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Duarte Jr. cobra avanço contra grandes empresas na CPMI do INSS e cita Banco Master. Vice-presidente da comissão afirma que pequenas estruturas foram atingidas, mas diz que é preciso ir além e alcançar “os poderosos”.

No programa Ponto de Vista, apresentado por Marcela Rahal, o deputado federal Duarte Jr. (PSB-MA), vice-presidente da CPMI do INSS, falou sobre o andamento das investigações envolvendo grandes empresas e possíveis articulações políticas.

Segundo ele, a comissão identificou um fluxo que envolvia descontos indevidos de aposentados, repasses à associação CONAF e distribuição a empresas que, segundo afirmou, funcionariam como estruturas de fachada. O deputado citou valores que ultrapassariam centenas de milhões de reais e afirmou ter dado voz de prisão ao presidente da CONAF durante depoimento.

Duarte Jr. também mencionou o Banco Master como exemplo de empresa que, segundo ele, teria forte articulação política, e criticou relações que, em sua avaliação, prejudicariam o avanço das investigações.

O parlamentar defendeu a prorrogação da CPMI e disse que, caso isso não ocorra, espera que o Supremo Tribunal Federal e o ministro André Mendonça garantam condições para que a Polícia Federal continue as apurações.

“É preciso ter coragem para falar”, afirmou, ao defender que a investigação avance “a doa a quem doer”.

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Transcrição
00:01Bom dia, deputado. Muitas vezes o foco da fraude das investigações cai sobre pequenas empresas,
00:11enfim, aqueles que têm uma atuação mais modesta. Como está a investigação sobre as grandes empresas sonegadoras?
00:20O senhor está satisfeito com o que a CPMI fez até aqui em relação a essas grandes empresas devedoras no
00:27país
00:27e que prejudicam tanto o Tesouro?
00:32Olha, eu estou satisfeito com o trabalho que vem sendo desenvolvido com a CPMI, mas não é tudo.
00:39Muito mais precisa ser feito. Por exemplo, ontem. Ontem a gente ia fazer a oitiva com a Ingrid,
00:45que é a esposa do Cícero. Eles têm 12 empresas, 12 empresas de fachada.
00:51Essas empresas movimentaram mais de 300 milhões de reais, onde o fluxo do crime funcionava da seguinte forma.
00:58Era realizado desconto indevido, legal, na conta do trabalhador, na conta do aposentado.
01:04Esse dinheiro iria para uma instituição, para uma associação, que é a Conafé,
01:07onde o presidente da Conafé, que veio depor aqui, eu dei voz de prisão a ele,
01:11e ele está foragido até os dias atuais, pagou fiança e está fugido, fugiu.
01:17Ninguém encontra ele, isso ele está foragido desde o ano passado.
01:20Só que após a Conafé receber esse dinheiro, tomar esse dinheiro do aposentado,
01:26para fazer a lavagem desse dinheiro e pagar a propina para procurador federal do INSS,
01:32para servidores do INSS, ele se utilizava dessas 12 empresas,
01:36onde o Cícero, a Ingrid e o irmão dela prestavam em tese esse serviço.
01:42Por que eu digo em tese? Porque esse serviço nunca foi prestado.
01:44Era apenas a emissão de nota para, teoricamente, justificar o repasso do recurso.
01:50Agora, veja só, são mais de 300 milhões de reais, que saía da conta do aposentado,
01:55vai para a conta da Conafé, é distribuído para a conta dessas empresas,
01:59e da conta dessas empresas, vai para a conta de funcionários, servidores do INSS,
02:05e outros que compõem essa cadeia do crime.
02:08Agora, se você for observar, essas empresas nenhuma tem funcionário com carteira assinada,
02:13e se for avaliar a estrutura familiar e financeira do Cícero e da Ingrid,
02:18as rendas deles não ultrapassam pouco mais de dois salários mínimos.
02:23Se acessar a conta deles, vai ver que esse dinheiro não está lá.
02:27Eles funcionaram tão somente para pegar o dinheiro e repassar,
02:30receber e transferir de imediato.
02:32Eles não obtinham lucro, grandes vantagens com essa prática criminosa.
02:38Então, é preciso avançar esses poderosos.
02:40E qual é o grande problema?
02:42Esses poderosos aqui, eu ilustro claramente o Banco Master, é um desses exemplos,
02:46tem uma grande articulação política.
02:49É preciso ter coragem para falar.
02:51Veja essa frustração social, que é ver que o ministro da Suprema Corte do Brasil,
02:58a mais alta corte, o topo do Poder Judiciário Brasileiro,
03:02tem relação direta com o Banco Master.
03:04Então, aquele que deve julgar, que tem que ter a imparcialidade para julgar,
03:08tem relações comerciais com quem está sendo investigado,
03:12isso, claro, há uma articulação que previca muito essas investigações.
03:15Então, nesse ponto, eu confesso,
03:18há uma grande indignação da minha parte,
03:20porque a gente precisa avançar muito mais.
03:22E a minha confiança é que aquilo que a gente não conseguir avançar na CPMI,
03:26que nós continuamos a tentar,
03:28nós já conseguimos assinaturas,
03:30vamos tentar, com o presidente do Senado, ali ao Colômbia,
03:33a prorrogação por pelo menos mais 60 dias,
03:35que se justifica para poder colaborar e avançar nessas investigações.
03:39Caso o Davi não autorize, nós vamos recorrer ao Supremo Tribunal.
03:43Espero que o Supremo garanta que nós possamos prorrogar essas investigações.
03:48Mas se nada disso acontecer,
03:50eu espero que com a relatoria do ministro André Mendonça,
03:53que, claro, tem pontos que eu concordo em decisões,
03:55tem pontos que eu disse, inclusive aqui, que eu não concordo,
03:57eu espero que ele possa, de fato, fortalecer o trabalho da Polícia Federal,
04:01que ele possa garantir que a Polícia Federal consiga investigar
04:05e alcançar aqueles que são ainda mais poderosos.
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