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  • há 2 dias
Ansiedade, depressão e burnout: os transtornos mentais já são a principal causa de afastamentos no trabalho em 2026. No programa Mercado de hoje, Cassio Carvalho, diretor executivo de Negócios da VR, analisa a explosão dos casos nas empresas, os impactos da nova NR-1 e como a saúde mental virou prioridade, e alvo de fiscalização, no ambiente corporativo.

A edição também aborda os efeitos econômicos dos afastamentos, os desafios de liderança nas empresas, o choque de gerações no mercado de trabalho e o que muda para empregadores e trabalhadores com a nova legislação.

Além disso, o programa traz as discussões sobre a PEC do fim da escala 6x1, a renegociação das dívidas rurais, a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã e a crise política e social na Bolívia.

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Transcrição
00:00Bom, vamos falar, a gente vai continuar falando sobre o trabalho, que foi o tema que a gente abriu aqui
00:05o programa, né?
00:05Mas a gente vai trocar um pouquinho a chave, porque agora a gente vai falar de transtorno mental ligado ao
00:10trabalho.
00:11A ansiedade liderou como principal motivo dos afastamentos do trabalho nos quatro primeiros meses do ano,
00:19seguida pela depressão com 23% dos casos.
00:22O levantamento é da empresa VR de benefícios.
00:26Segundo a pesquisa, apesar de aparecer em menor proporção entre os diagnósticos,
00:32a depressão é o transtorno que mais prolonga o tempo fora do trabalho.
00:37E a gente fez uma telinha para mostrar para vocês os principais resultados dessa pesquisa,
00:42antes de conversar com o Cássio Carvalho, que vai explicar para a gente esses números.
00:47A pesquisa foi no primeiro quadrimestre de 2026, dos quatro primeiros meses, de janeiro a abril.
00:52Foram consultadas mais de 75 mil empresas clientes da VR.
00:57As ausências no trabalho, segundo a pesquisa, aumentaram 832%.
01:0351% desses afastamentos foram por ansiedade.
01:09E a geração dos milênios, ou a geração conhecida como geração Y,
01:15teve o maior número de afastamentos, que é aquela geração que nasceu entre 1981 e 1996.
01:25São Paulo liderou com uma capital com o maior número de afastamentos,
01:30com um aumento de 39%, bom, um total de 39% desses afastamentos.
01:35Agora sim, eu quero conversar com o Cássio Carvalho,
01:37ele que é diretor executivo de negócios da VR.
01:40Seja muito bem-vindo, bom dia.
01:42Bom dia, Vilusca. Tudo bem? Bom dia a todos.
01:45Bom, os números principais aí eu dei uma resumida,
01:49mas deixo com você o diagnóstico desse levantamento.
01:54O que ele mostra para o nosso público?
01:58Legal. Deixa eu dar um contexto, que acho que é importante também.
02:01A gente fala sobre a VR Benefícios, está muito alocada a questão dos benefícios,
02:04mas hoje no nosso portfólio a gente tem uma ferramenta de ponto eletrônico,
02:07onde a gente tem mais ou menos 75 mil empresas, que são nossas clientes,
02:11e que seus trabalhadores batem um ponto diariamente dentro do nosso aplicativo,
02:15e lá a gente consegue fazer essa gestão de jornada, de hora extra e até dos afastamentos,
02:21e é por isso que a gente consegue coletar todos esses dados.
02:24Eu acho que um ponto super importante é essa comparação de ano contra ano,
02:28que a gente vê esse crescimento de 8% e 32% acima, comparado de janeiro a abril de 2025
02:35para 2026.
02:36Eu acho que outro marco importante é a questão da entrada da NR1, acho que no dia de hoje,
02:42onde a gente começa a observar que o afastamento por doença mental deixa de ser um tema muito mais relacionado
02:49a bem-estar e passa a ser um tema estratégico dentro das empresas e administração sobre o tema.
02:55Quero falar um pouco mais sobre a norma reguladora 1, que entrou em vigor hoje,
03:00mas quero destrinchar com você primeiro essa pesquisa, porque vocês trazem que a ansiedade em primeiro lugar
03:07como motivo dos afastamentos, a depressão em segundo, mas vocês também colocam um ponto de observação ali
03:12que a depressão gerou o maior número de horas afastadas. O que isso significa?
03:21Se a gente for olhar no período acumulado que a gente está olhando aqui, a gente está falando de mais
03:24ou menos
03:2535 mil horas de afastamento. E isso realmente gera um impacto para os negócios na hora que a gente faz
03:32avaliação
03:33de tempo de absenteísmo e de como as empresas podem fazer a gestão desses afastamentos.
03:38E eu acho que outro ponto importante é com a relação ao próprio trabalhador, que de uma forma ou outra
03:44está sendo impactado por esse tipo de doença e que ele precisa ser tratado e diagnosticado.
03:49O que a gente observa aqui internamente é que empresas que possuem uma gestão, uma liderança muito próxima
03:55dos seus times, tendem a ter esses indicadores menores do que as empresas que hoje não fazem uma gestão
04:02muito próxima ou que a liderança não está muito familiarizada com o tema.
04:05O que é uma liderança muito próxima?
04:09A liderança muito próxima é aquela que está na gestão do dia a dia dos seus trabalhadores, do seu time
04:15atenta a sinais. Ou de fadiga por questões pessoais ou questões profissionais
04:20e que está atuando de uma forma muito mais próxima e direta a esse trabalhador
04:23e não ignorando os sinais que possam surgir ao longo do dia do trabalho.
04:29Vocês trazem também como terceiro motivo dos afastamentos uma combinação entre ansiedade e depressão.
04:35É isso. Veja se eu estou falando alguma besteira ou não.
04:40E 8% dos afastamentos, vocês colocam burnout ali entre os outros motivos de afastamento.
04:49Queria que você explicasse para mim esse trecho das pesquisas, o que é essa combinação da ansiedade com a depressão
04:54e os outros fatores de afastamento?
04:58Legal, Verusca. Eu não vou ter aqui a parte técnica médica sobre o tema, né?
05:02Mas todos esses são os sites relacionados a esse tipo de afastamento, onde a gente consegue agrupar e identificar essas
05:08classificações.
05:09Então a gente já percebe que não existe um fator ou outro isolado, um diagnóstico ou outro isolado,
05:14mas sim a combinação deles que está agravando esse caso, o ano após ano.
05:18Então são, por exemplo, a ansiedade leva à depressão e a depressão pode levar ao burnout, né?
05:26E aí eu queria que você explicasse para mim, o burnout ele é ligado hoje à estafa somente no trabalho.
05:37De novo, Verusca, eu não vou ter a parte técnica médica para poder fazer essa qualificação,
05:41mas quando a gente consegue observar, realmente sim, né?
05:44Isso está muito relacionado realmente ao maior parte da convivência dele,
05:48que acaba sendo no local de trabalho, onde ele gera essa ansiedade, essas aflições,
05:53e que pode chegar ao transformador do burnout.
05:56Cássio, outro dado da pesquisa que chamou a atenção foi o fato da geração millennium,
06:01ou geração Y, ser a principal afetada. Por quê?
06:07Olha, essa aqui é uma constatação, mas o que a gente observa, inclusive, no dia a dia,
06:12é na mudança da relação dessa geração com o seu ambiente de trabalho, né?
06:16Onde eles buscam uma flexibilidade maior, ou uma questão muito mais relacionada a processos e métodos
06:23que acabam chegando a um conflito de gerações nesse sentido.
06:27É uma geração que foi criada para pensar a qualidade de vida, para reduzir, botar o pé no freio ali,
06:36em tantas horas trabalhadas, ter mais qualidade de vida, e quando ela chega ao mercado de trabalho,
06:42ela dá de encontro com a situação real, que inclusive é um choque de gerações, né?
06:49Que a geração antes está ali, são os líderes, e aí vem essa nova geração querendo esse mais tempo, né?
06:57E a geração que vem depois, que é a geração Z, que é mais tempo ainda, de lazer, inclusive.
07:03Como faz, né? O que vocês observam que são as empresas que melhor lidam com esse choque de gerações,
07:10dessa realidade deles antes de entrar no mercado de trabalho, e a realidade depois que entra no mercado?
07:18O que a gente observa, inclusive internamente aqui na BR, porque também a gente possui os nossos quadros de funcionários
07:23todas essas gerações, né?
07:25E a gente acaba observando que os profissionais, tanto da geração Z, da Y, da X, que melhor se adaptam,
07:32são aqueles que conseguem se comunicar melhor com qualquer geração.
07:35Então, são aqueles que estão abertos à comunicação, à empatia, a entender o desafio e o processo de trabalho
07:42de seus colegas e trabalhar em equipe.
07:44Então, essa adaptação de comunicação e de engajamento entre os times é muito importante,
07:49tanto o profissional que está chegando agora no mercado de trabalho, quanto aquele que já está perto da sua aposentadoria.
07:55Entender que tem espaço para todo mundo e que o grande desafio realmente é a comunicação entre essas gerações.
08:01E como eu comentei, acho que o papel do líder é muito importante nessa junção e nesse alinhamento dos times,
08:06né?
08:06Para que ele possa ter esse time multidisciplinar e conseguir chegar aos objetivos do negócio da empresa,
08:12que acho que esse é o grande propósito do negócio e do profissional no seu dia a dia de trabalho.
08:17O que ficou de lição para vocês depois dessa pesquisa?
08:21Olha, que realmente a gente tem que estar muito próximo dos nossos times, né?
08:26Como eu comentei, eu acho que deixa de ser uma questão somente de bem-estar
08:30e passa a ser realmente um ponto estratégico da companhia administrar esse tipo de afastamento,
08:36porque isso vai impactar no ponteiro no final do dia dos negócios das empresas, né?
08:40São horas e horas de afastamentos que poderiam estar sendo tratados e mitigados
08:45se você tivesse um controle melhor da sua jornada, controle de horas extras,
08:50ter todo um mapeamento de painéis de riscos e de como mitigar esses riscos
08:54ao longo que você for se identificando como companhia, aonde atuar primeiro.
08:58Cássio, muito obrigada aí pela entrevista.
09:01Desculpa ter colocado você em uma saia justa, fazendo perguntas aí muito específicas de saúde,
09:07mas parabéns pela pesquisa e obrigada pela entrevista, viu? Bom dia.
09:12Eu que agradeço. Bom dia, muito obrigado.
09:14Bom dia.
09:16Bom, a gente continua falando de saúde mental, porque agora é lei.
09:19A saúde mental passa a ser prioridade nas empresas e alvo de fiscalização pelo Ministério do Trabalho.
09:25E aí tem uma reportagem no site que a gente trouxe, inclusive nós aqui do Programa Mercado,
09:30fizemos um mercado inteiro, mais de meia hora, conversando com uma psicóloga que é especialista
09:36em contratações corporativas sobre a saúde mental do trabalhador,
09:42essa norma regulamentadora 1 que entrou em vigor hoje, terça-feira.
09:48Se você quiser mais detalhes, vá lá no nosso site e acesse a reportagem.
09:53Eu quero conversar agora com o Lucas Toledo, ele que é diretor executivo sênior da Michael Page
09:58e vai trazer detalhes para a gente da norma 1. Seja bem-vindo.
10:04Obrigado. Bom dia a todos. Obrigado pela oportunidade.
10:08Bom, vamos aí. Por que da necessidade de se criar essa NR1?
10:14Eu acho que já é uma demanda clara do mercado, um maior equilíbrio entre a alta performance e ao mesmo
10:22tempo
10:22uma entrega de qualidade, uma cultura sólida, de forma sustentável.
10:28E a gente viu essa tendência agora ganhando fatores legais.
10:32E isso vem numa crescente, alinhando todos os stakeholders do mercado
10:37e garantindo que tantas empresas tenham uma vida útil maior do empregado,
10:44que ele possa performar por um período de tempo ainda maior
10:47e entregar melhores resultados.
10:50Isso acho que é fundamental com qualidade de vida, que hoje é super relevante,
10:55tanto para as pessoas ficarem nas empresas,
10:58mas também na hora de tomar a decisão de migrar para uma nova companhia,
11:02que é bastante o que a gente faz aqui na Michael Page.
11:05Bom, eu entrevistei agora há pouquinho o Cássio, da VR.
11:08Eles fizeram um levantamento sobre os transtornos mentais e os afastamentos.
11:12A gente sabe os estragos que faz um transtorno mental na vida do trabalhador.
11:18Mas e para a empresa, para a economia da empresa?
11:20Qual é o estrago quando um trabalhador adoece?
11:24Hoje, um dos maiores fatores para uma pessoa pedir o desligamento
11:29é o gestor direto e é como ele vive a cultura da organização.
11:35Cada vez que você tem que trocar alguém, porque essa pessoa teve um burnout,
11:40você tem vários custos com isso e você também pede a performance.
11:44Você deixa de atender bem ao seu cliente, você deixa de gerar novos negócios
11:49e isso impacta grandemente.
11:52O que tem mudado para nós, assim, bastante, é até o perfil que as empresas estão buscando agora
11:58para esses novos gestores já alinhados um pouco com essa questão
12:02de uma capacidade não só de performar, de ter alta performance,
12:08mas também de pessoas com competências humanas que saibam dar feedback,
12:13que saibam ouvir, que saibam montar uma equipe, que consigam manter um clima bom
12:21e que consigam descer a cultura da empresa de uma forma correta.
12:26E isso já vem impactando muito para nós agora, principalmente após a NR1,
12:31em escolher o gestor super bem para que essa pessoa seja capaz
12:37de passar por todas essas mudanças que estão acontecendo.
12:40O Lucas, o que acontecia antes que mudou agora na norma?
12:45As empresas não eram responsáveis pela saúde mental dos trabalhadores
12:49e agora passaram a ser responsáveis, inclusive, com fiscalização do Ministério do Trabalho?
12:55Eu acho que sim.
12:58Agora é legal.
12:59Antes era uma boa prática.
13:01Então, isso muda completamente o jogo.
13:03Mas, eu já estou aqui na pede há 18 anos.
13:08A governança e o nível de compliance das empresas, ele vem melhorando ano após ano.
13:14Então, eu acho que isso é uma tendência que agora ela efetivou como lei.
13:18Mas, eu acredito que, assim como no mercado geral, você tem empresas que super adotam,
13:23que super cuidam das pessoas, que tem gestores capazes de dar feedback,
13:29de desenvolver, de cuidar do clima, de manter uma boa estabilidade,
13:33você também tem aquelas empresas que não estavam levando isso tão a sério.
13:38Não são todas, é uma minoria.
13:40Mas, eu acho que a lei vem para equalizar.
13:43E, quando as empresas vão fazer a gestão de riscos agora,
13:46eles vão mapear esses riscos psicossociais fortemente.
13:51Então, isso vai impactar de uma forma transformacional no mercado,
13:55tanto de recrutamento, quanto de pessoas.
13:57E, no futuro, os empregados vão escolher as empresas que realmente têm uma sustentabilidade,
14:04que cuidam melhor dos seus funcionários, que cuidam melhor dos seus colaboradores.
14:08O que a norma diz sobre garantir a saúde mental desse trabalhador?
14:13É colocar, por exemplo, um psicólogo à disposição o tempo todo,
14:17ou são somente boas práticas, bons líderes, líderes que você disse aí, bem treinados,
14:25que saibam dessa ansiedade dos funcionários.
14:30Há todo um processo legal, formal, de mapeamento dessa gestão de riscos.
14:36Você tem que criar uma documentação que pode ser acompanhada
14:40pelo Ministério do Trabalho, pelos órgãos competentes, sempre.
14:44Então, a empresa tem que ter um plano de como ela vai lidar com isso.
14:47Em qualquer caso que aconteça, mais grave, um burnout ou algum tipo de desequilíbrio
14:54desse profissional causado pela empresa, ou seja, aquele gestor que sempre coloca
14:58metas inalcançáveis, aquele gestor que não dá um feedback adequado
15:04e que afeta a saúde mental das pessoas.
15:07Tudo isso vai ser registrado agora e deve ter um plano para isso.
15:11Então, acho que muda o grau de formalização dessa nova lei
15:14e isso vai demandar cada vez mais uma capacidade da empresa
15:19de entregar isso que está previsto em lei
15:22através de pessoas, através dos líderes,
15:26através de contratar pessoas adequadas que possam fazer isso,
15:31de treinar os gestores existentes,
15:33de criar realmente essa percepção de do quanto isso é importante,
15:37porque não é só porque existe a lei.
15:41empresas mais saudáveis geram melhores resultados.
15:45Isso todo mundo já sabia.
15:46Acho que o que essa lei vem fazer é acelerar esse processo de evolução.
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