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  • há 2 semanas
O documentário “Caso Henry Borel: A Marca da Maldade”, produzido pela equipe de reportagem de VEJA, estreia nesta sexta-feira, 20 de março, no canal VEJA+ no YouTube — e já está disponível nas plataformas FAST.

A produção revisita um dos crimes que mais chocaram o Brasil: a morte de Henry Borel, de apenas quatro anos, em março de 2021, após sofrer uma série de agressões dentro de casa.

A mãe do menino, Monique Medeiros, e o então padrasto, o ex-vereador Dr. Jairinho, foram presos e acusados de homicídio. Ambos seguem aguardando julgamento.

Dividida em quatro episódios, a série reúne depoimentos inéditos e relatos de familiares da vítima e dos acusados, trazendo novas perspectivas e detalhes sobre o caso que comoveu o país.

📺 Disponível também nas plataformas FAST:
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Transcrição
00:10A gente começa com o caso Henrique.
00:13O garoto tinha mais de 30 lesões violentas espalhadas em diferentes regiões do povo.
00:20O Papa Francisco enviou uma carta em solidariedade ao pai do menino, Henri Borel.
00:25O garoto de 4 anos morreu no dia 8 de março.
00:28Percebi que provavelmente aquilo se tratava de homicídio por conta de características que são muito padrões.
00:35A polícia disse que tem provas robustas de que realmente foi o doutor Jairinho que teria torturado esse menino.
00:42O Jair é uma pessoa extremamente cruel.
00:45E agora foi aprovado pela Comissão de Justiça o relatório pela instauração do processo de cassação do vereador doutor Jairinho.
00:52Isso mexeu com todos nós, né?
00:55Não só com aqueles que viveram numa situação igual, mas era uma criança.
01:01Era uma criança.
01:03Você enfrentar aquela dor e ainda ter que enfrentar uma justiça.
01:06Eu jamais imaginaria que o Jairinho gentil que eu conheci aqui pudesse estar envolvido num crime tão bárbaro.
01:17O Jairinho é incapaz de matar uma família?
01:22A Monique sempre foi muito gananciosa, sempre foi querendo mais e mais.
01:28Isso é político, meu amor. Isso é político.
01:30A justiça manteve a prisão da mãe do menino, Monique Medeiros, acusada de envolvimento na morte do próprio filho.
01:38Eu achei estranho quando a pessoa tinha acabado de perder um filho, continuar a vida como se tivesse tudo normal.
01:45Assim, nada tivesse acontecido, né?
01:47A Monique é vítima do que aconteceu.
01:49A Monique é vítima da morte do homicídio praticado contra seu filho.
01:54Todo louco é mau quando se ouve apenas a versão de Chapeuzinho Vermelho.
01:59Eu tinha muito medo de como que seria a vida do Henri, como que seria a criação do meu filho,
02:05sem eu estar próximo.
02:07E esse meu medo se concretizou com esse final trágico, esse final tão triste, esse final macabro desses dois monstros.
02:25Um crime bárbaro.
02:27Um menino de quatro anos.
02:29Levado, alegre, brincalhão.
02:32Morto em um apartamento da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.
02:36Presente.
02:37Apenas ele, a mãe e o padrasto.
02:40Uma atrocidade que chocou o país e até hoje segue sem desfecho final.
02:46Resultado da histórica lentidão dos tribunais brasileiros em conduzir criminosos ao banco dos réus.
02:53Uma história triste que, desde o início, se desenrolou à sombra da violência e da maldade.
03:00O fim desse enredo ainda está por ser escrito e será determinado por um júri popular.
03:07O luto pela perda de um filho desafia a ordem natural da vida.
03:12O luto de quem ainda convive com o fato desse filho ter sofrido as piores crueldades.
03:18Às vezes, tira até a vontade de viver.
03:24Quando o Henrique faleceu, eu não conseguia ver mais um dia de vida.
03:28E eu achei que eu não conseguiria viver mais um dia.
03:30É difícil levantar, é difícil caminhar, é difícil continuar.
03:35Por quê?
03:36Cadê o meu filho?
03:38Quando é que eu vou encontrar ele de novo?
03:40Eu não consigo me desfazer de nada do Henrique.
03:44Cada pedacinho dessa casa, cada pedacinho das coisas,
03:48cada brinquedo desse aqui tem um significado e representa a falta que o Henrique faz.
03:54Eu não consigo me desfazer, não consigo...
04:00lembrar toda vez que eu olho os brinquedos, a roupinha.
04:03Sinto falta do cheirinho do meu filho, sinto falta do abraço, do carinho, do amor.
04:08Eu lembro os nossos momentos brincando com cada brinquedinho desse aqui,
04:12com cada momento, e isso me faz muita falta.
04:16Vovó, vovó, eu amei a cartinha que vocês mandam pra mim.
04:22Te amo.
04:24Ele era muito divertido, inteligente, gostava de brincar comigo,
04:29de jogo da velha, entendeu?
04:34Jogo da memória.
04:35Quando ele vinha pra cá,
04:37Vovó, vamos brincar, eu...
04:38Peraí, deixa a vovó terminar de fazer o almoço,
04:41que a vovó vai brincar com você.
04:43Tá bom, vovó.
04:44Ele era muito, muito, muito meigo, muito amoroso.
04:50E doeu mais muito.
04:52Aí, quando ele vinha pra cá,
04:53eu me deixava ele livre, pra ele fazer as vontades dele.
04:57Eu não repreendia ele a nada.
04:59Eu levava ele pra jogar bola.
05:02A gente brincava aqui no sofá.
05:05Caí, ele caia por cima de mim.
05:07O vovó bagunceiro, eu falei, bagunceiro é você.
05:09Eu levava ele pra feira, pra comer pastel.
05:12Levo aqui a recordação de fotos, né?
05:15Fotos que tivemos juntos nesse casamento.
05:18Foto aqui, nós dois sorrindo, né?
05:23Juntos.
05:24Foto dele aqui na praia, né?
05:27Sorrindo aqui no mar.
05:29Sempre sorrindo, Henrique.
05:30Sempre sorrindo, era boa.
05:33Me faz falta de como pai.
05:36Sinto falta de cada minutinho que eu não vou poder mais ter com meu filho.
05:39Cada minutinho de poder educá-lo, de poder abraçá-lo,
05:43de poder novamente falar, explicar pra ele que é um amor.
05:47Porque o Henrique sempre foi amor.
05:50Ele gostava muito do Homem-Aranha.
05:52Nossa, o Homem-Aranha, teve até uma festa dele lá, do Henrique, de Homem-Aranha.
05:58Tem uma cartinha também que ele fez aqui no dia dos avós, pra mim e pro meu esposo.
06:03Ele, meu esposo, que é a vovô Pedro Henrique e a vovó Noemi.
06:08Aí ele assinou o nome dele aqui e escreveu.
06:11Feliz dia dos avós, com amor, Henrique.
06:15Muitas pessoas olham pra mim e falam,
06:17Puxa, caramba, esse pai tá tão forte.
06:20Dependendo do dia, sim, né?
06:21Tem dias que eu prefiro me isolar, tem dias que a depressão tenta me consumir.
06:26E é só medicamentos, tratamento psicológico,
06:30pra que a gente consiga caminhar e continuar essa caminhada.
06:33Eu quando chorava, chorava no quarto pra ele não me ter.
06:37E até hoje.
06:39Até hoje essa tristeza, porque é uma ferida pro resto da vida.
06:43Machuca, machuca de um jeito que a gente se perde, às vezes tá chorando sozinho.
06:49Só de relembrar.
06:52É essa dor que não passa.
06:57Que vem do fogo da alma da soltinha.
07:05O aconselhamento psiquiátrico pede, né?
07:07Que a gente mantenha a sertralina, o rivotril, né?
07:11Três vezes por dia.
07:13Só que eu diminui, né?
07:15Bastante essa concentração.
07:18Pra que a gente consiga, pelo menos aí, né?
07:21Dar prosseguimento do dia.
07:22Luz, do bem.
07:24Com tudo, mas a gente...
07:27O rivotril, hoje em dia, eu uso praticamente quase que a SOS.
07:31E a sertralina pra manter centrado, né?
07:34De tudo.
07:40O uso a falar que aquele final de semana foi maravilhoso, se não fosse aquele final tão trágico.
07:45Brincamos, passeamos, comemos.
07:48Tudo que o Henrique quis fazer naquele final de semana, nós fizemos.
07:52Só que pra mim tava sempre muito...
07:55Ele não querendo mais voltar pra casa da mãe.
07:57Aí começou a ter náuseas.
07:59Começou a ter...
08:00O Henrique, quando ficava muito nervoso, ele tinha essa ânsia de voando.
08:03E eu pego o meu filho, falo, filho, calma.
08:06E ele foi chegando, eu paro o carro, abraço ele e tem vindo o Monique naquele dia, né?
08:13Quando a Monique vai vindo, ele vai ficando mais e mais nervoso.
08:17E quando a Monique chega, ela fala, filho, vem.
08:19Amanhã tem escolinha.
08:20Amanhã tem futebol.
08:22Não, não quero ir, mamãe.
08:23Não quero ir.
08:24E ela, Henrique, vem.
08:25Começou a ser uma voz mais incisiva.
08:27Falei assim, Monique, calma.
08:29Eu falei, filho, vai com a mamãe.
08:31A mamãe é uma mamãe boa.
08:33Aí ele olha no rosto da mãe e fala assim, não, a mamãe não é uma mamãe boa.
08:37Por que o Henrique falou aquilo?
08:41Aí ela fala assim, vem, filho, que nós vamos procurar uma nova casa.
08:46É com essa palavra que o Henrique vai pro colo dela.
08:49O Henrique me pediu mais um dia, né?
08:51Ele falou, papai, não quero ir hoje não, quero ir amanhã.
08:54E isso machuca muito.
08:56Eu não consegui dar o último dia pro meu filho a mais.
08:59Monique passou pela portaria do prédio com o Henrique no colo.
09:03No hall, encontrou Jairinho, que subiu pro apartamento junto com os dois.
09:08O padrasto ainda fez um carinho no menino.
09:11Quem vê a cena não pensa que logo mais aquela criança teria a vida ceifada.
09:32Meia hora depois que ela sobe com o Henrique no elevador,
09:35ela fala, ó, o Henrique tomou banho, está bem.
09:39E ele me mandou uma foto com ela e eu, o Henrique, né?
09:45Deitados na cama e o Henrique de lado, sorrindo.
09:49E aí eu falo assim, lindos, poxa, aquele que bom.
09:52E boto um emoji com o coraçãozinho.
09:56Depois daquilo ali, mais ou menos umas dez e meia da noite,
10:01ela me manda uma mensagem.
10:04Liniel, o Henrique dormiu e está bem.
10:09Liniel não tinha como desconfiar do que viria a seguir.
10:13Muito do que ocorreu naquele apartamento do condomínio Majestic,
10:16na madrugada de 8 de março, ainda está envolto em mistério.
10:21Foi nesse fatídico dia que ele recebeu uma ligação
10:24e se recorda palavra a palavra,
10:27e que mudaria sua vida para sempre.
10:31E era mais ou menos umas quatro e quinze da manhã,
10:34eu estava a caminho, né, indo para Macaé, para o trabalho.
10:39E ali eu recebo um telefonema, nesse horário da Monique.
10:44Eu olho, caramba, de madrugada a Monique e a Monique me chorando.
10:50Liniel, você está onde?
10:52Eu falei assim, estou indo para Macaé.
10:54Ah, vem aqui para o Barra Dó, que o Henrique está com dificuldade de respirar.
10:59Eu falei assim, como assim?
11:00Aí o Jair pega um telefone da mão dela.
11:03Irmão, você está indo aonde?
11:05Eu falei, estou indo para Macaé.
11:07Ele falou, vem para cá para o Barra Dó, que o Henrique está com parada cardíaca.
11:12Eu falei, caramba, dificuldade de respirar e parada cardíaca tem uma diferença.
11:16Eu falei, mas o Henrique está bem, o que está acontecendo?
11:18Vem para o Barra Dó.
11:19E ali eu me ajoelho na porta do meu prédio, o síndico, o porteiro vem.
11:25Eu falei, pô, meu irmão, me ajuda.
11:26Meu filho está no hospital.
11:28Eu chego lá no Barra Dó e meu filho está naquela condição lá na Maca, os médicos em cima dele.
11:36Meu filho, que horas atrás lindo, eu entrego o meu filho bem.
11:42E ali já estava com a cabeça inchada, cheio de hematoma.
11:46E aí eu ajoelho, peço, pelo amor de Deus, que os médicos não pararem.
11:51E eles ficaram ali, mais ou menos, mais 50 minutos ali, tentando reanimar meu filho.
12:06Conheci a Monique numa festa, né?
12:12Se não me engano, na época foi 2011.
12:15Ela era uma professora que tinha acabado de passar para o concurso do magistério.
12:20Ela sempre foi uma pessoa muito carinhosa, divertida, sempre a vibe, assim, lá no alto, em dia boa.
12:28Era uma jovem, né, querendo, né, se desenvolver, querendo mais uma carreira, começando nessa parte dessa carreira profissional dela de
12:39professora.
12:40E que sempre quis mais e mais aí galgar coisas melhores.
12:44Qualquer pessoa obstável de papel dela, entendeu?
12:47Ela transmitia uma coisa boa para as pessoas.
12:52As ambições de Monique não demoraram a aparecer.
12:55E os mais próximos logo perceberam essa face.
12:58Antes menos visível, aflorar com todas as tintas.
13:05A Monique sempre foi muito gananciosa, sempre foi querendo mais e mais, queria galgar para novas posições.
13:15Logo no começo ali, já, ainda no estágio probatório, já imaginava, né, ser diretora da escola.
13:22No início, elas namoraram pouco tempo.
13:26Estava naquela correria para casar logo, entendeu?
13:30E a mãe dela também.
13:33Aí a mãe já estava querendo comprar apartamento perto, para ficar por perto.
13:37E teve uma pressão da mãe para casar logo.
13:41O grande sonho da Monique, ao meu ver, era se rir, o cara teve uma condição melhora, era sair de
13:47bom rua.
13:48Agora, o que ela esperava, começou a não ser.
13:52Não queria mais ficar, né, perto dos pais, em Mangu, queria uma nova casa, queria um casamento estondoroso, queria uma
14:00casa maravilhosa.
14:02Ela viu que meu filho estava na situação boa, então, dali a gente já viu que tinha ambição, né?
14:09E aí, quem conhece Monique sabe, né, esse lado manipulador dela, esse lado de narcisista,
14:17sempre em primeira pessoa, sempre preocupada consigo mesmo, e fazia de tudo para conseguir o que ela queria.
14:25Ter um jeitinho, assim, tão carinhoso, tão delicado, ela convence qualquer pessoa.
14:32Ainda no namoro, já pedia quase que mês a mês, que queria fazer uma plástica, um silicone nos seios,
14:40uma cirurgia de lipoaspiração.
14:44Era cabelo, tremo, treinava bastante, né?
14:49Ela estava sempre no salão, me fazendo tratamentos.
14:53A Laguna é bem vaidoosa.
14:55E ela conseguiu, né, ainda no namoro ali, ela, acho que foi final do ano, mais ou menos,
15:01ela fez o silicone, fez a plástica, muito preocupada com o corpo, com a estética.
15:08Sempre foi vaidosa.
15:09Sempre.
15:10E ele fazia as vontades dela.
15:13É, eu acho que ele achava prazer dela ser vaidosa.
15:16Quem pagou essa cirurgia estética, tanto de lipoaspiração, quanto de silicone, né,
15:22quanto prótese mamária, fui eu que paguei, foi um pedido dela lá no começo.
15:38Em 14 de dezembro de 2012, Leniel subiu ao altar com Munique,
15:44na igreja Imaculada Conceição, os dois cheios de planos.
15:49Quando ela casou com o Leniel, ela dizia que estava bem apaixonada.
15:53Estava bem empolgado com o casamento.
15:56Embora eu ache que foi muito rápida a relação, o namoro, o casamento, a gratidez, eu achei muito rápido.
16:13Após o casamento, já se começou a querer ter filho.
16:16Ali já começou a preocupação de querer ter filho e a cobrança de ter filho.
16:22Mas o que ela dizia às amigas mais próximas, não era bem isso.
16:28A Munique não sonhava em ter filhas.
16:30Os sonhos dela não eram outros, assim.
16:33Crescer profissionalmente, conquistar, é...
16:38Conquistar outras coisas na vida dela.
16:41Filho, não.
16:41Enquanto ela descobriu, ela ficou desesperada com a primeira reação.
16:49E...
16:51Calhou dela ter acabado de ter feito uma cirurgia plástica, não sei, não sei, entendeu?
16:57Isso tudo me deixa muito com a cabeça dela.
16:59Com a gravidez, ele fazia todas as vontades dela.
17:03Todas.
17:03O que você pensar, ele fazia.
17:05Ah, o carro tem que ser automático, eu não sei dirigir carro manual.
17:09Então o carro era automático.
17:23O nascimento de Henri trouxe a Leniel e Munique momentos de paz.
17:28Uma harmonia que não durou muito.
17:31O Leniel era um paizão.
17:34A Munique também, no início, eu creio também que ela era uma boa mãe.
17:39Depois é que ela foi mudando, né?
17:42Depois de um certo tempo de casado, ela já não estava mais feliz, não estava satisfeita com o casamento.
17:49E como ele ficava um tempo longe, embarcado, ela saía.
17:54Ela gostava de sair, ela gostava de se divertir.
17:57Entendeu?
17:59A Munique sempre gastou muito.
18:01Ela sempre teve um descontrole com relação a finanças.
18:04Nunca pagou nada.
18:06Eu descobri que a Munique tinha feito um empréstimo, né?
18:09Mais de 100 mil reais para pagar em sei quantas vezes.
18:14Por causa de um outro cartão de crédito que ela tinha, que ela não falava.
18:18Aquela altura, a separação era incontornável.
18:22Munique já tinha virado a página de forma definitiva.
18:26Ela fez de tudo para se separar do meu filho em outubro.
18:29Eu acredito que ela, já antes de outubro, ela já estava com esse Jairo.
18:33Ela mesmo disse que estava com o Jairo ali antes dos dias dos namorados.
18:38Encontramos até uma carta agora, recentemente, em coisas aqui pessoais, coisas aí antigas.
18:46E deu uma carta, ela falando de pose do Jairo ali, mais ou menos, entre o dia dos namorados daquele
18:51ano, né?
18:52Só que a gente só se separou no final de outubro.
18:54Ela deve ter feito campanha para ele, deve ter prometido mundos e fundos para ela.
19:00E realmente ele colocou ela lá dentro para ganhar uns 14 mil reais.
19:05Após a morte do Henrique, várias das amigas da Munique, principalmente amigas muito próximas,
19:11começaram a se voltar contra ela.
19:12Começaram a falar, não, Linhão, enquanto você estava embarcada, a Munique te traía.
19:17Enquanto você estava fora, a Munique fazia isso e aquilo.
19:21Além do que ela ganhava, ela queria ganhar a pensão também do Henrique, não era ruim.
19:26O negócio dela era dinheiro, ambição.
19:29A separação foi muito difícil, principalmente para mim.
19:33Eu sou filho de pais separados, eu sei, mais ou menos, foi naquela faixa etária que o Henrique tinha,
19:40que eu separei, que meu pai separou da minha mãe, tinha 4 anos na época.
19:44O Henrique também tinha 4 anos.
19:45E eu sabia o que é ser um filho de pais separado.
20:02Ali, o enterro estava marcado mais ou menos para umas 10h30 para começar,
20:10do qual iria lá o velório, mais ou menos umas 2h da tarde.
20:17E a Munique ficou ali, entra ou não entra, até que momento que a Munique chega.
20:23Já estava lotado, era mais ou menos a hora ali do padre.
20:27E ela chega com uma camisa da reserva, com dizeres, feita, já pronta para aquele dia.
20:36Uma camisa branca com alguns dizeres, com brinco, com cabelo feito, toda bem arrumada, de bota.
20:43Ela prefere, ao invés de estar lá do lado do caixão do filho, perder algumas horas para se equipar em
20:53um salão de beleza.
20:54Cabelo, maquiagem, unhas postiças, num salão de beleza próximo ao condomínio Majestic.
21:02Munique encontrou tempo e disposição para se arrumar para o enterro do filho.
21:08Eu passei 3 dias sem comer.
21:113 dias.
21:12Direto.
21:13Até o sepultamento do meu neto.
21:16Depois do sepultamento do meu neto, é que eu cheguei em casa, tomei um banho.
21:21Joguei a roupa.
21:22E fui sentar e comer alguma coisa.
21:26Porque eu fiquei sem chão.
21:29Sem chão, sem chão nenhum.
21:32Eu só conseguia dormir através de medicamentos.
21:35Quer dizer, tudo muito pensado.
21:37Chegou ali como uma entrada triunfal, como se todo mundo estivesse esperando por ela naquele dia.
21:44Passados 9 dias da morte de Henri, Munique foi à delegacia prestar depoimento.
21:48E apresentou um comportamento que voltou a causar estranheza.
21:53Não parecia o de uma mãe que havia acabado de perder o filho.
21:58Até mesmo depois da morte do Henri, a Munique a pega fazendo cabelo, fazendo pose na delegacia,
22:08comendo pizza ou alguma coisa parecida, andando de mandadas com Jairo, sorrindo.
22:14Então eles continuaram a ter uma vida conjugal, assim, explícita.
22:21E os dois ali dentro daquele pano que foi retetado para que eles se livrassem do crime que cometeram.
22:29Isso tudo estava a indicar que eles têm o mesmo grau de responsabilidade.
22:34Ele por agir e ela por se omitir.
22:37Uma pessoa que aparentemente é frica, alcoolista, que não sentiu de nenhuma forma aquela perda,
22:46porque ela estava preocupada com a imagem.
22:48E a gente fica se perguntando em que momento que ela realmente passou e sofreu efetivamente o luto da perda.
22:55E depois disso, o comportamento deles é algo que impacta toda a sociedade.
23:02Porque ela está preocupada em ir para um salão de beleza para ficar maquiada,
23:07para ficar arrumada, para ficar com o cabelo apresentável.
23:10Ela vai para uma delegacia para prestar depoimento sobre a morte do filho
23:13e tira selfie e posta em redes sociais, enfim, né?
23:18Ou se posta para a mídia.
23:22É como se aquilo fosse uma oportunidade até ela aparecer.
23:28Dela da seguidora, sei lá.
23:30Procurados pela reportagem, Monique e seus familiares se recusaram a falar.
23:35Só a defesa aceitou se pronunciar.
23:38Os casos precisam de contextualização.
23:42Era uma conversa entre ela e a tia dela, que estava no estado da Bahia,
23:47depois de oito horas de depoimento,
23:52a tensão já havia sido dissipada.
23:55A tia pergunta o seguinte para ela.
23:58Monique, como é que está aí, minha filha?
24:00Já faz muitas horas que vocês estão aí.
24:03Ela, não, tia, está tudo bem.
24:05Já por oito horas, olha, ficamos falando de tudo e etc, etc.
24:11Mas o advogado disse que o meu depoimento foi bom.
24:13Mas como é que você está, minha filha?
24:15E ela manda uma selfie para a tia dela, dizendo que ela estava bem.
24:20E a tia retruca, mas o Maurício, Monique, você está com esses peitões de fora?
24:24Ela fala, eu vim com o blazer e tirei porque estava calor.
24:31Eu tinha muito medo de como que seria a vida do Henri,
24:35como que seria a criação do meu filho, sem eu estar próximo.
24:38E esse meu medo se concretizou com esse final trágico,
24:43com esse final tão triste, esse final macabro desses dois monstros.
24:48O Jairinho é respeitado.
24:52Aqui não tem nenhuma gracinha, só tem elogio para a gente.
24:59Assim o prometo.
25:00Uma pessoa doce até, o Jairinho, um camarada muito equilibrado,
25:06e um cara muito engraçado.
25:08Essa figura rica, influente, encercada de poder,
25:13que desperta a atenção de Monique, a mãe de Henri.
25:17Era um novo amor.
25:18E ali meu filho, papai, o tio me machucou.
25:21Eu falei, o tio te machucou? Que tio é esse?
25:23Na verdade, isso era só uma maquiagem.
25:27Ele já ficou me arrumando ao ponto de me deixar de lua.
25:30Ele já recrutiu e focou de gente que nada para me ver.
25:35Ele me suprou nesse dia.
25:36Ele falou assim, então tá, vida que segue.
25:39Vamos virar essa página, vocês fazem outro filho.
25:41Eu falei assim, como é que é?
26:00Eu falei assim, como é que é?
26:02Eu falei assim, como é que é?
26:07Isso.
26:07Amém.
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