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  • há 11 horas
O novo Desenrola Brasil promete aliviar o endividamento de milhões de brasileiros, com descontos de até 90% e uso do FGTS para quitar dívidas. Mas será que o programa resolve o problema por definitivo ou adia um cenário maior?

Neste trecho do Mercado, apresentado por Veruska Donato, o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, e Natalie Verndl, economista e delegada do Corecon-SP, analisam os impactos reais da medida. Eles debatem os efeitos de curto prazo, os riscos fiscais, o estímulo ao consumo em ano eleitoral e o perigo de criar um ciclo recorrente de inadimplência.
O debate também aborda o papel das bets no aumento das dívidas e os desafios estruturais da economia brasileira.


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Transcrição
00:00Vamos começar com o desenrola, porque o presidente Lula assinou ontem a medida provisória que cria o novo desenrola Brasil.
00:06Medida provisória que já foi publicada ontem à noite.
00:09É uma nova edição da renegociação de dívidas, agora voltada à população, que ganha até 5 salários mínimos.
00:17A iniciativa prevê descontos de até 90% e o uso de até 20% do FGTS para quitar os
00:23débitos.
00:24A medida foca em quatro categorias, famílias, estudantes, do FIES, empreendedores e produtores rurais.
00:32Ao total, o novo desenrola Brasil pode atingir mais de 20 milhões de pessoas.
00:40Bom, e o programa foi criado pela equipe econômica e foi detalhado pelo ministro da Fazenda, Dário Durga.
00:47Então, nós estamos partindo para uma série de descontos, eu já detalho os descontos no próximo slide.
00:54Então, na média, o desconto vai ser de 65% para essas operações.
00:59Então, uma dívida de 10 mil reais passa a ser uma dívida de 4,5.
01:04E é uma dívida que vai incidir juros, não de 15%, como é a do cartão de crédito,
01:09mas vai incidir juros de 1,99 ao mês.
01:13E é uma dívida que pode ser parcelada em até quatro anos.
01:18Então, vejam que aqui eu vou prolongar para que as pessoas paguem a dívida nos quatro anos.
01:24Tudo bem?
01:26De modo que vai ter um período de 30 dias para ela estabelecer a negociação,
01:32protocolar o pedido com o seu banco e começar a pagar parcelas muito menores do que tinha antes.
01:39Então, aqui algumas garantias de desconto, o prazo de juros, o prazo de 48 meses,
01:47o limite da nova dívida, que pode envolver 15 mil por pessoa,
01:53o que basicamente garante que mais de 90% da população brasileira seja atendido,
01:58evitando que haja algum abuso de pessoas que sejam muito mais ricas e tenham condições de fazer a renegociação,
02:05acabem entrando no programa.
02:08Então, vocês podem perceber que no cartão de crédito e no cheque especial,
02:13o desconto mínimo é de 40% quando o atraso da dívida é de 90 dias a 120
02:21e é um desconto que chega a 90% quando eu tenho uma dívida de maturidade de um a dois
02:28anos.
02:29Isso tanto para o cartão de crédito quanto para o cheque especial.
02:34Para o CDC parcelado, o CDC sem garantia, os descontos vão de 30%,
02:40também para as dívidas de 91 a 120 dias de atraso,
02:45até 80% de desconto quando a dívida tem de um a dois anos.
02:51Esse é uma regra mínima, não tem diferentes faixas,
02:56isso serviria para a faixa mais baixa,
02:58a gente conseguiu estender para todo mundo que ganha até 5 salários mínimos,
03:02tem esses descontos garantidos.
03:04Nós vamos apresentar ainda nos próximos dias uma calculadora
03:08para que todo mundo acesse e verifique qual é o desconto que lhe cabe.
03:14O novo desenrola prevê o bloqueio do CPF de quem está sendo beneficiado,
03:20do programa, em plataformas de apostas durante um ano.
03:24A ideia é reduzir o risco de novo endividamento.
03:28Durante o anúncio do novo desenrola Brasil,
03:31o presidente Lula relembrou a crise financeira de 2008
03:35e falou sobre a importância do crédito para o consumo.
03:39Vamos ouvir.
03:40E é muito bom que o povo tenha capacidade de se endividar.
03:46Não sei se vocês estão lembrados, em 2008,
03:49quando teve a crise do subprime,
03:53teve uma crise no comércio mundial
03:55que se dizia que o comércio estava caindo muito.
03:59E eu fui para a televisão fazer um pronunciamento de 8 minutos,
04:03vocês estão lembrados,
04:04pedindo para que o povo não tivesse medo de se endividar,
04:09mas com muita responsabilidade.
04:12Que as pessoas não deveriam gastar mais do que pudessem pagar.
04:17E é extraordinariamente que o cara queira comprar uma coisa para casa,
04:21que o cara queira arrumar a casa,
04:22que o cara queira trocar de carro,
04:24queira comprar um terno novo,
04:26queira comprar um brinquedo para o filho,
04:28queira comprar...
04:28É maravilhoso que a gente queira comprar alguma coisa,
04:32mas é só importante a gente estar chamando a atenção
04:36para que as pessoas façam as suas dívidas
04:38e não percam de vista as suas condições de pagamento.
04:44Eu quero conversar agora com o Sérgio Valle,
04:47economista-chefe da MB Associados.
04:50Seja muito bem-vindo.
04:51Sérgio, bom dia a você.
04:53Bom dia, Verusca.
04:54Prazer falar com você.
04:55Ô, Sérgio, muito eu conversei aqui com os economistas
04:59sobre o desenho desse Desenrola antes da oficialização dele.
05:03Agora que nós temos o programa, de fato,
05:05eu quero saber a sua análise,
05:07o que você achou do programa.
05:11Olha, Verusca, o Desenrola 2.0
05:14é mais ambicioso do que o primeiro,
05:16que a gente teve dois anos atrás, em 2023.
05:19E a gente imaginava, quando aconteceu aquele,
05:22no final daquele ano,
05:23de que o governo abriu uma caixa de Pandora,
05:26abriu uma possibilidade de a gente ter vários desses programas
05:30aparecendo ao longo do tempo,
05:31toda vez que você tivesse um processo de endividamento maior,
05:35de inadimplência mais elevada,
05:36como a gente está vivendo agora.
05:38O risco desse tipo de programa,
05:39ele se tornar um problema
05:42para as pessoas que começam a se endividar,
05:45começam a tomar um grau mais elevado
05:47de inadimplência desse endividamento,
05:49porque sabe que o governo, em algum momento,
05:52vai vir com um programa para conseguir salvá-las.
05:55Então, esse processo é bastante complicado
05:57e fica cada vez mais difícil acreditar que o governo vai falar
06:01olha, não vai acontecer, esse é o último programa,
06:04a gente está fazendo agora, não vai acontecer de novo.
06:06Essa discussão também teve no primeiro,
06:08a gente está vivendo agora.
06:09É a ano eleitoral,
06:11torna tudo, obviamente, muito mais complicado,
06:13o desejo do governo de estar bem com a população,
06:16especialmente mais pobre e endividada,
06:18é muito grande.
06:20E o fato é, Everos,
06:21que eu acho que vai acabar acontecendo
06:22o que aconteceu no primeiro.
06:24Tem um efeito paliativo,
06:25cai a inadimplência,
06:27na minha estimativa, no primeiro programa,
06:29foi de 3,5 pontos percentuais de inadimplência,
06:33menos que a gente teve naquele momento,
06:35mas dura cerca de 18 meses.
06:37Depois de 18 meses,
06:38você volta para o grau de inadimplência
06:40que você tinha antes.
06:41Então, é um paliativo que o governo está fazendo
06:44na ano eleitoral,
06:45mas não resolve a questão concreta
06:47da inadimplência das pessoas.
06:50Eu quero saber a sua opinião também,
06:52Nathalie Wendel,
06:53você que é economista e delegada do Corecon São Paulo,
06:55que é o Conselho Regional de Economia.
06:58Por favor, bom dia, seja bem-vinda.
07:01Bom dia, agradeço o convite,
07:02um prazer estar aqui com o colega, o Sérgio Valle.
07:05O que eu entendo, Verusca,
07:07é que na verdade a gente tem um modelo
07:09de desenvolvimento aqui,
07:11ou melhor, de crescimento econômico,
07:12que ele é pautado exatamente
07:14nas questões de consumo.
07:15Isso fica muito claro na fala do presidente,
07:18que desde a crise do subprime,
07:20a gente tem esse estímulo justamente ao consumo.
07:22Então, nunca se pensou em fazer
07:24um outro tipo de política macroeconômica
07:27que não estimular somente
07:29o crescimento econômico via este consumo.
07:32Inclusive, eles atrelam ainda
07:34essa baixa do consumo,
07:36que seria o motor propulsor ali
07:38do crescimento econômico,
07:40a questão das bets.
07:41Então, a gente teve um desvio ali
07:44por conta das bets
07:45de praticamente 400,
07:47perdão, 144 bilhões
07:50de reais do varejo
07:52para que fossem ali consumidos nas bets.
07:54Então, assim, tem uma preocupação do governo
07:56no sentido de arrecadação
07:58e no sentido de você tentar ali
08:01propulsionar o desenvolvimento,
08:02o crescimento econômico nesse sentido.
08:04E, por outro lado,
08:05o governo não retira os seus gastos,
08:08ele não deixa de gastar,
08:09ele não tem responsabilidade fiscal.
08:11Então, de nada adianta
08:12você ter um programa
08:13que desenrola 2.0, 3.0,
08:16se você continua com o mesmo motor
08:18ali de crescimento econômico.
08:19Isso precisa ser alterado.
08:21A gente precisa alterar
08:21as condições estruturais do país
08:23para que a gente consiga sair
08:25de uma condição de endividamento
08:27e, pior, de inadimplência
08:28dessas famílias brasileiras.
08:30Eu quero trazer outros trechos aqui
08:32da medida provisória,
08:33do anúncio ontem,
08:34para discutir com os meus entrevistados.
08:36Por exemplo,
08:37essa medida que foi publicada
08:38ontem à noite
08:40e agora os bancos ainda não tiveram tempo,
08:43mas agora eles vão começar
08:44a se organizar.
08:45Alguns já tinham aí
08:46uma ideia do que seria esse programa,
08:48então eles vão se organizar melhor
08:50para oferecer os benefícios
08:52anunciados no programa.
08:54O Fundo de Garantia de Operações
08:56vai garantir até 50%
08:59da inadimplência das instituições financeiras
09:01que aderirem ao programa.
09:02O programa vai destinar
09:04R$ 2 bilhões para isso.
09:05Lembrando que o FGO
09:06tem como objetivo
09:07assegurar uma parte
09:08do risco dos empréstimos
09:10e financiamentos concedidos
09:11às empresas e aos MEIs.
09:13Vamos ouvir novamente
09:14o ministro da Fazenda,
09:15Dario Durigam.
09:17É de interesse das instituições financeiras,
09:20presidente,
09:21que essas renegociações aconteçam.
09:23Em muitos casos,
09:24as próprias instituições financeiras
09:26têm uma esteira de cobrança
09:28dessas dívidas
09:30e não conseguem cobrar efetivamente.
09:33Então, com a ajuda aqui do Estado,
09:35nós vamos otimizar a cobrança.
09:37Claro que com desconto,
09:38no melhor interesse da população,
09:40mas os bancos também passam a receber
09:42parte de uma dívida
09:44que não receberiam.
09:45E, portanto,
09:46tem algumas contrapartidas
09:48que se comprometeram conosco
09:49e está também no ato
09:51que o presidente anuncia.
09:53Como no primeiro desenrola,
09:55o que está...
09:56Dívidas de até R$ 100
09:57serão perdoadas pelos bancos,
10:00como uma medida saneadora
10:03de pequenas dívidas
10:04dentro do sistema financeiro.
10:061% do que for renegociado
10:09com as pessoas
10:11deverá...
10:12Um valor proporcional
10:14a esse número de 1%
10:15deverá ser destinado
10:17à educação financeira.
10:19R$ 2 bilhões que já estão no FGO
10:21estão sendo mobilizados
10:22para esse programa.
10:25Nós estamos prevendo aqui,
10:26levamos ao presidente Lula,
10:28a autorização
10:29de um aporte adicional
10:31de até R$ 5 bilhões,
10:33recurso do orçamento,
10:35com uma autorização
10:36para que a gente faça isso
10:37de maneira que todo mundo
10:38que quiser renegociar
10:39tenha espaço para renegociar.
10:42E recursos não resgatados
10:45do sistema financeiro
10:47e que estão na tesouraria
10:48dos bancos
10:49vão passar,
10:50que são recursos privados,
10:52vão para o fundo privado,
10:53que é o FGO,
10:54de modo que o próprio sistema financeiro
10:57encontre com recursos
10:58que hoje estão mal aproveitados
11:00dentro do sistema financeiro,
11:02que eles possam viabilizar
11:04essas renegociações
11:05em prol dos correntistas,
11:08em prol das próprias instituições financeiras.
11:10O que nós estamos fazendo é
11:12esse recurso que está mal utilizado,
11:14ineficiente no sistema financeiro,
11:15vai ser mobilizado
11:17por um fundo privado
11:18em prol da própria melhoria
11:20do sistema financeiro,
11:22seja dos correntistas,
11:23das pessoas que têm dívidas,
11:24seja por parte
11:25das próprias instituições.
11:27Ainda assim,
11:28cuidados serão tomados.
11:30nós vamos publicar um edital
11:31Tesouro Nacional
11:32junto com o FGO,
11:34dando prazo
11:35para que,
11:36depois de todo esse tempo,
11:37o Senado aprovou em 24,
11:39o Banco Central publicou editais
11:40chamando as pessoas
11:41a buscarem o dinheiro.
11:44Outro edital será publicado
11:45para que ninguém
11:46seja pego de surpresa.
11:47E, além disso, presidente,
11:49nós estamos segregando
11:5010% desses recursos
11:52que, se alguém um dia mais tarde
11:54ganhar uma ação judicial,
11:56nós vamos ter o dinheiro
11:57para devolver.
11:57Então, ninguém vai ser prejudicado
11:59por esse aporte no FGO
12:03do recurso não resgatado
12:06no sistema financeiro.
12:08Sérgio, eu volto com você
12:09porque o ministro
12:10deu a entender
12:11que o dinheiro do FGO
12:12está lá,
12:14não vai ter nenhum risco
12:15de utilizar esse dinheiro,
12:17ele é inoperante,
12:18praticamente,
12:20pelo menos ele na fala dele
12:22dá para entender
12:22que vamos dispor desse dinheiro
12:24porque ele não está sendo usado mesmo,
12:25ele está sendo mal usado.
12:27usar esse recurso do FGO,
12:29há algum risco
12:30para o sistema financeiro?
12:33Eu não diria que há risco
12:34para o sistema financeiro,
12:35mas é a questão do princípio
12:37de você utilizar um recurso
12:38no momento que você tem
12:39um déficit,
12:40uma dívida elevada,
12:41se é o caminho correto
12:43de utilizar esse recurso.
12:45Você está falando
12:45de um uso que vai ser colocado
12:47que, eventualmente,
12:48pode fazer até com que,
12:49a depender do que seja o gasto
12:50que vai ser feito
12:51com esse programa,
12:52você possa ter algum impacto
12:54no resultado primário do governo
12:56e você tem até um aumento de déficit
12:58por conta do programa
12:59que está sendo feito.
13:00Então, o cenário,
13:01na verdade,
13:01aqui é o problema
13:02do princípio
13:02de tudo que está sendo colocado.
13:04Tem o fundo eleitoral
13:05muito claro,
13:06muito evidente,
13:07você está desviando recursos
13:08que poderiam ser usados
13:10para diminuir a dívida,
13:11são recursos que o governo
13:12já tentou usar lá atrás,
13:14se a gente olhar na época
13:15da reoneração de impostos,
13:17que foi feita ano passado,
13:20o governo também tentou usar
13:21esses recursos naquela época,
13:22que o Congresso barrou
13:23e está tentando usar de novo agora.
13:25Então, esse dinheiro
13:26que está lá no fundo,
13:28especialmente esse dinheiro
13:29dos correntistas
13:30que foram esquecidos,
13:32é um dinheiro que o governo
13:33está há muito tempo
13:34tentando usar de alguma forma.
13:35E agora está aproveitando
13:36esse canal,
13:37esse momento eleitoral,
13:38com uma anuência do Congresso,
13:40certamente,
13:41porque também é de interesse
13:42do Congresso ficar bem
13:43com a população
13:44e vai se usar esses recursos,
13:46que deveriam,
13:46na minha visão,
13:47estar sendo utilizados
13:48para você abater dívida,
13:50diminuir o déficit
13:51no final e não usar,
13:52como a Nathalie
13:53muito bem colocou,
13:54para estimular mais consumo
13:55e atrapalhar a vida
13:56do Banco Central.
13:57O Banco Central já está
13:58com um processo difícil
13:59de lidar com a inflação
14:00por conta do choque
14:01do petróleo,
14:02vem o governo
14:03e coloca mais um potencial
14:04estímulo de consumo
14:05nesse momento.
14:07Então, é o pior cenário,
14:08na verdade,
14:09que a gente poderia ter
14:09do ponto de vista
14:10de controle da inflação
14:12e do ponto de vista fiscal.
14:14Vocês respondem
14:14tudo o que eu vou perguntar,
14:16responder,
14:17essa história do consumo
14:18que a Nathalie
14:19antes já tinha
14:20respondido brilhantemente,
14:22o Sérgio agora
14:23completou,
14:24mas ainda quero vir
14:24um pouquinho aí,
14:25Nathalie,
14:26sobrou um pouquinho ainda.
14:28Você falou que
14:30a política do governo
14:31hoje de crescimento
14:32para o país
14:32é calcada em consumo.
14:34Eu sei que nem vocês
14:35economistas ali no final
14:36acabam concordando
14:37qual é a melhor receita
14:38para crescimento,
14:39mas há um modo
14:40mais assertivo,
14:41qual seria?
14:43Essa pergunta
14:44de um milhão de dólares
14:45ou um milhão de reais,
14:46embora o nosso real
14:47não esteja tão potente
14:49assim, né, Verusca?
14:50Mas eu concordo
14:51com o Sérgio também.
14:53A gente está em um cenário
14:54extremamente complicado
14:55para o Banco Central,
14:56dadas as tensões
14:57geopolíticas que a gente tem,
14:58a gente teve uma pressão
14:59ainda da inflação
15:00e a gente tem sentido
15:02justamente,
15:03o mercado tem sentido
15:04isso,
15:05que não vai se recuperar
15:07a tão curto prazo.
15:09Então a gente tem
15:09todos esses elementos,
15:11são vários barômetros
15:12ali para a gente ficar
15:13avaliando,
15:14tentando mexer
15:15a questão do câmbio,
15:16a questão do crescimento,
15:17a questão dos juros,
15:19a questão do IPCA,
15:21da inflação,
15:21então tudo isso
15:22precisa ser muito bem
15:23combinado
15:23para a gente pensar
15:24em políticas de crescimento.
15:26Alguns economistas
15:27de fato vão dizer
15:28que a melhor
15:29política de crescimento
15:30é a gente ter
15:30uma política voltada
15:31no consumo,
15:32só que para o Brasil
15:33especificamente
15:34a gente tem visto isso
15:35de diversas formas
15:37e recorrentemente
15:39em vários governos
15:40e a gente tem visto
15:40que isso não tem dado resultado.
15:42Então o fato é
15:43que talvez ali
15:44a gente chegou próximo
15:45de um novo modelo
15:46de crescimento
15:46quando a gente olhou
15:47ali próximo da pandemia,
15:49quando a gente tinha
15:49um cenário de juros baixos
15:51favorecendo de fato
15:52o investimento privado,
15:54o investimento
15:55em plantas produtivas
15:56do que de fato
15:57no consumo.
15:58E aí muitos brasileiros
16:00começaram a ter
16:01uma sensação
16:02de que investir
16:03na Bolsa de Valores
16:03era bom,
16:04você não dependia
16:05só da renda fixa,
16:06você poderia ter ali
16:07um pouquinho
16:08da renda variável
16:09e não foi o que se sustentou
16:10provavelmente por conta
16:11do choque da pandemia,
16:13mas que a gente nunca
16:14buscou Verusca
16:15tentar retomar
16:15esse tipo de crescimento,
16:17não estimulado
16:18pelo consumo,
16:18mas sim estimulado
16:19pelo investimento.
16:20Será que a gente
16:21consegue voltar?
16:22Talvez esse seja
16:23uma outra solução
16:24para a gente pensar
16:25em crescimento sustentável
16:26para o Brasil.
16:27Vixe, precisa de um programa
16:28inteiro, Nathalie,
16:30mas aí vamos continuar
16:31no Desenrola
16:31porque agora vou trazer
16:32a última parte
16:33que a gente separou
16:34sobre consignado
16:35e empresas,
16:36porque o Desenrola
16:37também trouxe novidades
16:38a servidores aposentados
16:40e pensionistas
16:40que usam os empréstimos
16:42consignados.
16:44Hoje em dia,
16:46para além dos 35%
16:49de margem geral
16:51do consignado do INSS,
16:53tem 10%
16:54que são uma espécie
16:56de reserva
16:57para o cartão
16:59consignado
17:00e o cartão
17:01de benefícios.
17:02Mas o que a gente
17:03constatou tecnicamente
17:04é que nessas duas modalidades
17:06o juros está mais alto
17:08do que na modalidade
17:09do consignado geral.
17:12O que não faz sentido.
17:14A própria área técnica
17:15do TCU apontou isso
17:17ultimamente,
17:18então a gente já vinha
17:19estudando isso,
17:20estamos apresentando aqui
17:21essa correção,
17:22estamos acabando
17:23com esses cartões
17:24de benefício
17:25e consignado.
17:26dentro do INSS.
17:28Nós vamos ficar
17:29diminuindo a margem
17:30de 45% para 40%.
17:32Nessa margem de 40%
17:34sem nenhuma reserva
17:35para qualquer produto
17:36que seja.
17:37É uma margem de 40%
17:38que busca oferecer
17:40o menor juros
17:41para o aposentado
17:42e para o pensionista,
17:43sem especificidade
17:45de cartão.
17:46Os pequenos agricultores
17:48também foram contemplados,
17:49assim como as pequenas empresas.
17:51A carência aumenta
17:53de 12 para 24 meses
17:55e o prazo da operação
17:57também aumenta no tempo,
17:59de modo que algumas empresas,
18:01inclusive,
18:02que tiverem dentro
18:02de um prazo de tolerância
18:04de 90 dias de atraso,
18:06podem renegociar
18:07suas dívidas
18:08para esticar
18:09e manter a adimplência
18:11do pagamento
18:12do Procred.
18:14O Pronamp
18:16alcança empresas
18:18que têm faturamento
18:19de até 4,8 milhões
18:21por ano.
18:22Então, nós estamos falando
18:22de empresas
18:23de um patamar maior,
18:25o que pega
18:26pequenas
18:26e médias empresas.
18:29Então, aqui,
18:30o limite
18:31de crédito
18:33hoje é de 250 mil
18:35por operação.
18:36A empresa vai,
18:37toma um crédito
18:38a Selic mais 6,
18:39mas limitado
18:40a 250 mil.
18:42Nós estamos dobrando
18:43o limite
18:44total
18:45da operação
18:45de crédito
18:46para 500 mil,
18:47da mesma forma,
18:48alongando,
18:49dando mais carência
18:51e aumentando
18:52o prazo
18:53total
18:54das operações.
18:55Sérgio,
18:56qual é o potencial
18:57desse desenrola
18:58para as empresas,
18:59os pequenos agricultores,
19:00trazer de resultado
19:02para a economia,
19:03de fato?
19:05Olha, Verusca,
19:06para o pequeno agricultor,
19:07especialmente,
19:08a gente tem, de fato,
19:09um processo
19:09muito forte
19:10de inadimplência
19:11acontecendo nos últimos anos.
19:12Ou seja,
19:12você pega
19:13inadimplência
19:14do agricultor,
19:15que é até
19:16dois salários mínimos,
19:17o pequeno agricultor,
19:18essa inadimplência
19:19dele,
19:20três anos atrás,
19:21era em torno
19:21de 2%
19:22dos empréstimos
19:23atrasados
19:24acima de 90 dias.
19:25Hoje,
19:25a gente está falando
19:26de 16%
19:27de inadimplência.
19:29Então,
19:29para essa faixa
19:30da população,
19:31na verdade,
19:31para todos
19:32que estão sendo
19:32atendidos
19:33pelo programa agora,
19:34você vai ter
19:34um benefício
19:35de curto prazo.
19:36A inadimplência
19:36vai acabar caindo,
19:38de alguma forma,
19:38para a maior parte
19:39dessa população
19:40que está sendo
19:40beneficiada agora.
19:41a dúvida,
19:42o problema
19:43que a gente coloca
19:43é se tem um benefício
19:44de curto prazo,
19:45se ajuda
19:46essa população
19:46a sair do sufoco
19:48no curto prazo,
19:49mas as limitações
19:50que o governo
19:50coloca,
19:51por exemplo,
19:51no caso das bets,
19:52e você não fazer
19:54apostas durante um ano,
19:56são limitantes,
19:57não são suficientes.
19:59O processo
20:00e a possibilidade
20:01que você tem
20:01de voltar
20:02essa população
20:03a aumentar
20:05a inadimplência
20:05no futuro
20:06é muito grande.
20:07Uma coisa
20:07que o governo
20:07deveria ter trazido
20:08junto com tudo isso,
20:09já que ele colocou
20:10a questão das bets
20:13nessa decisão,
20:15era trazer
20:15mais informação
20:16sobre isso.
20:17A gente tem
20:18muito pouca informação
20:19divulgada mensalmente,
20:20de forma consolidada,
20:22sobre as bets,
20:23sobre o consumo
20:24que as pessoas
20:25têm das bets
20:25no Brasil,
20:26o Banco Central
20:26soltou algumas coisas
20:27aqui e ali
20:28e saiu correndo,
20:29não voltou a falar
20:30mais sobre isso,
20:31a gente precisa ter,
20:32de fato,
20:33mais informação
20:33sobre isso
20:34para ter essa percepção
20:35de que, olha,
20:36parte desse endividamento,
20:37dessa inadimplência
20:38que a gente está vivendo agora,
20:40especialmente na população
20:41mais pobre,
20:41passa pela questão
20:43das bets.
20:43O caso americano
20:44aqui é muito concreto
20:45nesse sentido.
20:46Estados Unidos,
20:47na população mais pobre,
20:48as bets pioraram muito
20:50a percepção
20:51de investimento,
20:52o grau de dívida
20:53e de inadimplência
20:54dessa parte
20:55da população.
20:55Se aconteceu por lá,
20:57imagino o que está
20:57acontecendo por aqui,
20:59só que a gente não tem
20:59muita informação ainda
21:00sobre isso,
21:01infelizmente.
21:02É, o Sérgio tem toda razão,
21:03a gente vê uma pesquisa
21:04aqui, outra ali,
21:05mas nem uma oficial
21:06do governo,
21:07o Banco Central
21:07soltou essa pesquisa,
21:09acho que tem um ano
21:10ou dois,
21:11a gente tem uma da CNC,
21:12da Confederação Nacional
21:13do Comércio,
21:14mas também com base
21:15na PEIC,
21:16que é a pesquisa
21:17de endividamento,
21:18mas não tem algo
21:19do governo,
21:20o governo fica batendo
21:20nessa tecla,
21:21são as bets,
21:22são as bets,
21:22são as bets.
21:23Queria ouvir você,
21:24Nathalie,
21:26as bets têm esse efeito
21:27mesmo de deixar
21:29as pessoas buscarem,
21:32parece o sonho
21:33do bilhete premiado,
21:34mas as pessoas
21:35se tornam endividadas
21:37a ponto de não conseguirem
21:39pagar o que devem?
21:42Verusca,
21:42acaba sendo um problema
21:44justamente de saúde pública,
21:46é um comportamento
21:47que ele é reiteradamente ali,
21:49vamos dizer assim,
21:50premiado,
21:50até brinco,
21:51a famosa barra
21:52ou onca de chocolate,
21:54buscando esse bilhete premiado,
21:56e as pessoas acham
21:57que o dinheiro,
21:58assim como a gente
21:59tem promessas ali
22:00muitas vezes
22:00de investimentos fáceis,
22:02com retornos acima
22:03de 100%,
22:05200%,
22:05a mesma coisa acontece
22:07com as bets,
22:08não existe dinheiro fácil,
22:09não existe rentabilidade
22:11acima do que a gente
22:13costuma ver
22:14usualmente
22:15no mercado financeiro,
22:16então tem que tomar
22:17muito cuidado,
22:18porque é um comportamento
22:19inclusive que você tem
22:20que muitas vezes
22:21acompanhar,
22:22porque ele acaba sendo
22:23cada vez mais viciante,
22:25e a pessoa,
22:26ela entra num grau
22:27de endividamento
22:28que ela começa a conversar
22:29com diversos parentes,
22:31colegas,
22:32amigos,
22:32para ter cada vez
22:33mais dinheiro,
22:34e ele não consegue
22:34sair dessa bola de neve,
22:36até muitas vezes pior
22:37que o cartão de crédito,
22:39porque ele não tem
22:40praticamente controle,
22:41praticamente é uma epidemia,
22:43e aí você tem que ter
22:45realmente um tratamento
22:46e um acompanhamento
22:47de saúde
22:47para esse tipo de pessoa,
22:48porque ela não vai conseguir
22:50sair dessa condição
22:51sozinha,
22:51e ela só vai se endividar,
22:53e não adianta
22:54programa ali
22:54que você consiga
22:55renegociar
22:56para fazê-la
22:57sair dessa situação.
22:58E aí
22:58E aí
22:58E aí
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