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  • há 5 horas
No Mercado, o especialista em China analisa os bastidores do Fórum Econômico Mundial em Davos e explica como o encontro expôs o choque de discursos entre China, Estados Unidos e Europa. Enquanto o vice-premiê chinês defendeu um tom conciliador e disse que a China quer ser “o mercado do mundo”, Donald Trump voltou a ameaçar com novas tarifas comerciais. Já Emmanuel Macron reagiu, afirmando que a Europa “não pode ser tratada como colônia”. O debate mostrou que o mundo está se reorganizando economicamente, e o Brasil precisa definir seu papel nessa nova ordem, especialmente nas relações com a China e na exportação de produtos com valor agregado.

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Transcrição
00:00O que você observou no encontro do Fórum Econômico Mundial esse ano que a gente pode ver influenciando a economia
00:10a partir de agora?
00:13Olá a todo mundo. Então, vamos falar um pouquinho, bom dia para vocês aí, né?
00:17O que ficou claro para mim em Davos essa semana foi principalmente esse contraste entre os discursos.
00:22De um lado a gente tem a China, o vice-primeiro-ministro Han Li Fan, dizendo que a China não
00:30quer ficar somente sendo a fábrica do mundo, né?
00:32Ela realmente quer ser o mercado do mundo. Então foi um tom bem super conciliador, pedindo cooperação.
00:38Do outro lado a gente tem o Donald Trump, que aliás elogiou sempre o Xi Jinping, como sempre faz, chamou
00:43ele de homem incrível,
00:45mas ao mesmo tempo ameaçando com essas questões das tarifas e criticando a Europa, né?
00:49E por outro lado a gente tem outro terceiro personagem, que é o Macron. Ele foi bem direto, disse que
00:53a Europa não pode aceitar ser tratada como colônia, né?
00:58Então muitas vezes eles estão chamando a Europa de colônia, que precisa realmente ter mais autonomia.
01:04Então o ponto central que a gente conseguiu perceber em Davos é que o mundo realmente está se reorganizando e
01:08o Brasil está também no meio disso.
01:10Então vamos ver exatamente, mas o que mais me chamou e o mais importante foi o Trump realmente que ele
01:17também, ele confirmou que ele também está indo para a China em abril
01:19e isso realmente pode mudar bastante a relação aí entre China, entre China e Estados Unidos.
01:25Parece que a gente teve um único assunto aí nesse último ano, né? Nesses últimos 12 meses que foram as
01:32tarifas.
01:32O que você percebeu ali? Como é que as grandes economias do mundo, né?
01:38Tem encarado essa questão das tarifas que tem usado, tem sido usada não só por Trump, mas agora também pelo
01:43bloco europeu, né?
01:45Para poder ganhar, né? Ficar no ganha-ganha e não no perde-perde.
01:50Como é que tem sido essa questão das tarifas?
01:56A questão das tarifas tem algumas razões que é importante a gente levar em consideração, né?
02:02Então os Estados Unidos, ele sempre pensa na questão comercial.
02:07Então hoje se a gente fizer uma comparação com as tarifas junto com a China, primeiro tem essa questão do
02:14déficit comercial com os Estados Unidos.
02:17Então os Estados Unidos hoje, se for relacionar com a China direto, compram muito mais da China do que realmente
02:23vende
02:24e isso incomoda muito os Estados Unidos e também incomoda bastante o Trump, né?
02:27A outra questão das tarifas também tem toda essa questão agora de inteligência artificial que a China vem pegando,
02:35que realmente é um tópico que foi muito comentado aqui em Davos, que os Estados Unidos lideram por muito tempo
02:42essa questão,
02:42mas hoje a China também tem essa questão do DeepSeek, que é uma plataforma chinesa, então abalou bastante o mercado.
02:48Também a questão das tarifas é que hoje os Estados Unidos, o mundo fica um refém disso, né?
02:55Então a gente está muito linkado com o que realmente o Trump vai tomar de decisão, se ele vai colocar
03:0025% ou se ele vai colocar 10% ou se ele vai colocar,
03:04independente da porcentagem que ele coloca, ele pode tomar essa decisão, mas o mundo fica meio que refém porque não
03:10sabe como tomar uma decisão, né?
03:12Então realmente foi um tópico muito alto, muito importante, muito bem citado em todos os speeches do Trump,
03:19falando que se 10% não está suficiente, eu vou colocar 25% na Europa, né?
03:25Então é um assunto que é muito delicado e realmente, inclusive eu até estava caminhando em algumas estações de trem
03:31na Suíça
03:32e eles mostraram que tem algumas placas dizendo, ah, se você está aplicando essas tarifas perante a Europa,
03:38nós da Suíça também vamos aplicar algo nesse tipo, tipo, mas de uma forma cômica, né?
03:44Então é um tópico que ele é realmente muito sério e ele utiliza isso como arma para poder, de certa
03:52forma,
03:53trabalhar junto com a ideia, com o que realmente eles querem alcançar com os Estados Unidos e o mundo, né?
03:59Théo, resume para a gente hoje como estão essas oportunidades de negócios com o Brasil,
04:05o que a gente vende para eles, o que a gente importa, né?
04:08Entre China e Brasil, né? Já que você é um especialista em China.
04:11E onde é que a gente pode melhorar? Quer dizer, a gente está exportando, mas é commodity.
04:17A gente pode sair dessa questão só dos commodities? A gente tem essa condição?
04:21Ah, com certeza, né? Hoje se a gente parar para pensar na questão de volume,
04:2575% das exportações do Brasil para a China ou para o mundo são soja, são minérios, são petróleo,
04:32realmente são commodities em geral, né?
04:34Então isso realmente é muito concentrado, mas tem inúmeras oportunidades que a gente também pode estar explorando, né?
04:40Então se a gente parar para pensar na questão de proteína animal, já somos líderes hoje no mundo,
04:45a carne brasileira é bem vista hoje afora, né?
04:48Então a gente tem nessa questão de commodities para proteína animal,
04:52então a Pequim está abrindo realmente as portas para a gente,
04:56então a gente está vendo que a China em si já vê a proteína como um commodity muito importante.
05:02Depois a gente também tem o café, né?
05:04Então hoje o café é um commodity também muito importante para o Brasil.
05:06Hoje você caminha pelas ruas de Xangai, pelas ruas de Shenzhen, pelas ruas de Pequim,
05:11e você vê pessoas bebendo café.
05:13Então realmente o café também como commodity, ele acabou se tornando,
05:16hoje na China tem uma rede de café muito grande,
05:19que já até passou o Starbucks no tamanho de número de lojas, né?
05:24Que eles trabalham aí com contratos gigantes,
05:26então o café brasileiro na China ele é muito bem visto, né?
05:30Mas saindo dessa questão, a gente também pode pensar que hoje a gente tem uma área,
05:33não na parte de commodities em si, que são os cosméticos e os alimentos processados.
05:38Então a China hoje, a classe média chinesa quer produto de qualidade,
05:42qualidade, então existe muitos produtos, tem muito espaço para isso,
05:46principalmente produtos que têm origem da Amazônia,
05:49ou produtos, ingredientes que só tem realmente no Brasil,
05:53a China está procurando por isso,
05:55então realmente é um mercado gigante que a gente pode estar explorando.
05:59Como o açaí é um produto realmente que tem uma demanda muito grande,
06:02a China está buscando por essas famosas superfoods,
06:05que são essas comidas realmente de altíssimo teor de ingredientes com boa qualidade,
06:13então realmente tem muitos outros produtos.
06:15Acho que o mais importante é a gente conseguir desenvolver essas marcas
06:19e adaptar essas marcas para o mercado consumidor chinês,
06:22e não criar marcas focadas no consumidor brasileiro,
06:25porque é completamente diferente um consumidor chinês com um consumidor brasileiro.
06:30Então essas grandes marcas de produtos, cosméticos, alimentos processados,
06:34energético inclusive, tem espaço dentro do mercado chinês,
06:39mas tem que adaptar isso para o mercado local.
06:41Quando você fala açaí, produtos amazônicos, em cosméticos, por exemplo,
06:48você fala já do produto sair do Brasil industrializado, né?
06:52Não é pegar o açaí in natura, por exemplo, e vender para eles.
06:55É a nossa indústria trabalhando com produtos que são, vamos dizer, exóticos, né?
07:01Para os chineses.
07:02Com certeza.
07:03Eu acho que o açaí em si, para ser produzido no Brasil como matéria-prima,
07:08pode ser que seja uma opção,
07:09mas o chinês em si, ele quer ver a bandeira do Brasil dentro do produto,
07:13ele quer ver a origem que realmente foi nacionalizado no Brasil,
07:17então isso valoriza muito o produto, né?
07:19É claro que a gente também pode pensar o açaí como forma de commodity
07:22para ser reindustrializado na China,
07:25para fazer maquiagens ou para fazer até produtos independente, o que for,
07:29mas acho que essa questão de ter a bandeira brasileira impressa dentro de um produto,
07:34dizer que foi feito no Brasil e tem origem brasileira,
07:36isso agrega muito valor, né?
07:38Então, quando eu comento o açaí, eu estou comentando sobre o açaí,
07:42que ele já está industrializado do Brasil e pronto para ser servido
07:45nas redes de lojas e supermercados na China.
07:48Você explicou um pouco para a gente aí sobre por que Trump implica tanto com a China,
07:53mas a gente não vê a China subindo tanto o tom, né?
07:56A gente vê a China, geralmente, pelo menos em público, né?
08:01Não tendo os rompantes aí de Trump, é uma postura totalmente diferente.
08:07Os chineses têm, a impressão que a gente tem é que eles têm muito mais o pragmatismo, né?
08:14Na hora de negociar, inclusive, com a maior potência do mundo, que é os Estados Unidos.
08:22Com certeza.
08:23Os chineses em si, eles são um povo altamente pacífico, né?
08:26Então, eles não estão buscando por problemas.
08:29Eu acho que o ponto principal na questão China é que realmente eles querem manter a população
08:37trabalhando, desenvolver o país, cuidar da parte de infraestrutura do país,
08:40melhorar toda a parte do país em si, e o que eles menos querem é problema, né?
08:44Mas, às vezes, é inevitável, né?
08:47Então, porque tem um parceiro no outro lado que só busca problema,
08:50então, realmente, eles têm que trabalhar e jogar nesse lado entre Estados Unidos e China.
08:55Então, mas pensando no lado China, China, China,
08:58eu acho que o trabalho principal deles hoje é estar realmente botando comida na mesa da população em si,
09:05desenvolvendo o país que precisa ser desenvolvido, mesmo a China crescendo nos últimos 15, 20 anos.
09:09Eu estou aqui desde 2010, então, venho acompanhando todo esse crescimento.
09:12Então, além da parte de desenvolvimento, eles querem melhorar o país, né?
09:16Eles querem realmente sair do que eles estavam antes, lá na década de 90,
09:20para realmente mostrar essa China que a gente está vendo hoje,
09:23que é essa China futurística, que a gente acaba vendo dentro do Instagram
09:26ou de todas essas redes sociais, com drones voando, drones entregando comida,
09:30robôs andando pelas ruas.
09:32Essa é a China que eles estão tentando chegar e eles estão tentando cada vez,
09:35estão conseguindo chegar, né?
09:36Então, isso mostra essa grande diferença e evolução do país nos últimos anos.
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