Lula reage à ascensão de Flávio Bolsonaro nas pesquisas e convoca "soldados" para o embate político.
No programa Os Três Poderes desta semana, o apresentador Ricardo Ferraz recebe o time de colunistas da VEJA — Mauro Paulino, Robson Bonin e a estreante Laryssa Borges — para analisar o cenário de "tempestade perfeita" que atinge o governo. Com a popularidade em queda e a economia patinando, o presidente Lula subiu o tom contra o senador Flávio Bolsonaro, que aparece em trajetória de ascensão numérica nas intenções de voto para 2026.
Destaques do debate:
A "Aura" de Flávio: A reação de Lula às provocações do filho de Jair Bolsonaro e a estratégia de nacionalizar o embate.
Pesquisa Atlas Intel: O empate técnico rigoroso no segundo turno e a análise de Mauro Paulino sobre o "teto" dos candidatos.
Escândalos e Economia: Como o caso Master e a inflação corroem a base petista.
Análise de Laryssa Borges: "O governo foi pego no susto com o senador Flávio Bolsonaro numericamente à frente do presidente".
"O presidente se vê no papel de cobrar dos aliados para essa luta eleitoral mais de arena política, porque o eleitor não vê as conquistas do governo", analisa Laryssa Borges.
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“Os Três Poderes” é o programa de análise política de VEJA, transmitido ao vivo todas as sextas-feiras, às 12h, no site Veja.com, no YouTube de VEJA, no Facebook oficial da revista e também na Samsung TV e LG Channel.
#veja #ostrespoderes #politica #lula #flaviobolsonaro #pesquisaeleitoral #brasil2026
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Destaques do debate:
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"O presidente se vê no papel de cobrar dos aliados para essa luta eleitoral mais de arena política, porque o eleitor não vê as conquistas do governo", analisa Laryssa Borges.
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NotíciasTranscrição
00:0031 e na Roku, canal 221. Eu tô aqui com o Mauro Paulino, que já tá chegando aqui pra se
00:07juntar
00:08a gente. Melhor time de colunistas do Brasil, tudo bom? Mauro, muito bom. Tudo bem, Ricardo.
00:12Boa tarde, muito obrigado pela sua presença. Estamos aqui também com Larissa Borges, que está
00:19estreando definitivamente em nosso Os Três Poderes. A Larissa já tinha participado eventualmente com
00:24a gente e é a grande novidade que a gente tem pra anunciar pra todos vocês, porque a partir de
00:29agora, Larissa entra definitivamente pro melhor time de colunistas do Brasil. Ela que escreve
00:36na coluna direto de Brasília e é também editora assistente de Veja em Brasília. Super contente
00:43com a sua presença aqui, Larissa. Muito obrigado. Obrigada, Ferraz. Olá, Paulino. Muito feliz
00:49de estar aqui com vocês hoje. Maravilha. Daqui a pouquinho a gente vai ter também Robson Bonin
00:54aqui com a gente. A gente começa esse Três Poderes falando a respeito das dificuldades
01:03que Luiz Inácio Lula da Silva tem tido para romper com alguns obstáculos que surgiram em
01:12seu caminho ultimamente. Então a gente tem aí caso master, tem também a questão da queda
01:19de popularidade, tem a questão da inflação que tem corroído aí uma parte do salário e
01:28do poder de compra das pessoas, principalmente daquelas pessoas mais necessitadas que são
01:34justamente a base que costuma votar no PT e a gente tem visto o presidente pedindo para
01:42seus aliados, para o Partido dos Trabalhadores, aumentarem o tom em relação a Flávio Bolsonaro.
01:50Inclusive o próprio presidente da República, em discurso durante esta semana, fez ele um ataque
01:58porque lá atrás Flávio Bolsonaro tinha dito que Lula se parece com um opala velho, que bebe muito,
02:05tinha feito muitas críticas em relação ao presidente da República nesse sentido e Lula
02:13acabou rebatendo essas críticas. Vamos dar uma olhadinha.
02:20Outro dia o filho do Bolsonaro disse assim, o Lula é um opala velho. Quando ele fala assim eu não
02:29me
02:29ofendo porque eu tive um opala 94 turbinado. Se ele conhecesse o meu opala, ele não falava, ele fala
02:39porque o opala dele é o pai dele que está no desmanche. Outro dia o...
02:44E aí o Flávio Bolsonaro, hoje pela manhã, já rebateu esta crítica em relação ao Lula, né?
02:55E ele publicou uma crítica nas redes sociais. Vamos dar uma olhadinha no que disse aí o Flávio
03:02Bolsonaro. O opala afogou no álcool. Está sendo Laura demais. Ele disse que aprendeu isso
03:08com a filha pré-adolescente. Eu liguei para o meu filho para tentar entender o que quer dizer
03:13Laura demais, viu? E não consegui entender. Você sabe o que é Laura, Paulino?
03:19A primeira vez que eu ouço. Está meio defasado.
03:23A gente já está com o Boninho aqui. Realmente tem... A adolescente fala assim, quando o cara
03:28performa muito, ele costuma dizer aura, né? Uma pessoa apresenta uma boa performance, sei
03:35lá, andando de skate, tirando boas notas do colégio. Aí eles falam, é aura. Agora, Laura,
03:44eu não sei o que aconteceu. Boninho está aqui com a gente também. Muito boa tarde a você,
03:48Boninho. Boa tarde, Ricardo. Boa tarde aos meus colegas, pessoal que está nos acompanhando
03:52em casa. Nesta feira de muitas emoções, né, Ricardo? Nesse momento a CPMI lendo o relatório
03:58e a gente acompanhando aí uma escalada nos discursos eleitorais, tanto do presidente
04:04Lua quanto do Flávio, que mostra como esse cenário anabolizado por escândalos de corrupção
04:12e pelo avanço das pesquisas, né? Dentro desse cenário de deterioração da economia, enfim,
04:21aumento da impopularidade do presidente, como isso está impactando aí nos nervos, tanto
04:26do Lula quanto de quem aconselha o presidente, né? Porque ele vinha tentando evitar bater no
04:33Flávio Bolsonaro, elegeu o Flávio Bolsonaro como um rival, porque isso favoreceria o Flávio,
04:37né? Passaria a mensagem para o país de que o Flávio de fato é um adversário a ser temido
04:43pelo presidente Lula, mas agora não dá mais para esconder. Então, a estratégia que o presidente
04:48Lula está usando é de começar a resgatar, a gente pode ver isso nas redes sociais muito
04:55firmemente, resgatar o passado do Jair Bolsonaro, a obra do Jair Bolsonaro, para colar essa obra
05:02ao filho, mostrando que caso o filho seja eleito, tudo aquilo que a gente viu no país
05:07durante o governo Bolsonaro pode voltar a acontecer, né? O radicalismo, o negacionismo e os métodos
05:16de governo controversos aí, para se dizer, né?
05:19Pois é, vamos chamar então a Larissa. Como é que você está vendo, Larissa, esta briga que a partir de
05:29agora
05:29tende a crescer cada vez mais, em minha opinião, não sei se você concorda, principalmente porque Lula
05:34tem cobrado dos seus apoiadores e do próprio PT que faça críticas públicas a Flávio Bolsonaro, nós vamos
05:43depois detalhar as pesquisas aqui com o Paulino, mas que o Lula tem visto que o candidato do PL está
05:49mordendo seus calcanhares.
05:52É isso mesmo, Ferraz. Acho que o governo foi pego no susto com essa recente pesquisa que mostra o senador
06:00Flávio Bolsonaro numericamente à frente do presidente Lula. E não especificamente porque eles estão
06:06tecnicamente empatados, mas é porque o senador do PL está num movimento de ascensão, e isso há seis meses
06:14do primeiro turno, é muita coisa. Em contrapartida, o presidente Lula está nesse cenário de estagnação,
06:20que o Paulino entende muito bem. E a preocupação é que o governo não conseguiu capitalizar o que ele
06:27achava que ia conseguir. Por exemplo, a isenção de imposto de renda para quem recebe até 5 mil reais,
06:34reais, isso teve um impacto pífio na sensação do eleitorado. E essa percepção do eleitorado há seis
06:40meses das urnas, isso é muito importante e é o que tem motivado o presidente Lula a cobrar algum tipo
06:51de
06:51reação para que ele deixe de patinar nas pesquisas, para que ele saia desse cenário de estagnação. O Flávio,
07:00nesse momento, ele praticamente joga parado. Ele ficou um tempão viajando no exterior, ele faz essas
07:08provocações, mas quem está sob os holofotes é o governo de turno, é o presidente Lula. E a percepção
07:14do eleitorado cada vez é mais desfavorável para o governo. Veja que nessa semana saiu uma pesquisa que
07:24mostra, por exemplo, que o eleitor cola nos aliados do presidente Lula o escândalo do Master. Isso às
07:32vésperas de ele tentar esse quarto mandato é um desastre. E como disse o Bonin, hoje, essa sexta-feira
07:39tumultuada, tem um relatório final da CPMI do INSS, que propõe o iniciamento do filho mais velho do
07:47presidente Lula. Então, é quase uma tempestade perfeita e, portanto, o presidente se vê não no
07:54papel de cobrar dos aliados deles, dos ministros dele, para sair para essa luta eleitoral, mas de
08:02arena política mesmo, porque o eleitor não vê as conquistas do governo. Foi um governo que primeiro
08:09se anunciou como um governo de reconstrução, depois agora seria o ano da colheita. Então, há seis meses
08:15do fim do mandato, quarto ano desse terceiro mandato, e o eleitor não sente o governo na mesma
08:22vibração que ele. Então, é por isso que o presidente Lula chamou os seus soldados a campo, Ferraz.
08:29Muito bem. Paulino, como é que você vê essa disputa? Normal ou antecipada?
08:35Não, é normal, até porque a ascensão, essa ascensão verificada nas pesquisas do Flávio
08:44Bolsonaro, a partir do lançamento da sua candidatura, pegou de surpresa muita gente, especialmente
08:51a campanha de Lula. Lula vinha com uma imagem de favoritismo no final do ano, até o final do
09:02ano, até por ser um incumbente, por todas as vantagens que tem um incumbente, tanto no uso
09:11da máquina do governo, quanto do que tem para mostrar, dos feitos do governo, mas tem
09:20também o desgaste. Então, essa ascensão de Flávio Bolsonaro, na verdade, é a principal
09:29preocupação da campanha de Lula nesse momento. E é uma ascensão surpreendente por mostrar
09:36o poder de transferência de votos instantânea que tem Jair Bolsonaro. Por isso que preocupa
09:46a campanha de Lula e esse empate técnico que a gente observa hoje no cenário de segundo
09:55turno, por todas as pesquisas, significa que há uma competitividade e, nesse momento,
10:03chances iguais para ambos os candidatos. Provavelmente, será uma campanha que terá como desfecho
10:10uma disputa voto a voto e com essa novidade, que é a transferência automática e instantânea
10:20de votos de Jair Bolsonaro para Flávio. Bom, vamos dar uma olhadinha então, já que a gente
10:25está tratando desses assuntos, na pesquisa Atlas Intel, que é essa pesquisa que a Larissa
10:31já adiantou aqui para a gente. Olha só, primeiro ponto é a avaliação do governo Lula e eu pedi
10:39que a gente colocasse aí no gráfico, porque a gente vê que a boca do jacaré está abrindo
10:45de novo. Atualmente, 50% com ruim e péssimo, 41% com ótimo e bom, se aproximando dos piores
10:54momentos ali em que a gente teve 51% e 38%. Isso já é, mais ou menos, muito próximo da
11:01margem de erro, né? Podemos dizer que Lula está voltando para o pior patamar do seu governo?
11:09Sim, e é consequência direta da repercussão dos escândalos de corrupção, que são majoritariamente
11:20atribuídos ao governo. Então, toda essa queda aí na avaliação positiva do governo Lula,
11:28ela tem uma importância grande na definição do voto e no aumento da fragilidade, nesse
11:38momento, da candidatura Lula.
11:40A gente chegou a ter aqui, mais recentemente, um empate técnico aqui nas avaliações e eu
11:46lembro que foi naquele momento em que o Trump estava ajudando o governo Lula, né? E agora
11:51o Trump está dificultando porque essa guerra lá no Irã está trazendo, inclusive, impactos
11:56inflacionários, né? E o tema soberania nacional é muito valorizado pelos eleitores. Nesse
12:01momento, então, nesse momento aqui, o Lula se mostrou com um... ele fez a defesa do Brasil
12:10perante a principal nação e isso pegou muito bem junto à população. A população tem
12:17muito cuidado, tem muito... valoriza muito a soberania nacional.
12:21Tá bom. Vamos dar uma olhadinha, então, agora, nas intenções de voto mesmo, a gente
12:26tem os cenários no primeiro turno aqui. O principal cenário, a gente sabe, né? O que
12:32deve ser o mais colocado, digamos assim, nas urnas é esse cenário número um que você
12:40tem Lula, Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado, na medida em que Ratinho Júnior já desistiu
12:48da sua candidatura. Então, Lula tem 46%, Flávio Bolsonaro 40%, Ronaldo Caiado 4%, Zema 3%, Renan
12:58Santos 4%, Aldo Rebelo 1%. 46 a 40%. E aí, esse cenário se mantém com Lula com 46% à
13:11frente
13:12de todos os outros adversários, né? Principalmente quando aparece ali Tarcísio de Freitas no cenário
13:194, 46% a 33%, mas o presidente está praticamente estagnado no primeiro turno. E ainda vence Flávio
13:30Bolsonaro. Isso significa alguma coisa?
13:33Olha, se a gente olhar aqui esse cenário um, por exemplo, Flávio Bolsonaro tem 40%, mas
13:39se somar a taxa de Ronaldo Caiado mais a de Romeu Zema, ele até ultrapassaria. E naturalmente
13:46esses votos num segundo turno passam para Flávio, ele ultrapassaria inclusive no primeiro
13:51turno. Caso esses candidatos não estivessem aqui, ultrapassaria Lula.
13:55Quer dizer, o que está acontecendo é que Lula está sozinho na esquerda e Flávio Bolsonaro
14:00divide a raia, ainda que com uma dianteira bastante grande, com outros candidatos que
14:06estão fragmentando a direita.
14:07É, e muito provavelmente durante a campanha esses candidatos alternativos à direita
14:11vão ser linha auxiliar de Flávio Bolsonaro. Então é um fator...
14:16Já no primeiro turno.
14:17Já no primeiro turno. Então é um fator aí que torna essa eleição muito equilibrada,
14:24inclusive no primeiro turno.
14:26Perfeito. Vamos então dar uma olhadinha como é que isso, essa transferência chega
14:30para o segundo turno, porque é isso que a gente estava falando, né? Flávio Bolsonaro
14:34está aqui em segundo lugar. Eles fizeram uma simulação com Michel e Bolsonaro, mas que
14:39por enquanto não parece ser muito factível do ponto de vista estratégico. Flávio Bolsonaro
14:44cresce 1% e tem, quer dizer, tem 1% a mais de vantagem em relação a Lula. 46,6
14:52% a 47,6%.
14:54Vamos direto para a próxima página?
14:58Aqui que é o que eu queria pegar com você, Paulino. Porque há um mês atrás estava
15:0446,3 a 46,2 e estava dentro da margem de erro. Agora, aqui, 47,6, 46,6. A boca
15:16do jacaré
15:17abrindo um pouquinho, não muito, mas abrindo um pouquinho. A diferença era de 0,1, agora
15:23a diferença é de 1%. O que isso significa?
15:27Olhando especificamente o resultado atual, é um empate técnico rigoroso. A margem de erro
15:34dessa pesquisa é de 1 ponto percentual. A diferença é de 1 ponto percentual. Então,
15:40se Flávio Bolsonaro, no limite da margem de erro, tiver 1 ponto a menos e Lula 1 ponto
15:45a mais, Lula estaria na frente, numericamente. Então, não significa de forma alguma que Flávio
15:54ultrapassou Lula.
15:55Se a gente estivesse em 3 de outubro de 2026, véspera das eleições, por exemplo, estava
16:02todo mundo falando, não dá para saber o que vai acontecer.
16:04Exatamente. A chamada em todas as... A nossa chamada seria eleição imprevisível, empate
16:11técnico rigoroso. Agora, quando a gente olha a curva, a gente observa a ascensão de Flávio
16:17Bolsonaro a partir do momento em que a candidatura foi lançada. Ele cresceu de forma consistente
16:24e a curva continua. Aí sim, aí a gente pode dizer que existe uma tendência de crescimento
16:32de Flávio Bolsonaro.
16:33Se olha a foto, incerto. Mas se olha o filme, está crescendo.
16:39Essa é a melhor forma de interpretar pesquisas.
16:42Agora, o que preocupa o governo é justamente a trajetória. É isso.
16:48Exato. Exato. Mas é uma trajetória que, aparentemente, ela perdeu um pouco
16:54de força agora. Flávio Bolsonaro, aparentemente, está estabilizando.
16:59Aparentemente, ele também está atingindo o teto, coisa que o Lula, por essa estabilidade
17:05também do Lula, aparentemente ele tem esse teto.
17:08Agora é uma disputa de convencimento de pequenos segmentos do eleitorado que vão decidir a eleição.
17:17Bom, vamos então...
17:19É...
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