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  • há 11 horas
No Bola Quadrada, Fernanda Arantes, com comentários de Amauri Segalla e Fábio Altman, projeta o confronto do Brasil contra a Croácia, que pode definir o rumo da seleção neste momento de pressão. Após a derrota para a França, o debate gira em torno do que esperar em campo: haverá reação ou mais frustração?

A análise destaca as diferenças entre os estilos de jogo, uma Croácia menos dominante, mas experiente e competitiva, liderada por Luka Modric, e as oportunidades que o Brasil pode ter para criar mais. Ainda assim, persistem dúvidas sobre a falta de um padrão tático, a ausência de um protagonista e as escolhas de Ancelotti no ataque.

O jogo surge como termômetro: alívio ou crise mais profunda?

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Transcrição
00:00A derrota para a França por 2x1 foi um choque de realidade, acho que necessário até, muitos esperavam,
00:07a gente conversou aqui no programa sobre isso, havia uma romantização muito grande da seleção brasileira
00:14e a França trouxe essa realidade escancarada, acho que para todo mundo.
00:20E a partida contra a Croácia, nessa terça-feira, pode representar o alívio, ou a depressão de vez mesmo,
00:28dessa seleção brasileira. Para vocês, a balança está mais para qual lado?
00:33Eu acho que está para o lado negativo, viu, Fernando? Eu fiquei muito assustado com o jogo do Brasil,
00:37com a pobreza de ideias, né? Todo mundo sabe que o Brasil não é uma geração de grandes talentos,
00:43é tudo jogador nota 6,5, 7, por aí, né? A gente não tem um talento excepcional.
00:48O Vinícius seria esse jogador, mas ele não consegue jogar na seleção, impressionante.
00:52Mas fora isso, o trabalho do Antelogio também não emplacou, né?
00:56Ele, a gente estava falando aqui antes do programa, se fosse um técnico brasileiro, já estaria sendo questionado.
01:01Ele falou que acredita que o trabalho está evoluindo, ele falou que está feliz com o progresso.
01:07Só que nesse momento que era para ele ter o time principal, como a França, a Argentina,
01:12embora a Argentina tenha algumas pequenas dúvidas, né?
01:15Mas já está mais construída do que o Brasil, ele teve que continuar fazendo teste.
01:21É, eu tenho impressão, assim, o Ancelotti sempre foi um treinador vencedor em clubes, né?
01:27Ele nunca treinou, por exemplo, a seleção da Itália.
01:29Eu acho que ele depende do treinamento diário, né?
01:33Ele tem um plano, um projeto na cabeça e diariamente ele vai construindo isso,
01:39semana atrás de semana, jogo atrás de jogo.
01:42Infelizmente, para qualquer seleção no mundo, isso não pode acontecer,
01:46porque você convoca e tem ali um período curto de preparação.
01:51Talvez ele consiga ter esse padrão de jogo lá, bem próximo da Copa do Mundo,
01:56quando aí, sim, o Brasil vai ter uns 15, 20 dias, todos os jogadores juntos.
02:01Departamento médico mais esvaziado.
02:03É, exatamente, com essa série de contusões.
02:05Então, ele não consegue dar um padrão.
02:06Eu acho que o que mais assustou, realmente, no jogo contra a França é o padrão de jogo.
02:11Obviamente, era um amistoso.
02:12Você via que os dois times estavam num amistoso, ninguém estava se matando.
02:16Mas a França ditava a partida.
02:18E controlando do modo que queria, né?
02:21Todos os jogadores, assim, acelerando quando precisam, mas não muito.
02:25E é triste ver que o Brasil não tem um camisa 10, né?
02:28Que é aquele cara que bota a bola em campo ali, domina o jogo, controla o jogo.
02:33Não tem mais esse jogador.
02:34E quando veste a camisa do Brasil, melhora, parece até melhor.
02:38Você até está exagerando essas fotos que a gente está vendo aqui.
02:41Até pelas fotos, a gente consegue ver um tom, assim, quase de admiração ou de medo
02:47dos jogadores de azul, que são os brasileiros, diante dos jogadores de branco.
02:52Esse lance, por exemplo, você vê a beleza, o gol fantástico.
02:57Mas, não sei, tem uma coisa, uma certa aura.
02:59Parece um pouco, assim, chute, que eu estou dizendo, mas não.
03:03Não, assim, eu acho que a postura com que a seleção brasileira entrou em campo,
03:07uma postura de respeito talvez exagerado com a França, que acaba resvalando um pouco
03:12para o medo.
03:12Que os outros tinham com o Brasil até pouco tempo atrás.
03:15Sim, sem dúvida.
03:15E essa situação se enverteu.
03:17O Brasil, mesmo quando não tinha grandes times, vamos pegar até na Copa de 90,
03:22no jogo que o Brasil foi eliminado pela França, jogou bem.
03:25E era o Brasil ali em campo, pela França, pela Argentina, desculpa.
03:30Era o Brasil em campo, diante da Argentina.
03:32Esse receio com o passar dos anos vai diminuindo.
03:35E o Brasil não tem mais o fator surpresa, né?
03:37Hoje os jogadores saem muito cedo, então os europeus conhecem todos os jogadores do Brasil.
03:40Conhecem mais do que os torcedores, né?
03:42É, os torcedores.
03:43Então não tem ninguém que vai entrar, eles conhecem como todo mundo joga.
03:47E, ironicamente, acho que esse medo demonstrado, esse respeito pela França,
03:52era o que essa camisa, que era a número 2, não queria representar.
03:58Porque a ideia da camisa é ser aquele canarinho que arrebenta, enfim, a gaiola,
04:04aquela força a mais que é necessária.
04:06Eu acho que a mensagem é o que o Brasil precisa ser, mas não o que o Brasil é.
04:12Estampado numa camisa que refletiu totalmente o contrário.
04:16E depois a gente fala até mesmo dessa polêmica.
04:19Mas agora vem a Croácia pela frente e a Croácia tem uma postura totalmente diferente de jogo da França.
04:25Não dita tanto o jogo como a França.
04:28Eu acredito que o Brasil vai ter até mesmo mais oportunidade de fazer, né?
04:33Criar mais nessa partida.
04:34Só que quando a gente olha ali os jogadores da França,
04:37a altura dos defensores contra a Colômbia, a gente viu, né?
04:41Bem diferente todo esse cenário.
04:44Então é uma seleção difícil que consegue se portar só pelos jogadores que tem.
04:50A gente pode esquecer que a Croácia tem o Modric também, né?
04:53Claro que ele já é veterano, né?
04:55Vilão antigo.
04:56Já é um jogador perto dos 40 anos, mas joga muita bola também.
05:00O Brasil não tem um jogador desse nível.
05:03Por incrível que pareça, a Croácia tem um grande jogador.
05:05Sem dúvida.
05:06E o Brasil não tem ninguém que possa competir com esse patamar.
05:10No momento que a gente está, né?
05:11Desceu uns andares.
05:12Estamos considerando a Croácia como um time perigoso.
05:16Isso há 20 anos não existia.
05:18A Croácia era a Croácia.
05:20Vamos falar a verdade.
05:21O Brasil é um time médio hoje, né?
05:22Do futebol mundial.
05:23Médio.
05:24Médio.
05:24Não é?
05:24Acho que é um país médio.
05:26É, assim.
05:27Eu acho muito difícil que o Brasil ganhe essa Copa do Mundo,
05:29mas a Copa do Mundo produz, de vez em quando, alguns efeitos mágicos, né?
05:35Time que ganha um jogo, ganha um segundo, ganha um terceiro e vai crescendo.
05:39A gente pega, por exemplo, a Itália de 82, né?
05:42É um time que não existia.
05:44Na hora que ganha no Brasil, eu, Paulo Rossi, aí começa a dar saltos fenomenais.
05:49A própria Argentina contra a Arábia Saudita.
05:51A própria Argentina.
05:51Ali ganhou a Copa, porque mudou o comportamento e foi outra Argentina.
05:55Mas, em comum, os times campeões sempre têm uma grande estrela, né?
05:58A Copa sempre é um marco das Copas do Mundo.
06:01O Messi na Argentina, o Mbappé com a França.
06:04Quem poderia ser a nossa?
06:05O Iniesta na Espanha.
06:07O Brasil seria o Vinícius Júnior, né?
06:09Que seria esse cara.
06:10Camisa 10, né?
06:11Camisa 10.
06:12Que na seleção ele não consegue jogar.
06:14Tem jogador que não joga na seleção.
06:15É impressionante.
06:16Isso é histórico do Brasil, né?
06:17Quem ganhou a visibilidade foi o Luiz Henrique,
06:19que parece que jogando com a seleção brasileira tem um comportamento até superior do que com o clube, né?
06:24E que vai jogar contra a Croácia amanhã, né?
06:26Acho que vai jogar no lugar do Martins.
06:27Embora ele tenha confundido a cabeça do Ancelotti, né?
06:30Porque ele entra no lugar do Rafinha.
06:32E o Rafinha, assim, antes era a grande aposta, né?
06:36O Rafinha realmente é um grande jogador, numa fase muito boa no Barcelona.
06:40Aí ele sai entre o Luiz Henrique.
06:41O Luiz Henrique vai bem melhor do que o Rafinha.
06:43E agora?
06:43O que eu faço da minha vida, né?
06:45O Rafinha ou o Luiz Henrique.
06:48Nesse deserto de talentos aí, será que não tem uma vaguinha pro Neymar, não, hein?
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