- há 23 horas
Em entrevista a VEJA, Fonteles, que é uma das apostas de renovação do PT, afirma que Lula não governa só para a esquerda, destaca a importância de formar uma frente ampla nas eleições e diz que a radicalização dificulta consensos no país
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NotíciasTranscrição
00:06Olá, eu sou Isabela Alonso Panho, repórter de Veja, e hoje eu recebo aqui nos estúdios da Abril,
00:12para a entrevista do programa Amarela Zoner, o governador do Piauí, Rafael Fonteles. Tudo bom,
00:18governador? Tudo bem, Isabela, um prazer estar aqui com você. A gente que agradece, obrigada pela
00:23disponibilidade do senhor de vir até aqui. Governador, as pesquisas têm mostrado que o
00:28senhor tem grandes chances de conseguir se releger para um novo mandato no governo do
00:33Piauí, inclusive no primeiro turno. Se isso acontecer, a gente vai ter um quarto mandato
00:39seguido do PT no Estado. Qual é o balanço que o senhor faz de erros e acertos da gestão
00:45petista no Piauí? Eleição, a gente só sabe o resultado quando acontece. Então, a gente
00:51tem muita humildade, muito pé no chão, mesmo com o nosso governo estando muito bem avaliado,
00:57mas nós vamos trabalhar muito para mostrar as entregas que fizemos ao longo desses quatro
01:03anos de mandato, para aí sim o povo, de maneira soberana, fazer uma avaliação.
01:09Eu considero, na verdade, que desde 2003, no primeiro mandato do governador Wellington
01:15Dias, junto com o presidente Lula, o Piauí melhorou muito seus indicadores sociais e econômicos.
01:21É um projeto político que realmente tem resultados efetivos, sobretudo na superação da pobreza,
01:28na geração de oportunidades e na melhoria dos serviços públicos. E no nosso mandato
01:33em especial, nós procuramos acelerar essas transformações nas mais diversas áreas da
01:39administração pública. Eu poderia destacar algumas, que é o que eu acho que pode nos credenciar
01:44um novo mandato, se assim a população nos escolher mais uma vez. Na área da educação,
01:51que é uma prioridade do nosso governo, nós somos o único Estado do Brasil que universalizou
01:57a oferta do tempo integral no ensino médio. As 512 escolas da rede estadual oferta o tempo
02:04integral e também a educação profissional e técnica. E o censo escolar, que foi divulgado
02:10há pouco, demonstrou isso. Piauí é o Estado do Brasil com o maior percentual de alunos
02:16estudando em tempo integral, nove horas por dia e também tendo uma formação técnica já no ensino
02:22médio. Esse é um exemplo concreto de uma entrega importante que foi feita ao longo desses três anos.
02:29Nós começamos ali com 96 escolas de tempo integral do ensino médio e agora todas 512 no tempo integral.
02:37Há um outro ponto muito importante na área da segurança pública, prioridade do Brasil e também do povo
02:43piauiense. Nós conseguimos reduzir todos os indicadores de violência de maneira substancial.
02:48Eu cito, por exemplo, o indicador de homicídios, redução de mais de 40%, se eu já considerar os resultados
02:56desse primeiro bimestre, trimestre do ano. O número de roubos e furtos de celulares, por exemplo,
03:03uma redução superior a 60% em alguns lugares, como a capital, superior a 70% de redução.
03:10E, finalmente, começamos a inverter a curva dos feminicídios, que era algo que vinha crescendo
03:16até 2024, diminuiu em 2025 e agora uma diminuição muito forte nos números do início do ano,
03:22superior a 70% de redução. Na área da infraestrutura, eu destaco realmente as rodovias do Estado do Piauí.
03:30Então, mais de 90% da nossa malha rodoviária, que é gigantesca, são mais de 9 mil quilômetros de rodovias
03:36estaduais. Só para fins de comparação, temos 3.200 quilômetros de rodovias federais no Estado
03:42e mais de 9 mil quilômetros de rodovias estaduais asfaltadas. E eu tenho um patamar de 91% dessas rodovias
03:49em estado bom ou ótimo de conservação. Então, cito, por exemplo, três destaques, além, é claro,
03:57da área da saúde pública, com a melhoria da resolutividade dos hospitais do interior do Estado
04:02e também o nosso programa Piauí Saúde Digital, que chega a todos os municípios,
04:07nas mais de 1.100 unidades básicas de saúde, levando especialistas médicos aonde o povo vive,
04:13que é exatamente nos municípios, que muitas vezes tem dificuldade de ter acesso ao médico especialista.
04:18Então, são essas entregas objetivas, claras, que nós vamos, obviamente, apresentar à população
04:24no momento adequado para poder merecer a confiança do povo mais uma vez, se Deus quiser.
04:31O senhor é um governador jovem, 40 anos, certo? O senhor acha que isso pesa contra ou ao seu favor?
04:38Olha, eu acho que pesa a favor, porque a idade de 40 anos, ela é uma idade que eu considero
04:46uma idade intermediária que nos permite, ao mesmo tempo, ter uma experiência já acumulada
04:52na gestão privada e na gestão pública, como secretário de fazenda que fui por oito anos
04:57e como governador por quatro anos, mas também como empreendedor, que era a minha função,
05:04a minha profissão. Eu, que sou professor de matemática, empreendi muito na área educacional.
05:10E a primeira eleição que disputei foi a de governador do Estado, após oito anos como
05:14secretário de fazenda. E, ao mesmo tempo, a idade permite a nós sermos bastante inovadores,
05:21antenados com o mundo atual, o mundo moderno, o mundo digital, o que nos permite também inovar
05:27muito em termos de gestão pública. Então, acredito que é um ponto positivo, mas, obviamente,
05:32que nós temos excelentes gestores em todas as faixas etárias. Esse não é um fator
05:39preponderante.
05:39Eu pergunto porque, ao que tudo indica, a questão da idade vai ser um assunto explorado
05:45nas eleições agora de outubro. Por exemplo, claro que o senhor falou que a eleição se define
05:50até o último minuto, mas a gente tende a ter um segundo turno nacional no qual o presidente
05:56Lula, que é de seu partido, tende a enfrentar Flávio Bolsonaro e entre os dois tem uma diferença,
06:01se eu não estou enganada, de 36 anos. Matemática é ao lado do senhor, não o meu.
06:08Mas, como que o PT pretende lidar com essa questão da idade avançada do presidente Lula?
06:13Olha, eu acho que a idade avançada não é um problema porque o presidente demonstra
06:17todo um vigor físico e mental de fazer inveja a muita gente mais jovem. Então, esse ponto,
06:24acredito eu, que não será relevante, dadas as condições favoráveis de saúde física
06:30e mental do presidente da República. O que vai pesar mesmo é a experiência da gestão
06:36do presidente ao longo dos três mandatos que ele foi como presidente e, principalmente,
06:41as diferenças dos dois projetos políticos. O projeto político liderado pelo presidente
06:46Lula, do campo popular democrático, que envolve vários partidos, não apenas partidos
06:52de esquerda, mas também de centro-esquerda, de centro, e até alguns apoiadores ali na
06:57direita, dependendo de onde você olhe, em cada estado você tem partidos de centro-direita,
07:03ou deputados, ou parlamentares, lideranças que estão apoiando esse projeto do presidente
07:08Lula. E o outro projeto, que é liderado pelo ex-presidente Bolsonaro, agora pelo seu filho
07:13Flávio. Então, são esses dois projetos bem diferentes, em várias áreas, que vão ser
07:19decididos pela população. É inegável que é uma polarização grande no país, vai ser
07:24uma eleição certamente disputada, mas eu acho que é favorito o presidente Lula, dadas
07:30entregas que fez no governo, a experiência política que tem e a capacidade de formar novamente
07:36uma frente ampla que represente a maioria da sociedade brasileira.
07:40E quais são os planos do PT para um pós-presidente Lula?
07:43Olha, é muito difícil você fazer qualquer prognóstico nesse momento. A prioridade absoluta
07:49é a reeleição do presidente Lula, e ele sendo reeleito, se Deus quiser, ele é que
07:54vai conduzir essa transição para a sua sucessão, obviamente, apontando nomes viáveis para
08:01continuar o projeto, de maneira a continuar esse processo de redução de desigualdades no
08:08Brasil, que é o principal mote, a principal meta do nosso campo político, obviamente que
08:15com novas ideias, com novos projetos de futuro. Então, a nossa expectativa é a reeleição do
08:21presidente Lula e que ele irá conduzir a partir do próximo mandato, se assim o povo
08:26decidir, vai encaminhar quais seriam os nomes para uma eventual sucessão dele do nosso campo
08:33político.
08:33Governador, voltando a falar do teu estado do Piauí, saiu uma pesquisa da Atlas Intel
08:38no dia 18 de março, que mostra que nas intenções de voto para o Senado, que é uma casa que
08:45imagino que preocupa tanto o campo político da esquerda quanto a direita, um adversário
08:51seu, que é o cacique do PP, Ciro Nogueira, está praticamente empatado com o nome do PSD,
08:56que está na chapa governista das pré-candidaturas nessa eleição. O cacique do PP, Ciro Nogueira,
09:06corre o risco de ficar de fora. O que o senhor acha disso?
09:09Olha, veja, a eleição do Senado, o nosso campo político já definiu como pré-candidatos
09:14ao Senado pelo campo político governista no Piauí. O atual senador Marcelo Castro, que
09:21será pré-candidato à reeleição. E o atual deputado federal Júlio César, que é o deputado
09:26federal mais experiente, mais votado da última eleição, como pré-candidato ao Senado pelo
09:31PSD. Então, o MDB e o PSD no Piauí apoiam o nosso projeto e o projeto do presidente Lula.
09:38E de 2002 para cá, em todas as eleições no Piauí, foram vencedores os candidatos ao governo
09:48e ao Senado ligados ao presidente Lula. Esse é um fato histórico, obviamente, que não quer dizer
09:55que vá se repetir novamente, mas é o mais provável olhando essas eleições anteriores. Cada eleição
10:01tem sua história, quem decide é o povo, mas eu diria que os nossos pré-candidatos ao Senado são
10:07bastante competitivos e, olhando por esse histórico anterior, até favoritos, dada essa ligação
10:14com o nosso campo político, o serviço prestado deles aos municípios. Então, são políticos muito
10:20experientes, com mais de 40 anos de vida pública, dedicados, sobretudo, a fortalecer os municípios
10:27piauienses e ambos têm muito serviço prestado. Então, claro, será uma disputa interessante, mas nós estamos
10:35muito confiantes na vitória do nosso time, sempre respeitando a decisão do povo com muita
10:42humildade e com muito pé no chão.
10:43Especificamente sobre o desempenho que Ciro Nogueira tem apresentado nas pesquisas, o que o senhor pensa sobre isso?
10:50As pesquisas demonstram, claramente, que Marcelo Castro e Júlio César são competitivos para vencer a eleição
10:56em relação ao senador Ciro Nogueira e por isso que nós estamos muito otimistas, como eu falei na pergunta anterior.
11:04As pesquisas, inclusive essa que você citou, de um instituto renomado nacionalmente, demonstram
11:11a clara viabilidade da eleição de Marcelo Castro e Júlio César.
11:14E, governador, pelo desenho que tem se formado, o PSD vai entrar na tua campanha em outubro no estado do
11:21Piauí,
11:22mas a gente sabe que essa simbiose que existe no Piauí não se repete em outros estados
11:28e o PSD tenta viabilizar uma terceira via, talvez, na campanha presidencial.
11:36Qual é a sua análise sobre a relação do PSD com a esquerda hoje?
11:41Olha, no caso específico do Piauí, e eu tenho conhecimento em outros estados,
11:46o próprio presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab,
11:51ele foi a público dizer que o diretório estadual nesses estados, no caso do Piauí,
11:56tem a autonomia para apoiar o nosso governo, inclusive a nossa pré-candidatura à reeleição,
12:04como também do presidente Lula.
12:06Então, acredito que o PSD irá liberar alguns estados da federação
12:11para votar em candidatos que não necessariamente sejam candidatos do PSD,
12:16que ainda não foi definido, ou está muito próximo de ser definido,
12:21mas há esse compromisso público, assumido publicamente pelo presidente Kassab.
12:25E eu acredito que vai ser muito importante no eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro,
12:32obviamente que o nosso partido, o nosso campo político, vai buscar o apoio, se não da totalidade dos membros do
12:38PSD,
12:39pelo menos de uma grande parte dos membros do PSD.
12:43O senhor acredita que, do jeito que o eleitorado tem se cristalizado nos últimos anos,
12:48trabalhar com a ideia de uma terceira via é viável?
12:51Olha, eu acredito que não. Acho que a eleição está polarizada.
12:55Os dois campos políticos principais têm mais de 40% das intenções de voto.
13:01Então, a eleição vai ser decidida por esses eleitores do centro, mais independentes,
13:06que não se vinculam automaticamente ao lulismo ou ao bolsonarismo.
13:11E por isso que, novamente, vai ser uma eleição muito disputada, repito,
13:18mas favorecendo mais o candidato da situação, que é o presidente Lula,
13:21que na outra eleição, mesmo estando fora do governo, foi capaz de realmente
13:26tocar corações e mentes como a alternativa mais viável.
13:30Então, acredito que também agora ele vai conseguir repetir esse sucesso eleitoral.
13:37Claro que, repito, todo detalhe importa, inclusive o percentual de votos que a terceira via
13:45ou os candidatos ou outros terão nesta eleição.
13:49Então, eles certamente serão importantes no eventual segundo turno.
13:52O que o senhor pensa sobre a possibilidade das eleições de 2026?
13:57A gente está falando em possibilidade, mas por uma questão, talvez, para evitar de cometer erros,
14:04mas, assim, é quase que certo que as eleições vão ser polarizadas outra vez.
14:09O que o senhor pensa sobre esse ambiente de polarização?
14:12Isso é saudável para a democracia? Prejudica?
14:16Olha, quando é uma polarização exagerada, porque toda eleição é uma disputa de projetos.
14:21Então, de certa forma, há sempre uma polarização nesse sentido.
14:26Mas, quando ela é algo radicalizado, isso realmente dificulta a formação de consensos no pós-eleição.
14:34Então, a aprovação de matérias mais difíceis, reformas mais importantes,
14:38tudo isso fica mais dificultado quando você tem uma polarização muito exagerada na disputa eleitoral.
14:47E, obviamente, esse cenário não acontece só no Brasil.
14:52Vários países do mundo, inclusive os Estados Unidos da América, que também é uma democracia muito antiga, vivem esse momento.
15:01Então, é claro que nós torcemos para diminuir a radicalização e, cada vez mais, a disputa se baseia em propostas
15:08concretas para melhorar a vida do povo,
15:10e não assuntos secundários que terminam se tornando prioridade na definição do voto.
15:17Então, esse é o ponto que nós desejamos, que nos próximos pleitos a gente tenha uma polarização menos exagerada.
15:28Claro que esse, nesse ano, eu acho que, mais uma vez, nós teremos uma polarização muito grande, muito acirrada,
15:35com esse eleitorado muito calcificado em um dos dois polos e pouca margem de variação,
15:44dado que esse conjunto de eleitores independentes, que não se vinculam a um projeto ou outro, ele é um eleitorado
15:50ainda muito pequeno
15:52e por isso que termina sendo uma eleição muito disputada.
15:56Falando desse levantamento da Atlas Intel de março, eu percebi um dado que me chamou a atenção,
16:01é que o senhor é mais bem avaliado entre um eleitorado um pouquinho mais velho.
16:06Como que o senhor explicaria esse dado? A que se deve isso?
16:09Olha, eu acredito que tanto o eleitorado mais idoso, que conhece melhor o que era o Piauí e o Brasil
16:18antes de 2003,
16:21e passou a sentir as mudanças do projeto do presidente Lula, do ex-governador Wellington,
16:28ele naturalmente tem uma tendência maior a se vincular ao nosso campo político.
16:33No caso também, essa e outras pesquisas demonstram também que no eleitorado mais jovem,
16:39dado o investimento muito grande que fizemos, sobretudo na escola de tempo integral que eu citei,
16:44também é um cenário mais favorável.
16:47E existem algumas faixas etárias intermediárias em que a distância não é tão elevada,
16:53apesar de em todas as faixas há uma distância grande em relação aos nossos adversários.
16:59Mas eu não costumo me basear nas pesquisas para fazer, nesse momento, o dever de casa.
17:07Quem é governo tem que governar até o último momento, priorizando as entregas, priorizando a administração,
17:14até porque a campanha eleitoral só começa efetivamente no dia 16 de agosto.
17:19Então, o nosso foco é muito voltado para as entregas.
17:23É claro que toda pesquisa de avaliação do governo, no nosso caso,
17:27ela é até mais relevante nesse momento do que propriamente as pesquisas eleitorais.
17:32E não deixam de ser importantes a avaliação, sobretudo aquela pesquisa temática.
17:37Então, sobre a área da educação, da saúde, da segurança, isso tudo nos ajuda a aperfeiçoar a gestão.
17:44Então, eu acredito que esse ponto que você perguntou da faixa etária mais elevada
17:50tem muito a ver com essa percepção positiva em relação ao que era antes de 2003 e o que passou
17:57a ser.
17:58A geração mais jovem não tem muitas vezes esse comparativo para fazer de longo prazo.
18:04E como chegar nesse eleitor mais jovem?
18:06Esse é um ponto que facilita a idade, porque é uma questão de você comunicar-se com esse público.
18:15Então, nós temos tido uma, eu diria, uma certa facilidade dessa comunicação
18:21justamente porque temos priorizado muito o público jovem nas nossas ações de governo,
18:27sobretudo na educação, na tecnologia e nas oportunidades geradas a partir do desenvolvimento econômico.
18:36Então, eu acho que é uma linguagem específica.
18:38É um público que já nasceu num outro paradigma de comunicação.
18:44É um outro ponto muito importante, que antigamente você tinha uma concentração da comunicação em poucos veículos.
18:51Agora não, são milhares de veículos porque você tem o advento das redes sociais, da internet.
18:57Então, essa necessidade de você falar das mesmas coisas, mas para públicos distintos em veículos variados.
19:07E isso torna a tarefa do político, do homem público, da mulher, que tem uma função pública também,
19:15todos de se esforçarem mais para conseguirem comunicar nas mais diversas formas e para os mais diversos públicos
19:23o que você está fazendo.
19:25Porque, no fundo, no caso de uma candidatura de governo, de situação que vai ser colocada à prova
19:32numa candidatura à reeleição, o que vai contar é exatamente a avaliação do que você fez
19:38ou o que você deixou de fazer.
19:40Claro que vários outros fatores importam, mas é fundamentalmente isso.
19:44Então, esse exercício diário de comunicação clara para os diversos públicos, nos diversos meios e formatos
19:53é ou pode ser um diferencial importante para cada candidato.
19:57Governador, eu vi que o senhor é bem ativo nas redes sociais.
20:00O senhor acha que a esquerda, como um todo, de forma mais ampla, tem ainda dificuldade nesse campo das redes?
20:06Eu acho que nas redes sociais ainda há uma atuação majoritária dos perfis de direita.
20:14Mas é óbvio que a centro-esquerda e a esquerda foram melhorando ao longo do tempo.
20:19E eu espero que melhorem cada vez mais.
20:22E, repito, os principais protagonistas são os próprios agentes políticos, agentes públicos,
20:28que estão na vida pública, que devem se esforçar cada vez mais para ter uma intensidade maior
20:35no formato mais adequado das redes.
20:38Então, por exemplo, vídeos mais curtos, diretos, com a mensagem central sendo dita no começo da mensagem,
20:45para que você realmente consiga penetrar melhor nesse universo das redes sociais.
20:50E é também a questão do timing.
20:53A velocidade com que você dá as notícias, responde eventuais críticas ou fake news que são colocadas.
21:03Então, esse é um dever de caso, que nós que atuamos nesse campo democrático popular,
21:11mais ligado ao centro, à centro-esquerda e à esquerda, devemos aprofundar para, pelo menos,
21:17igualar a presença e a visibilidade e o engajamento nas redes sociais.
21:23Quais são os motivos que explicam essa defasagem da esquerda em estar nas redes sociais de uma forma mais ativa,
21:29mais efetiva, para falar com o eleitor?
21:31Olha, eu não sei diagnosticar isso com precisão, mas, normalmente, o nosso campo político,
21:37ele aprofunda mais as discussões e termina tendo mais resistência a uma discussão mais superficial.
21:44E, nas redes sociais, normalmente, a discussão é mais superficial.
21:49Então, é um exercício que nós temos que fazer, nós que acreditamos em política pública bem feita,
21:55com debate sério, com aprofundamento da participação popular,
22:00conseguir pegar as principais teses nossas e colocá-las num formato, digamos assim, mais adequado para as redes sociais,
22:10para que a mensagem daquilo que a gente defende, acredita e realmente acha que contribuiu ao longo desses anos
22:18para melhorar a vida do povo seja melhor percebida nesse ambiente das redes sociais.
22:22Então, é muito mais uma questão de formato, de se dedicar ao formato, à velocidade e à intensidade, à frequência,
22:31dessa comunicação frenética das redes sociais.
22:35Então, eu procuro, como você deve ter observado nos nossos perfis nas redes sociais,
22:40a fazer realmente muitas postagens no tempo adequado e com a mensagem curta, direta e fácil de ser absorvida pela
22:51população.
22:52Isso não quer dizer que sejam teses superficiais.
22:55Elas são profundas, mas elas são comunicadas de maneira muito simples, rápida e direta.
23:01Queria mudar um pouco o rumo da nossa conversa para falar especificamente sobre a tua gestão no governo do Piauí.
23:08O senhor tem uma boa aprovação, mas isso, obviamente, não isenta de críticas por parte dos seus adversários políticos.
23:15E uma das críticas mais contundentes feitas ao senhor é sobre as viagens internacionais que o senhor fez durante o
23:23mandato.
23:2316 missões internacionais. O número de países é maior, mas foram 16 missões internacionais.
23:28Quais foram os objetivos dessas agendas?
23:31Bom, eu defendo abertamente as missões internacionais que buscam duas coisas basicamente, Isabela.
23:38Promover o estado do Piauí e o seu potencial para investidores do Brasil e de fora do Brasil,
23:44em áreas como energias renováveis, como agro, como economia digital, como turismo e economia criativa, como mineração.
23:52Para citar cinco áreas que nós temos investimentos efetivos no estado do Piauí, fruto, muitos deles, dessas missões nacionais e
24:02internacionais
24:02que a Invest Piauí, que é a nossa agência de promoção de investimentos, faz um papel semelhante à Apex, em
24:08nível federal, tem promovido.
24:10E a participação do governante, ela gera uma confiabilidade muito maior para esses investidores quando fica clara a posição do
24:19governante
24:19diante daqueles investidores e empreendedores que estão interessados naquelas áreas específicas.
24:26Eu poderia citar diversos exemplos de empresas chinesas que investem em energias renováveis no Piauí, como é o caso da
24:33CGN e da SPIC,
24:35uma que atua em Lagoa do Barro, outra que atua em Brasileira, e foram investimentos que surgiram ou expandiram em
24:44função dessas missões internacionais.
24:46Mas poderia citar diversos outros exemplos na área de energias renováveis com empresas europeias e de outras regiões do mundo.
24:55Na área do agro, o principal atrativo tem sido as missões nacionais.
25:00Então, investidores da região centro-oeste, da região centro-sul, sudeste-sul do país têm descoberto cada vez mais rapidamente
25:08o Cerrado Piauí.
25:11Então, são vários investimentos em usinas de biocombustíveis, em algodoeiras, em frigoríficos, que começam a fase de industrialização do agro
25:21-piauiense.
25:22Então, não apenas a pecuária e a produção de grãos, mas a industrialização.
25:26A área de mineração, veja, o Piauí passou a ser o sexto maior exportador de minério de ferro.
25:32Não estava nem no mapa da mineração anteriormente.
25:34E agora temos investimentos na área da mineração.
25:37No turismo, no ramo de hotelaria, eu poderia citar diversos exemplos.
25:41Então, as missões são muito importantes nessa direção.
25:45E a outra, Isabela, é a cooperação internacional, sobretudo na área de educação e tecnologia.
25:51O Piauí já enviou mais de 300 estudantes e professores para intercâmbios internacionais em seis países,
25:59todos com a porta aberta a partir de uma missão internacional nossa.
26:04Então, China, Singapura, Coreia do Sul, Portugal, Alemanha e Estados Unidos
26:07recebem estudantes piauiense da escola pública, ainda no ensino médio.
26:13Então, é uma cooperação extremamente virtuosa que ajuda a abrir a mente desses jovens
26:19para que eles possam sonhar mais alto, ousar mais e, consequentemente, contribuir para o desenvolvimento do Piauí.
26:26Na área tecnológica, também já fizemos várias missões levando startups piauiense para a Web Summit em Lisboa,
26:34também comitivas empresariais de mais de 100 empresários para a China.
26:38Então, eu considero que tanto no que diz respeito à atração de investimentos para o nosso Estado,
26:44a partir do nosso potencial natural e humano, quanto também à cooperação educacional e tecnológica,
26:50são exemplos exitosos das nossas missões nacionais e internacionais.
26:55E defendo com muita convicção esse papel do governante na difusão do potencial do Estado
27:04para atrair investimentos que geram emprego e renda para o povo
27:07e também melhorar a qualidade e a qualificação educacional e tecnológica do nosso povo.
27:14Em quais países o senhor esteve?
27:16Olha, então, posso dizer que quase todos.
27:18Então, na América do Norte, basicamente, os Estados Unidos, algumas vezes.
27:22Na Europa, nós fomos a Portugal algumas vezes.
27:25Inclusive, nós temos um escritório da Invest Piauí, que, na verdade, é um executivo
27:29que faz conversas preliminares com os investidores nos Estados Unidos, em Portugal e na China.
27:35Então, certamente, esses três países foram os que nós fomos com mais frequência.
27:39Mas também Espanha, França, Alemanha, Inglaterra, Coreia do Sul, Japão, Singapura, Índia e Austrália
27:46são exemplos de missões que nós fizemos, inclusive com eventos do Invest Piauí Day,
27:52que nós promovemos, reunindo, junto com a Embaixada Brasileira, nesses países ou consulados,
27:58investidores desses países para uma apresentação do Piauí.
28:01Governador, uma outra crítica que é feita à sua gestão
28:05parte de prefeitos do Piauí que reclamaram já de uma dificuldade no repasse de verbas
28:11ou de ter agendas com o senhor.
28:13Inclusive, uma dessas críticas foi feita por um prefeito que também é do PT,
28:18que é Raimundo Coelho, de Capitão Gervásio Oliveira.
28:21O que o senhor tem a dizer sobre essas críticas dos prefeitos
28:25sobre essa questão do repasse de verbas?
28:28Eu não tenho conhecimento nem dessa crítica que você está falando.
28:31Uma surpresa para mim, pelo contrário, as verbas obrigatórias
28:35elas são comumente repassadas e nós temos feito maior transferência de recursos,
28:40na verdade, execução de obras nos 224 municípios simultaneamente.
28:44Então, essa crítica não chegou a mim desse prefeito e nem de nenhum outro.
28:49Não tenho conhecimento de nenhum prefeito que fez uma crítica relativa a isso,
28:54relativa a repasse de verbas ou de obras.
28:57Da parte do PT do Piauí, existe alguma proibição, alguma questão mesmo que informal
29:02sobre o recebimento de emendas que venham de parlamentares da oposição?
29:06Veja, nós não podemos negar nenhum recurso.
29:09Com certeza, não há nenhum veto em relação a isso.
29:12O que nós defendemos é que, do ponto de vista eleitoral,
29:16quando se começar a discussão eleitoral,
29:19que cada líder político, a partir do seu próprio convencimento,
29:23entenda a importância da eleição do presidente Lula
29:27e dos parlamentares que irão dar sustentação ao governo do presidente Lula.
29:31Recentemente, governador, a Veja fez uma reportagem sobre o êxito das políticas de segurança pública do Piauí.
29:39A gente até conversou com o Chico Lucas, que foi para a pasta da justiça recentemente.
29:45O que o senhor acha que o governo federal ainda precisa mostrar para o brasileiro
29:49nesse tema da segurança pública?
29:51Primeiro dizer, Isabela, que nós ficamos muito felizes com a nomeação do Chico Lucas
29:57como secretário nacional de segurança pública.
30:00A partir, obviamente, da competência e do talento dele
30:03e da experiência exitosa que nós tivemos no estado do Piauí
30:07na redução dos indicadores de violência.
30:11Então, o Piauí reduziu o índice de homicídios em mais de 30%, como eu já falei,
30:16o índice de roubos e furtos celulares em mais de 70%, e usando muito duas palavrinhas-chave,
30:22integração e inteligência.
30:25Muito investimento em inteligência e integração das forças de segurança entre si e delas
30:31com o Ministério Público, poder judiciário, forças federais, forças municipais,
30:36para garantir a efetividade na política pública de segurança.
30:39e isso com a polícia menos violenta do Brasil.
30:43Você tem uma ideia?
30:44No ano de 2025 inteiro, nós tivemos no Piauí 20 mortes por intervenção policial.
30:5020 no ano inteiro.
30:52O que demonstra que é uma polícia que trabalha com inteligência e com integração
30:56muito mais do que com a força.
30:58Claro que a força tem que ser usada quando necessária
31:02e por isso que nós estamos investindo cada vez mais em robustecer os equipamentos
31:07que são usados pelas nossas forças de segurança.
31:10No caso federal, o grande papel da União é coordenar as ações e colocar mais dinheiro,
31:17porque a União é quem detém 65% do bolo tributário nacional.
31:22Por isso que nós defendemos a PEC da Segurança Pública, que já foi aprovada na Câmara,
31:27para ela institucionalizar, ou melhor, constitucionalizar o Fundo de Segurança Pública
31:32e o Sistema Único de Segurança Pública,
31:34para acontecer algo semelhante ao que aconteceu na educação e na saúde.
31:38Em função do Fundeb e do SUS, nós temos aumentado, ano após ano,
31:43os recursos da União para a política de saúde e educação.
31:46O mesmo desejamos para a segurança.
31:49E a PEC prevê um aumento do Fundo de Segurança de 2 bi para 8 bi,
31:53para exatamente a União ajudar mais os Estados com equipamentos,
31:58com investimentos para as forças de segurança.
32:00E o segundo papel é essa coordenação.
32:03Então, não é à toa que o secretário nacional, Chico Lucas,
32:06foi referendado, foi apoiado pelo Conselho dos 27 Secretários de Segurança Pública do país,
32:12dado o bom relacionamento que ele tem e para ele ser um facilitador
32:18nesse trabalho de coordenação.
32:20E ele tem feito muito bem, com apenas quase dois meses,
32:24pouco mais de um mês e meio.
32:26Como gestor da pasta, ele já tem contribuído muito
32:30para aprovar o PL Antifacção, que foi sancionado pelo presidente Lula,
32:34aprovar a PEC da Segurança Pública na Câmara, falta o Senado,
32:37para fazer operações conjuntas em massa nos Estados,
32:41para combater feminicídio, para combater o crime organizado, sobretudo.
32:44Então, eu acho que o Chico tem contribuído.
32:48E defendo que o presidente e o ministro, os ministros em geral do nosso campo político,
32:56abracem cada vez mais essa pauta.
32:58Porque é a pauta prioritária do povo.
33:00E a União, fazendo isso, coordenação e recursos,
33:04ela pode se engajar cada vez mais nessa pauta
33:07e ajudar cada vez mais o Brasil a superar, sobretudo, o crime organizado.
33:12A experiência também da Operação Carbono Oculto,
33:16ainda no ano passado, também é um exemplo concreto
33:18de como a União pode ajudar a sufocar o crime organizado,
33:23sobretudo no andar de cima.
33:24Com operações conjuntas, com o Receita Federal,
33:28com o Ministério Público Federal,
33:30com as receitas estaduais,
33:32porque o crime organizado, ele se financia,
33:36não apenas com o tráfico de drogas,
33:38mas também com outras atividades aparentemente ilícitas.
33:42Por isso que esse trabalho de inteligência,
33:45sobretudo de monitoramento do dinheiro utilizado por essas organizações,
33:49é fundamental.
33:50E quem tem mais condição de fazer isso?
33:52A União.
33:53Que tem mais instrumentos para coordenar essa investigação mais qualificada
34:01interestadual e transnacional
34:02para combater o andar de cima do crime organizado.
34:06Como conciliar a defesa de direitos humanos,
34:09que é uma das bandeiras mais fortes do PT
34:11e da esquerda de forma geral,
34:13com o combate forte à criminalidade
34:15que a gente tem visto que é, se não a principal,
34:19uma das maiores preocupações dos eleitores?
34:21Modéstia à parte, um bom exemplo é o estado do Piauí.
34:24Como eu lhe disse,
34:25nós temos reduzido substancialmente todos os tipos de crime,
34:29alguns de maneira sensacional,
34:32eu diria, o crime de roubo de celular,
34:34mais de 75% de redução na capital,
34:38sem ter uma polícia violenta,
34:40sem ter uma polícia que desrespeite os direitos humanos com frequência.
34:45Pode até acontecer um caso ou outro,
34:47e aí você tem que, obviamente, tratar conforme a lei.
34:51Mas, do ponto de vista geral, da média,
34:55nós temos no Piauí um exemplo concreto de combate firme à criminalidade.
35:01Nós costumamos dizer no Piauí que bandido bom é bandido preso,
35:05diferente do que a extrema-direita coloca,
35:08que bandido bom é bandido morto.
35:10Para nós, bandido bom é bandido preso.
35:12Então, temos uma dureza no sentido, realmente,
35:15de prender aqueles que cometem crime
35:18e de lutar para que eles permaneçam presos,
35:21com boa instrução processual,
35:23para garantir que nós não tenhamos derrotas
35:26no processo judicial de condenação desses criminosos.
35:30E, ao mesmo tempo, temos uma polícia
35:32a menos violenta do Brasil,
35:34medida por um indicador.
35:36Mortes por intervenção policial.
35:38Esse é um indicador que é divulgado no Anuário de Segurança Pública,
35:40o Ministério da Justiça também o faz.
35:43Então, é perfeitamente possível conciliar,
35:46e lá no Piauí,
35:48governado por um governador do Partido dos Trabalhadores,
35:51que tem essa visão favorável aos direitos humanos,
35:55a afirmação dos direitos,
35:56mas que coloca como prioridade a segurança pública,
36:00até porque quem mais sofre com a violência
36:02é a população mais pobre.
36:04Justamente é que nós priorizamos na nossa gestão.
36:07Então, falar de segurança pública,
36:10atuar na segurança pública,
36:11é beneficiar, sobretudo,
36:14os mais pobres, os que mais precisam.
36:15O senhor é um governador de esquerda,
36:18tem tido bons resultados na área da segurança,
36:21mas essa, infelizmente, não é a realidade de outros estados
36:24que compartilham da mesma posição ideológica.
36:28vi de, por exemplo, Bahia, Ceará,
36:30que tem, por exemplo,
36:31uma taxa de letalidade policial altíssima.
36:34Por que a esquerda tem dificuldade
36:36de lidar com essa questão da segurança?
36:38Olha, eu não vou comentar um caso específico,
36:41mas eu tenho certeza que meus colegas governadores
36:44estão fazendo um esforço tremendo
36:46para alcançar a redução substancial
36:48de indicadores de violência nos seus estados.
36:51Então, eu realmente posso falar mais do governo do Piauí,
36:56porque eu realmente acho que nós conseguimos conciliar
36:59as duas visões.
37:01A visão do combate duro, firme, forte ao crime,
37:05sobretudo o crime organizado, as facções criminosas,
37:09sem perder de vista esse tema dos direitos humanos
37:14e da não violência policial.
37:17Então, eu acho que esse nosso exemplo é exitoso
37:21e espero que esse exemplo se espalhe cada vez mais
37:25no Brasil inteiro, porque realmente é algo possível de ser feito.
37:32Então, cada estado tem a sua dor específica,
37:37a sua dificuldade específica, não cabe aqui a mim comentar,
37:42mas eu acho sim que é possível nós conciliarmos as duas visões
37:46e um grande exemplo é o nosso, do Piauí.
37:49As pesquisas eleitorais têm mostrado um crescimento
37:52de Flávio Bolsonaro nas pesquisas
37:54desde que ele anunciou a pré-candidatura no final do ano passado.
37:57Enquanto isso, o presidente Lula, de uma forma generalizada,
38:01considerando a média de todas as pesquisas que têm saído,
38:05tem ficado, de certa forma, estagnado,
38:08talvez por conta, vários analistas falam,
38:11por conta da desaprovação que coloca um teto.
38:16Qual é a visão do senhor sobre essa conjuntura
38:19do crescimento do Flávio versus uma estagnação
38:23do presidente Lula a nível nacional?
38:25Olha, primeiro eu acho que esse crescimento do Flávio
38:28nada mais é do que uma aglutinação deste eleitorado
38:33de direita, extrema-direita, em torno do nome dele,
38:36em detrimento aos outros candidatos ou pré-candidatos
38:39que temos ou que tínhamos disponíveis para a opção da população.
38:46Então, houve uma concentração em função da polarização.
38:50E se você comparar com o resultado eleitoral de 2022,
38:55nós estamos, basicamente, no mesmo cenário.
38:58Um empate técnico entre os dois candidatos
39:01na projeção de segundo turno.
39:03Há três ou quatro pesquisas que já apresentaram esse cenário.
39:07Então, muito provavelmente, é um cenário real.
39:10Então, há um cenário de polarização muito semelhante a 2022 e, novamente,
39:16esse perfil de centro e independente vai decidir a eleição.
39:22Então, cabe a nós, o nosso campo político,
39:25conversar mais, de maneira mais direta, com este público específico
39:30para demonstrar, assim como conseguimos demonstrar em 2022,
39:36que representamos a melhor opção dentro dessa frente ampla.
39:41Veja que o vice-presidente, e eu defendo que mantenha Geraldo Alckmin,
39:46era um adversário do nosso campo político.
39:49Então, colocar o ministro e vice-presidente Geraldo Alckmin na vice
39:53é uma demonstração clara de que o presidente Lula,
39:57que é governar para públicos mais heterogêneos
40:02do que apenas o grupo mais diretamente ligado ao lulismo, ao petismo.
40:08Então, essa é uma demonstração clara de reconhecimento
40:10que nós temos que nos unir a outras forças políticas,
40:14mais ao centro e até mesmo à centro-direita,
40:17para garantir que o nosso time represente a maioria da população.
40:21e, justamente por causa disso, conseguir vencer as eleições com a maioria dos votos.
40:27Então, eu acho que o cenário hoje é isso
40:29e cabe a nós aumentar este diálogo com este público do centro,
40:35mais independente, os micro e pequenos empreendedores,
40:40os cristãos mais atuantes, esse tema da segurança pública.
40:45Então, são exemplos de temas que nós temos muito serviço prestado,
40:51mas, às vezes, não é bem comunicado, não é priorizado na agenda do dia a dia.
40:57E, a meu ver, deve ser priorizado cada vez mais,
41:00até porque são segmentos muito importantes da sociedade
41:03e que merecem toda a nossa atenção.
41:05Quais deveriam ser, na sua avaliação, as três ou quatro principais bandeiras
41:11que a esquerda deveria levar para as urnas nas eleições de outubro?
41:15Olha, sem dúvida, o tema da segurança pública é uma pauta que nós devemos abraçar cada vez mais,
41:21assim como eu tenho feito no estado do Piauí.
41:24Eu acho que a temática da educação é realmente algo muito importante,
41:28porque o presidente Lula, nos seus três mandatos, tem grandes conquistas nessa área
41:32em dar escala ao acesso e à qualidade do ensino público,
41:38desde a creche até o ensino superior.
41:42Essa temática sempre deve estar presente e sempre vai estar presente,
41:46porque está no coração do presidente Lula.
41:48Ele que não teve as oportunidades de educação
41:51que a classe média e a classe alta desse país sempre tiveram.
41:57E ele, portanto, é o presidente que, sem dúvida, mais contribuiu
42:01para o acesso e a qualidade da educação pública em todos os níveis de ensino, em todos os níveis de
42:06ensino.
42:07Tem outra temática que eu acho muito importante.
42:10O tema dos empreendedores, micro, pequenos, médios e grandes,
42:15eu acho que essa é uma temática muito relevante.
42:18Nós que defendemos o pleno emprego e estamos no melhor índice de emprego da história.
42:24Então, continuar dialogando bem com a classe empreendedora.
42:29E aí eu estou envolvendo desde o micro até o grande.
42:32Então, todos têm contribuição a dar ao país.
42:35E é um segmento, micro e pequenos, cada vez mais relevante dentro do contexto social.
42:43E também apresentar os valores.
42:45Os valores do presidente Lula em defesa da vida, em defesa da ciência.
42:50Os valores cristãos, da fé cristã, os valores da família.
42:53Isso tudo é muito importante que o nosso campo apresente de maneira clara
42:59para evitar exatamente uma interpretação deturpada dessa questão no pleito eleitoral.
43:07Então, todos são temas que eu considero muito importantes, sobretudo para o momento atual.
43:13A gente mencionou durante a nossa conversa programas, por exemplo, para solucionar furtos de celular.
43:21O Piauí tinha o meu celular de volta, que inspirou o meu celular seguro.
43:25E também quando a gente fala de programas de combate à fome,
43:30o Piauí, há 20 anos atrás, teve um papel crucial na estruturação do Fome Zero
43:36e de programas para tentar nivelar um pouco a desigualdade social.
43:40Que outros programas do Piauí o senhor acredita que poderiam ser replicados a nível nacional?
43:47Olha, nós temos uma experiência muito boa na área da saúde, na plataforma Piauí Saúde Digital.
43:51Eu considero esse um case de absoluto sucesso.
43:54E que já cinco estados já caminharam na mesma direção,
43:59alguns dos quais contratando até a nossa própria empresa de tecnologia do estado do Piauí.
44:05Empresa pública de tecnologia da informação.
44:07Então, eu considero isso muito relevante.
44:08Você tem uma ideia? O Brasil, o Piauí, tem 3 milhões e 300 mil habitantes.
44:14E em um ano, nós fizemos 1 milhão e 200 mil procedimentos.
44:19Então, em dois anos, nós vamos superar 2 milhões e meio de procedimentos
44:24numa população de 3 milhões e 300 mil habitantes.
44:26Então, é algo que tem escala, tem qualidade e resolve um problema muito importante da população,
44:31que é o acesso ao médico especialista.
44:34A fase do médico generalista, com os programas Saúde da Família, nós conseguimos quase universalizar.
44:40No Brasil e no Piauí também.
44:42Agora, o médico especialista passou a ser a grande demanda.
44:45Então, eu acho que esse é um programa que, certamente, pode ser exportado à metodologia
44:52ou à própria prestação de serviço para todos os estados brasileiros.
44:56Então, na área da saúde, eu colocaria isso.
44:58Outro que não é um projeto específico, mas é uma tese que foi uma decisão política nossa,
45:02a universalização das escolas de tempo integral com educação profissional e técnica.
45:07Ou seja, todos os estudantes, todas as escolas estudando 9 horas por dia e fazendo um curso técnico.
45:14Então, eu acho que essa é uma tendência que pode ser acelerada nos demais estados.
45:18Se o Piauí, que não tem uma receita, uma arrecadação grande, muito pelo contrário, conseguiu fazê-lo,
45:25é perfeitamente possível que os demais estados da federação também consigam universalizar o tempo integral.
45:32Para mim, é a grande pedra de toque para transformar o Brasil a partir da educação de qualidade.
45:39Então, esse é um ponto fundamental.
45:41E na área da tecnologia, eu tenho várias ferramentas que nós temos disponibilizado
45:46que também podem ser, digamos assim, causar algum impacto positivo
45:51na melhoria dos serviços públicos em outras áreas do Brasil.
45:55Então, nós estamos lançando agora, no dia 29 de abril, a versão comercial do nosso LLM,
46:00da nossa inteligência artificial em português estatal, que é o Soberania,
46:05que vai ter uma série de aplicações que vão ser úteis para os estados.
46:09Um exemplo, o BO Fácil, que também já é estado na época do Chico Lucas como secretário do Piauí,
46:18que você pode fazer o boletim de ocorrência, de qualquer ocorrência de violência,
46:22pelo WhatsApp a partir de um assistente de IA.
46:25Isso facilita a comunicação do cidadão com a polícia e gera respostas mais rápidas.
46:30Então, tem sido realmente algo muito importante para a política de segurança pública.
46:35Esse é um dos exemplos.
46:37Poderia citar outro, o Piauí Oportunidades, que gera, digamos assim,
46:41o link entre vagas de emprego e pessoas que estão procurando emprego
46:45e até a qualificação delas para aproveitar essas vagas.
46:49Então, são exemplos de aplicações fruto da grande transformação digital que nós fizemos
46:54ao longo desses três anos, nos inspirando no melhor, nos melhores modelos
46:59que nós temos no mundo de transformação digital em governo.
47:03Há uma verdadeira avenida, Isabela, em termos de inovação no setor público.
47:08E, às vezes, a gente vê muito distante o poder público das startups e da academia.
47:13Na hora que você junta esse trio, tem como fazer muita coisa inovadora
47:20para ter mais eficiência e mais qualidade na prestação do serviço público.
47:25Governador, muito obrigada pela entrevista.
47:28Eu que agradeço, Isabela. Um prazer aqui estar com vocês.
47:31E mandar um abraço aí a todo o povo que está nos assistindo.
47:33Nós estivemos com o governador do Piauí, Rafael Fonteles.
47:37Acompanhe essa e outras entrevistas aqui no Veja Mais.
47:41Até a próxima.
47:43E aí
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