00:00Bom, a temporada de balanços do primeiro trimestre de 2026, o setor bancário começou e a gente teve uma mistura
00:07de resultados.
00:08O Santander, por exemplo, teve um resultado que decepcionou o mercado com alta dinâmica de influência,
00:13deterioração da carteira, o Itaú teve aquele resultado dentro do esperado e o Bradesco superou as expectativas.
00:20No caso do Santander, o banco teve um lucro de 3,8 bilhões de reais no primeiro trimestre de 2026
00:26e aí a companhia também teve, o que pegou ali foi a piora da inadimplência.
00:31A inadimplência do Santander subiu 0,6 ponto percentual na comparação entre o primeiro trimestre de 2026 com o primeiro
00:38trimestre de 2025.
00:40E o porquê isso? Está tendo uma deterioração na carteira de crédito do Santander na pessoa física, Verusca.
00:46E aí a gente tem esse problema que acabou também trazendo uma piora da rentabilidade,
00:52que ali é o retorno sobre o patrimônio líquido do banco.
00:55A rentabilidade do Santander, no mesmo período do ano passado, estava em 17,4%
00:59e agora no primeiro trimestre de 2026 ficou em 16%.
01:04E aí diante de toda essa dificuldade que o banco está passando, a companhia vai passar por uma transição de
01:10gestão, inclusive.
01:11A gente precisa lembrar que o atual CEO do Santander, Mário Leão, deixa o cargo agora em julho
01:16e aí quem assume é Gilson Freakstein, atual CEO da B3.
01:19E aí o que acontece é que o Leão não conseguiu retomar a rentabilidade do Santander do patamar pré-pandemia.
01:28Era uma promessa do Leão entregar um ROE acima de 20.
01:31Na última coletiva o Leão disse que o ROE do Santander, que é a rentabilidade, ia ficar ali em 20
01:36% só em 2028.
01:38Então o Santander enfrenta essa deterioração e essa dificuldade de se recuperar aí desde o fim da pandemia.
01:45Do outro lado a gente teve o Itaú, que vive um momento muito bom e manteve todas essas perspectivas.
01:52O banco lucrou 12 bilhões de reais no primeiro trimestre de 2026, lucro muito maior, por exemplo, do que o
01:58do Santander, que foi de 3,8%.
02:00A inadimplência no Itaú se manteve estável em 1,9% e a rentabilidade do Itaú ficou em 24,8%.
02:08Antes da gente chegar e esperar para pensar, a gente pode ficar preocupado.
02:13Nossa, mas por que a inadimplência do Santander está mais elevada e a do Itaú, por exemplo, está muito baixa?
02:19Isso acontece porque o Itaú é mais focado na alta renda, enquanto o Santander teve boa parte da carteira exposta
02:26a baixa renda.
02:27Na própria coletiva de imprensa, o CEO do Santander, Mário Leão, comentou que a companhia não ia mais conceder empréstimos
02:34para trabalhadores informais que recebiam até dois salários mínimos.
02:38Nessa tentativa aí de resolver esse problema da carteira de crédito do banco.
02:42Um outro ponto também, ou uma outra companhia que vem tentando resolver esse problema da baixa renda é o Bradesco.
02:48O banco começou uma reestruturação lá em 2024 com o CEO Marcelo Noronha e começou a dar resultados.
02:56O balanço do Bradesco nesse primeiro trimestre de 2026 ficou aí acima do esperado pelo mercado.
03:02A companhia reportou um lucro de 6,8 bilhões de reais no primeiro trimestre.
03:07A rentabilidade do Bradesco, que é o ROI ali, foi de 15,8%, uma alta de 1,4 ponto percentual.
03:14Então a gente tem uma melhora no resultado do Bradesco, de modo geral.
03:18E o porquê? O Noronha também destacou na coletiva que está focando na alta renda.
03:23Só para você ter ideia, a concessão de empréstimos do Bradesco para alta renda subiu 18,6% só nesse
03:30primeiro trimestre de 2026.
03:32E já a baixa renda subiu só 5,5%.
03:36Então o que a gente tem olhando aí o cenário macroeconômico e o que os bancos estão fazendo?
03:43Diversificando o portfólio, tentando abocanhar a alta renda para conseguir melhorar a situação e sair dessa inadimplência que vem ali
03:53da baixa renda.
03:54Isso significa, Verusca, que os grandes bancos vão deixar de emprestar para a alta renda?
04:00Não. Não significa isso.
04:02O Bradesco, por exemplo, está aumentando, como eu já havia dito, a concessão de crédito para a baixa renda em
04:085,5%.
04:09E o Itaú vai focar na baixa renda mais em aposentados no INSS, porque ali é um segmento mais seguro,
04:17digamos assim.
04:17Você sabe qual aposentado vai receber a aposentadoria dele, vai receber o salário ali.
04:22Então é mais difícil de você receber calote ali.
04:25E por que todo esse temor?
04:26Aí a gente olha para o cenário macroeconômico, que o próprio senhor do Bradesco comentou uns minutos atrás,
04:31agora na coletiva de empresas que eu estava, que o cenário macroeconômico está mais desafiador.
04:34Por quê? A gente já tinha no início do ano um número de endividados elevado, enfim, a inadimplência está alta
04:41no Brasil,
04:42o endividamento das famílias está muito alto e aí você tem esse cenário de crédito a risco e o juro
04:48elevado.
04:49E aí tínhamos uma perspectiva de queda de juros, que o próprio senhor do Bradesco apontou agora há pouco,
04:54que não vai se firmar.
04:56No começo do ano estava uma perspectiva de que a Selic se erraria por volta de 11% ou até
05:0012%,
05:00e agora temos uma perspectiva de Selic por volta de 13% ao ano.
05:05Então essa perspectiva de uma Selic mais elevada, ela pode degradar aí a situação das carteiras de crédito
05:13e faz com que os bancos aumentem o sarrafo com o CD crédito.
05:17E aí tudo isso acontece, viu, isso que a gente tem um cenário macroeconômico, né?
05:21Com o programa Desenrola acontecendo...
05:23Os bancos já estão preparados para o Desenrola?
05:26Sim, inclusive...
05:27Os grandes bancos.
05:28Sim, os grandes bancos já noticiaram, né, que vão participar aí do Desenrola.
05:33A perspectiva...
05:35O Bradesco soltou o comunicado ontem, afirmando que já está rolando dívida de cliente.
05:39Banco do Brasil também, o Itaú, o Santander.
05:43Então todos, de modo geral, já estão participando do Desenrola.
05:46O impacto para as companhias em si, para o Desenrola, ele não é direto ali na carteira,
05:52porque elas são dívidas de dois anos atrás, então talvez não tenha um impacto financeiro para os bancos.
05:59Porque as dívidas são mais antigas?
06:00Isso, exatamente.
06:01Nossa.
06:01São dívidas de dois anos, um ano.
06:04Então não tem uma safra nova.
06:06Tá, mas as dívidas que fariam diferença, média de quanto tempo aí?
06:10A média é dois anos.
06:11A média do programa é dois anos.
06:13Não tem aquele grande impacto, porque já foi provisionado.
06:16E também a exposição da carteira desses bancos, justamente que eles tiveram essa grande reforma
06:21de concessão de crédito para a baixa renda, ela mudou.
06:24Então esses bancos não estão mais tão focados na baixa renda.
06:28Então como eles fizeram essa mudança de carteira, o impacto é menor no balanço deles.
06:33No entanto, os CEOs dessas companhias, Berusca, eles deixaram claro ali nas coletivas
06:38que é positivo, enfim, para a economia de modo geral, mas também deixaram claro que
06:44não é a grande solução.
06:46É um remédio, um tratamento paliativo para a inadimplência brasileira.
06:52O que poderia ajudar a recuar a inadimplência brasileira, por exemplo, seria a queda de juros
06:56que poderia acontecer caso o governo, por exemplo, assumisse uma postura fiscal um pouco
07:00mais responsável ali.
07:02Então todo esse cenário acontece por causa disso.
07:06Houve, inclusive, mudança de posicionamento em relação a uma repetição do programa.
07:11O CEO do Itaú, o Milton Malu e Filho, havia comentado em 2023, num evento que eu estava
07:16lá do Santander, que se o desenrola se repetisse, seria um risco moral do país, para o país.
07:25Por quê?
07:25O governo estaria apoiando a pessoa a fazer a dívida, a não pagar, e aí depois viria um
07:31programa do governo.
07:31Reponendo os bons pagadores.
07:33Exatamente.
07:33Vira uma questão do governo ali, para você renegociar a sua dívida.
07:37Ele mudou o posicionamento, disse que houve uma conversa com o governo, enfim, tudo mais,
07:42e que agora aprova essa repetição do programa.
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