- há 1 dia
LONGE DA AVENIDA. “Gosto muito mais do samba do que do Carnaval. Muita gente não compreende quando falo isso. O samba não é necessariamente o Carnaval, é um gênero musical, uma expressão da cultura brasileira que não tem que estar atrelado a nenhum calendário, nada disso, porque é uma instituição da nacionalidade. O Carnaval é a loucura e a folia. O samba ensina coisas mais sérias, que merecem um cuidado maior. O Carnaval, hoje, é bagunça, é coisa de boa forma… As pessoas confundem, mas eu não confundo e sei direitinho qual a diferença de uma coisa para outra”.
SAMBA POLÍTICO. “O samba tem um peso político muito grande na história brasileira. O samba no Brasil concorre com suas músicas por um espaço de igualdade no aspecto global como a música norte-americana. A gente toma o americano como padrão, até pela força industrial, mas o samba e a música afro-cubana também estão no mesmo caminho”.
NO SAMBA ME CRIEI. “Eu me aproximei de um modo bastante profundo, com poucos anos de idade, já sentindo que queria ir (para este gênero), num contexto em que a sociedade brasileira ainda não via com bons olhos, nem uma família afrodescendente como a minha não via com bons olhos o samba pelo fato de ser um produto africano. Estou contando isso na minha autobiografia. Hoje não são mais os princípios da família”.
REVISANDO A PRÓPRIA HISTÓRIA. “Foi uma viagem, uma terapia também, logo que comecei esse trabalho. Foram dois anos, depois de um período de desengano na minha vida, quando perdi a Roberta, esposa dos meus sonhos, de uma maneira muito trágica, um infarto. Me deixou muito mal. E essa viagem por esse trabalho foi o encontro de todas as lembranças, as coisas familiares, menos conhecidas… Algum tempo já vinha tendo a vontade de escrever a história da minha família, daí aproveitei esse trabalho para falar dos meus irmãos, minha mãe falar, meu pai, do ambiente de casa, a boa convivência que nós tivemos, uma família na qual todo mundo sabia o que era um instrumento sopro, instrumento de percussão… Teve até um membro da família que foi à Segunda Guerra Mundial”.
PESO DA IDADE. “O Peso? É o peso de precisar fazer pilates (risos). É o jeito que a gente tem se quiser continuar, é preciso. Eu tenho um filho que cuida de todo o resto para mim”.
Sobre o programa semanal da coluna GENTE. Quando: vai ao ar toda segunda-feira. Onde assistir: No canal da VEJA no Youtube, no streaming VEJA+, na TV Samsung Plus ou no canal VEJA GENTE no Spotify, na versão podcast.
—————————————————————————
Assine VEJA: https://abr.ai/2VZw8dN
Confira as últimas notícias sobre o Brasil e o mundo: https://veja.abril.com.br/
SIGA VEJA NAS REDES SOCIAIS:
Instagram: https://www.instagram.com/vejamais/
Facebook: http://www.facebook.com/Veja/
Twitter: http://twitter.com/VEJA
Telegram: http://t.me/vejaoficial
Linkedin: http://www.linkedin.com/company/veja-com/
TikTok: https://www.tiktok.com/@revista_veja
SAMBA POLÍTICO. “O samba tem um peso político muito grande na história brasileira. O samba no Brasil concorre com suas músicas por um espaço de igualdade no aspecto global como a música norte-americana. A gente toma o americano como padrão, até pela força industrial, mas o samba e a música afro-cubana também estão no mesmo caminho”.
NO SAMBA ME CRIEI. “Eu me aproximei de um modo bastante profundo, com poucos anos de idade, já sentindo que queria ir (para este gênero), num contexto em que a sociedade brasileira ainda não via com bons olhos, nem uma família afrodescendente como a minha não via com bons olhos o samba pelo fato de ser um produto africano. Estou contando isso na minha autobiografia. Hoje não são mais os princípios da família”.
REVISANDO A PRÓPRIA HISTÓRIA. “Foi uma viagem, uma terapia também, logo que comecei esse trabalho. Foram dois anos, depois de um período de desengano na minha vida, quando perdi a Roberta, esposa dos meus sonhos, de uma maneira muito trágica, um infarto. Me deixou muito mal. E essa viagem por esse trabalho foi o encontro de todas as lembranças, as coisas familiares, menos conhecidas… Algum tempo já vinha tendo a vontade de escrever a história da minha família, daí aproveitei esse trabalho para falar dos meus irmãos, minha mãe falar, meu pai, do ambiente de casa, a boa convivência que nós tivemos, uma família na qual todo mundo sabia o que era um instrumento sopro, instrumento de percussão… Teve até um membro da família que foi à Segunda Guerra Mundial”.
PESO DA IDADE. “O Peso? É o peso de precisar fazer pilates (risos). É o jeito que a gente tem se quiser continuar, é preciso. Eu tenho um filho que cuida de todo o resto para mim”.
Sobre o programa semanal da coluna GENTE. Quando: vai ao ar toda segunda-feira. Onde assistir: No canal da VEJA no Youtube, no streaming VEJA+, na TV Samsung Plus ou no canal VEJA GENTE no Spotify, na versão podcast.
—————————————————————————
Assine VEJA: https://abr.ai/2VZw8dN
Confira as últimas notícias sobre o Brasil e o mundo: https://veja.abril.com.br/
SIGA VEJA NAS REDES SOCIAIS:
Instagram: https://www.instagram.com/vejamais/
Facebook: http://www.facebook.com/Veja/
Twitter: http://twitter.com/VEJA
Telegram: http://t.me/vejaoficial
Linkedin: http://www.linkedin.com/company/veja-com/
TikTok: https://www.tiktok.com/@revista_veja
Categoria
🗞
NotíciasTranscrição
00:05Olá gente tudo bem tá começando mais um programa da coluna gente diretamente do seu canal no
00:10YouTube na plataforma veja mais na versão podcast no Spotify e também nas TVs Samsung
00:16Plus LG TCL e Roku hoje o nosso programa é com bate-papo delicioso eu tenho certeza que
00:24gostei muito com Ney Lopes uma das grandes figuras do samba compositor escritor pesquisador intelectual
00:33da cultura afro-brasileira nasci do Rio de Janeiro Ney Lopes tem a sua obra atravessando diversas
00:39décadas e campos da música literatura a história cultural nem autor de dezenas de livros incluindo
00:46obras de referência como enciclopédia brasileira da diáspora africana e também compõe sambas
00:51clássicos gravados por artistas como Alcione e Zeca Pagodin Ney muitíssimo obrigado por nos
00:58atender para poder vir aqui ao nosso programa é sempre um prazer uma satisfação poder agora
01:05poder ter você aqui eu já tô chamando de você porque ó já tô íntimo já de Ney Ney em
01:112025
01:11gente agora no carnaval que acabou de acabar esse carnaval que ainda a gente ainda ouve por aqui o
01:17burburinho o Ney voltou a safuca aí depois de 30 anos né Ney já tava já quase 33 décadas aí
01:23afastado voltou pela paraíso do Tuiuti eu não sei se foram exatamente 30 anos foi mais ou menos por aí
01:30é e o enredo da Tuiuti foi baseado né a vertente religiosa afro-cubana baseada num livro no clássico do
01:37Ney Ney o Ifá Lu Comigo Resgate da tradição pela Palas Editora de 2020 Ney então vou começar esse baixo
01:45papo contando por que tanto tempo afastado do Carnaval
01:49sinceramente eu gosto muito mais do samba do biquê do Carnaval
01:56porque muita gente não compreende quando eu falo isso
02:00o samba não é necessariamente o Carnaval
02:05né
02:06então o gênero musical é uma expressão da cultura brasileira que
02:10não tem que ter estar atrelado a nenhum nenhum calendário nada disso é uma instituição da nacionalidade né
02:25então eu o Carnaval é a loucura é a folia né e a escola de samba o samba e se
02:35não são coisas mais
02:36mas eu acho coisas mais sérias né é que merecem um cuidado maior né
02:42e o Carnaval é orgia o mundo tá dizendo aí é bagunça é coisa de comer forma tal é bom
02:51claro
02:52determinar com determinadas em determinadas situações de acordo com as as o tamanho dessa dessas expansões né
03:02então eu as pessoas confundem eu não confundo e faço tenho razão pra saber direitinho qual a diferença de uma
03:14coisa pra outra
03:15o Carnaval é uma festa e o samba é uma das características da cultura brasileira
03:28que não não está necessariamente incluída dentro da festa né
03:34então a gente tem que separar pra medir as duas coisas como com com dentro da da dentro do tamanho
03:42e dentro do peso efetivamente tem
03:46samba tem um peso político muito grande na história brasileira é em outros outros envolvimentos
03:53eu acho que eu acho que inclusive o samba no Brasil ele concorre com duas músicas
04:01dentro do aspecto global da música no mundo inteiro vamos dizer assim
04:09música norte-americana evidentemente né e a gente toma aí o americano como padrão
04:17padrão padrão até de padrão industrial e o e o samba e a música cubana afro-urbana também o mesmo
04:31caminho porque tem uma uma coisa que que que é que onde
04:34olha essas três é três possibilidades que eu coloquei aqui que é o fato de ser em todas essas três
04:44é
04:48resultado de uma coisa chamada diáspora africana essa que é a razão
04:53o samba tem um valor comparável por exemplo ao do jazz como comparável também ao som afro-urbana e certo
05:03tal e a gente tem que olhar essas coisas com um carinho para não para não me desprezar para não
05:10criar dificuldades e para mostrar a coisa efetivamente do jeito que é
05:17é com todas as possibilidades com todas as possibilidades e todas as possibilidades inclusive de transformação a gente tem que
05:26estar ligado nisso é uma coisa bastante importante por isso que eu sou muito mais
05:32um apreciador e um apreciador e um certa forma conhecedor do samba do que do carnaval né
05:39todas essas essas três possibilidades que eu lembrei aí tem alguma coisa de carnaval sempre e isso basicamente pelo fato
05:49de ter uma raiz comum
05:50tá lá na a na na circunstância da escammização dos trabalhadores é que vieram de áfrica tanto tanto
06:00pro brasil tanto com os estados um disse tanto pra cuba e e caribe de um pouco geral então é
06:08isso que
06:08que eu te vejo não tenho nenhuma pretensão de ser nesse um rei da como se diz no do
06:17lá no meio do samba,
06:19o rei da cocada preta não dá nada.
06:25Eu gosto desde criança,
06:27tenho uma história interessante
06:29para contar,
06:31inclusive,
06:32a autografia que está lançando agora
06:35em maio, está muito bem contada.
06:38Como é que eu
06:40me aproximei do samba
06:42e me aproximei
06:48de um modo
06:49bastante
06:51profundo,
06:53com poucos anos de idade,
06:55a sentido que eu queria ir
06:57para mim, num contexto
06:59em que a sociedade
07:02brasileira
07:03ainda não
07:05não via com bons olhos,
07:08mesmo uma família
07:09descendente como a minha,
07:11não via com bons olhos
07:13o samba pelo fato de ser uma
07:15um produto africano.
07:17Deixa eu só fazer um parênteses aqui,
07:18a gente está tendo essa gravação
07:20no meio do coração
07:22da Zona Sul do Rio de Janeiro,
07:23então esse barulho de cozinha ao fundo,
07:24de vez em quando muito leve
07:26chega até vocês,
07:27é porque lá embaixo
07:28está tendo engarrafamento,
07:29mas aqui a gente está ouvindo
07:30muito bem
07:30o Ney dar essa explicação sobre o samba.
07:33Mas se fosse um
07:34coiso de samba
07:35não seria um ruído.
07:36Não seria?
07:37Não, seria a música.
07:38Claro, com certeza.
07:41Mas você falava sobre
07:42como é que o samba
07:42chegou na sua vida.
07:44Eu muito criança,
07:46tenho uma família,
07:47estou contando isso
07:48na minha autobiografia,
07:50tem uma família
07:51que hoje não estão,
07:53quer dizer,
07:54os princípios da família
07:57não existem mais,
07:58assim,
07:58por conta de
07:59as pessoas todas
08:00que foram,
08:01eu tinha 15 irmãos,
08:03hoje não tenho nenhum,
08:05sou da pessoa
08:07que sobreviveu
08:08esse tempo todo,
08:11mas com a felicidade
08:15de ter uma continuidade
08:19na família
08:20bastante interessante também.
08:22Inclusive,
08:24nessa continuidade
08:25estão meus netos,
08:27meu neto e minha neta,
08:28pessoas bastante,
08:31são adultos,
08:32dois é um casal gêmeo
08:36e são muito adultos,
08:39já com curso universitário
08:42TX, etc.
08:44e pensam também
08:45por muita certeza,
08:47isso que eu,
08:49essa,
08:49essa,
08:50vamos dizer,
08:51essa informação
08:52que eu deixei para eles,
08:54para eles seguirem
08:56e gostarem como gostam.
08:57Então,
08:58quando eu era criança,
09:02morava no subúrbio carioca,
09:04década de 50,
09:06nasci em 42,
09:09década de 50,
09:10eu me dei com o próprio,
09:11e tal,
09:11tinha núcleos de sangue,
09:14próximo à minha casa,
09:16não tão grandes,
09:18não tão monumentais como hoje,
09:19mas próximos,
09:21e ao mesmo tempo
09:24em que esses núcleos
09:27cultuavam,
09:29eles chamavam a África Vieira,
09:31etc.
09:31e tal,
09:33mas era uma coisa meio proibitiva.
09:36Em casa,
09:37minha mãe,
09:38minha família,
09:38meus irmãos e tal,
09:39todos afro-ascendentes,
09:41como eu já disse,
09:42meu pai,
09:42inclusive,
09:44uma pessoa que viveu
09:47um pouco da escravidão,
09:49que ele nasceu no ano
09:50em que a Princesa Isabel
09:53aceitou a Lei Áure,
09:55uma antecedência
09:56de três anos,
09:58né?
09:58Meu pai era da,
10:00pegou um pouquinho
10:01da final
10:02da escravidão,
10:05ele evidentemente
10:06que não foi,
10:08porque
10:08já,
10:09antes que aconteceram
10:11leis que
10:12que
10:14mimiraram
10:15essa
10:18forma
10:18de
10:19tão
10:21tão infeliz
10:22para todo mundo,
10:23mas
10:23ficou aquela coisa,
10:25né?
10:26Então,
10:27as pessoas criavam,
10:28até a minha infância,
10:30ainda era muito comum isso,
10:32não,
10:32não vai lá não,
10:33que lá
10:34o ambiente é ruim,
10:36as pessoas brincam muito,
10:37tem ladrão,
10:38tem isso,
10:38tem aquilo,
10:39esse era,
10:40como era visto
10:41o ambiente do sâmbaro,
10:43da mesma forma,
10:44o ambiente
10:45das,
10:45das,
10:46das religiões,
10:47das religiões,
10:49que,
10:49que conversam muito bem
10:51até hoje
10:52com,
10:52com a realidade
10:53do sâmbaro.
10:55Então,
10:55eu peguei isso,
10:57eu ficava louco
10:58para saber como era,
11:00com vontade de...
11:01Só tinha o efeito contrário,
11:02né?
11:02Só tinha a curiosidade.
11:03É,
11:04não é,
11:04é proibido,
11:05né?
11:05É tudo que é proibido.
11:07Quero saber como é que é.
11:08Então,
11:09eu falo lá,
11:09uma infância que se desenvolveu
11:11dessa forma.
11:12E,
11:14até,
11:15eu vou até revelar aqui um pouco
11:18da autonomia da firma,
11:20com nada a ver esse mesmo,
11:21é,
11:23essa,
11:24essa,
11:24essa proibição
11:26se estendia nos dois,
11:28nos dois caminhos.
11:29O caminho da indigilosidade
11:31e o caminho da música.
11:33Minha casa,
11:34todo mundo,
11:34muito músico,
11:37nenhum deles se profissionalizou
11:39como eu,
11:40tinha oportunidade
11:41do final
11:42das coisas todas.
11:44Mas todos ótimos sambistas,
11:46ótimos músicos,
11:48sambistas não.
11:49Ótimos músicos
11:49que tocavam o samba.
11:51O sambista é não,
11:52o sambista é não,
11:54lá não,
11:55não vai lá não,
11:56aquilo é perigoso.
11:57Isso era geral,
11:59era geral.
11:59Se você lê,
12:00por exemplo,
12:01a biografia do Kandeia,
12:03grande figura
12:05do samba carioca,
12:07com quem eu,
12:09eu,
12:11trabalhei durante algum tempo,
12:13ele conta que,
12:15ele gostava da Portela,
12:18e era,
12:18o pai dele participava da Portela,
12:21mas não devia,
12:22não deixava que ele fosse dar.
12:24Quer dizer,
12:25exatamente a mesma coisa,
12:27o preconceito,
12:28dentro das comunidades.
12:32E aí,
12:32eu fiquei com essa história
12:34na cabeça,
12:36já picha,
12:39minha primeira infância mesmo,
12:41que vinha,
12:41e tinha gente próxima da família,
12:43que participava,
12:45por que que fulano,
12:46vai,
12:47eu não posso vir,
12:47tá?
12:48Ah,
12:48mas ele é adulto,
12:49é velho,
12:50ela é velha,
12:52e ó,
12:53essa coisa adulta
12:54na minha cabeça.
12:55E você é bem jovenzinho.
12:57E eu,
12:59achava que era um,
13:00tinha que,
13:01tinha que ver como era.
13:03E um dia,
13:04num carnaval,
13:05que hoje eu até descobri,
13:07por causa de um samba da Portela,
13:10eu descobri que,
13:11eu não fui,
13:11não estou lembrando agora,
13:12está lá no,
13:13está lá no registro,
13:15mas,
13:15um dia,
13:16uma noite,
13:17de carnaval,
13:19segunda,
13:20segundo dia,
13:21meu pai,
13:22eu falo comendo,
13:23a minha mãe,
13:23eu,
13:23eu olho,
13:24filho com a sua,
13:25vamos,
13:25vamos ver o carnaval,
13:27vamos.
13:29Aí,
13:29o cor,
13:31me diz,
13:31filho da Portela,
13:32fui criado em Irajá,
13:34que é um bairro próximo,
13:37Amadureira,
13:38toda aquela área,
13:39do subúrbio,
13:40Maslou,
13:42Oswaldo Cruz,
13:43tudo,
13:44mais ou menos,
13:44mais ou menos,
13:45perto,
13:46vamos,
13:47vamos,
13:48no carnaval,
13:48centro de Irajá,
13:50ver,
13:50eu,
13:52eu fui,
13:53né,
13:54é hoje,
13:55não disse nada,
13:55mas é hoje que eu vou,
13:58ver como é que é,
14:00e tive um impacto muito grande,
14:04vendo nas escolas de São,
14:07exatamente a Portela,
14:09as crianças da minha,
14:11e eu,
14:11da minha idade,
14:13participando com os pais e as mães,
14:15olha,
14:17inclusive,
14:19uniformizados,
14:21garotinho de chapéuzinho,
14:23calça terno de nome,
14:26com a boca devidamente apertada,
14:30e,
14:31sapato lustrado,
14:32sapato branco,
14:34e o,
14:37a insígnia da,
14:39da ala e qualquer coisa,
14:40junto,
14:41cantar,
14:43não quero,
14:44pois eu falei,
14:45não,
14:45que isso,
14:46não quero,
14:48aí fiquei,
14:50fiquei,
14:52seduzido,
14:53efetivamente,
14:54por isso,
14:55e querendo,
14:56participar sem poder,
14:57eu estava,
14:58na minha escola privada,
15:00estava terminando,
15:01tinha dez,
15:04a professora,
15:07perguntou se eu queria,
15:08fazer a primeira,
15:09concluir não,
15:11parei,
15:11pensei,
15:12eu visualizei,
15:14o que seria,
15:15a minha primeira,
15:15como seria?
15:17perna branca,
15:20calça branca,
15:21paletó branco,
15:23sapato branco,
15:25gravatinho,
15:27e um negócio,
15:29como tinha na igreja,
15:32estava lá,
15:33Jesus,
15:33homem salvador,
15:34ali,
15:35mas eu queria,
15:36escoma de samba,
15:40aí falei,
15:42mamãe,
15:42eu quero fazer assim,
15:44a mãe,
15:44sabe como é que eu queria,
15:45eu não queria,
15:46calça cura,
15:48eu,
15:48já tinha o vizinho,
15:50falei com o vizinho,
15:52vizinho camarada,
15:55vou fazer quando,
15:56eu fiz um terno,
15:57para mim,
15:58e eu fui,
16:01fiz a primeira,
16:02a cumbião,
16:03como um autêntico,
16:04portoelense,
16:05não,
16:06cartório,
16:08um autêntico,
16:09cartório,
16:10fui,
16:11mas por dentro,
16:13o que que estava me falando,
16:14estava falando,
16:14eu estou,
16:15numa escola,
16:17sinceramente,
16:18não foi num todo,
16:20invejando isso,
16:21não,
16:21foi isso,
16:22e engraçado,
16:24a coisa mais engraçada,
16:26existe,
16:27alguns livros que eu tenho,
16:29e não sei exatamente qual,
16:32não,
16:32tem um livro,
16:32um livro meu,
16:33foi,
16:34foi estampado num livro meu,
16:36um dos meus livros,
16:37eu acho que é,
16:39o samba do Irajá,
16:41foi,
16:42um livro de,
16:44foi criado por um aluno,
16:46lá da,
16:46da UERJ e tal,
16:47e eu,
16:48falando sobre a minha,
16:49mais ou menos sobre isso,
16:50mas também,
16:51certo,
16:51e ele conseguiu uma foto do,
16:55da,
16:55da primeira comunhão do Candeia,
16:58uau,
16:58isso está nesse livro,
16:59que legal,
17:00está junto da,
17:01da minha,
17:02o Candeia nem chegou a saber disso,
17:04ele faleceu muito cedo,
17:06como nós tivemos um,
17:07um relacionamento que durou,
17:09muito pouco tempo,
17:10em função da,
17:12falecimento dele,
17:13mas estava lá,
17:14e eu tenho quase que certeza,
17:16que o,
17:17que o,
17:17o fotógrafo que tirou,
17:20as nossas duas,
17:22ele,
17:23a Candeia tinha uma diferença,
17:24de idade,
17:25para mim,
17:26uns quatro anos,
17:27mais ou menos,
17:28eu acho,
17:29e ele mais leve,
17:30né,
17:31então nessa foto,
17:33a pose é a mesmo,
17:36Jesus Cristo,
17:36doando,
17:37a nossa,
17:39nossa,
17:39nossa unção,
17:41né,
17:41mas,
17:42como o Lhama,
17:43etc e tal,
17:44e eu vestido,
17:45ele vestido,
17:46eu vestido mais ou menos,
17:48ponto M,
17:49também,
17:49calça de vampiro,
17:51etc e tal,
17:52e,
17:53ele cumpriu,
17:54né,
17:55a vida,
17:56a vida dele,
17:57e tal,
17:59o pai,
17:59não sei,
18:01não cheguei a conhecer o pai dele,
18:02nunca tinha possibilidade,
18:04mas o pai deve ter concordado,
18:07com que ele passasse,
18:08a integrar a Portela também,
18:10mas a minha,
18:11lá dentro da minha família,
18:12a coisa até ficou,
18:14e eu não falei nada,
18:16mas aí daqui a pouco,
18:17eu já estava,
18:17eles já estavam ingressando,
18:18em curso médio,
18:20vicino médio,
18:21o antigo curso sinasal,
18:23onde aí é que a coisa se,
18:26coisa se,
18:28petrificou,
18:29né,
18:29no sentido da,
18:31da,
18:31da eternidade,
18:33eu fiz uma amizade,
18:35dentro da,
18:36da escola,
18:37escola,
18:38escola técnica,
18:40escola de Mauá,
18:41Marechal Hermes,
18:42com um grupo de,
18:43quatro ou cinco,
18:45proleves,
18:46que tinham essa,
18:47mesma,
18:49a mesma ligação,
18:51com o Sama,
18:51só que uma ligação,
18:53uma ligação concretizada,
18:54vou conhecer,
18:56há outros da minha,
18:57minha faixa de idade,
18:59que já participaram,
19:00inclusive,
19:01um especificamente,
19:02que foi meu amigo,
19:04até depois,
19:06que me,
19:06me aprimorou,
19:08inclusive,
19:08sem,
19:09sem saber muito,
19:12o que seria isso,
19:14me aproximou,
19:15ainda mais,
19:18dessa,
19:19desse sonho,
19:20né,
19:21de integrar uma escola de Sama,
19:22Maurício Teodono,
19:24Ibaê,
19:25Deus o tenha,
19:27sob seu controle,
19:29é,
19:29Maurício Teodono,
19:31meu,
19:32meu amigo,
19:33até falecer,
19:34faleceu,
19:37é,
19:37tem,
19:37deve ter mais ou menos,
19:39uns,
19:39dez,
19:40vinte,
19:41vamos para aí,
19:42é,
19:44era integrante,
19:44de uma escola de Sama,
19:46chamado Acadêmico,
19:47do Salgueiro,
19:48onde a família dele,
19:49participava,
19:50ele morava,
19:51não morava no Irajá,
19:53morava,
19:54nem próximo,
19:55ele morava,
19:56inclusive,
19:56ele era interno,
19:57na escola de Sama,
19:58eu era,
20:00é,
20:00não era interno,
20:02é,
20:03mas,
20:03tudo,
20:03nos amigos,
20:04eu me liguei a família dele,
20:06e quando me liguei a família dele,
20:07a coisa ainda,
20:08aí,
20:09então,
20:09o outro,
20:10o outro caminho,
20:10cara,
20:11aí,
20:11eu passei,
20:12esse salveirense,
20:13no Irajá,
20:14morava,
20:15com vizinhos,
20:17Cortela,
20:18Pé de Serano,
20:20até,
20:21é,
20:22um pouco mais,
20:22onde ele,
20:23é,
20:25eu esqueço agora,
20:26em uma,
20:27em uma,
20:27em uma,
20:27em uma,
20:27em uma,
20:28em uma,
20:28em uma,
20:29mais ou menos ali,
20:31aprendi os sambas,
20:33quase tudo,
20:34em um salveiro,
20:35para aquela época,
20:37e relembrei,
20:38com uma pessoa,
20:39que era aliviada,
20:40a minha família,
20:41uma senhora,
20:42que era da Portela,
20:44que,
20:44é,
20:46conheci os sambas da Portela,
20:48através dela,
20:49e fazia meu,
20:50meu,
20:51meu nome lá,
20:52junto com a da da Otária,
20:53como se eu fosse um portelense,
20:55naquela época,
20:56mas no fundo,
20:56não é fundo,
20:57eu estava ali,
20:58sem perceber,
20:59estava sendo,
21:03trazendo para a minha edição,
21:04através da escola,
21:06é uma escola,
21:06era edição,
21:07era uma escola convencional,
21:09né,
21:09e,
21:11e,
21:11e,
21:11e,
21:11aí,
21:12resumindo,
21:14fiz o meu primeiro,
21:15meu primeiro desfile,
21:16em escola de samba,
21:18no império,
21:19no império,
21:20no académico do salveiro,
21:22depois de ter visto a escola,
21:24desfinava,
21:25as três vezes,
21:25foi,
21:26com o irmão mais velho,
21:27que eu tinha,
21:28que me levou,
21:29e tal,
21:29foi o,
21:32concretização disso tudo,
21:33e comecei no salveiro,
21:35no ano,
21:36em que o salveiro conseguiu,
21:38o seu primeiro,
21:39campeonato,
21:41e o campeonato inesquecível,
21:44Chica da Silva,
21:45Uau,
21:46apesar,
21:48de não possuir,
21:49grande beleza,
21:50Chica da Silva,
21:52surgiu seu,
21:54da mais alta empresa,
21:56bom contratador,
21:58tchim,
21:59tchim,
21:59que houve,
22:00no índio,
22:00e deu um bar,
22:02inesquecível,
22:03inesquecível,
22:04e foi um carnaval,
22:07modelar,
22:08saindo fora,
22:09inclusive,
22:10do modelo,
22:11que acontecia,
22:13era,
22:14era,
22:15era,
22:17estreia do Campone,
22:18também,
22:191962,
22:22na Rio Branco,
22:22não é?
22:24Presidente Vago,
22:25Presidente Vago,
22:25Presidente Vago,
22:26e é,
22:27e é da Candelária,
22:28até a,
22:30escola,
22:31até próximo da central,
22:33era,
22:33era o espaço ali,
22:35então,
22:35e com uma,
22:38foi,
22:38um enredo que eu não sabia,
22:40que ia acontecer,
22:41no jeito que ia acontecer,
22:42uma coisa,
22:43só,
22:44coisas surpreendentes,
22:46inclusive,
22:46o fato de,
22:47eu entrar,
22:49com o meu grupo,
22:50me ralo,
22:50tal,
22:51entra aqui,
22:52eu bora aqui,
22:52e eu digo,
22:53estou,
22:54não estou vendo nada,
22:55como é,
22:56cadê o,
22:57abre a ala da escola,
22:59quando eu olho para trás,
23:01ele é assim descrito,
23:02rindo,
23:03recreativo,
23:04acadêmico,
23:04do Salgueiro,
23:06apresenta,
23:08no cinema,
23:09como se fosse,
23:10eu tivesse até,
23:10mas no início de um filme,
23:13de um cara,
23:14mora,
23:15aí foi,
23:16fiquei,
23:17fiquei,
23:17fiquei,
23:17era o Salgueirense no Nino,
23:18da águia,
23:22infiltrado,
23:22e aí,
23:24porque eu vivi,
23:26me ido,
23:26já há algum tempo aqui,
23:27daí,
23:28fiz minha,
23:29concluí minha,
23:30minha carreira profissional,
23:33faculdade nacional de direito,
23:36e,
23:37quando,
23:40concretizei o sonho da infância,
23:42já entrando a tua universidade,
23:44isso foi interessante,
23:46meu pai,
23:46infelizmente,
23:47já não estava mais vivo,
23:48mas a família,
23:51vamos dizer assim,
23:52a família,
23:52co-onestou tudo,
23:54e,
23:55nessa co-onestação,
23:57até aceitar isso,
23:59aí as coisas,
24:00já estavam muito diferentes,
24:01tinha mudado,
24:03mudado muito,
24:04e,
24:05eu,
24:06eu cometi até a,
24:09vamos dizer assim,
24:11a traição contra,
24:13os objetivos da família,
24:16quando,
24:16depois de,
24:18bacharelado,
24:20direito de ciências sociais,
24:22resolviam,
24:23deixar para lá,
24:24e,
24:25de certa forma,
24:26ser o,
24:26viver,
24:27viver na música popular,
24:28caísse no salto,
24:29é,
24:30está tudo escrito lá,
24:31estava com o diploma pronto,
24:33semana a ver,
24:33tudo certo,
24:35vocês estão vendo,
24:36gente,
24:36que o Ney,
24:37se deixar aqui,
24:38a gente fica horas,
24:39relembrando essas memórias,
24:41deliciosas,
24:41da vida do Ney,
24:42mas com todas reunidas,
24:43nessa autobiografia,
24:45que você lança agora,
24:46em maio,
24:47legal,
24:47isso então vai ser,
24:48um compilado,
24:50de muitas memórias,
24:51como é que foi para você,
24:51Ney,
24:52colocar essas memórias no papel,
24:54revisitar tantas cenas antigas,
24:56né,
24:57que atravessam muito,
24:58não só o movimento do samba,
24:59mas a própria história do,
25:00do país,
25:00da cidade,
25:02foi uma,
25:02foi um,
25:03assim,
25:05é uma viagem,
25:06uma terapia?
25:08Também,
25:09eu,
25:09eu,
25:11logo assim que comecei,
25:13essa barra,
25:13foi,
25:17dois anos quase,
25:19é,
25:20tivemos um,
25:21terrível,
25:25desengano na minha vida,
25:27fiquei,
25:27eu,
25:28perdi a mulher,
25:30os meus sonhos,
25:32e a segunda,
25:32a segunda esposa,
25:34de uma maneira,
25:34muito,
25:37trágica,
25:38meio farta,
25:40me deixou muito mal,
25:42e,
25:45essa,
25:46essa viagem,
25:47por esse,
25:48por esse,
25:49trabalho,
25:50dessa,
25:53o encontro dessas,
25:55de todas essas lembranças,
25:57até,
25:57as coisas de familiares,
25:58mais,
25:59mais,
26:01menos,
26:01menos conhecida,
26:03eu fui buscar,
26:04nesse sentido,
26:05acho que foi a grande,
26:06a grande,
26:07a grande,
26:10é o grande momento,
26:12da minha,
26:12de minha atividade,
26:13como,
26:13como,
26:14como escritor,
26:15também.
26:15Foi o melhor,
26:16mais difícil de fazer ali?
26:18Não,
26:19não foi,
26:20não,
26:21foi,
26:21eu,
26:22de algum tempo,
26:23já tinha vontade de escrever,
26:24as trânsito da minha família,
26:26se eu tinha,
26:27vou,
26:27então aproveitei,
26:28nesse trabalho,
26:30para,
26:30exatamente,
26:31fazer isso,
26:32falar dos meus irmãos,
26:33falar da minha mãe,
26:34falar do meu pai,
26:35e falar do ambiente nosso,
26:38de casa,
26:40a,
26:41a,
26:41a,
26:42boa convivência que nós tivemos,
26:44uma família que todo mundo sabia pegar num instrumento e tocar,
26:48um,
26:49um instrumento de sopa,
26:50outro instrumento de percussão,
26:52etc,
26:52tal,
26:52e que teve um,
26:54um membro da família que foi para a guerra,
26:56na guerra,
26:57na primeira,
26:57na segunda guerra mundial.
26:59Gente,
27:00abre mais um capítulo,
27:02né?
27:03E que quando voltou,
27:05teve a recebê-lo,
27:06a maior festa que já aconteceu,
27:09no Irajá,
27:11em todos os tempos,
27:12o pessoal que eu,
27:13que eu conheci,
27:14quando ele voltou da guerra,
27:15voltou da guerra,
27:16eu tinha um,
27:17um Teté,
27:18que era um,
27:19um grande passista da Portela,
27:21ó,
27:22pra gente,
27:23tinha uma festa,
27:24igual aquela do Torre,
27:25não,
27:26a gente tem que morrer e nascer de novo,
27:29definiu,
27:30direito.
27:31Mas foi,
27:31foi o período que você perdeu a sua segunda esposa
27:33que te deu coragem pra escrever esse livro?
27:35Foi agora,
27:36Foi agora,
27:36ano passado,
27:37então,
27:38no momento,
27:40é,
27:41eu,
27:41não foi,
27:41não surgiu essa vontade de fazer a,
27:45a,
27:45o trabalho,
27:47é,
27:47desse jeito.
27:49Amigo meu,
27:50que,
27:51me acompanha há algum tempo e tal,
27:54disse,
27:54você tá escrevendo tanto,
27:56você tá publicando tanto,
27:58você já escreveu sobre tanta coisa,
28:00o que você não escreve sobre você mesmo?
28:05Isso é,
28:06é uma,
28:06é uma possibilidade,
28:08vamos ver se,
28:08ver se sai.
28:09E ele não me largou,
28:11enquanto,
28:12enquanto a gente não terminou.
28:13Terminamos agora,
28:15sem número a passar.
28:16Que maravilha.
28:16Vai pra,
28:17já está aí.
28:18Já está em processo de gráficos,
28:20já está em gestor.
28:22Maravilha.
28:22então,
28:23é,
28:25eu tô feliz,
28:26de certa forma,
28:27a dizer,
28:29essa,
28:29essa circunstância desagradável,
28:31que,
28:32sim,
28:33não motivou,
28:34mas,
28:35é,
28:35acendeu,
28:36acendeu a possibilidade,
28:38vamos sair,
28:38vamos ficar vivo e tal,
28:40e ela era uma pessoa também,
28:42muito,
28:43é,
28:44gostava de carnaval também,
28:45bastante,
28:47ligasse coisa de família também,
28:49com,
28:50é,
28:50participou da,
28:51também,
28:52salvia comigo,
28:54algumas vezes,
28:54que eu tive um momento,
28:56uma década de,
28:58de 80,
29:01que eu integrei a Velha Guarda na escola,
29:03que é,
29:03é,
29:05é,
29:06uma posição,
29:07né,
29:07dentro da escola de samba,
29:08hoje em dia.
29:09Estava garoto,
29:10já estava ali na Velha Guarda.
29:11Não,
29:11eu já estava já,
29:13é,
29:14já não me segura no casamento,
29:16já não era mais garoto,
29:17mas,
29:18mas,
29:18mas,
29:19estava na Velha Guarda,
29:20como talvez um dos mais,
29:21mais,
29:22mais,
29:22que os,
29:23aqueles senhores fundadores,
29:26né,
29:27tinha,
29:28e eu,
29:28era um convívio muito bom,
29:30né,
29:30eu,
29:31eu,
29:32no meio de,
29:33aqueles grandes conhecedores,
29:35né,
29:35eles me,
29:36me dando a,
29:39a importância,
29:41que eles achavam que eu tinha,
29:42e tal,
29:43pelo meu conhecimento,
29:44e eu já,
29:45já,
29:45já era,
29:47compositor,
29:48já gravado,
29:49e tal,
29:50já estava no mercado de,
29:51da,
29:52da samba também,
29:54é,
29:55concorri,
29:55com o Salgueiro,
29:56uns três,
29:58uns três,
30:00mas,
30:00não mais de três,
30:01alguns,
30:02e samba,
30:02e zinheiro,
30:04mas acabei me aborrecendo,
30:05por causa de samba,
30:06e rio,
30:06eu perdi,
30:08é,
30:08essa é a história do salmista,
30:10sim,
30:11e,
30:12aí,
30:12me liguei,
30:14não por vontade,
30:15mas ouvinte,
30:16e tal,
30:17me liguei,
30:18unido de Vila Isabel,
30:20fiquei três anos na,
30:23como diretor,
30:24é,
30:25com,
30:26do,
30:27na parte cultural,
30:29e concorri com dois samba,
30:30e rio,
30:32que apresentei,
30:33para que fossem escolhidos,
30:36ou não,
30:37na,
30:37na,
30:38nos anos,
30:38em que,
30:40é,
30:40eu,
30:41estou,
30:41estremei os anos que estive lá,
30:43e não,
30:44mas a escola foi muito mal,
30:45cedida,
30:47é,
30:47estava em,
30:48crise também,
30:50mas eu estou lá,
30:52nos anais,
30:53nos anais,
30:54embora não esteja nos anais,
30:57na,
30:58na,
30:58na,
30:58na,
30:59na,
30:59na,
31:00na,
31:01na,
31:01na escola.
31:01Maravilha.
31:03ouvindo você contar todas essas histórias,
31:05e,
31:05me rememorando,
31:06né,
31:06seu passado,
31:08a gente percebe claramente,
31:10pelo que você contou aqui para a gente,
31:12né,
31:13nesse programa,
31:14o quanto,
31:15o próprio samba foi se modificando,
31:17né,
31:17quer dizer,
31:17lá atrás,
31:19é,
31:20era uma coisa mega marginalizada,
31:22havia um preconceito muito forte,
31:24para quem cantasse,
31:25tocasse samba,
31:26e hoje,
31:28você acredita que ainda há resistência para o samba?
31:32Essas resistências são outras,
31:35hoje,
31:36o que,
31:36o que,
31:38fez a escola de samba sobreviver,
31:40para tudo esse,
31:41esse tempo,
31:42né,
31:43que a gente tem aí,
31:43desde a década de 30,
31:46é,
31:46nesta meia,
31:46desde a década de 1900,
31:47até hoje,
31:49tem um sentido comunitário,
31:51isso,
31:52isso foi o que,
31:53que garantiu,
31:54no sentido comunitário,
31:56durante todo esse tempo,
31:58as pessoas eram,
32:00tinham a,
32:02a,
32:04o,
32:06o,
32:06vamos dizer assim,
32:08o concurso,
32:09da,
32:09da,
32:10da,
32:12da,
32:12da,
32:13da,
32:14da possibilidade de estarem juntos,
32:16etc,
32:17e tal,
32:17as,
32:17as programações,
32:19inclusive,
32:19pesta coletição,
32:20era programação recreativa mesmo,
32:22de clube,
32:23e tal,
32:23faziam bailes
32:25faziam festas
32:26comemorativas
32:28de datas
32:30importantes, faziam piqueniques
32:33iam pela baía de Guanabara
32:38levando a sua alegria
32:40dançando nas casas de dançar
32:43cafieira do Mirajá
32:45uma coisa que
32:46começou a não acontecer
32:49mais há pouco tempo
32:51uma década de 70
32:52que é uma década que eu acho que foi
32:57muito perigosa
32:59eu imaginava
33:01que na década de 70
33:03eu já com bastante
33:06conhecimento histórico
33:08e possibilidade
33:09de analisar
33:12teoricamente
33:13o que estava acontecendo
33:14o que aconteceu
33:16no mundo inteiro, na década de 70
33:19todo mundo sabe
33:20a globalização, etc
33:22o mundo sabe disso
33:24e o que aconteceu com a escola de samba
33:26é que elas foram vitimadas
33:29de uma injeção
33:31de consumo
33:36dando ordem
33:39em todos os sentidos
33:41alguém nos ouvidos
33:45os ouvidos de alguém
33:46o seguinte
33:47vocês tem que ser melhores
33:49vocês tem que fazer teatro
33:51fazer como fazem
33:54fazer o cinema americano
33:56e isso
33:57isso impactou bastante
34:02impactou bastante
34:02o conjunto
34:05todo das coletivas
34:06e aí começaram a acontecer coisas diferentes
34:12coisas que nem interessam conversar
34:17diferentes
34:20globalisticamente
34:21o tempo inteiro
34:22coisa diferente
34:23e eu me lembro
34:25uma coisa interessante
34:26também
34:27que não é que a escola de samba
34:29não era
34:29a coisa mais importante
34:31do carnaval
34:32hoje é
34:33o mais importante
34:34do carnaval
34:36buscavam
34:37o bairro
34:37do mundo
34:39muitos lugares
34:41tem
34:41o carnaval
34:42é muito
34:43lembrado a Bracelha
34:44exatamente por conta
34:45dessas
34:48possibilidades
34:49que
34:49vieram
34:50por hoje
34:50mas aí
34:52nessa época
34:54o Rio de Janeiro
34:55já tinha
34:56já tinha
34:56desde o início
34:57antes da escola de samba
34:59começar
35:00já tinha
35:01tipos de
35:03comemorações
35:03de rua
35:04com concorrência
35:06e tal
35:07valendo o prêmio
35:10passas
35:10etc
35:11e tal
35:11que eram mais
35:12importantes
35:13do que o samba
35:14o samba
35:15com toda
35:16com toda
35:17essa
35:18essa
35:19essa reviravolta
35:21eu comecei
35:22a imaginar
35:23que
35:23eu senti
35:25o seguinte
35:25o samba
35:26acabar
35:27e aquelas
35:28outras coisas
35:29as chamadas
35:31como é que chamavam
35:32eram
35:34o rancho
35:35os carnavalistas
35:36as grandes sociedades
35:38iam tomar espaço
35:39iam tomar espaço
35:40e iam tomar espaço
35:40e iam tomar espaço
35:41eu imaginava isso
35:42e
35:43tanto que
35:44tinha várias coisas
35:45engraçadas
35:45da minha
35:46da minha
35:47infância
35:48que eu não percebi
35:48direito
35:49mas depois
35:49eu entendi
35:50é
35:51uma coisa
35:52olha
35:52e a Portela
35:53Portela
35:54quando começou
35:55a Portela
35:56veio do início
35:57o início
35:57o que começou
35:58mesmo
35:59quando ela era
36:01adolescente
36:02foi o Império Senna
36:03mas lá a Portela
36:04o pessoal
36:04diz
36:05e Portela
36:06não pode ganhar
36:07esse ano não
36:08mas por que
36:09se ela ganhar
36:12vai ter que passar
36:14rancho
36:14que o rancho
36:15era o melhor
36:18do carnaval
36:18depois das
36:23era melhor
36:24nas organizações
36:26comunitárias
36:27que as outras
36:29eram
36:30comerciais
36:31nem os
36:34pobres
36:34nem os
36:35pobres
36:35nem os
36:36comerciais
36:38porque tem
36:39no
36:39tem ali
36:40um escrito
36:41coisa que
36:42se
36:43se sair
36:45mas
36:45mas
36:47mas
36:47ganhar mais de uma vez
36:49vai ter que
36:50ser
36:50errantes
36:51Ah
36:51entendi
36:52se fala
36:53outra coisa
36:53o nosso tempo
36:54está terminando
36:55mas eu queria
36:55mostrar
36:56o livro
36:57aqui
36:57que originou
36:58o Enedo
36:59da Tuiuti
37:00esse ano
37:00em Falou Comigo
37:01Resgaste da tradição
37:02linda capa
37:03esse livro aqui
37:04queria que você me falasse
37:05então para a gente
37:06poder ir concluindo
37:06sobre a importância
37:08de toda essa
37:09intelectualidade
37:10pensar
37:11não só a questão
37:12das culturas
37:14afro-brasileiras
37:15mas também
37:15você trazer
37:16todo esse conhecimento
37:17para ir na academia
37:18colocar isso
37:19em um livro
37:20qual é a importância
37:21disso e de que forma
37:21isso legitima
37:22todos esses movimentos
37:24culturais
37:25que são de certa forma
37:27invisibilizados
37:28historicamente
37:28no Brasil
37:29eu acho que
37:31a importância
37:32é exatamente
37:33mostrar que
37:34há um caminho
37:34que há um caminho
37:36para essas
37:36para essas manifestações
37:38todas
37:39da cultura popular
37:40brasileira
37:41entende
37:42se a gente ficar
37:43querendo imitar
37:44a televisão
37:45querendo imitar
37:46o rádio
37:47querendo imitar
37:48ou ter medo
37:49de virar
37:50passar rancho
37:51aí não acontece nada
37:54tem que continuar
37:55isso aí
37:55isso aí
37:56que é
37:57uma
37:59legitimação
38:00da importância
38:01da
38:03do componente
38:04afro
38:06que existe
38:07no Brasil
38:08de um ano geral
38:08e essa é
38:09da minha
38:10da minha percepção
38:12entende
38:12a gente pode
38:13fazer samba
38:14é fazer política
38:16da de ser
38:17tem que ser
38:18tem que ser
38:19no momento certo
38:20momento certo
38:22tem que ser
38:22e eu já
38:23eu tenho a felicidade
38:25de ter no meu repertório
38:27um bocado
38:28de momentos
38:30em que eu mexo
38:31com isso
38:31eu tenho
38:33para exemplificar
38:35eu tenho um samba
38:35foi gravado
38:37na década
38:37de 70
38:38já foi
38:39cantado
38:40até
38:40no 7 de setembro
38:41uma comemoração
38:43em Brasília
38:43canta esse trechinho
38:44para a gente
38:45abre as asas
38:46sobre mim
38:46ó senhora
38:48liberdade
38:49eu fui condenado
38:51sem merecimento
38:52por um sentimento
38:54por uma paixão
38:56violenta emoção
38:57e vai
38:58esse é um deles
39:00mas
39:00é isso
39:02acho que é
39:03brasilidade mesmo
39:04eu
39:04eu
39:05eu
39:06eu
39:07não tenho
39:08vergonha
39:09de dizer que
39:11não sou
39:12não
39:12não sou
39:14um
39:15e assim
39:16uma sonarista
39:17me senti
39:18no sentido
39:20feio
39:21que essa palavra tem
39:22né
39:22mas
39:24eu acho
39:25que o Brasil
39:25merece
39:26merece
39:27muito
39:27o nosso
39:28amor
39:29e a nossa
39:30vontade
39:32de transformá-lo
39:33em alguma coisa
39:35bastante melhor
39:36do que
39:37a gente está
39:38vivendo hoje
39:39porém
39:39você vai fazer
39:3984 anos
39:40qual é o piso
39:41dessa idade
39:42na sua vida
39:42no seu dia a dia
39:44é o peso
39:45de ter que estar
39:45fazendo
39:47pilates
39:47essas coisas
39:49é
39:50é um jeito
39:50se a gente quer
39:51continuar
39:51tem que dar um
39:52mas eu tenho
39:53um filho
39:55que cuida
39:55disso tudo
39:56pra mim
39:57e a gente
39:58está
39:58que também
39:59se chama
39:59neiló
40:00a culpa
40:02não foi minha
40:02não
40:02foi da mãe
40:03minha
40:05é isso
40:05é isso
40:06maravilha
40:07então pra
40:07expor e terminar
40:08esse programa
40:08eu queria que você
40:09cantasse
40:09um trechinho
40:10de mais um samba
40:11um samba
40:11que marca
40:12sua trajetória
40:13tem
40:14tem bastante
40:15tem umas
40:15sátiras
40:17que eu gosto
40:17muito
40:18no tempo
40:19que Daldon
40:19jogava
40:20no andar
40:20aí
40:21nossa vida
40:22era mais
40:23simples
40:23não tinha
40:25tanto
40:25miseria
40:26nem tinha
40:27tanto
40:27no tempo
40:29que Daldon
40:29jogava
40:30no andar
40:30é até
40:31uma
40:31é uma
40:33mexidinha
40:33aí
40:33na
40:34naquele tempo
40:35era bem menor
40:36então
40:37eu caminho
40:38por várias
40:38possibilidades
40:39do samba
40:40também
40:41e
40:42gosto
40:43muito
40:43foi isso
40:44maravilha
40:45né
40:45e muitíssimo
40:46obrigado
40:46pelo bate-papo
40:47pela conversa
40:48eu agradeço
40:49a vocês
40:49pela lembrança
40:50do meu nome
40:50como não
40:52lembrar
40:52imagina
40:54deu algum
40:55tempo aí
40:55meio
40:56escanteado
40:57mas
40:57você é referência
40:59estou trabalhando
41:00aí fica imaginando
41:01inclusive
41:01que você deveria
41:02estar na BL
41:02pela sua
41:04contribuição
41:04dos seus
41:05livros
41:05todos
41:05isso aí
41:06é uma
41:06ausência
41:07sentida
41:08deixa
41:08se registrar
41:09acho que tem gente
41:10que também
41:10pensa assim
41:11eu não sei se
41:13eu não sei se
41:15se eu gostaria
41:18mas eu tenho
41:19eu tenho
41:19de certa forma
41:21uma ligação
41:22próxima
41:23com
41:24com o quadro
41:25da
41:26atuar
41:27vamos ver
41:28eles estão mais abertos
41:29agora né
41:29agora eles estão mais abertos
41:31para a sociedade
41:32tomara
41:33nossa torcida aqui
41:34para que haja
41:34sempre o reconhecimento
41:35afinal de contas
41:36é isso né
41:37eu estou costumando dizer
41:39que já sou acadêmico
41:40claro
41:41isso aí com certeza
41:44doutor honoris causa
41:45está sempre ali
41:47o meio acadêmico
41:47está sempre ali
41:48agora com seus livros
41:49então
41:49cada vez mais
41:50gente
41:50esse foi o nosso programa
41:52semanal da coluna gente
41:54diretamente aqui
41:54do seu canal
41:55do youtube
41:55na plataforma veja mais
41:57na versão podcast
41:58no spotify
41:58e também nas tvs
42:00samsung
42:00lg
42:01oku
42:02e tcl
42:03vocês sabem
42:03toda segunda-feira
42:04um programa novo no ar
42:06fiquem bem
42:07e até a próxima segunda
42:08tchau tchau
42:08tchau
42:09tchau
42:10tchau
42:12tchau
42:12tchau
42:13tchau
42:13tchau
42:14tchau
Comentários