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  • há 23 horas
No Ponto de Vista, Marcela Rahal entrevista o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, após a derrota histórica do governo no Senado com a rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF.

Na conversa, o senador revela bastidores da articulação da oposição, fala sobre reuniões com parlamentares e afirma que o resultado representa um ponto de inflexão na relação entre Congresso, Executivo e Judiciário. Flávio também critica a atuação do governo Lula e do Supremo, além de avaliar os impactos políticos e eleitorais da derrota.

A entrevista ainda aborda o PL da dosimetria, em votação no Congresso, que pode beneficiar condenados pelos atos de 8 de janeiro, e a estratégia da oposição para derrubar o veto presidencial.

O episódio traz uma leitura direta do momento político em Brasília, com foco nas disputas de poder e nos reflexos para o cenário eleitoral.

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Transcrição
00:00Agora sim, a gente está em contato com o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência da República.
00:05Senador, um prazer receber o senhor aqui no Ponto de Vista, seja muito bem-vindo, bom dia.
00:11Bom dia, bom dia Marcela, bom dia a todos que nos assistem aí, grande honra estar com vocês aqui mais
00:15uma vez.
00:16Senador, antes da gente falar sobre o PL da dosimetria que está sendo analisado agora nessa sessão no Senado,
00:21quero retomar a pauta de ontem porque o governo sofreu uma derrota histórica com a rejeição do nome de Jorge
00:27Messias para a vaga do STF.
00:29Queria saber do senhor como que a oposição viu esse resultado, se esse placar do jeito que foi era esperado
00:36e qual que foi também o trabalho que foi feito de bastidor para que esse resultado fosse alcançado.
00:45Olha, Marcelo, ontem eu cheguei a dizer aí que não tinha pedido votos e tal, mas foi muito mais uma
00:49postura minha de,
00:51como nós fomos vitoriosos ontem, não ficar tripudiando em cima do indicado que não foi aprovado.
00:58Mas obviamente que houve uma grande articulação da nossa parte, algumas reuniões, conversas um a um,
01:07e eu acho que o ponto chave foi uma reunião que nós fizemos no nosso bloco, na terça-feira pela
01:14manhã,
01:14onde eu fiz ali um apelo para 30 senadores, da importância que o Senado tinha naquele momento a oportunidade
01:24de tentar resgatar um pouquinho da sua credibilidade, para não passar a imagem de tanta submissão,
01:30seja ao poder executivo, seja ao poder judiciário.
01:34O Lula já tinha indicado dois amigos dele para o Supremo, e aquilo estava virando uma corte de compadres do
01:40Lula,
01:41que pessoas que estão se posicionando, como vem mostrando o tempo, Marcelo,
01:45se posicionando, olhando capa de processo, tomando decisões para prejudicar aqueles adversários do atual governo Lula,
01:54tomando posições a pedido do presidente Lula, e às vezes até atropelando,
01:59desfazendo atos aprovados aqui nos plenários da Câmara e do Senado.
02:04Eu pude esplanar também para esse grupo de 30 senadores,
02:07que o limite, o Supremo estava sem limite ali, algumas pessoas no Supremo,
02:14continuavam agindo com muito excesso, e sem pudor nenhum à luz do dia,
02:18mesmo com tantas denúncias de corrupção, Banco Master, continuavam fazendo esse avanço
02:25sobre o Legislativo, sobre o Parlamento, ignorando o artigo 53 da Constituição,
02:30que trata da imunidade parlamentar para falar.
02:34As suas opiniões, palavras e votos são insuscetíveis de uma ação penal,
02:38ou de ação cível, como está escrito na Constituição, nesse artigo 53,
02:43e a gente está percebendo que não há limite, não param.
02:45Fica a sensação de que quem quer escolher o próximo presidente do Brasil,
02:49o governador de um Estado, o senador que pode concorrer, o deputado que pode concorrer,
02:52não é mais o povo, é um ou dois ministros ali no Supremo Tribunal Federal.
02:56E todo esse contexto também de o governo Lula maltratar muito o Congresso Nacional,
03:01não a gente, a gente é oposição, mas a própria base dele,
03:05alguém que nem tem telefone celular, alguém que é completamente analógico,
03:10que parou no tempo, uma pessoa com ideias atrasadas,
03:13e acha que o parlamento, Marcela, ainda é aquele lá de 2003, 2004,
03:17quando ele achava que podia comprar com mensal, como ele fez.
03:21E os tempos mudaram, foi um momento aqui que o Congresso entendeu
03:25que é um ponto de inflexão no nosso país,
03:30em função de todo esse contexto, com relação ao Executivo,
03:33com relação também ao STF, e pelo que eu fiz de, enfim,
03:39seria uma vitória, seria um marco muito importante
03:43para decretar o fim do governo Lula, que na prática é isso que aconteceu,
03:47a rejeição do nome indicado ao Supremo, é o fim do governo Lula,
03:52há um clima aqui de fim de festa, atravessando aqui a Praça dos Três Poderes,
03:57ali no Palácio do Planalto, aqui no Senado Federal,
04:00e isso eu acho que é bom para o país, porque o Congresso tem que resgatar
04:04a sua independência, pautar projetos aqui que sejam importantes de fato
04:08para a população, e não ficar sempre reagindo, correndo atrás do rabo aqui,
04:13e fazendo o que, sendo um carimbador das medidas
04:16que têm sido encaminhadas pelo Poder Executivo,
04:19que estão levando o Brasil para esse grande buraco que nós estamos agora.
04:22Senador, do ponto de vista eleitoral, como que a oposição pretende explorar
04:26essa derrota do nome de Jorge Messias?
04:30Olha, Marcelo, eu não sei se o verbo é explorar,
04:33eu acho que há uma consequência natural,
04:35porque isso deixa escancarada a falta de articulação política
04:38do atual governo, eu digo que esse Congresso atual
04:42era para um presidente como Jair Messias Bolsonaro,
04:45um Congresso mais de centro à direita,
04:47então o Lula tem que fazer um esforço danado
04:49para tentar conseguir votos aqui, e sempre de forma artificial,
04:53de forma ocasional, dependendo de qual é a pauta,
04:57ele consegue ter um placar um pouquinho melhor em algumas situações,
05:02em grande parte delas não.
05:04Esse governo foi o que mais teve vetos derrubados pelo Congresso Nacional,
05:07e hoje, se Deus quiser, vai ter mais um veto derrubado,
05:10que é sobre o projeto, esse projeto da dosimetria,
05:14que foi construído, a suspeita, Marcelo,
05:17é que ele tenha sido redigido pelo próprio Alexandre de Moraes,
05:19já que o relator aqui sofreu a pressão dele diretamente,
05:22o que podia e o que não podia estar no texto desse projeto de lei de anistia
05:26que nós queríamos, por isso chegou-se a essa redação agora
05:30dessa dita dosimetria,
05:34o próprio presidente Bolsonaro falou para a gente,
05:36olha, Flávio, você pode comunicar à nossa base lá no Congresso
05:40que eu sei que esse projeto de lei, se aprovado,
05:43não vai me atingir, não vai me beneficiar,
05:45mas vai beneficiar 99% das pessoas que estão sendo perseguidas
05:50por ocasião do 8 de janeiro, como eu também estou sendo,
05:53então eu já vou ficar um pouco feliz, pelo menos,
05:56se o Congresso conseguir dar esse presente para a nação brasileira,
06:00e coincidentemente eu estou aqui trabalhando bastante
06:04para que esse veto seja derrubado,
06:06e vai ser uma espécie de presente de aniversário para mim,
06:07já que eu estou completando 45 anos hoje.
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