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  • há 10 horas
No Amarelas On Air, o repórter Pedro Jordão entrevista o governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), que tenta se firmar na disputa pela reeleição após assumir o cargo herdado de Romeu Zema. Em meio a um cenário eleitoral desafiador, Simões fala sobre sua estratégia para unificar a direita, articulações com nomes como Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado e o papel de Minas na corrida presidencial. O governador também aborda críticas ao Judiciário, privatizações, dívida com a União e o avanço do crime organizado no estado. A entrevista revela bastidores políticos e os planos de Simões para ganhar visibilidade e apoio nos próximos meses.

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Transcrição
00:05Oi gente, tudo bem? Eu sou o Pedro Jordão, repórter de Veja, e esse é o Amarelas Oner,
00:11programa de entrevistas de Veja. Hoje eu tenho a honra de receber aqui o governador recém-impossado
00:16de Minas Gerais, Matheus Simões. Seja bem-vindo, governador.
00:20A alegria estar falando com você, Pedro.
00:22Governador, gostaria de começar perguntando sobre a sua posse. Foi há cerca de um mês
00:29e eu gostaria de saber como é que o senhor recebeu o Estado e quais desafios o senhor
00:32já detectou para esse mandato, até o final de 2026.
00:37Pedro, eu estava aqui no governo quando nós recebemos o Estado em 2018. Eu fui responsável
00:43pela transição do governador Romeu Zema. Então, eu posso dizer que o Estado que eu recebi
00:48é muito melhor do que aquele que o governador Zema recebeu lá em 2019. Eu falo que a herança
00:54que eu recebi do governador Romeu Zema é uma herança muito positiva, de obras em andamento,
00:58de dados em clara expansão em tudo que é positivo em termos de saúde, educação,
01:05infraestrutura, com os desafios normais de um Estado que tem pouco recurso e que é muito
01:09grande. O endividamento de Minas está colocado em ordem, mas a gente tem parcelas pesadas
01:13que nos impedem de ir mais rápido, mas com o Estado organizado.
01:17Perfeito, governador. Um grande problema que a gente tem hoje em Minas, o senhor citou
01:21aí já no início, é a questão da dívida. Fiz aqui uma colinha, a gente teve um aumento
01:26dessa dívida, o governo Zema, que era de 115 bilhões e passou para 183 bilhões.
01:32No último dia 15, agora, o senhor pagou a quarta parcela, se não me engano, do Propag,
01:37mais de 100 milhões. E o senhor chegou a chamar a união de agiota.
01:45Eu queria entender por que a dívida cresceu nesse momento do governo Zema, que tem essa
01:51questão das finanças como prioridade. E qual o problema para a falta desse andamento
01:58aí no acordo com o governo federal?
02:00Pedro, na verdade, a gente acabou fechando o acordo no final do ano passado, pagando as
02:05parcelas, mas a dívida cresceu porque o governo federal é um agiota, é isso mesmo, ele estorque
02:09os estados. Ele aproveita que alguns estados se endividaram ao longo da sua vida, e não
02:14é só Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Goiás e São Paulo são outros grandes
02:19exemplos disso. E ele explora esses estados, cobrando juros muito maiores do que os estados
02:26são capazes de pagar. Com a ciência, a gente não tem muita alternativa a não ser pagar,
02:30porque a lei, nesse ponto, é votada pelo próprio Congresso Nacional e ela não é muito
02:34favorável a nós. Fizemos o acordo, que era o caminho possível, e estamos hoje em dia com
02:39as contas sob controle. Eu diria que nós estamos igualzinhos àquela pessoa que comprou
02:44a casa financiada. A minha casa é financiada. Eu viveria muito melhor se eu não tivesse
02:48que pagar a parcela da minha casa, mas faz parte das minhas obrigações pagar a parcela
02:53da minha casa todo mês. A pena, só que no caso do Estado de Minas, a gente paga a parcela
02:57para o governo federal sem receber a casa no final, porque o agiota trabalha assim.
03:01Nós, no governo Zema, Matheus, não pegamos nem um centavo de dinheiro emprestado. Ainda
03:06assim, o saldo da dívida aumentou, como você disse bem, porque os juros cobrados pelo
03:11governo federal são impossíveis. Agora é melhor porque a gente fez a repactuação,
03:16fizemos o PROPAC, mas um detalhe importante. O governo federal está enrolando para homologar
03:22a nossa adesão ao plano. Isso está me custando 100 milhões de reais por mês a mais do que
03:28eu deveria estar pagando. Eu estou pagando 1,2 bilhão de reais a mais de despesa. O governo
03:32de Minas está pagando, porque o governo federal não homologa logo o nosso acordo. É uma
03:36vergonha. O governo podia priorizar isso, porque ele está prejudicando o povo de Minas.
03:40Mas estão pagando. As contas estão sob controle, ainda que a gente tenha esse parcelamento de
03:45longo prazo que nos onera muito.
03:48Governador, mantendo a pauta da questão financeira, uma das bandeiras do governo Zema
03:52foi justamente as privatizações. Mas a questão da CEMIG e da COPASA não andaram. Justamente
03:59as joias da coroa mineira. Por que é tão difícil privatizar?
04:04Eu acho que parte por politização. A COPASA nós estamos agora prontos para privatização,
04:09já temos autorização legislativa, o processo já está em andamento. Já estou no período
04:14chamado de período de silêncio, não posso comentar prazo, expectativa de prazo. Mas o
04:19prazo já é próximo. A CEMIG, infelizmente, a gente não teve autorização legislativa,
04:24não faço parte da minha discussão nesse momento. Há no Brasil um erro de se acreditar
04:29que ser dono de uma empresa pública garante vantagens para o público. Isso não é verdade.
04:35A CEMIG, por exemplo, é uma das duas últimas empresas públicas de energia elétrica do Brasil.
04:40Só existem duas, L mais uma. E nós somos mais lentos para fazer investimento em energia
04:45exatamente por conta disso. Mas estou feliz porque na COPASA a gente teve autorização e
04:50a venda da COPASA, eu e o ex-governador Zema, ajustamos para que ela estivesse travada no
04:56nosso projeto com o governo federal, no nosso programa de parcelamento de dívida. Então
05:00só pode ser usado o dinheiro da venda da COPASA para infraestrutura, saneamento, habitação
05:06e segurança. Para não ter perigo de nenhum governo pegar esse dinheiro e pôr o dinheiro
05:10no caixa, né? Para pagar a dívida, para pagar a conta do dia a dia, isso não pode ser feito.
05:14Esse dinheiro é um dinheiro que tem que reverter em estrutura pública para a população mais
05:18adiante. Vou insistindo a minha pergunta, governador. Por que é tão difícil privatizar?
05:22No Brasil ou em Minas Gerais? Em Minas Gerais.
05:25Não, em Minas Gerais não é difícil, não. Nós estamos privatizando a COPASA. Se fosse difícil,
05:29eu não estava privatizando a COPASA. Agora, o Brasil não gosta de privatizações, né?
05:33Historicamente, a gente foi criado com uma cultura de muita politização da discussão das
05:41privatizações que faz com que empresas que deveriam ter sido privatizadas há décadas,
05:45como os Correios, não tenham sido privatizadas. O resultado está aí. Agora, uma empresa estatal
05:51administrada por gente responsável, como o governador Zema ou como eu, ela é só lenta.
05:57Uma empresa administrada por gente corrupta, como o governo federal, é um problema. Como
06:00nós estamos vendo aí, é mais uma vez nos Correios um déficit bilionário mais uma
06:05vez esse ano. Como a gente vê todos os anos acontecendo, as estatais federais deram 30 bilhões
06:10de prejuízo ano passado. As mineiras deram lucro, tá? 11 bilhões de lucro ano passado.
06:15Porque elas são bem geridas. E falar, então, por que vender? Porque o PT volta em algum
06:18momento, né? E aí, se você tem a empresa, eles voltam a transformar isso em cabide de
06:22emprego, em lugar de desperdício. E quem perde com isso é a população, que fica sem os
06:27serviços públicos, perde velocidade na hora que ela precisa da energia, na hora que ela
06:31precisa da água. Mas é uma questão política. A trava que existe em Minas Gerais para a
06:35CEMIG é uma trava ideológica. E que existe no Brasil também, é ideológica, né?
06:39Assim, a esquerda convenceu a população de alguma forma de que é bom ser dono de
06:43estatal. E para eles é bom mesmo, porque eles metem a mão nas estatais, né? Enchem
06:48seus bolsos e empregam todos os companheiros.
06:52Governador, o senhor é candidato à reeleição neste ano, né? Mas as últimas pesquisas
06:58mostram o senhor bem atrás, as últimas pesquisas de intenção de voto. A que o senhor
07:01atribui a esse nível baixo de intenção de voto nas pesquisas?
07:04Nas espontâneas, o primeiro colocado em Minas é Zema, que não pode ser candidato,
07:10e o segundo é Lula, que é presidente da república. As pessoas não prestam atenção
07:14em eleição estadual antes do momento da eleição começar, né? A verdade é essa.
07:18O senador Cleitinho aparece com 30% nas estimuladas. Por que nas estimuladas você dá um nome ali?
07:25Ele teve 3 milhões de votos na última eleição, então aparece a pessoa imediatamente falar
07:29Ah, eu gosto do Cleitinho, lembro do Cleitinho. Eu não tô preocupado com isso
07:33nesse momento, não. Eu tô melhor do que Zema estava em 2018, melhor do que Anastasia
07:38estava em 2010, melhor do que Ricardo Nunes estava em São Paulo,
07:42Ofoad estava em Belo Horizonte, no mesmo período do ano, nas eleições municipais
07:47de 22, de 24, perdão. É porque, no fundo, os vices não são muito percebidos
07:54até que eles entram no cargo. Eu acho que a gente tem que ficar atento
07:57às pesquisas de julho, ó. Porque aí eu já terei quase 5 meses de mandato
08:04exercido efetivamente, as pessoas já vão ter entendido que o governador
08:07Romeu Zema já não é mais o governador, quem assume o lugar dele
08:10vão entender quem é o candidato dele. Mais do que isso, a gente saberá
08:13quem são os candidatos, né? Eu continuo acreditando que nós teremos
08:16um candidato da esquerda e a minha candidatura à centro-direita.
08:21Não acho que nós teremos, por exemplo, candidatura de Cleitinho,
08:24nem uma candidatura do PL aqui em Minas Gerais. Eu tenho trabalhado
08:27para que isso não aconteça.
08:28A questão nacional, essa é a minha próxima pergunta. O seu partido, o PSD,
08:33tem um candidato, Ronaldo Caiado. Mas o senhor em diversas vezes já deixou
08:37claro que vai apoiar Romeu Zema. E também, em outro momento, você falou
08:41sobre que gostaria de ter o apoio do Flávio, né? O senhor está tentando articular
08:46um palanque triplo, alguma coisa nesse sentido? Como é que estão essas questões aí?
08:50Eu vou separar a sua pergunta em duas. Primeiro dizer que eu e o governador Caiado
08:55temos uma relação muito próxima, eu gosto muito de Caiado. Eu tenho uma ligação
09:01histórica com Goiás, até com família, mas eu tenho um compromisso de lealdade, né?
09:07O governador Romeu Zema me escolheu para ser o vice, depois o sucessor dele,
09:11e não teria motivo para eu não estar ao lado dele. Aliás, o próprio presidente
09:14Kassab, do PSD, quando eu me filiei, disse publicamente que não faria nenhum sentido
09:20que eu ou o PSD de Minas apoiássemos nenhum outro candidato a não ser Zema,
09:24se Zema fosse candidato à presidência. Então, Caiado entende isso, sabe que isso
09:28é importante. Ele é sempre muito bem-vindo a Minas Gerais, mas sabe que,
09:32por mais carinho que eu tenha por ele, meu voto e meu apoio é ao ex-governador
09:36Romeu Zema. Quanto a Flávio, é um pouco diferente, porque o que eu tenho insistido
09:41com o PL é que em Minas a gente pode tranquilamente, como já aconteceu no passado,
09:45ter um palanque duplo. Não há nenhum problema de os senadores da chapa apoiarem,
09:52por exemplo, o Flávio e eu apoiar Zema, e nós estamos trabalhando juntos, até porque,
09:57mais uma vez, do ponto de vista nacional, nós vamos estar defendendo uma mesma coisa
10:01que é derrotar o PT nas próximas eleições. É o que eu defendo, é o que Zema defende.
10:05E, no fundo, a candidatura do governador Romeu Zema foi sempre muito incentivada
10:10pelo presidente Jair Bolsonaro. Jair Bolsonaro teve comigo aqui em Minas Gerais
10:14para dizer que a única coisa que ele queria da minha candidatura era uma vaga
10:18para o Senado, e eu garanti isso a ele, que essa vaga existe, o PR querendo,
10:22nós estamos prontos para caminhar com o PR entregando uma vaga para ele,
10:26e que, nacionalmente, faria sentido ter mais um candidato a presidente pela direita
10:31como uma forma de garantir que Lula fosse arrastado para o segundo turno.
10:35As coisas mudaram um pouco de lá para cá, mas eu continuo firme nessa convicção.
10:39O Brasil ganharia muito de ter uma pessoa como o Romeu Zema governando o país.
10:44Gostaria de voltar e insistir na minha pergunta anterior.
10:49Articulação Zema Caiado.
10:51Mas perguntei também sobre Flávio, tem alguma chance de um palanque triplo?
10:55É possível aqui em Minas Gerais que o meu palanque seja triplo, sim.
11:00Mas o meu apoio será do governador Romeu Zema.
11:03Acho que isso é que é claro para todas as partes.
11:06Isso é claro para Caiado, isso é claro para Flávio.
11:10Conversava com o Rogério Marinho hoje, falando exatamente sobre isso,
11:15sobre o carinho que eu tenho pelo PL em Minas Gerais,
11:18mas a importância de coerência minha de apoiar o projeto,
11:21que é o projeto que eu represento e do qual eu faço parte,
11:24que é o projeto do governador Romeu Zema.
11:25Então a gente pode ter um palanque triplo com o Nicolas me apoiando aqui e apoiando o Flávio,
11:32com alguns deputados do PSD me apoiando e apoiando o Caiado,
11:36com eu, o novo e o centro do PSD, o cor do PSD mineiro apoiando o Zema.
11:43Não vejo nenhuma dificuldade nisso.
11:45Não seria a primeira vez.
11:47E por que isso se justificaria, Pedro?
11:49É porque aqui em Minas a direita já governa desde 2019.
11:53Então nós estarmos todos reunidos faz muito sentido.
11:57No plano nacional, a direita não governa nesse momento.
12:00A gente vir com várias frentes naquela estratégia que o próprio Bolsonaro defendeu muito,
12:04de você ter vários candidatos para que você estrangule a possibilidade da esquerda
12:09ter uma vitória de primeiro turno é importante.
12:10Então eu continuo acreditando nessa estratégia, mas é claro, volto a dizer,
12:14pode ser que mude alguma coisa ao longo dos próximos meses.
12:17A gente ainda está aí há alguns meses da batida de martelo.
12:21Então até julho tem muita água para passar na estrutura nacional.
12:25Localmente eu estou com uma tranquilidade.
12:27Você vê que o PL não confirma a existência de um candidato contra mim.
12:31O próprio Cletinho não confirma ser candidato contra mim.
12:33E o próprio PT, a minha oposição, não conseguiu ainda a confirmação
12:38de quem seria o candidato deles contra mim.
12:40Por quê?
12:40Porque o governo vem bem tocado, vem bem avaliado.
12:43É difícil você estruturar uma candidatura contra um projeto de sucesso
12:47como esse que o ex-governador Romeu Zema deixou rodando em Minas Gerais,
12:51do qual eu sou sucessor.
12:54Governador, o ex-governador Romeu Zema, ele está sendo cotado para a vice de Flávio.
12:59E ele rejeita essa ideia, fala sempre que vai seguir até o final com a candidatura.
13:03E eu ouvi o senhor também falando que isso é uma questão dele,
13:06que não iria pedir nunca isso para ele.
13:08Mas nos bastidores, o que o senhor tem dito para a Zema?
13:11Não, você sabe que eu até repito isso mesmo.
13:13Quando ele me pergunta, eu falo, governador, não me pergunte isso não,
13:15porque óbvio que por conveniência, eu poderia até dizer, falar assim,
13:19ah, não, vou unificar porque fica mais fácil a minha vida em Minas Gerais.
13:22Porque me eliminaria uma discussão longa em Minas Gerais
13:25se a gente tivesse uma unificação nacional.
13:27Mas eu entendo a importância da discussão nacional.
13:30E também não tenho medo da disputa local.
13:32Então, eu acho que isso me dá tranquilidade.
13:33Eu sempre falo para o governador mesmo,
13:34porque eu falo, governador, faça aquilo que seja melhor
13:37para o plano nacional da derrota da esquerda.
13:40O que é melhor nacionalmente é uma decisão dele, uma leitura dele.
13:45O governador tem uma excelente leitura de momento político.
13:49Tanto é que foi eleito duas vezes governador de Minas Gerais
13:52contra todas as expectativas e todas as forças.
13:55Diferente do meu caso, que começo com um grupo muito grande do meu lado,
14:00eu tenho mais de 50 deputados, eu tenho mais de 600 prefeitos que caminham comigo.
14:05O governador Romeu Zema começou em 18 sem ninguém do lado dele.
14:08E mesmo em 1922, a gente tinha pouca gente do nosso lado, muita gente contra.
14:12O meu próprio partido estava do outro lado e uma série de outros partidos
14:16estavam do lado contrário do que era a candidatura de Romeu Zema.
14:20Então, eu respeito muito a leitura política do governador,
14:23porque ele tem uma leitura de gente, de população.
14:27Ao invés das cemecas, ah, mas os bastidores da política falaram,
14:30olha, quem vota no final, gente, não é o bastidor da política, é o povo.
14:33Zema tem uma leitura muito clara de qual é a leitura do povo sobre a política brasileira.
14:37Tanto é que se elegeu duas vezes governador de Minas.
14:40Governador, o senhor falou um pouco sobre o candidato do seu partido,
14:43o Ronaldo Caiado, do respeito que o senhor tem a ele.
14:47Mas eu gostaria que o senhor falasse um pouco mais sobre como o senhor vê a candidatura dele,
14:50que também patina ali nas intenções de voto.
14:53E se o senhor acha que ele deveria retirar a candidatura ou seguir até o final?
14:57Porque se ele retirasse a candidatura, seria uma forma de unificar a direita já de agora.
15:01Como é que o senhor avalia isso?
15:02Eu acho que a gente tem um desafio que é entender como...
15:07Eu falo que eu tento evitar fazer comentário político,
15:11porque, óbvio que o meu papel é governar Minas Gerais, não é fazer comentário político.
15:15Mas eu acho que a gente tem que esperar, pensando em cenário,
15:19para ver o que vai acontecer com a candidatura de Flávio
15:24no momento em que o PT resolveu começar a bater em Flávio.
15:28O PT está muito quieto ainda.
15:30Eu acho que o grande medo de nós, da centro-direita,
15:34é de que uma agressão à candidatura de Flávio Bolsonaro
15:37possa significar um avanço de Lula.
15:40Agora, eu tenho que reconhecer que Lula tem feito muito bem o trabalho
15:43de destruir as suas próprias chances.
15:46A cada rodada de pesquisa que passa, a avaliação do presidente está pior.
15:51O que faz com que ele tenha mais dificuldade nos estados?
15:53Eu acho que Minas Gerais é o melhor exemplo disso.
15:55É dificílimo para ele estruturar um palanque aqui.
16:00O próprio senador Rodrigo Pacheco, que é o apontado por ele,
16:03é uma pessoa que tem muita dificuldade de frequentar o estado de Minas Gerais.
16:06Vem pouquíssimo aqui, dada a resistência que há.
16:08Ele não se assume como candidato.
16:10Está claramente mais interessado em virar ministro do Supremo
16:12do que a concorrer a governador em Minas.
16:15Eu acho que isso mostra a fragilidade da esquerda no Brasil hoje.
16:18Ele é só mais uma vítima da fragilidade da esquerda no Brasil,
16:22fruto de gestões muito mal percebidas.
16:25Eu estou falando das gestões da esquerda para voltar na sua pergunta.
16:28A unificação pode ser uma oportunidade,
16:32mas eu não acho que ela é uma necessidade nesse momento,
16:34porque a esquerda continua perdendo a eleição nos últimos cenários eleitorais.
16:38Por isso que eu acho que a gente tem que esperar as pesquisas de junho,
16:41final de junho, nós vamos ter pesquisas que nos dão um pouco mais de certeza
16:46sobre como é que assento direito deveria se posicionar.
16:48Eu tenho uma certeza.
16:51Zema, Flávio, Caiado,
16:53todos eles, acima do desejo de se transformar em presidente da República,
16:58querem que o Brasil se livre da presença do PT no governo.
17:01E eu tenho certeza que eles fariam os movimentos necessários
17:04para que isso acontecesse,
17:05tanto que num segundo turno, eu tenho certeza absoluta,
17:08eles estarão todos juntos, independentemente de qualquer cenário.
17:11A única coisa que poderia levá-los a assumir nesse momento
17:14é se a gente perceber que a chance de vitória em primeiro turno é melhor.
17:19Isso pode acontecer, mas a gente ainda não tem esses dados.
17:22Está cedo para essa decisão.
17:23Como está cedo, por exemplo, a minha discussão sobre quem é meu vice.
17:25Toda hora eu me pergunto quem é seu vice.
17:27Eu falo que está cedo, gente.
17:28Calma, vamos esperar um pouco mais,
17:29porque isso também depende de ver a unificação nacional.
17:31Se tiver a unificação nacional,
17:33a tendência da minha vice é que faça parte dessa discussão de unificação.
17:36Se não houver a unificação nacional,
17:39o desenho é outro.
17:40Então, a gente tem que dar um pouco de tempo para essas discussões.
17:43O senhor sabe que eu gosto de insistir a minha pergunta, né?
17:46Vou fazer mais uma vez.
17:49Perguntei sobre se o senhor acha que ele deveria desistir da candidatura.
17:51Nesse cenário, em que o PT começa a bater muito na candidatura do Flávio
17:55e ele perca força.
17:56O senhor acha que seria necessário essa desistência para fortalecer esse campo?
18:00Ao contrário.
18:02Se Flávio começa a perder força,
18:04é que exatamente a presença de Caiá e Dezema são mais importantes
18:07para a gente ter certeza que esses votos que se dispersem,
18:10não se percam, né?
18:11Que eles têm alternativas dentro do campo da centro-direita.
18:14É exatamente o risco de uma fragilização da campanha do PL
18:17é que faz com que campanhas do Novo e do PSD
18:20sejam importantes para que a gente segure
18:23o candidato ou aquele eleitor
18:25que é o eleitor de centro
18:28ou de centro-direita moderado
18:30que às vezes olha e fala
18:31mas diante dessas acusações eu não quero votar nesse candidato.
18:34Ótimo, há alternativas.
18:36Você não precisa por isso deixar de votar
18:37ou muito menos votar em Lula, como fez na última eleição.
18:41O que a gente tem que buscar é dar para esse eleitor
18:45que não quis votar em Bolsonaro na última eleição
18:49alternativas para que ele não seja obrigado a votar na esquerda de novo
18:52porque ele já viu como é que isso foi ruim para o país.
18:54Então a minha leitura é o inverso dessa, Pedro
18:56é que só uma consolidação
18:59de uma vitória tranquila de Flávio Bolsonaro
19:03é que justificaria todos se unirem
19:05para a gente terminar com esse primeiro turno.
19:08Fora isso, é melhor que a gente mantenha
19:10as candidaturas de centro-direita
19:12de maneira que a gente tenha segundo turno
19:14e dê tempo para que os estados amadureçam.
19:18A eleição de primeiro turno é muito complexa
19:21na disputa presidencial
19:23porque ela se mistura com a disputa dos deputados.
19:26E muitas vezes os deputados estão ali muito preocupados
19:29com seus próprios votos e as suas próprias eleições
19:32que dão pouca atenção para a nacional.
19:34Então numa campanha muito apertada
19:36é importante ter dois turnos.
19:38E se é importante ter dois turnos
19:39é importante que eu tenha mais candidatos da direita.
19:43Então eu diria que o caminho da unificação
19:46é o caminho que vai se consolidando
19:48uma vitória de primeiro turno de Flávio Bolsonaro.
19:50Fora isso, nós deveríamos manter
19:51as candidaturas de novo e PSB.
19:54Governador, o eleitor mineiro
19:56é um eleitor muito peculiar.
19:57Talvez um dos mais peculiares do país.
20:00A gente teve em 2022
20:01a reeleição de Zema em primeiro turno.
20:04Porém, Lula ganhou no estado.
20:07Aquele efeito chamado Lula-Zema.
20:10Lula-Zema ele se chama.
20:11Exato.
20:12O senhor acha que é possível
20:13isso se repetir agora?
20:14A direita vencer no estado
20:15e o presidente Lula vencer novamente
20:17no estado que é tão fundamental
20:18para a eleição presidencial?
20:21Sabe, Pedro, que alguém me perguntou
20:23de Matheus,
20:23será que nós vamos ter o voto Lumões?
20:25Eu falei, pelo amor de Deus,
20:26eu nem gringo alguma coisa dessa.
20:28Nós vamos ter o voto Zema,
20:32Zeteus, Zema e Matheus.
20:33Nós não vamos ter Lumões.
20:37Eu espero que isso não aconteça
20:39e vamos trabalhar para que isso não aconteça.
20:42o eleitor de Minas,
20:44essa peculiaridade dele,
20:46especificamente com relação
20:47à eleição do presidente Lula,
20:49ela não tem a ver com a esquerda,
20:50ela tem a ver com o Lula.
20:52O mineiro não quer a esquerda de jeito nenhum,
20:54tanto é que a esquerda não consegue
20:55nem lançar candidato a governador.
20:56Basta ver o voto,
20:57dizer o desespero, né?
20:58Eles estão tentando lançar
20:59uma candidatura de centro
21:01para chamar de sua,
21:02porque eles não têm nenhum nome do PT,
21:04nenhum nome do PSOL,
21:05do PCdoB,
21:06nenhum nome originário do PSDB
21:07para ser candidato.
21:08Eles tiveram que levar a gente
21:10para lá para poder formar uma chapa,
21:13estão tentando formar ainda uma chapa,
21:14porque o mineiro não quer ir com o PT,
21:16não quer ouvir falar de PT.
21:18Mas o presidente Lula,
21:20ele é um homem muito popular,
21:23inclusive em Minas Gerais.
21:26Acho que a gente começa a perceber
21:28um desgaste dessa popularidade
21:30por conta da falta de entregas,
21:31das dificuldades que o governo federal tem tido.
21:34Esse Lula 3 é um Lula muito pior
21:37do que o Lula 1 e o Lula 2
21:38para a população, né?
21:39A população que tem uma memória afetiva
21:42do que foi o primeiro e o segundo mandato
21:43do governo Lula,
21:44olham para o governo de agora
21:45e falam, pelo amor de Deus,
21:46para onde que levaram aquele governo
21:47que estava aqui antes?
21:50Então, eu acho que Minas
21:52vem se libertando.
21:53Mas não é se libertando da esquerda, não.
21:55Da esquerda, Minas já se libertou.
21:57Ela vem se libertando
21:58desse domínio da figura do Lula,
22:01que é uma figura muito carismática mesmo.
22:03Se eu falo, todo mundo que fala,
22:03eu não entendo os votos do Lula,
22:05eu falo, você encontrou com o Lula?
22:06Eu já tive com o Lula várias vezes.
22:08Eu entendo os votos dele.
22:10Eu só não concordo com os votos,
22:11mas eu entendo.
22:12Ele é um homem carismático,
22:13um homem inteligente,
22:14só acho que não é o melhor para o Brasil
22:16e não tem que conseguir entregar
22:17o que a gente precisa.
22:19O senhor falou aí sobre a questão da esquerda,
22:21que tem dificuldade de montar um palanque no Estado.
22:24De fato, o Lula está tentando viabilizar
22:26uma candidatura indo pelo centro.
22:28O senhor acha que ele ainda tem condições
22:30de montar um palanque competitivo aí no Estado,
22:33principalmente no nome do senador Rodrigo Pacheco,
22:36que o senhor já citou?
22:38Um candidato do PT em Minas tem um teto, né?
22:40Por que é que alguém votaria
22:44num candidato de centro do PT
22:46se a pessoa não quer votar no PT?
22:48Não, esse candidato vai ter só os votos que teria mesmo
22:50e o voto de algum desavisado,
22:52um distraído que vote,
22:53esquecendo que o candidato é o candidato do PT.
22:57Mas mesmo, você vê que o desespero da alternativa
23:00é muito curioso, né?
23:02Rodrigo Pacheco é o responsável
23:04pela derrota de Dilma em Minas Gerais.
23:07Ele foi muito próximo de Bolsonaro
23:09na primeira metade do governo Bolsonaro.
23:13E ele sempre se colocou como um quadro de centro.
23:17Em alguns momentos, inclusive,
23:19se identificou como centro-direita.
23:20Ele é até o perfil dele,
23:22é um perfil meio aristocrático, né?
23:23Parece muito mais com o estereótipo
23:26do político de direita do que eu, por exemplo,
23:28sou mais roceiro.
23:30Mas eu acho que é falta de opção mesmo
23:33e isso dá à eleição dele um teto muito claro.
23:37São aqueles eleitores tradicionais do PT,
23:39aqueles 30% da população
23:41que se identifica com a ideologia de esquerda.
23:43E aqui em Minas não é diferente.
23:45Esse público existe,
23:46hoje em dia ele é cada vez menor.
23:48Então, assim, eu acho que a gente corre o risco real
23:51de uma candidatura do PT
23:52não chegar a 30% do Estado.
23:55Diferente do que aconteceu historicamente
23:57por aqui em que eles sempre tiveram
23:58mais perto de 30%.
24:00A derrota do Pimentel
24:02foi talvez o primeiro grande susto
24:03que o PT levou em Minas Gerais
24:05quando ele teve 19% dos votos.
24:07Com o Calil,
24:08a gente teve dificuldade de medir
24:09porque Calil é um candidato
24:10que flerta com o centro
24:12e tem esse jeito mais popular, né?
24:15Mas o PT não tem esses votos mais não.
24:17Tá muito difícil pra eles conseguirem aqui.
24:19Vamos olhar as prefeituras.
24:21nós da centro-direita
24:23ganhamos 804 prefeituras em 2024
24:29aqui em Minas Gerais.
24:30A esquerda ganhou 49.
24:33Então, assim,
24:3420 vezes menos, né?
24:3518,5 vezes menos prefeituras
24:37do que a centro-direita.
24:39Esse é o retrato da esquerda
24:41em Minas Gerais hoje.
24:43Querida por todos.
24:44O senador Flávio Bolsonaro,
24:46agora sim,
24:46ele tem avançado nas pesquisas, né?
24:49Perguntei sobre o candidato
24:50do seu partido,
24:51Ronaldo Caiado,
24:52mas eu gostaria de ouvir
24:53o que o senhor pensa
24:54sobre a candidatura do Flávio hoje
24:55e o quanto,
24:57hoje ele está em cenários
24:58nas pesquisas,
24:59de empate técnico, né?
25:00Enquanto o senhor pensa
25:01que um palanque forte em Minas Gerais
25:03é importante pra mudar
25:05esse cenário de empate técnico
25:06e dar vantagem
25:07ou desvantagem pra ele?
25:09Eu tenho duas leituras
25:11sobre o cenário nacional
25:13em Minas Gerais.
25:13A primeira delas
25:14é que nós precisamos
25:16numa eleição
25:17de dois turnos nacional
25:18que ela só tenha
25:20um turno em Minas.
25:21Pra que o Lula
25:22não tenha um palanque aqui.
25:24Isso pra mim
25:25é muito claro.
25:26Então,
25:26eu acho que se nós
25:27formos ter o risco
25:29de uma eleição
25:29de dois turnos nacional,
25:31se não tiver chance
25:32de um candidato de direita
25:33ganhar em um turno só,
25:34é importante que em Minas Gerais
25:36a eleição já tenha acabado.
25:37Porque foi assim
25:38que nós conseguimos
25:39garantir
25:40um crescimento
25:41de mais de um milhão
25:42de votos
25:43para o Bolsonaro
25:43na última eleição.
25:45Se você olhar
25:46a votação de Bolsonaro,
25:47Bolsonaro acabou perdendo
25:49no segundo turno aqui
25:50por um e meio por cento.
25:51Mas,
25:52eu e Zema
25:53e mais os deputados
25:54e senadores,
25:55nós conseguimos fazer
25:56a campanha de Bolsonaro
25:57aumentar mais de um milhão
25:59de votos
25:59do primeiro
26:00pro segundo turno.
26:01por quê?
26:02Porque Lula
26:02não tinha um palanque
26:03no Estado.
26:04A eleição já tinha acabado.
26:06Então,
26:06é muito importante
26:07que esse palanque
26:09em Minas
26:09não exista
26:10para o Lula.
26:11Esse é o primeiro ponto.
26:12Agora,
26:12então,
26:13acho que essa é a importância
26:14de Minas Gerais
26:14para Flávio.
26:15E eu respeito muito o Flávio.
26:17Acho que ele é um homem
26:18equilibrado,
26:19mais ameno
26:20do que
26:21os irmãos.
26:23Nada contra os irmãos,
26:24mas ele é o mais ameno
26:25dos irmãos.
26:26Sempre foi,
26:27não é de agora.
26:28tenha confiança do pai
26:30e tenha o meu respeito
26:31como senador da República,
26:32que já trabalhou bastante
26:33pelo país.
26:35Acho que Zema
26:37seria o melhor quadro
26:38da presidência da República,
26:39porque eu já trabalhei
26:40com o governador Zema
26:40sem a experiência
26:41da capacidade dele.
26:42Mas tenho certeza
26:43que o Brasil
26:43estaria muito bem servido
26:45com o Flávio Bolsonaro
26:46na presidência da República.
26:48Em comparação com o Lula,
26:49então,
26:49aí não dá nem
26:51para comparar
26:51o que seria o Brasil
26:53sob uma administração
26:54novamente da direita.
26:56Governador,
26:56eu queria a sua opinião
26:57agora sobre uma outra
26:58questão também
26:58um pouco nacional.
27:00O seu partido,
27:01o PSD,
27:02ele está bem dividido
27:03em alguns estados
27:04como Bahia,
27:06Amazonas...
27:06O que ele passa
27:07é meridiano
27:08aqui na altura
27:08de Minas Gerais,
27:09para cima ele é
27:10de centro-esquida,
27:11para baixo ele é
27:12de centro-direita.
27:13No Rio de Janeiro
27:14ele vai estar com Lula.
27:15O Rio está no rumo
27:17da linha.
27:19Queria saber
27:19o que o senhor
27:19pensa disso,
27:20dessa divisão toda interna.
27:22Eu sempre me coloquei
27:24como uma figura
27:26de direita,
27:27fiquei filiado
27:2820 anos
27:29no PSDB,
27:30porque o que existia
27:31de direita
27:31na época
27:32que eu era menino
27:32no Brasil
27:33era o PSDB.
27:34Que loucura,
27:35que claramente
27:35hoje a gente percebe
27:37um partido de esquerda,
27:38mas de centro-esquerda.
27:40Mas era o que tinha,
27:42era o melhor para o dia
27:43na época
27:43que eu estava por lá.
27:44Eu acho que o PSD
27:45cumpre um papel
27:46de se amoldar
27:48a realidade local
27:49de quem é de centro.
27:50Onde o centro
27:51tem de ir à direita,
27:53o PSD será
27:54de centro-direita.
27:54Onde o centro
27:55tem de ir à esquerda,
27:56ele será de centro-esquerda.
27:57Não me incomoda.
27:59Como eu sei também
28:00que os meus colegas
28:01de partido
28:02mais ao norte
28:03não se incomodam
28:04com o fato
28:04de eu ser um homem
28:05com posições
28:06mais próximas
28:07das posições
28:09de direita.
28:10A vantagem
28:11é que quando a gente
28:11fala da gestão
28:13estadual,
28:14isso faz pouca diferença,
28:15porque o importante
28:17na gestão estadual
28:18é gestão.
28:20A gente tem pouco
28:21tema ideológico
28:22para lidar
28:22porque nós não cuidamos
28:23da política econômica.
28:24Quem cuida
28:25da política econômica
28:25é o governo federal.
28:27Então eu fico feliz
28:28é de ver que nacionalmente
28:29na hora que o PSD
28:30vai lançar um candidato
28:31a presidente,
28:32ele é um candidato
28:32que conversa
28:33com o que eu converso.
28:34Eu ficaria muito desconfortável
28:36se o candidato
28:37a presidência
28:38pelo PSD
28:38fosse um quadro
28:40de centro-esquerda.
28:42Isso me traria
28:42muito em ponto.
28:43É por isso que
28:44essa foi uma leitura
28:45que eu fiz antes.
28:46Antes de vir para o partido,
28:47eu tinha certeza
28:48que o candidato
28:49seria o Ratinho
28:50ou o Caiara
28:51ou o Eduardo Leite
28:53que está aí
28:53mais ao centro
28:54do centro mesmo,
28:55mas que a gente
28:56não teria um nome
28:57como os nomes
28:57do PSD do Nordeste
28:59ou do Norte
29:00que tem todo o meu respeito
29:01mas não poderiam
29:02me representar nacionalmente.
29:03Não é o que eu defendo
29:04para a política econômica.
29:06Então acho que o PSD
29:07espero que ele saia
29:08dessa eleição
29:09mais à direita
29:09do que ele entrou
29:10na última
29:11porque vão ganhar
29:12estados com o Minas Gerais
29:13em que ele não estava
29:14no governo.
29:15Aqui em Minas Gerais
29:15a última campanha do PSD
29:17foi uma campanha
29:17até centro-esquerda.
29:18A candidatura do PSD
29:20era apoiada pelo Lula
29:21em Minas Gerais
29:22na última eleição.
29:23Quando eu fui lá
29:23e busquei o partido
29:24eu fui exatamente
29:25fazer esse arrasto.
29:26É arrastar o PSD
29:28mais na direção
29:29da direita
29:30como aconteceu em São Paulo
29:31em que o PSD
29:32está na base
29:32de Tarcísio
29:34como acontece no Centro-Oeste
29:35como acontece no Sul
29:36em que o PSD
29:37está sempre muito mais
29:39colocado à direita.
29:41O senhor teve recentemente
29:43um atrito
29:44com o Judiciário
29:45com o TSE
29:46por causa da questão
29:47das escolas
29:47cívico-militares.
29:49Eu queria saber
29:50por que o senhor acha
29:51que esses embates
29:53e essa beligerância
29:56mesmo
29:56entre os poderes
29:58e as instituições
30:00tem crescido no Brasil?
30:04Eu sou professor de direito
30:05uma vida inteira
30:06da aula de direito
30:07há 22 anos.
30:10No direito
30:11que eu estudei
30:12e que eu ensinei
30:13para os meus alunos
30:14durante 22 anos
30:15o STF
30:16não se envolvia
30:17em assuntos políticos.
30:18Aliás,
30:18o ministro do STF
30:19não dava entrevista.
30:20Eu lembro da presidente
30:21ministra Ellen Grace
30:23quando foi presidente
30:23e ela dizendo
30:24não vou dar entrevista
30:25porque esses temas
30:26podem ser submetidos
30:27ao Supremo
30:28e não é adequado
30:28que eu dê opinião pública
30:30sobre coisa que eu vou julgar.
30:31Hoje a gente pratica o contrário.
30:32O ministro tuita
30:33sobre as opiniões dele.
30:36Então,
30:36acho que o que está acontecendo
30:38no Brasil
30:38é uma perda
30:39da noção de limite.
30:42O Legislativo
30:43tem pecado um pouco
30:44quando começa
30:46a exercer
30:47administração
30:48através das emendas
30:49impositivas.
30:50O Judiciário
30:51tem pecado um pouco
30:52quando começa
30:53a interferir
30:54em questões administrativas
30:55como tem feito.
30:57Agora,
30:57o STF
30:58peca demais.
30:59Então,
30:59eu acho que
31:00é muito exemplo
31:01de cima para baixo
31:03que está nos contaminando.
31:04A gente criou
31:05no ambiente nacional
31:06esse ambiente de beligerância.
31:07Acho que o jeito
31:08do presidente Bolsonaro
31:09também contribui
31:10para isso.
31:11O presidente Bolsonaro
31:11era mais verbal
31:12na crítica às estruturas.
31:14Eu aqui,
31:15todas as vezes
31:16que eu entro
31:16em embate
31:17com o poder,
31:18eu entro na defesa
31:20das prerrogativas
31:20do Executivo.
31:21Eu não admito
31:22que o Legislativo
31:23ou o Judiciário
31:24ou o Tribunal de Contas,
31:25que foi o contínuo
31:26do último problema aqui,
31:27interfira em questão
31:28que diz respeito
31:29à administração pública.
31:30Eles cuidam do que é deles
31:31e eu não dou palpite
31:32no que é deles
31:32e eu cuido do que é meu.
31:34Quando um desembargador
31:36mandou soltar
31:37um estuprador
31:38do Manenor,
31:39ninguém me viu
31:40fazendo tweet
31:41com críticas
31:43ao Judiciário.
31:44Eu fui ao Judiciário,
31:45pedi uma reunião
31:46com o presidente
31:46e pedi a ele
31:48que avaliasse
31:49se aquilo
31:49era o mais correto.
31:50Eles resolveram
31:51mudar a decisão
31:52e eles devolveram
31:54o cara para a cadeia
31:54e depois afastaram
31:55o desembargador
31:56que tinha dado a decisão.
31:57É isso para mim
31:59que é o comportamento
31:59correto de poderes
32:00que se respeitam.
32:01Eu não fui fazer crítica
32:03à instituição publicamente
32:04e nem fui interferir,
32:06pretender interferir
32:07com os meus atos
32:07no que eles estavam fazendo.
32:08Agora, daí,
32:09um pai
32:10ser impedido
32:11de escolher
32:11onde quer pôr
32:12seu filho
32:12para estudar
32:13por decisão
32:14de Tribunal de Contas
32:15confirmada
32:16por um desembargador,
32:17desculpe,
32:17isso eu não aceito.
32:18Não admito
32:19porque isso é
32:20um desembargador,
32:21um conselheiro
32:23de Tribunal de Contas
32:23se julgando
32:24acima do pai
32:25na decisão
32:26sobre a educação
32:26do filho.
32:27E esse tema
32:28é um tema
32:29do executivo,
32:30não compete
32:31ao judiciário
32:32nem ao Tribunal de Contas
32:33dar opinião sobre isso.
32:34São Paulo tem o programa,
32:35nunca foi questionado,
32:36Paraná tem o programa,
32:38nunca foi questionado,
32:39o Brasil tinha o programa,
32:41nunca foi questionado.
32:42Aí vem o Tribunal de Contas
32:43de Minas Gerais
32:43querendo impedir
32:44que os mineiros
32:45possam fruir
32:45desse mesmo direito
32:46que no resto do Brasil
32:47é garantido para todo mundo.
32:48Não.
32:49Minas é a terra
32:50da liberdade.
32:51A gente tem que praticar
32:52isso todos os dias
32:53e respeitar
32:53os limites dos poderes.
32:55Eu sou muito institucional,
32:56até mais do que o governador Zema.
32:58Respeito muito o outro,
33:00desde que o outro
33:00entenda bem o meu limite.
33:02Eu não admito
33:03que passe
33:04do meu ponto.
33:05O governador,
33:06o ex-governador Zema,
33:07ele tem uma crítica
33:08mais estrutural
33:09sobre o Brasil.
33:09Ele gostaria de ver
33:10uma reforma das instituições.
33:11Ele, como pré-candidato
33:13à presidência,
33:13foi no papel dele
33:14discutir isso.
33:15Eu não discuto isso,
33:16não quero uma reforma
33:16institucional em Minas Gerais.
33:18Eu quero só
33:18que o Tribunal de Contas
33:20tomo conta dos assuntos dele
33:21e deixo que eu tomo conta
33:22dos assuntos do Executivo
33:23e a gente encontra
33:24no meio do caminho
33:25quando o assunto for bom.
33:26Agora, não vamos pisar
33:27em cima da faixa
33:28do Executivo
33:29para além disso, não.
33:31O senhor falou aí
33:32sobre a questão
33:32do presidente Bolsonaro,
33:33que ele era mais verbal,
33:35fazia ataques mais diretos
33:36ao STF.
33:36Isso foi uma questão
33:37ali durante o governo dele.
33:40Mas isso continua.
33:42Isso se mantém,
33:43os ataques ao STF
33:44são cada vez mais frequentes
33:45e certamente vai ser
33:46um tema de campanha.
33:47Qual a sua avaliação
33:48sobre o STF
33:49e o Judiciário
33:51se tornar um tema
33:52de campanha?
33:53Eu lamento
33:54porque eu acho
33:55que as instituições
33:55são boas e respeitáveis.
33:58Agora, eu acho
33:58que quem é tema
33:58de campanha hoje
33:59são alguns ministros.
34:00Eu não acho
34:01que é o STF, não.
34:02O modelo funciona bem
34:04desde que os ministros
34:05se deem o respeito.
34:06Você imaginar
34:07que um ministro
34:08peça para abrir
34:11e que inclua
34:13num inquérito
34:13sem fim,
34:14que é o inquérito
34:15das fake news,
34:16uma investigação
34:17contra um ex-governador
34:19que está criticando
34:21o que é publicamente conhecido
34:23de desmandos cometidos
34:25pelo tribunal,
34:26por membros do tribunal,
34:28esse desejo de calar
34:29como base na ameaça,
34:31essas decisões absurdas
34:33que são dadas
34:34do dia para a noite,
34:35uma lógica...
34:35É até um tema bem técnico,
34:36mas eu aprendi
34:37quando eu era menino
34:38que é proibido o juízo inquisitivo
34:40no Brasil,
34:41que essa lógica
34:42do juiz decidiu
34:42que ele vai julgar,
34:43que ele só pode agir
34:44quando ele é provocado.
34:45No Brasil,
34:46o ministro social,
34:46alguns ministros,
34:47ministro Alexandre de Moraes,
34:48ministro Gilmar Mendes,
34:48perderam completamente
34:49essa fronteira.
34:51Eles tratam
34:52os seus adversários,
34:54coisa que o juiz
34:54nem devia ter,
34:55como inimigos institucionais
34:58e ameaçam
34:59as autoridades públicas
35:00com o peso do tribunal.
35:03Gente com esse tipo de cabeça
35:04não poderia ocupar
35:06posição de poder.
35:07Seria a mesma coisa
35:08de eu colocar
35:08a minha polícia
35:09em cima deles.
35:10Dizer que eu vou
35:10invadir o Supremo
35:12usando a polícia militar.
35:14Imagina,
35:14uma loucura desse tipo
35:15fazer o que eles fazem.
35:16Se um governador
35:17fizesse isso,
35:18ele seria preso
35:19no dia seguinte.
35:20Agora o ministro
35:20pode ameaçar
35:21as outras autoridades
35:22dizendo,
35:23olha,
35:24lembra que eu te dei
35:25um aliminar.
35:25O ministro Gilmar
35:26disse isso outro dia
35:26sobre Minas Gerais,
35:27que Minas Gerais
35:28devia ser maior,
35:29que o ex-governador
35:30meuseu,
35:30de tomar cuidado,
35:31que afinal de contas
35:31ele já precisou muito
35:32do STF no passado.
35:34O que ele quer dizer com isso?
35:35Ele vai revogar
35:38que eram técnicas,
35:38não,
35:39ele estava trocando
35:39algum favor
35:40com as estruturas de poder.
35:41Você deu respeito,
35:42né?
35:43Eu acho que nós estamos,
35:44nós não temos um problema
35:45de crise institucional
35:47no Brasil,
35:47nós temos um problema
35:48de crise pessoal.
35:49Há algumas pessoas
35:50que estão na hora
35:51de se aposentar no Brasil,
35:52que é parar de passar
35:53a vergonha,
35:54entre elas,
35:55mais de um ministro
35:56do Supremo
35:56a essa altura.
35:57Hoje nós temos
35:58dez ministros,
35:59o senhor falou
35:59de alguns nomes aí.
36:01Tem ministro melhor,
36:02ministro pior?
36:03Qual que é a sua avaliação?
36:04Qual seria o pior
36:05e qual seria o melhor
36:06nesse sentido?
36:07Não, eu não faço
36:08uma escala Richter,
36:09não,
36:09mas eu vou dizer,
36:10vou dar o exemplo
36:10do presidente.
36:11O presidente do Supremo
36:12hoje é um homem
36:12que fica calado
36:13sobre os temas complexos,
36:15como todo juiz
36:16devia ficar.
36:17Assim,
36:18se dando respeito,
36:19entendendo que ele pode
36:20ser obrigado a julgar,
36:21então, assim,
36:22preocupado com compliance,
36:23com ética.
36:24Assim,
36:25a minha conterrânea,
36:27ministra Carmen Lúcia,
36:28da mesma forma,
36:29tem ficado calada
36:30sobre temas.
36:30Você não vê
36:30Carmen Lúcia dando
36:33entrevista,
36:33dando opinião
36:34sobre o que está acontecendo
36:35na política,
36:36guarde para si,
36:37você vai ter que julgar,
36:38se dê o mínimo de respeito.
36:40Carmen Lúcia faz isso,
36:41ela é toda cuidadosa com isso.
36:42Olha,
36:43a ministra Carmen Lúcia
36:44é um bom exemplo sobre isso.
36:45Eu e a ministra Carmen Lúcia
36:46não concordamos em tudo
36:47tecnicamente,
36:48eu estou falando como advogado,
36:49como procurador de carreira
36:50que eu sou,
36:51mas eu respeito muito
36:53tecnicamente a ministra
36:54e as decisões dela
36:55e nunca vi a ministra
36:56abusando da posição dela.
36:57mas vejo outros vários
36:59abusando,
37:00ao contrário,
37:00eu vejo ela preocupada
37:01com compliance,
37:02vejo ela preocupada
37:03em não receber para dar palestra,
37:05em não andar em jatinho
37:06de ninguém,
37:07em não ficar falando
37:08bobagem pelo tweet.
37:10Em compensação,
37:11ela tem alguns colegas
37:12que só fazem isso,
37:14vivem de arranjar dinheiro
37:16para os amigos,
37:16para os parentes,
37:18andar em jatinho
37:18emprestado aos outros.
37:20Então, assim,
37:21o STF precisa passar
37:22por um momento
37:23de auto-reflexão,
37:24eu não queria que ele fosse
37:24julgado pela rua.
37:25Eu acho que os ministros
37:27deviam fazer uma reflexão
37:28sobre isso,
37:29entender que há comportamentos
37:30que preservam a instituição
37:32e outros que destroem a instituição.
37:33E hoje é muito claro
37:34lá no Supremo,
37:35você olha alguns ministros
37:36e você vê alguns
37:37que estão trabalhando
37:38para enriquecer a si e aos seus,
37:39e outros que estão preocupados
37:41com o futuro do tribunal.
37:43Então, governador,
37:44o senhor é a favor
37:45do código de ética
37:47que está sendo proposto hoje
37:48no STF?
37:50Eu sou a favor
37:51que o próprio STF
37:52tentasse conter.
37:53Se é através
37:54de um código de ética,
37:55por mim,
37:55ótimo.
37:56Eu acho que não deveria
37:57ser necessário,
37:58você fez uma pergunta importante,
37:59Pedro,
37:59você falou assim,
37:59Matheus,
38:00o que você acha
38:01do STF virar assunto
38:02de campanha eleitoral
38:04esse ano?
38:04Acho péssimo,
38:05acho péssimo.
38:06O tribunal não deveria
38:07ser assunto de campanha eleitoral,
38:08eles não são eleitos.
38:10Agora,
38:11também acho muito ruim
38:11você ter ministro
38:13enriquecendo as cursos
38:14de processo de julga
38:15e ministro perseguindo
38:16adversários
38:17com a estrutura
38:19do tribunal.
38:19Se o que resolvesse
38:20um código de ética,
38:21ótimo.
38:22Se for autoanálise,
38:23ótimo também,
38:24terapia,
38:25o que eles acharem
38:25que faz sentido
38:26fazerem
38:27para que esse
38:29desvio comportamental
38:30seja corrigido.
38:31O STF não era assim,
38:33Historicamente,
38:34nós não temos
38:34um tribunal
38:35com esse perfil,
38:36um perfil de perseguir
38:37as pessoas,
38:38de dar declaração
38:38sobre as pessoas,
38:39de se envolver
38:40politicamente,
38:41nem de,
38:41muito menos,
38:42ganhar dinheiro
38:43com a função
38:43de ministro.
38:44A gente tem que recuperar
38:45o tribunal
38:46de outro dia.
38:47Eu estava num tribunal
38:47de dez anos atrás,
38:48era um outro tribunal.
38:51Governador,
38:51voltando à questão
38:52das escolas
38:52cívico-militares,
38:54teve toda a questão
38:55com o TCE,
38:56mas ainda assim
38:57o senhor insistiu
38:57e mandou um projeto
38:59de lei para a Assembleia.
39:00Por que o senhor acha
39:01que é tão importante
39:02esse modelo?
39:03Eu acho que é importante
39:04os pais poderem escolher.
39:06Em Minas Gerais,
39:07nós temos quatro mil
39:08escolas estaduais.
39:10A proposta,
39:10a minha proposta,
39:11é que em 700 escolas,
39:13que são aquelas
39:14em situação de vulnerabilidade,
39:16em que eu tenho
39:16tráfico dentro da escola,
39:18eu tenho bandido entrando,
39:20eu tenho gente
39:20dentro da escola transitando
39:22que não é aluno
39:22sem que os professores
39:23tenham condição física
39:25de impedir que isso aconteça,
39:27eu tenho professores
39:28sendo ameaçados.
39:29E nessas escolas
39:30que estão mais vulneráveis,
39:31a gente pudesse consultar
39:33a comunidade,
39:34se a comunidade quer.
39:35Quem que é a comunidade?
39:36Professores,
39:37alunos e pais.
39:38E onde eles quisessem,
39:40a gente pudesse chamar
39:41voluntários da reserva
39:43da Polícia Militar
39:44para virem prestar um apoio
39:46fora da sala de aula,
39:47que é o apoio de entrada
39:48e de pátio.
39:49A Cívico Militar
39:50não tem nenhuma aula
39:52com presença de militar,
39:53o militar não participa
39:54da discussão pedagógica,
39:56ele só cuida
39:57da entrada das crianças
39:58na escola
39:59e do comportamento
40:00no pátio,
40:01para a gente ter
40:01organização, disciplina
40:03e ética militar
40:04sendo pregada
40:05nesses espaços
40:05que são os espaços
40:06abertos da escola.
40:08Então,
40:08como é que alguém
40:09pode ser contra
40:10um projeto desse?
40:11Eu não faria
40:12nenhuma cidade
40:13que só tivesse
40:14uma escola,
40:15sempre seria possível
40:16então ao pai
40:17matricular o filho dele
40:18numa escola convencional,
40:20a gente só faria
40:21onde a comunidade
40:22fosse a favor
40:23e não faríamos
40:24em todas as escolas,
40:24volto a dizer,
40:25faríamos em 700
40:26de 4 mil
40:27à consulta,
40:28porque pode ser
40:29que a comunidade
40:30fosse contra em alguma.
40:31A gente rodou,
40:32Pedro,
40:32essa pesquisa
40:33em pouco mais
40:34de 90 escolas
40:35antes do tribunal
40:36proibir,
40:37porque a gente
40:37estava fazendo assim já.
40:38e em mais de 60 escolas
40:41a decisão da comunidade
40:42foi que queria,
40:43mas em 31 escolas
40:45a decisão foi
40:46que eles não queriam.
40:46Ótimo,
40:47onde eles não querem
40:47e não seria feito.
40:49Quem é que pode ser
40:50contra um processo desse,
40:51um processo que atrai
40:52o pai pra dentro da escola,
40:54que atrai o aluno
40:55pra dentro da discussão
40:56da educação que ele vai ter
40:57e que está discutindo
40:58basicamente ética
40:59e disciplina
41:00nos espaços externos
41:01da sala de aula?
41:02Eu não consigo entender
41:03como é que alguém
41:04pode ser contra
41:05um projeto como esse,
41:06especialmente num estado
41:08como Minas Gerais,
41:09em que as nossas
41:09escolas militares,
41:11ainda não estou falando
41:11da círculo militar,
41:12mas das militares,
41:13eu tenho 30 escolas militares
41:14em Minas Gerais,
41:15são as escolas tiradentes,
41:17são as melhores escolas
41:18por tudo o estado.
41:19Eu tenho filas e briga
41:20pro pessoal conseguir
41:22matricular
41:22nas escolas militares
41:23do estado,
41:24que elas são prioritariamente
41:25pra polícia,
41:26diferente da círculo militar.
41:27Só que sobra vaga,
41:28a gente abre o público comum,
41:29é um desespero,
41:31eu estou dobrando
41:31essas escolas agora,
41:32elas vão passar
41:32de 30 pra 60,
41:34você precisa ver
41:34alegria em cada cidade
41:35que a gente vai dizendo,
41:36aqui agora vai ter
41:37uma escola militar.
41:38Porque os pais querem
41:39esse tipo de formação
41:41pros seus filhos.
41:42Agora, o que o Tribunal
41:43de Contas tem a ver com isso?
41:44Ficar dando palpites
41:45se o pai pode ou não escolher,
41:47o meu pai escolheu pra mim,
41:49escolas católicas
41:50pra eu estudar.
41:51Ele nunca teve que pedir
41:52autorização pra juiz,
41:53nem pra conselheira
41:54do Tribunal de Contas,
41:54pra me matricular
41:55em escola católica,
41:56porque ele queria me dar
41:57uma formação católica.
41:58por que um pai
41:59de uma criança
42:00mais pobre
42:01não pode ter o direito
42:02de tomar a mesma decisão
42:03pro filho dele?
42:04De escolher
42:04um modelo ético
42:05mais rígido?
42:07E por que
42:07que os professores
42:08são obrigados
42:09a dar aula em escolas
42:10com situação de segurança
42:12tão precária,
42:13a ponto de não poderem
42:14ter um policial
42:14na entrada,
42:15um policial no pátio,
42:16pra que a gente tenha certeza
42:17que traficante, por exemplo,
42:18não entre dentro da escola?
42:20O senhor citou aí
42:21a questão do tráfico
42:22rapidamente,
42:23e a gente tem
42:24alguns dados recentes
42:25que apontam
42:25pra o crescimento
42:27da presença
42:28de facções
42:28em Minas Gerais.
42:29Como é que o senhor
42:30pretende enfrentar
42:31esse problema?
42:32Eu presido já,
42:34por decisão do governador
42:35Romeu Zema,
42:35há mais de um ano
42:36o nosso Comitê
42:37de Defesa Social,
42:38que cuida das grandes
42:39operações das polícias
42:41militar, civil, penal
42:42e também do corpo
42:44de bombeiros.
42:45E nós já temos
42:46seis frentes
42:47de combate
42:48à presença
42:48do crime organizado
42:49no Estado,
42:51combatendo o financiamento
42:52deles, né?
42:53Em Minas Gerais,
42:54nós não temos
42:55nenhuma área
42:55de domínio
42:56de facção,
42:57que são essas áreas
42:57em que a polícia
42:58não pode entrar,
42:58que infelizmente existem
42:59na Bahia,
43:00existem em São Paulo
43:01e no Rio de Janeiro,
43:01a nossa polícia
43:02anda em qualquer lugar
43:03sem pedir licença,
43:04sem ter que avisar antes,
43:05simplesmente entrando,
43:06com o carro normal,
43:07sem ser carro blindado,
43:09mas o crime organizado,
43:12os faccionados
43:12estão cada vez
43:13mais presentes.
43:14Eu já tenho
43:15mais de dois mil
43:16faccionados presos
43:18em Minas Gerais.
43:19Eu já tenho presídios
43:20especializados em faccionados,
43:22onde eu tenho só faccionados
43:23para não misturarmos
43:24com a população carcerária comum.
43:25E a gente vai continuar
43:26lutando com operações
43:27estruturadas para impedir
43:29que eles entrem.
43:29As nossas áreas de divisa
43:31são as mais problemáticas,
43:32obviamente,
43:32a nossa divisa com a Bahia,
43:33a nossa divisa com o Rio
43:35e com São Paulo
43:36são os nossos pontos
43:36mais frágeis.
43:38A gente não tem muito problema
43:39na divisa com Goiás,
43:42mas temos aumentado
43:45a inteligência policial
43:47no combate às facções
43:48dentro do Estado
43:49e vamos ser muito duros.
43:50A polícia de Minas Gerais
43:52é conhecida por isso.
43:53Ela é muito tranquila
43:55com a população comum,
43:56é aquele policial
43:56que você vê
43:58ajudando uma senhorinha
43:59a atravessar a rua,
44:00ajudando uma pessoa
44:01a empurrar um carro,
44:02mas bandido
44:03não brinca com a nossa polícia, não.
44:04Nossa polícia
44:05é muito bem treinada,
44:06está muito bem equipada
44:07e eu continuo aumentando
44:09o número de policiais
44:09que eu tenho hoje
44:10dentro da minha estrutura.
44:12Desde o começo
44:12do governo Zema,
44:13nós já contratamos
44:14mais de 20 mil policiais.
44:15Eu, nesse mês de maio,
44:17estou formando
44:19mais 3 mil soldados
44:20da polícia militar.
44:21Nós vamos continuar
44:22com esse crescimento
44:23da minha estrutura policial
44:25para garantir
44:25que Minas seja
44:26um Estado seguro
44:26como é hoje.
44:27Continua sendo
44:28o mais seguro
44:29do Sudeste
44:29e a gente quer
44:30que continue sendo
44:30um dos mais seguros
44:31do Brasil.
44:32Muito obrigado,
44:33governador.
44:34Pessoal, é isso.
44:35Esse foi o Amarelo Zonner
44:37para a minha entrevista
44:37de Veja.
44:38O Amarelo Zonner
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