- há 2 dias
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NotíciasTranscrição
00:21Olá, bom dia. Hoje é segunda-feira, 30 de março de 2026, comecinho de semana,
00:27final de mês. Esse é o seu programa Mercado com as notícias de economia mais importantes do Brasil e do
00:36mundo.
00:37A guerra Estados Unidos e Israel contra o Irã completou um mês neste fim de semana e com um aumento
00:42da violência,
00:44ataques e mais países envolvidos e grupos armados também, como os rutes do Iêmen a favor dos iranianos.
00:51O barril de petróleo disparou e agora nem as entrevistas do presidente Donald Trump parecem deter a escalada dos preços.
00:59O IGPM aqui no Brasil fechou em alta em março e boa parte da explicação, segundo a Fundação Getúlio Vargas,
01:07tem a ver com o agravamento do cenário geopolítico no Oriente Médio, que já reflete nos preços de derivados de
01:15petróleo,
01:16indicando a disseminação dessas pressões para outros segmentos.
01:21Quem diz isso não sou eu. Está no texto da Fundação Getúlio Vargas, divulgado agora há pouco e que acompanha
01:29o índice IGPM.
01:32Vamos começar então o programa. A gente tem outros assuntos para tratar hoje também, porque além do IGPM, da guerra,
01:40nós vamos falar também do boletim Focus e do relatório sobre empréstimos bancários, o relatório de crédito do Banco Central.
01:51Vamos começar, portanto, com o site do próprio IBGE, que eu quero chamar aqui para a gente.
01:58Eu não coloquei aqui, mas é IBGE Ibre.
02:02Quero chamar a Laura Pacheco, que está com a gente, e vai comentar.
02:07A Laura Pacheco, que é economista, está aqui conosco.
02:10Enquanto eu vou puxando aqui o site do IBGE para a gente dar uma olhada e poder trazer os números,
02:17a alta foi de 0,58%, é isso? Não decorei, Laura.
02:22Mas queria que você trouxesse para mim a sua análise e os principais números.
02:27É assim que eu conseguir, eu coloco na tela.
02:30Perfeito. Você pode só repetir a pergunta? Bom dia, pessoal.
02:32Bom dia.
02:33Bom dia, Verusca. Bom dia.
02:35Você pode só repetir rapidinho a pergunta? Vamos lá.
02:38O que mais te chamou a atenção no IGPM de hoje, divulgado agora há pouquinho pelo IBGE?
02:45Perfeito. Bom, não é surpreendente, tá?
02:49Na verdade, isso aí já era de se esperar, já estávamos falando sobre isso, dessa alta do IGPM.
02:55O IGPM, ele é um índice que ele é mais sensível também em relação à cotação do dólar.
02:59Então, isso chama a atenção, né? Porque o dólar, ele deu uma recuada.
03:02Porém, a gente tem ali um índice que ele tem mostrado que ele sofre bastante reflexo,
03:08principalmente por conta desse cenário que a gente tem visto internacional.
03:12E o que nos traz bastante inquietação é em relação às decisões do Comitê de Política Monetária,
03:19visto que nós já estávamos com essa projeção de aumento do nível geral de preços.
03:25O IGPM, ele não é o índice oficial de inflação do Brasil, né?
03:28É o IPCA.
03:29Mas o IGPM, ele exerce uma certa importância no que diz respeito a gente começar a avaliar os níveis de
03:34preços.
03:35Então, assim, em tese, de uma forma geral, não foi surpreendente esses patamares do IGPM.
03:43O que é surpreendente é qual será a posição do Comitê de Política Monetária,
03:48principalmente no que diz respeito às taxas de juros aqui no Brasil.
03:51A gente vai trazer aí para o nosso público, agora eu prometi, né?
03:54Então, bora lá colocar a página da FGV e Ibre, que é um instituto que faz as pesquisas, as estatísticas
04:02aí,
04:03e faz também do IGPM.
04:05O aumento foi de 0,52% em março.
04:09Em fevereiro, tinha registrado uma queda de 0,73%.
04:16Em março de 2025, também houve queda de 0,34%.
04:21Portanto, março agora de 2026, bem diferente aí dessas quedas, né?
04:26Ano a ano e mês a mês.
04:28O acumulado do ano é de 0,19%, mas o de 12 meses é de 1,83% negativo.
04:36E aí, Laura, queria te perguntar, porque os economistas aqui da Fundação Getúlio Vargas,
04:43eles fazem até uma explicação dizendo que o IGPM já absolveu parte dos preços dos derivados de petróleo
04:54e que eles estão disseminados aí pelos preços.
04:58Você também enxerga isso?
05:00Reflexos da guerra?
05:01A gente pode dizer que esse é o primeiro índice de inflação medido no Brasil que reflete a guerra, o
05:09preço da guerra, né?
05:11Eu acredito que sim, até porque o fator energia, ele é bastante relevante no que diz respeito à mensuração ali
05:19do IGPM
05:19e também o fator energia, ele além de ser um item que exerce um custo, ele reflete em toda a
05:27cadeia produtiva.
05:28Então, tudo aquilo que a gente produz, naturalmente, a gente precisa de energia e também para a parte logística,
05:35para a parte de... todo o processo produtivo, até desde a produção de alguma coisa, até ela chegar no consumidor
05:44final,
05:45isso tudo consome energia.
05:46E o petróleo, ele é a principal fonte de energia do mundo, a principal fonte de energia do planeta.
05:53Aqui no Brasil, nós somos agraciados e abençoados porque nós temos também acesso à energia hidrelétrica,
05:58algo que não é a realidade de muitos países aí no mundo.
06:02Mas nós, ainda assim, dependemos basicamente, majoritariamente, de estradas para fazer a logística acontecer aqui no Brasil.
06:09Então, assim, bateu no petróleo, meus queridos brasileiros, vai tudo que a gente vê dali em diante,
06:16também, naturalmente, vai sofrer um impacto.
06:20Então, sim, eu acredito que a questão das repercussões, dos desdobramentos da guerra,
06:25que já puxou bastante o preço do petróleo para cima,
06:30já pode estar trazendo esses desdobramentos não apenas no custo da energia,
06:33mas também de toda uma cadeia produtiva,
06:35que começa ali a querer repassar esses aumentos de custo da cadeia produtiva e também da questão logística.
06:42Aproveitar que você falou aí da alta do petróleo,
06:45é colocar aqui na nossa tela, Joel, puxa aí para a gente,
06:49que o petróleo bruto, nesse momento, é 100 dólares o barril,
06:54passando dos 100 dólares, né?
06:56E o petróleo tipo Brent, encostando nos 115 dólares o barril.
07:02Esses são preços do mercado futuro.
07:06Portanto, chegando muito perto aí.
07:09E como é minuto a minuto, segundo a segundo, né?
07:13Tem hora que passa, tem hora que volta.
07:15Mas aí eu queria te fazer outra pergunta, Laura.
07:21O que você espera para o IPCA?
07:23Porque a gente teve o IPCA 15 que ainda não trouxe os reflexos dessa guerra no Oriente Médio, né?
07:30A medição ali foi feita até o dia 15 de março, 15 dias, portanto, da guerra.
07:34Ela não pegou esse reflexo da guerra.
07:37Mas agora o IPCA, são 30 dias cheios da guerra.
07:41Qual é a sua expectativa?
07:44A expectativa é que a gente vai ter um aumento, sim, no nível geral de preços.
07:48Isso, inclusive, já está refletido no próprio Boletim Focus,
07:51que foi divulgado pelo Banco Central hoje.
07:53E já era de se esperar que esses preços seriam pressionados para cima.
07:58E existe um ponto muito importante aqui, que é preciso refletir,
08:01que não é apenas do custo da energia em si,
08:04do custo dos combustíveis que vão impactar em toda a cadeia.
08:08A gente tem também a questão de que nós somos um país exportador,
08:11principalmente no que diz respeito a commodities.
08:13Estamos geograficamente localizados em uma região estratégica,
08:18porque o Brasil possui um litoral super extenso.
08:21Nós não temos fronteiras de conflitos religiosos.
08:24Nós não estamos geograficamente posicionados em um local que seja diretamente impactado pela guerra.
08:30Logo, o que isso significa?
08:32Significa que o Brasil pode ter bons clientes para mandar os produtos brasileiros para fora.
08:39Já que também a gente tem ali lugares que estão sendo impactados.
08:43Isso faz com que produtos saiam do Brasil e a gente pode ter uma alteração de preços aqui dentro.
08:48Por exemplo, se por conta da guerra o Brasil começar a exportar mais carne,
08:53mais proteína animal, a carne vai subir aqui no Brasil.
08:56Então, as expectativas diante de um cenário de guerra para o Brasil,
09:01mesmo que a gente possa ter alguns pontos favoráveis,
09:04que essa questão da balança comercial ser favorecida pelo fato de a gente estar exportando,
09:08pelo fato de sermos um país que tem como principais produtos commodities,
09:14que são produtos de base.
09:15Então, quando a gente tem um movimento como esse,
09:17a gente acaba sendo favorecido.
09:19Mas aqui dentro, a gente vai ter um movimento de aumento no nível geral de preços,
09:24que é a inflação e que já está projetado um aumento ali,
09:29inclusive pelo Boletim Focus divulgado pelo Banco Central.
09:32Daqui a pouquinho eu vou trazer o Boletim Focus para a gente analisar.
09:36Antes, eu quero juntar dois assuntos que eu acho pertinentes.
09:41Eu queria que você fizesse uma avaliação para mim.
09:43porque a gente teve o IGPM agora em alta.
09:47Você está dizendo que a expectativa para o IPCA também já é registrar uma alta também,
09:52o IPCA que é a inflação oficial.
09:54E aí, hoje o Banco Central divulgou o relatório de empréstimo e crédito.
10:00E aí, eu queria que o Joel colocasse para mim o documento aí no ar,
10:04esse documento está aqui no computador, por favor, Joel,
10:06que mostra que o crédito ampliado do setor financeiro, é um relatório do Banco Central,
10:12é um relatório oficial, dizendo aqui que em relação, em fevereiro, o crédito aumentou 1,1%.
10:20E aí, traz o crédito para as empresas, que a alta foi de 0,2%,
10:26mas para a pessoa física, a alta foi muito maior.
10:31E aí, a gente tem aqui embaixo algo que me assusta demais.
10:34Aqui, na mesma ordem, o crédito direcionado às famílias aumentou 0,99,5%.
10:41Bom, vamos lá.
10:42Algo que me assusta bastante, Laura, que é isso aqui.
10:46Essa tabela que o Banco Central traz com a taxa média de juros anual.
10:52Em janeiro, já estava altíssimo, a gente já falava isso, que é de 61% ao ano.
10:57E agora, em fevereiro, subiu 1 ponto percentual para a pessoa física, 62%.
11:02Para as empresas, pessoas jurídicas, também está altíssimo, para quem precisa tomar crédito
11:07para investir, para expandir.
11:09Era de 25% em janeiro, caiu para 24,9% em fevereiro, caiu 0,1 ponto percentual.
11:18Laura, com essas taxas altíssimas, o crédito aumentando, quer dizer, mais gente, mais empresas
11:24tomando dinheiro emprestado.
11:26Aí vem a inflação em alta.
11:28Uma guerra que não tem prazo para terminar.
11:32A gente ainda vai falar da guerra daqui a pouco.
11:34É um cenário perfeito para quê?
11:38Para taxas de juros altas e permanecerem altas.
11:44Mesmo que o Banco Central esteja exercendo corte de juros e ainda mantém a tese de que
11:50ele vai manter ali os cortes, ele está fazendo corte de 0,25% frente a uma taxa de juros
11:57de
11:5815%, agora de 14%.
12:00Então, assim, a taxa de juros está tão alta que, ao meu ver, ele está cortando meio
12:05pra inglês ver, digamos, pra dizer, ó, pessoal, eu falei que ia cortar e eu estou cortando aqui
12:09porque está tão alta aqui que, às vezes, talvez o corte, ele possa fazer sentido mesmo
12:15num cenário que, na verdade, ele é inflacionário, ele não justifica o corte de juros.
12:21Além disso, a gente tem um outro fator muito importante.
12:24O preço do petróleo está aumentando e quem que é a principal empresa aqui no Brasil
12:31que comanda o preço dos combustíveis?
12:32A Petrobras.
12:33Só que a Petrobras, ela não pratica preços de mercado, ela tem políticas internas justamente
12:39por quê?
12:39Porque a gente tem ali uma empresa da qual o governo e o Estado colocam o dedo, dá a canetada,
12:46sendo assim, às vezes, mesmo que a gente tenha um aumento do preço de petróleo, ela
12:49não repassa de forma instantânea, porque a gente não trabalha mais com paridade de
12:54preços internacionais, e ela assume prejuízo.
12:57No que ela assume prejuízo, quem paga a conta, no final do dia, cofres públicos.
13:02Se a gente aumenta também ali a questão das contas públicas ficarem mais preocupantes,
13:08a gente também não tem um cenário favorável para taxa de juros.
13:11Então, a gente tem três fatores aqui que unem a fome com a vontade de comer para a gente
13:16manter juros altos no Brasil.
13:17A questão da inadimplência altíssima por parte do brasileiro, que não consegue pagar
13:22nem aquilo que deve.
13:24Então, visto isso, quem paga o que deve, paga por quem está pagando e por quem não
13:29está.
13:30Então, necessariamente, se a Verusca paga as contas em dias e eu não pago, a Verusca
13:36vai pagar os juros da conta dela e da minha, porque eu não pago.
13:39Então, a gente tem inadimplência alta que já favorece com que os juros praticados
13:43para o cliente final, que são as empresas e as pessoas, seja alto.
13:48Cenário inflacionário.
13:50A gente tem aí essa questão que está acontecendo da guerra sem previsão de acabar, sem a gente
13:55saber se as tropas vão realmente bater de frente, se vai ter realmente uma luta armada
14:01e que o Irã tende a não recuar.
14:05Então, se isso acontecer, realmente aí mesmo a gente não vai ter previsões disso
14:10acabar e isso traz sim um cenário inflacionário, tanto por conta do aumento dos preços dos combustíveis
14:14que impactam em toda a cadeia, como também aquele fator que eu trouxe.
14:18A gente exporta mais, os produtos do Brasil vão ser vendidos para os gringos, diminui a
14:24oferta, aumenta o preço aqui dentro do Brasil.
14:26Então, a gente tem um cenário de inflação, favorece juros altos.
14:30E, além disso, contas públicas que podem estar ali em risco, porque para poder fazer
14:35com que essa alta dos combustíveis não chegue tão de forma imediata no consumidor brasileiro,
14:42pode ser que a Petrobras comece a segurar preço na base do canetaço.
14:47Naturalmente, essa conta precisa fechar e ela acaba sendo fechada com o dinheiro de cofres
14:52públicos e, de novo, se a gente tem as contas públicas que não estão saudáveis, também
14:58favorece juros altos.
15:00Em resumo, o cenário é favorecendo juros altos no Brasil.
15:06É dizer, explicando, estamos todos ferrados, estamos todos pagando uma conta altíssima.
15:15E aí eu quero trazer, você falou sobre o boletim Focus, é a terceira semana seguida de alta
15:21do IPCA, segundo os investidores, economistas, pessoal de mercado, ouvido pelo Banco Central.
15:28Pode colocar para mim aqui, por favor.
15:31É a terceira semana de alta, saiu de 4,17% na semana passada e veio agora para 4,31
15:39% a Selic,
15:41segundo previsões do mercado, alta também do PIB, de 1,84% para 1,85%.
15:47O restante do câmbio e Selic continuam aí com a mesma expectativa da semana passada.
15:54Tira para mim essa tarja, Joel, só para a gente ver ali embaixo o câmbio e Selic, por favor.
16:02Senão não dá para ver o boletim todo com todas as informações.
16:06E aí, pronto.
16:07Câmbio 5,40% e Selic 12,5%, portanto, muito igual ao que já se imaginava na semana passada, né?
16:17A expectativa da semana passada.
16:19E aí, eu quero trazer para vocês, antes de conversar com a Laura, toda essa questão da guerra.
16:23Quero trazer primeiro o post do presidente Donald Trump, que ele fez agora há pouquinho.
16:28Não temos ainda?
16:29Bom, eu vou trazer aqui um resumo.
16:32O Trump disse que está dando esse espaço para que o Irã faça as negociações.
16:41São dez dias que foram ampliados da semana passada para agora.
16:45Para que aconteçam essas negociações com o Irã, foi apresentado um plano de 15 metas, né?
16:5115 pontos para que o Irã avalie tudo isso.
16:55E se isso não acontecer, segundo o Trump, eles irão tomar, os americanos irão tomar a ilha de Karg.
17:02Eu já explico para vocês o que é a ilha de Karg.
17:04Primeiro, vamos ouvir uma fala do presidente Donald Trump numa entrevista que ele deu ontem dentro do Air Force One,
17:12o avião da presidencial, oficial da presidência.
17:15Ele falou sobre tudo.
17:16Cuba, petróleo, estreito de Hormuz, democratas, eleições de meio de mandato.
17:21Para nós, o que interessa é o que ele disse sobre o Irã.
17:23O conflito só piora com ataques de todos os lados e mais países entrando nesta guerra.
17:28Os ruts do Iêmen a favor do Irã, Qatar, Kuwait e Emirados Árabes no contra-ataque, jogando ao lado dos
17:36americanos.
17:37Apesar deste fim de semana com morte de jornalistas, ataques em emissoras de TV, explosão de fábrica de produtos químicos
17:44em Israel e casas,
17:46Trump fala em avanço das negociações e que elas ocorrem de todas as formas.
17:50Vamos ouvir.
17:52Nós estamos negociando com eles direitamente e indireitamente.
17:56Nós temos emissoras, mas também estamos lidando direitamente.
18:00E, como você sabe, eles decidiram enviar 8 votos dois dias atrás, e depois eles adicionaram outra 2, então foram
18:0810 votos.
18:09E agora, hoje, eles nos dão um tributo, eu não sei se não definir exatamente, mas eles nos dão, acho
18:18que, por um signo de respeito, 20 votos.
18:27Bom, ainda segundo o Trump, essas embarcações devem se deslocar ali pelo estreito de Hormuz, essas 10 embarcações que ele
18:35fala, esta manhã.
18:37Ainda não temos notícia para saber se o Irã cumpriu o combinado com os americanos.
18:43Bom, enquanto as tensões aumentam, países do Oriente Médio tentam chegar a uma saída.
18:48E a gente tem imagens de uma reunião que começou no domingo, uma reunião em Islamabad,
18:55e que tem representantes de vários países ali, pelo menos 4 países, que pedem um cessar-fogo para que se
19:03possa avançar nas negociações.
19:06São ministros das relações exteriores da Arábia, Turquia, Paquistão e Egito.
19:10No centro das discussões está essa possibilidade de cessar-fogo e também a reabertura do estreito de Hormuz.
19:19Ainda com notícias da guerra, eu disse que ia falar para vocês sobre a ilha de Karg.
19:25Esse é um dos alvos do presidente Trump, essa ilha de Karg, que fica ao norte do Golfo Pérsico, a
19:30cerca de 30 quilômetros do Irã.
19:32É lá que o país concentra as exportações de petróleo com até 90% do produto vendido, sendo considerada a
19:40principal central de distribuição de combustível dos iranianos.
19:44Há a possibilidade dos Estados Unidos enviarem tropas terrestres até o local, embora o governo americano não confirme essas informações.
19:53E agora vamos para o post do presidente Donald Trump, traga para a gente aí, por favor, coloque em tela
20:00cheia a tradução, a gente fez a tradução para facilitar o entendimento de todo mundo.
20:05E ele está falando aqui exatamente aquilo que eu disse mais cedo, que as negociações sérias com o novo regime
20:10estão avançando, mais razoável, para encerrar nossas operações militares no Irã.
20:16E aí ele fala aqui de grandes progresso, enfim, e aqui embaixo, mais ali do meio para baixo, está a
20:22questão ali da ilha de Karg.
20:26Todas as suas usinas de geração de energia elétrica, postos de petróleo e a ilha de Karg, que a gente
20:31mostrou agora há pouco nas imagens,
20:33e possivelmente todas as usinas de dessalinização que propositalmente ainda não tocamos.
20:39Trump está ameaçando atacar esses locais em retaliação pelos nossos muitos soldados e outros que o Irã massacrou e matou
20:48durante os 47 anos do reinado de terror do antigo regime.
20:53Bom, a princípio os Estados Unidos negavam que estavam mandando tropas terrestres, o post do presidente Donald Trump não deixa
21:00muito claro de como serão esses ataques.
21:05E aí, apesar de tudo isso, apesar do Trump engrossar contra o Irã, os protestos nos Estados Unidos e em
21:14várias partes do mundo tomaram as ruas aí no final de semana.
21:19Em Washington, os manifestantes foram para a frente da Casa Branca.
21:24Nós temos imagens que mostram esses manifestantes com cartazes do movimento que chama No King, ou Sem Rei.
21:34E aí eles pedem, sem guerra, sem ICE.
21:37E o recado para Trump, você não pode bombardear para sair dos arquivos de Epstein e aí também bandeiras dos
21:45Estados Unidos.
21:46Em Nova York, milhares de pessoas se reuniram no sábado como parte também desses chamados comícios, manifestações,
21:55No Kings em todo o país contra o presidente Donald Trump.
21:57As imagens mostram, inclusive, pessoas famosas.
22:01Ali na frente, o ator Robert De Niro, entre os manifestantes, segurando, inclusive, faixas de protesto.
22:08Mais de 3 mil por todos os Estados Unidos, foram mais de 3 mil protestos e ainda tiveram outros países
22:14como a França e a Holanda.
22:15E, segundo os organizadores, atraíram mais de 8 milhões de pessoas.
22:19Os protestos vêm quando os Estados Unidos entraram na temporada primária das eleições de meio de mandato, em novembro.
22:26E aí eu volto com a Laura. Laura, não tem como nada disso não bater na economia, né?
22:32E o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, deixou bem claro na semana passada, quando falou à imprensa,
22:38que eles ainda estavam precificando essa guerra.
22:43Exatamente. Não tem como não bater na economia.
22:46E um ponto muito importante dessa movimentação popular demonstra de que os Estados Unidos já estão em desvantagem.
22:53Porque se você não tem vontade popular para lutar, mesmo que você tenha tecnologia, mesmo que você tenha armamento,
23:01em algum momento, em algum período da guerra, você vai acabar perdendo.
23:04E o Irã está sendo completamente o contrário.
23:07Eles estão com sangue no olho para lutar.
23:10E eles têm um volume, uma tropa de um volume muito mais vantajosa do que em comparação com os Estados
23:16Unidos.
23:16Esse posicionamento do Donald Trump reflete até, é interessante, né?
23:21Porque ao mesmo tempo que parece que ele está blefando, ele vai para cima.
23:24Eu vejo que a postura do Donald Trump tem sido essa questão de preservar os Estados Unidos sendo o número
23:32um do mundo, né?
23:33O Make America Great Again não é de ser ótimo, é de ser a melhor do mundo.
23:37E ele traz esse discurso também travestido de, olha, enquanto eu for o primeiro do mundo, vocês estarão seguros.
23:44Porque eu sou contra a questão das reservas nucleares, eu que vou manter a ordem no mundo.
23:51E claro que isso também vem com o objetivo de preservar essa questão da hegemonia do dólar.
23:57Onde eu quero chegar com isso?
23:58O título, o tiro pode sair pela pulatra e isso, sim, reflete na economia não apenas nacional aqui no Brasil,
24:05como também global.
24:06Por quê?
24:07Já tem havido uma movimentação de riquezas que estão saindo ali da parte ali do Oriente Médio e migrando para
24:14a China.
24:15E a gente tem essa questão da crise do petróleo.
24:17Onde eu quero chegar?
24:19Desdobramentos de uma guerra trazem reflexos que não estavam na conta.
24:23Que a gente hoje tenta fazer projeções e ir até o próprio Banco Central com as variáveis, com os fatores
24:28que temos agora.
24:29Mas existem alguns pontos dos quais a gente não considera porque eram coisas que não existiam antes da guerra.
24:37Uma delas, duas delas que eu quero apontar é a questão de essa migração de riqueza para a China.
24:44E a outra, a transição energética que parece também estar sendo liderada pela China.
24:49Ou seja, por que eu falo que o tiro pode sair pela pulatra?
24:53Nessa tentativa do Trump de preservar a manutenção dele, sendo a primeira economia do mundo e a hegemonia do dólar,
24:59nos reflexos e desdobramentos, ele pode estar acelerando a China se tornar o novo número um do mundo
25:05e talvez até colocar em xeque o dólar sendo a principal moeda praticada nos próximos anos.
25:12Laura Pacheco, economista, muito obrigada pela sua entrevista, conversando conosco.
25:18Eu que agradeço.
25:19Obrigada e bom dia.
25:21Bom dia.
25:23Bom, agora eu quero trazer o agro aqui para o programa Mercado e aí eu quero trazer um artigo escrito
25:30pelo nosso querido Gustavo Junqueira.
25:33Está aqui, pode colocar para mim.
25:36O Brasil está perdendo a guerra e nem sabe que está travando.
25:40E aí o subtítulo, enquanto a ordem global é redesenhada à força, o país reúne trunfos raros que insistem em
25:47manter na gaveta.
25:48Para falar sobre isso eu quero trazer o próprio Gustavo Junqueira, que é colunista de Veja e que trouxe esse
25:53artigo para a gente.
25:55Gustavo, bom dia, seja bem-vindo.
25:58Não precisa falar o artigo todo, que é para as pessoas irem lá no site ler também.
26:02Mas eu quero que você traga para a gente um resumo do que você quis dizer exatamente.
26:06Que guerra é essa que a gente já está perdendo?
26:10Bom dia, Berusca.
26:11Bom dia a todos.
26:12Bom, sempre bom estar aqui para debater.
26:15E aí debater o artigo acho que é uma honra para mim aqui, já que teve uma repercussão bastante positiva.
26:23Berusca, na verdade, o que eu quis colocar ali é que o mundo saiu de uma lógica de mercado,
26:31onde o Brasil vinha se desenvolvendo fortemente, e voltou para uma lógica de poder.
26:38Acho que estávamos aí discutindo no quadro anterior todos esses protestos nos Estados Unidos,
26:45e o nome desse protesto é interessante, No Kings,
26:50porque, de fato, essa lógica do poder é a lógica que funciona no mundo imperialista,
26:58onde os reis tomam decisões de ocupar espaços no mundo e vão assim montando os seus Estados.
27:07O mundo não estava nessa dinâmica, já fazia aí 30 anos, mais ou menos,
27:14desde o início da década de 90, que o mundo vinha operando na linha de buscar eficiência.
27:24Comprar onde é mais barato, ou melhor, produzir onde é mais barato,
27:29comprar onde é mais conveniente, para que as cadeias de produção fossem, assim,
27:35atendidas da melhor maneira.
27:37Isso acabou, acho que, desde o início do governo Trump nos Estados Unidos,
27:43os Estados Unidos mostram para o mundo que agora os países precisam se organizar
27:48em torno de outras dinâmicas, que é segurança alimentar, segurança energética,
27:57controle das cadeias de produção e acesso aos insumos.
28:01E isso a gente vem vendo ao longo desse último ano.
28:07Os Estados Unidos usando tarifas e novas regras para acelerar a sua política industrial.
28:17A China garante o acesso a recursos no mundo inteiro,
28:24seja grãos aqui no Brasil, seja minério na África, seja petróleo no Irã.
28:30A Índia controlando as exportações, as importações, ou seja, ainda mantendo um Estado muito fechado.
28:37A Europa regula, para proteger os seus mercados, a parte ambiental é o que a gente mais tem lidado
28:45aqui no Brasil com esse acordo Mercosul-União Europeia.
28:49O México e o Canadá, mais perto dos Estados Unidos, estão capturando esse near-shoring,
28:56fazer coisas para o mercado americano nos países do lado.
29:01E a Rússia usando tanto a energia quanto fertilizantes como poder.
29:06E o Brasil sendo afetado por tudo isso nesse jogo para se ter mais controle.
29:15Então, o mundo virou de uma maneira 180 graus para um jogo de posicionamento estratégico.
29:24E isso, logicamente, ele chega no agro.
29:28A gente está aqui debatendo o agro, porque é, sem dúvida alguma, o maior negócio do Brasil,
29:37onde nós temos a maior representatividade no PIB.
29:41E o que acontece com o produtor rural nesse momento?
29:47Essa crise toda, essa mudança do mundo, chega de maneira direta, não como teoria.
29:53O diesel, como a gente falou aqui, subiu 50%.
29:56Ou seja, todos os tratores, colhedeiras, caminhões, são movimentados com o diesel primordialmente.
30:07Fertilizante, muito mais caro, subiu significativamente e pode faltar.
30:11Não só pode ficar mais caro, mas como pode não ser usado.
30:15E a nossa agricultura é fundamentalmente baseada nos fertilizantes.
30:21É uma agricultura moderna, não é uma agricultura onde só o solo tem os seus nutrientes.
30:26Frete, o Brasil é fundamentalmente um país continental, depende tanto de trem quanto de caminhões do frete, portanto do diesel.
30:39Crédito, o Brasil, como a gente viu aí, não vai conseguir reduzir taxa de juros por uma questão inflacionária,
30:49uma questão de falta de previsibilidade e a facilidade, o acesso ao crédito que o produtor teve a um crédito
31:00mais barato ao longo dos últimos anos desapareceu.
31:04E tudo isso, então, faz com que o custo aumente na produção e a incerteza impere.
31:13O que isso traz, a gente leu aí no fim de semana, alguns artigos também no Estadão e em outros
31:20jornais,
31:20é o adiamento, o adiamento por parte dos produtores, que são empresários do campo, na compra de máquinas.
31:30Então, você não vai trocar o seu maquinário.
31:32O que acontece?
31:33Você vai ter um maquinário mais velho, que consome mais combustível, tem menos eficiência
31:38e, portanto, não vai ter a mesma produtividade e afeta a indústria de máquinas.
31:45Reduz a expansão territorial, o agro brasileiro vem expandindo as suas áreas para as áreas menos favorecidas,
31:56ou áreas menos próprias para a produção de grãos.
32:01E isso diminui, porque esse primeiro movimento é um movimento de investimento e não um movimento de retorno.
32:09Então, o produtor fica um pouco mais tímido.
32:14O produtor está pagando o insumo, ou seja, pagando o fertilizante, o herbicida hoje,
32:20com o fluxo de caixa da produção futura.
32:24Então, ele está preservando o caixa.
32:26De maneira geral, o produtor não para, o agro não para.
32:30Acho que a gente falou isso em várias ocasiões durante o Covid, o agro não para.
32:34Mas ele entra no modo defensivo.
32:36Ele fica buscando muito mais a sobrevivência do que o crescimento.
32:42Então, isso, sem dúvida alguma, vai ter um efeito.
32:46E essa guerra toda, ela chega para a gente todos os dias.
32:51E o Brasil, ao invés de se posicionar de uma maneira assertiva e proativa,
32:58nós vimos aí na semana passada, uma decisão do Supremo Tribunal Federal,
33:03que já em cinco votos a um, está fortalecendo ou deixando muito claro
33:12que é proibida a aquisição de terras no Brasil para investidores estrangeiros.
33:19O que isso mostra, Verusca?
33:21Mostra que nós não entendemos a guerra.
33:23E por isso o título do texto.
33:26Nós não entendemos que essa guerra, de fato, mudou o jogo.
33:32O Brasil produz como potência, mas ele não se posiciona como potência.
33:37O mundo disputando acesso à terra, energia e alimentos, o que o Brasil tem,
33:42e o Brasil vai lá numa decisão do Supremo Tribunal Federal e restringe o investimento em terra.
33:49Esse investimento poderia ajudar na reestruturação do crédito no Brasil,
33:54porque você tem muito ativo terra dado como garantia.
33:58Esses ativos teriam mais liquidez, teríamos novos investimentos.
34:02A gente vê o que está acontecendo no Emirado dos Árabes.
34:06Muito recurso ali, com a guerra, esses investidores estão buscando outros lugares.
34:11O Brasil poderia ser um destino, mas a gente fica aí numa posição xenofóbica contra.
34:18E pior do que isso, a gente depende de fertilizante, de crédito, de logística global do mundo.
34:25Ou seja, o Brasil pode ser grande, mas prefere ficar fora desse jogo
34:30e ficar timidamente acompanhando o que está acontecendo no mundo.
34:36Gustavo, mais uma vez, obrigada, viu, pelos seus comentários e um bom dia.
34:40Eu que agradeço. Bom dia a todos.
34:42Bom dia.
34:44Bom, do Gustavo, a gente vai agora para o Bruno Andrade,
34:47ele que é repórter da Veja Negócios, está trazendo notícias para a gente aí de empresas.
34:52Vamos começar pelo pão de açúcar?
34:53Sim, exatamente, Verusca.
34:55A gente precisa lembrar que no começo do mês ali, o pão de açúcar pediu uma recuperação extrajudicial, né,
34:59para tentar fechar ali acordos com os credores.
35:02E o valor das debêntures da companhia recuaram ali 70% no mercado secundário.
35:08Houve um rumor de circulação no mercado de que a empresa estaria buscando um desconto de 70% na sua
35:14dívida, né,
35:15em meio a esses números.
35:16No entanto, em nota, o GPA negou, né, que estaria articulando o desconto do valor da sua dívida.
35:21E de acordo com uma fonte, né, um conhecimento sobre o assunto que me passou,
35:26a empresa busca, na verdade, aumentar ali o número de credores que são favoráveis a alongar o valor, né,
35:34desculpa, alongar o prazo do pagamento da dívida.
35:37Atualmente, a companhia conta ali com 46% dos credores que apoiam essa medida, né,
35:43Mas para você fechar um acordo geral ali, seria necessário que 50% mais um dos credores fechasse ali uma
35:51proposta, né,
35:52e concordasse com isso.
35:54Qual que é a ideia, né, da companhia?
35:56A empresa, ela pretende alongar esse pagamento da dívida porque ele caiba dentro do fluxo de caixa da empresa.
36:02Em 2025, por exemplo, o GPA, ele gerou 669 milhões de reais, enquanto o custo da dívida chegou ali a
36:11920 milhões de reais.
36:13Então, como é que funciona isso?
36:15A companhia, ela basicamente, ela gerou de fluxo de caixa livre, que é aquilo que ela tem de caixa,
36:22retirando ali impostos, depreciação, enfim, tudo mais, 669 milhões.
36:28Por outro lado, só o juro da dívida foram ali aquela faixa de 900 milhões.
36:32E aí, o que acontece?
36:34A empresa, ela precisa alongar o pagamento para que esse pagamento que ela tem que fazer caiba dentro do que
36:41ela gera ali de caixa.
36:43Então, a ideia da empresa é convencer os credores a ter um prazo maior, né, enfim,
36:49para que, enfim, ela consiga pagar toda a dívida que ela deve.
36:53No geral, a companhia deve aí 4,6 bilhões de reais, sendo 1 bilhão devido do Rabobank,
37:00700 milhões para o Itaú, 500 milhões para o Itaú Asset, 1 bilhão de reais só em debêntures, né,
37:07ali sendo 600 milhões em certificados de recebíveis imobiliários, que é o famoso CRI,
37:12200 milhões ao BTG Pactual, mais 200 milhões ao HSBC,
37:16além de 400 milhões de reais distribuídos ali entre os menores credores, né, Verusca?
37:22Então, a empresa vem fazendo essa mudança, né, no geral, e tentando convencer os credores aí
37:28a alongar a dívida para ela caber dentro do fluxo de caixa.
37:32E reforçando aqui, reiterando que a companhia negou qualquer possibilidade de desconto, né,
37:37de reduzir o valor do endividamento, Verusca.
37:40Nossa, são tantos milhões que eu não faço a menor ideia.
37:43Se algum dia eu vou ver tanto dinheiro, eu creio que não.
37:46Mas coloca aqui para mim, Joel, a reportagem do Bruno no site,
37:52para quem quiser ter um pouquinho mais de informação, né, além do que ele já explicou quase tudo,
37:58mas só para quem quiser aqui ter um pouco mais de informação, veja.com.br.
38:04E aí você traz outro...
38:06Esse outro assunto vai mexer com o universo maior, né,
38:10porque o Grupo Pão de Açúcar, né, a recuperação extrajudicial,
38:13diz muito sobre empresas, ainda está muito no meio jurídico.
38:16Mas a questão das fintechs que você trouxe, né, está na Veja Negócios, é isso?
38:22Isso.
38:22E...
38:24Aqui, ó, eu mudei e mudou ali na tela, você viu, né, Joel?
38:27Aqui a coisa é rápida, roda, não, gira, não roda.
38:33E aí o Bruno fez essa outra reportagem da Veja Negócios, está na revista e também está no site.
38:38O rigor é necessário, o impacto das regras mais duras do BC às fintechs.
38:41Aí eu te pergunto, o que são essas regras?
38:44Então, houve uma mudança ali nas regras, né, que o Banco Central e a Receita Federal impuseram
38:49depois que foi decflagrada ali a Operação Carbono Oculto da Polícia Federal,
38:53lá em final de agosto, 5 de setembro do ano passado.
38:56Sim, muita gente foi presa na Faria Lima, houve aquela, toda aquele, é...
39:03Aquela operação ali na região da Faria Lima.
39:05Exatamente.
39:06E aí teve essa mudança, né, de modo geral.
39:09E aí eu queria chamar pra arte aqui no telão, a nossa primeira arte,
39:13pra explicar o que que mudou e tudo mais, enfim.
39:17Pode colocar?
39:17Temos, Joel.
39:19Ah, tem.
39:20Isso, exatamente.
39:21Então é o que aconteceu, teve toda uma mudança...
39:24Isso, exatamente, essa arte saiu na revista.
39:26Teve toda uma mudança ali, como é que era?
39:29Antigamente exigia apenas o capital mínimo de 1 milhão de reais, né,
39:32e aí essa exigência foi pra 9 milhões de reais.
39:35O que que é esse capital mínimo?
39:36A ideia é que, em relação aos empréstimos e as concessões que as fintechs fazem, né, enfim...
39:42Já estão valendo.
39:43Já estão valendo, sim, essas regras já estão valendo.
39:45Então, em relação aos empréstimos e as concessões que as fintechs fazem,
39:48pra elas poderem operar no mercado, elas precisam ter pelo menos 9 milhões de reais em patrimônio,
39:52em capital ali, pra ter solvência, enfim, e conseguir se manter operando, né.
39:58Também era permitido concentrar recursos de vários clientes, né, enfim, em um único titular,
40:03que era a famosa cota bolsão.
40:05Agora tá proibido, né, enfim, você não pode mais fazer isso.
40:08E também as fintechs, elas não eram obrigadas a informar os movimentos dos clientes
40:13e agora elas são obrigadas, né, a informar essas movimentações.
40:16Principalmente ali as movimentações a partir de 2 mil reais, né.
40:19E aí tem alguns pontos, né, por exemplo...
40:22Não tem a ver com o Banco Master isso.
40:23É, a Carbono Oculto, que foi a operação da Polícia Federal,
40:27tinha envolvimento do Banco Master nos fundos de investimentos, né, enfim, tudo mais.
40:32E aí tem a ver, mas não é só isso.
40:36Essas mudanças pra proteger o dinheiro também e o consumidor.
40:39E dentro dessas mudanças, a gente tem uma divisão no setor, né.
40:43A Associação Brasileira das Fintechs, a BFintechs, por exemplo,
40:46ela apoia totalmente, por exemplo, o último ponto, né, das fintechs,
40:50que serem obrigadas agora a informar as movimentações dos clientes.
40:53A Febraban também e a Zeta também.
40:56O que tem... Qual que é a briga, né, que a gente tem aí dentro do setor?
41:00A gente tem uma disputa, Verusca, principalmente por causa da...
41:06do aumento de capital.
41:08Por quê?
41:09A BFintechs comenta, né, que esse aumento de capital pode inibir ali a inovação no setor,
41:16prejudicar o segmento, né, enfim, tudo mais.
41:19Eu conversei com pequenas fintechs, por exemplo,
41:22e elas me comentaram que o tempo pra você conseguir abrir uma nova fintech,
41:28que era ali mais ou menos de um ano, né, um ano e meio e tudo mais,
41:31ele pode dobrar, pode chegar a dois anos e tudo mais.
41:34E o porquê disso, né, essa exigência do capital mínimo.
41:37Então, essa questão de você exigir, né, agora, em vez de apenas um milhão
41:41e passar a exigir nove milhões, aumenta o custo pra você inovar e tudo mais.
41:46Em relação, por exemplo, à conta Bolsão, o consenso é que é uma ótima solução,
41:51por quê?
41:52A conta Bolsão, lá na Carbono Oculto, ela era muito utilizada pela...
41:57principalmente pelo primeiro comando da capital, o PCC,
42:00pra você conseguir pegar o dinheiro dos postos de combustíveis que eles tinham ali
42:04e conseguir fazer lavagem de dinheiro, enfim, tudo mais.
42:08Porque ela não exige, né, enfim,
42:11que você tem, identifique quem é o título, de quem que tá recebendo, enfim, tudo mais.
42:15Isso era uma coisa, era uma brecha na lei que o PCC utilizava
42:19pra cometer crimes ali de lavagem de dinheiro e até legalizar, digamos assim,
42:23que foi uma das aspas utilizadas pela Receita Federal, né, enfim, lá na época,
42:27um dinheiro sujo, né, enfim.
42:29Então...
42:29Pode terminar, desculpa.
42:31Pode terminar, claro.
42:32Então, basicamente é isso.
42:33E aí, de modo geral, você tem toda essa questão.
42:37Sobre a questão de informar o saldo nas contas dos clientes,
42:40todo o setor também é favorável,
42:42inclusive no final do ano passado, a gente teve aquela fake news, né,
42:46que foi vinculada ali pelo deputado federal, Nicolas Ferreira, né, enfim,
42:50de que o governo ia usar essa lei, essa norma, pra taxar PIX, enfim, tudo mais.
42:56O governo, na época, no início do ano passado,
42:59tinha voltado atrás, né, por uma falha de comunicação do próprio governo,
43:03depois que aconteceu a carbono oculto, que ela foi deflagrada,
43:07eles retomaram essa ideia, né, essa proposta.
43:10Então, de modo geral, a gente tem essas três mudanças.
43:12E aí eu queria chamar pra segunda arte, né, enfim, a arte 2,
43:16pra mostrar o que a BFintex vê de impacto em todo o setor.
43:21A gente pode ver que em 2025 a gente encerrou com 2.048 Fintex, né,
43:26e a BFintex estima que com essa exigência de capital mínimo,
43:30que é o ponto de discordância aí dentro desse setor,
43:33a gente pode chegar em 2028 com apenas 600 Fintex.
43:36Então, é uma redução drástica, né, enfim, no número de Fintex,
43:40e aí isso tá causando briga no setor.
43:43A Federação Brasileira dos Bancos, por exemplo, né,
43:46tem elogiado e diz que a proposta é excelente.
43:50A Zeta, por exemplo, que é uma entidade das grandes Fintex ali,
43:55como Nubank, PagBank, enfim, Mercado Pago,
43:59afirma que essas propostas criam condições adequadas
44:03pra aprovação do mercado financeiro
44:05e avança ali as coisas de formas sustentáveis, né, enfim, tudo mais.
44:09Então, de modo geral, Verusca, a gente tem aí o setor um pouco dividido, né,
44:13e o que tá causando mais intriga pras pequenas Fintex
44:16é essa exigência do capital mínimo.
44:19Bruno, muito obrigada aí pelas suas explicações.
44:22Antes de você sair, pode ficar aqui comigo,
44:24vamos dar uma olhadinha em como tá a B3 nesse momento.
44:26Joel, pode colocar aqui pra mim no nosso telão.
44:29Tá com alta de 1,24%, operando em alta agora, acima dos 183 mil pontos.
44:37É, Verusca, o mercado, ele tá hoje, o mercado global, né, tá subindo,
44:42mas não é um movimento muito positivo em relação a um fato hoje.
44:47Já é mais uma correção, porque a semana passada foi uma semana muito dura, né, enfim.
44:51Inclusive agora no pré-mercado o petróleo estava subindo, continua subindo.
44:54Então, o temor da inflação global continua, né, é algo que deve persistir aí no mercado
45:00nos próximos dias.
45:02No entanto, a gente tem uma leve recuperação, né, essa retomada, porque, enfim, o investidor...
45:09Não mudou nada, né?
45:10É, não mudou nada, a guerra continua.
45:11A guerra continua, o investidor tá tentando só tomar um fôlego em esse cenário duro.
45:16Eu diria que hoje é uma correção de dias ruins que passaram e talvez de dias piores que virão ainda
45:22por aí.
45:23Eita, ai, Bruno, bate na madeira, filho.
45:27É a realidade, Verusca.
45:28Não é, gente, fomos nós que criamos essa guerra, né?
45:31Exatamente.
45:32Bruno, muito obrigada, viu, pelas suas informações.
45:35Um bom dia pra você.
45:37Obrigada.
45:37Tchau, gente, bom dia.
45:39Tchau.
45:50Tchau, gente, bom dia.
46:10Tchau, gente.
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