentar lá,
06:33as pessoas percebem que isso é privatização de um espaço público.
06:36Se é um automóvel, as pessoas não conseguem entender que é a mesma coisa.
06:41Em relação a isso, posso até dar um espaço.
06:44Nós estamos tramitando na Câmara um projeto muito interessante chamado Vaga Verde,
06:48que foi uma ferramenta que está muito sendo usada em Paris no sentido de se resgatar esse espaço privatizado para
06:56o automóvel,
06:57arborizar mais a cidade e diminuir a temperatura, especialmente na área central da metrópole,
07:04que é Vaga Verde, que significa você pegar uma área que ele é privatizada para o automóvel e naturalizado isso,
07:13você resgatar e cavar, é o jardim de chuva 2.0, cavar, fazer drenagem, preparar aquele solo como permeável e
07:24plantar árvores.
07:25Vira um jardinzinho.
07:28Você pode imaginar que 4, 5 vagas, você vai ter 25 metros se você fizer 5, se fizer 3,
07:34você vai ter 15 metros de uma área por 2,5 de árvores plantadas.
07:39Se a gente imaginar que São Paulo tem um passivo de 450 mil árvores, o que é isso?
07:45O empreendedor vai lá e tira um bosque, que é um absurdo a gente arrancar árvores hoje,
07:51mas ele consegue fazê-lo até de forma, entre mil aspas, legal, comprometendo-se de plantar árvores,
07:57fazer uma compensação ambiental.
08:01Só que ele não tem onde colocar. O que acontece? Essas árvores ficam virtuais.
08:05Então São Paulo está com 450 mil árvores não plantadas de compensação ambiental.
08:11Que deveriam ter sido plantadas porque foram retiradas por incorporadores.
08:14Então o empreendedor, quem for, está sossegado porque ele vai plantar, mas não tem aonde, então fica assim.
08:22Ele tem o compromisso de plantar ou até paga para compensar?
08:25Esse é o grande drama, que hoje não vai conseguir plantar, então você paga por isso.
08:30Então, mas isso não é uma compensação ambiental.
08:32Esse dinheiro não vai para o trabalho de mudanças climáticas tão urgente, tão necessário
08:38para uma cidade como São Paulo, que é plantar mais, tornar mais permeável, diminuir a temperatura,
08:43diminuir o uso desenfreado dos automóveis e por aí vai.
08:47A cartilha todos conhecem. Ela é amarga, mas os efeitos posteriores são agradabilíssimos.
08:53É uma cidade acessível, boa para caminhar, boa para pedalar, boa de andar de transporte coletivo e por aí vai.
09:00Deixa eu voltar à questão das bicicletas.
09:03Como que a gente conecta?
09:05A gente sempre fala que existe essa relação, mas eu gostaria que você explicasse um pouco
09:08essa explicação sobre a conexão entre a bicicleta e a questão climática na cidade.
09:15É tão direta que a ONU declara o dia 3 de junho como o Dia Mundial da Bicicleta, que é
09:23logo dois dias depois, dia 5 de junho, o Dia Mundial do Meio Ambiente.
09:26E o que a ONU diz que quem pedala sente na pele?
09:30Você dá um início, catapulta.
09:34Você começa a pedalar, você está no mantra.
09:36Aí você passa ao lado de um carro e sente aquele bafo.
09:40Aquele bafo do motor.
09:41Você começa a perceber que, ao estar pedalando, você entende o que é o custo da energia.
09:51Você pegar um livro e levar ele até o topo da Paulista, tem um custo de energia.
09:58Quem bota no carro não percebe.
10:00Quem vai de bicicleta percebe o custo.
10:02Porque com o livro é uma energia, sem o livro é outra energia.
10:06Então, é incrível como você muda a percepção, você começa a correlacionar temperatura,
10:14esforço físico, energia, sombra.
10:17Qual é o ar condicionado de um ciclista?
10:21Sombra e água fresca.
10:22Então, a gente entende rapidamente na pele o benefício de uma área arborizada.
10:29A diferença de temperatura é gritante.
10:32Na hora você começa...
10:33E se você sai debaixo de uma lameda de árvores e está em uma avenida,
10:37e tem quatro, cinco carros parados no trânsito, com ar condicionado, você sente aquele bafo.
10:43Então, a própria ONU diz, o pedalar na cidade desperta uma consciência ambiental
10:49pela vivência da pessoa que está pedalando, da pessoa que está caminhando também tem esse processo.
10:55Então, essa correlação não só ela existe, ela é estudada e ela é reverenciada pela ONU.
11:01E também tem aquela conta, que a gente até vê, por exemplo, na estação Vila Olímpia aqui do lado,
11:08que cada bicicleta na rua representa uma certa quantidade a menos de emissão de gás carbônico que você faz.
11:16E olha que interessante, os ciclistas e os pedestres estão alijados de qualquer tipo de mercado de carbono.
11:23O mercado de carbono, eu mudei o assunto, o mercado de carbono é de cima para baixo.
11:27Pega todas aquelas empresas que consomem, quando elas deixam de consumir, elas são beneficiadas.
11:33Aqui nós que estamos na cadeia humana, que não poluímos, etc e tal, não somos os beneficiados.
11:41E essa economia, a cidade de São Paulo, fala do mercado de carbono,
11:47A cidade de São Paulo, ela fazia o FUNDURB através de outorgas onerosas,
11:52secapes e tudo, para a promoção da mobilidade ativa, que seria você caminhar, você pedalar, fazer calçadas, fazer ciclovisos,
12:00e corredores de ônibus, investindo nos ônibus.
12:03E esse dinheiro do FUNDURB, faz uns seis anos, ele também passou a ser destinado para o asfalto exclusivamente.
12:11Então aquilo que era para financiar, preparar a cidade para as mudanças climáticas e torná-la mais acessível, mais resiliente,
12:18agora foi sequestrado legalmente, mas sequestrado, porque foi um grande erro terem feito isso, para o asfalto exclusivamente.
12:25Então olha só como os mercados de potenciar as soluções reais e concretas, eles são manipulados de uma maneira que
12:36a gente fica estagnado no passado.
12:39Então o mercado de carbono, enquanto ele não premiar quem vai a pé de bicicleta,
12:43não só como infraestrutura, mas como valorização e incentivo de mudança modal, a gente vai estar sempre estagnado.
12:52Queria perguntar sobre o número de pessoas que usam a bicicleta em São Paulo.
12:56Quer dizer, é um número crescente, mas ainda é um número proporcionalmente pequeno,
13:00perto da quantidade de pessoas que se locomovem na cidade.
13:03Os números que a gente tem não são de pessoas, mas de viagens.
13:07Então assim, a cidade de São Paulo, dentro das viagens que nós temos na cidade,
13:12em 2017, era 0,8% das viagens feitas na cidade eram em bicicleta.
13:18E agora nós passamos para 1,2%, ou seja, a gente teve um aumento de 50% nas viagens de
13:26bicicleta.
13:27E pode parecer poucas, mas isso representa mais que o dobro das viagens feitas em táxi.
13:33Então políticas referentes a táxi são acatadas e devem ser mesmo.
13:38Então dessa mesma forma as políticas feitas para a mobilidade de quem vai de bicicleta também devem ser acatadas.
13:44A diferença é que o ciclista ocupa menos espaço e ele é mais invisibilizado em tudo, inclusive na hora dos
13:50investimentos.
13:51Então nós tivemos uma coisa muito grave em relação aos números de viagem.
13:58Antigamente, até 2017, somando a pé e de transporte coletivo, nós tínhamos mais viagens de quem vai a pé diminuiu.
14:08Então nós tivemos um decréscimo de viagens de pessoas que vão exclusivamente a pé.
14:14Isso pode dar um dado meio distorcido, porque se você aumenta o preço do ônibus,
14:19você vai ter consequentemente mais viagens feitas a pé.
14:22Isso não quer dizer, não é um bom sinal.
14:24Não é, mas são melhorias de infraestrutura, muito menos que os empregos estão a uma distância caminhável.
14:31Simplesmente é uma questão econômica.
14:33Muitas pessoas deixam de pegar o ônibus porque não tem dinheiro para o ônibus, então o quociente das viagens a
14:38pé aumenta.
14:39Mas se você fizer esse binômio a pé e mobilidade em transporte coletivo,
14:44nós tivemos um decréscimo em relação a mobilidade individual de automóvel.
14:49Isso por quê?
14:50Por conta de que os investimentos estão indo muito para os automóveis e pouco para o transporte coletivo.
14:55E o transporte coletivo quando começa a ser ruim, ele vira uma espiral negativa.
15:00Porque é ruim, menos passageiro, portanto mais caro.
15:03Piora, menos passageiro, portanto mais caro.
15:06Então nós estamos tendo uma inversão de valores nos investimentos,
15:09o que faz com que o transporte coletivo perca muitos passageiros
15:12e portanto ele fique cada vez mais caro de se promover, de se fornecer e deficiente para quem precisa.
15:19Para você ter uma ideia, ontem eu fui numa audiência pública na zona super sul da cidade,
15:27pegando lá a estrada do M. Boimirim.
15:31A distância não é muito grande, uns 25 km, que eu de bicicleta faço uma hora e meia de boa.
15:38Eu levei quatro horas de ônibus.
15:40Imagina uma pessoa que leva quatro horas para ir e quatro horas para voltar.
15:44Ao longo da sua vida útil de trabalho, ela trabalhou 35 anos,
15:49mas 35 outros anos que coincidiram aqui, ela ficou dentro de um transporte coletivo sentada presa.
15:54Olha o custo da vida, totalmente sem retorno e promoção de problemas de saúde,
16:03de questão de tudo, família, alimentação, vida, qualidade de vida e tudo.
16:09Quatro horas para fazer um trajeto que se eu vou trotando eu chego antes.
16:14Nós vamos fazer um rápido intervalo e já voltamos.
16:18Veja mais verde.
16:21Um oferecimento vale.
16:27Veja mais verde.
16:30Um oferecimento vale.
16:35Estamos de volta para a conversa com Renata Falzone, vereadora de São Paulo.
16:40Renata, a gente estava falando sobre bicicletas, sobre a relação disso com a questão do ambiente,
16:46do meio ambiente em São Paulo e o bem-estar da população.
16:50Em relação à estrutura para as bicicletas, para dar mais segurança para os ciclistas,
16:54qual é o estado das ciclovias e das ciclofaixas hoje?
16:58Isso tem aumentado, tem evoluído ou é algo que vem, na verdade, se deteriorando?
17:04Estrutura gera demanda.
17:06Estrutura boa gera mais demanda ainda.
17:09Então, você coloca avenidas, pontes, viadutos, túneis, mais e mais carros.
17:14Coloca calçada, mais e mais pedestres.
17:16A mesma coisa com estrutura cicloviária.
17:18As estruturas cicloviárias boas são aquelas que são conectadas.
17:22Nós fizemos, logo depois que eu assumi no ano passado,
17:26nós fizemos uma auditoria cidadã.
17:28Nós tivemos mais de 100 voluntários e nós pedalamos pelos 740 km de estruturas cicloviárias que nós temos.
17:35Se entrar lá no nosso site, você vai ver todo esse trabalho em 360 graus.
17:39Um street view das estruturas cicloviárias que nós fizemos e nós entregamos
17:43para CT, assim, pontualmente os problemas.
17:48Então, hoje, essa contribuição foi muito boa porque a CT, a Prefeitura, tem dinheiro para fazer manutenção
17:56e agora, com esse trabalho, sabe aonde fazer manutenção.
18:00Coisa que, antes, ficava assim, pintando sempre o mesmo lugar, na Faria Lima,
18:04ficava visível porque não tinha noção de onde mudar e melhorar.
18:10Então, a gente contribuiu muito com isso.
18:12Os estados das estruturas cicloviárias, elas poderiam ser melhores, mas elas...
18:17A grande dificuldade que nós temos ainda são as conexões de trechos.
18:21Então, muitas ciclovias chegam no lugar e continuam aqui.
18:25E este ponto aqui é um ponto que, para você conseguir conectar as ciclovias,
18:30você vai ter que mexer no viário.
18:32E aí que é onde a timidez das gestões públicas, não só dessa gestão de outras anteriores,
18:39aparece.
18:40Que é você ter que realmente fazer uma gestão priorizando o modal ativo.
18:46Ou seja, você vai ter que modificar a forma, o espaço, eventualmente tirar um pouco do
18:50espaço do automóvel.
18:51O que é uma grande dificuldade que nós temos desde sempre.
18:54E não é só na cidade de São Paulo, é mundo afora a mesma questão.
18:58Nós temos isso.
19:01Quando até a nossa entrada na Câmara existia um movimento muito forte de desmonte de estruturas
19:08cicloviárias.
19:08A partir do momento que a gente tem as ferramentas de fiscalização, de demanda,
19:12porque não é uma coisa que nós estamos pedindo, é uma coisa que está prevista,
19:15está em lei, estão licitadas, está no planejamento cicloviário,
19:18está nas promessas de metas de governo, então a gente tem ferramentas para não.
19:22Vocês não vão desmontar, vamos limpar, vamos tirar os automóveis.
19:25Então a gente consegue fazer uma incidência de pelo menos não regredir o que estava regredindo
19:28em franca.
19:29Em franca regressão, a partir de 2018 e diante, a gente experimentou uma franca redução mesmo.
19:37Hoje, nós estamos sentindo uma...
19:40Para você ter uma ideia, faz uma semana que sai uma nova licitação para construção
19:44de mais uns 30 e poucos quilômetros, dentro de 120, os primeiros 30 quilômetros e pronto.
19:52Já com dificuldades no TCM. Por quê?
19:55Porque a forma como está sendo desenhado isso é lenta.
20:01Não existe aquela prioridade se fosse um buraco de rua.
20:03Então aquela coisa, vai devagar, vai sempre devagar.
20:07Mas estão vindo.
20:08Então, esses próximos quilômetros que virão, eles vão conectar pontos vitais,
20:13vão criar estruturas cloviárias em trechos fundamentais para trabalhadores,
20:17para conectar a periferia com a região de melhores empregos e por aí vai.
20:21Nós estamos esperançosos, mas é o seguinte, se a gente não estiver em cima,
20:25usando todas as nossas ferramentas, elas não adiantam.
20:28Porque a tendência é sucatear carros estacionados sem nenhum tipo de fiscalização,
20:35lixo tomando.
20:37Essas quantidades enormes de obras, empreiteiras que estão acontecendo,
20:40estão se ocupando das estruturas cloviárias para estacionar caminhão, caminhão de concreto.
20:45Acaba a obra, as clovias ficam em frangalhos e não se reformam.
20:49Então a gente tem muita dificuldade, como todas as calçadas também têm,
20:52pelos mesmos motivos que a cidade também tem.
20:56Como é que se resolve o problema da invasão das ciclofaixas pelos motociclistas?
21:01Que é algo que a gente vê com muita frequência.
21:03Em outros países, por exemplo, eu sei que tem uma estrutura que é como se fosse um segundo meio fio,
21:09que separa, que deixa a ciclofaixa entre a faixa de pedestres,
21:16a parte de pedestres e a rua, que evita, digamos assim, desestimula essa invasão,
21:22até mesmo para automóveis.
21:24Quer dizer, tem outras formas de resolver isso de forma mais simples?
21:27São Paulo está passando por um apagão de fiscalização de todas as ordens.
21:32Então, por exemplo, vem uma pessoa de fora da cidade,
21:34mesmo que venha de uma cidade como Rio de Janeiro,
21:36que é uma cidade que você tem que estar muito esperto a atravessar a rua,
21:38eu sempre falo, não passe na faixa de pedestres só porque o sinal está verde para você.
21:43porque você pode vir a ser colhido por um motociclista a qualquer momento,
21:47porque faz algum tempo que as fiscalizações não acontecem.
21:50Eu sou de um tempo que o motociclista tapava a placa,
21:53lembra que eles tapavam para fazer esse tipo de inflação?
21:56Hoje, a impunidade está estimulando muito isso.
21:58Então, nós estamos vivendo um apagão de fiscalização.
22:01No caso da invasão, não só de motociclistas, mas de ciclomotores que deveriam ser emplacados
22:09e estarem na rua e o condutor com carta de motorista
22:13ou uma carta específica de ciclomotor também estão nas clovias.
22:16Mas esses daí até de forma pior ainda,
22:19porque eles se sentem legais no sentido de legalidade lá dentro.
22:22Eles acham que têm direito de estar ali.
22:24Mas eles foram enganados na hora da compra de um veículo,
22:27porque esses veículos vêm sendo, não todos os comerciantes, é claro,
22:31mas eles vêm sendo vendidos e comercializados com a premissa de poderem estar nas estruturas clovias.
22:37E, às vezes, você olha lá, você tem que ter um olho clínico, tem que conhecer.
22:41E, para você ter qualquer tipo de fiscalização, você tem que ter uma vontade política da gestão
22:46e ela está falha em vários, em vários.
22:49A gente vê fiscalização falha em lei da cidade limpa, em estacionamentos regulares
22:56e obras com caminhão na rua e por aí vai.
22:59Tudo está bastante falho mesmo na fiscalização.
23:03Então, assim, voltando à questão dos motociclistas,
23:06assim, os momentos que mais susto dão é em binários.
23:09Binário é uma estrutura escoviária de duas mãos, né?
23:12Então, você está num contra-fluxo, ou seja, a rua é de uma mão só.
23:17Então, você vem pedalando lá e aí, de repente, do nada, surge um motociclista
23:22querendo usar a estrutura escoviária para poder passar, quando não consegue passar no meio dos automóveis.
23:28Isso.
23:28E aí, é uma colisão que vai machucar os ciclistas.
23:32Nós já tivemos relatos de pessoas se machucando em relação a isso e tudo mais.
23:38Começa por educação, mas, sem fiscalização, esse binário não funciona.
23:43Você não vai ter...
23:43Não é porque você coloca a placa que as pessoas vão obedecer.
23:47Isso é internacional.
23:47Você tem até trabalhos na GV em relação a isso.
23:50A fiscalização, além da sinalização, a educação e você fazer um bom projeto,
23:57você não vai conseguir mudar o comportamento do ser humano se você não tiver uma dorzinha no bolso.
24:03No bolso, né?
24:04Escuta, em relação a um projeto muito interessante que a gente estava conversando anteriormente,
24:09que é a trilha Interparques.
24:11Você poderia conversar um pouco, falar um pouquinho sobre isso?
24:13Está falando a menina dos meus olhos.
24:15O Brasil tem um programa muito louvado que começa no Ministério do Meio Ambiente Federal,
24:22que é transformar as várias trilhas que a gente tem de caminhada, de pedalada,
24:28numa rede brasileira de trilhas.
24:29E, para isso, é fundamental cadastrá-las e fazer com que a sinalização seja única.
24:34Tão logo a gente começa o mandato, a gente faz uma coisa que é uma aspiração dos ciclistas,
24:38inclusive eu, de mountain bike da zona sul da cidade, uma trilha para bicicleta e para pedestres,
24:46que liga dez unidades de conservação da zona sul da cidade.
24:50Nós temos muita mata, muita vegetação, muita mata atlântica mesmo, no sul da cidade.
24:56Então, essa trilha tem 180 quilômetros, ela está sendo sinalizada.
24:59De acordo com a rede brasileira de trilhas, ela já vai estar conectada com a trilha Mata Atlântica,
25:06que pega todo o litoral, todo esse alto da Serra do Mar, que passa por São Paulo.
25:13Então, nós estamos fazendo essa sinalização e também, com a emenda que nós destinamos,
25:20capacitação profissional para aquelas pessoas que moram lá, não só serem guias,
25:24mas tem vendas de facilidade.
25:28Todo ciclista é assim, ciclista é igual a fome, é igual quero deitar e dormir.
25:34Então, o ciclista consome o produto local.
25:37Então, também tem um trabalho de capacitação que ajuda a população local,
25:43não só se firmar no local, mas ter uma renda, uma melhoria econômica com esse turismo,
25:51esse cicloturismo, esse turismo de aventura das pessoas caminhando dentro da capital de São Paulo.
25:57Quer dizer, assim, a pessoa, só para dar um exemplo, a pessoa pode começar em determinado ponto
26:01e percorrer quantos quilômetros, por exemplo, de trilhas ali?
26:05Ela tem 180 quilômetros, mas você tem várias maneiras de fazer loopings, né,
26:09que você vai e volta e faz alças.
26:11E assim, como eu não uso os carros, né, é engraçado, as pessoas não acreditam, mas é verdade.
26:17Eu, muito raro, eu uso carro, eu tenho carro, mas é para sair de São Paulo e ir para um
26:22lugar e voltar fora de São Paulo.
26:25É para uma viagem que eu tenho um sítio em Jundiaí, eu vou e volto e paro o meu carro.
26:30Então, você pode pegar a tua bicicleta ou mesmo ir a pé e ir pelo trem até a estação mais
26:35ao sul,
26:36que é Varginha agora, né, porque tem Natal, Vila Natal e depois tem mais uma.
26:40E de lá você pode começar, porque você já está no extremo sul da cidade, então já se conecta.
26:44Você também pode ir de carro, mas às vezes você vai ter que deixar o carro parado e tudo.
26:48Então, você tem toda uma forma de se conectar com isso.
26:52E já está publicado.
26:54Essa trilha já tem GPS e tudo, eu já não sei se está lá no meu site, mas ela já
26:58está pronta para ser publicada.
27:01Agora, tem muitos, existe um aparelho, cicloturismo de aparelheiros, tem grupos de WhatsApp, de Instagram, né, redes sociais, que eles
27:13são muito antenados nisso.
27:15O nosso gabinete não criou a trilha Interparques.
27:18Nós formalizamos e vamos fazer o que já ocorre na zona sul da cidade, com pessoas que treinam mountain bike,
27:25com cicloturistas, pessoas que caminham.
27:27E foi muito interessante que em 2020, por causa da pandemia, houve um êxodo, um êxodo pro rural, né, uma
27:36inversão.
27:37E muitas pessoas que tinham propriedades, mas que moravam no centro da cidade, foram morar nas suas propriedades dentro do
27:45mesmo município, mas a distância de 40 quilômetros.
27:48E começaram a produzir, desde artefatos de madeira, qualquer coisa como o murici, que é uma fruta que é muito,
27:55o cambucique é uma fruta que dá muito naquela região.
27:59É interessantíssimo.
28:00Esse fim de semana mesmo vai ter um, assim, nessa época do ano tem um evento muito interessante de compostagem,
28:06e lá eles reúnem os empreendedores da região.
28:10Legal.
28:10É incrível demais.
28:11E a trilha Interparques passeia por todo esse cenário dentro da capital.
28:18Deixa eu te perguntar, eu queria saber a sua avaliação sobre a concessão dos parques da cidade, parques urbanos.
28:25Olha, eu não sou contra a concessão, mas ela tem que, vou repetir, qualquer tipo de concessão tem que atender
28:34o interesse público.
28:38Isso é fundamental.
28:41Então, por exemplo, o que está acontecendo na cidade de São Paulo com as concessões dos parques é um grande
28:49exemplo daquilo que não deve ser feito.
28:51Que é lucro extremo.
28:53A frase da vez é parque não é shopping.
28:57Então, parque não é shopping.
28:59Nós estamos tendo muitas dificuldades no Parque do Ibirapuera em relação a vários temas.
29:03Sim, o parque melhorou em muitas coisas.
29:06Sim, melhorou.
29:07A cidade de São Paulo deixou de ter um gasto de alguns milhões de reais por ano.
29:12Sim.
29:13Não era um parque abandonado, era um parque que cumpria muito bem a sua função.
29:17Agora, a forma como você está poluído de marcas, como você percebe pela mudança das pessoas que estão...
29:26Eu moro ao lado do parque, eu frequento muito o parque, eu atravesso o parque praticamente todos os dias.
29:31Porque a estrutura escloviária do parque me conecta com aquilo que eu quero fazer.
29:37Então, todos os dias eu cruzo o parque.
29:39A frequência mudou.
29:41Você vê que os preços são abusivos.
29:43Eu mesmo não me sinto mais pertencente àquele parque.
29:46E a minha primeira memória de infância é do Parque Ibirapuera.
29:50Então, assim, a gente tem que...
29:51A concessão tem coisas ótimas, mas o lucro ser o único objetivo de uma concessão, a gente não pode deixar
29:59isso acontecer.
29:59A gente tem marcos regulatórios, a gente tem agências regulatórias que elas devem entrar nessa questão
30:07para que a gente consiga monitorar.
30:10Então, hoje, por exemplo, a luta da vez é contra o que eles pretendem fazer na serraria.
30:15Que é um absurdo.
30:16Que é o quê?
30:17A serraria é aquele espaço desenhado pelo Burlemax.
30:21É uma das poucas coisas que a gente tem do Burlemax aqui na cidade de São Paulo.
30:24Ela era um espaço grande de botar carga, de serraria e tudo mais.
30:32Tem grandes conflitos em que foi permitido na hora que foi feita a concessão.
30:36Se foi permitido, qualquer coisa que tenha sido permitido ali já não deveria ter sido permitido, no meu entender.
30:40E agora está uma briga que se pretende ocupar 97% em cima, fazer uma estrutura no segundo andar e
30:48mais de 50% na parte de baixo.
30:51Para fazer, independente do que vai se fazer, porque ia ser academia, ia ser uma série de coisas.
30:56Agora é só academia, mas ia ser restaurante.
30:58Uma série de coisas e vai descaracterizar muito.
31:01Nós estamos numa luta muito grande, especificamente da serraria.
31:04Amanhã é outra coisa.
31:05Depois da manhã é outra.
31:06Nós estamos agora batalhando contra a pretensão de fazer centros gastronômicos nos parques.
31:12Não.
31:12Parque é lazer, contemplativo, é paz, é calma, oásis, é para você escutar, é para você ver passarinho.
31:19É outra pegada.
31:20Não shopping.
31:21Entendi.
31:22Sobre reciclagem, o que há de novo e o que ainda precisa avançar nesse tema?
31:27A gente não consegue, ainda que nós tenhamos marcos declaratórios que a gente tinha que
31:31chegar a 50% de reciclagem e tudo, a gente não consegue passar dos 5% e, mesmo assim,
31:37esse 5% não é aferido.
31:40É muito pouco do que a gente consome, das embalagens que a gente consome vão para um reuso.
31:45Isso é muito grave.
31:47Isso causa um desequilíbrio ambiental muito grande.
31:52E existe um trabalho dentro da Politécnica da USP, que é o Instituto Recicla, que bolou uma
32:02estratégia que nós já fizemos, um projeto de lei que passou em primeira votação, que é tão
32:07simples quanto genial.
32:08legal.
32:09Você hoje não tem dados.
32:11A gente não sabe quem emite ou quais são as responsabilidades.
32:14A gente não tem dados a respeito de material, de peso e de qualidade desse material e quem
32:20emite, quem coloca, quem compra, quem descarta e por aí vai.
32:25Quando você compra qualquer produto, você tem o código de barra desse produto.
32:29Esse é um CPF de qualquer produto.
32:32Você não tem dois códigos de barra, um código de barra para dois produtos diferentes.
32:37Então, a ideia é você colocar um código de barra, nada mais é do que um armazenamento
32:42de dados.
32:42É o mesmo código.
32:44Você colocar nos dados que estão por trás desse código, peso e material da embalagem.
32:51com isso, através da venda da nota fiscal paulista de São Paulo, você consegue ter dados
32:59de o que fica na cidade de São Paulo de material e peso.
33:07Eu, como consumidora, através das minhas notas fiscais, eu consigo rapidamente entender
33:11qual é a minha pegada em relação da minha responsabilidade enquanto cidadã de materiais.
33:16por exemplo, eu posso escolher não consumir mais produtos que são colocados no mercado,
33:22mas que não existe uma engenharia reversa de recolher, por opção de quem coloca no
33:28mercado.
33:28Por exemplo, bandejinha de isopor.
33:31Embora exista condições de você reutilizar, elas não são reutilizadas.
33:36Elas vão para o lixão.
33:37Elas vão para o incinerador.
33:38Elas causam uma pegada que eu talvez possa evitar conhecendo.
33:43A mesma coisa com o gestor público.
33:45Ele pode saber de onde vem, para onde vai e, com isso, trabalhar um pouco mais de forma
33:50responsabilista de quem são os atores responsáveis por aqueles produtos no mercado para nós,
33:58cidadãos, pagarmos impostos para o gestor do executivo lidar com o assunto.
34:03Então, é um projeto muito simples, ele não é responsabilista, ele cria dados.
34:10Por que São Paulo?
34:12Federal é uma coisa de 20 anos para você conseguir e não está no rumo.
34:17São Paulo, saindo na frente, vai fazer uma incidência nacional, porque todo mundo que
34:21produz nesse país vem de São Paulo.
34:22é uma coisa que a gente está tentando fazer, estamos batalhando muito, já passamos
34:26em primeira.
34:27É um projeto de lei que tem assinatura de 15 diferentes, de 15 outros vereadores,
34:3414 outros vereadores com 10 partidos diferentes.
34:38Então, é uma coisa bem... vai ser legal conseguir, mas...
34:41Suprapartidária, quase.
34:43Suprapartidária, tão simples quanto genial e, portanto, nada fácil.
34:51Rios poluídos na cidade, um tema antigo da cidade.
34:56Você vê avanço nessa área?
34:59O que ainda falta para, de fato, a gente perceber uma melhora?
35:03A gente precisa começar a ver, entender, ouvir e escutar os nossos rios.
35:07Tanto que o nosso mandato, a gente faz uma expedição por mês chamada Rios e Ruas,
35:12com uma turma, que você começa a ouvir, entender, perceber, olhar.
35:16Outro dia mesmo eu escrevi um pós-fácil para um livro infantil e eu sugeri os pais levarem
35:22as crianças nas ruas para ouvir os rios e usar a bolinha de gude para poder perceber
35:26os declives, os aclives da cidade e, com isso, entender a dinâmica das águas
35:31que correm pelo subsolo.
35:33Então, a gente tampou os rios e, com isso, também ficou raquítica a nossa possibilidade
35:40de entender e perceber os nossos rios.
35:41Então, esse é um drama que a gente realmente poderia ter evitado há uns cinquenta anos
35:47atrás, se nós tivéssemos tomado uma atitude de naturalização e de usar esses rios
35:52como beleza urbana e não como algo a ser tapado.
35:56Para você ter os rios limpos, você tem que ter tratamento de água de esgoto.
36:01Então, é um caso de Estado.
36:03E você tem políticas que não avançam nisso.
36:06Para você ter uma ideia, uma denúncia grave que nós atendemos no ano passado foi
36:10de despejo de esgoto in natura na Guarapiranga.
36:14E o incrível é que era a própria Sabesp, porque estavam com problema no filtro e colocaram lá.
36:19E você está chegando a um colapso agora a Guarapiranga, porque está num nível que ela não
36:25consegue mais se auto despoluir de tanto esgoto in natura que o nosso reservatório,
36:31principal reservatório de água da cidade de São Paulo, vem recebendo.
36:34Existe uma outra ideia nossa também, que é essa de colocar adesivos nas placas.
36:40Por exemplo, você está na 9 de julho, Bacia do Saracura.
36:45Então, você vê lá, Avenida 9 de julho, Bacia do Saracura.
36:50O que é isso? É um rio que está aqui debaixo.
36:52E aí você começa a conectar.
36:55Agora, a despoluição, não só dos rios, nós temos poluição sonora,
36:59que é algo que também a gente tem que começar a trabalhar na sua cidade.
37:02É muito alto. Nós fizemos um seminário outro dia.
37:05Se você está exposto o dia inteiro a 70 decibéis, você vai ficar maluco.
37:10Você vai ficar doido. Você vai perder a audição.
37:12Você vai ter problemas de estresse, problemas de saúde.
37:15Se você tem isso à noite, como muitas pessoas têm no seu carro à noite,
37:19muito barulho e você não descansa.
37:21É uma questão de saúde pública.
37:23Muito bem. Renata Falzone, muito obrigado pela entrevista.
37:27Foi um prazer te receber aqui.
37:28Eu super agradeço.
37:30E quer conhecer mais, vai lá no arroba Renata Falzone.
37:33Então, vamos lá.
37:34Combinado.
37:35Muito obrigado pela audiência.
37:37Este foi o Veja Mais Verde.
37:38Até breve.
37:40Veja Mais Verde.
37:43Um oferecimento.
37:45Vale.
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