00:00Bolsonaro divulgou uma foto do encontro com o presidente Donald Trump ontem à tarde na Casa Branca.
00:06Encontro que não entrou na agenda oficial do americano e não teve divulgação do conteúdo pela Casa Branca.
00:11Ele estava acompanhado do irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e do influenciador Paulo Figueiredo.
00:18Em seguida, o senador leu uma nota sobre os temas que teria conversado com o americano.
00:23Um dos pontos foi o pedido para que os Estados Unidos classifiquem as organizações criminosas PCC e Comando Vermelho como
00:32terroristas.
00:33Flávio Bolsonaro afirmou ainda em coletiva de imprensa que quer fazer acordos com outros países da América Latina, Europa e
00:40Israel
00:41para combater as principais facções brasileiras.
00:44O pré-candidato disse que também conversou sobre minerais críticos.
00:48O encontro foi comemorado por aliados e pela campanha de Flávio, mas críticos dizem que o senador está usando o
00:54fato e a foto
00:55para tentar desviar a atenção do eleitor do vazamento da mensagem que ele trocou com o banqueiro Daniel Vorcaro.
01:01O caso é investigado pela Polícia Federal.
01:04E aí vem a minha pergunta, professor Ricardo Rocha.
01:09Muitos economistas e agentes de mercado estão reclamando que já passou do ponto do senador que insiste que será o
01:19candidato bolsonarista nestas eleições
01:22e que nada vai afastá-lo disso, nem as recentes divulgações sobre o envolvimento com o Daniel Vorcaro, que está
01:29sendo investigado pela Polícia Federal.
01:30Muitos economistas estão cobrando plano de governo em relação a políticas econômicas que ele vier a implantar.
01:39Isso, inclusive, é um motivo de desconfiança, porque o mercado, os investidores têm pressa.
01:46Professor, queria que você trouxesse para a gente essa voz.
01:50Acho que esse é um ponto relevante.
01:52Acho que aquele vazamento, que até onde a gente sabe da Polícia Federal investigada, investigando, mas parece que não há
02:01nenhum indício de crime,
02:03esse é um ponto importante, porque o país se coloca entre duas possibilidades.
02:08Eu não sei quem vai ser o candidato da direita, não sei se vai ser o Flávio, isso ainda está
02:13meio nebuloso,
02:14mas eu sei que o candidato da esquerda é o Lula.
02:17Então, a gente tem duas formas de olhar o mundo.
02:19Uma, que quer crescer o Estado.
02:22A gente recentemente viu declarações do Mercadante aí, em programas de televisão, que eu me assustei.
02:28Eu pensei que eu estava na União Soviética dos anos 80.
02:33Quer dizer, eles continuam insistindo no fortalecimento do Estado e não das políticas públicas,
02:39que isso é completamente diferente.
02:41Eu posso ter um Estado leve e ter políticas públicas inclusivas.
02:46Até porque sobra mais dinheiro se o Estado for leve.
02:49Então, tenho eu a impressão que, como não está fechado quem será o candidato da direita, ele não está falando.
02:59Por outro lado, pode ser uma estratégia política, porque a gente sabe que teremos que fazer um ajuste fiscal forte
03:08em 2027,
03:10antipático, seja quem for o presidente.
03:13Porque se Lula for reeleito e renegar esse ajuste nas contas públicas, ele leva o Brasil para a bancarrota.
03:22Usando uma palavra que está meio fora de moda, mas todo mundo entende.
03:26Ele quebra o país, porque não tem como.
03:29Então, a questão não é se Flávio ser Lula, ser Lula, ser Caiado, ser Zema.
03:35É quem vai tocar a banda para que a música ajude a gente a colocar as contas públicas em ordem.
03:43Então, o que eu acho que acontece?
03:45De um lado, você tem um governo fazendo desenrola,
03:48dizendo que dá dinheiro para os motoristas de aplicativo,
03:53o próprio governo apoiando mudança de escala, que você vai falar daqui a pouco,
03:57isso tem impacto de custo, então você tem um governo gastador.
04:01Qualquer candidato da direita sabe que vai ter que mexer nesse calcanhar de Aquiles.
04:05E ele não quer falar publicamente ainda, porque é antipático e talvez o eleitor não esteja preparado.
04:14Mas eu tenho impressão que daqui a pouco já tem até o primeiro debate marcado para agosto,
04:21em rede aberta de televisão, nós já estamos aí em junho praticamente,
04:25então os candidatos vão ter que se manifestar.
04:28Talvez a Faria Lima, eu não gosto muito desse tema,
04:33talvez os empresários de forma geral já tenham recebido.
04:37Agora, é consenso, Verusca, é consenso, que teremos que enfrentar a questão do déficit público.
04:43Se a gente não enfrenta, a taxa de juros não cai.
04:46Se a taxa de juros não cai, as empresas quebram, as pessoas ficam endividadas.
04:50Então não adianta a gente forçar um crescimento artificial da economia,
04:55que é um crescimento onde o PIB está positivo e nunca tivemos tanta recuperação judicial.
05:00Então algo está estranho.
05:02E com o Banco Central indicado pelo PT.
05:05O que é mais estranho ou cômico, parece um conto shakespeariano.
05:11Agora, professor, você chegar para o eleitor e dizer para ele,
05:15olha, é o seguinte, vou fechar a torneira, vou secar, vou enxugar, vote em mim,
05:21também não é algo que traga votos, não do eleitorado, que realmente é aquele que decide.
05:29Pode agradar o setor empresarial, o setor financeiro,
05:32mas dizer que você vai fazer uma reforma fiscal enxugando tudo, é complicado.
05:38Eu acho muito complicado, muito difícil.
05:41O que acontece é que a gente tem dois eleitores hoje que essas pesquisas já estão começando a indicar.
05:48Você tem um eleitor mais conectado nas redes sociais, em todas as mídias sociais,
05:55então sai pesquisa, sai notícia, sai a conversa com o Vorcaro,
06:01ele falar, não vou votar nesse candidato, e aí o outro candidato não sobe,
06:06mas passa a, quer dizer, não ganha esses votos, mas passa a liderar.
06:11E você tem o eleitor também que não é tão conectado, quer dizer,
06:15o fato da gente ter mais smartphone do que brasileiro,
06:19não significa que a grande maioria dos brasileiros está conectada em notícias em tempo real.
06:26Isso é uma coisa nossa aqui, eu, você e os seus milhares de telespectadores,
06:32mas não é uma realidade geral.
06:34As pessoas em cidades menores têm outro ritmo, elas têm outras coisas para fazer.
06:39Então, eu acho que o eleitor que vai decidir quem vai ganhar
06:45ainda não pendeu para um lado ou para o outro.
06:48Agora, parece que novamente teremos uma eleição decidida ali, cabeça a cabeça,
06:55como se fosse uma competição, uma corrida de cavalos, vai ser pouca diferença,
07:00o que novamente vai gerar um certo tumulto e não pacifica o país.
07:08Eu gosto de dar o exemplo da Guerra da Coreia.
07:11A Guerra da Coreia, ela terminou sem derrotados.
07:15Toda guerra precisa ter um derrotado, porque aí derrotou, é passado,
07:21o vencedor vai ajudar o derrotado, como aconteceu com a Segunda Guerra.
07:24Os Estados Unidos investiram na Alemanha, investiram no Japão, investiram na Itália.
07:30A Guerra da Coreia foi um armistício, então até hoje eles ficam lá olhando um para o outro,
07:35tem aquela diferença entre um muro e outro, lá tem uma zona de exceção,
07:39então isso é muito ruim e parece que caminhamos novamente por uma eleição decidida ali,
07:47por um percentual de votos muito pequeno, mas eu concordo com você.
07:52Mas é mais ou menos assim, se você está com um problema de saúde, mas tem solução,
07:57o que você quer que o médico diga para você?
08:00Que está tudo bem, continue comendo tudo o que você come, continue bebendo tudo o que você bebe,
08:06continue fumando, continue com as suas extravagâncias, ou comece a colocar a sua saúde em dia,
08:12porque a probabilidade dessa cirurgia ter sucesso é quase de 100%.
08:17Mas tem o pós-cirurgia, então ajuste fiscal é como uma cirurgia, tem o pós-cirurgia,
08:23é dolorido, mas é necessário, porque a gente fica brincando com essa questão fiscal,
08:29e eu gostaria de lembrar a todo mundo que lá atrás, no fim do governo Sarney,
08:35a contaminação da dívida pública brasileira era tão violenta que o Tesouro não conseguia emitir dívida,
08:42e o Brasil girou a dívida pública no overnight, porque quem que ia comprar um título longo?
08:51E era tudo indexado, então a gente tem que tomar cuidado, e seja quem for o presidente,
08:56de ter essa consciência. Agora o que me parece? Que o Lula do lado dele só faz promessas eleitorais.
09:02Ele, com três mandatos e a maturidade que ele tem, de um presidente eleito três vezes,
09:09deveria ter um olhar mais preocupado com o país que ele quer governar pela quarta vez,
09:16porque é aquela história. Se ele não fizer um ajuste e ele for o vencedor,
09:21ele vai entrar para a história como um derrotado, não como um vencedor.
09:25Ele não se esqueça disso, esse quarto mandato, se ele ocorrer, tem que ser muito bom,
09:31porque caso contrário a biografia dele vai azedar, e me parece que ele está mais preocupado
09:36com os louros da vitória, até porque, convenhamos, a gente que acompanha isso há muito tempo,
09:42você porque começou o menor aprendiz, eu não, eu já...
09:46Quem é o substituto do candidato Lula no Partido dos Trabalhadores?
09:51Fernando Haddad? Não implaca, todo mundo sabe, não tem empatia.
09:55Não tem candidato. E ele não é imortal. Então, temos um problema.
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