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  • há 11 horas
A nova redação da NR-1, que inclui riscos psicossociais no ambiente de trabalho, passa a ser fiscalizada a partir de maio de 2026. A norma amplia a atenção para temas como estresse, assédio, burnout e violência no trabalho, exigindo adaptação das empresas.

Mas uma pesquisa da The School of Life Brasil, em parceria com a Robert Half, revela um cenário de alerta: parte significativa de líderes e profissionais ainda não está preparada para lidar com as novas exigências.

No Mercado, apresentado por Veruska Donato, a especialista em saúde mental corporativa Erica Rodrigues analisa os desafios da implementação da norma e os impactos para empresas e trabalhadores.

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00:13Olá, bom dia. Hoje é segunda-feira, 20 de abril de 2026. Esse é o seu programa Mercado com as
00:20notícias de economia mais importantes do Brasil e do mundo. Você já ouviu falar na NR1, que é a Norma
00:31Regulamentadora 1, que é uma diretriz-brase para trazer segurança e saúde no mercado de trabalho.
00:39A nova redação da NR1, com foco na inclusão de riscos psicossociais, entra em vigor e passa a ser
00:48fiscalizada em 26 de maio de 2026. A norma passou a prever de forma explícita a inclusão de fatores
00:58como estresse, assédio, burnout e violência no trabalho. Inicialmente, a nova redação da norma
01:04deveria produzir efeitos já em abril de 2025. No entanto, diante das dúvidas levantadas sobre a
01:13aplicação prática, o Ministério do Trabalho e Emprego decidiu adiar o início da fiscalização.
01:21Uma pesquisa realizada pela The School of Life Brasil, em parceria com a Robert Half, revelou um cenário
01:29de alerta. 35% dos líderes não têm conhecimento básico para apoiar as empresas no cumprimento da
01:37nova redação da NR1. Entre os liderados, o número é ainda maior. 49% não sabem o que é ou
01:46desconhecem
01:47a atualização da norma. A pesquisa ouviu 774 profissionais em todo o Brasil, sendo 387 líderes e 387 liderados
01:59ou colaboradores da empresa, todos com nível superior e com mais de 25 anos. Para falar sobre essa pesquisa,
02:07sobre a saúde mental no ambiente de trabalho, eu converso com a Erika Rodrigues, ela que é especialista
02:12em saúde mental no ambiente corporativo. Erika, seja muito bem-vinda, um bom dia para você.
02:20Boa tarde, bom dia, obrigada.
02:23Boa tarde, prazer estar aqui conversando sobre a temática.
02:26Ah, que bom. Seja bem-vinda, viu? Me explica o seguinte, por que que houve a necessidade de atualizar a
02:32NR1?
02:37Quando a gente pensa sobre saúde e segurança do trabalho, a CNR já existe há um bom tempo, né?
02:42E a gente vai percebendo um agravamento na saúde mental vindo dos afastamentos, principalmente por
02:48por ansiedade, por depressão e burnout. Com isso, a NR1, ela precisou ser atualizada.
02:54Na primeira versão que a gente teve, que foi para implantar o ano passado, a gente tem ali algumas questões
03:00que não ficaram tão claras de como as empresas iriam praticar. Então, surgiram diversas dúvidas.
03:06Com isso, foi feita uma atualização com mais diretriz, com mais direcionamento, para que a partir de agora
03:12a empresa tenha um passo a passo efetivamente para seguir.
03:16Érica, quais eram as principais dúvidas que precisaram trazer mudanças para que as empresas
03:22pudessem entender melhor o que estava acontecendo?
03:25Sim. As principais dúvidas, elas vieram um pouco mais relacionadas a como colocar em prática mesmo.
03:31Se precisaria ter um psicólogo na empresa, quem seria o responsável por colocar em prática,
03:36como que funcionaria o diagnóstico, o plano de ação, como que isso seria protocolado
03:41junto ao Ministério do Trabalho. Então, as dúvidas, elas estavam mais nesse campo prático
03:47de como que isso vai funcionar dentro do dia a dia do escritório, das empresas, de maneira geral.
03:53E como isso ficou acordado? Será necessário mesmo ter um psicólogo ali à disposição da empresa,
03:58pelo menos 24 horas por dia, né, para atender não só os líderes, como também os liderados?
04:05Não, não vai ser necessário. Na verdade, para a implantação do NR1, a pessoa não precisa ser psicólogo
04:11para colocar em prática. O diagnóstico, a definição do plano de ação pode ser feita por saúde e segurança
04:18no trabalho, pode ser feita por um psicólogo, pode ser feita por um administrador que tenha um conhecimento
04:23mais voltado para a área de saúde mental. O que é importante a gente pensar é que dentro desse diagnóstico,
04:31quando a gente tem um psicólogo, quando a gente tem um especialista em saúde mental,
04:35é claro que a gente consegue observar nuances melhores em relação à prevenção desse adoecimento.
04:41Mas não é necessário ter um psicólogo disponível dentro da empresa para colocar em prática.
04:46Hoje, a maioria das empresas tem compliance, né, que lida muito com essas questões do ambiente de trabalho,
04:53como assédio moral, assédio sexual, recebe denúncias, né, de que o ambiente de trabalho não está muito favorável.
05:00Essa NR1, ela vai além do compliance, né, sai do jurídico para trabalhar a saúde mesmo.
05:10Exatamente. O compliance, ele acaba trabalhando muito mais voltado para quando o problema já aconteceu.
05:16Seja um assédio, seja, né, a denúncia de metas abusivas, enfim.
05:22A NR1, ela vem para trabalhar na prevenção do adoecimento.
05:25A ideia é diminuir que esses compliance aconteçam, que processos trabalhistas aconteçam,
05:31que os afastamentos aconteçam dentro da empresa.
05:33Então, é muito importante as empresas e a liderança entender que a NR1 tem como objetivo
05:39proteger o funcionário e também proteger o ambiente organizacional.
05:43É uma junção desses dois fatores.
05:46Agora, Érica, a empresa, ela tem que fazer exatamente o que, além de ter esse profissional de saúde mental à
05:52disposição?
05:54Ela tem que cumprir metas? Ela tem que lançar campanhas? O que?
05:59Vai ter um passo a passo para ser atendido, né?
06:02Então, a primeira coisa que a empresa vai precisar fazer é um diagnóstico,
06:05para analisar quais são os fatores de riscos que existem ali dentro da empresa.
06:09E, geralmente, esse diagnóstico é aconselhado que seja feito por departamento,
06:13porque o fator de risco pode ser diferente por área dentro de uma empresa.
06:17Então, uma área administrativa de recursos humanos ou de financeiro
06:21vai ter um problema diferenciado, por exemplo, de uma área mais de indústria,
06:26mais metalúrgica, mais operacional.
06:29Então, a primeira etapa vai ser essa, os fatores de risco.
06:33Com isso, a empresa vai identificando dentro desse diagnóstico
06:37o que realmente está adoecendo ali os funcionários.
06:40E, depois dessa avaliação, a empresa vai precisar ter um plano de ação
06:44por fator de risco.
06:46Então, supondo que a empresa tenha ali em uma determinada área
06:49como principal fator assédio,
06:51a empresa vai precisar ter uma intervenção para assédio.
06:54Haverá uma fiscalização do governo federal
06:59se as empresas estão aplicando ou não essa norma?
07:05Essa é a ideia, né?
07:06Os auditores do Ministério do Trabalho vão passar a fazer essa fiscalização.
07:11Antes, a fiscalização já acontecia quando a gente pensava em saúde física,
07:15como, por exemplo, a entrega de EPIs.
07:17E essa fiscalização vai passar a acontecer para os riscos psicossociais também.
07:22E aí, a empresa vai precisar ter um laudo
07:24e ter todo documentado esse processo de diagnóstico,
07:28de intervenção, de plano de ação,
07:30para entregar para o Ministério.
07:33Agora, vamos para outra parte, resolvidas as dúvidas sobre a NR1.
07:40As doenças mentais ou transtornos mentais em ambiente de trabalho
07:46ou qualquer ambiente, muitas delas são difíceis de diagnosticar.
07:52Não diria nem diagnosticar, mas de ver.
07:55Porque uma dor física, você consegue, um acidente de trabalho,
08:00você quebrou alguma parte do seu corpo na empresa,
08:05machucou, escorregou, teve lera, alguma coisa desse tipo.
08:09Você tem exames, você tem algo que comprove que isso está ocorrendo.
08:16Na saúde mental e doença mental, isso já é mais difícil, né, no geral.
08:21No trabalho, essa dificuldade também vai para dentro da empresa.
08:24É o relato do funcionário com essa pessoa que é de saúde mental,
08:30é isso que vai ficar valendo?
08:34É muito importante essa pergunta, porque tem tido um pouco de confusão nesse aspecto,
08:39quando a gente pensa sobre o diagnóstico mesmo de transtorno mental.
08:43Tem uma frase que eu gosto bastante, que dizem que a grande questão da saúde mental
08:46é que ela não sangra, e o fato dela não sangrar fica um pouco mais imperceptível para a gente.
08:51Mas quando a gente pensa na NR1, a ideia central é pensar em como esse ambiente está sendo organizado,
09:00podendo ser um fator de risco para o adoecimento desse funcionário.
09:04Então, quando a gente pensa em questões individuais,
09:08problemas em relacionamentos amorosos que vão vir, por exemplo, para dentro de empresa,
09:13o luto de um ente querido, o diagnóstico de alguma outra doença,
09:16a gente está falando disso do funcionário.
09:18Nesse caso, isso não vai ser avaliado pela NR.
09:22A NR vai avaliar o que a empresa está fazendo que pode adoecer esse funcionário.
09:27Então, metas abusivas, comunicação mais violenta,
09:31processos e procedimentos não tão bem definidos,
09:35a mesma questão do assédio físico, do assédio moral, do assédio sexual.
09:40Então, o Ministério do Trabalho, a NR1, vai estar concentrada nisso,
09:44em ambiente organizacional, podendo adoecer essa pessoa.
09:49Você está falando aí do que pode adoecer, pode vir a adoecer uma pessoa.
09:54Na sua experiência, o que você mais ouve das pessoas,
09:59quando se trata de ambiente empresarial, de adoecimento?
10:06É muito perceptível dentro do consultório, dentro do atendimento clínico,
10:11duas grandes questões, assim, metas humanamente impossíveis de serem atendidas, né,
10:17de serem atingidas, e, consequentemente, com essas metas,
10:21uma exposição desse funcionário, né, equipe, através de rankings,
10:25através de competição e assédio moral.
10:28Infelizmente, também, cada dia que passa, a gente tem observado
10:32mais as questões de assédio moral vinculado no processo de adoecimento.
10:37E o assédio moral é um pouco difícil, às vezes, de provar, né, Erika?
10:41Porque diz muito sobre a experiência de cada um, também,
10:45entra a diversidade nessa questão, também, né,
10:49às vezes, o que você diz para um funcionário branco
10:52não vai ser um assédio moral quando você diz a um funcionário negro.
10:59E esse tipo de política, de diferenciação, respeitando as diversidades,
11:04também terá que estar discutido, terá que ser aplicado dentro das empresas?
11:11A diversidade já está dentro, hoje, do programa do ESG, né,
11:15que visa, ali, promover uma melhor diversidade,
11:18cuidar de saúde dentro da empresa.
11:20Então, sim, na minha opinião, a melhor forma de a gente tentar amenizar isso
11:25é aumentar o repertório social.
11:28Os líderes de uma empresa, a área de recursos humanos de uma empresa
11:33pode assumir um pouco dessa responsabilidade
11:36de estudar mais temáticas que, hoje em dia, estão em pautas na sociedade.
11:40A questão de racismo, a questão de feminismo,
11:44a questão de diversos outros diagnósticos,
11:46como, por exemplo, o autismo, de TDAH, né, de neurodivergências, que a gente chama.
11:52Então, é importante que, para tentar mitigar essas questões de assédio moral,
11:57as pessoas aumentem o seu repertório social.
11:59Porque é bem o que você trouxe, assim,
12:02às vezes, até no próprio funcionário,
12:04a forma que um líder aborda um funcionário,
12:06para ele estar numa relação normal.
12:08Mas a forma que esse líder aborda um outro funcionário,
12:11aquele funcionário pode entender como uma exposição, né,
12:14e ter uma percepção, enfim, que, para ele, ali, não é autorizado,
12:18ou ele considera também um assédio.
12:21Então, infelizmente, sim, é um pouco mais difícil de provar isso,
12:25mas, né, a gente tem ali, hoje em dia, os funcionários,
12:28também, com um pouco mais de informação de como reunir provas
12:31sobre esse tipo de assédio.
12:33Agora, Érica, você estava dizendo que nem sempre, né,
12:36todo transtorno, toda doença ambiental pode ser levado ou tratado pela empresa
12:43dentro da norma R1, né, dentro da NR1.
12:47Mas se esse funcionário, ele vive um luto, uma separação, uma doença,
12:52isso afeta o trabalho dele?
12:55As empresas também terão que ter programas que identifiquem esses funcionários
13:01e que dêem a eles a chance de tratar isso da forma adequada?
13:08Eu acho que quando a gente pensa nessa questão do terão
13:10no sentido de uma obrigatoriedade, está um pouco menos na NR1, né,
13:15que a NR1 vai ficar mais no ambiente, não adoecer no funcionário.
13:18Mas, de fato, hoje em dia, a gente já tem algumas grandes empresas
13:22implantando esse tipo de programa.
13:23Então, por exemplo, tem uma grande empresa do mercado financeiro
13:27que, quando uma mulher tem uma perda gestacional,
13:31tem um programa dentro da empresa de apoio e de suporte psicológico
13:34para essa mulher. E várias outras questões, né,
13:38empresas maiores já têm implantado.
13:40Então, acho que o mais importante é que a gente entenda que o funcionário,
13:44claro, a empresa depende de metas, de resultados,
13:47e o funcionário está ali para entregar isso,
13:49mas que essa humanização, essa empatia, esse acolhimento
13:52pode acontecer, independente de uma norma regulamentadora ou não, né?
13:56Se esse abuso, né, ou esse transtorno estivesse sendo provocado
14:02por funcionários da empresa a um outro funcionário,
14:06a empresa é responsável também por esses funcionários
14:11que, por um acaso, estejam causando transtornos,
14:15ou sejam a causa de um transtorno mental de um outro funcionário?
14:21Quando a gente vai pensar no assédio moral,
14:23diferente do assédio sexual, não precisa ser da liderança para baixo, né?
14:28O assédio moral pode ser entre pares.
14:30A partir do momento que um funcionário, ele apresenta
14:34sintomas de um adoecimento, abre um compliance,
14:38abre uma queixa, ou a própria liderança, a própria equipe
14:42começa a perceber que ali tem um problema nessa relação entre os funcionários,
14:47sim, a empresa se torna responsável por ter um programa, né,
14:51de desenvolvimento pessoal para ajudar nisso.
14:54Agora, Érica, saindo um pouco da NR1,
14:58hoje as pessoas, elas estão adoecendo mais por conta do trabalho
15:03ou por conta de questões do dia a dia mesmo, família, amigos,
15:09e tudo que envolve esses grupos?
15:15Eu parto um pouco de, nós estamos aprendendo a nomear mais,
15:19então existe uma grande discussão se esse aumento de diagnóstico
15:23é toda essa porcentagem que está sendo comunicado,
15:27ou se é porque nós aprendemos a nomear os transtornos mentais, né,
15:32então agora a gente sabe nomear uma depressão,
15:35uma ansiedade, um burnout, um transtorno bipolar,
15:38e aí traz essa percepção de aumento no diagnóstico,
15:41mas de fato a gente vem vivenciando momentos sociais muito delicados
15:47e que compromete, sim, o nosso adoecimento.
15:50Então, principalmente depois da pandemia,
15:53a gente tem um aumento em transtornos de pânico,
15:56em transtornos de ansiedade social,
15:58o que a gente chama de luto prolongado,
16:00porque a gente perdeu, né, muitas pessoas ali na pandemia,
16:03e quando a gente vai para o mercado de trabalho,
16:07infelizmente esse mercado de trabalho colabora com isso,
16:10porque essa hiperprodutividade, essa necessidade de performance,
16:15a todo custo, e muitas vezes até com esse assédio de se não está bom para você,
16:21o mercado de trabalho está aí, ou tem uma fila de pessoas desempregadas, por exemplo,
16:26acaba contribuindo bastante, sim, para o processo de adoecimento social.
16:29Agora, o burnout, ele é somente e tão somente ligado ao ambiente de trabalho,
16:38porque eu já vi muita gente dizendo, ah, burnout da maternidade,
16:42burnout de casamento, o burnout, ele é ligado somente ao trabalho.
16:49Pela CID11, ele é exclusivo ao trabalho.
16:52É, acho que quando as pessoas trazem um pouco desses outros, né,
16:55burnout racial, burnout maternal,
16:57a gente está falando do esgotamento mesmo, do cansaço, né,
17:01que é ser uma minoria, por exemplo, na sociedade.
17:04Agora, quando a gente fala do diagnóstico, né,
17:06quando a gente pensa no fenômeno burnout,
17:10o burnout, ele é o único e exclusivamente vinculado ao esgotamento profissional.
17:16Então, esse acúmulo de atividades...
17:18Tá, não, não, pode continuar.
17:21Pode continuar, achei que você tivesse concluído.
17:24Esse acúmulo de atividades, por exemplo, né,
17:27muita pressão por meta,
17:29aqui vai poder ser analisado como burnout, provavelmente.
17:32É isso que eu ia te perguntar,
17:33esse esgotamento está sempre ligado a uma cobrança da liderança?
17:42Vai ser uma junção de fatores ali na empresa, né,
17:45mas a maioria das vezes o que a gente vê apresentado é isso, assim,
17:49é muita pressão por resultado,
17:51é uma demanda, às vezes quando a pessoa não tem meta,
17:53mas uma demanda que seria de dois, três funcionários, por exemplo,
17:58uma sobrecarga, horas extras em excesso também,
18:03então, na maioria das vezes a queixa está mais relacionada
18:06a quantidade de trabalhos e de demandas,
18:10e aí, consequentemente, tem a pressão, né,
18:12por parte da liderança, porque essa entrega precisa acontecer,
18:15mais do que de outros fatores.
18:18Agora, Érica, existe uma ordem nisso tudo?
18:22Primeiro, o burnout pode vir a causar uma depressão,
18:26ou um quadro de ansiedade, pânico,
18:29ou são esses quadros que causam, que podem vir a causar o burnout?
18:34Ou vem tudo junto e misturado?
18:37Isso não é bem explicado pela literatura científica ainda.
18:42Quando o Ministério do Trabalho, o INSS, vai analisar,
18:45eles tendem a excluir outros diagnósticos para poder fechar um burnout.
18:50Então, por exemplo, se a pessoa vem apresentando processos depressivos,
18:54sintomas depressivos, antes de dar uma entrada, por exemplo, no INSS,
19:01ou antes de uma questão na empresa acontecer,
19:05na maioria das vezes vai ser excluído o fenômeno burnout.
19:08A ideia central é que a gente vá tirando a possibilidade dos outros transtornos,
19:15e aí, com isso, fecha-se o diagnóstico de burnout,
19:19meio que por exclusão, digamos assim.
19:22É, agora eu sei que é difícil a gente passar receita do que é um transtorno mental, né,
19:26mas quais são os principais sintomas do burnout?
19:32Desculpa.
19:33O burnout, primeiro, ele vai precisar apresentar um esgotamento.
19:37Então, aquela pessoa, ela vai precisar ter uma sensação
19:41que, entre ela sair do trabalho e ela voltar no dia seguinte,
19:44ela não teve tempo de recuperação,
19:47que essa é uma ideia central do burnout.
19:50O período fora da empresa
19:52precisa servir para a gente recuperar a vitalidade.
19:55Quando esse funcionário já chega no dia seguinte esgotado,
19:58e no outro esgotado, e no outro esgotado,
20:00a gente vai começar a pensar na possibilidade de um burnout.
20:03Outra coisa que vai aparecer muito de imediato
20:06é uma irritabilidade, uma agressividade
20:09com as mudanças e com os processos repentinos
20:12que acontecem dentro da empresa.
20:13Então, um pouco de baixa tolerância.
20:16E essa pessoa, ela vai ter um distanciamento afetivo
20:19com as pessoas na empresa,
20:21mas também com a atividade e com o significado
20:23que o trabalho tem para ela.
20:25Então, tudo inicialmente no burnout
20:27vai estar relacionado com a empresa.
20:29Com o tempo, isso vai começar a influência de fora.
20:32Então, essa pessoa começa a não ter mais paciência
20:35para encontrar amigos,
20:36para ir para uma academia,
20:38ou para o marido e para os filhos dentro de casa.
20:41começa a mudar a alimentação,
20:43piorar a qualidade de sono,
20:45e aí sim é o burnout influenciando na vida pessoal.
20:49O tratamento é pedir demissão daquela empresa?
20:55Hoje em dia,
20:57hoje em dia isso também é bastante discutido,
21:00viu, sobre o tratamento,
21:01porque se a gente está falando que a empresa
21:04é um ambiente que adoece,
21:05o funcionário dentro dessa empresa
21:07muito dificilmente vai conseguir se recuperar, né?
21:11Em psicoterapia,
21:12a gente vai trabalhar aquilo que é individualizado.
21:15Então, a forma que esse funcionário
21:17está se relacionando com as demandas da empresa,
21:21com a gestão e com a sua carreira.
21:24A empresa,
21:25e entre NR1 agora ajudando a gente nisso, né,
21:28a empresa vai precisar colaborar
21:30com esse processo de tratamento,
21:32tendo melhores políticas de saúde mental,
21:34de comunicação,
21:36de metas e de liderança.
21:38Mas, de fato,
21:40o afastamento hoje
21:41é o que a maioria dos psiquiatras,
21:43quando o funcionário, né,
21:45quando um paciente procura
21:46apresentando o burnout,
21:47é o que a maioria dos psiquiatras
21:49vai recorrer ao afastamento
21:51para a gente tirar essa pessoa
21:53do local de sofrimento,
21:54ajudar ela a se restabelecer
21:56para ela voltar para essa empresa
21:58ou para que ela tenha forças
22:00para ir para o mercado de trabalho.
22:01Porque o burnout,
22:02ele influencia muito na autoestima
22:04dessa pessoa
22:05e na sensação de capacidade.
22:06Então, isso também dificulta
22:08ela procurar outros empregos.
22:10Bom, a gente está falando até agora
22:11das dores do trabalhador, né,
22:13do colaborador,
22:15do liderado.
22:16E eu queria saber
22:18o que chega para você
22:19quando se trata de empresa.
22:20Porque é um novo mundo
22:24para as empresas também, né,
22:25é muito difícil.
22:27Há essa dificuldade
22:29em entender a saúde mental?
22:34Muita dificuldade,
22:36infelizmente, assim.
22:37Assim, é um fato que
22:38quando a gente pensa na empresa,
22:40a gente precisa pensar em resultados.
22:42Não dá, né,
22:43para a gente romantizar também.
22:45A empresa sobrevive disso,
22:47é esse resultado que ajuda
22:48a pagar ali os funcionários, né,
22:50e esses funcionários
22:51a realizar seus sonhos.
22:52Então, ainda tem uma dificuldade
22:54da empresa,
22:55porque é algo muito subjetivo
22:56para eles.
22:58Como fazer,
22:59se eles são realmente
23:00responsáveis por isso ou não,
23:02porque é algo tudo muito novo.
23:04E quais são os programas?
23:05Porque muitas empresas pensam
23:07que vai ser, por exemplo,
23:08dar palestras.
23:09E a palestra,
23:10ainda mais hoje em dia,
23:12ela pode ter uma força
23:12muito grande,
23:14a depender de como ela foi feita,
23:16mas uma palestra
23:17que pode ser muito expositiva,
23:18é algo que esse funcionário
23:20já acessou nas redes sociais,
23:21por exemplo.
23:22Então, as empresas,
23:23elas estão precisando
23:24abrir espaço e compreensão
23:26de que as ações lá dentro
23:28precisam ser mais de intervenção.
23:31E que, como qualquer intervenção,
23:33isso demanda um tempo.
23:35Não vai ser uma palestra
23:36de uma ou de duas horas,
23:38eventualmente,
23:38no mês ou no ano,
23:40que vai ajudar esse funcionário.
23:43E aí, consequentemente,
23:44o resultado da empresa
23:45também melhora.
23:46Porque já é, assim,
23:48de consolidação bastante científica,
23:50que quando uma pessoa está bem,
23:51e ela se sente satisfeita
23:53com a sua atividade,
23:55com as relações no trabalho,
23:56ela se sente respeitada ali dentro,
23:59ela produz mais,
24:00ela é mais comprometida.
24:02Consequentemente,
24:03a empresa tem melhores resultados com isso.
24:05Mas isso,
24:06para as empresas,
24:07ainda estão um pouco mais intangíveis.
24:09Dentro do afastamento,
24:11elas estão começando a perceber,
24:12mas ainda é uma dificuldade significativa.
24:16É, bem complicado, né?
24:17Porque é tudo muito subjetivo, né?
24:19Você está falando de sentimentos,
24:21de emoções,
24:22e a empresa,
24:23ela precisa trabalhar no racional, né?
24:27Ela precisa gerar produção,
24:30criar produtos,
24:31e ganhar dinheiro com isso.
24:34O que que resolve nesses casos?
24:37Você está dizendo que uma simples palestra
24:39de uma hora não vai resolver.
24:41O que resolve, assim,
24:42dizendo a grosso modo?
24:46Hoje em dia,
24:46o que que a gente já tem acontecendo
24:48em algumas empresas, tá?
24:49Esse programa,
24:50mas bem estruturado.
24:51Então, o funcionário,
24:52ele perde um ente querido,
24:54ou ele tem uma perda gestacional,
24:56ou ele está passando por alguma crise financeira.
24:58A empresa,
24:59ela tem plantão psicológico,
25:01por exemplo,
25:02ela tem um,
25:03dois psicólogos disponíveis.
25:05Para essa ajuda,
25:06um pouco mais de imediata,
25:07isso não é uma psicoterapia,
25:09mas ajuda a controlar uma crise,
25:11e dar um suporte.
25:12Algumas empresas têm programas,
25:14por exemplo,
25:15de mindfulness,
25:16que são programas que ajudam no manejo
25:18e no controle do estresse.
25:19Existem algumas técnicas
25:21que são utilizadas em psicoterapia,
25:23por algumas abordagens específicas
25:25da psicologia,
25:26que são adaptadas para o mercado de trabalho.
25:30Então, isso também entra como um programa
25:32de reconhecimento das emoções,
25:34lidar com essas emoções,
25:36estratégias para participar de reunião,
25:39para se comunicar nas reuniões,
25:42estratégias de assertividade.
25:44Então, são programas um pouco mais longos
25:46para a empresa,
25:47por isso que é um pouco difícil
25:48de perceber esse resultado.
25:51São programas um pouco mais longos,
25:53mas que traz para esse funcionário
25:55uma segurança psicológica.
25:57Ele sabe que ele está sendo respaldado
25:59e que essa empresa respeita
26:01essa individualidade.
26:02Então, isso acaba colaborando bastante.
26:04A NR1 vale para todo tipo de empresa?
26:10Número de funcionários,
26:11independente de quantos funcionários tenha?
26:14Se tiver um funcionário, já está valendo?
26:17E vale só para quem é CLT?
26:19Ou vale, por exemplo,
26:20para empresas que têm
26:22contratações mistas?
26:23CLT, PJ, temporário?
26:28Enfim, vale para tudo?
26:30Sim, a NR1 vai ser cascateada
26:33para todas as empresas.
26:34Assim como o risco
26:36de adoecimento físico,
26:37por exemplo, EPI.
26:39Se uma empresa tem 10 funcionários,
26:41ela já precisa, por exemplo,
26:43dar o EPI e garantir segurança.
26:45Para risco psicossocial,
26:46vai ser a mesma coisa.
26:48Agora, por exemplo,
26:49empresas que trabalham
26:50com produtos que demandam entrega.
26:53A gente sabe que a profissão
26:55de motociclista,
26:57de moto entregador,
26:59a profissão de entrega,
27:01seja por aplicativo com carro ou não,
27:03ela é extenuante,
27:05é estafante, é fadigante.
27:07A empresa que contratar
27:10uma outra empresa
27:11para fazer esse serviço
27:12continua com aquela questão
27:15que na Lei Trabalhista vale,
27:16que é a coparticipação,
27:18se ela também não fiscalizar
27:20essa empresa
27:20que ela está contratando
27:22para fazer esse serviço
27:23terceirizado,
27:24ela pode vir a ser
27:26responsabilizada também?
27:31Olha, você entrou
27:32numa questão um pouco jurídica
27:34que eu vou ser honesta
27:36de te dizer que eu não tenho
27:37toda essa informação
27:38para passar.
27:39Mas muito provavelmente,
27:41porque nesse exemplo
27:42que você trouxe dos entregadores,
27:44essas empresas,
27:45elas já estão sendo responsáveis
27:47pela saúde física
27:48dessas pessoas,
27:49nas empresas.
27:51Então, provavelmente,
27:52isso vai ser cascateado também
27:53nesse aspecto de risco
27:55psicossocial.
27:56O que eu vejo
27:57algumas empresas,
27:58como esse exemplo
27:58que você trouxe,
27:59já colocando em prática,
28:01é a educação corporativa.
28:02Então, tem empresas
28:04que esses funcionários,
28:05então, por exemplo,
28:06os motoboys,
28:07eles estão ali na rua
28:08entregando comida,
28:09enfim, o que quer que seja,
28:11eles estão fazendo a entrega,
28:12e eles têm uma plataforma
28:13de educação corporativa
28:15para cursos,
28:17para palestras,
28:18para que eles possam
28:19só não se aperfeiçoar
28:21tecnicamente,
28:22mas, por exemplo,
28:23para aprender a manejar
28:24estresse no trânsito.
28:25Isso eu já vi acontecendo.
28:27Então, vejo que sim,
28:29isso vai ser cascateado
28:30de uma maneira geral.
28:32Ô, Érica,
28:33só para a gente encerrar,
28:34e não ficar parecendo
28:36que, assim,
28:37ah, eu vou adoecer
28:38porque a empresa
28:39é responsável mesmo
28:40por isso,
28:41ou ela vai ter que me acolher,
28:43ou ela vai ter que ser
28:44responsabilizada
28:45porque não me acolheu.
28:46Então, deixa acontecer.
28:48Não é bem assim, né?
28:49Ah, quais são as ferramentas
28:51que um trabalhador
28:52hoje pode usar?
28:53Porque o adoecimento mental,
28:55ele é muito complicado.
28:57Eu falo de experiência própria.
29:00Eu tive um burnout
29:01extremamente grave,
29:02que no começo eu não vi,
29:04depois quando eu vi
29:05era tarde demais.
29:08Quais ferramentas
29:09esse trabalhador dispõe hoje
29:10para que ele possa
29:12se proteger
29:14de entrar
29:16num burnout,
29:18numa depressão,
29:19numa ansiedade
29:20no ambiente corporativo?
29:23Você traz um fator
29:24muito importante, né?
29:25Assim, dentro da sua experiência,
29:27porque o burnout
29:27vê um pouco disso.
29:28A gente sempre acha
29:29que aguenta mais um pouquinho
29:30quando a gente pensa
29:31em nível individual, né?
29:33A saúde mental,
29:35a gente vai chamar ela
29:36de um transtorno multifatorial.
29:39Então, tem a minha questão,
29:41tem a questão social,
29:42tem a questão econômica
29:43e vai ter a questão da empresa.
29:45Então, sim,
29:46não é totalmente
29:48responsabilidade da empresa.
29:49A gente tem a responsabilidade
29:50do indivíduo
29:51e a gente tem a responsabilidade
29:53da empresa.
29:53Quando a gente pensa
29:54no campo individual,
29:56a maioria das empresas
29:58já dispõe de convênio médico.
30:00Então, é importante
30:01que esse funcionário
30:02procure ajuda psicológica
30:03e psiquiátrica
30:04por esse convênio.
30:05Eu sei que às vezes
30:06tem uma fila,
30:07eu sei que às vezes
30:08demanda um pouco de tempo,
30:10mas vale mais a pena
30:11ficar numa fila
30:12e esperar abrir uma agenda
30:13do que não se movimentar.
30:15Então, em primeiro lugar,
30:17a gente pode partir disso,
30:19da ajuda psicológica
30:20e psiquiátrica.
30:21Uma coisa que a gente sabe
30:22que ajuda muito no burnout
30:25é a prática
30:25de atividade física.
30:27E aí não precisa ser
30:28uma atividade física
30:28na melhor academia,
30:30com o personal, não.
30:32Então, fazer uma prática,
30:33fazer uma corrida na rua,
30:35uma aula de dança,
30:36correr na esteira,
30:38andar de bicicleta no parque,
30:40ter alguma atividade física
30:42é um fator protetivo
30:43de estresse e de burnout.
30:46E entre os aspectos
30:47de qualidade de vida.
30:50Alimentação saudável
30:51entra muito dentro desse aspecto,
30:54né, de medicina do estilo de vida.
30:56Monitorar a qualidade de sono
30:58e diminuir o máximo possível vícios.
31:00O ideal seria que a gente
31:02não tivesse,
31:02mas se tem algum vício,
31:04diminuir o máximo possível.
31:06Álcool, tabaco,
31:07que a gente sabe
31:08que também colabora bastante.
31:10Então, quando a gente olha
31:10para esse pacote individual,
31:14esse estilo de vida
31:15mais saudável
31:16é um frator muito protetivo,
31:18não só de burnout,
31:19mas também de depressão
31:20e ansiedade.
31:22Érica Rodrigues,
31:23especialista em saúde mental
31:24no ambiente corporativo,
31:26muito obrigada
31:26pelas suas informações, viu?
31:29Bom dia.
31:30Imagina,
31:30obrigada eu pela oportunidade.
31:32Bom dia.
31:35Bom, depois dessa aula
31:36aqui de NR1,
31:38eu, Viruzca Donato,
31:38fico por aqui.
31:39Agradeço a sua audiência.
31:41Amanhã a gente está de volta.
31:43Tchau.
31:56Transcrição e Legendas Pedro Negri
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