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Lula x Flávio Bolsonaro: Especialistas analisam o empate técnico na pesquisa Atlas Intel e o "efeito teflon".

No programa Ponto de Vista, apresentado por Marcela Rahal, o colunista Robson Bonin e o cientista político Marco Antônio Teixeira (FGV) debatem os números surpreendentes da última pesquisa Atlas Intel. O levantamento mostra um empate técnico entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro, revelando um crescimento do bolsonarismo mais rápido do que o previsto pelo Planalto.

A análise foca na "batalha das redes sociais", onde o governo acumula derrotas, e na dificuldade do PT em furar a bolha da rejeição. Segundo os especialistas, o governo Lula sofre para comunicar avanços enquanto a inflação corrói benefícios sociais e escândalos de corrupção dominam o noticiário.

"Nada pega no Flávio. Parece aquele efeito teflon que o pai dele tinha lá atrás", afirma Robson Bonin.

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Transcrição
00:00Agora, professor, tem uma pesquisa que foi divulgada pela Atlas Intel que mostra um empate técnico entre o Flávio e
00:07o presidente Lula já no primeiro turno.
00:09Como é que o senhor está vendo esse avanço do senador Flávio Bolsonaro? Claro, tem todo um recall aí do
00:14nome do ex-presidente, mas talvez um crescimento mais rápido do que se imaginava. Como é que o senhor vê
00:21isso?
00:22Pois é, todas as pesquisas apontaram isso e surpreendeu a muita gente, inclusive a mim também. Agora, temos que olhar
00:33isso sob vários aspectos. O primeiro é que na medida em que as alianças estaduais se consolidaram, a gente vai
00:40ter um quadro mais concreto.
00:42Eu costumo olhar a pesquisa de outro lado, Marcela, que é a rejeição. A rejeição também entre o Lula e
00:48o Flávio é muito igual. Dá uma diferença ali dentro de empate técnico.
00:54Então, nós temos que esperar não apenas a consolidação das eleições estaduais, mas também uma variável que nós não sabemos
01:02ainda como vai afetar o humor do eleitor daqui para frente,
01:08que é o caso Master e ainda os desdobramentos da CPI do INSS, não é? E o governo, obviamente, Marcela,
01:14torce muito desesperadamente para que as questões da guerra resolvam rapidamente para não afetar muito o preço do combustível aqui,
01:22né?
01:22Porque qualquer greve de caminhoneiro tem um poder de destruição enorme para quem esteja de plantão no Palácio do Planalto
01:32a qualquer momento.
01:33Então, os próximos dias vão, de certa forma, apontar para onde anda, não é?
01:39Agora, é muito importante nós olharmos também que tem movimentos nos estados que também não estão muito claros, não é?
01:45Essa pesquisa Atlas Interro, que mostra uma diferença de apenas seis pontos entre o Tarcísio e o Haddad, também foi
01:53surpreendente.
01:54Como é surpreendente a pesquisa em Minas Gerais, que mostra o Cleitinho e o Rodrigo Pacheco, que agora passa a
02:00ser, ao que tudo indica, candidato apoiado pelo governo,
02:04também em situação de empate, não é? Então, como isso vai afetar a eleição nacional, temos que dar um tempo
02:11ainda para poder verificar.
02:13Agora, vai ser um ano em que nós vamos ter que, de certa forma, prestar muita atenção, porque oscilações de
02:21humor do eleitorado, provavelmente, vai ter bastante, Marcelo.
02:25Pois é, Bonin. E esse alerta? Como é que o governo está interpretando isso, esse crescimento do Flávio?
02:33Há uma preocupação geral lá no Palácio do Planalto, a cúpula petista, porque não tem ninguém que analise o cenário
02:43lá dentro do Palácio do Planalto que não seja do PT,
02:47encontrar um discurso que, de fato, colhe. Nada pega no Flávio, parece aquele efeito teflon que o pai dele tinha
02:53lá atrás,
02:53porque a decisão do voto, ela está indo, pelo menos na avaliação dos assessores do governo, está indo muito no
03:01fígado, na rejeição.
03:03É um voto de veto e não um voto de escolha.
03:06E quem já está convertido ao bolsonarismo, então não tem conversa com esse público, vamos assim dizer.
03:11E essa fatia cada vez menor de eleitores que, tão sensíveis ainda, de repente, serem influenciadas pela propaganda oficial do
03:20governo,
03:21pelas ações que o Lula diz que o governo fez, mas que ninguém consegue sentir isso no dia a dia,
03:27isso é o grande problema, é onde está o desafio.
03:31O governo não consegue comunicar e continua tratando a debilidade eleitoral do Lula,
03:38a impopularidade do Lula, como se fosse um problema de comunicação.
03:41E não é, porque o governo já insistiu muito tempo tentando mostrar que as coisas no governo melhoraram bastante,
03:48que o governo fez muita coisa, mas ninguém sente isso na vida, na vida real, no dia a dia.
03:52O alto custo de vida, enfim, a inflação, os problemas com segurança pública,
03:58o noticiário de escândalo de corrupção que só aumenta, serviços públicos ruins.
04:02Então, a arena para o Lula entrar nessa briga está cada vez mais estreita.
04:09nada do que falha em relação ao Flávio Cola, então tem que resgatar aquela forma que a gente já dizia
04:16lá no início do ano
04:16que seria o único caminho do Lula, que é buscar o passado do que foi a gestão do Jair Bolsonaro
04:22na presidência,
04:23com todas aquelas crises fabricadas, um caos institucional instalado,
04:29e tentar ver se, com esse terrorismo, consegue ganhar algum terreno em relação ao filho do Jair Bolsonaro.
04:38Agora, é muito difícil, porque a única bandeira que o Lula tem, que ele está carregando,
04:41são os benefícios sociais, que já são lidos como um direito adquirido,
04:46e em muitos casos não tem o seu efeito completamente sentido pela população,
04:53porque o dinheiro vai em forma de benefício, mas a inflação corrói esse benefício já na chegada.
04:59Então, é como dar com uma mão e tirar com a outra.
05:01Por isso que o governo está batendo cabeça.
05:03Essa reunião ministerial que a gente acabou de ver foi exatamente isso,
05:06uma forma de tentar encontrar um jeito de colocar o Lula numa posição que ele possa brigar de fato com
05:13o Flávio Bolsonaro.
05:14mas, a gente tem um exemplo curto para dar, foi o vídeo da Janja batendo no Nicolas.
05:20Um desastre, porque a Janja não engaja, e o Nicolas, com a resposta dele,
05:24teve 15 vezes mais acesso nas redes sociais do que a primeira-dama.
05:29O governo está perdendo também a batalha, além do discurso, a batalha das redes sociais,
05:33que é muito importante, né, Marcelo?
05:36Não é de hoje, né? O governo vai muito mal nas redes sociais.
05:39O governo vai muito mal nas redes sociais.
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