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  • há 23 horas
A ex-ministra do Planejamento Simone Tebet afirmou que o governo precisa mudar a forma de dialogar com a população diante do descompasso entre indicadores econômicos e a percepção dos brasileiros. Em entrevista ao programa Amarelas On Air, de VEJA, a pré-candidata ao Senado pelo PSB foi direta: “precisamos rever a comunicação”.

Segundo Tebet, apesar de avanços em áreas como emprego, renda e crescimento, esses resultados não têm sido plenamente absorvidos pela sociedade. A ex-ministra atribui parte dessa desconexão ao cenário de endividamento elevado das famílias, que impacta diretamente a avaliação sobre a economia.

Ao explicar esse diagnóstico, ela detalhou os fatores que, na sua visão, ajudam a distorcer a percepção da população. Tebet citou o aumento do consumo impulsivo, sobretudo após a pandemia, e o acesso facilitado ao crédito, que levaram muitos brasileiros ao endividamento, além do impacto das apostas online nesse cenário.

A pré-candidata ao Senado reconheceu que há falhas na forma de comunicar os resultados econômicos. “Há que se fazer o mea-culpa da falta de uma comunicação mais assertiva, de conseguir se comunicar com o jovem nas redes sociais, com o trabalhador nas redes sociais daquilo que nós estamos fazendo”, afirmou.

Ela completou: “acho que a gente precisa rever a comunicação”. Para Tebet, o problema não se limita à estratégia institucional do governo, mas envolve toda a classe política. “Não é a governamental, é nossa enquanto políticos”, disse.

Na avaliação da ex-ministra, as redes sociais ainda são um desafio para a política tradicional. Embora sejam ferramentas centrais no debate público, ela considera que ainda há dificuldade em utilizá-las para explicar políticas públicas de forma clara e eficaz.

Tebet também ressaltou que a percepção negativa não decorre apenas de falhas de comunicação, mas da realidade concreta das famílias. Segundo ela, o endividamento recorde faz com que muitos brasileiros não sintam melhora, mesmo diante de indicadores positivos.

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Transcrição
00:00Por que a população não absorve esses resultados positivos na economia?
00:04Porque tem também resultados positivos, a senhora citou alguns dados importantes aí.
00:08Por que a população não absorve isso e isso não se transfere para a intenção de voto, por exemplo, nas
00:14pesquisas?
00:15Além da rejeição, alguns acham que é cansaço, a rejeição, a polarização,
00:20eu acredito que tem fortemente o fator econômico no sentido da população estar mais endividada.
00:26A população se endividou, ao meu ver, por duas razões.
00:30Nós somos seres humanos, é natural a gente querer cada vez mais ter.
00:35Ainda mais quando a gente não tem o básico, quanto mais o supérfluo.
00:41E depois da pandemia, a gente passou a consumir pelo e-commerce.
00:45A gente passou a consumir não indo na loja física, mas por aí.
00:48Entre querer e ir à loja física, quantas vezes a gente não desistiu porque falou,
00:53isso é um impulso, eu não tenho dinheiro para comprar um sapato novo ou deixar para o mês que vem.
00:57Agora aqui não, é automático.
01:00Então a gente acabou, a gente acaba consumindo mais.
01:04Então a gente acabou se endividando, de novo, porque faz parte da nossa essência querer ter as coisas.
01:12A gente tem mais a que sonhar e querer mesmo.
01:13Então a falta de educação financeira, que é um papel do Estado, de equilibrar, olha, tem débitos e débitos.
01:22Tem dívidas boas e dívidas ruins.
01:24Muitas vezes comprar uma camiseta ou uma blusa se eu não estou precisando pode ser uma dívida ruim.
01:29O não é ruim, por exemplo, é eu me financiar para ter uma casa própria, porque isso é um bem
01:34durável.
01:35Com juros, inclusive, normalmente, eles são juros bem menores, mas entrar no cartão de crédito rotativo é um perigo.
01:42Então conseguir equilibrar isso, aliado a algo que eu acho que é absolutamente pernicioso para a sociedade,
01:50a gente não estava pronto para isso, que é a legalização dos jogos online de bets,
01:56gerou e está gerando um endividamento grande.
01:58Então há uma insatisfação da população.
02:00Pô, eu estou devendo. Como que a vida melhorou se eu estou devendo?
02:04Mas quando a gente olha os números, a inflação dos alimentos, por mais que um produto ou outro tenha subido
02:09acima da inflação,
02:11na média, ela está abaixo da inflação.
02:14A inflação dos alimentos, na média, ela cresceu abaixo da inflação oficial.
02:22E as pessoas não se apercebem disso. Por quê?
02:25Porque nós estamos com um endividamento recorde.
02:27Eu acho que trabalhar isso com um programa, não só o Desenrola 2.0 que está vindo aí,
02:33mas um Desenrola 2.0 que fala, eu vou te garantir que você pague a sua dívida,
02:38mas daqui para frente eu vou colocar regras para que esse crédito não venha assim de forma tão desenfreado.
02:46Porque o problema não é a oferta do crédito também.
02:48O problema é a oferta do crédito ruim.
02:50É oferecer uma linha de crédito como rotativo do cartão de crédito,
02:5730% de juros ao mês, 25% de juros ao mês.
03:01E aí quebra qualquer um.
03:02Então eu acho que é um pouco isso.
03:04A insatisfação vem do endividamento.
03:07Talvez é a que se fazia o meia-culpa da falta de uma comunicação mais assertiva,
03:12de conseguir se comunicar com jovem nas redes sociais, com trabalhador nas redes sociais,
03:17daquilo que nós estamos fazendo.
03:19Acho que a gente precisa rever a comunicação nossa, e não é a governamental,
03:26é a nossa enquanto políticos que fizemos parte do governo.
03:30Eu acho que é um conjunto de situações, Marcela.
03:33Para isso existe a eleição, para isso existe o período eleitoral.
03:37Eu não acho que a pesquisa vai mudar muito.
03:40Ela vai, até o processo eleitoral, ela vai ficar muito nisso.
03:44E aí a partir daí começa o jogo.
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