Pular para o playerIr para o conteúdo principal
  • há 2 dias
A escalada da tensão no Oriente Médio ganha novos contornos após Donald Trump afirmar ter apoio para intervir no estreito de Ormuz, algo rapidamente contestado por aliados europeus. Enquanto países como Alemanha, Reino Unido e Japão evitam entrar no conflito com o Irã, cresce a incerteza global. O impacto já chega aos mercados: petróleo em alta, volatilidade e pressão sobre decisões econômicas no Brasil.

No programa, Ricardo Rocha, colunista de VEJA, e Igor Lucena, economista e doutor em Relações Internacionais, analisam os desdobramentos da guerra e o dilema do Copom diante de um cenário externo turbulento e riscos inflacionários.

💬 Gostou do conteúdo? Deixe seu like, inscreva-se no canal de VEJA+ e compartilhe o vídeo!

—————————————————————————

Assine VEJA: https://abr.ai/2VZw8dN

Confira as últimas notícias sobre o Brasil e o mundo: https://veja.abril.com.br/

SIGA VEJA NAS REDES SOCIAIS:
Instagram: https://www.instagram.com/vejamais/
Facebook: http://www.facebook.com/Veja/
Twitter: http://twitter.com/VEJA
Telegram: http://t.me/vejaoficial
Linkedin: http://www.linkedin.com/company/veja-com/
TikTok: https://www.tiktok.com/@revista_veja

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00A gente vai começar falando do que tem dito o presidente Donald Trump, de que sete nações,
00:06ele disse isso ontem no começo da manhã, de que sete nações estão apoiando o plano dele
00:12de liberar o Estreito de Hormuz. E ele voltou a repetir novamente essa preocupação em liberar
00:21o Estreito de Hormuz, mas já não falando mais em quantidade de países que poderiam ajudar.
00:26Na verdade, foi um apelo para a ajuda desses países amigos e aliados.
00:32Ontem, o mundo viu e acompanhou um cenário bem diferente dessa suposta colaboração.
00:37Muitos países disseram não ao apelo de Trump de, entre nós, entrar na guerra contra o Irã.
00:44Outros ficaram meio que em cima do muro, rejeitam a ideia, mas não disseram aquele não categórico.
00:50Trump continua dizendo aos quatro cantos que o Irã está destruído e que hoje é um tigre de papel.
00:57A liberação de Hormuz, segundo o presidente americano, é importante para países como a China,
01:03que depende 91% do petróleo que passa por ali, e Japão, com 95% de dependência de Hormuz.
01:10E por conta dessa guerra, Trump anunciou ontem que está conversando com os chineses sobre a possibilidade de outra data
01:16para visitar a China,
01:17que estava marcada para o fim de março.
01:20Trump disse que adoraria visitar Xi Jinping, mas por causa da guerra ele tem que estar nos Estados Unidos.
01:26E claro, toda vez que o Trump fala, o Irã responde.
01:30E ontem a guarda revolucionária do Irã disse que, em resposta ao presidente americano,
01:37disse que representantes da guarda vieram a público, em um discurso em inglês, o que é raro,
01:42dizer que o resultado da guerra não pode ser determinado por tweets.
01:47O porta-voz iraniano que você vê aí na sua tela, Ebrahim Zoufagari,
01:51também criticou o nome da operação militar chamada de fúria épica pelos Estados Unidos.
01:56E diz que está mais para medo, é épico.
02:00O Irã diz que o estreito é aberto a amigos e países não hostis, portanto, não aos Estados Unidos e
02:08Israel.
02:09Bom, a União Europeia, logo que foi provocada sobre ajuda ou não a Trump, respondeu.
02:15Depois de participar do Conselho de Relações Exteriores da União Europeia em Bruxelas,
02:18a vice-presidente da comissão, Kaya Callas, declarou que a Europa não tem apetite
02:23para estender a missão naval no estreito de Hormuz.
02:25Os objetivos desta ação militar, segundo ela, precisam ser dados por aqueles que iniciaram esta guerra.
02:32A Europa não faz parte da guerra.
02:34A guerra e os objetivos políticos não estão claros, ela disse.
02:38E aí o primeiro-ministro alemão também se pronunciou.
02:42Ele criticou a demanda do presidente Donald Trump por essa ajuda no estreito de Hormuz.
02:47Diz que a guerra não é nossa.
02:49Ele disse exatamente isso.
02:51Não é a nossa guerra.
02:52E a Alemanha nunca foi consultada sobre o início.
02:55Autoridades alemãs questionam o que um punhado de fragatas europeias fariam no estreito de Hormuz,
03:01que a poderosa marinha americana não consegue administrar sozinha.
03:05No Reino Unido, o primeiro-ministro Keir Starmer revidou a Trump,
03:10dizendo que não seria atraído para a guerra mais ampla no Irã.
03:14Ele disse, abre aspas,
03:16nossa prioridade é sempre o interesse nacional e que não seria atraído para a guerra mais ampla.
03:23No Japão, a primeira-ministra japonesa, Sanai Takaishi,
03:27diz que o governo japonês está tomando medidas necessárias para proteger os navios de cargas japonesas
03:33que passam pelo estreito de Hormuz,
03:34mas descartou o envio de navios navais para escoltá-los por enquanto.
03:38A Constituição do Japão impõe limites rígidos às implantações militares no exterior,
03:45permitindo somente em resposta a ameaças à segurança do país.
03:51Vou conversar hoje sobre esses assuntos com o Ricardo Rocha,
03:54nosso colunista aqui de Veja, que está todas as terças-feiras aqui no Programa Mercado.
03:59Bem-vindo e bom dia, professor.
04:01Bom dia, é um grande prazer estar aqui novamente.
04:04O Igor Lucena já conectou com a gente?
04:07Economista e doutor em relações internacionais, ainda não conectou,
04:11mas estamos esperando ele hoje para a entrevista aqui no Programa Mercado.
04:15Fico contigo, professor, depois de todo esse resumão aí que eu trouxe, né,
04:19de notícias da guerra, o senhor, né, ou você, né,
04:24já que a gente está sempre conversando aqui às terças-feiras,
04:27traz outras informações também para a gente poder fazer aí um apanhadão
04:32do que a gente pode esperar, principalmente para o Copom essa semana, né?
04:36É, a guerra tem um impacto direto na decisão do Comitê de Política Monetária,
04:41porque dependendo do tempo de guerra, a preocupação com os preços do petróleo aumenta.
04:47O que a gente consegue capturar das fontes oficiais de Israel, do IDF, né,
04:56da Israel Defense Force, é que essa guerra ainda vai aí quatro a seis semanas
05:01para tentar ou, segundo eles, destruir todo o aparato militar mais relevante do Irã
05:07e chegar a um consenso.
05:09Em relação à Europa, eu só queria lembrar uma coisa,
05:12é ótimo que nós vamos ter um cientista político aí,
05:14que a gente vai sempre aprendendo com ele, é que se você voltar lá para 1900,
05:19nos anos 40, a diferença para libertar a Europa do julgo fascista
05:25foi a entrada dos Estados Unidos na guerra.
05:28Ele também não tinha nada a ver com isso, ele estava do outro lado do Atlântico, né?
05:31Então, os europeus são muito lentos nessa resposta,
05:37mas a gente sabe que tem uma guerra de narrativas aí acontecendo,
05:41e só lembrando que quando você olha os rotis no Iêmen,
05:45o Hezbollah e o Hamas, e soma esses homens,
05:49você tem aí 600 mil pessoas, é mais do que muito exército mundial.
05:54Então, essa situação é muito mais crítica do que parece, né?
05:59E a vontade dos Estados Unidos e de Israel é desbaratar a probabilidade
06:06do Irã enriquecer o urânio, porque aí o míssil balístico ele tem.
06:09Se ele tem a bomba atômica, então isso vai escalar para uma outra coisa
06:13muito dramática, né?
06:15Agora, o Copom tem que ficar atento.
06:17Eu não queria estar na pele do Copom, né?
06:20Mas tem que ficar atento.
06:21Vai ceder a pressão política e da própria ata que ele fez na semana passada,
06:28vai dar um corte menor, não sei.
06:30Está um dilema shakesperiano nessa história.
06:33Professor, você conversou recentemente com autoridades israelenses
06:37que te trouxeram um certo bastidor aí dessa guerra.
06:42Perfeito, exatamente.
06:44Na visão de Israel, e é uma coisa que acho que Israel comunica mal para as pessoas,
06:50então se as narrativas chegam distorcidas, é que eles têm três preocupações com o Irã
06:56desde o início da República Fundamentalista.
06:59O primeiro é o discurso, né?
07:00Como se eu morasse num condomínio há muito tempo,
07:04a minha família é uma família famosa naquele condomínio,
07:07tem uma outra e aquela outra diz assim, vou acabar com a sua família.
07:10Bom, desde 1980 é isso que o Irã fala.
07:13Segunda coisa, os mísseis balísticos, eles demoraram muitos anos,
07:18mas eles têm a tecnologia, eles têm os mísseis.
07:20Eles fabricam 10 mil drones por mês, mesmo nessa situação, né?
07:25E o enriquecimento de urânio, porque aí você passa a ter uma arma
07:29e o discurso de que Estados Unidos e Israel são um grande satã,
07:34eu com um mísseis balístico e uma arma nuclear,
07:37então fica imaginando por que tomaram a decisão desta vez
07:42de tentar desmobilizar todo o aparato militar,
07:46principalmente nessa questão do enriquecimento do urânio.
07:48tudo isso vai concluir que essa guerra continua aí talvez mais um mês, pelo menos.
07:54É difícil de você ter uma perspectiva de paz.
07:58O que poderia acontecer é uma união maior dos países
08:03para forçar o Irã a tomar uma decisão de se render,
08:08o que é muito difícil pelo discurso fundamentalista, né?
08:11Então, enfim, acho que a gente está num momento muito delicado da geopolítica mundial.
08:17Há muito tempo a gente não tinha uma situação tão delicada, né?
08:21Eu acho que...
08:22Agora, qual é o problema?
08:24A gente quando olha para um prédio, olha para casa,
08:27eu falo muito em sala de aula, tá vendo?
08:29Quando a gente olha para a sala de aula, por mais ISG que a gente tente ser,
08:33se não tiver petróleo, não tem um monte de coisa.
08:36Você mesmo colocou.
08:37Tem problema de alimentos.
08:38Por quê?
08:39Porque você tem vários insumos para o agronegócio que vêm do refino do petróleo.
08:44Então, chegar a uma estabilidade de preço é importante para todos os países.
08:51Não é algo isolado, Estados Unidos e Israel versus Irã.
08:56É muito mais amplo do que isso.
08:58Agora, me parece o seguinte, que os países árabes,
09:01que na sua grande maioria são sunitas, não são xiitas,
09:06estão apoiando os Estados Unidos nessa empreitada.
09:11Enfim, mas é muito difícil você destruir todo esse aparato militar muito rápido, né?
09:17Lembrando que é interessante que você tem 90 milhões de pessoas no Irã
09:22e as estatísticas apontam que a população que apoia o regime é de 10% a 15%.
09:28Esta população tem privilégios em relação a outras, os outros 85%.
09:36Eles têm um cartão alimentação com desconto nos supermercados.
09:39Então, é difícil você, inclusive, fazer com que a própria população que apoia
09:48queira reverter esse apoio, o que poderia gerar, de fato,
09:53uma mudança do regime de uma maneira menos traumática, né?
09:56Com a renúncia dos líderes e aí muda o regime do Irã.
10:01Não sei se para uma república normal, se volta monarquia,
10:05a gente não sabe porque aí precisa de um cientista político para nos orientar aqui.
10:10Então, a gente vai com o Igor Lucena, que é professor de Relações Internacionais
10:15e Economistas, já conectou aqui com a gente.
10:17Bom dia, Igor, seja bem-vindo.
10:20Já vou começar trazendo aqui a questão que o professor Ricardo Rocha trouxe,
10:27de que a Europa é muito lenta para tomar decisões,
10:30principalmente em questões de guerra e conflito e que, por conta disso,
10:36talvez Trump não tenha esse apoio, pelo menos agora, de imediato.
10:40E aí, queria que você, além de comentar isso, nos dissesse, por exemplo,
10:45o que a gente já pode, além da alta do petróleo, o que a gente já pode calcular,
10:49que já dá para sentir no bolso de efeitos dessa guerra,
10:55que dura três semanas e, segundo o professor andou conversando com autoridades israelenses,
10:59vai durar mais um mês, cinco semanas.
11:04Olha, de fato, a grande maioria dos membros da União Europeia,
11:09que também são membros da OTAN, já disseram que a OTAN é uma aliança
11:13de defesa coletiva, não de ataque coletivo.
11:17Ou seja, eles estão usando o argumento de que não tem sentido eles fazerem
11:21um ataque coletivo como os Estados Unidos preferem.
11:25E também, eu acho que tem uma questão pedagógica aí.
11:27nos últimos meses e anos, desde o começo do segundo governo de Donald Trump,
11:33o presidente Trump foi, humilhou muito os europeus, colocando os Estados Unidos
11:37como uma grande potência, que não necessitariam de apoio.
11:41E nesse momento, o presidente Trump está pedindo apoio.
11:44Acho que também faz parte aí um pouco desses países europeus que dizem,
11:49olha, acho que o presidente Trump agora vai ter que aprender que não precisa,
11:53que sozinho não consegue resolver todos os problemas.
11:56Que é, entre aspas, enfiou o pé na jaca e que sim, e nós também não vamos entrar nesse jogo.
12:02Então, acho que tem também um pouco de revanchismo aí de parte da Europa,
12:05acho que muito mais do que uma letargia.
12:08E segundo, os europeus não querem que os seus navios comecem a ser atacados.
12:14A gente viu aí uma situação da ida de Chimpre, eu vejo muito mais um ponto de vista europeu
12:22que essa guerra, esse contante não é deles.
12:24Até que, de fato, se torne necessário eles entrarem ao ponto de que não haja uma outra alternativa,
12:34nenhum dos países europeus, e até países que têm uma ligação muito forte com o presidente Donald Trump,
12:39como, por exemplo, Gordia Meloni na Itália, não querem entrar nisso com o objetivo de terem
12:44para si um ônus de um conflito que não os favorece.
12:49Então, o presidente Trump aí está tentando, de fato, encontrar um conjunto de players ativos,
12:55mas está pagando o próprio preço de ter fragilizado essas alianças em momentos desnecessários.
13:03Então, acho que talvez o presidente Trump vai ter que aprender um pouco
13:07que os Estados Unidos é poderoso, pode muito, pode muito, mas não pode tudo,
13:12que muitas vezes é necessário com a ajuda dos europeus.
13:16Igor, vou aproveitar que você está conosco ainda, eu queria te perguntar,
13:21eu já perguntei para o professor Ricardo Rocha, mas queria saber a sua opinião também.
13:24O Copom corta ou não corta a Selic amanhã no final da reunião,
13:29porque a XP Investimentos já divulgou, foi a primeira, que não acredita mais num corte da Selic.
13:36E outros bancos, como Itaú, por exemplo, reduziram o corte de meio para 0,25 pontos percentuais.
13:45Olha, eu acho que o cenário positivo seria uma queda de 0,5.
13:49O cenário, ao meu ver, realista, é um corte zero.
13:53Os efeitos, não só na bomba de gasolina, mas os efeitos expansivos desse conflito
13:58que deve durar mais de um mês, eu acho que está muito claro,
14:01está tendo uma volatilidade muito grande nos mercados,
14:04está fazendo com que investidores de vários setores econômicos coloquem o pé no freio.
14:08Eu acho que piora um pouco no Brasil, porque você tem toda uma instabilidade
14:12causada pela situação do Banco Master e do Supremo Tribunal Federal.
14:18Vários agentes econômicos já veem como algo difícil novos investimentos.
14:23Então, quando você tem uma queda de investimentos por fatores internos e externos,
14:26você tem uma tendência de aumento de preços e aí cria essa pressão inflacionária interna.
14:31Então, eu concordo com a XP e eu não estou acreditando numa queda de taxas de juros.
14:36Eu acho que o cenário está muito volátil, muito difícil,
14:38para que a gente possa assistir qualquer tipo de queda agora.
14:42Se ocorrer, vai ser no máximo 0,25, mas com viés extremamente cauteloso do Banco Central.
14:50E, obviamente, isso não é bom no cenário onde grandes empresas estão pedindo recuperação judicial.
14:56A gente está vendo o caso da Raizen, a gente viu o caso do grupão de açúcar.
15:01E, obviamente, taxas de juros altos impedem também a recomposição dessas empresas.
15:05Então, eu acho que o Brasil, infelizmente, entra numa tempestade muito ruim dentro desse cenário.
15:11E o fato do governo estar diminuindo os impostos sobre o diesel,
15:15para tentar diminuir a pressão inflacionária, ainda gera um aumento no buraco fiscal.
15:21Então, eu gosto de dizer o seguinte, o Brasil não fez nenhum dos deveres de casa
15:25de reorganizar fiscalmente, fazer controles do ponto de vista de corrupção.
15:31Então, quando vem um impacto externo desse que desorganiza tudo,
15:35a culpa também é nossa, porque nós simplesmente deixamos tudo acontecer naquela coisa.
15:40Eu deixo o treino lá.
Comentários

Recomendado