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  • há 23 horas
O Boletim Focus voltou a indicar piora nas expectativas de inflação, com o IPCA subindo pela sétima semana consecutiva e se afastando do teto da meta. Ao mesmo tempo, o mercado passou a rever o ritmo de queda da taxa básica de juros, a Selic, diante de um cenário mais pressionado.

Neste corte do Mercado, apresentado por Veruska Donato, o economista Reinaldo Cafeo explica como fatores externos, como tensões geopolíticas e oscilações no preço do petróleo, voltaram a impactar os preços no Brasil, mesmo com a queda do dólar. A análise também aborda os efeitos sobre crédito, crescimento econômico e o ambiente de investimentos, além das expectativas para a próxima decisão do Banco Central.

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Transcrição
00:00O Boletim Focus, como vocês podem ver aqui pela arte, aponta um IPCA em alta pela sétima semana,
00:07saindo de 4,80% na semana passada para um IPCA de 4,86%.
00:16Aliás, as projeções de inflação para os próximos anos, como vocês podem dar uma olhada aí, também pioraram.
00:23Em 2027, ali também piorou, passou de 3,99% para 4%.
00:29Em 2028, que não aparece aí na tela, mas que subiu a expectativa de 3,60% para 3,61%,
00:38sinalizando, segundo economistas, uma desancoragem adicional no médio e longo prazo,
00:44um fator que tende a limitar o tamanho do ciclo de cortes da Selic.
00:49O PIB veio em leve queda, de 1,86% para 1,85%.
00:54O dólar, pela terceira semana seguida de queda, saindo de R$ 5,30 para R$ 5,25 no
01:02final do ano, em 2026.
01:04E a Selic foi mantida em 13%.
01:06Mas eu lembro que há quatro semanas, o mercado apontava para uma Selic a 12,5%.
01:14Sobre esse assunto do Boletim Focus, inflação e também a super quarta, eu converso agora com o Reinaldo Caféu,
01:22ele que é economista, está aqui conosco.
01:25Seja muito bem-vindo, bom dia e uma ótima semana, Reinaldo.
01:29Bom dia para você também, uma ótima semana, obrigado pelo convite.
01:32O que esse Boletim Focus traz para você sobre as expectativas do mercado e qual a sua expectativa também?
01:40Tanto para o IPCA, amanhã deve ser divulgado o IPCA 15,
01:44quanto para a reunião do Copom que define a Selic na quarta-feira à noite.
01:50Se nós estivéssemos conversando há 60 dias, certamente nós estaríamos falando de uma inflação totalmente sob controle,
02:00com tendências de queda depois de altas sucessivas no ano passado.
02:05Inclusive a própria ata do Copom, há 60 dias, já apontava que haveria uma queda expressiva dos juros nesse ano.
02:13Mas, infelizmente, essa questão geopolítica acabou mudando todas as expectativas e os preços voltaram a ficar contaminados.
02:22Observe que nós tivemos mais de uma semana de alta, 4,86, se distancia do limite máximo de 4,5%.
02:30É óbvio que nós estamos falando do Boletim Focus, que é uma mediana do mercado, que é de ponto do
02:34meio.
02:35Então tem projeções até superiores a essas e inferiores a essas.
02:39Mas é aqui que está pegando exatamente.
02:42Isso cria um pano de fundo para que o Banco Central brasileiro, analisando essa perspectiva, coloque um pouco mais o
02:50pé no freio.
02:51Na melhor das hipóteses, nós teremos na quarta-feira uma redução de 0,25 ponto percentual.
02:57Quando, nesta época, se não tivéssemos a questão geopolítica, certamente nós já estaríamos caminhando para algo próximo a 14%, a
03:0713,5%,
03:07chegando, como você colocou, a 12, 12,5% no fim do ano.
03:11A política monetária vai continuar restritiva, a inflação voltou, continua preocupando e o mercado até precifica o próprio juro na
03:21virada do ano em 3%,
03:22ou seja, 0,25% em nada agora na quarta-feira para os pobres mortais, vamos dizer assim, não vai
03:29mudar absolutamente nada.
03:30As empresas vão continuar com dificuldades com crédito, juros altos, pessoa física também, e o que é pior no ambiente
03:36também de elevada inadimplência.
03:39Vou falar sobre inadimplência daqui a pouquinho, mas eu queria explorar um pouco mais o boletim de foco, o boletim
03:44de foco de hoje,
03:45porque o que me chamou a atenção, claro que eu não tenho as especificações que você tem, não tenho a
03:53sua experiência,
03:54não estudei economia, mas me chamou a atenção o fato da expectativa é de um câmbio, um dólar menor, mas
04:02uma inflação mais alta.
04:03Então essa inflação toda reflete praticamente o ambiente lá fora que contamina os preços aqui, não é, Reinaldo?
04:11Então, vamos colocar. Nós temos um primeiro trimestre muito favorável à entrada do capital estrangeiro.
04:19O Brasil quer aquilo, quer não, tem alguns bons indicadores macroeconômicos.
04:23Além disso, o Brasil está distante do conflito no Irã e se apresenta com uma economia de uma porta de
04:31entrada para ganhos reais excelentes.
04:34Vamos colocar taxa de juros americana entre 3,5 e 3,75 e aqui 14,75.
04:40Então o mercado especulativo é muito atraente para o capital estrangeiro.
04:45A nossa bolsa vinha também barata.
04:48Conclusão, nós temos um olhar do capital estrangeiro para as oportunidades aqui no Brasil.
04:54É um capital volátil, mas ele vem para cá.
04:57E isso fez com que a aportação do dólar, daquela projeção mais pessimista que nós tínhamos, aproximasse do 5.
05:05O próprio mercado agora coloca 5,25 na virada do ano.
05:08E isso ajuda a descontaminar preços.
05:10Cerca de 40% dos preços da nossa economia seguem alguma lógica do dólar.
05:16Quer porque no atacado você tem as commodities, quer porque nós temos que importar parte dos nossos produtos e quer
05:22até porque há uma referência internacional.
05:25Então, apesar da queda da cotação do dólar, a pressão sobre o custo ficou muito elevada.
05:31Principalmente no Brasil, que tem uma matriz de transporte alicerçada no transporte roboviário.
05:37Ou seja, precisa do óleo diesel.
05:39E isso é imediato do ponto de vista da alta do preço do petróleo internacional.
05:45Mesmo com o incentivo fiscal da redução de parte dos tributos no Brasil, o preço do combustível subiu.
05:53E aí nos índices de inflação você tem uma relação direta com o combustível, por ele só, e depois do
05:59frete contaminando preços.
06:00Além disso, em projeção, nós temos agora a bandeira amarela da energia elétrica brasileira, que vai de novo pressionar.
06:08Então, em resumo, mesmo com o dólar menor, atraído pela taxa de juros e por uma bolsa barata, os preços
06:17subiram mais significativamente.
06:19E o que é pior para o consumidor na ponta, são preços que não estão voltando atrás.
06:24Mesmo quando há uma estabilidade deles, você compara com o preço anterior, a pessoa fala, estou com baixo poder adquisitivo.
06:32E a notícia ruim é que para controlar tudo isso, a taxa de juros não cai como nós precisaríamos para
06:38movimentar a economia.
06:39Por isso, até o mercado reprojeta o crescimento da economia para só 1,85% em um país que teria
06:45o potencial de crescer sustentadamente acima de 3% ao ano.
06:49Quero aprofundar um pouquinho mais nessa questão de eventos internacionais, tratando do evento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump,
06:59que reunia jornalistas e foi interrompido após um ataque a tiros.
07:04Era um evento realizado no hotel Washington Hilton, na capital Washington.
07:09Nas imagens que a gente vai trazer para vocês agora, o atirador aparece circulando entre os agentes do serviço secreto.
07:21E ele aparece daqui a pouquinho, olha lá, essa é a imagem dele passando pelos agentes do serviço secreto.
07:29E lá na frente, não temos esse ângulo, mas lá na frente ele é parado ali por um paredão de
07:35agentes de segurança.
07:36E aí ele é segurado e não consegue invadir o salão onde estava o presidente Donald Trump.
07:45As autoridades americanas dizem, ainda não sabem exatamente qual foi a motivação,
07:50mas dizem que creem que o alvo era o presidente Donald Trump e também algumas autoridades americanas,
07:59algumas autoridades que estavam ali nesse evento.
08:01Temos imagens também dos agentes do serviço secreto que correram para tirar o presidente Donald Trump do local.
08:11Aí ele estava conversando, tinha um show de mágica que estava sendo feito nesse momento,
08:16principalmente para a primeira-dama Melania Trump.
08:19E aí os agentes chegam e já retiram às pressas o presidente Donald Trump.
08:25Essas imagens aí percorreram todos os sites de notícias, as redes sociais, o republicano e a primeira-dama
08:34e a secretária de imprensa da Casa Branca, Caroline Leavitt, estavam sentados aí no palco principal do evento,
08:40antes do ataque que desencadeou uma resposta imediata da segurança.
08:44Trump também foi visto caindo no chão durante a evacuação caótica,
08:49antes de ser escoltado para fora do salão de baile.
08:52Um agente do serviço secreto foi baleado, mas fez salvo pelo colete à prova de balas,
08:57ele passou por atendimento médico e já foi liberado.
09:02Autoridades do mundo todo divulgaram aí que estão solidárias ao presidente Donald Trump
09:09e condenando esse ataque feito por esse homem que foi identificado pela mídia local
09:16como Cole Thomas Allen, de 31 anos, mas essa identidade dele não foi confirmada pela Casa Branca.
09:23O presidente Lula também divulgou nas redes sociais um post aqui em que ele exprime essa solidariedade
09:32e repudia esse ato de violência ao presidente Donald Trump.
09:36As autoridades dos Estados Unidos disseram que as investigações preliminares indicam
09:42que esse homem, Cole, teria agido sozinho.
09:47Eu quero voltar a falar com o Reinaldo sobre esse assunto,
09:50porque é nesse ambiente de maior risco, porque tudo que acontece nos Estados Unidos
09:57traz, mexe com o humor dos investidores, é nesse ambiente de risco político
10:05que acontecerá e que ocorre a reunião dos dois bancos centrais na quarta-feira.
10:10Qual é o potencial do que houve, do que pode haver na decisão sobre os juros?
10:19Existe todo um contexto em torno disso.
10:22Esse é mais um ingrediente.
10:23Nós temos já uma queda na popularidade de Trump
10:27e provavelmente nessa reunião do Banco Central americano
10:30seja a última reunião presidida pelo Gerald Powell.
10:33Já a indicação havia um problema de uma ação que já foi resolvida,
10:38o Kevin Walsh deve assumir a presidência.
10:41Então isso já cria uma incerteza sobre o futuro dos juros dos Estados Unidos.
10:46Há um receio do mercado de que numa postura, vamos dizer,
10:50de política monetária mais frouxa, não faça lição de casa.
10:55Lembrando que nos Estados Unidos a inflação ainda resiste,
10:58na casa é de 3,3%, e por lá também eles ficam de olho no mercado de trabalho,
11:03que continua resiliente, ou seja, tem ainda bons indicadores.
11:07Este ingrediente, somado à questão geopolítica no Oriente Médio,
11:12tem tirado, inclusive, mais do Oriente Médio, a popularidade do Trump.
11:16Lembrando que esse ano tem eleições legislativas por lá.
11:20Então o Trump vive num momento delicado na condução da política internacional.
11:25De um lado ele cria algumas armadilhas para si,
11:28e esse fato de ontem se soma a toda a incerteza de risco.
11:32E você tem razão, Vilusca, quando você tem um ambiente maligno,
11:36do ponto de vista político, gera mais incerteza e um capital,
11:40que precisa de alguma previsibilidade.
11:43Quem investe, quem emprega, quem empreende,
11:46precisa analisar sempre a relação risco-retorno.
11:49Quando o risco é maior, o retorno tem que ser maior.
11:52E há uma tendência de colocar o pé no freio e não o pé no acelerador.
11:56No contexto mundial, esses eventos, como o de ontem,
12:01devem diminuir o apetite dos investidores.
12:04Consequentemente, o mundo todo deve conviver com menor crescimento econômico.
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