00:00Bem-vindo, Rodrigo. Bom dia e gostaria já que você começasse explicando para a gente
00:04qual a diferença entre uma recuperação judicial e uma recuperação extrajudicial.
00:11Bom dia, Verusca. Agradeço a oportunidade. É um prazer estar aqui com você,
00:15conversando com você e também com sua audiência, que é um canal muito importante da parte de negócios.
00:21Indo direto aqui ao ponto da diferença entre recuperação judicial e extrajudicial.
00:25A recuperação judicial, que é a que a gente está mais acostumado, que é mais noticiado
00:30e acaba aparecendo mais na mídia, é quando uma empresa está basicamente numa situação muito difícil,
00:36já muito apertada e ela precisa fazer a renegociação de todas as dívidas como um todo.
00:40Então a gente está falando de dívidas trabalhistas, dívidas com fornecedores, dívidas com bancos,
00:46enfim, com todo mundo que tem qualquer tipo de endividamento que é credor daquela companhia.
00:49Então ela entrou num momento de caixa, de aperto financeiro,
00:52que ela não consegue mais fazer as negociações focadas e acaba ainda necessitando de tempo
00:57para conseguir renegociar tudo ao mesmo tempo.
01:00Então ela entra numa recuperação judicial e aí tem seis meses para fazer um plano de pagamento,
01:05apresentar um plano de pagamento para os credores e os credores fazem a aprovação desse plano.
01:10E aí, obviamente, depois dessa aprovação, ela tem que entregar esse plano durante um tempo com supervisão judicial
01:16e aí depois ela sai da recuperação judicial.
01:19Essa é a principal, que é a mais conhecida aqui por todo mundo.
01:24Agora a gente está falando dos dois grandes grupos, tanto o GPA quanto a Raizen,
01:28elas entraram em recuperação extrajudicial.
01:30O que é isso?
01:30Acaba sendo também uma ferramenta para negociação de dívidas, porém ela é um pouco diferente.
01:35Aqui ela não engloba 100% das dívidas de todos os credores,
01:38porém a empresa tem capacidade de isolar as dívidas.
01:41Então ela consegue fazer, ou somente negociar, que foi no caso dos dois grupos,
01:45as dívidas financeiras, ou seja, dívidas com bancos, com instituições financeiras.
01:49O que é que isso ocorre em positivo?
01:51Porque ela está isolando, ela está falando assim,
01:53eu preciso negociar essas dívidas que são pesadas,
01:55que acabam afetando o meu caixa, o meu fôlego financeiro,
01:58porém ela mantém a operação de lado.
02:00Então ela fala, eu não vou afetar o trabalhista,
02:03eu não vou afetar os créditos trabalhistas, ou seja, os colaboradores da empresa,
02:07qualquer um que tenha crédito com ela,
02:09e também nem os fornecedores,
02:11os fornecedores que garantem a operação, que garantem o fornecimento,
02:15a quantidade dos insumos para as empresas continuarem operando.
02:18Então ela segregou, os dois grupos segregaram,
02:21separando, falaram assim, beleza, vou negociar somente com as instituições financeiras,
02:25porque eu estou precisando de um fôlego, uma renegociação,
02:28somente para esse pedaço.
02:29Obviamente as empresas, elas tentaram previamente fazer essas negociações,
02:33algumas instituições financeiras devem ter enrijecido um pouco,
02:37e a gente sabe que aí, a partir do momento que você não paga uma,
02:40acaba tendo uma defesa em instituições financeiras,
02:44que dá crédito com vencimento antecipado,
02:45e aí acaba puxando todos os vencimentos
02:48para junto de uma única instituição financeira.
02:51Então elas segregaram de um jeito correto, ao meu ver,
02:54uma estratégia boa, e tem sido cada vez mais utilizada, Verusca.
02:57Antigamente a gente ouvia mais falar de recuperação judicial,
02:59porém esta aqui é uma ferramenta muito boa,
03:02que está cada vez sendo mais utilizada,
03:04e está sendo mais discutida também na parte do judiciário,
03:06e também no Congresso, enfim.
03:08Ainda é mais nova, uma ferramenta mais nova,
03:11que tem sido feita mais recentemente,
03:13mas está sendo muito utilizada,
03:14e para os dois grupos acredito que foi um acerto bem grande.
03:18Rodrigo, ontem num grupo de amigas jornalistas,
03:22no WhatsApp, nós falávamos sobre o grupo Pão de Açúcar,
03:25e aí surgiu a dúvida, recuperação judicial significa que a empresa
03:30está quebrada e vai se recuperar?
03:33Esse é um ponto, é uma pergunta.
03:36E recuperação judicial significa que a empresa vai falir,
03:39vai fechar, ou ela está muito perto disso?
03:42Não, a recuperação judicial, Verusca,
03:45esse é um bom ponto, excelente ponto,
03:46é uma dúvida que acaba afetando não somente a população como um todo,
03:50mas também todo mundo que está envolvido dentro da recuperação judicial,
03:53contém créditos.
03:55Então, os fornecedores, empresas que não têm muito conhecimento,
03:58até mesmo bancos, alguns bancos e instituições,
04:01fundos menores, que não estão mais tão habituados,
04:03acabam tendo muito receio da recuperação judicial e extrajudicial.
04:07O que acontece?
04:08A empresa, obviamente, não está numa situação boa,
04:10isso é fato,
04:12porém essa situação não é que ela ocorreu de uma hora para outra,
04:15todo mundo foi pego, surpresa que a empresa estava mal.
04:18Isso daí dificilmente ocorre,
04:19é muito difícil quando uma empresa simplesmente
04:21entre recuperação judicial, sem nenhum tipo de indicativo prévio.
04:25Isso ocorre mais, por exemplo, se tiver algum tipo de catástrofe,
04:27algo que a empresa não conseguiria, obviamente, se precaver,
04:30um incêndio, por exemplo, em alguma das instalações de uma empresa,
04:33algo muito crítico, uma mudança climática,
04:36por exemplo, que a gente teve até no sul,
04:38eventos de enchentes.
04:41Então, esse tipo de situação, sim,
04:43pode levar a uma recuperação judicial não prevista.
04:46Mas são muitos poucos os casos que isso ocorre.
04:48Porque quando a empresa, ela começa a ir mal,
04:51ela começa, obviamente, ela tem endividamentos,
04:53ela começa a juntar passivos, que a gente chama,
04:55que são as dívidas,
04:56ela vai juntando as dívidas com instituições financeiras,
04:58algumas vezes com fornecedores,
05:00porém o mercado vai sentindo.
05:01Então, ela vai vendo,
05:02a empresa começou a se endividar cada vez mais,
05:05os bancos, a gente tem ferramentas hoje,
05:07dos bancos e instituições financeiras,
05:08conseguem ver o nível de endividamento de uma empresa.
05:11Em próprios bancos, acabam pedindo
05:12o kit banco, que se chama,
05:14que recebe todas as informações financeiras das empresas,
05:17para ir fazer a verificação se vai fazer a concessão de crédito ou não.
05:20Através desses relatórios, esses dados,
05:23o banco já sabe o nível de endividamento
05:25e a saúde financeira da empresa.
05:27Então, conforme vai avançando a dificuldade financeira,
05:30os bancos vão restringindo instituições financeiras como um todo,
05:33vão restringindo o crédito para essas empresas.
05:36E a empresa vai entrando numa dificuldade,
05:38porque aquele crédito que ela pegou primeiro,
05:40ela precisa renegociar muitas vezes,
05:41porque ela não vai ter condições de pagar a dívida no curto prazo.
05:44E está começando a vencer as parcelas,
05:46muitas vezes as parcelas vão aumentando de valor.
05:48E aí ela começa a apertar o caixa,
05:50ou seja, não vai ter dinheiro na conta corrente
05:52para fazer o pagamento do endividamento.
05:55Então, ela vai tentando renegociar as dívidas,
05:58porém, com esses dados, essas informações,
06:00esses indicadores que a saúde financeira da empresa
06:02não está indo muito bem,
06:04aí, obviamente, vai tendo uma restrição de crédito
06:07aos bancos,
06:08dos bancos e instituições financeiras.
06:10E aí ela vai tentando negociar,
06:11até o momento que ela não consegue,
06:12que aí os bancos falam assim, não, enrijecem,
06:14instituições financeiras enrijecem,
06:15e falam assim, não consigo fazer mais a negociação.
06:18Aí, então, a empresa entra numa situação difícil,
06:20que ela precisa fazer o pagamento.
06:22Se ela não pagar durante um tempo,
06:24tem algumas regras,
06:25faz o vencimento antecipado
06:27de todas as instituições financeiras,
06:29e aí ela entra numa situação muito difícil,
06:30que começa a ter bloqueio de contas correntes,
06:33e aí afeta a operação,
06:34e afeta a empresa como um todo.
06:36Aí, sim, chegando no momento de poder,
06:38inclusive, entrar numa falência.
06:39Então, previamente a isso,
06:41a partir do momento que a empresa começa a ver
06:43que está numa situação muito difícil,
06:44não consegue mais renegociar,
06:45ela começa a se planejar
06:47para fazer algum tipo de movimentos,
06:49é uma ferramenta dessas.
06:50Dado que algumas instituições financeiras
06:51já começaram a apontar
06:53e mostrar negativamente
06:54que não conseguem fazer
06:55a renegociação junto àquela empresa.
06:57Então, aí ela tem que fazer,
06:59usar as ferramentas,
07:00tanto ou de recuperação judicial
07:01ou extrajudicial,
07:02para colocar todo mundo junto
07:04e fazer uma renegociação conjunta,
07:06que garanta,
07:07basicamente os mesmos pesos,
07:09as mesmas condições entre todo mundo.
07:10Acaba sendo justo,
07:11porque geralmente algumas instituições,
07:13alguns bancos têm valores diferentes,
07:16têm condições melhores,
07:17outros têm condições piores.
07:18Dentro de uma recuperação judicial
07:19ou extrajudicial
07:20para esses credores envolvidos,
07:22a condição vai ser a mesma
07:23dali para frente.
07:24Obviamente, você pode ter
07:25algumas separações ali
07:26de credores parceiros
07:28que conseguem ajudar a empresa,
07:30fornecem mais créditos,
07:31aí eles podem ter algum tipo
07:32de prioridade no pagamento,
07:33mas isso é oferecido a todos.
07:34Então, é muito justo
07:35o que se chama a isonomia
07:36das propostas.
07:39Então, a empresa
07:39significa que ela precisa
07:41desse movimento,
07:42desse fôlego financeiro
07:44para se reestruturar
07:44e se reorganizar.
07:46Sem isso,
07:47a empresa iria para uma falência.
07:48Então, a recuperação judicial
07:49e extrajudicial,
07:50na verdade,
07:51mostra que a empresa
07:52está precisando
07:52de fazer essa renegociação
07:54que ficou muito duro
07:55e justamente é o movimento
07:56para ela não falir.
07:58Então, é uma ferramenta
07:58muito boa,
07:59muito utilizada.
08:00A gente tem
08:00em nosso acompanhamento,
08:01Verus,
08:02que a gente faz
08:03de recuperações judiciais,
08:04que 70% das empresas
08:05que entram em recuperação judicial
08:08saem operando normalmente.
08:10Então, normalmente,
08:10não significa que a empresa
08:11está bem,
08:11mas pelo menos ela continua
08:13pagando os endividamentos
08:14e os créditos,
08:15o plano que ela se comprometeu.
08:16E só 30% de fato
08:18entram em falência.
08:19e lá novas CIDADE.
08:19E aí novasula.
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