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#OsTrêsPoderes | O tema do momento em Brasília ganhou um protagonista inesperado para um assunto que raramente avança: os penduricalhos que inflaram contracheques no serviço público. O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, decidiu ir além do debate sobre emendas parlamentares e mirou um terreno ainda mais sensível — justamente onde se concentram, com frequência, os maiores salários do país: Judiciário e Ministério Público.

Dino apoiou o veto do presidente Lula a dispositivos aprovados pelo Congresso e adotou uma medida de ofício para proibir a criação ou o pagamento de novos penduricalhos fora do que está previsto em lei. Deu também prazo de 60 dias para que estados e municípios enviem dados sobre remunerações que extrapolem o teto constitucional, hoje na casa de R$ 46 mil.

No programa de #VEJA, Ricardo Ferraz e Marcela Rahal debatem sobre os penduricalhos e as polêmicas em torno deles. Saiba mais no link na bio.

#penduricalhos #fláviodino #supremo
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Transcrição
00:00Eu vou falar o nome do Pinduricalho, você vai ter que me dizer do que se trata,
00:05porque é o tipo de coisa que ninguém está conseguindo explicar no Brasil.
00:09Pagamentos retroativos, sabe o que é?
00:10Pagamentos que não foram pagos e que precisam ser pagos.
00:13Não foram pagos no passado e precisam ser pagos agora.
00:16Mas são relativos a quê?
00:18X.
00:20Você não sabe? Eu também não sei.
00:22E olha, se alguém souber, por favor, manda aqui mensagem para a gente.
00:27Essas dados aqui, eu preciso dizer isso, foram levantados pelo nosso decano aqui dos Três Poderes,
00:33o colunista de Veja e também do nosso programa, José Casado.
00:37Só esses pagamentos retroativos, que ninguém sabe dizer do que se tratam,
00:41inflaram ganhos em 17.695 casos, com muitas pessoas, muitos servidores,
00:49recebendo, vejam vocês, mais de 500 mil reais numa única bolada.
00:55Meio milhãozinho.
00:56Meio milhão.
00:56Dá para comprar uma pizza, como eu gostaria de dizer.
01:00Licença compensatória.
01:00Outra coisa que ninguém sabe direito dizer o que é.
01:03Um bilhão de reais foram pagos em licença compensatória nos últimos dois anos.
01:08Aí tem uma coisa que se chama licença-prêmio, que é o seguinte,
01:11a cada três meses de descanso, quando...
01:14Quer dizer, você tem direito de três meses de descanso a cada cinco anos.
01:18Então, trabalhou cinco anos, você ganha três meses de descanso.
01:20Você para três meses, né?
01:21Fora as férias, tal.
01:23E aí é o seguinte, se você não para, você vende.
01:26Você vende.
01:26E aí, o servidor carioca, nessa brincadeirinha, ganhou 642 mil e 500 reais.
01:34Dá para comprar um apartamento com essa brincadeira.
01:37Plantão.
01:38Você tem que dar plantão.
01:38Eu vou estar de plantão no domingo, agora aqui, porque a gente faz plantão.
01:43Porque, afinal de contas, o jornalismo não pode parar.
01:46A Marcela não faz plantão porque ela tem privilégios.
01:50Penduricalhos.
01:51Não, ela faz parte desse time aqui, ó.
01:54E se ela fizer plantão, ela vai ganhar aqui, ó.
01:56Ah, muito que vale.
01:5794 pessoas ganharam mais de 500 mil reais porque fizeram plantão fora do seu horário de trabalho.
02:08Ou seja, é claro que é importante que servidores públicos sejam bem remunerados
02:13para que não haja qualquer tipo de tentação em relação à corrupção, coisas assim.
02:21Agora, não é tarefa do Estado brasileiro transformar servidor público em pessoas milionárias.
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