- há 11 horas
O ator Hugo Bonemer, 38 anos, fala sobre o universo no qual mergulhou nos últimos meses para levar aos palcos a montagem de O Talentoso Ripley. Também já adaptado aos cinemas, o livro de Patricia Highsmith é um suspense psicológico sobre Tom Ripley, um jovem golpista enviado à Itália para convencer Dickie Greenleaf, um herdeiro rico, a voltar para casa. Obcecado pela vida luxuosa de Dickie, Tom o assassina, assume sua identidade e usa sua habilidade de falsificação e imitação para viver uma vida de luxo, escapando da polícia.
No bate-papo, ele fala sobre os estudos acerca da sociopatia humana, um novo projeto sobre coadjuvantes e como conseguiu um papel no filme Velhos Bandidos, em cartaz nos cinemas.
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No bate-papo, ele fala sobre os estudos acerca da sociopatia humana, um novo projeto sobre coadjuvantes e como conseguiu um papel no filme Velhos Bandidos, em cartaz nos cinemas.
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NotíciasTranscrição
00:06Olá gente, tudo bem? Está começando mais um programa da Coluna Gente aqui diretamente
00:09do nosso canal no YouTube e também nos canais da Veja, a TV Samsung Plus, LG, TCL e Roku.
00:17O nosso Mais Papo, vocês sabem, acontece toda segunda-feira e hoje nós estamos recebendo
00:21aqui nos nossos estúdios Hugo Bonemer. Hugo, muitíssimo obrigado por você vir aqui. O
00:27Hugo está em cartaz no Rio de Janeiro com a peça O Talentoso Ripley, uma história que
00:31já parou no cinema, todo mundo conhece, é uma história deliciosa que nos faz pensar
00:36talvez sobre as loucuras do ser humano, sobre as possibilidades da mente humana. Como é
00:42que foi, Hugo, mergulhar nesse personagem tão complexo dentro da peça?
00:50Delicioso. Passar dos limites da moralidade é muito gostoso na dramaturgia. Fazer aquilo
00:56que a gente não, quando tem uma civilidade, não está disposto a fazer na vida. Então
01:04você poder fazer isso no palco, tem um lugar ancestral, um lugar instintivo, um lugar humano
01:11assim, muito gostoso de explorar. Eu tenho uma rejeição de fazer vilão na vida. Rejeitei
01:16praticamente todos os que me deram. Tentei deixar eles legais, humanizava, pensava não, mas
01:21na verdade ele tem uma justificativa. Mas o Ripley é muito difícil. Ele não tem
01:26qualidades redimíveis. Ele é um dos personagens malditos da dramaturgia. Então o texto da
01:34Patricia Heismith, lembrando para quem não conhece, esse é um livro que foi escrito nos
01:38anos 50 e ele virou peça nos anos 90 e logo depois que ele virou peça saiu o filme hollywoodiano,
01:45mas já tinha saído um sol por testemunha com a Landelon em preto e branco. E são cinco
01:50filmes no total com diferentes abordagens dessa história. Mais a série da Netflix que saiu
01:56ano passado. Então são olhares, visões, interpretações desse personagem que é muito
02:04complexo. O que a Phyllis Negg faz, que é a adaptadora do livro da Patricia para o teatro,
02:13ela transforma o Ripley em algo pior do que a Patricia tinha imaginado. Então a gente
02:18poderia, hoje em dia até a gente usa a expressão anti-herói ainda, que é um termo muito
02:23antigo, para dizer alguém que não é herói. Ele é um anti-herói. Só que nós chamamos
02:29o Deadpool de anti-herói. Entendeu? Nós chamamos o Tony Stark de anti-herói. Ou alguém que não
02:36é tão bacana, mas tem qualidades e carisma suficiente para isso. O que o Ripley faz nessa
02:42montagem vai muito além. Nós cometemos absolutamente todos os crimes possíveis, para muito além
02:47do assassinato. Então, coisas que hoje em dia não são consideradas redimíveis. E numa
02:55era de gourmetização e glamourização dos psicopatas, em que há muitos anos eles recebiam
03:05na época cartas e cartas na prisão, gente querendo casar com um psicopata, ou quando nós
03:13fazemos as dramaturgias sobre os psicopatas reais, e nós de certa forma também damos um palco
03:19para esses psicopatas. E aos poucos a gente vai se questionando até que ponto que isso
03:26é bom, isso não é, ou qual é o efeito disso. Quando o psicopata, tudo o que ele quer é
03:31atenção, e aí quando você quase que cria um sistema onde quem vira um psicopata maneira
03:36suficiente, ele vai ter daqui a pouco um produto no streaming sobre ele, até que ponto que
03:41você está criando também algum tipo de sistema que retroalimenta isso. Fazer um psicopata
03:47que não existe, mas com a consciência de que ele não pode ser glamourizado, também é muito
03:55delicioso. Então tem sido um processo que é... É mais confortável nesse sentido, o moral da...
04:01Ah, enquanto artista, sim. Enquanto artista, muito mais. Porque é isso, nós estamos falando do ser
04:08humano como um todo, e não falando de uma pessoa específica. Aí, com certeza, me sinto mais seguro.
04:15Não quer dizer que eu não faria, mas é um questionamento meu e de muitos outros artistas.
04:20Sim, sim. O que nós estamos fazendo com essas coisas?
04:23A gente tem tido uma leva de documentários, não só documentários, mas de ficção mesmo,
04:28inspiradas em histórias reais, histórias muito cruéis, muito fortes, no streaming, tanto
04:33aqui no Brasil quanto lá fora. De resgatar histórias que são chocantes, que eram para ter ficado
04:38talvez só nos jornais e revistas jornalísticas, mas que vieram para a ficção.
04:44O true crime.
04:45Exato.
04:46E aí nós brincamos sobre isso na peça da seguinte maneira. Existe uma passagem no começo do livro
04:52da Patrícia, que ela diz que os sons da cidade, as máquinas, as pessoas, os insetos, fazem um show
04:59particular para o Tom Ripley. Então nisso eu identifiquei... Eu não sozinho, eu tenho uma co-diretora
05:06fantástica chamada Camila Rufino junto comigo, que entrou como assistente de direção, enquanto
05:11eu procurava uma pessoa para me dirigir depois do processo. E ela é tão talentosa e tão maravilhosa
05:17que ela conquistou esse espaço e eu fui entregando para ela o volante enquanto eu estava no palco.
05:27Então a partir de um dado momento nós estávamos vivendo essa direção juntos. Por isso ela assina
05:33junto comigo a peça. Nós entendemos que, primeiro, existia uma sensibilidade auditiva no Tom
05:41Ripley. Uma certa neurodivergência em relação à audição. Uma hipersensibilidade ao som.
05:50E o segundo ponto é que show é esse particular que está sendo feito para ele. Então chegamos
05:58à conclusão que nós estamos dentro de um programa de televisão. Nós abrimos a peça
06:02como um programa de TV. E nós passamos pelos principais gêneros que são apresentados na
06:09televisão. Nós começamos na comédia, numa comédia desenhada, fora do realismo. Nós vamos
06:17para o terror. Nós vamos para a novela. Nós vamos para o true crime. E aí nós vamos
06:23passeando. E o público, ao mesmo tempo que está vendo uma programação de TV, também
06:28está acompanhando uma história linear. É um risco. Porque as pessoas têm referência
06:34do que elas já viram sobre Tom Ripley. Elas viram histórias realistas sobre ele. Então
06:41é um risco que nós corremos, mas nós acreditamos que para o teatro essa é a linguagem mais interessante
06:46que a gente poderia oferecer para o público. Tirar o público da necessidade de fazer
06:53qualquer tipo de comparação com algo que ele já viu. E depois apresentar algo um pouco
06:57mais realista. Até que nós chegamos no drama no final da história. Para chegar lá, a gente
07:02passa por vários gêneros.
07:04por vários gêneros, é. Que legal. Não sei se foi essa questão das cartas, né? Que
07:08tem bandidos criminosos que estão pagando lá suas penas na prisão e eles recebem cartas
07:16amorosas, presentes, visitas.
07:18É, viram fãs, na verdade, né? Visitas íntimas e tal. Mal comparando, muito mal comparando,
07:25né? Ele está ocupando um espaço midiático ali muito forte que o ator, né? Que seduz as
07:31pessoas através da arte e tal. E recebem também cartas e intimidades que não precisavam receber
07:38de pessoas que ele não conhece e tal. Quer dizer, o papel do bandido acaba sendo glamourizado
07:43como, né? O termo que você usou dentro de toda essa esfera de holofote que colocam
07:48em cima deles, né? De que forma você acredita que essas obras aí, não no seu caso da sua
07:55peça, porque ela é uma obra de ficção, mas eu vou citar aqui, por exemplo, o Suzano
08:00Richthofen, ou o caso dos Irmãos Cravinho, ou tantos outros que a gente tem à luz agora
08:06a ficção, mergulhando nisso. De que forma você acha que isso é perigoso para a sociedade?
08:10Não sei. Não tem, porque eu não estou tecendo uma crítica à produção feia. É um pensamento
08:17sobre, é um olhar sobre. É quando você olha para uma coisa justamente com essa pergunta.
08:23Então eu faço essa pergunta. O que eu sinto que é positivo é que num momento em que nós
08:28transformamos atitudes horríveis em humor, num momento que nós chamamos atitudes horríveis
08:35de personalidade marcante ou autenticidade, ter uma bússola sobre o que é ruim é muito
08:43bom. Sim. Então produzir coisas que mostrem o que é podre no ser humano e ver que são
08:52pessoas reais, eu acho interessante também. E daí você olha e fala assim, tá, até onde
08:58que eu já senti algo parecido com essa pessoa e onde que ela passou da linha?
09:02Ah, sim.
09:03Onde que ela foi além daquilo que eu gostaria, que eu, você ou qualquer pessoa que pela
09:10civilidade ela não ultrapassa, né? Todo mundo já pensou em se vingar, todo mundo pensou
09:14que queria que a pessoa morresse, todo mundo já pensou, já teve o ódio, mas o que que
09:19fez aquela pessoa realmente ultrapassar essa linha da civilidade, né? Aí eu acho interessante
09:24por isso, mas dizer pra você assim, que eu não sou um estudioso da psicologia, então
09:29talvez essa seja uma pergunta pra ser feita pra alguém que realmente tem embasamento psicológico
09:34pra falar social e tal, eu só traço um olhar sobre isso, sabe? Jogo a minha atenção,
09:42mas eu sinto que no caso do Tom Ripley, nós temos essa bússola sem o compromisso com a
09:47realidade, sem colocar ninguém nesse holofote, ninguém real nesse holofote.
09:54E quando você mergulha nesse personagem, você vai pra casa, você fica pensando nele,
09:58você tem essa coisa de levar o trabalho pra casa, o personagem te acompanha, principalmente
10:03no teatro, que você tá tendo que revisitá-lo, né? Quase que de forma cíclica, toda semana,
10:09isso te incomoda? Você me falou agora há pouco que evitou tanto fazer personagens vilões?
10:14É porque eu não gosto de ser visto assim, eu sou canceriano, eu quero que me amem, eu
10:19quero...
10:20Muito bom!
10:22Não quero que me odeiem, eu me achem ruim ou mal, eu... não, não faz sentido pra mim.
10:29E o medo de alguém olhar, alguém que eu já briguei na vida, olhar e falar, ah lá, bem que
10:35eu falei
10:35pra vocês, olha lá como ele é, sabe assim? Eu tinha razão, sabe?
10:41Então eu não gosto, eu rejeito. E aí, no caso do Tom, pra mim, tá sendo um desafio
10:46muito grande. Abraçar o meu lado sombrio também, que é meu, que é o que eu coloco
10:52lá, eu só tenho eu pra colocar.
10:54E o que você aprendeu com ele?
10:57Eu aprendi que fazer cara de vilão ou tentar fabricar uma vilania não é um bom caminho
11:02pra mim, Batista, pra mim, enquanto ator, tentar chegar lá e falar agora eu vou fazer
11:11o mal, não é o caminho. A circunstância da peça é dada e eu sinto que quanto mais
11:20carismático, quanto mais doce, quanto mais impossível de ser quem ele é eu conseguir
11:26enxergar, mais perigoso ele fica. Porque ele tem passabilidade, né?
11:33Um cara como o Tom Ripley, ele precisa chegar nos lugares e as pessoas falarem, esse cara
11:36nunca faria isso, ele é muito legal. E de repente você fala, não, não, não, peraí,
11:42peraí. Eu coloquei esse cara dentro da minha casa, que é o que o outro personagem faz.
11:47Ele conquista todo mundo pelo carisma, né?
11:49Claro, ele tem que ser uma pessoa deliciosa de conviver como todo psicopata é. O psicopata
11:55não é alguém que chega. Não. Ou fazendo caras e olhares e coisas que vão deixar as outras
12:01pessoas constrangidas. Não, ele é incrível. Ele tem que ser uma pessoa que você fala,
12:06entra agora, você vai morar comigo, que é o que o Richard faz. O hotel tá fechado?
12:12Não, eu vou colocar você na minha casa. E ele fica lá por dois meses azucrinando a
12:16vida dele.
12:17Sem imaginar o risco que tá correndo.
12:19É, e eu gosto da ideia também de que ele descobre quem ele é ao longo da história.
12:23Eu não acho que ele sabe que ele é essa pessoa.
12:26Vamos lá, tem duas produções principais. São vários filmes, mas a do Matt Damon,
12:31né? Com o Jude Law e Gwyneth Patrick concorreu ao Oscar, então é a produção hollywoodiana,
12:36é a mais famosa. E tem a do Andrew Scott no ano passado na Netflix. O que o Matt Damon
12:42faz é um crime passional. Então temos um cara encantado por um outro homem que não se
12:50identifica de nenhuma forma como uma, com alguma sexualidade específica. Isso não
12:55fica claro na história, mas existe um encantamento. E esse cara adora atenção. Esse cara fica
13:03com todas as mulheres, trai a namorada e tudo mais, mas gosta da atenção daquele amigo
13:08o tempo todo. No momento em que a namorada começa a colocar uma pulga atrás da orelha de
13:13que pode existir algum interesse do cara em cima dele, ele fala, vou mandar esse cara embora,
13:17descarta ele. O cara se sente absolutamente rejeitado porque ele achou que tivesse encontrado
13:22ali uma família, amigos. Vamos colocar dadas as proporções, porque daí cada um vai ter
13:28uma interpretação sobre isso. E aí ele comete um crime passional. A Eva vai me descartar?
13:33Pô, matou. A partir daí ele precisa encobrir o que ele fez. E todo mundo que chega perto
13:39de descobrir, ele também elimina. E ele vira um psicopata por isso. O Andrew Scott, não,
13:45o Andrew Scott tá muito mais perto do livro. Ele despreza o Richard do momento que ele
13:50vê ele. Ele já inveja e deseja a vida do Richard no momento que ele vê o Richard.
13:55Ele queria estar no lugar do amigo, né?
13:57Imediatamente. Imediatamente. O Matt Damon coloca um encantamento onde ele veste a roupa
14:04do outro e imita o outro. Mas porque você não vê a podridão ali de cara. Ele vai se descobrindo
14:14um psicopata. O Andrew Scott, não. Ele é podre desde o começo. E aí a peça me dá a oportunidade
14:19de fazer um pouco das duas coisas. Para os outros...
14:22E misturar um pouco esses universos.
14:24Para os outros personagens, ele tem que ser o mais ingênuo e doce e ter essa passabilidade. Mas
14:31para o público, não. Para o público, eu tenho que realmente entreter pelo pior.
14:42E tem uma parte da peça que eu fico muito confuso se eu tô fazendo um desserviço para a sociedade
14:50nesse momento. Porque eu pergunto para as pessoas como elas desovariam o corpo.
14:55E eu sei que a peça que as pessoas estão comprando o personagem, quando elas não hesitam em me dizer.
15:02E até hoje ninguém hesitou. Ninguém virou e falou assim, desculpa, querido, mas eu não mataria ninguém.
15:07Elas só me respondem, ah, eu colocaria dentro de um pneu e colocaria fogo.
15:10Ou, ah, eu ficaria e colocaria numa mala.
15:13Porque virou entretenimento depois de um certo momento e as pessoas compram o personagem.
15:17Isso é assustador.
15:19É. Isso é assustador.
15:22E ao mesmo tempo nós estamos protegidos pela falta de realidade que o teatro proporciona.
15:29Porque essa é a premissa do teatro, viver sem o compromisso com a realidade.
15:33Sim.
15:34Viver sem a consequência do real.
15:36Então o público também se permite ir além da moralidade enquanto tá ali.
15:43E imaginar o que faria.
15:44Você deixou a bola quicando agora aqui pra mim.
15:46Eu vou ter que perguntar, como é que você desovaria um corpo?
15:49Eu não mataria ninguém.
15:53Eu não quero pensar sobre isso.
15:55Não faz parte da minha meta de vida ter essa preocupação.
16:03Mas...
16:04Deixa eu ver a altura daqui.
16:07Dependendo do andar dessa entrevista.
16:10É.
16:11Caramba, que loucura.
16:12Mas é interessantíssimo pensar nisso.
16:14São as possibilidades que o teatro permite.
16:15Talvez muito mais do que qualquer outra matriz cultural.
16:18O teatro te coloca dentro de uma hora, uma hora e meia dentro de uma sala
16:21pra poder refletir sobre assuntos e viver aquela história
16:25que você não vive no dia a dia.
16:27E ver...
16:29Então, enquanto personagem, o meu objetivo é conseguir convencer as pessoas
16:34de que todo mundo que morreu merecia morrer.
16:38Porque eles fizeram muito mal pro Tom.
16:40Tinha algum motivo pra isso.
16:41Que loucura.
16:42Não é justificado.
16:43Enquanto diretor e ator, o meu objetivo é que as pessoas questionem isso.
16:48Saindo do teatro e pensando, acho que isso não é legal.
16:51Não gostaria de endeusar uma pessoa que fala dessa forma.
16:55Não gostaria de colocar num pedestal ou em determinadas posições de liderança
17:01pessoas que pensam dessa forma.
17:03É o que eu, enquanto artista, gostaria que as pessoas...
17:06É a sua primeira direção teatral ou não?
17:08É a minha primeira direção com profissionais.
17:10E como é que tá sendo essa experiência?
17:13Deliciosa.
17:13É bom mandar?
17:15Não, não mando.
17:16Não mando nada.
17:16Não mando em você mesmo, né?
17:18Não mando nada.
17:19Olha só, eu não decidi dirigir esse espetáculo.
17:21Não foi uma decisão.
17:23Eu fui convidado pelo Eduardo Tolentino de Araújo.
17:25Ele ia dirigir essa peça.
17:27O Francisco Paz é o idealizador desse projeto, que faz o Richard.
17:31Ele tá com esse projeto há anos, tentando captar.
17:34Chegou um momento que não tava rolando esse dinheiro entrar.
17:37E aí ele tava...
17:40Ah, que agora os direitos vão acabar em maio de 2026.
17:43Então, não sei se vou renovar.
17:45Eu falei, vamos fazer.
17:47Eu tenho a pauta no teatro e nós vamos fazer.
17:49Eu tinha um outro projeto que eu ia colocar meu.
17:51Troquei pelo talentoso Ripley.
17:54Vamos atrás, então, de um diretor.
17:56Não, temos o diretor Eduardo Tolentino, mas ele não pode agora.
17:59Ele vai fazer uma supervisão.
18:01Vou fazer uma longa história curta.
18:02Passamos por quatro equipes de direção.
18:04Qual?
18:05Todos abandonaram o projeto depois de uma semana de leituras.
18:09Por quê?
18:10Porque a peça é muito complexa.
18:12Todos disseram a mesma coisa sem se conhecer.
18:14Eu não consigo dar a atenção que essa peça precisa em dois meses de ensaio.
18:18A peça tinha três horas.
18:21Entendeu?
18:22Nós tivemos que reduzir muita coisa da peça.
18:25Então, ela não tava pronta pra ser encenada.
18:28E ela é uma peça que, como eu te falei,
18:31aí agora a minha opinião enquanto diretor.
18:34Eu não acho que é uma peça que ser feita realista desde o começo.
18:38Quando eu digo realista, gente, é uma conversa tradicional igual essa que a gente tá tendo.
18:45Então, pra quem for assistir vai perceber que nós brincamos...
18:48Quando eu falo brincar com os gêneros, é realmente...
18:50Quando eu ir pra comédia, é tudo mais desenhado no começo do espetáculo.
18:55Dessa forma, eu faço o espectador parar e pensar...
18:58Peraí, então...
18:59Então, tudo pode acontecer?
19:01Eles podem fazer qualquer coisa?
19:02Pode.
19:03E quando a gente consegue essa permissão do público, em algumas poucas cenas,
19:07aí a gente vai pro realismo.
19:09A gente vai, na verdade, pro naturalismo, que é a novela.
19:12Que é o...
19:13Aquela luz chapada de novela.
19:16Vinhetas.
19:17Vai virando uma novela mesmo.
19:19Muda o gênero.
19:21E cada um dos gêneros que a gente vai passeando, a gente vai também comprando todos os clichês do estilo.
19:28Que loucura isso, pensar nessas possibilidades.
19:30Como é que você vai envolvendo o telespectador, não, o espectador, pra dentro da obra, né?
19:35Hugo, na sua vida, você já acredita que já tenha lidado, ou já tenha tropeçado com o sociopato,
19:43uma pessoa que você acreditava muito, que tava agindo naturalmente,
19:46e por trás ele tava tendo outros tipos de intenções?
19:50Sim, sim.
19:51Eu acho que a maioria dos psicopatas, eles são muito funcionais.
19:55O psicopata não necessariamente mata ninguém.
19:58Eu acho que matar é um limite criminoso de um diagnóstico muito comum.
20:09A questão do sociopata, existe a diferença entre você sentir ou você ter a emoção.
20:20O sociopata, ele tem alegria, ele tem raiva, ele reage ao mundo.
20:30Não é, o sociopata não é uma pessoa que fica falando apática e sem qualquer tipo de emoção.
20:36Não, ele tem traumas, ele vai chorar, ele vai, ele tem a emoção.
20:42O que ele não tem é empatia, ele não sente amor, ele não sente empatia, ele não consegue.
20:49E aí é muito comum, pelo que eu tenho estudado, a tentativa muito frustrada dos psicopatas funcionais
20:56de sentir alguma coisa.
20:59E aí nós trouxemos isso pra peça também.
21:02Como ele é descrito pela Filiz Neg como psicopata, já de cara, na primeira linha da rubrica dela,
21:08então nós fomos entender exatamente o que que acontece, né?
21:11E aí temos Ana Beatriz pra estudar, temos tantas literaturas.
21:15Mas na sua vida no GG, quando você identificou uma pessoa assim...
21:18Agora estudando, claro, né?
21:20Agora que você lembra e fala...
21:22Cara, fulano, fulano, você fala assim, nossa, realmente...
21:25Eu percebia que a pessoa não...
21:28A pessoa julgava muito a minha forma de sentir, não entendia o sentimento, não...
21:35E em muitos lugares, né?
21:37Na profissão, nos afetos, na família.
21:40Você vai identificando pessoas, mas a maioria das pessoas são funcionais.
21:45Também, os diagnósticos...
21:46Por que eu tô dando diagnóstico pra ninguém, né?
21:48Também tem uma série de neurodivergências que se entrelaçam.
21:52Mas eu acho que eu nunca cruzei, que eu saiba, com alguém que ultrapasse esse limite criminoso
22:00do possível diagnóstico, entendeu?
22:02Acho que aí já é demais.
22:05É interessante a gente ficar...
22:06Talvez a peça dê mais possibilidades pras pessoas pensarem, inclusive, de relacionamentos abusivos,
22:13relacionamentos que estão além do normal, né?
22:15De uma convivência que seria saudável, né?
22:18Talvez a gente possa ser mais ou menos pra esse lado também.
22:20Não que chegue num assassinato.
22:24É, é...
22:24Acho que a gente vive um momento hoje também...
22:26A gente tem que tomar cuidado com os diagnósticos de TikTok, né?
22:30É verdade.
22:31Deixar os profissionais fazerem esse trabalho.
22:34Até porque numa relação, muitas vezes, a gente...
22:38Pros nossos amigos, a outra pessoa.
22:41É verdade.
22:42Ela é tóxica e horrível e nós também somos pros amigos da outra pessoa.
22:46Então, a gente tem que...
22:48Todo mundo tem que olhar a sua toxicidade em algum momento e falar assim, opa, exagerei.
22:52É, vamos também fazer...
22:53Mas essa autocrítica é difícil, né?
22:55É, mas tudo bem, não precisa ser na hora, pode ser depois.
23:00Muito bom.
23:01O Hugo também tá em cartaz no cinema, gente.
23:04Com o Velhos Bandidos.
23:05Ele tem uma história ótima pra poder contar.
23:07Ah, eu tenho.
23:07Eu me lembro pra você repetir essa história, que eu vi já desse você contando.
23:10Que é como você entrou nesse filme.
23:12Como é que você conseguiu esse papel...
23:14Esse papel brilhante?
23:16Brilhante.
23:17Sem ironia.
23:18Porque o brilhante é justamente quando o ator pega o papel, que pode ser um nada,
23:22e faz acontecer.
23:24Nossa, ali realmente eu fiz acontecer.
23:26Nossa, eu tô levantando a bola.
23:29Então vamos lá.
23:30Eu soube que tava tendo um filme.
23:32Fernanda Montenegro, Ari Fontoura, Vladimir Brista, Bruna Marquezine, Lázaro Ramos.
23:37Um elenco fantástico.
23:38Eu pensei, eu quero estar no meio desse elenco.
23:40Não é possível.
23:41Eu preciso dar um jeito de estar nesse elenco.
23:43O que eu faço?
23:44Descobri o produtor de elenco, Raoni Seixas.
23:47E mandei mensagem pra ele, liguei pra ele e falei, Raoni, me apresentando.
23:51Meu nome é Hugo Bonemiro, eu sou ator.
23:52Eu gostaria muito que você me considerasse pra fazer esse filme.
23:56Eu sou cara de pau mesmo.
23:58Mandei a mensagem e ele falou, Hugo, te conheço e tal.
24:01É um prazer falar contigo, mas eu não tenho papel pra você.
24:04A maioria dos papéis agora são papéis de pessoas realmente mais velhas, mais maduras
24:08e algumas participações muito pequenas.
24:11Eu falei, não, não, você não entendeu.
24:12Não preciso ter fala.
24:14Eu só quero respirar o mesmo oxigênio que a Fernanda e o Ari.
24:18Eu quero estar no set ali, eu quero ver eles.
24:20E aí ele riu e falou, tá bom, mas não tem.
24:25Passou um mês e meio, ele me manda mensagem.
24:27Posso te ligar?
24:29Eu...
24:30Agora.
24:31Ele me ligou e falou, você falou que servia até cafezinho.
24:34Você serve cafezinho mesmo?
24:36Aí eu falei, já tem até a fala, ó.
24:37Cafezinho, dona Fernanda?
24:39Ele falou, então, mas não tem fala, não.
24:41É só servir o café.
24:42É só passar correndo.
24:43Tem um bombeiro que passa correndo.
24:45Eu falei, eu vou fazer.
24:47E lá foi.
24:48E fui fazer.
24:49Só que aí no meio da negociação tava lá, bombeiro 2.
24:52Aí eu, pô, bombeiro 2, não dá agora fazer o bombeiro 2.
24:56Vocês poderiam trocar, botar um nome.
24:58Aí eu botei, e se foi...
25:00Aí eu, que não sou também sonso, quer dizer, um pouco sonso.
25:04E falei, e se fosse bombeiro Torres, que é o sobrenome do diretor.
25:08Boa.
25:10Aí toparam, cara.
25:11Tinha até lá bombeiro Torres, né, aqui no uniforme.
25:14Acho que foi a Cláudia Copp.
25:16Falando em bombeiro aí, ó.
25:17Passando uma sirene agora.
25:18Bombeiro Torres.
25:19E aí fui lá, cara.
25:20E foi divertido demais.
25:22Foi gostoso.
25:23Eu acho que isso é um pouco do...
25:25A gente tava falando antes de começar a gravação.
25:27Um pouco dessa questão da...
25:29De se desfiar um pouco dessa vaidade que muitas vezes o ator tem.
25:33Que a profissão acaba dando pro ator.
25:36E a pegar essa oportunidade, tipo,
25:38Eu quero ir porque eu quero respirar o ar da Fernanda Montenegro.
25:41Tá naquele universo ali, inserido naquela cena também.
25:45Não, mas eu acho que isso é de um momento meu também de vida, assim.
25:49De conseguir olhar pra essas pessoas com uma admiração mais profunda do que eu tinha
25:54No início de carreira, quando eu precisava acontecer.
25:58Eu tenho um momento de carreira que você fica só pensando em si.
26:00Você fala, eu preciso, eu preciso, eu preciso.
26:02Eu já tinha encontrado a Fernanda Montenegro 18 anos atrás.
26:05Ela veio ver Hair e ela falou comigo.
26:08Na época eu pensei,
26:09Ah, é uma senhora, atriz, que veio ver a minha peça.
26:12Que legal que ela falou comigo.
26:16Muda um pouco.
26:17Eu tinha 24 anos, eu era uma criança.
26:19E aí, quando eu fui fazer figuração, eu tava de protagonista da peça
26:23E eu não dei a mesma importância de falar com ela
26:25Como quando eu tava sentado no camarim
26:27Fazendo uma maquiagem pra fazer o Bombeiro Torres
26:30E ela falou, oi, e eu...
26:32Eu adorei sentir isso, entendeu?
26:34Eu adorei ser fãzinha dela.
26:38Adorei ficar nervoso no set.
26:40Entendeu?
26:40Muito bom.
26:41Adorei ter a Bruna Marquezine ali do lado
26:42E eu pensar, ai, será que eu dou oi ou será que eu vou incomodar ela?
26:45Entendeu?
26:45Eu adorei, porque isso mostra que eu admiro pessoas.
26:50E quando você chega num momento de carreira
26:51Onde você pode admirar seus colegas, é muito gostoso.
26:54Tá tudo bem fazer figuração.
26:55Eu acho, isso, ponto, eu sempre achei bobagem.
26:57Por exemplo, quando eu fiz malhação
27:00Na época dos Astecas
27:03Malhação, pra quem não sabe
27:05Pra quem não sabe, era uma...
27:06Muitos anos atrás, era uma...
27:09Eu fiz 2013, 2014.
27:11E aí eu me lembro de perguntar pra um diretor uma vez
27:13Eu falei assim, eu não entendo por que é Globo
27:15Não faz crossover
27:16Por que que...
27:17Se a gente tá todo mundo no mesmo tempo histórico
27:20E toda...
27:21A história toda tá se passando no Rio de Janeiro
27:23Na novela das nove
27:23Na novela da Malhação
27:25Por que que o personagem da novela das nove
27:27Não passa numa cena da Malhação
27:29Pra puxar o público pra outro horário
27:32Não sei o que
27:32Fiquei com isso na cabeça e falei
27:34Aí eles falaram assim
27:35Aí usaram o nome de alguém lá na época
27:37Falou assim, você acha que fulano vai topar
27:39Vai vir aqui na Malhação
27:39Passar na cena?
27:41Claro que não
27:42Mas por que eu não toparia?
27:44Qual que é a...
27:45Qual que é a pira?
27:45Tá no cenário do lado?
27:46É só passar aqui
27:48Que besteira
27:50Então...
27:51Então acho que sei lá
27:52Tem umas coisas assim que são...
27:54E a maioria dos atores que eu admiro
27:57É...
27:58E tem um projeto que eu tô desenvolvendo no momento
28:00Que é justamente
28:02Chamado Coadjuvantes
28:03Que é justamente pra enaltecer
28:05Os profissionais
28:07Que fazem uma carreira
28:10Como atores coadjuvantes
28:13O que não quer dizer
28:15Que eles são presos a esse título
28:17De uma forma inferiorizada
28:19Porque na verdade
28:21O protagonismo
28:22Como cargo
28:24Ele é um momento da vida
28:25São momentos da vida da gente
28:27É muito raro um artista
28:29Que faz só protagonistas a vida inteira
28:32Então...
28:34Fiz muitos protagonistas no teatro
28:36Fiz muitos coadjuvantes no teatro
28:38Fiz um co-protagonista em Malhação
28:41Fiz vários coadjuvantes no audiovisual
28:43Então...
28:46Augusto Madeira
28:48Sabe?
28:48São pessoas que me ocorrem
28:50Marcelo Vale
28:51São pessoas que têm carreiras brilhantes
28:55São as carreiras que eu olho e falo
28:57Que isso, cara?
28:59Eu quero 10%
29:01De experiência dessas pessoas
29:03E é legal você falar isso
29:05Porque...
29:06Talvez para um ator iniciante
29:08A vontade de ser protagonista
29:11De estar ali em cima da câmera
29:14Na frente da câmera e tal
29:15Talvez seja um sonho
29:17Mas assim...
29:18É aquilo
29:19Talvez...
29:19Dentro do jornalismo
29:21A gente sempre brinca
29:22O estudante lá da faculdade
29:24Ele está querendo ser o William Bonner
29:25E quantos chegaram lá?
29:27O William Bonner...
29:28É isso...
29:29Qual que é a realidade da profissão?
29:31Exatamente...
29:32Qual é o corre real da profissão?
29:33Real...
29:34Sem o sonho glamourizado, né?
29:37É exatamente o que você está falando
29:38Exatamente...
29:39E você não vai deixar de ser um bom profissional
29:40E exercer bem o seu ofício
29:43Estando em outra posição?
29:44E também...
29:45Talvez não procurar o ápice imediato
29:48Porque, de novo, os atores que eu admiro
29:51Começaram a ter o seu ápice de carreira
29:53Aos 50 e muitos, 60 e muitos
29:55Então é o que eu gostaria
29:57É o que eu almejo
29:58É o que eu construo
29:58Para experimentar na minha vida
30:01Enquanto isso
30:02Que bom que eu posso ir lá
30:04Fazer o figurante da Fernanda Montenegro
30:07E do Arie Fontoura
30:09Sendo o Bombeiro Torres
30:10Sendo o Bombeiro Torres
30:11Me divertindo
30:11Podendo contar essa história engraçada
30:14E o filme é super necessário também
30:16É uma comédia muito gostosa
30:18Mas, assim
30:18Traz essa questão do protagonismo dos idosos
30:21Desse outro olhar para a velhice
30:23Dessa outra perspectiva
30:24A gente tem tanto falado
30:26Levantado a questão da bandeira do combate ao etarismo
30:28Acho que produções, assim
30:29Mais uma vez, a arte contribui justamente para discutir
30:32Para poder questionar
30:33Para poder incomodar
30:34Se as pessoas saem da sala de cinema
30:35Ou da sala do teatro
30:37Com essa pulga atrás da orelha
30:40Com essa vontade de levar isso para uma mesa de bar
30:42Já cumpriu ali
30:43E o papel do ingresso também
30:44Total
30:45Muito bom
30:45É
30:45E acho que até
30:47Para além de levantar uma bandeira extremamente necessária
30:52É um filme muito bom
30:53Sim
30:53Então, assim
30:54Ele é muito divertido
30:55Ele é um filme que você
30:56Sai mais feliz do que você entrou
30:58Depois de ver
30:59Você percebe
31:00Qual é a motivação dessa montagem
31:02Desta forma
31:03Por que tem um final
31:05Um segundo final
31:05Você percebe
31:07Que foi feito de propósito
31:08Para fazer você sorrir mais uma vez
31:11Para você
31:12Não é um filme para você
31:13Ah, meu Deus
31:14Não é as branquelas
31:16Entendeu?
31:17Que você
31:17É um tipo de humor diferente
31:18É um humor mais doce
31:20Qual é a vantagem de ser coadjuvante?
31:22Você falou dessa questão
31:23Do esse novo projeto seu
31:24Pensando como uma coisa
31:26Combrança muito menor
31:28Combrança infinitamente menor
31:29Agora, não vamos ser também hipócritas
31:31Você fazer protagonista
31:32Te dá melhores salários
31:34Sim
31:34Te faz mais conhecido
31:37E isso faz com que você
31:38Seja mais lembrado pelas pessoas
31:40Que te dão emprego
31:41Sim
31:43Agora, não é a única coisa importante
31:46Da profissão
31:47Então, eu estou falando isso porque
31:50Eu já cansei de ver colega meu
31:52Rejeitar trabalhos muito bons
31:54O projeto é bom
31:56E a pessoa não faz o projeto
31:58Porque, ah, eu achei que o papel
31:59Não era muito grande para mim
32:00Então, eu preferi ficar em casa
32:03Cara, mas tem boleto
32:04Entendeu?
32:05A vida está feita
32:06Está ganha
32:07Acabou?
32:08É uma profissão também
32:09E outra coisa
32:10As pessoas esquecem muito rápido
32:11Daquilo que a gente fez
32:13Tem essa sensação?
32:15Eu não tenho a menor dúvida disso
32:17As pessoas têm a vida delas
32:19Eu lembro dos seus musicais
32:20Ah, eu fico feliz de você lembrar
32:21Eu já lixe uns três aí, pelo menos
32:23Mas, mas
32:25Você entende o que eu quero dizer?
32:26Sim
32:26Eu acho que é tudo
32:27É porque eu também
32:27Eu acho que a gente está vivendo
32:28Uma fase que tem muita informação
32:30O tempo todo para ser consumida
32:31Para ser comprada
32:32800 mil atores
32:33800 mil produções
32:34Então é tudo muita coisa
32:34É claro
32:34A pessoa vai ficar lembrando a minha vida
32:36Eu vou lá, vou trabalhar
32:36Vou fazer aquele filme
32:37Vou fazer aquele outro
32:38Mais importante para mim
32:39O seu Nelson Piquet, por exemplo
32:40Em cena foi ótimo
32:41A gente lembra disso
32:43Como esquecer
32:44Mas é, mas é papel marcante
32:46E é importante ali
32:48Porque Nelson Piquet
32:49Contar a história de cena
32:49Sem ter o Nelson Piquet
32:51Não faz sentido
32:51Nesse momento eu vejo
32:52Que a terapia funcionou
32:53Na minha vida
32:54Fui lá, fiz o cena
32:56Durante um ano e pouco
32:58Fiquei ali vivendo
32:59Respirando Ayrton Senna
33:01Tive reunião com os Gulani
33:02Vi eles
33:03Eu estava estudando
33:04Sobre o Ayrton Senna
33:04Lá no Instituto Ayrton Senna
33:06Estavam os Gulani
33:06Saindo de uma reunião
33:07Para fazer o projeto
33:08Que era um filme
33:09Virou a série
33:09Me apresentei
33:10Falei, estou fazendo um musical
33:12Claro que eu queria fazer o Senna
33:13Óbvio que eu queria
33:14E aí você tem ali
33:17Uma estrutura
33:18Que foi configurada
33:19Para serem outras pessoas
33:21E aí
33:21Os Gulani deram uma entrevista
33:23Lá em Madri
33:23Eu concorri a turco adjuvante
33:25Por esse projeto
33:27Em Madri
33:28Um prêmio importantíssimo
33:29E aí eles numa entrevista
33:30Viram e falam assim
33:31Ficou entre vocês dois
33:32Para fazer
33:33E a gente acabou optando
33:34Pelo Gabriel
33:35E colocamos você
33:36Junto no projeto
33:37Para fazer
33:37Sendo verdade ou não
33:39Que não importa
33:40Falaram numa entrevista
33:42Eu fiquei feliz
33:43Eu fiquei feliz
33:45E tive
33:48É isso
33:50Tive felicidade
33:51Fazendo
33:52Enquanto estava no set
33:53E depois
33:54Esse fruto maravilhoso
33:56De concorrer a um prêmio
33:57Em Madri
33:58Com passagem de primeira classe
34:00Com hotel maneiro
34:01Passei uma semana lá
34:02Para dar uma pinta
34:04Num evento de smoking
34:05São essas coisinhas
34:06Gostosinhas
34:07Da profissão
34:08Que acontecem
34:09É claro
34:09Está ótimo
34:10O nosso tempo está terminando
34:12Adoraria continuar
34:13Batendo esse papo com você
34:14Mas foi ótimo
34:15Obrigado
34:15Adorei
34:16Gente é isso
34:17Vocês sabem né
34:18Toda segunda-feira
34:19A gente tem um bate-papo novo
34:21Ah antes de eu terminar
34:22Pera aí
34:22Vamos fazer então
34:23Toda segunda-feira
34:24Também tem sessão
34:25Do Talentoso Ripley
34:25Mas tem sábado e domingo também
34:27É isso
34:28Mas a dobradinha pode ser assim
34:29Ou sábado
34:30Ou domingo
34:31Ou segunda
34:31Vocês vêm assistir
34:33O Talentoso Ripley
34:33Às oito horas
34:34No Teatro Glaucio Gil
34:36Em Copacabana
34:37E se vocês
34:38Forem assistir
34:39Na segunda-feira
34:40Não esqueçam também
34:41De assistir esse programa
34:42Maravilhoso
34:42É isso
34:43Pronto
34:44Eu já deixei a deixa
34:44Aqui para ele
34:45Porque eu sabia
34:45Que ele ia
34:47Muito bom
34:48É isso gente
34:49Olha
34:51Acompanhe a gente
34:51Nas redes sociais
34:52E também no canal
34:53Da Veja no Youtube
34:54E também na TV Samsung
34:55Plus
34:55LG
34:56Focu
34:57E TCL
34:58Fiquem bem
34:58E é claro
34:59Até a próxima segunda
35:00Tchau
35:01Tchau
35:05Tchau
35:06Tchau
35:06Tchau
35:06Tchau
35:07Tchau
35:07Tchau
35:08Tchau
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