00:00A gente tem falado muito dos efeitos desse conflito para o petróleo.
00:03Queria que você falasse para a gente do ponto de vista do agronegócio,
00:07porque tem prejuízo também.
00:10Com certeza, né? Então vamos lá.
00:12Esse conflito está acontecendo numa região que,
00:14para diversos mercados muito importantes ali na conjuntura internacional,
00:19é uma região central, né?
00:21Então a gente está falando da elevação do petróleo
00:24e aí vai pegar ali um conjunto grande de derivados.
00:26Por exemplo, quando a gente vai pensar no mercado de fertilizantes,
00:29embora ali não sejam ali necessariamente grandes produtores de fertilizantes,
00:33mas são de matérias primas que a gente utiliza para processar esses fertilizantes.
00:37Por exemplo, o gás natural para a gente poder sintetizar a ureia.
00:41E aí a gente tem visto no mercado internacional,
00:44naturalmente ali uma elevação no preço da ureia, mas não é só isso.
00:48Você vai ter também ali na região enxofre,
00:50e o enxofre a gente utiliza para produzir fertilizantes fosfatados.
00:54Então quando a gente olha para os fosfatados,
00:56também está acontecendo uma elevação forte no seu preço.
01:01Quando a gente olha para o Brasil,
01:04embora isso possa chegar aqui,
01:07nesse curto prazo nós não somos o mais afetado, tá?
01:11Ou pelo menos nós não somos o que está mais exposto a essa tempestade.
01:16A nossa safra de verão a gente está no processo de colheita,
01:19ou seja, o fertilizante já foi utilizado.
01:21Quando a gente pensa na nossa segunda safra,
01:24notadamente nossa safra de milho,
01:26provavelmente esse fertilizante já foi adquirido,
01:28deve estar até ali na fazenda,
01:30uma parte já sendo aplicada no solo.
01:33No entanto, isso não vale para a safra 26 do Hemisfério Norte.
01:38Eles estão justamente encerrando o inverno,
01:41iniciando o preparo do plantio deles.
01:45E, como diz que é muito melhor,
01:47notadamente nos Estados Unidos,
01:49não há necessidade de comprar os fertilizantes
01:51com tamanha antecedência tal qual acontece aqui no Brasil.
01:55Ou seja, provavelmente eles não adquiriram ainda
01:57uma fração relevante dos seus fertilizantes,
02:00e, principalmente o nitrogenado,
02:02para o milho norte-americano.
02:04Sim, essa turma deve estar bastante preocupada.
02:08Só para a gente encerrar,
02:09não é apenas de fertilizantes que a gente conta essa história.
02:12Ao elevar o preço ali do petróleo, do óleo diesel,
02:15isso encarece também o custo do frete marítimo.
02:18E mesmo quem esteja pensando,
02:20não, se for uma rota que não tem nada a ver ali com o Oriente Médio,
02:24gente, contêiner no mercado internacional é praticamente uma commodity,
02:28seguros acaba afetando toda a cadeia,
02:30porque em geral são grandes grupos,
02:32grandes empresas que fazem a coordenação desse frete marítimo,
02:37resultado disso, o frete marítimo pode ficar caro para todo mundo.
02:41Ainda assim, e agora pensando aqui,
02:44mais um detalhezinho no agronegócio brasileiro,
02:47o Oriente Médio é um grande comprador de produtos agropecuários brasileiros.
02:51Não estamos falando apenas do milho que o Brasil exporta para o Irã,
02:54mas pode pensar, sei lá, em frango.
02:57O Oriente Médio é um grande comprador de frango brasileiro.
03:00E talvez chegar até o Oriente Médio fique mais custoso.
03:05Enfim, o mês de março começou ali com o tabuleiro sendo chacoalhado,
03:09derrubando algumas peças,
03:11e a gente ainda não sabe qual vai ser a posição final das peças nesse tabuleiro.
03:16Nossa, Felipe, eu estava pensando aqui, né,
03:18vou fazer uma pergunta muito inteligente para o Felipe,
03:21porque eu vou falar o seguinte,
03:24nossa, a agricultura, o agronegócio ali nos Estados Unidos
03:27foi tão prejudicado em 2025,
03:31e aí eu fiquei até meio assim de fazer uma pergunta do tipo,
03:34como é que o Brasil ganha na área do agronegócio com esse conflito?
03:38Eu falei, nossa, que sensível.
03:39Mas agora que você está trazendo esse assunto,
03:41que até a gente é prejudicado por causa das vendas para o Oriente Médio,
03:45a pergunta nem cabe mais, né?
03:47Eu quero saber de você como é que a gente faz aí
03:51para, inclusive, reduzir essas nossas perdas.
03:54Porque quando teve o tarifácio americano,
03:56a gente redirecionou as nossas vendas do agro.
04:00Tem como fazer isso agora?
04:01São compras que já foram feitas?
04:03São compromissos já acertados?
04:06Como faz isso?
04:09Então, vamos lá.
04:10A boa notícia é que a situação não é tal qual a gente viu ali
04:14no tarifácio dos Estados Unidos, né?
04:16Ou seja, temos ali a...
04:20funcionando com os ruídos, sim,
04:22mas a gente não tem até o momento.
04:24Tudo aconteceu lá com os Estados Unidos.
04:29Até o momento, demanda cautela,
04:32mas longe de pânico, nada disso, tá?
04:35Então, provavelmente, até o momento,
04:37os embarques vão continuar acontecendo.
04:39Os contratos já são firmados,
04:42não é mercado esporte,
04:43ou seja, não é, sei lá,
04:45o pessoal da Arábia Saudita
04:47manda um WhatsApp e pede lá um container de frango.
04:50Não.
04:50Esses contratos são feitos já com uma boa programação.
04:54Então, essas entregas vão continuar sendo realizadas, tá?
04:57A princípio,
04:59não tem nenhum momento ali,
05:01nenhum motivo para pânico.
05:02No entanto,
05:03Perusca, você comentou muito bem
05:05a respeito da situação lá de 2025.
05:07Vamos imaginar a situação ali
05:09do produtor norte-americano.
05:11Em 2025,
05:12o produtor agropecuário dos Estados Unidos
05:14foi seriamente afetado
05:17pelo atrito dos Estados Unidos com a China.
05:20O pessoal vai lembrar.
05:21Para alguns grãos,
05:22notadamente a soja,
05:23a China deu preferência
05:24para originar essa soja
05:26aqui no Hemisfério Sul,
05:27com grande destaque para o Brasil.
05:29E aí,
05:30a soja norte-americana
05:31encontrou dificuldades
05:33para ser comercializada,
05:34ou seja,
05:35aqueles produtores já estão operando
05:37com uma margem bem desconfortável.
05:39Encarar o início de ciclo,
05:41agora em 2026,
05:42com esse choque de custos dos fertilizantes,
05:44naturalmente,
05:45não é nada confortável para eles,
05:47nem para o Donald Trump.
05:49Afinal,
05:50o universo agro ali,
05:53em geral,
05:54na sua larga maioria,
05:56é um grande apoiador do Donald Trump.
05:58E o Donald Trump
05:59tem um processo eleitoral,
06:01umas eleições de mid-term,
06:02para encarar no final do ano.
06:05Então,
06:06tem desafios adicionais,
06:07embora que demande cautela,
06:09com certeza,
06:10a situação lá nos Estados Unidos
06:11está menos confortável.
06:13Você sabe o que você estava falando aqui,
06:16vem uma imagem na minha cabeça
06:17que não sai mais,
06:18o pessoal,
06:19o árabe,
06:20ligando para o Brasil,
06:21mandando,
06:22cancela aí aquele container de frango.
06:24Eu agora estou com a imagem,
06:26não consigo tirar.
06:28Felipe Serigatti,
06:29muito obrigada.
06:30Pode falar.
06:31E o que agradeço,
06:32não, não,
06:34que outro detalhe,
06:35não, gente,
06:35aquilo é segurança alimentar.
06:37Então,
06:38no momento que a gente está conversando aqui,
06:39a gente está vendo que países
06:40que são importadores de energia,
06:42olha os asiáticos,
06:43olha o que está acontecendo,
06:44por exemplo,
06:45na Bolsa da Coreia do Sul,
06:47está derretendo.
06:48E o Brasil?
06:49Não, gente,
06:50tem turbulência,
06:51a gente viu o dólar aí subindo,
06:53a gente viu a Bolsa
06:54reprecificando diversos ativos,
06:55tem uma aversão a risco,
06:57a gente não pode esquecer
06:59que um dos principais produtos
07:00da nossa pauta exportadora
07:01é justamente o petróleo.
07:02Em outras palavras,
07:04o país,
07:04na verdade,
07:05o Brasil aqui,
07:05ele é um exportador líquido de energia.
07:08Então,
07:08nesse cenário,
07:09também olhando não para o águia,
07:10mas também para o mercado de energia,
07:12o Brasil está longe de ser
07:14o mais afetado.
07:16Qualquer dúvida,
07:17dá uma olhada
07:17como é que está o comportamento
07:19das Bolsas na Ásia.
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