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  • há 23 horas
No Mercado desta terça, Luis Ferreira, CIO do EFG Private Wealth Management, analisa as declarações do primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz, que admitiu que a Alemanha seria a mais afetada pelas tarifas de 10% prometidas por Donald Trump a partir de 1º de fevereiro, contra países da União Europeia que defendem a soberania da Groenlândia sob domínio da Dinamarca.

Luís explica que a resposta europeia pode vir através do “instrumento anticoerção”, conhecido como bazuca comercial, uma ferramenta de retaliação capaz de aumentar tarifas e restringir acesso ao mercado europeu. A análise mostra que, por trás do impasse, há uma mudança profunda na globalização, com países priorizando cadeias produtivas mais curtas e seguras, após os efeitos do COVID-19 e das sanções internacionais.

O economista ressalta que, embora a Europa possa reagir, ela é muito mais dependente do comércio externo que os EUA, o que torna sua posição mais vulnerável na disputa comercial.

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Transcrição
00:00O que disse o primeiro-ministro alemão, temos imagens aí, ele falando durante um discurso em Berlim ontem, pode colocar
00:06na tela cheia para mim, Joel, por favor.
00:09O primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz, admitiu que seu próprio país, a Alemanha, sofreria mais do que a maioria dos
00:16outros países.
00:18E abre aspas, nesse caso, segundo ele, os consumidores americanos pagariam as tarifas, mas elas, é claro, também afetariam a
00:26nossa economia,
00:27o que prejudicaria a economia dos europeus e especialmente a economia alemã. Fecha aspas.
00:34E aí ele diz que quer encontrar uma solução para essa questão das tarifas que Trump promete aplicar em países
00:41da União Europeia,
00:42a partir de 1º de fevereiro, uma tarifa de 10%, são 10 países, que segundo ele, são os que mais
00:49defendem que a Groenlândia fique sob a tutela,
00:53continuar ligada à Dinamarca e não para os Estados Unidos, não seja tomada pelos Estados Unidos, comprada, tomada, enfim.
01:03E aí eu quero falar com você, Luiz, porque o Gabriel respondeu agora há pouco, mas aí eu quero te
01:09perguntar.
01:12O que a Europa, o bloco econômico, pode usar, entre aspas, para retalhar, não é nem entre aspas, para retalhar
01:19mesmo os Estados Unidos,
01:20caso essa tarifa de 10% entre em vigor a partir de 1º de fevereiro?
01:25Eu tenho ouvido falar em instrumento anticoerção, é isso, e que vocês chamam de bazuca comercial.
01:34O que quer dizer isso exatamente?
01:38A parte das retaliações passam também pela questão do comércio.
01:42Se você me cobra 10%, te cobro 20%, te cobro 30%, principalmente em segmentos ou produtos aos quais você não
01:49tem acesso de forma mais barata.
01:52Então, a questão que vai acontecer com a Europa, não só com a Europa, mas com o resto do mundo,
01:58é realmente uma mudança muito grande da questão da globalização.
02:02O que a gente via no início do século?
02:05Vamos globalizar, vamos, na verdade, buscar custos mais baixos de produção, fazer com que isso seja feito em outros países,
02:11e vamos ser mais competitivos em relação a isso.
02:14O que está sendo discutido agora?
02:16Não, não vamos mais globalizar, vamos ter o controle da cadeia de suprimento,
02:20e vamos, portanto, ter muito menos riscos.
02:23O Covid deixou isso muito evidente.
02:25Se eu tenho uma concentração muito grande, seja em determinado parceiro comercial ou seja em alguma matéria-prima,
02:31isso pode ter um fator de vulnerabilidade muito grande.
02:34No mundo geopolítico, quer que as coisas mudam muito, que você pode somar sanções do lado A ou do lado
02:39B,
02:40isso poderia comprometer crescimento, poderia comprometer setores como o de saúde, como a gente assistiu durante a pandemia.
02:46A Europa, portanto, vai tentar fazer esses acordos adicionais para que esses acordos adicionais sejam também alternativas de pressão.
02:55Por exemplo, se ela começa a fazer um acordo com o Mercosul, e ela combina com o Mercosul de dizer,
03:00olha, vamos em conjunto agora fazer, então, uma sanção aos Estados Unidos,
03:05isso poderia ser uma forma que eles vão considerar.
03:08O grande desafio para a Europa, em particular, é que ela tem muito mais dependência do comércio externo do que
03:15os Estados Unidos.
03:16Na verdade, se pegarmos os últimos 25 anos nos Estados Unidos,
03:20a contribuição no crescimento econômico do país vindo do setor externo é muito maior,
03:26ao passo que a contribuição do crescimento dentro do bloco europeu foi representativa.
03:32Portanto, é exatamente nessa toada que o Trump atua, ou que o governo americano tem feito.
03:37Mostra onde que eu tenho o menor impacto possível nos Estados Unidos e o maior impacto possível dentro da Europa.
03:44Na hora que eu coloco isso no jogo de xadrez, a Europa fica numa questão muito fragilizada,
03:48aonde qualquer reação que ela vai ter, vai ter um impacto não tão forte dentro dos Estados Unidos,
03:53e, portanto, a agenda americana deve seguir a despeito de qualquer resposta que venha do bloco.
03:59Obrigado.
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