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China tenta assumir protagonismo global em meio à escalada de tensões no Oriente Médio. No programa Mercado, da revista VEJA, a apresentadora Veruska Donato analisa, com o economista Ricardo Rocha, o papel de Xi Jinping como articulador internacional diante do conflito envolvendo Estados Unidos, Irã e aliados.

Enquanto Donald Trump endurece o discurso e aumenta a pressão geopolítica, a China surge com uma proposta de paz e se posiciona como mediadora global. “A China precisa ter esse papel, não pode colocar gasolina na fogueira”, afirma Ricardo Rocha.

O comentário explica os interesses estratégicos por trás dessa postura, especialmente o impacto do conflito no fluxo global de petróleo. “De 20% a 30% do petróleo mundial passa pelo Estreito de Ormuz”, destaca.

A análise também aborda a movimentação da Rússia, o alinhamento com o Irã e a disputa por influência global em um cenário de tensão crescente e interesses econômicos cruzados.

O programa Mercado é apresentado por Veruska Donato e integra a programação da revista VEJA, com análises sobre economia, política internacional e os principais temas do mundo.

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Transcrição
00:00Vou continuar aqui, mas dessa vez falando sobre guerra.
00:03O presidente da China, Xi Jinping, vem se apresentando como um estadista,
00:08um líder preocupado com as nações e um articulador para o fim da guerra no Oriente Médio.
00:13Ele divulgou ontem uma proposta de quatro pontos para tentar promover a paz e a estabilidade na região.
00:20O projeto foi anunciado durante uma reunião no Grande Salão do Povo em Pequim com o príncipe herdeiro de Abu
00:26Dhabi.
00:26Xi Jinping afirmou que a China vai assumir um papel construtivo nas negociações de paz.
00:32O plano defende a construção de uma estrutura de segurança comum e cooperativa para a região.
00:38O ministro das Relações Exteriores da China condenou ontem o bloqueio dos Estados Unidos aos portos iranianos no Estreito de
00:46Hormuz
00:47e classifica o ato de Donald Trump como perigoso e irresponsável.
00:53A China aí mostrando a que veio.
00:56E seguindo em reuniões estratégicas, Xi Jinping também se encontrou com o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, ontem.
01:07Durante a reunião, os líderes prometeram salvaguardar a paz e o desenvolvimento global.
01:13Pedro Sánchez declarou que a China é um mediador indispensável para a estabilidade global
01:19e enfatizou que a transição para uma ordem multipolar exige um papel maior de Pequim na resolução de conflitos,
01:30principalmente na escalada das tensões entre os Estados Unidos e o Irã sobre o Estreito de Hormuz.
01:36Agora, a Rússia entrou também no circuito porque o ministro das Relações Exteriores da Rússia,
01:43Sergei Lavrov, chegou em Pequim hoje de madrugada para o encontro, madrugada do Brasil, tá?
01:50Para o encontro com o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi.
01:54Essa será a quarta reunião entre autoridades do alto escalão dos países em menos de quatro meses.
02:00Os chanceleres devem discutir assuntos internacionais e regionais de interesse dos países.
02:05Entre os temas que devem entrar na pauta estão a situação no Oriente Médio,
02:09com o bloqueio do Estreito de Hormuz e a coordenação no cenário internacional com ênfase em plataformas multilaterais
02:17como o BRICS, a Organização de Cooperação de Xangai e a Cooperação Econômica Ásia-Pacífico.
02:23Eu volto com o professor Ricardo Rocha para a gente falar um pouquinho mais,
02:29porque enquanto o Donald Trump esbraveja, grita, bota o mundo de joelhos com medo dessa guerra
02:36e das consequências dessa guerra para as economias mundiais,
02:39Xi Jinping vai aparecendo como o grande líder conciliador, né professor?
02:44A China precisa ter esse papel, não adianta você botar gasolina na fogueira,
02:52porque aí você vai tornar a situação mais explosiva.
02:55Agora é importante dizer o seguinte, a China está aproveitando essa situação
03:00para demonstrar uma liderança junto aos países ali do Golfo,
03:06e só tem um detalhe, né?
03:08O Estreito de Hormuz, ou a ocupação do Estreito, ou sei lá, a dificuldade do transporte do petróleo,
03:16que é de 20% a 30% do petróleo mundial, afeta muito a China, o Japão, a Coreia.
03:22Então a Ásia é muito afetada, porque se você mudar o fluxo de transporte, né,
03:28para ir ali pelo Mar Vermelho, enfim, você vai gastar muito mais,
03:34se for dar a volta aí pelo cabo da boa esperança, muito mais.
03:38Então a situação, do ponto de vista geográfico e geopolítico,
03:42demanda que a China tenha essa condição de se mostrar uma liderança a favor da tranquilidade,
03:51mas ela está preocupada também com o impacto do preço do petróleo, né?
03:56A Rússia, por outro lado, é uma aliada antiga do Irã, né?
04:00Se a gente olhar o mapa do Irã, né, para o interior do Irã, tem o Mar Cáspio, né,
04:06que as pessoas até esquecem, né, que é um grande mar interno, né?
04:11E são vários países ali que fazem fronteira com o Irã e tem o litoral do Mar Cáspio,
04:18e ela tem uma ligação direta com a Rússia.
04:20Então você tem aí uma relação antiga do Irã com a Rússia.
04:25A Rússia, por outro lado, está nessa confusão da guerra com a Ucrânia,
04:29que não se resolve, então o petróleo passa a ser relevante.
04:33Agora a China, ela aproveitou dessa situação para mostrar um pouco essa diplomacia.
04:38Agora, lembrando que ela sempre resguarda os seus interesses,
04:42e ela é um ator fundamental aí no mercado internacional, enfim.
04:49E é sempre uma cutucada nos Estados Unidos, né?
04:52Com o Trump, o pessoal gosta de cutucar mais.
04:55Vamos aguardar as próximas etapas aí.
04:59Está longe, na minha opinião, de se chegar a um consenso sobre paz.
05:04Não se tem informação transparente sobre quanto a infraestrutura iraniana está destruída pela guerra,
05:13que era a aposta do Trump, né?
05:16Para forçar um acordo de paz.
05:18Agora, acho que a China está no papel dela, não teria por que fazer diferente.
05:23Agora, lembrando também, por outro lado, que a China não é um Estado democrático, né?
05:28Então, deixar isso claro.
05:29E o Premier Espanhol também não tem nenhuma simpatia muito grande com os Estados Unidos,
05:36mas também não está com a sua popularidade muito grande lá na Espanha, né?
05:40Isso desde o 7 de outubro, o eleitor espanhol vem cobrando uma postura um pouco diferente.
05:48Mas são faces de um jogo de tabuleiro, né?
05:53Quando eu era criança, a gente jogava o OR.
05:55O que a gente está vendo é o OR em tempo real, né?
05:58Mas o OR com consequências severas, né?
06:01Com mortes, com destruição de infraestrutura e entre, traga condições e se chegar a um consenso.
06:10A gente não sabe direito o que as delegações estão negociando.
06:13A China tem condições, inclusive, de influenciar tanto os Estados Unidos como o Irã
06:18para chegar em termos razoáveis, né?
06:23Porque uma coisa é verdade.
06:24Se o Irã não aceitar nenhuma imposição sobre o uso de energia atômica para fins de armas nucleares,
06:34tenho a impressão, não que a guerra não vai acabar, mas que a sequela vai ficar aberta aí
06:39e vira e mexe a gente vai ver algum movimento americano sobre o Irã.
06:44Porque esse é um ponto que preocupa muito os americanos.
06:47O Irã é um ponto que preocupa muito mais.
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