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  • há 2 semanas
O documentário “Caso Henry Borel: A Marca da Maldade”, produzido pela equipe de reportagem de VEJA, estreia nesta sexta-feira, 20 de março, no canal VEJA+ no YouTube — e já está disponível nas plataformas FAST.

A produção revisita um dos crimes que mais chocaram o Brasil: a morte de Henry Borel, de apenas quatro anos, em março de 2021, após sofrer uma série de agressões dentro de casa.

A mãe do menino, Monique Medeiros, e o então padrasto, o ex-vereador Dr. Jairinho, foram presos e acusados de homicídio. Ambos seguem aguardando julgamento.

Dividida em quatro episódios, a série reúne depoimentos inéditos e relatos de familiares da vítima e dos acusados, trazendo novas perspectivas e detalhes sobre o caso que comoveu o país.

📺 Disponível também nas plataformas FAST:
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Notícias
Transcrição
00:12É de Bangu, na zona norte carioca, que vem o clã comandado pelo coronel Jairo,
00:18um ex-oficial da PM e pai do doutor Jairinho.
00:22Um médico que nunca exerceu a profissão e decidiu seguir os passos do patriarca na política.
00:30Nós somos aqui aplaudidos pelos benéficos que nós trouxemos para a nossa região.
00:34O Jairinho é respeitado.
00:37Aqui não tem nenhuma gracinha, só tem elogio para a gente na zona oeste do Rio de Janeiro.
00:43Deveriam ter feito uma pesquisa.
00:56Veja foi as ruas de Bangu ouvir a população sobre o poderoso clã da região.
01:02Licença, bom dia.
01:04Eu sou repórter da revista Veja.
01:05A gente está fazendo umas entrevistas aqui hoje para entender o que as pessoas aqui de Bangu acham do coronel
01:10Jairo.
01:10O senhor conhece ele?
01:11A reportagem abordou mais de 30 pessoas.
01:14Nenhuma delas quis gravar a entrevista.
01:17Muitas justificaram o silêncio.
01:19É questão de segurança.
01:22Para nós, uma carta para os valores.
01:25Coronel Jairo?
01:26É.
01:26Tá.
01:27E um pouco me econômico.
01:30Uma família vitoriosa.
01:32São dez mandatos seguidos no mesmo local.
01:35Não tem intervalo, não.
01:36São seguidos.
01:38Realizações.
01:39E todos com leis assim que estão aí no Rio de Janeiro.
01:43A lei do bilhete único.
01:44Lei que nenhuma criança pode sair do hospital sem a sua certidão de nascimento.
01:49São leis importantes que o coronel Jairo e o vereador Jairinho têm aí para a cidade.
01:57Vereador Jairo Souza Santos Júnior.
02:08Assim o prometo.
02:10O que é esse apelido de príncipe?
02:17Ele era uma pessoa muito educada.
02:20Uma pessoa doce até o Jairinho.
02:23Um camarada muito equilibrado.
02:26E um cara muito engraçado.
02:33Ele chegava sempre alegre.
02:36Parecia que estava feliz.
02:38E sempre as vereadoras mulheres, eu acho que boa parte delas, ou até todas,
02:46ele dava um beijo na testa e dizia,
02:48Oi, amor, tudo bem, amor?
02:49Quero fazer menção aqui ao ex-prefeito César Maia,
02:53o qual, brilhantemente, com aquele apoio que sempre deu o servidor,
03:00fez dar com o LURB, uma das melhores empresas de limpeza urbana do Brasil.
03:06Orgulho da prefeitura.
03:07Uma pessoa que se disfarçava no meio da sociedade,
03:11como aquele político que estava ali tentando obter vantagens para a população,
03:17que estava ali brigando por todos,
03:19que era um defensor da lei, um defensor da sociedade,
03:24quando, na verdade, isso era só uma maquiagem.
03:28É essa figura rica, influente e cercada de poder
03:33que desperta a atenção de Monique,
03:35de quem ela rapidamente se aproximou.
03:39A união de vaidades e ambições
03:41formou um casal que, quem conhecesse, logo diria,
03:46está aí o casamento perfeito.
03:50Na época que a Monique conheceu o Jairinho,
03:53eu já estava um pouco afastada da Monique.
03:56Mas, segundo alguns amigos em comum do meio da política,
04:01falaram para mim que ela está procurando ser bem interessada
04:06em aprender política,
04:07que ela talvez quisesse entrar nesse meio.
04:10E, logo em seguida, eu fiquei sabendo,
04:14pela internet mesmo, que eles dois estavam juntos.
04:17O Jairinho começou a morar com a Monique,
04:19dia 15 de janeiro, ficaram 50 dias juntos,
04:23e era de harmonia a relação,
04:25porque vinha aqui para casa,
04:27ia lá na casa da mãe dele.
04:29Era um novo amor, era um novo amor.
04:32A partir daquele dia que ele vai morar,
04:35aquele final de semana,
04:36aquela semana que ele vai morar com o Jairinho e a Monique
04:38naquele apartamento, tudo mudou.
04:40O Henrique começou a não querer mais ir ficar com a mãe,
04:44ele começou a não querer voltar,
04:47ou ele queria ficar comigo,
04:48ou ele queria ficar com a vó,
04:49os avós em Bangu.
04:55E naquele dia, eu vou buscar o meu filho,
04:59e ela desce, a Monique desce com o Henrique,
05:02eu vou com o carro de aplicativo,
05:04e ali meu filho,
05:06papai, o tio me machucou.
05:08Eu falei, o tio te machucou?
05:10Que tio é esse?
05:11Na mesma hora, eu ligo para a Monique,
05:13eu pego o telefone celular,
05:14ligo para a Monique,
05:15falei, Monique, que tio é esse?
05:17O Henrique acabou de falar que o tio me machucou,
05:19ela falou assim,
05:20Daniel, isso é um sonho,
05:21foi sonho dele,
05:22já conversei com ele,
05:24não tem nada disso,
05:25e eu falei assim,
05:26Monique, faz o seguinte,
05:28quando eu chegar aí,
05:29eu quero conversar com esse tio.
05:31Ela vai,
05:32interfona,
05:32e desce essa figura,
05:34que é o Jair.
05:35Ali, um gêntelmo,
05:36um cordeirinho,
05:38falando muito educado,
05:39eu falei assim,
05:40irmão,
05:40meu filho falou que você me machucou,
05:42e a alusão que o meu filho tem de machucar,
05:46era um abraço forte.
05:47Ela falou assim,
05:49você está dando um abraço forte no meu filho?
05:51Ele falou assim,
05:51não, eu dou um abraço,
05:52porque ele pede abraço,
05:53eu falei assim,
05:53olha só,
05:55forte ou fraco,
05:56eu não quero abraço nenhum no meu filho.
05:59Segunda coisa,
06:00que eu quero falar para você,
06:01e agora eu estou falando para você,
06:03Monique,
06:03para você, Jair,
06:04é que não quero que eu rir,
06:06fique sozinho em momento nenhum.
06:08Isso,
06:08e rir,
06:08muito bem.
06:10Quarta-feira antes do meu filho falecer,
06:13naquele dia,
06:15eu ligo para o Henrique,
06:16era mais ou menos umas 11 e meia da manhã,
06:19e eu ligo de vídeo,
06:20e meu filho estava com um semblante tristinho,
06:22e eu falo,
06:23filho,
06:24o que aconteceu?
06:25Aí ele falou assim,
06:26papai,
06:27o tio me machucou,
06:29estava do lado dele,
06:30a Tainá,
06:32a babá,
06:32e estava a avó,
06:33a Rosângela.
06:34Aí eu falo assim,
06:35filho,
06:35deixa o papai falar com a vovó.
06:37Aí eu falo assim,
06:38dona Rosângela,
06:39a senhora está vendo aí,
06:40que não é coisa da minha cabeça,
06:41igual a Monique está falando,
06:42que a Monique estava falando que,
06:44aquelas reações do Henrique,
06:45era fruto do final de semana comigo.
06:47Ali ela fala assim,
06:48não,
06:49Leniel,
06:49ele acabou de vir da psicóloga,
06:51inclusive,
06:52ele acabou de falar isso lá também.
06:54Esquece,
06:55Leniel,
06:55isso aí é por causa desse novo lar,
06:57esse novo tio,
06:58inclusive,
06:59está aqui a Tainá,
07:00a Tainá não sai de perto dele,
07:02Leniel.
07:02Eu ainda pergunto,
07:03Monique,
07:04se estiver acontecendo mesmo,
07:06Leniel,
07:06eu mato o Jairo.
07:07Aí você imagina,
07:09eu pensei o quê?
07:10Isso não pode estar acontecendo realmente.
07:12Hoje a gente sabe que ela sabia das agressões do Jairo.
07:19As investigações mostraram que Henry não tinha sido a única vítima da agressividade de Jairinho.
07:24Seu ímpeto violento já havia se manifestado contra duas ex-namoradas e seus filhos.
07:31Uma delas, ainda com muito medo, preferiu não mostrar o rosto.
07:37Eu conheci o Jairinho em 2010,
07:40trabalhando no barco político com o pai dele,
07:42eu estava sendo candidato na RECO,
07:44e eu estava trabalhando nessa campanha.
07:46No dia que o pai dele veio,
07:49foi a primeira vez que a gente realmente ficou juntos.
07:53E a Jairinho,
07:53antes do álcool,
07:54e o segundo ano depois,
07:55a gente achava que não estava rolando,
07:57desde lá para de novo.
07:57Conheci o Jairinho em 2014,
08:00em novembro de 2014,
08:01eu era assessora parlamentar,
08:03minha vereadora,
08:04e eu conheci o Jairinho na própria Câmara.
08:08E durante uns dois meses,
08:11a gente ficou se conhecendo,
08:12começamos a namorar,
08:14e durou uns seis anos entre idas e vindas,
08:17nós ficamos juntos por seis anos.
08:20Ele era aquele que explicava o prão,
08:22aquele momento que a gente sonhou de conhecer.
08:24o cara que puxa a dele,
08:26eu não sei se a tá,
08:27que ele morreu no carro,
08:29que eu falava lá,
08:30que estava tudo bem.
08:32Ele era educado,
08:34ele era formal,
08:35ele era preocupado,
08:36ele era carinhoso,
08:38mas eu costumo descreve-lo como oito ou oitenta.
08:41Ele ia do muito bom ao muito mal.
08:47O Jairinho,
08:48ele foi agressivo comigo,
08:49começou a ser agressivo mesmo depois do técnico,
08:51quando ele percebeu que realmente não ia mais ficar com ele.
08:55Não queria mais aquela adaptação.
08:56Quando ele foi começar a defender o poder,
08:59que ele esqueceu de mim,
09:00ele começou a usar,
09:02tirou três armas, né?
09:03Xingava, era palavrão,
09:06batia também.
09:07Então, assim,
09:08começou como a primeira,
09:10a primeira agressão dele foi
09:12porque eu me xingi no celular dele,
09:14e ele achou que eu tinha visto alguma coisa que eu não poderia,
09:17e ele partiu para cima de mim para me focar.
09:20Chegava na porta da minha casa,
09:22e estava escondida,
09:22foi a hora do lado da rua,
09:24e o Jair ficou me arrugando,
09:26ao ponto de me deixar na rua,
09:27ele já me acreditou,
09:29me enforcou,
09:29tinha gente que era na minha mãe ver,
09:32então assim,
09:32eu já tinha que ficar escondida em casa do meu vizinho,
09:34perguntando se ele estava passando.
09:36E aí, logo depois disso,
09:38ele largou o meu celular,
09:39jogou no chão,
09:40até quebrou a tela,
09:41e partiu para cima de mim,
09:42me enforcando,
09:43porque eu falava assim,
09:43amor,
09:44você vai me matar.
09:45Aí eu falando assim,
09:46com cuidado,
09:47assim,
09:47aí ele foi soltando devagar a mão,
09:50a afeição dele que foi voltou no normal,
09:52e ele falou assim,
09:53vamos dormir.
09:54Ele voltou com o parto para dormir.
09:56Sem ter examinado o Jairinho,
09:57uma das grandes especialistas
09:59em transtornos de personalidade do país,
10:02explica,
10:03à luz do conhecimento acumulado sobre o tema,
10:05que o perfil do ex-vereador
10:07se encaixa no padrão de comportamento
10:10de um psicopata.
10:12São pessoas extremamente frias,
10:16que não têm empatia,
10:18não têm sentimento de culpa,
10:20têm muito prazer com a transgressão,
10:24com desafiar normas manipuladoras,
10:27podem ser violentos,
10:29podem ser agressores,
10:31então não necessariamente
10:32a pessoa tem todos esses
10:36critérios que eu falei,
10:37mas podem ter pelo menos
10:39essas pessoas,
10:40alguns,
10:41de maneira muito intensa.
10:43Uma situação que eu estava com a minha família,
10:46na minha casa,
10:47estávamos conversando,
10:49tomando vinho,
10:50enfim,
10:50e ele ligou dizendo que eu estava na minha porta,
10:53que tinha trazido um,
10:55uns pedacinhos de bolo
10:56que a mãe dele tinha feito.
10:57Assim que eu entrei no carro,
10:59ele já pegou,
10:59meu cabelo já puxou até o chão,
11:02por causa de uns comentários de Instagram.
11:05Então ele ficou falando,
11:07quando eu consegui,
11:08que ele soltasse o meu cabelo,
11:10que eu levantei,
11:11ele veio com a mão fechada,
11:13assim,
11:13deu no meu rosto,
11:14um sofo.
11:15Eu hoje enxergo Jairinho
11:16com duas pessoas diferentes.
11:19Um cara que faz de tudo
11:21para você acreditar
11:22que ele é a melhor pessoa do mundo,
11:24que ele vai fazer com você
11:25tudo o que ele puder,
11:27que ele vai cuidar de você
11:28e que ele está ali para te proteger.
11:30E é o cara que quando se vê
11:32fora do controle,
11:32fora do comando,
11:34é capaz de tudo.
11:35Ele não mede esforços
11:36para fazer o que ele acha
11:38que vai ser feito.
11:39Eu fui com as crianças para lá,
11:40para dormir.
11:41Foi a primeira noite
11:42que eles dormiram lá.
11:43E foi nesse dia
11:44que o Jairinho me dopou.
11:46E ele está sendo,
11:47inclusive,
11:47acusado por estupro
11:49porque ele fez...
11:51Ele me estuprou nesse dia.
11:53Ele praticou sexo anal
11:54sem o meu consentimento,
11:56até porque ele estava
11:57completamente drogada.
11:59No dia seguinte,
12:00eu acordei dolorida,
12:02não sabia o que tinha acontecido.
12:04Uns dias depois,
12:04eu perguntei para ele
12:05o que tinha acontecido
12:06e ele falou rindo
12:07para mim
12:08o que ele tinha feito.
12:09Ele contou o que ele fez
12:10e ele falou que eu gritava
12:11igual um cachorro.
12:12É uma espécie de
12:14fachada também,
12:16porque são pessoas
12:17que podem ser
12:18extremamente sedutoras,
12:21manipuladoras
12:23e conseguem,
12:26no trato pessoal,
12:28aparentarem
12:29uma determinada
12:32aparência,
12:34um jeito,
12:34mas serem
12:36na intimidade
12:38extremamente cruéis.
12:41é aquela pessoa
12:43que sabe
12:45que está fazendo
12:46errado,
12:47ele não tem dúvidas
12:48disso,
12:49mas ele se comportar
12:51dessa forma,
12:52ele causa
12:53prazer,
12:54ele causa,
12:56ou faz com que
12:57ele obtenha,
12:58ou chegue
12:59naquela meta
13:00que ele traçou
13:01para ele
13:02e não se importa
13:03com mais ninguém.
13:05depois eu comecei
13:06a aprender que,
13:07olha,
13:07se ele achar
13:08que ele
13:09está me dominando,
13:10ele fica bem
13:11e fica tranquilo,
13:12então ele não fica
13:12invadindo a minha casa,
13:14então ele não fica
13:15perturbando a minha família,
13:16então assim,
13:17se eu falasse
13:18pra ele assim,
13:18eu te amo,
13:19tá tudo bem,
13:21tá,
13:21a gente vai se ver,
13:22ele ficava calmo.
13:22o que eu fazia
13:23pra amenizar
13:24as brigas,
13:25eu ia pro quarto
13:26e a gente namorava,
13:28só que todas as vezes
13:30que a gente,
13:30isso pode falar,
13:31Vossa Excelência?
13:32Pode falar o que a senhora quiser.
13:34Todas as vezes
13:35que nós namorávamos,
13:37tinha,
13:38era como se fosse
13:38um ritual,
13:39era ele
13:40em cima de mim,
13:41não existia outra posição
13:43que a gente pudesse fazer,
13:45ele sempre me enforcando,
13:48ele sempre mandando
13:49eu dizer
13:50que ele era
13:51o único homem
13:51da minha vida,
13:52agora se eu ficasse fugindo,
13:54me escondendo,
13:55aí ele ficava descontrolado.
13:56O Jairo,
13:57vulgo Jairinho,
13:58que era aquele
13:59verdadeiro cordeirinho
14:00gêntimo,
14:01mas é um verdadeiro
14:02psicopata,
14:03um psicopata
14:04consciente,
14:05capaz
14:05de fazer coisas
14:07perversas
14:07com crianças,
14:09caiu essa máscara
14:10desse monstro,
14:11dessa pessoa ruim,
14:13só foi morar
14:14com o Monique
14:15por causa do Henrique,
14:17assim como outros casos,
14:18assim como outros,
14:19que ele foi
14:20outras pessoas,
14:21outras mulheres,
14:22que ele se relacionou
14:23para o seu tom
14:25de perversidade,
14:27agressividade,
14:28o seu benefício próprio,
14:29para o seu sadismo.
14:34No hospital
14:35Barrador,
14:36Leniel viveu a dor
14:37e a revolta
14:37de perder o filho,
14:39surpreendendo-se
14:40com as reações
14:41de Jairinho
14:42e com o que ouviu dele.
14:45Quando é detectada
14:46a morte do meu filho,
14:48começa a chegar
14:48um monte de gente
14:49da parte do Jairo,
14:51seguranças,
14:52familiares,
14:53da parte da Monique,
14:54um monte de família,
14:55um monte de gente,
14:56e da minha parte
14:57só chega um amigo
14:58da igreja,
14:59que era meu líder,
15:00um amigo,
15:01muito próximo,
15:03ali na antessala,
15:04ali do Barrador,
15:05o Jairo fala assim
15:06para mim,
15:07Leniel,
15:08a partir de agora
15:08você toca aí?
15:09eu falei assim,
15:10sim,
15:11eu estava esperando
15:12já assistente social,
15:14ali era mais ou menos
15:15troca de plantão,
15:16seis e pouca da manhã,
15:18aí eu falei assim,
15:18a partir de agora
15:19é comigo,
15:20eu estou só aguardando
15:21a documentação
15:22e faço essa parte.
15:24Ele falou assim,
15:24então tá,
15:25vida que segue,
15:26vamos virar essa página,
15:27vocês fazem outro filho.
15:29Eu falei assim,
15:29como é que é?
15:31Aí eu olho para o meu amigo,
15:32eu falei assim,
15:32você viu o que esse cara
15:33acabou de falecer?
15:34Faz outro filho,
15:35acabei de perder meu filho.
15:37A quebra de sigilo
15:39do celular de Jairinho
15:40mostrou o quanto ele,
15:42logo depois da morte
15:43de Henri no Hospital da Barra,
15:45se articulava nos bastidores
15:46para tentar influenciar
15:48as investigações.
15:50Prejudicar as investigações.
15:52Isso ocorreu
15:53já no dia 8 de março
15:56daquele ano.
15:57Quando Jairo percebeu
15:59que realmente
16:00ele não teria como
16:02ocultar o crime
16:03caso a criança
16:04fosse enviada ao IML,
16:07ele tentou fazer
16:08fazer com que as médicas
16:09não enviasse o garoto
16:10para a perícia.
16:11Não obtendo êxito
16:13a lei no contato
16:13com as médicas,
16:14ele chegou a fazer
16:15contato com
16:17um conselheiro
16:18do Barrador,
16:19o Pablo.
16:20Para fazer o quê?
16:21Olha só,
16:23dá esse laudo
16:24para mim,
16:24dizendo que a criança
16:25morreu vítima
16:26de um acidente
16:27ou qualquer coisa
16:28parecida,
16:29ou seja,
16:30ele quer
16:32esconder
16:32esconder
16:33a efetiva
16:34causa
16:35da morte.
16:36O Jairinho
16:37era vereador
16:38de quatro mandatos
16:39no estado do Rio de Janeiro,
16:40o pai dele,
16:41deputado,
16:41disse sim.
16:43A criança morreu.
16:46Tudo que o Jairinho
16:47queria ali
16:47é que essa criança
16:49fosse para o IML
16:50o mais rápido possível,
16:52que houvesse
16:53uma liberação
16:54do corpo
16:54o mais rápido possível,
16:56para que essa criança
16:57fosse enterrada.
17:00e isso o Jairinho
17:02fez.
17:03E é o que eu faria
17:04se eu tivesse amigos.
17:06Ali,
17:07estava para todos nós
17:08muito,
17:09muito estranho.
17:10E hoje a gente sabe
17:11que em contrapartida
17:12que tinha um pai ali
17:13pedindo o IML,
17:15querendo saber
17:15o que aconteceu,
17:16o Jairinho ligou
17:17para o governador.
17:18O Claudio Cássio
17:19é nosso amigo.
17:21É meu amigo,
17:22é amigo do Jairinho,
17:23é amigo da Talita.
17:24E até estranho,
17:25achava que ele
17:27devia até
17:30levantar
17:31uma espada,
17:33uma bandeira
17:33de favor do Jairinho,
17:35porque ele conhece
17:35bem o Jairinho.
17:36Eu não sei
17:37o porquê
17:39que ele
17:41não se manifestou.
17:44Porque se manifestar
17:47poderia ser natural.
17:49As solicitações
17:49de Jairinho
17:50não foram atendidas
17:51pelo governador
17:52Cláudio Castro.
17:53Procurado por Veja,
17:54ele preferiu
17:55não tratar do assunto.
17:57O psicopata
17:58é aquele que faz a lei.
17:59Ele faz a lei,
18:00ele submete
18:00todos a lei,
18:01mas ele é a exceção
18:03da lei.
18:03Então ele tem
18:05o conhecimento perfeito
18:06porque ele não é louco.
18:07Uma coisa que a gente
18:08tem que,
18:08que é importante
18:09sublinhar,
18:10o psicopata
18:10ele não é louco,
18:11ele não perde
18:12o juízo de realidade.
18:13Ele sabe o que ele faz
18:15e ele faz
18:17mesmo assim.
18:29E ali,
18:30mais ou menos
18:30sete e pouca da noite,
18:32o policial me chama
18:33e me entrega
18:34um laudo preliminar.
18:35Ali não mostrava
18:37as 20 lesões,
18:38só falava o seguinte,
18:39a causa morte,
18:40hemorragia interna,
18:42laceração hepática
18:43causada por ação contundente.
18:45Eu pergunto
18:45para o policial.
18:46Mas o que você acha
18:47que é isso, doutor?
18:48Ele fala assim,
18:49pai,
18:50isso é uma,
18:51é uma pancada
18:52muito forte.
18:54Ele faz até
18:55alusão
18:56de como se fosse
18:57uma queda
18:57de um terceiro andar.
18:58É uma pancada
18:59tão forte
18:59que parece uma queda
19:00de um prédio
19:01no terceiro andar,
19:03mais ou menos.
19:03Essas lesões hepáticas,
19:04nesse grau
19:05que foi identificado,
19:06foi considerado
19:07como grau 2,
19:08elas não necessariamente
19:09causam morte instantânea
19:11da pessoa,
19:12diferente de outros
19:13tipos de morte.
19:14Então existe um tempo
19:15em que a pessoa,
19:16no caso a criança,
19:17pode ficar sangrando
19:18até que ela de fato
19:19venha a óbito.
19:20Importa mesmo
19:21a gente dizer
19:22que se trata
19:23de uma ação contundente.
19:24Não foi uma facada,
19:24não foi um tiro,
19:25foi uma pancada,
19:27digamos assim.
19:28A Monique,
19:28logo em seguida
19:29que eu recebo
19:30esse laudo preliminar,
19:32acho que uns 10 minutos
19:33depois ela chega
19:34no IML,
19:35eu mostro.
19:36Falei,
19:36Monique,
19:36o que aconteceu?
19:37Olha aqui,
19:39laceração hepática,
19:40uma região interna,
19:41o perito está falando
19:42que pode ser
19:43que até uma queda
19:44do terceiro andar
19:44ela fica quieta,
19:46não fala nada,
19:47vai para um canto,
19:48ela estava com o irmão dela
19:49e fica lá chorando.
19:51Aquela era apenas
19:52a ponta de um enredo
19:53que até hoje
19:54traz a Leniel
19:56sentimentos ambíguos
19:57entre o luto
19:58e a culpa.
20:01Eu me culpo
20:02para o resto da minha vida,
20:03eu me martirizo
20:05para o resto da minha vida
20:06de não ter conseguido
20:07feito mais
20:08para conseguir tirar
20:09meu filho
20:09daquele cenário
20:10de agressão,
20:10de não ter conseguido
20:11tirar meu filho
20:12daquela mãe
20:13e daquele padrasto.
20:14Eu vou para o resto
20:15da minha vida
20:16me martirizar
20:17de querer ter feito mais,
20:19de esperar
20:20poder ter feito mais.
20:22Eu fui na mãe,
20:23eu fui no padrasto,
20:24eu fui na avó,
20:25eu fui na babá,
20:26eu fui em todos
20:27que sabiam
20:28daquele cenário
20:28de agressão
20:29e nada fizeram.
20:30Todas aquelas pessoas
20:31que foram omissas
20:32e sabiam
20:33que meu filho
20:33estava sendo agredido
20:34que não me ligaram
20:36para falar,
20:37muito pelo contrário,
20:37desacreditavam
20:38do Henri para mim.
20:40Aos poucos
20:40as peças
20:41do quebra-cabeças
20:42que custou
20:43a vida de Henri
20:44começaram a aparecer,
20:46uma a uma,
20:48numa guerra de versões
20:49em que uma coisa
20:50ficou clara,
20:51a morte do menino
20:53envolveu sofrimento.
20:58entraram três pessoas
21:00no apartamento,
21:01sendo dois adultos
21:03e uma criança,
21:04dois adultos
21:05saíram com vida
21:06e aquele garotinho
21:07saiu morto.
21:09Estas foram as últimas imagens
21:10do menino com vida.
21:12Ela me mandou
21:12uma mensagem,
21:14Leniel,
21:15o Henri dormiu
21:16e está bem.
21:17E eles ficam na sala
21:18vendo uma série
21:20e tomando vinho.
21:21Jairinho jura
21:22que estava fazendo
21:23de tudo
21:24para reanimar o garoto.
21:25A grande probabilidade
21:27é que o menino
21:28já tenha entrado
21:28cadáver no hospital.
21:30Primeira vez
21:31que se entubou
21:32o morto
21:32e duas vezes.
21:33Os médicos,
21:34eles têm
21:36uma conduta louvada.
21:37Ele não praticou
21:38esse crime.
21:39É um inocente.
21:40O menino
21:40estava em casa,
21:42Jairo levou ele
21:43para dentro do quarto,
21:45torturou o menino
21:46de uma forma agônica.
21:48O menino saiu
21:49daquele quarto
21:50desesperado.
21:51A babá fez
21:52contato com a mãe
21:53que estava
21:54num salão
21:55de cabeleireiro
21:55e nada fez.
22:19de cabeleireiro
22:20e nada fez.
22:25Amém.
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