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A relatoria do caso Banco Master deve permanecer com o ministro Dias Toffoli, apesar das pressões externas e das críticas nos bastidores do STF.
No Ponto de Vista, da revista VEJA, Marcela Rahal conversa com o colunista Robson Bonin, que revela como ministros do Supremo avaliam o desgaste público e por que não há intenção de afastar Toffoli do caso.

Segundo Bonin, prevalece no STF um “sentimento de corpo”. A avaliação interna é de que retirar um ministro da relatoria por pressão externa abriria um precedente perigoso. “Se um ministro for retirado por pressão, todos os outros podem ser questionados depois”, relata o colunista.

Bonin afirma ainda que não há qualquer movimento do presidente do STF, Edson Fachin, para interferir na condução do caso. “Um ministro me disse que não acredita que Fachin seria louco a esse ponto de embarcar nessa pressão externa”, conta.

A situação lembra, segundo o colunista, o julgamento do mensalão, em 2012, quando Dias Toffoli também foi alvo de questionamentos por sua ligação anterior com o PT. Na época, o entendimento foi o mesmo: afastá-lo significaria enfraquecer institucionalmente o Supremo. “O barulho passou”, lembra Bonin.

Apesar da crise momentânea, ministros acreditam que o foco atual no STF tende a diminuir. “Mais cedo ou mais tarde, outras investigações vão colocar muita gente importante da República em evidência”, afirma o colunista, citando os desdobramentos do caso Banco Master e apurações conduzidas pela Polícia Federal.

📌 O Ponto de Vista é um programa da revista VEJA, apresentado por Marcela Rahal, com análises e bastidores do poder em Brasília.

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Transcrição
00:00Pois é, e você também fez um outro texto, falando também, você conversou com os ministros do STF,
00:05falando também sobre a questão da relatoria, né?
00:08A gente citou aí também a condução do ministro Dias Toffoli, que tem sido muito questionada,
00:14também esse elo de parentes do ministro com o resort, com parentes de Vorcaro,
00:19mas a relatoria, ao que tudo indica, deve permanecer com o ministro Dias Toffoli.
00:25É isso, não há, pelo menos da parte do ministro Dias Toffoli, segundo as conversas dele dentro da corte,
00:30nenhuma intenção dele deixar o caso.
00:32E não há, por parte dos ministros do Supremo, também esse intento de pressionar ou constranger o ministro Toffoli
00:40a deixar a relatoria, porque há esse entendimento de sentimento de corpo, né, no STF,
00:46de que um ministro exposto ao escrutínio público por causa de um caso importante que ele está relatando,
00:54se um ministro ficar exposto e for, de fato, retirado de um caso por pressão,
00:59todos os outros, você abre um precedente para que todos os outros possam passar a ser questionados também.
01:05Então, nesse momento, ainda que haja divergência no bastidor, lá do Supremo,
01:10não há esse movimento para que alguém vá questionar frontalmente ou constranger o ministro a deixar a relatoria.
01:19Não há uma forma também, o ministro Edson Fachin poderia tomar alguma medida,
01:23mas não há precedente no Supremo sobre isso.
01:26E até conversava com os ministros que eu conversou de cedo, um falou assim,
01:30não acredito que o Fachin será louco a esse ponto de embarcar nessa pressão que está sendo feita de fora
01:37para dentro do Supremo
01:39para interferir no caso que está com o ministro Dias Toffoli.
01:43Foi até lembrada a figura do julgamento do Mensalão, lá em 2012.
01:48O ministro Dias Toffoli também, por coincidência, era um ministro que estava sendo muito questionado,
01:52porque ele tinha acabado de chegar ao Supremo, ele assumiu o cargo no Supremo em 2009,
01:59e ele tinha, naquela época, um histórico muito grande de ligação com o PT.
02:04E vai julgar, então, os petistas que estão no Mensalão,
02:08aí criou-se um debate nacional de novo, de pressão em cima do tribunal,
02:12para que o ministro se declarasse impedido, e na época foi o mesmo entendimento.
02:15Se o ministro Dias Toffoli se declarasse impedido lá atrás de julgar casos envolvendo petistas,
02:21ele seria um ministro manco, desmoralizado no Supremo.
02:26Então, para preservar todas as prerrogativas do trabalho, do cargo do Toffoli,
02:33o próprio ministro resistiu a todas as pressões, conseguiu apoio ali de Marmendes,
02:38de outros ministros importantes da corte, e seguiu o trabalho.
02:41Mais cedo ou mais tarde, o barulho passou.
02:43E é nessa crença que a corte está caminhando agora.
02:48Tem muita confusão, mas há uma certeza.
02:50Adiante, nós vamos ter desdobramentos importantes da investigação do Banco Master
02:55e de outras investigações que estão no Supremo.
02:58Muita gente importante na República vai ficar em evidência pelo que a Polícia Federal está descobrindo,
03:03e esse hiperfoco que está hoje no Supremo tende a amenizar.
03:09Isso pelo menos na crença dos ministros do Supremo,
03:12de que esse caso, em algum momento, com a volta do trabalho do Supremo,
03:15vai ser só mais um, entre tantos outros que a gente vai ter, infelizmente, escândalos de corrupção.
03:21A gente vai ter um ano, um primeiro semestre, pelo menos, muito carregado de revelações, Marcelo.
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