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  • há 4 horas
Michel Temer aponta as eleições como saída para reduzir impasses entre os Poderes e defende disputa baseada em projetos, não em nomes. Em entrevista ao Amarelas On Air, o ex-presidente afirma que o Brasil precisa recuperar o debate programático e superar a polarização entre Lula e Bolsonaro.

No programa Amarelas On Air, da revista VEJA, o ex-presidente da República Michel Temer conversa com o repórter de política Nicholas Shores e com o chefe da sucursal da VEJA em Brasília, Policarpo Junior, sobre caminhos para diminuir os impasses institucionais e melhorar a relação entre os Poderes.

Para Temer, a principal oportunidade está nas eleições deste ano, quando candidatos podem apresentar projetos concretos para o país. “Nós perdemos a ideia de projeto nacional”, afirmou. Segundo ele, o foco excessivo em disputas pessoais — que ele exemplifica com Lula e Jair Bolsonaro — enfraqueceu o debate político.

O ex-presidente relembra que seu governo teve um norte claro com o programa Ponte para o Futuro e defende a construção de uma “nova ponte” baseada em propostas. “O eleitor não vota mais em João ou José, mas no programa”, disse. Temer também critica a rotulação entre direita e esquerda e afirma que o que importa para a população é o resultado.

Ao comentar o cenário eleitoral, Temer elogia a atual safra de governadores e revela que tem incentivado a união em torno de um projeto comum. Ele cita nomes como Tarcísio de Freitas, Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Ratinho Júnior como lideranças bem-sucedidas em seus estados.

Segundo Temer, a ideia é que governadores se reúnam, apresentem um projeto nacional e só depois escolham quem irá representá-lo na disputa presidencial. “Isso daria uma seriedade extraordinária à eleição”, afirmou. Para ele, o eleitorado está cansado de disputas de nome contra nome e quer ver programa contra programa.

▶️ Assista à entrevista completa e entenda a visão de Michel Temer sobre eleições, governadores e os caminhos para reduzir conflitos institucionais.

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Transcrição
00:00Se houver alguma saída, essa situação que o senhor estava descrevendo agora é só mais uma de uma série de
00:07impasses institucionais.
00:09Se houver alguma saída que seja, por exemplo, a limitação das ações que partidos políticos podem apresentar ao Supremo,
00:18porque a gente pode, acho que tem uma boa colhida o argumento de que se esse pele da dosimetria fosse
00:25parar no Supremo,
00:26então deveria ser tratado como interna corpus do Congresso Nacional.
00:30O que saída o senhor veria para que a gente diminuísse a quantidade de impasses que se formam entre os
00:37poderes?
00:38Eu acho, Nicolas, que nós temos uma oportunidade.
00:42E essa oportunidade é oferecida exatamente pelas eleições deste ano.
00:48Você vê que já começam a se apresentar candidatos e candidaturas.
00:52de fora parte, o senhor presidente da República, que se lança também como candidato à reeleição.
01:01Então, por que eu digo que é uma oportunidade?
01:03Porque é um momento em que os candidatos podem lançar projetos para o país.
01:10Você veja que nós perdemos um pouco, nesses últimos tempos, a ideia de projeto para o país.
01:18E nós, ao invés de disputarmos A contra B, ou João contra José, ou, se me permite especificar, Lula e
01:28Bolsonaro,
01:29nós teríamos programas, projetos que disputariam a chegada ao poder.
01:33E nesses projetos é perfeitamente possível enfrentar todas as questões que você está mencionando.
01:43De vez em quando, me dizem, ah, mas há uma certa ingenuidade nessa sua pregação.
01:47Eu falei, não há não.
01:49Em vários países, você tem teses bem definidas quando as pessoas vão disputar a eleição.
01:56Mas, no programa, o nosso governo deu certo, quando a modéstia ele lá,
02:02porque nós tínhamos a chamada ponte para o futuro.
02:05Se tiver uma nova ponte para o futuro, será útil para o país,
02:09porque o eleitorado, o Nicolas, não vai votar em João ou José,
02:14mas vai votar no programa do João ou no programa do José.
02:18E, nesse particular, até tomo a liberdade de acrescentar,
02:22seria fundamental que a chamada...
02:25Faça um pequeno corte, né?
02:26Eu sou um bem um pouco contra essa rotulação de direita, sempre esquerda,
02:30o que interessa ao povo é o resultado, e não a rotulação daquele que está no poder.
02:36Mas, se quiser rotular, que a chamada esquerda tenha um programa,
02:39que a chamada centro, centro-direita e direita, tem um programa para o país,
02:44e daí, porque eu prego, eu, com toda franqueza, tenho feito isso,
02:48na medida que sou procurado, eu dou palpites, não dou conceito de palpites, né?
02:54Eu digo que o ideal seria, centro-direita, ter uma candidatura, não é?
02:58Que trouxesse um programa para o país, para se opor a outro programa.
03:04E daí, nós melhoramos as relações político-eleitorais e político-administrativas no nosso país.
03:12Eu queria aprofundar o último ponto que o senhor mencionou,
03:16das conversas que o senhor tem.
03:18Claro que o senhor deve ser muito procurado por atores políticos que estão exercendo mandatos,
03:23e que também se apresentam como possíveis candidatos à eleição presidencial.
03:27A gente tem um quarteto de governadores, o de São Paulo, o Tarcísio de Freitas,
03:32o de Minas, o Romeu Zema, o de Goiás, o Ronaldo Caiado, e o do Paraná, Ratinho Júnior,
03:37cujos nomes são muito especulados como possíveis candidatos à presidência.
03:41E eu imagino que, se não com todos, com a maioria deles, o senhor tem, assim, essa interlocução.
03:47O senhor tem conseguido falar concretamente sobre propostas?
03:54O senhor exemplificou com a nova ponte para o futuro.
03:58Essa nova ponte está sendo construída com algum desses nomes, ou com mais de um deles?
04:04Eu acho que está sendo pensada, viu, Nicolás?
04:07Eu tive a honra de ser procurado por vários desses governadores,
04:12que, aliás, faço mais um pequeno corte, é uma safra extraordinária de governadores.
04:17Qualquer deles que viesse a ser candidato representaria muito adequadamente este meu pensamento, pelo menos.
04:25Mas, quando fui procurado por um deles, depois pelo segundo, pelo terceiro, pelo quarto, pelo quinto, pelo sexto,
04:30eu disse, olha, vocês são todos bem-sucedidos nos seus estados,
04:36que, talvez, causariam um impacto extraordinariamente útil para o país,
04:40se se reunissem e lançassem um programa, um projeto de atuação eleitoral,
04:47ou político eleitoral, ou eleitoral administrativa, para o país, não é?
04:53E, depois, vocês escolheriam qual de vocês iria representar esse projeto.
04:58Acho que daria uma seriedade extraordinária à disputa eleitoral.
05:02Eu devo dizer, procurado que fui individualmente por vários deles,
05:08que, no particular, todos concordaram.
05:12Eu não sei se isto vai ser levado adiante, mas a ideia está plantada.
05:17Eu acho que será inevitável que as candidaturas, seja da oposição, seja da situação,
05:24tragam projetos para o país.
05:25O eleitoral está cansado dessa disputa de nome contra nome e não de programa contra programa.
05:35Concretamente, a partir dessas conversas, surgiu alguma formação de chapa mais viável?
05:43Ainda não, não é?
05:44Essas coisas vão acontecendo ao longo do tempo.
05:47Você sabe que o prazo definitivo para afastamento é abril, 4, 3 ou 4 de abril, uma coisa assim.
05:54Então, essas coisas vão, sob o foco político, acontecendo pouco a pouco.
05:59E os partidos estão conversando entre si, estão dialogando.
06:04Acho útil.
06:05Nós estamos com uma democracia consolidada, graças a Deus.
06:09De modo que eu acredito que é preciso só aperfeiçoá-la.
06:13E o aperfeiçoamento vem, reitero, pela ideia de debate de teses.
06:19Acho que é fundamental esse tema para o país.
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