00:00Aí eu quero chamar o Alex Agostini, que é economista-chefe da Alcine Rating, para comentar conosco aqui, porque eu
00:06quero saber dele.
00:08Agostini, você que está sempre conversando com o pessoal do mercado, os agentes, investidores, economistas,
00:14já se fala numa outra candidatura capaz de, pelo menos, se aproximar e jogar para o segundo turno em relação
00:24ao presidente Lula,
00:25que não seja o senador Flávio Bolsonaro, ou o mercado ainda mantém a fé de que o senador pode reverter
00:33essa queda,
00:33que essa foi uma queda só de curto prazo?
00:37Melisca, bom dia, bom dia a todos.
00:40Olha, na verdade, o mercado financeiro está bastante preocupado em relação ao que pode acontecer com as eleições brasileiras.
00:48Obviamente que no dia 14, com a divulgação do áudio de Flávio,
00:53o mercado ficou bastante negativo, a gente estava aqui conversando naquele momento.
01:00Justamente porque seria, e ainda é, o nome a fazer frente com o atual presidente, Lula, no segundo turno.
01:10Porque passou a ter a preocupação agora que o Lula ganhe no primeiro turno.
01:15Bom, mas qual seria o problema, sendo que nós temos vários indicadores da economia muito positivos?
01:21Crescimento econômico, emprego, renda, qual que seria o maior problema?
01:27E aí você, no começo da entrevista, falou muito bem da apresentação do programa.
01:34A preocupação é que a perspectiva futura de mudança de política econômica do atual governo praticamente não existe.
01:41O que significa?
01:42É a manutenção desse problema de autoendividamento, e não só autoendividamento, mas crescente.
01:49A dívida bruta PIB continua desilisando para cima.
01:53Justamente porque a execução da política fiscal, que é gasto contra arrecadação, tem sido deficitária.
02:00Ou seja, a cada momento o governo tem que fazer algum ajuste do lado da arrecadação para tentar fechar a
02:07conta.
02:07E aí, nesse cenário, preocupa os investidores justamente porque hoje não há um nome que seja da direita, do centro,
02:18que possa fazer frente ao presidente Lula.
02:21O nome mais forte era o Flávio Bolsonaro, talvez seja ainda, porque ele não desistiu e não vai desistir,
02:28mas ele já perdeu o capital político.
02:30Ainda que ele tenha o melhor nível de capital político ideado do pai, e aí ele tem uma parcela fiel
02:37de eleitores,
02:39mas sem dúvida alguma aquela parcela que estava em dúvida, agora parece que já está migrando para ou o presidente
02:48Lula,
02:48ou vai anular o voto, porque talvez nenhum dos dois candidatos atendam as suas expectativas,
02:55tanto de política como de economia.
02:57O cenário, então, Verusca, é sim um pouco preocupante, mas o mercado financeiro não vive só de expectativa política.
03:05A gente vale lembrar que a gente ainda está num momento de incerteza externa muito grande,
03:11de expectativa de mudança na condição da política monetária nos Estados Unidos, que é a questão dos juros.
03:16Então, tudo isso também tem mexido com o mercado financeiro, os ativos como Bolsa, Câmbio, Juros Futuros,
03:24tem mexido nos últimos dias.
03:27É, a gente vai falar disso um pouquinho mais para frente, eu só dei uma separadinha aí nos assuntos,
03:32mas aí eu vou insistir com você nessa questão das eleições,
03:36porque ontem a Bolsa encerrou o pregão a 174.279 pontos, um recuo de 1,52%, com perdas próximas de
03:487%.
03:49Em maio, foi uma queda grande, uma das maiores quedas do ano, e o dólar teve alta, disparou 0,85%.
03:58Você bem disse, o cenário externo influencia, mas também o nosso cenário doméstico.
04:03E aí eu quero te perguntar novamente sobre eleições, o fato do ex-ministro Joaquim Barbosa ser anunciado pelo PDC,
04:11que é o Partido Democrata Cristão, como pré-candidato, muda algo?
04:15Porque na pesquisa Atlas Intel ainda não deu tempo de colocar o ex-ministro, mas ele foi anunciado.
04:22Joaquim Barbosa seria um nome viável para os agentes financeiros?
04:27Olha, na verdade, o grande problema de um candidato é ele ter presença em todo o território nacional.
04:36Joaquim Barbosa é uma figura desconhecida amplamente da população brasileira.
04:41Conhecido mais daqueles que acompanham a parte institucional, como, lembrando que Joaquim Barbosa era um ministro da STF,
04:49então ele fica mais restrito a essa sociedade que acompanha o noticiário político, o noticiário de judiciário, de investimentos.
04:59Então ele não tem essa capilaridade de ser conhecido em relação a outros candidatos, como, por exemplo, o Ronaldo Caiado,
05:10governador de Goiás, muito conhecido, ex-senador.
05:12Então esse tem uma grande representatividade e mesmo assim não performa.
05:16Então acaba não sendo um nome viável, porque ele é prontamente combatido por outros nomes que são até melhores que
05:26o dele, como o Zema.
05:27Melhores que eu digo de conhecimento, não de gestão, de conhecimento público.
05:31Então como o Zema, como o Caiado, que mesmo assim não estão performando bem para fazer frente ao Lula.
05:36Então Joaquim Barbosa vai entrar apenas para conseguir, de alguma forma, pulverizar ainda mais os votos daqueles que estão ou
05:47indecisos
05:48ou que estão desanimados com os dois nomes, tanto de Flávio como de Lula.
05:53Então ele vai muito mais pulverizar os votos e isso acaba até fortalecendo quem está à frente das pesquisas, no
05:59caso, o presidente Lula.
06:01Então está numa situação muito interessante no sentido de que a gente não vê um outro nome da direita ou
06:10do centro para fazer frente ao presidente Lula.
06:13E como eu disse, seria muito importante que o presidente Lula tivesse um plano econômico mais austero.
06:18Pelo contrário, o que a gente viu nas últimas semanas foi apenas abrindo o cofre para tentar a reeleição.
06:24E isso a gente já viu no passado, em 2014 principalmente, deixa um legado bastante preocupante.
Comentários