- há 2 dias
No corte do programa Mercado, o foco é o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo negociado no mundo. A ameaça do Irã de fechar a rota acende o alerta global. Donald Trump fala em conflito de até cinco semanas, enquanto a Rússia defende solução diplomática. Especialistas analisam o impacto no preço do petróleo, na inflação, na Selic e até no agronegócio brasileiro. Petrobras pode segurar os combustíveis? O risco é de nova onda inflacionária global.
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NotíciasTranscrição
00:00Quero trazer imagens do Estreito de Hormuz, pode colocar pra mim, Joel, que é esse estreito aí, piquitito aqui, ó,
00:07gente, tá bem nesse quadradinho aqui, ó.
00:10Bom, daqui a pouco quando voltar vocês vão ver, mas essa daqui é uma foto do Estreito de Hormuz, aqui,
00:14ó, é isso aqui o Estreito de Hormuz, aqui tá o Irã, aqui tá os Emirados Árabes, né,
00:19Arábia Saudita ali também, Bahrein, enfim, o Iraque ali um pouquinho mais pra cima, mas isso aqui é o Estreito
00:28de Hormuz, e aí a Guarda Revolucionária do Irã anunciou ontem que fechou o Estreito de Hormuz,
00:35nem um navio passa por ali, se tentar passar vai ser incendiado, quem tiver no navio vai ser morto, enfim,
00:41e aí as pessoas, né, que os marinheiros, por conta dessa ameaça, não estão navegando ali,
00:46só que pelo Estreito de Hormuz passa 20% do petróleo que é consumido, né, diariamente, consumido não, que é
00:54vendido, negociado diariamente no mundo.
00:59Trazendo mais elementos aí, temos uma entrevista que o Pete Hegseth, que é o secretário de Defesa dos Estados Unidos,
01:06deu ontem, né, bem de manhãzinha,
01:08temos imagens também dessa entrevista coletiva que ele participou, tá ele aí, que é o homem forte, né, o homem
01:15da guerra do Trump,
01:16e ele disse que há uma diferença entre essa operação no Irã das prolongadas intervenções americanas no Iraque e no
01:25Afeganistão,
01:27dizendo que essa guerra não é um esforço para construir a democracia no Irã, são aspas aí dele, tá, ele
01:33diz, isto não é o Iraque,
01:35isto não é interminável, acrescentou. Segundo ele, a geração dele, né, ele diz, a nossa geração sabe como fazer melhor,
01:44e este presidente também, dizendo algo como vamos liquidar essa fatura logo.
01:49E aí veio o Trump, Donald Trump falou ali no começo da tarde, horário aqui do Brasil, ele estava num
01:54evento
01:54de condecoração dos heróis de guerra e ele fez um pronunciamento sobre o Irã antes de começar essa solenidade.
02:03Segundo o Trump, esse conflito deve demorar até cinco semanas.
02:51E aí nós temos, para finalizar, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov,
02:58que diz que tem conversado com várias autoridades, vários ministros do mundo árabe e também da Ásia,
03:05pode colocar a imagem dele para mim, obrigada, tem conversado por telefone com essas autoridades.
03:11Em nota, o Kremlin diz que tem conversado também com diferentes agentes mundiais
03:15e entende que todos os lados expressaram séria preocupação com os riscos reais da propagação do conflito,
03:22que já afetou os territórios de vários países árabes e pode ter consequências catastróficas, segundo o Kremlin.
03:28A Rússia enxerga uma necessidade urgente de resolver a situação, abre aspas,
03:34extremamente perigosa, fecha aspas, por meios políticos e diplomáticos.
03:38Começo com você, Léo.
03:41Infelizmente, esse caminho pela diplomacia não existe mais.
03:46Nos resta agora, como eu disse ali no início, ficar especulando sobre a duração e a intensidade do conflito.
03:54É isso?
03:55É isso mesmo, Berusca.
03:57Eu lembro muito quando aconteceu o início da guerra entre Rússia e Ucrânia.
04:02Se falava muito nisso e acabou que isso ficou adormecido e a guerra foi se estendendo já por quatro anos.
04:09Então, o dono de Trump fala que realmente isso vai ser curto, especificamente ele falou em cinco semanas,
04:13mas isso não tem como a gente ter uma certeza de quanto isso vai se intensificar e quanto isso vai
04:18demorar.
04:18E devido aí, como você comentou, o fechamento do Estreito de Hormuz, que detalhe,
04:23Estados Unidos nega esse fechamento, mas a gente está vendo que realmente não está tendo uma circulação de navios petroleiros
04:28ali.
04:29Quanto mais demora para voltar esse Estreito de Hormuz, mas não só os navios petroleiros,
04:35como ali também acaba passando muito navios de grãos, de fertilizantes,
04:40tem muita coisa que passa por ali também que pode afetar o nosso agro.
04:43Então, quanto mais isso demora, mais pode intensificar a exportação, a exportação de commodities para esses países
04:51e pode afetar muito o nosso agro, pode afetar muito mais a nossa bolsa.
04:57A gente estava chegando muito perto ali de 200 mil pontos almejados ali com corte de juros
05:00e tudo isso agora está sendo pausado.
05:03A gente tem ali ainda o corte de juros pendente para março,
05:06mas o de abril e o de junho talvez já sejam cortes mais reduzidos.
05:10E quem sabe até o que pode acontecer não tenha, se a inflação aumentar.
05:15Hoje a gente tem que lembrar que a gente fala de petróleo, a gente lembra muito de gasolina, de combustível,
05:19mas tecidos, alimentos, muita coisa são necessários do petróleo.
05:24Então, a gente pode voltar com aumento generalizado de inflação, não só aqui no Brasil,
05:28como em outros países e acaba afetando toda uma cadeia novamente que a gente passou por muito tempo
05:34tentando se livrar, lembrando que tudo isso que a gente está passando hoje de aumento de inflação
05:38foi por conta lá da pandemia.
05:40Então, olha o tanto de tempo, pandemia 2020, 2021, no máximo 2022.
05:43E a gente está tentando hoje brigar ainda com essa inflação, controlar essa inflação,
05:47não só no Brasil, zona do euro, China, Estados Unidos.
05:51Então, se isso voltasse a intensificar, se essa guerra demorar muito para terminar,
05:54isso pode gerar um aumento generalizado de inflação de novo.
05:57E aí o dinheiro continua caro por muito mais tempo, Verusca.
06:00Então, isso traz uma baita preocupação para os mercados, para nós cidadãos,
06:03para nós investidores na Bolsa de Valores, Verusca.
06:06Professor Ricardo, eu vou trazer os preços agora do petróleo.
06:10Pode colocar essa tela para mim, Joel, que mostram aí que ainda sobem bastante.
06:17O petróleo tipo Brent, que é referência aqui para a gente, na nossa Petrobras,
06:21está nesse momento a US$ 83 ou barril.
06:25O óleo cru, 76 dólares.
06:29Alta do Brent, superior a 7% e também do óleo cru, também 7%.
06:34É bom a gente notar também o gás natural, gente, porque a Europa depende muito ali do gás natural.
06:39Alta, nesse momento, de 4,6% do gás natural.
06:44Professor, quanto tempo a Petrobras consegue segurar os preços dos combustíveis aqui no Brasil?
06:52Vai depender do como ela quer fazer essa gestão.
06:57Lembrando que a Petrobras, diferentemente de outras empresas,
07:02ela tem um monopólio aqui, você tem duas outras companhias, mas são pequenas.
07:06Mas se a Petrobras se preocupar e achar que tem que fazer algum ajuste,
07:12é melhor ela subir o preço da gasolina e depois ela baixa o preço assim que o mercado se normaliza.
07:18O grande problema no Brasil é que quando tem redução de preço da gasolina para as distribuidoras,
07:24não chega no consumidor e, portanto, os índices de inflação não pegam.
07:29Mas esse é um problema que vai ter que ser acompanhado de perto.
07:35Assusta um pouco quem é mais velho, porque, lembrando, talvez por isso que o presidente está assustado,
07:43o ministro Haddad, porque quando no primeiro choque do petróleo,
07:47a economia brasileira, que até então era a China da época,
07:53o PIB crescia 6%, 7%, entrou num declínio muito grande.
07:57Isso não acontece hoje porque a gente tem, além de uma boa produção de petróleo,
08:01a gente tem uma produção de energia também no país, alternativa.
08:05Mas é uma dúvida que vai persistir.
08:08E a gente só vai poder dizer com mais precisão na medida que todo esse movimento bélico se definir,
08:16se vai terminar, se não vai, enfim.
08:20E uma coisa que afeta muito o mercado financeiro.
08:23Quando a gente tem risco, a gente calcula a probabilidade do risco.
08:28Quando a gente tem incerteza, isso gera uma volatilidade adicional.
08:32Porque na incerteza, todo mundo se defende.
08:35Todo mundo se defende e preços sobem.
08:38E aí tem impacto também em preço de passagem aérea,
08:42como disse o Léo, a questão de insumos para o agronegócio.
08:47Isso é um negócio complicado.
08:49Vai depender que nível que esse petróleo vai estabilizar
08:53ou se ele recua assim que tiver uma solução mais desenhada para esse problema,
09:01que é um problema bastante grave e que a gente não vê se vai terminar em quatro, cinco semanas.
09:07Esperamos que sim.
09:09É, acho que a gente vai voltar nesse assunto muitas vezes.
09:12Mas vocês têm impressão?
09:13E aí só para encerrar, quero uma resposta bem rapidinha de vocês.
09:16Porque eu dei aqui um...
09:19Ali eu fiz um...
09:20Como é que eu posso dizer?
09:22Eu situalizei o pessoal que está assistindo a audiência,
09:25porque a gente na redação também estava conversando sobre isso.
09:28Quando foi a Venezuela, a impressão é que a gente ficou muito mais tempo falando sobre isso,
09:33muito mais preocupado com tudo isso.
09:34E agora o Irã parece que aqui, para a gente, deu uma desacelerada a esse assunto.
09:39É porque a gente está muito longe, ou porque tem menor importância,
09:45ou porque a gente não está dando tanta importância para essa questão desse conflito lá no Oriente Médio.
09:51Começa com você, Léo.
09:56Bom, puxando o gancho novamente do que eu comentei, parece muito com Rússia e Ucrânia.
10:00Quando a gente começa com esse tipo de notícia, é um boom.
10:04Eu lembro que eu abri o Instagram no sábado, só se dava essa notícia da guerra.
10:09Só que eu acho que o mercado financeiro como um todo, as pessoas parece que vão enjoando da notícia.
10:14E ela vai se amenizando, parece que vai se apagando, mas na verdade não.
10:18Isso vai se intensificando muito.
10:20É que como no dia a dia a gente não se fala muito nisso.
10:22Mas isso vai se intensificando cada vez mais ali debaixo dos panos.
10:28A guerra entre Rússia e Ucrânia está acontecendo ainda e tentou fazer vários acordos e infelizmente não conseguiu.
10:35Então pode ser que aconteça isso também entre Estados Unidos e Israel.
10:40Acho que o próximo passo a ele é a gente ver quais vão ser os países que vão se aliar,
10:44os países que vão ajudar ambos os lados.
10:46A gente viu agora a China tentando ajudar ali, apoiando o Irã, muito por conta da parte do petróleo.
10:54Enfim, Verusca, acho que o próximo passo é a gente olhar o que vai acontecer, principalmente no esteto de Hormuz,
10:58quais serão os ataques, se de alguma forma o Irã ainda vai tentar ter alguma negociação com os Estados Unidos
11:05e se os Estados Unidos vão querer ter essa negociação.
11:07Lembrando que tudo isso começou por conta do enriquecimento de urânio, para fazer as bombas nucleares.
11:13Então o ponto crucial de Donald Trump é isso.
11:16Então a gente tentou fazer vários acordos, não aconteceu, mas ainda me resta uma esperança de que,
11:21pô, vamos ver se a gente consegue algum acordo, mesmo depois desses ataques, para que isso acabe o mais cedo
11:26possível, Verusca.
11:28Leonardo Santana, que se a gente usar o Léo Santana, fica aí com o nome de artista famoso, né?
11:33Faz balançar o país todo aí.
11:38Léo, obrigada, viu? Um beijo enorme.
11:41Obrigado, Verusca, até a próxima.
11:43Até a próxima.
11:44Professor Ricardo Rocha, fico contigo aí, rapidinho.
11:47Você acha que a gente está mais anestesiado com tanto conflito ou vai dar ruim ali no final das contas?
11:53Não, eu acho que o conflito é sério.
11:55Se a gente lembrar, a República Fundamentalista Islâmica, instalada em 1979,
12:02com a volta do Eato Lacomene, que estava exilado na França e tal,
12:05ela, quase 50 anos, qual é o discurso político, né?
12:12Primeiro que ela alimenta todas as associações terroristas do Oriente Médio,
12:19e aí tem aquela briga entre chitas e sunitas.
12:22Segundo que há 50 anos esses caras falam, morte aos americanos, fim de Israel,
12:28e aí eles querem enriquecer urânio.
12:30Bom, não podia ser diferente.
12:33Você fica 50 anos escutando que alguém quer destruir seu país,
12:37então Israel se preparou tecnologicamente com o apoio dos Estados Unidos.
12:42Essa é uma guerra muito tecnológica.
12:44Acho que o Trump também, ao bombardear as fábricas de drones no Irã,
12:50ele dificulta a questão, como disse o Léo, da guerra entre Rússia e Ucrânia.
12:57O Irã foi grande fornecedor de drones para os russos, né?
13:02E eu vejo muita preocupação, e principalmente quando a gente vê que o Irã atacou países árabes,
13:11todos os muçulmanos, o iraniano, ele não é árabe, ele é persa,
13:15mas todos são da mesma religião, então você começa a ter ataques assim,
13:20um tanto quanto questionáveis, né?
13:22Aí você movimentou a França, já está movimentando porta-aviões, a Inglaterra,
13:27a gente sabe que hoje o maior recurso bélico são os porta-aviões, né?
13:31Não só pelos aviões que ele pode levar,
13:35porque o avião hoje é a arma de guerra junto com o míssil mais moderno.
13:39Então, acho que a gente tem uma preocupação grande aí.
13:42O Trump deu uma cartada dura.
13:45Em relação à Venezuela, a Venezuela está próxima do Brasil.
13:48Maduro tinha uma associação com o governo brasileiro.
13:51O Irã está distante geograficamente,
13:54a gente sempre falava do Irã da questão da produção de petróleo, né?
13:59Mas não falava da teocracia, da ditadura,
14:02das milhares de pessoas mortas pelo regime.
14:05Então, tem uma série de coisas,
14:07mas esse amortecimento das pessoas,
14:10ele é fruto, acho que, da globalização e das redes sociais.
14:15Como você troca de notícia muito rápido,
14:17aquilo que é chato, é incômodo,
14:19você deixa de lado e vai para uma coisa mais importante.
14:22Mas a gente tem que ficar atento,
14:24porque tem desdobramento pela frente,
14:26e acho que serão desdobramentos importantes.
14:29A gente tem que ficar atento,
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