O Ponto de Vista desta terça-feira, 3 de março, analisa a escalada do conflito no Oriente Médio, com o avanço de tropas israelenses no sul do Líbano contra o Hezbollah, apoiado pelo Irã. O jornalista Marcos Uchôa comenta os riscos de ampliação da guerra e os impactos globais.
No Brasil, a Câmara quer ouvir o chanceler Mauro Vieira sobre a posição do governo Lula diante da crise. No cenário eleitoral, pesquisa Real Time Big Data mostra Lula à frente no primeiro turno e empate técnico com Flávio Bolsonaro no segundo. O programa também debate os movimentos de Lula nos estados, as dúvidas de Fernando Haddad sobre disputar o governo de São Paulo, os desdobramentos da CPMI do INSS e a decisão da PGR sobre inquérito envolvendo Alexandre de Moraes e Elon Musk.
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No Brasil, a Câmara quer ouvir o chanceler Mauro Vieira sobre a posição do governo Lula diante da crise. No cenário eleitoral, pesquisa Real Time Big Data mostra Lula à frente no primeiro turno e empate técnico com Flávio Bolsonaro no segundo. O programa também debate os movimentos de Lula nos estados, as dúvidas de Fernando Haddad sobre disputar o governo de São Paulo, os desdobramentos da CPMI do INSS e a decisão da PGR sobre inquérito envolvendo Alexandre de Moraes e Elon Musk.
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NotíciasTranscrição
00:27Obrigado.
00:57Obrigado.
01:04Oi, gente. Sejam todos muito bem-vindos e bem-vindas ao Ponte Vista, programa de política de Veja.
01:09Eu sou a Marcela Rao e aqui a gente sempre traz muita informação, análise e entrevista.
01:14Lembrando que estamos ao vivo na Home de Veja no YouTube e também no nosso canal Veja Mais,
01:18que você acompanha nesses números que aparecem aí na sua tela e também, claro, nas nossas redes sociais.
01:23Vamos juntos, então, uma ótima terça-feira.
01:25A gente começa falando sobre a guerra no Irã, o conflito que já se espalha pelo Oriente Médio.
01:31Israel invadiu o Líbano por terra atrás do grupo terrorista Hezbollah.
01:36Inclusive, a gente tem uma matéria sobre isso na Home de Veja.
01:39Vou mostrar aqui para vocês, trazer outros detalhes.
01:41Também tem as imagens aí para vocês acompanharem, né, como é que está a situação por lá neste momento.
01:45Olha aí. A gente vê, inclusive, uma explosão acontecendo ali em meio aos prédios.
01:53Daqui a pouquinho, inclusive, a gente vai falar sobre esse conflito com o jornalista Marcos Uchoa.
01:57Ele já cobriu guerras, já esteve no Irã algumas vezes e vai analisar o cenário no Oriente Médio.
02:04Por aqui, em meio a essa escalada, a Comissão de Relações Exteriores da Câmara pretende analisar,
02:09nesta terça-feira, um requerimento para convocar o ministro de Relações Exteriores, o Mauro Vieira,
02:15para prestar esclarecimento sobre a postura adotada pelo governo Lula e pelo Itamaraty em relação às tensões no Oriente Médio.
02:24Lembrando que o Itamaraty divulgou uma nota logo depois do ataque que aconteceu no sábado,
02:28feito pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã.
02:32E o governo brasileiro se posicionou de forma condenando esse ataque e, claro, defendendo o diálogo,
02:40não é esse tipo de violência.
02:42Essa já é uma postura que já vem sendo adotada, que é a postura adotada pela diplomacia brasileira.
02:48Sempre buscando o equilíbrio, o diálogo e não o ataque.
02:53Bom, vamos acompanhar para ver se eles votam esse requerimento.
02:56Assim que tiver novidade em relação a isso, também tiver outras informações sobre a guerra,
03:00a gente vai trazer aqui.
03:01E também, claro, lembrando, a gente vai conversar com o nosso jornalista,
03:04com o jornalista, aliás, o Marcos Uchoa, que já cobriu guerra e vai trazer outras informações para a gente.
03:10Agora, tratando aqui sobre o nosso cenário doméstico, tem uma pesquisa que saiu hoje da Big Data Real Time,
03:18que mostra que o presidente Lula ganha de todos os seus adversários no primeiro turno.
03:22No segundo turno, empata com o senador Flávio Bolsonaro, portanto,
03:27aí mais uma pesquisa trazendo essa intenção de crescimento,
03:33essa escalada no crescimento do senador Flávio Bolsonaro
03:37nas eleições presidenciais deste ano.
03:40Bom, vamos conversar agora com o Lucas Tuti Sadi,
03:43que é diretor executivo da Real Time Big Data.
03:46Vamos falar com ele, então.
03:47Lucas, seja muito bem-vindo.
03:48Obrigada pela sua participação aqui no Ponto de Vista.
03:51Bom dia, Marcela.
03:52Eu que agradeço.
03:53Lucas, a gente viu, então, esse crescimento que vocês registraram
03:57do senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas no segundo turno,
03:59empatando com o presidente Lula.
04:01Essa vem sendo, inclusive, uma tendência que outros institutos também têm acompanhado.
04:05A que você acredita nisso?
04:07Olha, o que a gente tem visto é o maior conhecimento do público
04:12em relação à candidatura do Flávio Bolsonaro
04:16como adversário do Lula e potencial adversário do Lula no segundo turno.
04:20Além disso, a gente vê também a rejeição do presidente crescendo neste momento.
04:25A gente vê que a aprovação dele não vai bem.
04:29O presidente está, basicamente, no vale da sua aprovação.
04:34Está lá embaixo, onde os gráficos mostram esse deterioramento da aprovação dele.
04:41Esses dois fatores estão mostrando um segundo turno acirrado, mais uma vez,
04:47aqui no Brasil, como foi na eleição anterior.
04:50Agora, dessa vez, com o Flávio Bolsonaro e Lula.
04:54Mauro Paulino, o nosso colunista, está aqui com a gente.
04:58A gente, Paulino, seja bem-vindo, bom dia para você.
05:02Se você quiser...
05:03Ali, não, aqui a gente abriu a câmera para, enfim, você participar.
05:06Bom dia.
05:08Bom dia, Lucas.
05:08Prazer em falar com você.
05:09Bom dia a todos.
05:12Nos números internos, nos segmentos, o que te chamou a atenção nessa pesquisa,
05:17tanto em relação ao crescimento de Flávio, quanto à estabilidade de Lula?
05:23O que a gente nota é, para o presidente Lula, ele tem perdido um pouco da sua base de apoio,
05:32vamos dizer assim, principalmente no Nordeste.
05:34Tem caído a sua intenção de voto no Nordeste, embora seja alta, seja onde lidera, no Brasil,
05:42mas ainda assim ele tem perdido espaço nessa disputa.
05:49Por falar em primeiro turno, inclusive, a gente vê, quando a gente coloca, testa aí,
05:53o Ratinho, o Júnior, junto nessa candidatura para a presidência,
05:59o presidente acaba perdendo um pouco de voto, inclusive, para o Ratinho Júnior.
06:03Então, há um cruzamento dos votos da base lulista, por assim dizer,
06:08o pessoal do Nordeste, principalmente, ou uma classe um pouco mais baixa,
06:12que migra o seu voto quando entra o Ratinho Júnior na jogada.
06:17Então, tem essa nuance aí que a gente nota no cenário de primeiro turno.
06:26O cenário de segundo turno a gente vê muito baseado nas rejeições.
06:30A gente vê bastante a rejeição do presidente,
06:33aquela, infelizmente, aquela eleição que a gente fala que não é uma eleição propositiva,
06:38e sim na rejeição.
06:40Então, aqueles que o Brasil, como dividido, como a gente vê,
06:45aqueles que rejeitam um, acabam votando no outro,
06:47não com relação às suas propostas, mas sim com relação à rejeição do outro candidato.
06:55Sim, nosso clonista também participa.
06:57Bonin, bem-vindo, bom dia.
07:00Bom dia, Marcela, Paulino, pessoa que está nos acompanhando em casa.
07:03Doutor, a que ponto a gente pode analisar os dados desse momento da pesquisa,
07:09que é sempre um retrato de momento,
07:11a carga que, ou a perda de capacidade de compra do brasileiro,
07:17o poder de compra parece estar estrangulado a ponto de
07:21toda a plataforma social do governo de distribuição de renda
07:24não transmitir, não converter em popularidade para o presidente votos.
07:30Até que ponto isso impacta no resultado dessa pesquisa?
07:34E queria saber também do senhor se o passado de ambos os candidatos,
07:39o que ambos representam,
07:40se ele também está impactando, de certa forma,
07:43nesses dados que a gente vê hoje.
07:46Verdade.
07:47A gente vê bastante, principalmente nas pesquisas qualitativas,
07:51que vão além dessa quantitativa que a gente fez,
07:54a reclamação do brasileiro com relação à perda do poder de compra,
08:00de comer, dos bens de consumo,
08:03que foi a plataforma do governo, ou do candidato, na época, Lula,
08:08para ser eleito.
08:09Ele falou que a vida ia melhorar.
08:11Tem aí a metáfora da picanha, da cervejinha,
08:15mas a vida do brasileiro ia melhorar.
08:17E não melhorou.
08:18Quando não melhora, principalmente quando a gente está falando da camada mais pobre,
08:22que é aquela que a gente vê que vota mais no Lula, no presidente,
08:28existe uma frustração com aquilo que ele esperava que aconteceria e não aconteceu.
08:36Embora tenha tido alguns momentos aí que a gente viu
08:38programas sociais fazendo algum efeito com essa camada da população,
08:45como o Vale Gás, esse tipo de coisa,
08:47já não parece ser mais suficiente e volta a cair a aprovação do governo,
08:53muito calcado nessa parte econômica.
08:56E, por outro lado, aquilo que você perguntou a respeito do passado dos candidatos
09:02é aquilo que a gente vem falando da rejeição.
09:04Não há, por enquanto, uma terceira via que se mostra
09:10com capacidade de lutar pelo segundo turno.
09:13Quem melhor se coloca aí é Ratinho Júnior,
09:16com basicamente 10% das intenções de votos,
09:19mas parece hoje, como você bem disse, que é uma foto de momento,
09:24que o segundo turno vai ser entre Lula e Flávio Bolsonaro.
09:28E ambos carregam a rejeição dos seus nomes pelo que fizeram no passado.
09:33Lula, pelo histórico que tem aí,
09:36de alguns escândalos de corrupção,
09:38e Bolsonaro, o Flávio Bolsonaro,
09:41herdando um pouco da rejeição do pai Jair Bolsonaro
09:46e esses outros escândalos que possam estar envolvidos aí.
09:51Agora, Lucas, os números em relação à economia mostrados pelo governo
09:57são muito positivos, né?
09:59Pleno emprego, a inflação controlada, enfim.
10:05Como que você avalia isso?
10:07Por que a população, especialmente a população mais pobre,
10:12o eleitorado mais afeito ao Lula,
10:17por que esse eleitorado ainda continua pessimista em relação à economia,
10:21apesar dos números positivos?
10:24A gente vê números de todas as formas, né?
10:29De como é.
10:30A verdade é que quando a gente conversa com essa população,
10:33a realidade é outra, né?
10:35Mesmo nós, aqui, quando vamos ao mercado,
10:38pagamos nossas contas,
10:39nós vemos uma inflação escrita em números
10:43e outra sentida no bolso, né?
10:45É uma realidade completamente diferente.
10:48E, por isso, a população não consegue, de fato,
10:54hoje, que as suas expectativas sejam atendidas,
10:58no mínimo, no básico, na comida, por exemplo, né?
11:01É comum a gente ouvir falar da população quando a gente conversa
11:05que hoje eles não têm capacidade de ir ao mercado,
11:08comprar uma carne, comprar uma proteína.
11:12As pessoas estão apelando para outras coisas,
11:15como os ovos, ou um embutido, alguma coisa assim.
11:21Então, apesar de termos números oficiais do governo,
11:25pleno emprego,
11:26não é o que a população sente no seu dia a dia.
11:31Parece que a informalidade, inclusive, no momento do emprego,
11:37considerado, muitas vezes, como algum tipo de emprego,
11:40não satisfaz a população.
11:42Eu gostaria de ter um emprego garantido, vamos dizer assim,
11:46pela nossa CLT, esse tipo de coisa.
11:48São esses fatores que não permitem com que a população
11:52esteja, de fato, contente com a situação
11:56que acontece hoje no nosso país.
11:59Agora, Lucas, num cenário que eu estou vendo aqui
12:02de segundo turno com o presidente Lula e Ratinho Júnior,
12:05o Ratinho Júnior empata, tecnicamente, com o presidente Lula.
12:09Ele cresceu bastante nessa nova pesquisa de vocês.
12:13Cresceu bastante.
12:14Embora a gente não tenha feito uma pesquisa de segundo turno
12:16na anterior, mas outros institutos fizeram,
12:19e o Ratinho tem crescido.
12:22Ele se posiciona com aquele nome mais viável
12:26da chamada terceira via.
12:28Ele demonstra que tem capacidade de um enfrentamento
12:31no segundo turno diferente dos outros candidatos.
12:34até porque, aquilo que a gente conversou um pouquinho antes,
12:37Ratinho cruza um pouco de votos, principalmente nessa camada
12:41da população um pouco mais pobre, com o Lula.
12:43Ele, o que a gente chama de roubar os votos do Lula.
12:46Ele consegue transferir, talvez, a credibilidade que ele tenha,
12:52talvez pelo nome dele,
12:56como um cara que pode fazer por essa população,
12:59que ele atrair esses votos, tirando um pouco do atual presidente Lula.
13:04Boni.
13:06Agora, até que ponto a gente está num cenário
13:09em que o presidente Lula oferece uma sequência do que está aí?
13:14Que, claramente, não está agradando pelas pesquisas.
13:17O Flávio, a gente ainda está com uma mão incógnita,
13:19porque não se conhece as propostas,
13:21o que ele pretende fazer.
13:22Parece que ele está seguindo aquele roteiro do Jair Bolsonaro de 2018,
13:25que quase não fez campanha.
13:27A saída para essa terceira via é pela via programática?
13:32É o eleitor, ele está buscando alguma visão de futuro,
13:39algum candidato que prometa ou que faça com que ele sonhe
13:42com algo melhor lá na frente?
13:44Ou isso também não escapa mais da polarização?
13:47A gente está fadado a isso?
13:49É difícil dizer que a gente consegue uma candidatura propositiva nesse momento,
13:58que mesmo que seja uma terceira via,
14:01o eleitor está muito polarizado.
14:04A gente vê bastante essa questão na hora da aprovação do governo,
14:11quando a gente fala do Ratinho e mesmo do Lula,
14:15e também muito na rejeição aos candidatos.
14:17A gente vê bastante isso.
14:21Seria o mundo ideal que a gente tivesse uma eleição propositiva
14:26de candidatos que estivessem pensando no melhor do Brasil
14:28e não se aproveitando, vamos dizer assim, da rejeição do outro.
14:33Fica difícil para essa terceira via nesse momento.
14:36Tem que ser uma campanha propositiva,
14:39ela tem que propor algumas coisas,
14:40até porque ela não vai conseguir brigar com aquela parte do eleitorado
14:44que, de certa forma, o apoiaria.
14:47Porque estamos falando de uma terceira via mais à direita.
14:50A gente tem uma candidatura só de esquerda,
14:53uma candidatura polarizada de direita,
14:55e essa terceira via tentando se colocar numa centro-direita,
14:58mais ou menos, ali pelo PSD,
15:00como seria o Eduardo Leite, o Caiado ou o Ratinho Júnior.
15:05Então, deveriam tentar conquistar o eleitor propositivamente,
15:10mas acho difícil nesse momento que esse discurso colhe de alguma forma.
15:15A gente teve uma eleição calcada lá na segurança pública
15:20e na anticorrupção, quando Jair Bolsonaro foi eleito,
15:23depois na tentativa de melhoria de vida do brasileiro,
15:28e mais uma vez a gente está numa pauta econômica.
15:30Então, se alguém tiver alguma coisa que coloque
15:33que vai melhorar o brasileiro,
15:36que o poder de compra do brasileiro vai melhorar,
15:40que a vida do brasileiro vai melhorar,
15:41seria um bom caminho para uma candidatura.
15:44Agora, se isso vai colar no eleitorado,
15:47é o que todos querem saber e querem a resposta na urna lá em outubro.
15:54Muito bem, a gente conversou com o Lucas Tutsadi,
15:57que é diretor executivo da Real Time Big Data.
15:59Lucas, muito obrigada e até uma próxima.
16:02Obrigado, Marcela. Obrigado a todos. Um abraço.
16:06Boninho, bom, você traz uma informação também na coluna radar,
16:09de Veja, que Lula agora tem que correr contra o tempo.
16:12Uma situação que era muito confortável no comecinho do ano,
16:16no final do ano passado, para o presidente.
16:17As pesquisas têm mostrado agora que tem um crescimento,
16:21uma ameaça real do senador Flávio Bolsonaro no segundo turno.
16:25Como é que está isso?
16:27Marcelo, o ano começou para o presidente com conforto,
16:30porque as pesquisas mostravam que ele vencia todo mundo.
16:33Não importa o desafiante que figurasse na pesquisa,
16:37no segundo turno dava Lula reeleito.
16:41E o que a gente veio acompanhando ao longo desses dois meses
16:44que se passaram do ano, foi que essa sensação de conforto
16:48levou o presidente Lula a escolhas que foram duvidosas
16:52e que custaram essa popularidade dele.
16:55Tirando tudo que a gente já falou, da piora da situação do país
16:59e da percepção do eleitor de que a vida não melhora,
17:03como bem disse o nosso entrevistado agora,
17:06é interessante lembrar que o presidente Lula,
17:08durante todo esse mandato, as pesquisas mostraram
17:11que o brasileiro considerava que o país estava no caminho errado.
17:15Com Lula no Planalto, nunca houve um momento
17:17em que o país, em que as pesquisas retrataram o Brasil no caminho certo.
17:22E, mais, o presidente, talvez levado pelos aliados,
17:26por aquelas pessoas mais próximas que vivem a exaltar
17:29o presidente Lula dentro do palácio,
17:31acreditou que seria uma boa ideia, por exemplo,
17:33fazer aquele desfile na Sapucaí,
17:35em que ele foi homenageado por uma escola que acabou rebaixada.
17:39E ainda, né, tripudiou do eleitorado conservador.
17:45Então, o presidente Lula, ele chega nesse terceiro mês,
17:49último ano de mandato, com muita coisa para resolver.
17:54A oposição até tem os seus conflitos,
17:58a briga que gera sempre muito barulho dentro do clã Bolsonaro,
18:02mas a oposição já tem alguns palanques definidos,
18:05já tem muitos candidatos fazendo campanha nas redes sociais,
18:08uma arena que o TSE não controla direito,
18:11e é uma arena importante, porque alcança muita gente.
18:15E o presidente Lula, hoje, se for consultado
18:17sobre quem é o vice dele na campanha,
18:20nem isso ele sabe dizer.
18:21Está tudo muito atrasado do lado do presidente Lula.
18:24E o avanço do Flávio nas pesquisas,
18:27essas pesquisas de início de março,
18:30provocaram esse alerta, vamos assim dizer,
18:33no entorno do presidente ali.
18:34E o presidente começou a se envolver pessoalmente
18:37nas questões, porque sem a participação direta do Lula,
18:40pelo menos foi isso que ele percebeu nesses últimos dias,
18:44as coisas não estavam andando.
18:46Então ele chamou o Fernando Haddad para uma conversa
18:48com o Geraldo Alckmin hoje, para decidir o que vão fazer em São Paulo.
18:51O Haddad pode ser o candidato,
18:53Alckmin é uma incógnita se ele segue como vice,
18:56ou se ele vai para alguma outra missão.
18:58Ele está negociando com o Rodrigo Pacheco,
19:00um palanque em Minas Gerais, que é um estado vital.
19:02As pesquisas mostram que ninguém vai ganhar a eleição
19:05se não ganhar em Minas Gerais.
19:06E há uma série de outros acertos,
19:09tanto no Nordeste quanto nos estados do Sul e Sudeste,
19:12que dependem do envolvimento direto do presidente Lula,
19:16que ele vinha evitando isso.
19:17A gente viu essa semana, por exemplo,
19:18que alguém chegou a suscitar a possibilidade
19:21do Lula se oferecer como mediador
19:23na crise no Oriente Médio.
19:25Olha o tamanho do descolhamento de realidade.
19:27A gente vai acabar esse mês,
19:30praticamente metade do governo, um pouco mais,
19:33vai embora, os ministros vão se desincompatibilizar
19:35para fazer campanha.
19:36E esses ministros que vão fazer campanha
19:39já abandonaram o governo.
19:40Hoje eles estão no cargo,
19:42mas você não vê uma defesa coesa dos ministros,
19:45do presidente Lula,
19:46nas redes sociais,
19:47anunciando ou propagando as ações do governo.
19:51Esse buraco, esse rombo na narrativa
19:54que o governo precisa levar para a população
19:57nesse momento,
19:58de que as coisas estão acontecendo,
20:00ele faz toda a diferença nas pesquisas.
20:03E os ministros que estão no governo hoje
20:05estão preocupados com as suas questões pessoais.
20:07O presidente Lula vai ficar, a partir de abril,
20:10com um governo de segundo escalão
20:12para tocar a burocracia do dia a dia
20:14e não tem, até o momento,
20:17o seu exército organizado nos estados
20:19para fazer esse debate com o bolsonarismo.
20:21Onde os candidatos bolsonaristas
20:23estão nos estados criticando o governo
20:25e mostrando contradições do governo petista,
20:27não tem um oponente logo atrás
20:29para tentar convencer o eleitor
20:30de que aquilo que a oposição está dizendo
20:31não é bem assim.
20:33Então esse é o problema do presidente Lula no momento.
20:35Pura desarticulação, falta de discurso.
20:38A esquerda não tinha nada que estar batendo boca
20:41com a direita nessa questão do Oriente Médio,
20:43tendo tanta coisa para resolver aqui no país.
20:45E dessa forma,
20:47a gente vai acompanhando uma certa angústia
20:50no Palácio do Planalto porque as coisas
20:52não decolam, Marcelo.
20:54É, pois é.
20:55Parece que está ali entrucado mesmo.
20:57Agora, o que era a piada, né, Paulino,
20:59do próprio PT, do governo,
21:01a piada interna, a candidatura do senador
21:03Flávio Bolsonaro,
21:04eles até comemoraram, né,
21:05quando ele foi lançado ali,
21:07apoiado pelo ex-presidente Bolsonaro
21:10como pré-candidato à presidência,
21:12agora se torna uma ameaça que começa a ser real, né?
21:15Essa é a principal informação que essa série de pesquisas
21:20aí do primeiro trimestre desse ano revelam.
21:23É um crescimento muito consistente
21:25da candidatura de Flávio Bolsonaro,
21:28tanto no primeiro quanto no segundo turno.
21:31No segundo turno já tem as mesmas chances
21:35demonstradas por Lula,
21:37e isso acaba, de fato, provocando
21:41um clima, um ambiente,
21:45nesse momento, mais favorável
21:47a essa candidatura de Flávio Bolsonaro,
21:50porque é onde está a informação,
21:52onde há movimento,
21:54enquanto Lula permanece muito estável,
21:57claro que num patamar muito alto,
22:00como em todas as eleições que Lula participou,
22:03ele sempre foi bastante competitivo,
22:08mas o governo precisa demonstrar
22:16mais concretude,
22:19algo que seja mais perceptível pela população.
22:23Não sei se através de uma comunicação mais forte,
22:27mais presente,
22:29principalmente nas redes sociais,
22:31mas o fato é que os números positivos do governo
22:34não são percebidos pela população.
22:37Então, essa também é uma informação
22:39que essas rodadas de pesquisa nos trazem.
22:42A população não percebe,
22:44na vida prática,
22:46no carrinho do supermercado,
22:48o que os números oficiais demonstram.
22:51Então, acho que a pergunta daqui para frente,
22:54em relação à candidatura Lula,
22:56é em que momento,
22:58se é que esse momento vai chegar,
23:00a população vai perceber
23:01que esses números positivos
23:03estão influindo positivamente
23:05no seu dia a dia,
23:07na sua vida real.
23:08Marcela.
23:09Pois é, já é um problema antigo esse,
23:11inclusive, né, Paulinha?
23:12Agora, o Borincy falou do Haddad,
23:15dessa possibilidade da candidatura dele
23:16ao governo aqui do Estado de São Paulo.
23:18Haddad, no final do ano passado,
23:20deixou muito claro que queria fazer
23:21a coordenação da campanha do presidente Lula.
23:24Ele, nos bastidores,
23:25sabe que ele não quer ser candidato
23:28ao governo do Estado de São Paulo,
23:29mas o próprio presidente tem insistido
23:32nessa tecla de que ele pode ser um palanque,
23:34precisa ser, precisam ter,
23:36o PT, o governo,
23:37eles precisam ter um palanque importante
23:38de peso aqui no Estado de São Paulo,
23:41por mais que a chance
23:42do governador Tarcísio de Freitas
23:44ser reeleito,
23:46seja, ser reeleito é muito grande.
23:48Por que essa insistência?
23:50É mais por conta desse ponto
23:51de ter um palanque forte aqui em São Paulo?
23:55Marcelo, tinha um petista na semana passada
23:57que dizia o seguinte,
23:57é difícil encontrar alguém com algum senso
24:00que se dispõe a colocar a própria imagem,
24:02a cara, para sofrer uma dura derrota
24:04para o Tarcísio de São Paulo,
24:05porque as pesquisas mostram
24:07uma consolidação do governador
24:10nesse projeto de reeleição.
24:11E os próprios aliados,
24:13petistas que estão no governo,
24:16enxergam o Fernando Haddad
24:17como alguém que está na política contra agosto.
24:20Não é, ele é um,
24:22o ministro me dizia assim,
24:23ele não é um político,
24:24ele está aqui,
24:26cumprindo missões,
24:27mas dizer que ele gosta,
24:29que você olha e fala assim,
24:30não, ele está aqui,
24:31o dia inteiro dele é tomado por isso,
24:34porque ele quer fazer o negócio acontecer,
24:36não é assim.
24:38O ministro Fernando Haddad
24:39é conhecido no governo
24:40como alguém que tem vida fora da política,
24:42então, portanto,
24:43está de passagem.
24:44E não está,
24:46até onde a gente sabe,
24:47muito feliz com a passagem que teve,
24:49porque muita gente meteu a mão no trabalho dele,
24:51e o que ele tinha para entregar,
24:54vale lembrar que ele,
24:55quando entrou no governo do Lula,
24:57ele entrou festejado
24:58como o possível novo Fernando Henrique Cardoso,
25:01que ia conduzir o Brasil
25:02para uma retomada econômica incrível.
25:04E ele não conseguiu fazer muita coisa,
25:06porque o Rui Costa e o próprio Lula
25:08boicotaram o trabalho dele o tempo inteiro,
25:09junto com a Glaze,
25:10que estava lá na presidência do PT,
25:12uma parte desse mandato.
25:13Então, o que pode acontecer
25:15é de Fernando Haddad ir sim para a campanha,
25:18no sacrifício,
25:19atendendo a um pedido de Lula,
25:20como ele já deixou bem claro,
25:22para reunir um capital político
25:23em torno desse sacrifício,
25:25e porque há esse entendimento também
25:27de que dentro do PT,
25:28ainda que não tenha um candidato
25:29capaz de derrotar o bolsonarismo em São Paulo,
25:33é preciso escolher o candidato
25:35que consiga retirar mais votos da oposição.
25:39Porque não se trata apenas de vencer em São Paulo,
25:41mas sim de conseguir
25:43colocar votos de São Paulo
25:45importantes na urna para o Lula,
25:46que esses votos vão ser cruciais,
25:51não só no primeiro turno,
25:52mas principalmente no segundo turno,
25:54para que o presidente Lula
25:55consiga ter alguma competitividade
25:56nesse processo de reeleição, Marcelo.
25:59Paulina, é isso que o Borinho falou,
26:02tem que ter muita coragem
26:04de ir lá e sofrer esse desgaste político,
26:09porque é grande.
26:09E é ruim também para a imagem,
26:12caso ele seja mesmo candidato ao Fernando Haddad,
26:15e sofra uma derrota,
26:18e talvez, acho que vai ser uma derrota,
26:20se a gente acompanhar o que as pesquisas mostram,
26:23ruim,
26:24é um desgaste desnecessário,
26:26que pode inclusive queimar a imagem do ministro.
26:30É, é uma candidatura estratégica,
26:33uma forma de Lula
26:36ter algum percentual de votos aqui em São Paulo,
26:42que contribua para a sua competitividade.
26:46São Paulo responde por 22% do eleitorado brasileiro,
26:51portanto, tem um peso enorme aí
26:55na definição da eleição presidencial,
26:59e é um local em que
27:02quem pretende vencer a eleição para presidente
27:07precisa ter uma votação significativa em São Paulo.
27:11O interior de São Paulo vota em peso,
27:15em candidaturas mais conservadoras, já historicamente,
27:19enquanto a capital tem um comportamento de pêndulo,
27:23tendendo a votar mais em candidatos mais progressistas,
27:29mais à esquerda.
27:30Mas a capital também já votou
27:32em candidaturas de direita em peso.
27:37Portanto, a candidatura provável,
27:40possível, de Haddad aqui em São Paulo,
27:44ela é mais estratégica
27:45e tem por objetivo
27:47passar para o segundo turno.
27:49ter um espaço depois de debate
27:53após o primeiro turno,
27:55com tempos iguais,
27:56com confrontos
28:00que sejam avaliados pela população
28:04na comparação de um candidato com o outro,
28:06e com isso ter uma exposição maior
28:09e conseguir angariar votos
28:11que sejam significativos para Lula
28:14no contexto nacional.
28:16Marcelo.
28:17Muito bem, seguimos aqui falando
28:19do nosso cenário doméstico.
28:21Agora a gente vai entrevistar
28:22o senador Carlos Viana,
28:24que é o presidente da CPMI do INSS.
28:26Senador, seja muito bem-vindo.
28:27Obrigada pela participação do senhor
28:29aqui no Ponto de Vista.
28:32Muito obrigado a vocês pelo convite
28:35e estamos à disposição.
28:37Senador, bom, na semana passada
28:39a sessão que votou o requerimento
28:40para quebra de sigilo do Lulinha
28:43terminou em confusão,
28:45em bate-boca entre os parlamentares
28:47e que a base governista
28:49alega que teve ali
28:51uma fraude na contagem de votos.
28:53Queria que o senhor falasse um pouquinho
28:54sobre isso,
28:55sobre o que aconteceu nesse episódio,
28:56se alguma coisa pode mudar
28:58por conta disso
28:59e, claro, o pedido
29:01que vocês estão fazendo,
29:02que o senhor quer fazer hoje
29:03ao presidente do Senado,
29:04Davi Alcolumbre,
29:05para prorrogar a comissão.
29:07Bem, a votação,
29:10ela aconteceu com muita transparência.
29:13A contagem de votos foi feita duas vezes
29:15e eu reafirmo e não mudo
29:18uma vírgula do que eu fiz naquele dia.
29:22Estavam em pé, naquele momento,
29:24sete parlamentares.
29:26Posteriormente ao resultado,
29:27outros que estavam no corredor,
29:29que estavam sentados,
29:30se levantaram e foi tirada uma foto
29:32para tentar se justificar.
29:34Mas as imagens iniciais
29:36são muito claras
29:37em relação a esse assunto.
29:38O governo veio com a estratégia
29:40de abafar a CPMI,
29:42como tem tentado fazer
29:43todo esse tempo,
29:45tentado evitar
29:46que as investigações caminhem
29:48como precisa,
29:49no lado necessário,
29:50inclusive político.
29:51Nós temos a blindagem
29:52de muitos nomes
29:53que apareceram
29:54no decorrer das investigações.
29:56E eles vieram com a estratégia
29:57do tudo ou nada.
29:59Vieram para o regimento.
30:00Eu sou obrigado a colocar
30:02em votação
30:03o requerimento de votação.
30:04em bloco.
30:04O fiz.
30:05Fiz por votação nominal
30:07para que não ficasse dúvida
30:09sobre a quantidade
30:10de parlamentares
30:11que votavam contra ou a favor.
30:13O governo ganhou
30:14de 18 a 12,
30:15mas a partir daquele momento
30:17é o painel
30:18quem manda.
30:19Não é mais o plenário.
30:21Isso já está
30:22muito consolidado.
30:23O presidente Davi Alcolob
30:24já aprovou medidas provisórias
30:26dessa maneira.
30:27Desde 2019,
30:28esse é um procedimento comum
30:30no Senado Federal.
30:31No momento da votação,
30:32eu fui muito claro.
30:34Os que se manifestam a favor
30:36fiquem sentados.
30:38Os que não são,
30:39se levantam.
30:40Sete levantaram.
30:41Eu contei.
30:42Se tinham 14,
30:43vamos, vamos,
30:44que os 14
30:45tivessem se levantado
30:46que não aconteceu.
30:48O que, inclusive,
30:49vi boa parte da mídia
30:50repetindo
30:51as alegações
30:52do governo.
30:53Vamos,
30:54que existiam 14 ali
30:56e que eles teriam votado.
30:57eram necessários
30:5816 votos.
31:00Metade mais um.
31:0115 mais um.
31:0216 dos 31.
31:04Porque é o painel
31:05queimando.
31:05Então,
31:06o jogo virou
31:07contrário ao governo.
31:08O que eles tentaram fazer
31:09de matar a CPMI?
31:10Por quê?
31:11A base do governo
31:12sabia que quinta-feira passada
31:14era o nosso último prazo
31:15para solicitar
31:16os documentos
31:17caso a CPMI
31:18não seja prorrogada.
31:20Não daria tempo
31:20nem mesmo
31:21para poder analisar
31:22e colocar no relatório.
31:24Eu agi corretamente
31:26diante do regimento.
31:29Se o governo,
31:29na hora,
31:30tivesse apresentado
31:3116 votos,
31:32eu teria derrubado
31:34a pauta.
31:34Isso não aconteceu.
31:38Robson Bonin,
31:39também o Paulino
31:39está com a gente.
31:40Bonin.
31:43Senador,
31:44o senhor acabou de falar
31:45que a gente está
31:45num aspecto
31:46final
31:47da investigação.
31:49Se não for
31:50prorrogada a CPI,
31:51acaba.
31:52A CPMI
31:53termina
31:53nesse cenário
31:55em que
31:55parece que uma parte
31:57da comissão
31:57lutou para que nada
31:58fosse investigado,
32:00pelo menos em relação
32:01a esses personagens
32:02principais que surgiram
32:03ao longo
32:04do funcionamento
32:06da comissão.
32:07Se esse cenário
32:09se confirmar,
32:10como é que o senhor
32:12acredita que será
32:12o relatório
32:13da investigação
32:14que está a cargo
32:15do colega do senhor
32:15aí na comissão?
32:17Nós vamos ver
32:18uma lista
32:19de indiciados,
32:20de figuras
32:21que participaram disso.
32:22O filho do presidente
32:23lutará nessa lista,
32:24o irmão dele também?
32:27Bem,
32:28no caso do,
32:29vamos citar claramente
32:30o filho do presidente Lula,
32:32porque era importante
32:33a quebra do sigilo,
32:35todos eles,
32:36do RIF,
32:36o sigilo bancário,
32:38fiscal,
32:39para saber
32:39se ele realmente
32:40tem alguma ligação
32:42ou não
32:42com o principal
32:43envolvido nessa história,
32:44que é o Antônio Carlos Camilo.
32:46Daí,
32:46a insistência
32:47em nós votarmos
32:48essa quebra
32:49de sigilo
32:49necessária
32:50até para se dizer
32:51que é inocente
32:52ou não é,
32:53porque eu como presidente
32:54não posso fazer juízo
32:55absolutamente dizer
32:57ele tem envolvimento,
32:58nós precisamos de dados,
32:59o relator sabe disso.
33:01Um ponto eu posso dizer
33:02com muita clareza
33:03para vocês,
33:04o relatório
33:05vai trazer
33:06todos os detalhes
33:07que nós temos
33:08comprovados
33:09nas quebras de sigilo
33:11e nas oitivas
33:12das pessoas.
33:13O que nós queremos
33:14é dar também
33:15uma satisfação
33:16à população brasileira
33:17sobre a parte política,
33:18porque tanto a oposição
33:20quanto o governo
33:22concordam
33:22que esse esquema
33:23não teria sido
33:24tão bem sucedido
33:25se não houvesse
33:26um apoio político
33:27por trás
33:28de toda essa história.
33:29E nós não podemos
33:30simplesmente
33:31por se tratar
33:32de parlamentares
33:33ou quem quer que seja,
33:35nós deixarmos
33:36de fazer uma investigação
33:37e eu não concordo
33:37com isso
33:38e nós estamos lutando
33:40para não blindar
33:41quem quer que seja
33:42na CPMI.
33:43Mas o relatório
33:43ele será muito completo.
33:46Essa é uma CPMI,
33:47gente,
33:47me permitam aqui,
33:48estender um minuto.
33:50É uma CPMI
33:51já muito bem sucedida.
33:52Nós temos 11 pessoas presas.
33:55O núcleo principal
33:56de todos os desvios
33:58do INSS
34:00estão presos.
34:01Nós pedimos a prisão
34:03de 20 pessoas.
34:04Nós prendemos ali
34:05várias pessoas
34:07que mentiram a comissão.
34:08Nós quebramos sigilos
34:10de dezenas de pessoas.
34:12Hoje,
34:12apreendidos em conjunto
34:14com a Polícia Federal
34:15e o próprio Supremo Tribunal Federal,
34:16são 3 bilhões
34:18e meio de reais
34:19aproximadamente
34:19de dinheiro
34:20que foi desviado
34:21das pessoas.
34:22Então,
34:22o desenrolar
34:24da CPMI
34:24foi muito bem sucedido.
34:26Mas,
34:26vem um outro desafio
34:28que é
34:29a complementação
34:30da sua pergunta.
34:31Aprovar o relatório.
34:33Essa será
34:33uma outra luta
34:35que eu já prevejo.
34:36Enfrentaremos
34:37muitas dificuldades.
34:40Senador,
34:40diante disso
34:41que o senhor falou,
34:42quais crimes
34:42a gente já pode dar
34:43como certo
34:44que essa investigação
34:45comprovou?
34:46De que tipo de crime
34:47a gente está tratando
34:48afinal?
34:50Nós estamos tratando
34:51com formação
34:52de quadrilha.
34:53Nós estamos tratando
34:55em alguns momentos
34:56com a possibilidade
34:57de advocacia administrativa,
34:59ou seja,
35:00funcionários públicos
35:01e pessoas ligadas
35:03ao judiciário
35:04que participaram
35:05de toda essa questão.
35:06nós podemos
35:07tratar aqui
35:09com os crimes
35:09do serviço público
35:11há uma série deles
35:12que estão aqui
35:13sendo analisados
35:14pelo relator
35:15e que serão apontados
35:16de acordo
35:17com os relatórios
35:18que nós temos.
35:23Espera-se
35:24de uma CPI
35:25que tenha
35:26critérios técnicos
35:28e isentos
35:30nas suas avaliações,
35:32nas suas apurações.
35:34E não é o que nós vimos
35:35na última sessão,
35:36houve toda aquela confusão.
35:38Como o senhor pretende
35:40manter a tecnicidade,
35:43a centralidade
35:44da CPMI
35:45nesse ambiente
35:46de polarização
35:47que acaba provocando
35:48esse tipo
35:49de comportamento,
35:50senador?
35:51É uma ótima pergunta.
35:53Nós já temos
35:54mais de 30 sessões,
35:56se eu não estou enganado,
35:5733.
35:58Na minha cabeça,
36:00em todas elas
36:01nós não tivemos
36:02reclamações
36:03quanto às pautas.
36:04Nenhuma delas.
36:05Por quê?
36:06Eu me reúno
36:07com o relator,
36:08decidimos quais são
36:09os requerimentos
36:10importantes para a investigação
36:12ou que já tenham
36:13alguma ligação
36:14com os desvios.
36:16ali nos requerimentos,
36:18eu tenho convocado
36:19lá a ex-presidente Dilma,
36:22eu tenho convocado
36:22lá o ex-presidente
36:23do Banco Central,
36:25tenho convocado
36:25o ex-ministro da Economia
36:26Paulo Guedes,
36:27tenho convocado
36:28o governador de São Paulo,
36:29Tarcísio,
36:30tenho convocado
36:31uma série de pessoas
36:32que não têm
36:33nenhuma ligação
36:34com as investigações.
36:35E eu tenho colocado
36:36com clareza
36:37que eu não vou permitir
36:38que a CPMI
36:39caminhe para um palanque
36:41eleitoral.
36:41Ela vai seguir
36:42a tecnicidade,
36:43a transparência,
36:44e nós vamos levar
36:46ali quem tem
36:47relação com os escândalos.
36:48Nós não vamos destruir
36:49reputação de ninguém,
36:51eu não permito isso.
36:52Mas aí,
36:53o que aconteceu?
36:54O Abás do governo
36:55passou a reclamar
36:56no momento em que
36:57perdeu o requerimento
36:59para a quebra de sigilo
37:00do filho do presidente.
37:01Olha,
37:02ele está citado
37:03por uma testemunha.
37:05Há a confirmação
37:06de que ele teria recebido
37:08uma mesada de 300 mil
37:09que a Polícia Federal
37:10está investigando.
37:11Nós não temos acesso
37:12hoje aos dados
37:13da Polícia Federal
37:14porque o inquérito
37:15está em andamento,
37:16só teremos posteriormente.
37:17Então, nós precisamos,
37:19volto a dizer,
37:19até para dizer
37:20se ele é inocente ou não.
37:22E isso foi colocado
37:23com muita clareza.
37:24Outro ponto importante,
37:25eu sempre me reúno
37:27com os líderes
37:29antes de começar a sessão.
37:30E coloco a mesa o seguinte,
37:33há consenso,
37:34eu não gosto nem
37:35da palavra acordo,
37:36há consenso,
37:37quais os requerimentos
37:39que nós vamos votar e não.
37:40Todas as vezes
37:41nós conseguimos.
37:42A oposição tirava
37:44uma parte,
37:45o governo tirava
37:46uma parte
37:46e nós depois
37:47íamos caminhando
37:48e votando os mais importantes.
37:50Na última,
37:50não aconteceu isso.
37:51Chegou-se lá
37:52com a imposição
37:53de que ou se votava
37:54tudo que o governo
37:56queria,
37:56inclusive esses requerimentos
37:58que não têm
37:59nenhuma ligação
38:00com a CPMI,
38:01ou então eles iriam
38:02boicotar
38:02e naturalmente
38:03tentar impedir
38:04a CPMI de avançar.
38:06O regimento vale
38:08para todos
38:09e foi o que eu segui.
38:11Bom, senador,
38:12com a quebra de sigilo
38:13do Lulinha,
38:15do filho do presidente Lula,
38:16o que vocês têm agora
38:18de expectativa
38:19em relação a isso?
38:20Foi aprovado
38:21o requerimento,
38:22agora em quanto tempo
38:23vocês vão ter
38:23essa informação,
38:24essa informação vem
38:25de onde?
38:26E também em relação
38:27ao Banco Mastro,
38:28o senhor fez uma reclamação
38:29em relação
38:30às informações
38:31que a Polícia Federal
38:32não tem passado.
38:33O que aconteceu
38:34nesse caso?
38:36Nós estamos
38:37em um momento
38:38no Brasil,
38:39muito esquisito,
38:41em que ministros
38:42supremos
38:42tomam decisões
38:43que não têm
38:44amparo em base
38:45em nenhum constitucional.
38:46É uma decisão deles
38:47porque a justiça
38:48tem que responder.
38:49Esse ativismo judicial
38:50que eu me chamo.
38:51Agora,
38:52há uma reclamação
38:53da base do governo
38:54com o presidente
38:56do Senado
38:57que sinaliza
38:58a possibilidade
38:59de cancelar
39:00uma decisão
39:00de uma comissão autônoma
39:01que tem o poder,
39:02inclusive,
39:02de investigar
39:03qualquer presidente
39:04de casa legislativa
39:05e não há previsão
39:06constitucional
39:07nem regimental
39:08para isso.
39:08Essa questão
39:09do Banco Mastro,
39:10eu fui informado
39:12pela Polícia Federal
39:13de que eles estão
39:14separando
39:15os dados
39:16ligados aos consignados
39:18e os dados
39:19ligados a outras partes
39:20de investigações.
39:21Na decisão
39:22do ministro André Mendoza,
39:23não está previsto isso.
39:25Eu entendi
39:26que se trata
39:27de uma decisão
39:27da própria Polícia Federal.
39:29O que fiz?
39:30Solicitei ao ministro
39:31que esclareça
39:32qual foi a determinação?
39:34Se de fato
39:35há da parte
39:36do gabinete dele
39:38essa orientação
39:39para que a Polícia Federal
39:40faça
39:41essa separação.
39:43Nós estamos
39:43aguardando a resposta.
39:45Se for negativa,
39:47a Polícia Federal
39:48tem que nos passar
39:48os arquivos
39:49na integralidade.
39:51Daí para frente
39:51a responsabilidade
39:52é da comissão.
39:54Agora,
39:54se o ministro
39:55tomou essa decisão
39:56de fazer a separação,
39:58então que nós
39:59sejamos corretamente
40:01informados
40:01sobre esse assunto
40:02até que a gente
40:03possa recorrer.
40:06Senador,
40:07a gente sempre
40:08costuma dizer
40:08que no fim
40:09a gente lembra
40:09do começo.
40:11Essa CPMI
40:12começou
40:13diante da constatação
40:14de um escândalo
40:15bilionário
40:16de desvio
40:17de recursos
40:17de aposentados,
40:18mais de 5 milhões
40:19de aposentados,
40:20mais de 6 bilhões
40:21de reais desviados
40:23e tudo acontecendo
40:25entre um governo
40:26de Jair Bolsonaro
40:26e de Lula.
40:28Esse é o recorte
40:29que a Polícia Federal
40:29fez ainda
40:30que a gente tenha notícia
40:31de que o negócio
40:31é mais antigo.
40:33O que a CPMI
40:35vai concluir
40:36em relação a isso?
40:37Quem são os mandantes?
40:38Quem ganhou com isso
40:40e quem arquitetou
40:41esse grande esquema
40:42de corrupção?
40:43A CPMI
40:43vai oferecer
40:44essas respostas
40:45no relatório final?
40:47Sim.
40:49Nós temos
40:50uma investigação
40:51já muito clara
40:52sobre os operadores.
40:54Nós temos
40:55dois,
40:57melhor,
40:57três núcleos
40:58principais.
40:59o primeiro deles
41:01começou com o Antônio
41:02Carlos Camilo,
41:03o careca do INSS,
41:04que tornou profissional
41:06o núcleo de desvios.
41:08Ele,
41:09inclusive,
41:10foi quem
41:10montou dentro
41:11do INSS
41:12um grupo
41:13de quatro servidores
41:15que se perpetuavam
41:17nos cargos principais
41:18de governo
41:19para governo.
41:20Começou,
41:20na verdade,
41:21lá no governo
41:21Temer.
41:23Lá no governo
41:24Temer,
41:25nós já tínhamos
41:26figuras como
41:27Paulo Camisotti
41:28e Maurício Camisotti
41:30e o senhor
41:31Antônio Carlos Camilo.
41:33Ali foi a gênese.
41:34Quando chegou
41:36no governo
41:36Bolsonaro
41:37com o Nix Lorenzoni,
41:38que se permitiu
41:40que clubes
41:40de serviços
41:41pudessem ter os descontos,
41:43o esquema
41:44ganhou uma amplitude
41:45muito maior
41:45e no governo Lula
41:46virou bilionário.
41:48Portanto,
41:49não há de se dizer
41:49que os presidentes
41:51tenham qualquer
41:52culpa nisso.
41:54Não é,
41:54isso está muito claro.
41:56Esse núcleo,
41:57ele existia,
41:58eu faço uma comparação
41:59com uma espécie
42:00de tumor
42:00que passava
42:02de um governo
42:02para outro.
42:03Vejam bem
42:04que na primeira semana
42:05de posse
42:06do novo ministro
42:07da Previdência
42:07desse governo,
42:08já estava lá
42:09uma foto
42:10com os operadores
42:11todos à mesa,
42:12porque o núcleo
42:14ele sobrevivia.
42:15Esses estão
42:16muito bem identificados.
42:18Ganharam muito dinheiro,
42:19o material está apreendido,
42:21tanto dinheiro,
42:22em cofres,
42:23carros,
42:23patrimônio,
42:24e eles tinham
42:25os envolvimentos
42:26políticos,
42:27que de nomes
42:29que já foram citados
42:30e apareceram na CPMI,
42:31que nós,
42:32infelizmente,
42:33não conseguimos avançar
42:34na direção
42:35desse grupo,
42:36porque os requerimentos
42:37foram blindados.
42:39Assessores que,
42:40em tese,
42:41receberam recursos
42:43desse núcleo,
42:44que a Polícia Federal
42:45tem essa quebra,
42:47a CPMI não conseguiu avançar,
42:49porque, infelizmente,
42:50houve blindagem
42:51de vários nomes.
42:53mas nós temos,
42:55como eu disse,
42:5511 presos,
42:57nós temos 3 bilhões
42:58e meio de reais
42:58apreendidos.
43:00Eu entendo claramente
43:01que a investigação
43:01foi muito bem sucedida.
43:03Ela poderá não ser
43:05completa no âmbito político,
43:07porque nós não temos
43:08as informações concretas
43:10e não seria responsável,
43:12até o momento,
43:13falar afirmativamente
43:15sobre a participação
43:16de outras pessoas.
43:17Para isso,
43:18a gente precisa de documentos
43:19para a gente poder confirmar.
43:21Mas o relatório,
43:22ele já dá
43:23uma explicação muito grande.
43:25Outra coisa,
43:26a população acompanha
43:28a CPMI.
43:29Nós já chegamos
43:30a ter 800 mil pessoas
43:31assistindo.
43:32Então,
43:33hoje,
43:33os aposentados brasileiros
43:34sabem o que aconteceu.
43:36A população brasileira
43:37conhece o esquema.
43:39Onde eu passo?
43:40Nos aviões,
43:41na rua,
43:42nos aeroportos,
43:43nos bares,
43:44nos restaurantes,
43:44as pessoas têm noção
43:47do tamanho do escândalo
43:48e esperam muito
43:49que a CPMI possa chegar
43:51ao final.
43:52Nós estamos lutando
43:53para que essa resposta
43:54seja completa,
43:55mas ela já foi dada,
43:56a meu ver,
43:57em boa parte
43:58do que a gente esperava.
44:01Senador Carlos Viana,
44:02presidente da CPMI
44:03e do INSS.
44:04Senador,
44:05muito obrigada,
44:05bom trabalho
44:06e até uma próxima.
44:08Até.
44:08Muito obrigado a vocês.
44:10Bom dia.
44:11Bom dia.
44:12Gente,
44:13voltamos a falar
44:13sobre a guerra.
44:14no Irã.
44:15Ontem,
44:15o presidente dos Estados Unidos
44:17se pronunciou sobre isso
44:18nas redes sociais.
44:19Ele falou,
44:20ele admitiu a falta
44:21de armamento de ponta,
44:23mas disse que os Estados Unidos
44:24têm sim capacidade
44:25para vencer essa guerra.
44:27Vamos lá,
44:27então,
44:28ver o que o presidente
44:30postou nas redes sociais.
44:31A gente tem um post aí
44:32para mostrar.
44:33Ele diz o seguinte,
44:34os estoques de munições
44:36dos Estados Unidos
44:36em termos de armamento
44:37médio e médio superior
44:38nunca foram tão altos
44:40ou melhores.
44:40Como me foi dito,
44:42hoje temos um suprimento
44:43praticamente ilimitado
44:44dessas armas.
44:45Guerras podem ser travadas
44:47para sempre
44:47e com muito sucesso,
44:48usando apenas
44:49esses suprimentos
44:50que são melhores
44:51do que as melhores
44:52armas de outros países.
44:54No quesito
44:54armamento de ponta,
44:56temos um bom suprimento,
44:58mas não estamos
44:59onde gostaríamos.
45:00Muitas outras armas
45:01de alta qualidade
45:02estão armazenadas
45:03para nós
45:04em países distantes.
45:05O sonolento,
45:06diz Trump
45:07nesse post,
45:08o sonolento
45:08Joe Biden
45:09gastou todo
45:10o seu tempo
45:11e o dinheiro
45:11do nosso país
45:12dando tudo
45:12para Zelensky
45:14da Ucrânia.
45:14Centenas de bilhões
45:16de dólares
45:16em armamento
45:17e, embora tenha
45:18doado grande parte
45:19do armamento
45:19de ponta
45:20de graça,
45:21ele diz,
45:22não se preocupou
45:23em repolo,
45:24felizmente reconstruí
45:25as forças armadas
45:26no meu primeiro mandato
45:28e continuo a fazê-lo.
45:30Os Estados Unidos
45:30estão abastecidos
45:31e prontos para vencer
45:32e com folga.
45:34Obrigado pela atenção,
45:35presidente Trump.
45:36Ele também
45:36falou sobre isso,
45:37falou sobre o tempo,
45:38a possibilidade,
45:39dando aí uma previsão
45:40de quanto tempo
45:41pode durar
45:42a guerra no Irã.
45:43Vamos acompanhar.
45:44Nosos objetivos
45:45são claros.
45:45Primeiro,
45:48nós destruímos
45:48as capacidades de avanços
45:49de miscadais
45:50e você vê
45:51isso acontecendo
45:52em uma base
45:52diária
45:53e a sua capacidade
45:54de produzir
45:55um novo
45:56e um bom
45:57que eles fazem.
45:58Segundo,
45:59nós annihilamos
46:00a sua nave
46:01que já tiramos
46:0210 avanços
46:04lá no bottom
46:05do mar.
46:06Segundo,
46:06nós assuramos
46:07que o mundo
46:08número um
46:09sponsor
46:09do terror
46:11nunca
46:12pode obter
46:12uma arma nuclearínea.
46:14Desde o início
46:15nós projetamos
46:164 a 5 semanas
46:18mas nós temos
46:19a capacidade
46:21de ir muito
46:21mais longa
46:22do que isso.
46:22Nós vamos fazer.
46:23Nós também
46:25projetamos
46:264 semanas
46:26para terminar
46:28a liderança militar
46:29e, como você sabe,
46:30isso foi feito
46:31em cerca de uma hora
46:31então nós estamos
46:32em seguida
46:33de um tempo.
46:33por um tempo.
46:36Bom,
46:37a gente vai
46:37conversar
46:38sobre esse assunto
46:39com o jornalista
46:40Marcos Uchoa
46:41que já cobriu
46:41várias guerras
46:42inclusive já esteve
46:43no Irã.
46:44Uchoa,
46:44é um prazer
46:45falar com você,
46:46nunca tinha falado
46:47com você.
46:48Seja muito bem-vindo
46:49aqui ao Ponto de Vista.
46:50Queria então
46:50que você trouxesse
46:51o seu relato,
46:52você que já esteve,
46:53já cobriu guerra
46:54por lá,
46:55sabe a situação
46:55do país,
46:56como é que vê
46:57o início
46:58desse conflito,
46:59a retomada
47:00na verdade
47:01desse conflito
47:02ali no Oriente Médio.
47:03Bom dia.
47:04Bom dia,
47:05bom dia Marcelo,
47:06prazer estar aqui
47:07com vocês.
47:08De verdade,
47:09eu acho que
47:09nesse começo
47:10a gente tem
47:11um conflito
47:12também de informação
47:13onde a gente
47:14tem muito pouco
47:15jornalismo
47:15e muita declaração
47:17de parte a parte.
47:19Governo americano,
47:20governo israelense,
47:21governo iraniano
47:22e a gente
47:25deveria
47:25se cauteloso
47:26um pouquinho
47:26em relação
47:27à credibilidade
47:28dessas declarações.
47:30Por exemplo,
47:32em junho
47:33o gasto
47:34de munição
47:37da parte
47:38dos americanos
47:38e dos
47:41israelenses
47:41foi um pouquinho
47:42mais
47:43do que o dobro
47:44do que já foi
47:46utilizado
47:47nesses dias.
47:47Quer dizer,
47:48eram 12 dias
47:49e aqui eles já estão
47:50muito mais perto,
47:51eles estão realmente
47:52usando muito mais munição
47:53do que usaram
47:54em junho.
47:55Então,
47:56se vai faltar,
47:57o que vai faltar
47:58é uma coisa
47:59que a gente
48:00não sabe
48:00em relação
48:02aos iranianos,
48:03é claro que
48:03a gente vê
48:04e é verdade
48:05que os céus
48:06do Irã
48:07são totalmente
48:08dominados
48:08agora
48:09por Israel
48:10e pelos Estados Unidos
48:12e eles não têm
48:13muito o que fazer
48:14em relação a isso.
48:15Os radares
48:15já foram destruídos,
48:17plataformas de lançamento
48:18de míssia
48:18já foram destruídas,
48:19quer dizer,
48:19eles ainda têm
48:20aqueles shahids,
48:21que são aqueles drones
48:22que são muito baratos,
48:2450 mil dólares
48:24um drone,
48:25que são 50 mil dólares
48:27em indústria armamentista
48:28é dinheiro de troco,
48:29dinheiro que você tem
48:30no bolso,
48:30praticamente.
48:32Eles têm
48:32uma quantidade
48:33muito grande.
48:34O shahid
48:35é muito lento,
48:35então ele não vai
48:36ser o suficiente
48:37para atacar
48:38uma base americana,
48:40Israel,
48:41mas ele perturba
48:42muito os países
48:43do Golfo
48:44e perturba
48:45muito
48:46esse estreito
48:46de Urbúz.
48:47Então,
48:48quer dizer,
48:48essa continuação
48:49da guerra
48:50em relação
48:51à informação,
48:52por exemplo,
48:53você pega
48:54o que não é dito
48:55e que você não sabe
48:56se é verdade,
48:57por exemplo,
48:57eu fiz a eleição
48:59do Mahmoud Ahmadinejad
49:00em 2005.
49:02Anunciaram
49:03que ele tinha morrido,
49:04depois voltaram atrás.
49:06Quem anunciou
49:07se é verdade,
49:07se não é,
49:08enfim,
49:08claro que se fosse verdade
49:10seria um nome
49:12muito grande
49:13do regime iraniano,
49:14ficou duas vezes
49:15como líder iraniano
49:17lá no poder
49:18e foi muito radical
49:19naquele momento ali.
49:20Mas será que é verdade?
49:21Aí você pega
49:22as coisas que aconteceram,
49:23mas que desaparecem
49:24da imprensa
49:25que também é muito estranho.
49:27Aquele ataque
49:28em Minab,
49:28na escola,
49:30que matou 168 pessoas,
49:32a maioria
49:33crianças,
49:35aquilo foi divulgado
49:36e depois
49:37desapareceu
49:38da mídia ocidental.
49:40O que é uma coisa
49:41que é muito curioso
49:42quando você viaja
49:43para cobrir essas guerras,
49:44porque você vê
49:45um jornalismo
49:46que é muito parcial
49:48de ambas os lados.
49:50É claro que o jornalismo
49:51melhor está
49:52do lado ocidental,
49:52em grande parte,
49:53a gente tem
49:54grandes veículos
49:55de comunicação,
49:56mas assim,
49:57de fato,
49:58no lado do Oriente Médio,
50:00com certeza,
50:01essa história da escola
50:02está sendo
50:02muito mais explorada.
50:05Se fosse,
50:05só de pensar,
50:07se fosse do lado de cá,
50:09um bombardeio
50:09de uma escola
50:10com a morte
50:10de mais de 100 meninas,
50:12você teria foto
50:13das meninas,
50:14o nome das meninas,
50:15isso estaria sendo
50:16usado politicamente
50:18como,
50:18olha só,
50:19a barbaridade que é
50:20você matar
50:21um monte de criança,
50:22mas isso desaparece.
50:24Então,
50:25eu acho que,
50:27principalmente nesses primeiros dias,
50:29é muito cedo ainda
50:30para a gente ter
50:30uma avaliação
50:31de para onde as coisas vão,
50:33principalmente por ausência
50:34de jornalismo sério.
50:38Mauro Paulino
50:39está com a gente.
50:39Paulino.
50:40Bom dia,
50:40o show é um prazer
50:41de falar com você.
50:44Sempre que ocorrem,
50:45que começam esses conflitos,
50:47o que vem à nossa mente
50:48é qual é
50:49a possibilidade,
50:51o risco
50:52de que armas nucleares
50:54sejam usadas.
50:55A gente vê aí,
50:56são potências nucleares
50:57envolvidas nesse conflito.
50:59Você acha que existe
51:01esse risco,
51:01esse risco é maior
51:02nesse momento
51:03do que em conflitos anteriores
51:05ou ainda é muito cedo
51:07para fazer
51:08essa avaliação?
51:11Olha,
51:11Mauro,
51:12eu não acredito
51:12que realmente
51:13nenhum uso
51:13de armas nucleares,
51:15porque,
51:15primeiro,
51:15que não existe
51:16a necessidade
51:17por parte dos Estados Unidos
51:18e de Israel
51:19que eles têm
51:20armas nucleares,
51:21de usar armas nucleares.
51:22O Irã não conseguiu
51:24se tentou
51:25ou não tentou,
51:26isso é uma coisa
51:27meio que você pode debater,
51:29embora tenha tido
51:29uma fátua
51:30do Khamenei
51:31dizendo que eles
51:32jamais fariam
51:33armas nucleares,
51:34mas o fato é que
51:35eles não têm,
51:36até porque eu diria
51:37que,
51:38politicamente,
51:39em termos assim,
51:40se eles tivessem
51:40uma arma nuclear,
51:41o Irã já teria
51:42posto esse argumento
51:43na mesa
51:44para evitar ser atacado.
51:46Então,
51:46eu não vejo
51:47a Rússia,
51:48por exemplo,
51:48que faz parte do BRICS,
51:50como o Irã também faz,
51:51ou a China,
51:54entrando nessa história.
51:55A diplomacia da China
51:57sempre foi
51:58de evitar
51:59a ingerência
52:00e o Putin
52:01está lá
52:02envolvido com a guerra
52:03na Ucrânia
52:03e ele não tem
52:05condições
52:06de se meter
52:06nisso aí,
52:07a não ser
52:08aquelas declarações
52:09muito óbvias,
52:11de que não apoia,
52:12enfim,
52:12aquela coisa toda,
52:13critica a invasão.
52:14Então,
52:15realmente,
52:15eu não acho
52:15que existe um perigo nuclear,
52:17não que a guerra
52:19convencional
52:20não seja
52:21horrorosa
52:22em si,
52:23principalmente
52:24que a gente já vê
52:25essa guerra
52:26se espalhando
52:26para 10 países,
52:27até Chipre,
52:28que faz parte
52:29da União Europeia,
52:31já foi uma base
52:32dos ingleses
52:34em Chipre
52:35e já foi atacada.
52:36Então,
52:36essa ampliação
52:37da guerra
52:38é realmente
52:39muito assustadora
52:40e principalmente
52:41pelo lado econômico,
52:42essa questão
52:43do Estreito de Hormuz.
52:43de fato,
52:4520%
52:45do petróleo
52:47e do gás
52:47do mundo
52:48passam ali.
52:51O Irã
52:52tem condição
52:52de ameaçar
52:54a passagem
52:55desses navios,
52:56por mais que
52:56o Trump tenha dito
52:57que tenha
52:59bombardeado
53:0010 navios
53:01iranianos,
53:01mas assim,
53:02não estamos falando
53:03em navios,
53:03estamos falando
53:03em drones
53:04e estamos falando
53:04em lanchas
53:05muito rápidas.
53:06Aquela região
53:07do Estreito de Hormuz,
53:08ela é uma região
53:09cheia de cavernas,
53:10ela é cheia
53:10de ilhazinhas,
53:12não é muito difícil
53:13você esconder
53:14uma lancha rápida
53:16que possa estar
53:17cheia de explosivos
53:18para atacar um navio,
53:19entendeu?
53:19Então,
53:20isso é muito assustador
53:21porque para o mundo
53:23isso tem um efeito
53:25econômico
53:26muito grande
53:27se isso demorar.
53:28Estamos falando
53:29da Europa
53:30que compra
53:31petróleo e gás,
53:32do Japão,
53:3380% do petróleo
53:35do Irã
53:36vai para a China.
53:37Será que é quanto
53:41e claro
53:42que a China
53:42também compra
53:43de Emirados,
53:43também compra
53:44do Iraque,
53:45enfim,
53:45então,
53:46quanto que esse
53:46estreito fechado
53:47pode influenciar
53:49em pressões
53:50de outros países
53:51para acabar
53:52com a guerra
53:52também é uma coisa
53:53a se ver.
53:55Marcos Uchoa,
53:56muito obrigada
53:56pela participação
53:57aqui no Ponto de Vista,
53:58trazendo esse olhar
54:00de quem, enfim,
54:01já cobriu guerra
54:02e também já esteve
54:03ali no Iraque.
54:04Obrigada,
54:04até mais.
54:05Tchau.
54:07Gente,
54:07seguimos esse assunto
54:08Bonin,
54:08quero falar agora
54:09sobre uma nota
54:10que você traz
54:11na Coluna Radar
54:12sobre o ministro
54:13de Relações Exteriores,
54:15Mauro Vieira,
54:15que conversou
54:16com o chanceler
54:17da Jordânia.
54:18O que eles falaram?
54:23É, Marcela,
54:24o Mauro Vieira
54:25está buscando
54:25medir a temperatura.
54:27Ontem conversou
54:27com o chanceler
54:28da Arábia Saudita,
54:29hoje com o da Jordânia,
54:31muito focado
54:33na questão,
54:34primeiro,
54:34dos brasileiros.
54:35São mais de 52 mil
54:36brasileiros nessa área
54:38sujeita a ataques
54:40e bombardeios
54:42de ambos os lados.
54:43E a preocupação
54:45com a total incapacidade
54:49das nações
54:51de conversar.
54:53para o Itamaraty,
54:55e isso é uma discordância
54:56que existe dentro
54:57do governo Clara
54:58hoje,
54:59para o Itamaraty
55:00não há mais um caminho
55:01de mediação
55:02ou de discussão
55:03diplomática
55:04em torno
55:04de uma interrupção
55:06desse conflito.
55:08Essa tentativa
55:09diplomática
55:09existia
55:10até o momento
55:11em que os Estados Unidos
55:11tomou a decisão
55:12de bombardear o Irã
55:14e sair
55:16dessa mesa
55:17de negociação.
55:17Isso, pelo menos,
55:18é a visão
55:18do Itamaraty.
55:19E,
55:20do lado do presidente Lula,
55:22com seus conselheiros
55:22no Palácio do Planalto,
55:23surgiu ontem
55:24a ideia
55:24de que o Lula
55:25poderia se oferecer,
55:27se candidatar,
55:28esse pelo termo,
55:28a mediador
55:30entre os Estados Unidos
55:31e Irã
55:32nesse conflito.
55:33O que,
55:33para os diplomatas,
55:34até pegou de surpresa
55:35o Itamaraty
55:36e impressionou
55:37algumas fontes,
55:38porque parece uma...
55:40O termo usado
55:41foi maluquice,
55:43porque não existe,
55:44isso que a fonte
55:45dizia,
55:46não existe um candidato
55:48a mediador
55:48e não existe espaço.
55:51Irã,
55:53Israel
55:54e Estados Unidos
55:55chegaram a um ponto
55:56de não retorno.
55:57Então,
55:57esse conflito vai acabar
55:58pela via da derrota
56:00do mais fraco.
56:01E a forma
56:02como o Itamaraty
56:04está tentando
56:04se movimentar
56:05é buscar lidar
56:07com as questões
56:08imediatas
56:09que surgem
56:11a partir desse conflito.
56:12Como tirar os brasileiros,
56:13como garantir segurança
56:14das pessoas que estão por lá,
56:15de que forma
56:18atuar no Conselho
56:19de Segurança
56:19da ONU
56:20alinhado com os outros países
56:21que estão sofrendo
56:22o impacto disso,
56:23mas não necessariamente
56:24estão na linha,
56:25na raiz
56:26dessas questões,
56:28é uma prospecção
56:30ainda
56:30que o chanceler
56:31está fazendo
56:32para entender
56:32o que está acontecendo.
56:33E o governo brasileiro,
56:35depois desse ensaio
56:37de uma possível
56:39posição do presidente Lula
56:41de protagonismo
56:41nesse negócio,
56:42também se retraiu,
56:44porque pegou muito mal,
56:46é tudo
56:47que a oposição
56:47está querendo
56:48nesse momento,
56:49é que o presidente Lula
56:50entre nesse embate,
56:51o Flávio Bolsonaro
56:52está todo dia provocando,
56:54tentando puxar
56:54o presidente Lula
56:55para esse debate,
56:56e as coisas
56:57vão caminhando
56:58nesse sentido.
56:59O chanceler
57:00Mauro Vieira
57:01conversa
57:02com os outros
57:03chanceleres
57:03dos países
57:04e depois reporta
57:05o que ele ouve
57:06ao presidente Lula,
57:08que está em contato
57:08permanente com ele,
57:09Marcelo.
57:10Muito bem, Bonin,
57:11obrigada pelas informações,
57:13a gente volta
57:13a se falar na semana
57:14que vem,
57:15também quero agradecer
57:16aqui ao Paulino,
57:17que a gente vai
57:18se encontrar já amanhã.
57:20Gente,
57:20obrigada,
57:21obrigada a vocês
57:21que nos acompanharam
57:22pela audiência,
57:24pela participação,
57:24pelas mensagens,
57:25voltamos amanhã
57:26com muita informação,
57:27análise, entrevista
57:28a partir das 11 horas da manhã.
57:29Até lá,
57:30tchau, tchau.
57:39Tchau, tchau.
57:40Tchau, tchau.
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