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No Amarelas On Air, a apresentadora Marcela Rahal entrevista Simone Tebet, ex-ministra do Planejamento e pré-candidata ao Senado pelo PSB.

Na conversa, Tebet faz um balanço da gestão no governo Lula, defende o equilíbrio entre responsabilidade fiscal e justiça social e comenta os desafios para controlar a dívida pública sem sacrificar políticas essenciais.

A ex-ministra também aborda o cenário eleitoral de 2026, critica a polarização, fala sobre terceira via, relação com Fernando Haddad e os planos para o Senado. Temas como previdência, crescimento econômico, bets e participação feminina na política também entram na pauta.

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Transcrição
00:06Olá, sejam todos muito bem-vindos e bem-vindas ao Amarela Zoner, programa de entrevistas de
00:11veja. Eu sou a Marcela Rao e hoje eu tenho o prazer, a honra de receber aqui no nosso estúdio
00:15a ex-ministra do Planejamento e pré-candidata ao Senado pelo PSB, Simone Tebet. Ministra,
00:20seja muito bem-vinda, obrigada pela participação da senhora aqui com a gente.
00:23Eu é que agradeço, Marcela, cumprimentando você, cumprimento todos aqueles que vão nos
00:27acompanhar nesse bate-papo. Ministra, bom, a senhora acabou de deixar o ministério, que é uma pasta,
00:34uma missão difícil que a senhora teve durante a gestão no governo Lula. Queria saber qual que foi
00:39a principal dificuldade e se a senhora sente que conseguiu fazer o que gostaria. Bom, primeiro,
00:45eu saio com a sensação de dever cumprido. Não é fácil, num país tão desigual, onde cada vez mais
00:52a população tem os seus desejos, as suas necessidades, os seus anseios, e eles são infinitos no orçamento
01:01que sempre é curto, o cobertor que sempre é curto para cobrir todas essas demandas. E num país tão desigual,
01:07você fazer política pública com o orçamento brasileiro. Mas a sensação de dever cumprido
01:15pelos números que aí se apresentam. Fazia muito tempo que o Brasil não crescia, quatro anos seguidos
01:22acima de 2%, média de 2,5%. Nós saímos, a equipe econômica do governo do presidente Lula,
01:29com índices fantásticos. Menor desemprego da média histórica, inclusive batendo recorde de empregos
01:37formais, que é importante. Recorde na renda, salário mínimo sempre crescendo acima da inflação.
01:44Na área do agronegócio, com a safra, com todos os subsídios. As políticas públicas foram repostas,
01:51porque a gente tem que comparar sempre com o que aconteceu pós-pandemia, onde a gente não tinha mais
01:56remédio na farmácia popular. Falta de investimento em ciência, tecnologia e inovação. Então, quando a gente
02:04mostra os números do crescimento, desenvolvimento e os números econômicos, nós mesmo da equipe
02:12econômica nos surpreendemos com esses números. Então, é isso. Agora, o desafio, eu acho que também
02:17de alguma forma respondi. Como a gente vai fazer com que o orçamento, que é finito, que nunca tem o
02:23suficiente
02:24para atender as demandas de um país tão desigual, ainda tão injusto, onde a gente tem um déficit habitacional
02:31imenso, onde a gente tem políticas públicas que ainda não conseguem chegar definitivamente
02:38na ponta para não deixar ninguém para trás, para colocar todo o pobre e a classe média
02:43no orçamento brasileiro. Esse é um desafio que ainda depende de uma década para ser solucionado.
02:50Ministra, o governo entregou o projeto de lei de diretrizes orçamentárias, que prevê um superávit
02:55de 0,25% esse ano e 0,5% no ano que vem. Há a leitura, a crítica de
03:04que foi mal dimensionado.
03:06Esse orçamento, essa perspectiva, ela é factível?
03:10Ela é factível. Sempre a pergunta que me fazem é o seguinte, mas isso é insuficiente para resolver
03:18o problema da dívida pública futura do Brasil? E eu sempre respondo da seguinte forma, Marcela.
03:23A gente não pode, em nome do futuro que há de vir, de crianças que ainda não nasceram,
03:28de idosos que ainda não chegaram na melhor idade, matar o presente, a criança do presente,
03:35que já nasceu, que precisa da creche, que precisa do posto de saúde, que precisa da internação hospitalar,
03:41da mesma forma, matar a dignidade dos nossos idosos, dos nossos trabalhadores do presente.
03:47Então você tem que equilibrar aquilo que é possível fazer, no que se refere ao fiscal,
03:54no que se refere a pagar as dívidas, a dívida que o Brasil tem e com isso gerar menos inflação,
04:00com as necessidades das demandas diárias da população brasileira.
04:04Então esse equilíbrio, quando você faz orçamento, você tem que colocar na balança.
04:08E é isso que a gente procura fazer.
04:10Se a gente tivesse que cuidar só do fiscal, nós teríamos que ter um superávit aí brincando de 1,5%.
04:17Ou seja, ter uma economia de 1,5%.
04:20Nós estamos colocando 0,5%, porque se a gente chegar a uma economia de 1,5%,
04:24nós estamos falando de cortar remédio no posto de saúde,
04:29de deixar de repassar recursos para obras de infraestrutura para os 1.500 municípios brasileiros.
04:34Aí como é que vive a população brasileira, que já tem demandas que não conseguem ser supridas por todos nós?
04:40Então a virtude está no meio.
04:41É equilibrar o fiscal pagando a conta.
04:45Devemos, não negamos, precisamos pagar essa conta o mais rápido possível,
04:49mas ela não pode ser a luz da qualidade de vida do presente do Brasil,
04:55ou seja, do presente dos 210 milhões de brasileiros.
04:58Mas como resolver, óbvio que é a pergunta de milhões, essa questão da dívida PIB?
05:04Porque o próprio FMI fala que pode chegar a 100% no ano que vem.
05:08Como tentar equilibrar?
05:10Claro, é um trabalho difícil que tem que ser feito, enfim, a senhora falou sobre isso,
05:15que precisa de um tempo para que isso consiga, de fato, se equilibrar
05:20diante de uma população gigante que precisa de recurso imediatamente,
05:24que você não pode simplesmente acabar com todos os benefícios,
05:28e não só benefícios, mas outras questões também que precisariam para fazer um ajuste fiscal.
05:32como fazer isso, né, de uma forma, claro, se tiver, se tiver,
05:37por exemplo, se o presidente Lula for ganhar a reeleição,
05:40como trabalhar melhor essa questão, que é um ponto de muito desgaste para o governo do PT?
05:45É, não é como uma receita de bolo, em que você coloca todos os ingredientes,
05:48se você colocar todos os ingredientes certinhos, sai um bolo bem bonito, fofinho,
05:52porque depende de fatores externos, mas existe uma receita, e a receita, ela é conhecida.
05:59Ela começa, no caso, com garantir crescimento econômico no Brasil.
06:03Nos últimos quatro anos, nós crescemos, em média, 2,5%.
06:06Isso significa mais arrecadação sem aumentar imposto.
06:10O crescimento do Brasil faz a economia girar e a arrecadação, ela vem fruto desse ciclo virtuoso da economia.
06:18Mais receita significa, com a regra que nós temos, que só podemos gastar todo ano até 70% do aumento
06:25da receita,
06:26que vai ter mais dinheiro em caixa para pagar a dívida.
06:29Esse é um ponto.
06:30Do outro lado da moeda é conter gastos.
06:33Essa contenção de gastos, sem tirar nenhum direito de quem quer que seja,
06:38ela é possível porque a gente tem, apesar de já ter feito o dever de casa na qualidade do gasto,
06:43revendo gastos desnecessários, corrigindo erros, fraudes do passado,
06:49como muitas vezes a gente tinha lá pessoas que se inscreviam em políticas públicas,
06:54que vai do seguro-defesa a outras políticas e elas foram cortadas,
06:58você tem também, só para se ter uma ideia, de renúncia fiscal,
07:02de dinheiro que deixa de entrar para os cofres públicos,
07:05para não só para as políticas públicas, mas para pagar o serviço da dívida,
07:09só de gastos tributários são 600 bi por ano.
07:13Muitos deles absolutamente necessários, que não dá para mexer,
07:17que vai do super simples para garantir ao micro, pequeno, empreendedor, comerciante,
07:21que ele possa competir com o grande e gerar emprego,
07:24que vai lá da cabeleireira, que vai lá do trabalhador que tem uma carrocinha de cachorro-quente,
07:30que ele precisa, como MEI, ter toda uma proteção,
07:33e isso não pode ser mexido, mas você tem gastos tributários, Marcela,
07:37que não se justificam mais, que podem ser cortados.
07:40Então, se nós, por exemplo, cortarmos 10% desses gastos tributários ao ano,
07:46nós estamos falando de 60 bi de economia no primeiro ano,
07:49120 bi no segundo ano, se você vai 10% todo ano a mais,
07:55e a gente está falando aí em quatro anos,
07:57de termos um aumento da receita sem aumentar imposto,
08:02só cortando benefícios de grupos que tinham que ter o benefício no passado
08:08e hoje não se sustentam mais, se sustenta mais.
08:11Então, é possível, com essa receita, atacando várias frentes,
08:16que é o que nós começamos a fazer nesses quatro anos,
08:19só não fizemos mais, porque a diferença do veneno para o remédio está na dose.
08:24Saímos de uma pandemia absolutamente empobrecidos,
08:27o Brasil estava no mapa da fome,
08:28a gente tinha políticas públicas descontinuadas,
08:31nós tivemos que repor essas políticas públicas e garantir dignidade.
08:34Essa travessia aconteceu nesses quatro anos.
08:37Então, os próximos quatro anos são quatro anos de austeridade fiscal
08:42garantindo justiça social.
08:44O Brasil é muito rico, o Brasil tem uma potência,
08:48ele é uma pujança, e fora o que se avizinha daqui para frente,
08:53o Brasil tem o que o mundo precisa.
08:55Além dos alimentos que a gente faz bem, o agro, que é hoje sustentável,
09:00inclusive no Brasil, diga-se de passagem, é uma referência para o mundo,
09:03graças à Embrapa, toda a tecnologia que nós temos,
09:06mas nós temos o que o mundo precisa, nós temos água em abundância,
09:09consequentemente nós temos energia suficiente para nós e para terceiros,
09:15portanto, para receber empresas, indústrias e gerar emprego,
09:18e nós temos agora, está entre as três ou as quatro maiores reservas
09:24acumuladas de terras raras do mundo,
09:26de minerais críticos que vão para o celular, que vão para o computador,
09:29que vão aí para toda a tecnologia e inovação com inteligência artificial.
09:35Então, o Brasil tem matéria-prima suficiente para garantir essa riqueza,
09:41garantir crescimento e, com isso, garantir a sustentabilidade e o pagamento da dívida pública.
09:45Bom, a gente sabe que a Previdência é o principal problema da dívida pública,
09:50a senhora chegou, inclusive, a defender a desvinculação da aposentadoria do salário mínimo,
09:55Lula, enfim, é uma medida que afeta ali princípios do PT, de uma forma geral.
10:02Queria saber se a senhora, caso eleita senadora, como pretende atuar nessa área do ajuste fiscal?
10:09Aí eu vou fazer uma correção que eu fiz lá atrás, porque saiu uma matéria nesse sentido
10:13e não foi isso que eu propus, eu nunca propus a desvinculação do salário mínimo da aposentadoria.
10:18O que eu propus é que tem vários benefícios previdenciários que podem ser revistos
10:23à luz do aumento do salário mínimo de valor real e não tem a ver com a aposentadoria,
10:28até porque eu advogo, ao contrário do que muitos pensam,
10:31que é na velhice que a gente mais precisa de proteção.
10:36Não é possível a gente trabalhar a vida inteira e depois falar assim,
10:40não, agora ele não é mais produtivo, então vamos encostar esse idoso num canto
10:44e ele vai viver de migalhas.
10:46Eu não defendo isso.
10:48Quando saiu essa matéria, que depois eu nunca mais consegui consertar,
10:51eu falei, de onde surgiu isso?
10:52Eu acho que você tem como rever o sistema previdenciário
10:55sem diminuir o direito daqueles que mais precisam.
10:59E aí envolve outras políticas previdenciais que a gente pode conversar
11:03num determinado momento.
11:04Mas o grande problema do mundo, não é só do Brasil, é envelhecimento.
11:08E o Brasil está envelhecendo precocemente.
11:11Lamentavelmente, Marcela, o Brasil está envelhecendo antes de ficar rico enquanto nação.
11:16E a janela de oportunidade que o Brasil tinha, que a gente imaginava que seria 20 anos,
11:21ela se fechou porque a nossa juventude, as nossas famílias não estão querendo mais ter filhos.
11:28E com isso, a gente vai ter uma seguinte situação.
11:32Quem vão ser os trabalhadores a manter o sistema previdenciário e, com isso,
11:38garantir com que os aposentados recebam em dia a sua pensão, a sua aposentadoria?
11:43Aliado a isso, nós temos uma quantidade e a se reconhecer que é um direito do jovem,
11:49do trabalhador escolher, que não quer mais ter patrão.
11:52Ele quer ser dono do próprio nariz, ele quer empreender.
11:55E é preciso acabar com esse tabu de que, ah, o trabalhador necessariamente precisa ser seletista.
12:02Se ele quer carteira de trabalho, a gente tem que garantir empregos formais para eles,
12:07que abram-se novos postos de trabalho.
12:10Mas se ele quer ser empreendedor, se ele quer trabalhar com aplicativos,
12:14se ele quer trabalhar com as plataformas digitais,
12:18o Estado brasileiro tem que se fazer presente.
12:20Tem que se fazer presente patrocinando cursos para que ele saiba empreender
12:26e sendo firme com as plataformas, obrigando as plataformas a dar um mínimo de dignidade
12:32para essas pessoas que trabalham.
12:34Quem trabalha na rua, ter direito a alguns pontos onde ele possa ir ao banheiro,
12:38ter um local para esquentar a sua comida.
12:41Então, esse tipo de... o que o Estado tem que fazer nessa relação com esse trabalhador autônomo
12:49é garantir a ele aquilo que ele quer.
12:51Ele não quer ter patrão, ele não quer ter horas fixadas de trabalho,
12:56ele quer ter autonomia, ele quer... muitas vezes, e acontece muito com a juventude,
13:00ele quer trabalhar menos, ainda que ganhe menos.
13:03O papel do Estado é ser um protetor dessa relação,
13:09não alguém que imponha de cima para baixo a sua vontade.
13:11Então, nós temos aí um cenário que se avizinha imediato para resolver,
13:16que é do mundo, que é uma nova forma de relação trabalho-capital, emprego-capital.
13:25E veio para ficar.
13:26Agora, isso gera um impacto.
13:29Como fazer, no futuro, que essas pessoas tenham o direito à assistência na velhice?
13:35Que é outra relação que precisa ser muito bem debatida no Congresso Nacional,
13:39que é o papel de um senador, de um deputado federal.
13:42E já começou a discussão agora, acho difícil o Congresso Nacional conseguir avançar em ano eleitoral,
13:46mas vai ser um papel para os novos senadores e novos deputados federais.
13:51Agora, ministro, se a gente for pegar, voltar no tempo,
13:54a relação entre ministro da Fazenda e ministro do Planejamento,
13:58sempre uma relação difícil, até entre ministros do governo Lula,
14:03ou se a gente for para o governo Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Pedro Malan,
14:07então, sempre foi uma relação difícil.
14:09E a dupla, podemos dizer assim, da senhora com o ministro Fernando Haddad,
14:13sempre foi uma dupla harmônica.
14:15Como vocês construíram isso?
14:17Porque são duas passas que acabam brigando ali, né?
14:19É, primeiro que eu fiz um combinado com Haddad, né?
14:23Eu não penso que eu sou, assim, essa florzinha educadinha, assim, só não.
14:27Eu tenho uma personalidade forte, eu imponho, assim,
14:30eu fui como alguém mais liberal na economia,
14:34num governo mais desenvolvimentista, mais esquerda.
14:37Então, se o ministro, se o presidente Lula me colocou lá,
14:40é porque ele gosta do embate, ele gosta mesmo.
14:43Ele, parece que não, mas ele gosta do contraditório, assim,
14:46o circo pega fogo no bom sentido, debate, debate, debate,
14:49coloca na mesa, a gente filtra, leva as propostas.
14:53Quantas vezes nós colocamos propostas distintas, né?
14:56Que batiam, às vezes, de frente com o posicionamento da casa civil.
15:01Mas, no caso do Ministério da Fazenda com o Ministério do Orçamento,
15:04era muito interessante porque a gente lavava roupa suja entre nós.
15:07Depois a gente chegava num consenso, a gente chegava com a bola redondinha.
15:11Algumas coisas eu cedia, achava que a fazenda estava certa,
15:13outras coisas a própria fazenda reconhecia que o Ministério do Orçamento estava certo,
15:18porque é um casamento perfeito, não tem como.
15:21O Ministério da Fazenda, ele entende de receita.
15:24Ele tem a Receita Federal latento.
15:26Então, eu não posso discutir muito, porque eu sei que ele tem os números da receita, é dele.
15:31E o Ministério do Orçamento tem a ótica, e tem pela SOF, Secretaria do Orçamento,
15:35o lado da despesa.
15:37A gente sabe onde aquilo vai estourar, como é que chega naquilo, onde estão os problemas.
15:41Então, é um somatório, né?
15:44Receita menos despesa tem que dar, no mínimo, zero,
15:48se não tiver que dar o superávit, de acordo com as regras.
15:50Então, a gente debatia, discutia, e aí entrava, aí sim começava o embate.
15:55O embate ia na questão política, né?
15:58O dever fazer, muitas vezes, ele vai contra a vontade política de gastar mais, de entregar mais.
16:07Aí começava a outra etapa, nós já unidos no propósito, tendo entendido,
16:13e eu também tendo a consciência, Marcela, que eu fazia parte de um time,
16:18onde o capitão desse time, quem chefiava a equipe econômica, chefia, e tem que ser assim,
16:24é o Ministério da Fazenda.
16:25O Ministério do Planejamento e Orçamento tem autonomia, tem a capacidade de colocar na mesa,
16:30tem a capacidade de discutir, mas depois quem fala em nome da equipe econômica é o Ministério da Fazenda.
16:36E eu nunca tive nenhum tipo de problema nesse sentido, eu sei trabalhar muito bem em equipe,
16:41acho que eu nunca causei nenhum tipo de constrangimento ao governo federal,
16:44muitas vezes pensando diferente ou tendo sido derrotada nas minhas posições.
16:49Como que a senhora pretende usar a experiência que teve no Ministério do Planejamento como um ativo, né?
16:56Durante essa campanha eleitoral.
16:57Claro, tem toda a sua experiência, mas estou me atendo aqui ao Ministério do Planejamento, que foi a sua última...
17:02Você tocou num ponto fundamental, Marcela, esse é o grande problema do Brasil.
17:07A gente olha a China e olha...
17:08Olha a China, mas se não quiserem discutir China, discutem Coreia do Sul, Singapura, Indonésia, Índia, né?
17:15E fala assim, o que eles fizeram em 20 anos, em 30 anos, e o Brasil sempre é à frente
17:19de todos eles e o Brasil afundou.
17:21Não tem a ver só com a educação, que é o grande mal do Brasil.
17:24A gente não consegue investir com qualidade na educação pública brasileira, mas não tem só a ver com isso.
17:31Eles conseguem fazer o que nós não conseguimos.
17:34Eles planejam a longo prazo.
17:37A China sabe como ela vai estar daqui a 50 anos em qualquer área.
17:41Educação, saúde, tecnologia, energia.
17:45Eles sabem da energia eólica, da energia solar, quanto eles vão estar produzindo no ano de 2050.
17:52E o Brasil só trabalha com um planejamento de 4 em 4 anos.
17:56Nós apresentamos, está na mesa inclusive do presidente, não deu tempo para ele assinar um decreto,
18:01o Brasil que nós queremos nos próximos 25 anos em qualquer área.
18:05Eu sei como, assim, a gente colocou metas, como é que o Brasil vai estar na área de desmatamento ilegal
18:11zero,
18:12na área de combate ao feminicídio, na área de violência, em relação a tudo.
18:17Qualquer ponto que você me der, inteligência artificial, que é o novo tema.
18:22Trabalho, relação trabalhista.
18:25Onde o Brasil quer estar em 2030, que é logo ali, em 2035, 2040, 2045, 2050.
18:32Ou seja, o Brasil dos próximos 25 anos.
18:35Essa é a mentalidade que eu procurei com a minha equipe, em muito pouco tempo.
18:43É difícil conseguir convencer, não só o Congresso Nacional, a sociedade brasileira.
18:50Eu faço uma brincadeira assim, a imprensa vinha e falava assim,
18:53olha, agora, aqui com a palavra, ou quem vai falar agora, vou entrevistar a ministra do planejamento, Simone Tebbit.
19:00A primeira pergunta que me faziam não era sobre o planejamento, nem a segunda, nem a última.
19:04Era só sobre o orçamento brasileiro.
19:07Assim, dificilmente me pergunta como a que você fez agora.
19:10Por quê?
19:11Porque o Brasil não tem essa cultura do planejar.
19:14E sem planejamento nós vamos estar fadados a um insucesso.
19:18É simples, você pega a mulher mais simples, que mexe com o orçamento doméstico.
19:28O que ela faz quando ela ganha, por exemplo, os 3 mil reais, que é o salário que ela ganha,
19:32dois salários mínimos, 3 mil reais.
19:34Um salário mínimo em meio.
19:36Ela primeiro paga o quê?
19:37Ela primeiro paga o aluguel, se ela vive de aluguel, a conta de água, a conta de luz.
19:42Depois ela vai colocar alimento, aí ela vai fazer outras coisas.
19:46O Brasil não planeja, então ele gasta mal, ele gasta de qualquer jeito.
19:50O Congresso legisla sem nenhuma responsabilidade com dinheiro que não é dele, que é do povo brasileiro.
19:56Então, eu acredito que, assim, colocar essa pauta, principalmente para a juventude,
20:02para a classe média que dialoga muito com a sociedade nas redes sociais, é fundamental.
20:08No Senado, eu te perguntei, e vou reforçar aqui, qual que é o papel que a senhora pretende ter em
20:15relação a essa pauta, a pauta fiscal?
20:19O Brasil, esses quatro anos, foram quatro anos de reposição de políticas públicas.
20:23Foi o ano de repor orçamento em ações prioritárias para o Brasil.
20:30Agora que elas estão já recolocadas, o Minha Casa Minha Vida voltou depois de quatro anos sem ter um novo
20:37contrato habitacional no Brasil
20:40para a população de baixa renda, etc., etc., agora é hora da contenção.
20:44Sem tirar nenhum direito, nós não precisamos, nós continuamos com essas políticas públicas,
20:50agora é hora de colocar o fiscal na agenda do dia.
20:52Seja em relação aos gastos tributários, como eu mencionei, são 600 bi aí de renúncia,
20:58seja que com o crescimento a gente tenha a oportunidade de fazer uma revisão de políticas públicas ineficientes,
21:05aquelas que estão tendo sombreamento.
21:07Às vezes eu tenho três, cada ministério fazendo a mesma coisa, fazer o que a gente já fez muito,
21:13a gente já reviu muita coisa, mas a gente tem a capacidade de rever ainda mais.
21:17O que eu percebi é o seguinte, todo mundo achava que o congresso que está aí era um congresso fiscalista,
21:23se provou exatamente o contrário, um congresso que gasta, como se gasto fosse vida,
21:30sem fazer nenhum, não, gasta.
21:33Ah, de onde vai tirar o... porque a lei exige isso.
21:37Se eu crio nova política pública, novo gasto, eu tenho que cortar de algum lugar.
21:42Esse corte nunca acontecia, jogava bola para o executivo e o executivo que se virasse.
21:48Então a pauta fiscal é uma pauta absolutamente necessária, pertinente e, ao contrário,
21:54a gente tem a sensação de que uma briga com a outra.
21:57Fiscal não é administrar sem alma.
22:00Fiscal é justamente gerar uma gestão responsável que vai não aumentar,
22:08mas diminui a inflação, porque o fiscal bem equilibrado, ele garante uma moeda forte,
22:16portanto um câmbio absolutamente valorizado, com um dólar menor e com isso você tem importação
22:24de produtos mais baratos, de insumos mais baratos, produção mais barata e na gôndola do supermercado
22:30produtos, na gôndola do supermercado ou do comércio, mais baratos para a população brasileira.
22:35Mas a senhora acha que governos de esquerda têm dificuldade com essa pauta, com a pauta fiscal?
22:40Olha, se eu comparar esse governo com o passado, não tem muita diferença.
22:44Todos os governos têm, ainda mais num país polarizado, onde se ganha eleição com uma margem muito tênue.
22:51Mas agora não tem saída.
22:53Nós chegamos assim, a água bateu no nariz.
22:59Então, ou faz fiscal ou faz fiscal.
23:02E é possível fazer sem...
23:04De novo, tem tanta gordura, tem tantas injustiças, que seja pelo lado da receita, seja do lado da despesa,
23:13que é possível continuar avançando nessa pauta que a gente começou nesses quatro anos.
23:18Quando a senhora diz que a água bateu no nariz, o que significa?
23:21Significa que a gente não tem alternativa, Marcela.
23:25Por um lado, de novo, porque a gente já repôs políticas públicas.
23:29De outro, porque não tem mais de onde, só tem...
23:33É inconcebível, com a carga tributária que nós temos, resolver pelo lado da receita.
23:39Resolver para poder continuar tocando o Brasil, aumentar a carga tributária.
23:43Ao contrário, a reforma tributária, que foi aprovada depois de 30 anos, que é a reforma da indústria,
23:50ela vai diminuir os impostos, unificando esses impostos, desburocratizando,
23:55ela vai diminuir o custo Brasil para as indústrias.
23:58Ela vai diminuir a carga tributária para as indústrias.
24:02Então, esse é um lado positivo de tudo, desses quatro anos, inclusive, é importante dizer, né?
24:08E aí, fazendo jus ao Congresso Nacional.
24:09Foi uma pauta que o Congresso Nacional chamou para si.
24:13O Congresso Nacional falou, deixa comigo.
24:16Nós vamos entregar para o Brasil a reforma que há 30 anos o Brasil precisa,
24:22que é a reforma da indústria, que é a que mais...
24:24Dos setores é a que mais gera emprego de qualidade, com melhor salário para o trabalhador brasileiro.
24:30Então, diante do cenário de uma dívida PIB, aí batendo os 90%,
24:35nós não temos alternativa a não ser olhar com cuidado o fiscal.
24:40Se nós não olharmos com cuidado o fiscal, nós vamos ter inflação, já a partir de 2027,
24:45acima da meta projetada de 4,5%.
24:49E o presidente Lula está apostando pesado em importantes nomes do seu governo.
24:55A senhora, a ministra também, Marina Silva, Márcio França, o próprio ministro Fernando Haddad,
25:01que é pré-candidato ao governo de São Paulo.
25:04E, inclusive, o próprio ministro chegou a citar a senhora como uma possibilidade de ser vice.
25:09O que a senhora acha dessa possibilidade?
25:11Há essa chance?
25:12Não, nenhuma.
25:14Haddad sabe disso.
25:17Eu e Haddad temos uma afinidade até de raça.
25:20Nós somos ambos filhos ou netos de libaneses.
25:24A gente tem uma sinergia muito grande.
25:27Eu acho que ele quis ali me prestigiar, porque a pesquisa mostra o fato de ser mulher,
25:31ter sido uma presidenciável.
25:32O meu nome se aponta como um bom nome para vice.
25:36Mas eu já fui vice-governadora.
25:38Eu já experimentei isso.
25:40Eu acho que só tem sentido eu ser candidata se for efetivamente para ajudar São Paulo
25:44e, servindo São Paulo, servir ao Brasil em pautas estratégicas.
25:49Eu quero levar, se for candidata, estou falando como pré, né?
25:53A minha experiência de quem já foi senadora por oito anos para Brasília,
25:58num momento decisivo, onde grandes pautas, relevantes pautas, vão ser colocadas à mesa.
26:02Essa pauta econômica é uma delas.
26:04Fui ministra do Orçamento, que é fundamental para não ter crise,
26:08para não ter inflação, para que a população tenha ali sempre renda para o seu consumo.
26:14Pauta relacionada à segurança pública, pauta relacionada a reformas, como nós temos que fazer,
26:20reforma política, reforma do judiciário.
26:22Enfim, são temas relevantes que você só tem condições de contribuir estando em Brasília,
26:28no Congresso Nacional.
26:28Então, ou eu sou candidata ao Senado, ou eu não sou candidata a nada.
26:33Bom, a senhora migrou recentemente para o PSB, foi do MDB por, enfim, toda a vida, né?
26:40Não sei se foi o tempo todo.
26:42Foi?
26:43Foi.
26:43E o prefeito de São Paulo, que é do MDB, Ricardo Nunes,
26:48ele deu uma declaração dizendo que a senhora veio para São Paulo para obedecer ao Lula.
26:53Como que a senhora viu essa declaração?
26:54É absolutamente misógina, né? Assim, com todo respeito.
26:59Eu tenho um relacionamento pessoal com o Ricardo que, assim, ele atravessou a ponte de forma deselegante e desnecessária.
27:07Eu acho que esse desrespeito com a mulher que faz política, né?
27:11Porque não foi uma fala qualquer, né?
27:13Ele usou um termo ainda pior que aquele...
27:16Ele me chamou de marionete, né?
27:18Marionete é uma boneca que não tem vontade própria, né?
27:22Se eu fosse homem, ele diria isso?
27:24Então, é uma fala, assim, desrespeitosa com as mulheres, assim, chega a ser uma fala de violência política com as
27:31mulheres por uma razão.
27:33A mulher que vê isso e quer ser uma candidata a vereadora, quer ser uma candidata a deputada,
27:38ela fala assim, é isso que eu vou enfrentar, né?
27:41Assim, afasta a mulher da vida pública, né?
27:44Então, eu acho assim, ele foi infeliz, eu acho que ele deve ter se arrependido disso e está tudo certo.
27:49Já virei a página em relação a isso.
27:51Eu sou eu, o homem nenhum manda em mim, eu ouço muito os meus companheiros, tanto homens quanto mulheres, né?
27:58Já capitulei muitas vezes para companheiros, ó, vocês têm razão, eu estava errada.
28:04Muitas vezes bati na mesa porque fui agredida verbalmente, comigo ninguém fala alto, assim, mas é tudo um somatório, né?
28:11Homens e mulheres vieram para servir, para somar, não por essa briga aí lamentável de disputa de gênero,
28:18que é isso que fica implícito numa fala, assim, infeliz dessa.
28:23Ministra, bom, aproveitando que a gente está falando disso, eu queria saber por que a senhora resolveu, decidiu trocar de
28:28partido e como está a relação com o MDB.
28:30Bom, eu tenho uma relação pessoal, de amizade, de irmandade com o Baleia Rossi, é um querido amigo, que sempre
28:36foi muito correto comigo.
28:38Mas o MDB, e eu conheço o MDB a minha vida inteira, tá, desde os meus 20 e poucos anos,
28:44O MDB é um partido regionalizado, que dá muita autonomia para os seus, para os diretórios regionais.
28:51O Diretório Regional de São Paulo e mesmo o Municipal de São Paulo, estava numa linha, né, de apoio a
28:56candidaturas,
28:57das quais eu não acredito e jamais estaria junto.
29:01Então, vir para São Paulo significaria, como significou, ter que mudar de partido.
29:05Então, é claro que é uma ruptura, eu nunca tive outro partido na minha vida, foram mais de, enfim,
29:12posso falar com filiação ou sem filiação, passa longe de 30 anos, né,
29:17mas houve a necessidade de mudar, porque eles não aceitariam que eu fosse candidata,
29:22tendo um palanque de frente ampla.
29:24E você falou, não é um time qualquer, né, São Paulo tem uma importância tamanha na eleição,
29:31porque São Paulo é referência do Brasil.
29:33A crise em São Paulo, ela chega sempre por último, pela força de São Paulo.
29:38E é sempre São Paulo a força motora, a puxar o desenvolvimento do Brasil, tudo começa,
29:44a crise começa a acabar, ou ela acaba, começa primeiro a ir para o seu fim, por São Paulo.
29:51Aliado a isso, é o Estado mais populoso, é um Estado que tem um quarto do eleitorado brasileiro,
29:56então a eleição passa decisivamente, acho que mais do que em Minas, como sempre fala, que decide,
30:01acho que a eleição, o que vai decidir a eleição, que também vai ser uma eleição muito polarizada ali,
30:07né, muito no fio, né, da navalha, é São Paulo.
30:13Não é à toa que as grandes lideranças de amplos, de vários espectros ideológicos,
30:20estão hoje se formando um time em São Paulo.
30:23Nós estamos falando de vários partidos, de várias frentes,
30:26eu mesmo, como alguém de centro-direita na área econômica, né, estou compondo essa frente ampla,
30:31nós estamos falando de cinco ex-ministros, não são nem quatro,
30:35são cinco ex-ministros, se nós pensarmos em Geraldo Alckmin, que é de São Paulo
30:41e é o nosso pré-candato a vice-presidente da República.
30:44Então é um timaço, né, um time da seleção brasileira,
30:49não da atual, não diria assim, mas da seleção brasileira dos ários tempos, né,
30:53é uma turma experimentada, são ministros que conhecem São Paulo,
30:58conhecem a realidade do Brasil, experimentados, que discutem qualquer coisa,
31:03que debatem e que têm propostas, têm receita para o Brasil do amanhã,
31:07para o Brasil do futuro, o Brasil de 2027.
31:10Pois é, é uma aposta alta, grande, né, com nomes importantes, como a gente citou aí,
31:17e como que isso, a senhora acha que, como que isso pode, de fato, ajudar o presidente Lula,
31:23se a gente for olhar para a eleição presidencial?
31:26Quando a gente olha, por exemplo, que nós temos uma marina que é ambientalista,
31:30com alguém do agro sustentável, que sou eu, que vão estar no mesmo palanque,
31:34só para dar uma, né, uma frente, né, estamos dizendo o seguinte,
31:39nós temos um palanque pronto para dialogar com todos os segmentos.
31:44Quando a gente olha um palanque que tem Haddad, que é de São Paulo, capital, né,
31:49aliado a Márcio França, que é do interior da Baixada Santista.
31:54Eu que sou do interior, do interior, e como mulher, muitas vezes do interior,
32:00um pouco mais conservadora, pronta para dialogar com essas mulheres,
32:03nós estamos com um palanque que tem uma frente ampla,
32:08que pode abarcar todo o espectro do eleitorado paulista.
32:13e eu acho que isso vai fazer a diferença.
32:16Ministra, bom, a senhora já, existe, né, uma avaliação de que a senhora saiu muito grande
32:23da última eleição, né, com uma possibilidade de terceira via na eleição de 22,
32:28acabou compondo o governo Lula, enfim, agora está aí na base aqui em São Paulo.
32:33Eu queria saber se a senhora acha que, de alguma forma,
32:37perdeu o capital político, aquele que a senhora conquistou em 22,
32:41do ponto de vista de ser uma terceira via.
32:45Marcela, isso sem dúvida, quer dizer, não caberia,
32:48eu sou uma pessoa muito correta na minha vida,
32:50eu prefiro perder o voto a perder a minha essência.
32:53E quem olha para mim sabe, se olhar para mim, você sabe se eu estou mentindo
32:56ou se estou falando a verdade, porque eu não dou conta,
32:58eu não dou conta de ser isso.
32:59Ainda que fira os ouvidos de alguém, assim, eu sou professora, né,
33:05então, assim, o professor, ele é isso.
33:09Quando eu optei, porque eu vi a importância do meu apoio no segundo turno,
33:13que foi uma eleição muito difícil, o que estava em risco,
33:16era não só a democracia, mas os avanços civilizatórios,
33:22eu sabia do risco que eu estava correndo,
33:26de ser sempre enquadrada com o lado,
33:28mas a política exige coragem da gente,
33:30é isso que ela quer, né, já dizia o poeta.
33:33Então, ela quer da gente coragem, e coragem nunca me faltou,
33:36foi uma coisa que eu fui conquistando ao longo da minha vida.
33:39Faria tudo de novo.
33:40O 8 de janeiro mostrou, né,
33:43essa questão de discutir soberania,
33:45de quererem que um país,
33:46o lado de lá, achar que um país tem o poder
33:49de decidir sobre a nossa vida,
33:51sobre as nossas riquezas no Brasil,
33:54está mostrando que essa polarização não acabou,
33:57e não cabe, lamentavelmente,
33:59não cabe uma terceira via ainda em 2026.
34:03De novo, um país polarizado.
34:05Isso só reforça, Marcela,
34:07que eu tenho que colocar o pouco capital político que eu consegui,
34:11especialmente com as mulheres brasileiras,
34:13com as mulheres paulistas,
34:14porque há que se reconhecer que dos quase 5 milhões de votos que eu tive,
34:18o Estado que mais votou em mim,
34:21disparado, mas disparado,
34:22dos 27 Estados da Federação Brasileira,
34:24foi São Paulo.
34:25Então, São Paulo, de alguma forma,
34:27se identificou com o meu jeito de fazer política.
34:29E eu quero usar esse meu jeito de fazer política,
34:31não só para pedir voto, para quem eu acredito,
34:34mas para dialogar com a sociedade brasileira.
34:37Que Brasil nós queremos nos próximos 4 anos?
34:39Que Brasil nós queremos nos nossos filhos?
34:40Que São Paulo nós queremos?
34:42Porque é fundamental.
34:43O São Paulo feliz, São Paulo bem,
34:45significa o Brasil bem.
34:47O Brasil feliz.
34:48E trazer a política da forma como ela deve ser.
34:50Com leveza, com alegria,
34:52com reconhecimento de que tudo passa por ela,
34:55e de que as pessoas têm que voltar a sonhar.
34:57É possível sonhar, acreditar, ter esperança,
35:01basta a gente saber escolher bem os nossos dirigentes,
35:04os nossos candidatos, as nossas candidatas.
35:06Acho que o meu papel também,
35:08como pessoa de centro, é esse.
35:09Alguém que entra na direita,
35:12não na extrema,
35:13sou rechaçada pela extrema direita,
35:15mas que entra na esquerda,
35:17apesar de ser uma pessoa de centro.
35:18Talvez por ser uma pessoa de centro.
35:23Agora, como que a questão envolvendo as mulheres
35:26vai entrar na sua campanha?
35:28Porque eu acho que tem uma lacuna gigantesca
35:32que a gente precisa atender na política,
35:35que é relacionada a vários aspectos das mulheres.
35:39Como que a senhora pretende entrar nisso?
35:41Bom, primeiro,
35:43com a capacidade de, como uma mulher,
35:47entender as necessidades,
35:49as angústias da mulher brasileira.
35:51Defendendo pautas, como eu defendi,
35:53o presidente Lula aprovou,
35:54da igualdade salarial entre homens e mulheres
35:57em iguais funções e tempo de serviço.
35:59O projeto foi aprovado,
36:00porque foi um compromisso que o presidente fez
36:02comigo para apoiá-lo.
36:04Não que eu não ia apoiá-lo,
36:05eu ia apoiá-lo de qualquer forma,
36:06mas falei, presidente,
36:07eu quero essa pauta na mesa.
36:09Porque eu entendo que o primeiro
36:11e mais decisivo passo
36:13em defesa das mulheres,
36:15inclusive para que ela não sofra mais
36:18essa violência absurda dentro de casa,
36:20porque não consegue, às vezes,
36:21romper o vínculo por falta de condição financeira,
36:24é garantir à mulher a autonomia financeira.
36:26Isso passa por qualificação,
36:28por causa, por proteger e apoiá-la
36:31no empreendedorismo,
36:32que a maioria das mulheres
36:33são empreendedoras individuais,
36:35são MEIs.
36:35é na proteção não só da sua vida,
36:38mas da vida dela enquanto profissional,
36:41mas da vida dela enquanto família.
36:43Para mim é muito forte essa questão familiar.
36:46Proteger a família brasileira
36:48é proteger a mulher,
36:50que é, por essência,
36:52ela é o cerne,
36:53ela é o coração
36:54do seio familiar.
36:57Então, assim, trazer a pauta,
36:59a pauta dos anseios e necessidades da mulher
37:02para a agenda política.
37:04Para a agenda política,
37:06não só de uma pré-candidata ao Senado,
37:09futura candidata ao Senado,
37:11mas para trazer a pauta da mulher
37:13para a campanha do pré-candidato Haddad,
37:18para que ele coloque também
37:19uma agenda específica,
37:20muito específica,
37:21da pauta feminina
37:23no seu programa de governo.
37:24Ministra, quero voltar aqui
37:26na questão da terceira via,
37:27que a senhora falou
37:28que não cabe ainda a terceira via
37:29na sua avaliação em 26.
37:31O que falta para caber uma terceira via,
37:34para acabar com essa polarização,
37:35para a gente ter também
37:36a oportunidade de ter uma discussão
37:38mais profunda da sociedade,
37:41de mudança mesmo,
37:43não só tanto essa rixa.
37:45Em 22, nós tínhamos uma fresta,
37:47uma janelinha apenas para entrar,
37:50porque a polarização por números
37:52mostrava que a terceira via
37:54representava algo em torno de 20,
37:5625% da população não queria
37:58nenhum nem outro,
38:00porque estava muito polarizado.
38:0226 não está assim.
38:03Embora em intensidade esteja,
38:06em embate,
38:08naquele discurso mais raivoso esteja,
38:11todas as pesquisas mostram
38:12que aquela janelinha virou
38:14uma porta entreaberta.
38:16hoje, eu diria, sem medo de errar,
38:19que chega quase 40%
38:21àqueles que, se tivessem,
38:23optariam, até mais 40%
38:26por um candidato de centro.
38:27O que falta é realmente
38:29se querer ofertar
38:31um candidato de terceira via.
38:33Eu acho que teve muito oba-oba,
38:36muita negociação,
38:39muita negociata até,
38:40no sentido assim,
38:41vou fingir que quero,
38:43mas não quero,
38:43porque se quisessem mesmo
38:45um candidato de terceira via,
38:47ele tinha que ter sido apresentado
38:48no ano passado.
38:51Aconteceu a mesma coisa em 2022.
38:52Em 2022, aconteceu a mesma coisa.
38:54Anançaram três para candidatos,
38:55eu, Dória e Eduardo Leite.
38:57Lá atrás, aí o PSDB falou,
38:59eu vou fazer uma prévia.
39:01Fez a prévia só no ano de 22.
39:03Quando aconteceu a prévia lá para março,
39:05eu não sei o que foi,
39:06saiu um candidato lá,
39:08que depois desiste,
39:09sobrou, sobrei eu, candidata,
39:12em abril para maio,
39:14quer dizer,
39:14a véspera de uma convenção.
39:17A mesma coisa está acontecendo
39:19com a terceira via.
39:20Aí não se sustenta mesmo,
39:22não tem tempo hábil.
39:23E, como eu disse,
39:26apesar de não ser mais uma janela,
39:28ser uma porta entreaberta,
39:30ela ainda,
39:30há um cansaço natural
39:32da população
39:33pelos discursos de ódio,
39:35pela fake news,
39:36pelos discursos mais raivosos,
39:38mas ela ainda não se arrefeceu totalmente.
39:41Porque, lamentavelmente,
39:43ainda teremos numa cédula
39:45o sobrenome Bolsonaro.
39:47E aí, isso aí bagunça tudo,
39:49porque você está lidando
39:50com aquilo que flerta
39:53com o autoritarismo,
39:54aquilo que sai à margem
39:56do processo eleitoral,
39:58como a gente está acostumado a fazer
39:59desde a redemocratização.
40:01Inclusive, o pré-candidato,
40:03o senador Flávio Bolsonaro,
40:04ele cresceu bastante nas pesquisas,
40:07mais do que se imaginava,
40:08inclusive, dentro do próprio governo,
40:11num ritmo acelerado.
40:13Como que a senhora vê esse movimento?
40:15E também existe a avaliação
40:17de que o governo demorou,
40:19está demorando para agir,
40:21no sentido de ter um enfrentamento
40:23para tentar desconstruir o personagem.
40:25Como que a senhora vê isso?
40:27Eu acho que essa é uma eleição,
40:28ainda mais que estamos falando
40:29de uma reeleição de um Lula,
40:31possível Lula 4,
40:32que é mais plebiscitária mesmo.
40:34As pessoas vão ou não hipotecar
40:37mais um voto de confiança
40:38ao governo do presidente Lula.
40:40Qualquer candidato que se apresentasse
40:44ou se apresentar contra
40:47a candidatura do presidente Lula,
40:49vai alcançar próximo
40:51a rejeição do governo.
40:53Então, ele bateu também num teto agora.
40:56O que vai fazer a diferença é a eleição.
40:58E na eleição eu estou muito segura
41:00do que nós precisamos apresentar.
41:02Porque todos os números estão aí.
41:04É uma questão de mostrar
41:05o Brasil que vocês querem.
41:07Esse é o Brasil que há quatro anos atrás,
41:09e esse é o Brasil que nós temos hoje,
41:10apesar de todas as percepções
41:12que ainda tem muito que melhorar
41:14na vida das pessoas.
41:16A questão é,
41:16vocês querem voltar há quatro anos
41:18ou vocês querem procurar melhorar
41:20a partir daqui?
41:21Não foi fácil chegar onde nós chegamos.
41:23Não foi fácil reconstruir o Brasil.
41:25Levou tempo mesmo.
41:26teve falhas.
41:27A gente não conseguiu avançar
41:29por equívocos,
41:30pelo Congresso,
41:32por uma pauta
41:33que a gente não conseguiu
41:35convencer, muitas vezes,
41:36a própria política.
41:37Mas é uma questão de comparação.
41:39Eu acho que é isso que vai estar.
41:41Acho que é muito menos
41:42preocupação com o adversário
41:44e muito mais a nossa capacidade
41:46de que através de uma boa campanha,
41:47de uma comunicação,
41:49mostrar para a população.
41:50Eu não me surpreendi
41:51com esses números.
41:52Eu imaginava
41:52que qualquer candidato,
41:54conhecendo o Brasil como eu conheço,
41:56inclusive como ministra,
41:57eu andei todas as capitais
41:59nesses três anos,
42:00mais de uma vez.
42:01Eu fui em todos os estados,
42:03mesmo já tendo ido
42:04como candidata,
42:05eu fui como ministra.
42:07O Brasil está polarizado.
42:08As redes sociais ainda,
42:10a sociedade ainda não conseguiu,
42:12acho que,
42:13trazer a política
42:14com responsabilidade
42:15através desse instrumento
42:16fantástico
42:17que é o celular,
42:18que é a internet,
42:19que são as redes sociais.
42:20Nós estamos aprendendo
42:21a lidar com essa ferramenta
42:24maravilhosa que é.
42:25mas ainda não aprendemos,
42:27pelo menos na parte da política.
42:29Então,
42:29diante desse cenário,
42:31eu não me surpreendi.
42:32Qualquer candidato
42:34bateria os 40% fácil,
42:37porque é a rejeição
42:38do governo hoje.
42:39O que nós vamos fazer
42:40é,
42:41na campanha,
42:42e já começar a partir
42:43da pré-campanha,
42:44uma campanha de esclarecimento.
42:46Eu estou muito segura
42:47daquilo que nós temos
42:48que fazer
42:48para ganhar as eleições.
42:49Pois é,
42:50e por que a população
42:51não absorve
42:52esses resultados positivos
42:53na economia?
42:54Porque tem também
42:55resultados positivos,
42:56a senhora citou
42:57alguns dados importantes aí.
42:58Por que a população
42:59não absorve isso
43:00e isso não se transfere
43:03para a intenção de voto,
43:04por exemplo,
43:04nas pesquisas?
43:05Além da rejeição,
43:07alguns acham que é cansaço,
43:08a rejeição,
43:09a polarização,
43:10eu acredito que tem fortemente
43:12o fator econômico
43:13no sentido da população
43:15estar mais endividada.
43:16A população se endividou,
43:18ao meu ver,
43:18por duas razões.
43:20Nós somos seres humanos,
43:22é natural a gente querer
43:24cada vez mais ter,
43:26ainda mais quando a gente
43:27não tem o básico,
43:29quanto mais o supérfluo.
43:31E, depois da pandemia,
43:33a gente passou a consumir
43:34pelo e-commerce,
43:35a gente passou a consumir
43:36não indo na loja física,
43:38mas por aí.
43:39Entre querer e ir
43:40à loja física,
43:41quantas vezes a gente
43:42não desistiu porque falou
43:43isso é um impulso,
43:44eu não tenho dinheiro
43:46para comprar um sapato novo
43:47ou deixar para o mês que vem.
43:48Agora, aqui não,
43:49é automático.
43:50Então, a gente acabou,
43:52a gente acaba consumindo mais,
43:54então, a gente acabou
43:54se endividando,
43:55de novo,
43:56porque faz parte
43:57da nossa essência
44:01querer ter as coisas,
44:02a gente tem mais
44:02a que sonhar e querer mesmo.
44:04Então, a falta
44:05de educação financeira,
44:08que é um papel do Estado,
44:09de equilibrar,
44:10olha, tem débitos e débitos,
44:12tem dívidas boas
44:13e dívidas ruins.
44:14Muitas vezes,
44:15comprar uma camiseta
44:16ou uma blusa
44:17se eu não estou precisando
44:18pode ser uma dívida ruim.
44:19O não é ruim,
44:20por exemplo,
44:21é eu me financiar
44:22para ter uma casa própria,
44:23porque isso é um bem durável,
44:25com juros,
44:26inclusive,
44:26normalmente,
44:27eles são juros bem menores,
44:29mas entrar no cartão
44:30de crédito rotativo
44:31é um perigo.
44:32Então,
44:34conseguir equilibrar isso,
44:36aliado a algo
44:37que eu acho
44:38que é absolutamente
44:39pernicioso
44:39para a sociedade,
44:40a gente não estava pronto
44:42para isso,
44:42que é a legalização
44:43dos jogos online
44:45de bets,
44:46gerou e está gerando
44:47um endividamento grande.
44:49Então,
44:49há uma insatisfação
44:50da população,
44:51pô,
44:51eu estou devendo,
44:52como que a vida melhorou
44:53se eu estou devendo?
44:54mas quando a gente olha
44:55os números,
44:56a inflação dos alimentos,
44:58por mais que um produto
44:59ou outro tenha subido
45:00acima da inflação,
45:02na média,
45:02ela está abaixo
45:03da inflação,
45:04a inflação dos alimentos
45:06na média,
45:07ela cresceu abaixo
45:09da inflação oficial
45:12e as pessoas
45:13não se apercebem disso,
45:15por quê?
45:15Porque nós estamos
45:16com endividamento recorde,
45:18eu acho que
45:18trabalhar isso
45:19com um programa,
45:21não só o Desenrola 2.0
45:23que está vindo aí,
45:24mas um Desenrola 2.0
45:25que fala,
45:26eu vou te garantir
45:27que você pague a sua dívida,
45:28mas daqui para frente
45:29eu vou colocar regras
45:31para que esse crédito
45:34não venha assim
45:34de forma tão desenfreado,
45:37porque o problema
45:37não é a oferta do crédito também,
45:39o problema é a oferta
45:40do crédito ruim,
45:41é oferecer uma linha
45:44de crédito
45:45como rotativo
45:46do cartão de crédito
45:4730% de juros ao mês,
45:4925% de juros ao mês
45:51e aí quebra qualquer um.
45:52Então eu acho
45:53que é um pouco isso,
45:54a insatisfação
45:55vem do endividamento,
45:57talvez,
45:58é a que se fazia
45:59o meia-culpa,
46:00da falta
46:01de uma comunicação
46:01mais assertiva,
46:03de conseguir se comunicar
46:04com jovem
46:05nas redes sociais,
46:06com trabalhador
46:06nas redes sociais,
46:07daquilo que nós
46:08estamos fazendo,
46:10acho que a gente
46:10precisa rever
46:11a comunicação
46:14nossa
46:14e não é a governamental,
46:16é a nossa
46:17enquanto políticos
46:18que fizemos parte
46:19do governo,
46:20eu acho que
46:21é um conjunto
46:22de situações,
46:23Marcela,
46:23para isso existe
46:24eleição,
46:25para isso existe
46:26período eleitoral,
46:27para que a gente,
46:28eu não acho que
46:28a pesquisa vai mudar muito,
46:30ela vai,
46:31até o processo eleitoral,
46:33ela vai ficar muito nisso,
46:35e aí a partir daí
46:36começa o jogo,
46:37né?
46:38Pois é,
46:38ministra,
46:38para encerrar,
46:39a senhora falou
46:40dessa questão das bets
46:41e eu fiquei com uma dúvida
46:42aqui,
46:43a senhora acha
46:44que o governo
46:44de certa forma
46:46subestimou
46:46o poder corrosivo
46:48das bets?
46:49Lembrando que não foi
46:50esse governo
46:50que aprovou o jogo,
46:52eu chamo de jogo
46:53de azar,
46:54porque para mim
46:54tudo é um jogo
46:54de azar,
46:55não tem sorte
46:56coisa nenhuma,
46:57né?
46:57Eu sempre fui contra
46:58a legalização
46:59dos jogos no Brasil,
47:00seja elas quais forem,
47:01não tem nada a ver
47:02com religião,
47:03não é por isso,
47:04eu acho que a população
47:04não tem,
47:05nós não temos,
47:07ainda não fomos educados
47:09para lidar com essa
47:10coisa na palma da mão,
47:13nós fomos nós
47:14que legalizamos,
47:15começa por aí,
47:16a gente só começou
47:17a tirar as bets
47:19ilegais,
47:20que ganham bilhões
47:21e não arrecadam nada
47:22e regulamentar
47:24um pouco mais
47:25essas bets,
47:26é um enfrentamento
47:28a ser feito
47:28no Congresso Nacional
47:30e o Congresso Nacional
47:31dificilmente revê isso,
47:33porque aí tem os lobbies
47:34das grandes empresas
47:36que financiam,
47:37inclusive,
47:38em relação
47:38a essa questão,
47:40mas eu,
47:41claramente,
47:42se pudesse,
47:43acabava com jogos
47:44no Brasil,
47:45com esses jogos
47:45de azar no Brasil.
47:46Muito bem,
47:47Simone Tevitt,
47:48ex-ministra do Planejamento
47:49e pré-candidata
47:50ao Senado pelo PSB,
47:52ministra,
47:52muito obrigada,
47:53foi uma honra
47:53falar com a senhora
47:54e até uma próxima oportunidade.
47:55O prazer foi meu
47:56e eu que agradeço.
47:57Obrigada.
47:58E você que nos acompanhou,
47:59obrigada pela participação,
48:01pela audiência,
48:02pelas mensagens,
48:03a gente dispõe
48:03todo o nosso conteúdo
48:04no Veja Mais
48:05e também
48:06nas nossas redes sociais
48:07e, claro,
48:08na Home de Veja.
48:08Até mais.
48:09Transcrição e Legendas
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