- há 4 horas
Eleições no Japão impulsionam mercados, Nikkei dispara e inflação no Brasil segue no radar
As eleições no Japão ganharam peso muito além de Tóquio. A vitória histórica da primeira-ministra Sanae Takaichi, que fortaleceu o Partido Liberal Democrata, colocou no centro do debate uma agenda fiscal agressiva, com cortes de impostos e aumento de gastos — em um país que já carrega a maior dívida do mundo desenvolvido.
Apesar das incertezas fiscais, o índice Nikkei, principal bolsa da Ásia, disparou 3,89%, reacendendo discussões sobre o impacto dessas decisões nos mercados globais, em um momento especialmente sensível para investidores internacionais.
👉 O programa Mercado de hoje acompanha, ao vivo, os reflexos das eleições japonesas, a reação dos mercados asiáticos e os desdobramentos para a economia global.
E ainda no programa:
Até onde pode chegar a inflação no Brasil?
Investidores apostam em queda, mas ainda acima da meta oficial
Com a desvalorização do dólar, vale a pena comprar a moeda ou investir em ativos americanos?
Participam do debate:
Gustavo Junqueira
João Vítor Stüssi
Bruno Nunes
🕙 Ao vivo a partir das 10h
Mercado é o programa diário da revista VEJA sobre economia, negócios e tendências, apresentado por Veruska Donato. De segunda a sexta, às 10h, o programa analisa os principais movimentos da economia, do mercado financeiro e da política econômica no Brasil e no mundo.
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As eleições no Japão ganharam peso muito além de Tóquio. A vitória histórica da primeira-ministra Sanae Takaichi, que fortaleceu o Partido Liberal Democrata, colocou no centro do debate uma agenda fiscal agressiva, com cortes de impostos e aumento de gastos — em um país que já carrega a maior dívida do mundo desenvolvido.
Apesar das incertezas fiscais, o índice Nikkei, principal bolsa da Ásia, disparou 3,89%, reacendendo discussões sobre o impacto dessas decisões nos mercados globais, em um momento especialmente sensível para investidores internacionais.
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NotíciasTranscrição
00:23Olá, bom dia! Uma ótima semana pra você, né?
00:28A semana começando, semana que antecede o carnaval.
00:32Hoje é 9 de fevereiro, segunda-feira.
00:35Eu sou Verusca Donato e esse é seu programa Mercado de Veja Mais.
00:39Vamos ficar juntinhos aí até 10h45 da manhã
00:43com as principais notícias de economia do Brasil e do mundo
00:46pra te ajudar a tomar decisões.
00:50A eleição de domingo no Japão foi muito além, né?
00:54Vai muito além de Tóquio.
00:55Foi uma vitória histórica e esmagadora da primeira-ministra Sanai Takaishi.
01:02Ela que é a primeira mulher a comandar o Japão e foi eleita há apenas quatro meses.
01:08Também essa vitória fortalece o partido dela, o partido liberal-democrata.
01:15Mas também traz pro debate, pra arena do debate, um assunto muito importante,
01:20as contas públicas. Isso porque a ministra foi eleita, né?
01:24Virou muito popular porque tem prometido o corte de impostos, principalmente 8% sobre os alimentos.
01:31E a pergunta que muita gente faz é de onde vai tirar esse dinheiro sem comprometer as contas públicas.
01:38Lembrando que o Japão tem uma das maiores dívidas públicas do mundo.
01:43Mas o mercado financeiro é um troço esquisito, né?
01:46Porque logo depois da eleição, eis que nas bolsas asiáticas, o índice Nikkei da Bolsa de Tóquio
01:52alcançou uma alta de 3,89%.
01:57O mercado financeiro que até a semana passada deu recados aí de que estava preocupado
02:02com as contas públicas do Japão.
02:04O que será que aconteceu?
02:05Esse é um momento sensível para o mundo.
02:10Aqui no Brasil, as empresas japonesas já investiram, de 2020 até agora, 44 bilhões de dólares.
02:17E na B3, os japoneses estão entre os maiores investidores.
02:22Esse é o principal assunto de hoje do programa Mercado, que vai falar também, tem outro destaque.
02:28A queda do dólar, será que vale a pena comprar moeda ou investir em ativos financeiros americanos?
02:36E a inflação, até onde vai a queda da inflação aqui no Brasil?
02:40Investidores apostam que ela deve cair, será mesmo?
02:45Seja muito bem-vindo e seja muito bem-vinda.
02:49A gente começa o programa falando sobre a inflação, como eu chamei agora há pouco.
02:55E para ajudar nessas informações, eu vou trazer aqui o boletim Focus.
03:00Pode jogar a arte para a gente no telão, Joel.
03:03O boletim Focus, divulgado hoje, por volta entre 8 e 8h30 da manhã, traz uma revelação, né, gente?
03:10Que o IPCA caiu pela quinta semana seguida.
03:15Essa é uma expectativa dos investidores que são consultados pelo Banco Central.
03:19Há quatro semanas, eles apostavam numa inflação de 4,05%.
03:25Foi caindo e semana passada chegou a 3,99%.
03:31Hoje, 3,97% a inflação em 2026.
03:37Uma queda da semana passada para cá de 0,02 pontos percentuais.
03:42E sobre esse assunto, eu quero conversar agora com o nosso entrevistado, que é o João Vítor Stussi.
03:52Eu falei certo?
03:53Me passaram a orientação.
03:55Stussi.
03:56Stussi.
03:57É isso, né?
03:57Ah, então tá bom.
03:58Adoro entrevistar.
03:59Isso aí.
04:00Eu aprendo.
04:03Que é economista e CIO da Itaim S.A.
04:09Seja bem-vindo.
04:10Uma ótima semana, João.
04:11Bom, bora falar de inflação, porque o Banco Central também corrigiu, não foi o Ministério
04:19da Fazenda, o governo federal, previsão de inflação.
04:23Saiu o relatório na semana passada, ainda distante da meta de 3,5%, mas um crescimento
04:30menor da inflação.
04:31O que você espera para esse ano?
04:35Isso aí, Verusco.
04:36Eu acho que a primeira análise que a gente tem que fazer é que, eventualmente, esse
04:41corte da inflação, na verdade, esse corte das projeções da inflação, ele é muito
04:45mais pontual do que algo do ponto de vista de conjuntura econômica.
04:49Então, a inflação brasileira deixa de ser só um reflexo desses choques temporários, porque
04:54ele está incorporando muitos fatores fiscais.
04:56Então, a gente tem muita pressão sobre o serviço, combinado com expectativas bem
05:01deterioradas, que mostra que o mercado já tem embutido um cenário de um crescimento
05:08muito abrupto de gastos públicos ao longo dos últimos anos e uma projeção de aumento
05:13desses gastos públicos para frente.
05:15isso traz uma dificuldade muito grande de consolidação fiscal.
05:19Então, quando a gente tem um fiscal que se desorganiza, ainda que a gente tenha um
05:22resultado de curto prazo que seja numéricamente positivo, a inflação deixa de ser só um fenômeno
05:31monetário e ela começa a refletir o risco e a gente tem que começar a precificar isso
05:36na cadeia inteira de operações financeiras.
05:40Então, por exemplo, no crédito a gente já começa a fazer alguns tipos de ajuste dentro
05:44das operações, então, embora isso seja de fato um bom sinal, ele não é suficiente
05:49para mudar a nossa projeção de médio e novo prazo.
05:53Agora, João, eu conversei com diversos economistas no ano passado, fiz até um especial de mercado
05:58no final do ano e muitos de vocês apostavam numa alta da inflação esse ano por conta das
06:05eleições.
06:05mais o que que mudou?
06:08Por enquanto, por enquanto nada.
06:11Mais uma vez, o que a gente tem visto hoje em dia, ele é um choque muito pontual.
06:16Do ponto de vista estrutural, a expectativa ainda é de um aumento da inflação.
06:20A gente tem uma expectativa ainda de um aumento bem significativo aí da despesa pública, principalmente
06:25por ser um ano de eleição.
06:28Então, mais uma vez, Verusca, do ponto de vista estrutural, as nossas projeções continuam
06:32as mesmas.
06:33O que a gente tem visto hoje é uma redução da inflação percebida, mas do ponto de vista
06:39numérico, mas que isso é muito pontual e muito com base nos resultados de comércio e
06:46serviços aí de dezembro, mas que eles não mudam a conjuntura total.
06:51João, as lideranças do PT reunidas em Salvador, aí pro início das comemorações dos 46 anos
06:59de criação do partido, eles divulgaram um comunicado na sexta-feira criticando a autonomia
07:05do Banco Central, falando, dizendo que o Banco Central precisa rever essas metas de inflação
07:11e cobrando juros menores.
07:13O PT é o partido do presidente da república, é o partido do ministro da fazenda.
07:20Esse tipo de recado, esse tipo de comunicado, como é que ele soa no mercado pra vocês?
07:27Soa mal, Verusca.
07:29A interferência do executivo na independência do Banco Central tira muito da credibilidade
07:38que o mercado coloca aqui nas projeções e na tecnicidade do órgão como um todo.
07:44E isso não é muito padrão de comunicação do governo, tá?
07:48É muito padrão de comunicação do PT, mas não um padrão de comunicação do governo,
07:52que é interessante no final do dia.
07:57A autonomia do Banco Central, ela é instrumental pra que a gente tenha uma decisão técnica
08:00e não tenha uma decisão política, né?
08:02Porque, vou até usar aqui um termo que é muito atécnico, mas eu acho que é interessante
08:06pra audiência.
08:08Quando a gente martela uma taxa de juros, por exemplo, eu jogo essa taxa de juros pra baixo,
08:14sendo que eu não tenho aqui uma condição macroeconômica de sustentar essa taxa pra baixo,
08:19eu gero um desequilíbrio gigantesco em termos de oferta e de demanda no mercado.
08:23Então, a gente pedir uma taxa de juros mais baixa, mas não entregar ao mesmo tempo
08:28um cenário fiscal mais responsável.
08:31E mais do que um cenário fiscal mais responsável,
08:33a gente não entregar um crescimento que condiza com essa taxa de juros,
08:37não entregar aqui uma inflação real que conduza com essa taxa de juros,
08:41é a gente condenar o país a um cenário de inflação implícita muito maior
08:47e que pode trazer consequências muito piores no curto e no médio prazo, infelizmente.
08:51João, por que a autonomia do Banco Central é tão importante para os mercados?
08:58Porque no final do dia, quando você tem um Banco Central que faz as decisões
09:03a respeito da forma como a gente vai operacionalizar aqui a política monetária,
09:12você começa a ter decisões mais técnicas no final do dia.
09:15Se você tira essa autonomia do Banco Central, o Banco Central acaba se tornando um órgão político.
09:20Então, o governo tem a capacidade de influir sobre as reduções de taxa de juros
09:26ou a majoração dessa taxa de juros e, portanto, criar um cenário econômico
09:29que é ou mais contracionista ou mais expansionista.
09:32Isso pode pressionar tanto um crescimento da economia
09:36quanto uma entrada em um eventual ciclo de deflação, de inflação ou de estag inflação.
09:45Então, a gente sempre tem que partir do pressuposto,
09:48o governo não tem a neutralidade para fazer tomada de decisão com base
09:56em termos únicos e exclusivamente técnicos, mas ele tem também uma agenda política por trás.
10:00Isso aí qualquer governo.
10:01João, vamos falar agora do Japão, da vitória da primeira-ministra Senai Takaishi.
10:10Os mercados estavam bastante assustados até sexta-feira.
10:17Falavam em promessas de corte de impostos e que o Japão não teria dinheiro,
10:24isso oneraria as contas públicas.
10:26Você pode colocar as imagens para mim da primeira-ministra?
10:30Está aí uma vitória histórica e esmagadora, a imprensa toda comentando.
10:33Ela que é do Partido Liberal Democrata, isso aí foi logo depois da vitória,
10:39a primeira mulher a comandar o Japão.
10:42Ela venceu as eleições de outubro, ela desfez o parlamento
10:46e chamou eleições urgentes que foram realizadas neste domingo.
10:51Essas flores aí vermelhas, ela colocou sobre a vitória dos aliados ao partido dela.
10:58E ela tem empregado, ela é muito popular, gente, porque ela tem empregado cortes de impostos.
11:04Que dirigente não é popular pregando cortes de impostos.
11:08E a principal bandeira é o corte do imposto de 8% sobre os alimentos.
11:13É aí que entra o pessoal do mercado financeiro preocupado,
11:16porque hoje o Japão é extremamente endividado,
11:18é um dos países mais endividados do mundo quando se trata de contas públicas.
11:22E aí a pergunta é, de onde vai sair esse dinheiro?
11:26Se não, vão aumentar os gastos sobre as contas públicas.
11:31E aí eu volto para você, João, porque o mercado financeiro, como eu disse no início,
11:35é um troço esquisito.
11:37Porque as bolsas asiáticas hoje, muita gente imaginou tombo,
11:42mas elas todas abriram em alta.
11:43E aí eu vou provar para os senhores como isso é verdade.
11:47Eu estou aqui com um índice, pode colocar para mim?
11:50É só das principais bolsas asiáticas.
11:53Gente, olha só, Japão, né?
11:55É um índice Nikkei alta nesse momento de 4,04%.
11:59Isso aqui foi fechamento já, né, João?
12:024,04%, Xangai 1,4%.
12:05Aí as outras aqui em seguida são as bolsas chinesas, né?
12:09Que também repercutiram, pelo que a gente imagina, a eleição no Japão.
12:17E aí eu te pergunto, João, sabe explicar para mim o que aconteceu?
12:24Eu acho que é legal, porque conversa com o último tópico, Verus, que é no final do dia.
12:30Ao mesmo tempo que a gente tem aqui uma promessa de corte de impostos,
12:34que por óbvio, né, acaba sendo impopular muitas vezes,
12:39mas também é popular,
12:40ela traz também uma sinalização de maior responsabilidade fiscal.
12:44Então, o Japão, até voltando aqui um pouco,
12:47para a gente entender um pouco de contexto,
12:50ele é um dos maiores detentores da dívida pública americana do mundo.
12:53Então, eles têm um papel central na dinâmica financeira global.
12:56Eles exportam liquidez para o mundo.
12:58Então, por muitas décadas, o Japão operou com juros estruturalmente muito baixos.
13:04Estabilidade institucional muito forte.
13:06Então, os investidores globais, eles faziam uma operação chamada Carry Trade,
13:10que eles captam recurso no Japão
13:11e direcionam esses ativos para maior retorno, por exemplo, no Brasil.
13:15Então, ele capta lá 0,5%, por exemplo,
13:18e empresta aqui no Brasil a 12% ao ano.
13:20Então, isso era uma operação chamada Carry Trade.
13:23Esse mecanismo, ele funcionava muito bem,
13:25porque tinha uma muita previsibilidade fiscal e monetária.
13:27Não só no Japão, mas também nos países onde você faz essa alocação.
13:32O problema é que o mundo sofreu uma série de transformações.
13:35A gente tem uma instabilidade geopolítica muito maior ao longo dos últimos anos.
13:39Então, a eleição agora, ela traz de novo a discussão sobre esses cortes de impostos,
13:44porque, do ponto de vista financeiro, isso não gera neutralidade.
13:48A produção, as promessas, por exemplo, de redução de carga tributária,
13:53sem nenhuma contrapartida clara de ajuste fiscal,
13:56ele aumenta, por óbvio, e daqui do ponto de vista nominal,
13:59uma incerteza sobre a trajetória da dívida japonesa.
14:02E como que o Banco do Japão vai conseguir responder
14:06a essa alteração dessa trajetória de dívida.
14:09Então, ainda que o Japão tenha essa alta poupança doméstica
14:13que eu comentei, que é uma reserva muito grande em título do Tesouro americano,
14:17esse tipo de sinal afeta essa expectativa de inflação e de juros
14:21no médio e no longo prazo.
14:23E as expectativas são o principal motor do fluxo financeiro global.
14:27Mas no limite, quando você vê, por exemplo, os índices do mercado,
14:33de renda variável do Japão, dando sinais positivos,
14:37é porque, ao mesmo tempo que você deixa de ter operações interessantes
14:41do ponto de vista de surfar a taxa de juros,
14:46então você fazer um query trade, pegar dinheiro no Japão e alocar fora,
14:50do outro lado, a gente tem a capacidade de injetar esse dinheiro
14:54que antes estava sendo direcionado para economias emergentes,
14:57na economia real.
14:58Então, isso entra dentro das bolsas, dentro das empresas da economia real japonesa.
15:03A gente pode dizer que o mercado financeiro resolveu dar um voto de confiança
15:08para a primeira-ministra? É isso?
15:10Ela vai realizar o corte de impostos, como ela prometeu,
15:15mas não vai comprometer as finanças do país? Foi isso?
15:21É isso.
15:23Hoje em dia, a gente tem uma onda aí no mundo,
15:26onde o corte de impostos deixa de ser tão impopular
15:29e acaba se tornando um pouco mais popular.
15:31E até entrando aqui num assunto que eu acho que é interessante,
15:34para o Brasil esse movimento é muito sensível,
15:36porque a gente já tem um prêmio de risco bem elevado,
15:40essa insegurança jurídica é grande, estabilidade política.
15:43Então, nesse ambiente global, onde a gente tem menos liquidez,
15:46maior seletividade,
15:48esses fatores domésticos do Japão, por exemplo,
15:50eles ganham um peso adicional.
15:51O resultado, ele tende a aparecer na forma de uma maior pressão cambial,
15:55juros muito mais altos, maior volatilidade de ativo financeiro,
16:00então, capital migrando para outras geografias.
16:04Agora, João, com o Banco Central no Japão,
16:09aumentando os juros,
16:10eles aumentaram em dezembro para 0,75%,
16:14é considerado o maior juro dos últimos 30 anos no país.
16:18Com o aumento dos juros, fica mais atrativo,
16:22gente, me diga se eu estou explicando errado,
16:24fica mais atrativo para o investidor japonês,
16:27não investir fora, né, voltar a investir no país,
16:30porque, afinal de contas, está pagando um juro maior.
16:32E agora, com esse voto de confiança para a primeira ministra,
16:36a gente pode dizer que os investidores estão voltando para o Japão
16:40e podem deixar de investir em países emergentes,
16:44como o Brasil?
16:45Perfeito.
16:45Ih, esse seu, assim, já preocupou.
16:49É, perfeito.
16:50E por isso que é tão sensível para a gente,
16:52ainda mais, mais uma vez,
16:52nesse cenário de instabilidade política e jurídica
16:56que a gente tem no país.
16:57É exatamente esse fluxo, Verusco.
16:59Então, deixa de ser interessante você fazer uma operação de carry trade,
17:02tomar dinheiro no Japão e mandar para o Brasil
17:04para fazer investimento, por exemplo,
17:06e faz muito mais sentido alocar em empresas japonesas
17:09dentro da Bolsa que investem na economia real, né.
17:12Então, você tira o prêmio de risco
17:16você altera, na verdade, a dinâmica do prêmio de risco
17:18e se torna mais interessante manter recursos dentro do Japão.
17:22E se a gente começa a olhar, inclusive,
17:23para uma questão muito mais geopolítica também,
17:26que eu acho que é super importante quando a gente fala de macroeconomia,
17:31a política externa do Trump mudou muito, né.
17:34Então, hoje em dia a gente não tem mais uma Pax americana, né.
17:37Então, o americano provendo a paz para os seus países aliados,
17:43então, uma atitude muito mais afastada, vamos colocar assim,
17:49de um contexto globalizado do governo americano.
17:52e daí os países, eles começam a ter que se movimentar,
17:55inclusive, para fortalecer as suas indústrias internas,
17:57pensando em um eventual problema de choque de oferta de demanda internacional.
18:03Muita coisa muda, né.
18:04Então, a indústria armamentista, a indústria bérica,
18:07o aumento de todas as cadeias de suprimento nacionais.
18:13Então, a tendência é essa, Verúzica, no final do dia mesmo,
18:15é fortalecer o mercado interno japonês.
18:18Agora, a gente deve se preocupar com essa, entre aspas,
18:21fuga do dólar japonês, né, fuga do dinheiro japonês,
18:26não é no curto prazo, né.
18:27Quando é que passa a ser um problema,
18:31quando é que passa a ser uma...
18:32Não é nem um problema, né,
18:33quando é que passa a ser uma preocupação?
18:36É, acho que já é.
18:38Eu acho que é uma preocupação progressiva,
18:41Verúzica, no final do dia.
18:43Não tem um dia, certo, que a gente fala,
18:44olha, agora começa a ser um problema ou deixa de ser um problema.
18:48Mais uma vez, quando a gente vai fazer uma alocação,
18:50a gente sempre faz uma matriz de risco, né.
18:54Então, isso tudo já começa a comportar.
18:56O investidor estrangeiro, ele está olhando,
18:58fala, puxa, o Brasil está indo para um cenário de reeleição
19:01com irresponsabilidade fiscal,
19:04estabilidade política, estabilidade jurídica.
19:07Ao mesmo tempo, a gente tem um mundo
19:10que, do ponto de vista globalizado,
19:12está envolvido em diversas guerras,
19:13eu tenho um prêmio de risco maior no Japão, né,
19:17não faz sentido eu colocar meu dinheiro
19:18num cenário de instabilidade política,
19:20como o Brasil, por exemplo.
19:21Então, esse ano tende a ser um ano desafiador
19:24para fluxo de capitais internacionais, eu acho.
19:27João Stussi, é isso?
19:29Falei certo?
19:30É Stussi.
19:31Stussi.
19:32Economista e CIO da Itainha SA.
19:36Quero te entrevistar de novo só para poder falar seu sobrenome.
19:39Por favor.
19:41Muito obrigado, Verusca.
19:43Obrigada, bom dia, viu, pelas suas explicações.
19:45Bom dia.
19:47Gente, vamos falar agora de agronegócio do mundo rural,
19:52e aí eu quero trazer para vocês,
19:54no USDA, que é o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos,
19:59trouxe o levantamento semestral da quantidade de cabeças de gado
20:04nos Estados Unidos.
20:06Eles trouxeram no dia 31 de janeiro,
20:0930 de janeiro, mais ou menos, finalzinho.
20:10Eles vão trazer o próximo levantamento agora entre junho e julho.
20:13Eles costumam fazer isso a cada seis meses.
20:16E olha o que veio.
20:1986 milhões e 200 mil cabeças hoje nos Estados Unidos.
20:23É claro que eles estão fazendo dados de 2025,
20:27divulgados agora.
20:28A queda em relação ao ano passado foi de 0,4%.
20:33Só que aí é que está a atenção.
20:35Para eles, tá?
20:37Porque esse é o menor rebanho desde 1950.
20:41O que preocupa também é que desde 2019,
20:45vem sucessivas quedas na quantidade de cabeças de gado
20:49nos pastos americanos.
20:51As vacas, que são vacas leiteiras, vacas de corte,
20:55queda de 1%.
20:5727 milhões e 600 mil cabeças hoje nos Estados Unidos.
21:02Aí você fala, mas Verusca é muita coisa.
21:05Bom, quem vai responder isso para a gente é o Gustavo Junqueira.
21:09Ele que é colunista da Veja,
21:11ex-secretário de Agricultura do governo de São Paulo
21:13e também é empresário.
21:15Gustavo, esses números que a gente mostrou agora
21:18são preocupantes para os Estados Unidos.
21:20A gente até falou sobre isso, né?
21:22Vários analistas comentando que são preocupantes.
21:24Mas para o Brasil pode ser uma janela de oportunidade.
21:29É isso?
21:30Bom dia, seja bem-vindo.
21:32Bom dia, Verusca.
21:34Bom dia a todos.
21:35Bom, sem dúvida alguma é uma preocupação.
21:38Você tem uma mistura aqui do negócio da pecuária em si nos Estados Unidos.
21:44Tem uma questão, como estava sendo discutido aí anteriormente,
21:50economia, ou seja, toda a parte de preço e custo da matéria-prima nos Estados Unidos.
21:57E uma questão política.
21:58Esse é um ano de eleição nos Estados Unidos.
22:00e assim como acontece no Brasil, acontece nos Estados Unidos,
22:05essa discussão sobre preço e toda a cesta de alimentos aí nos Estados Unidos.
22:16Sim, os Estados Unidos estão na menor rebanho desde a década de 70, 50,
22:25ou seja, há muito tempo atrás.
22:27E isso tem feito, junto com mudanças no mercado,
22:33tem feito com que você tenha uma menor oferta de bezerros,
22:41menor oferta de gado novo que vai ser engordado e depois seguir para os frigoríficos,
22:50assim como uma incerteza sobre como é que esse mercado vai se acomodar.
22:56O que a gente tem visto é o governo americano tentando agradar todos.
23:02Então, foi anunciado ontem, por exemplo, uma nova cota de importação de carne pelos Estados Unidos.
23:12Aí, tentando fazer o movimento geopolítico também,
23:15o governo americano deu uma cota de 80 mil toneladas de carne exclusivamente para a Argentina.
23:22tem uma relação próxima com o governo Milley e abriu esse espaço.
23:27Para quê?
23:28Para tentar segurar um pouco o preço que está seguindo aí no seu recorde histórico,
23:33o preço de carne moída que vai muito para a hambúrguer, para tentar conter isso.
23:39Mas só para ter uma dimensão, 80 mil toneladas, é pouco ou é muito,
23:44os Estados Unidos consomem por ano aproximadamente 12 milhões de toneladas.
23:51Então, isso é menos de 1% do consumo de carne nos Estados Unidos.
23:58Só para ter uma ideia, se fosse consumir só essa carne, os Estados Unidos consumiriam isso em três dias.
24:04Então, é um mercado muito grande e muito forte.
24:07Agora, como é que volta e como é que faz isso?
24:10Isso é um tempo, a pecuária tem um tempo, as pessoas falam um pouco disso.
24:14Um bezerro do seu momento até o momento de abate,
24:20ele leva aí de dois anos a dois anos e meio para ser abatido e virar comida.
24:27E para reconstruir o rebanho, que a gente viu aí essa redução grande,
24:31isso leva de cinco a sete anos da decisão de se aumentar as matrizes, as vacas e começar a crescer
24:40esse rebanho novamente.
24:41Então, precisa de políticas de longo prazo para que os empresários, para que os pecuaristas tomem essa decisão.
24:48E aí tem um outro aspecto, Verusco, interessante, que é a concentração das empresas frigoríficas nos Estados Unidos.
24:56Só para se ter uma ideia, 85% do abate nos Estados Unidos está concentrado em quatro empresas.
25:04Duas delas brasileiras, a JBS e a Marfrig, e duas delas americanas, que é a Tyson Food e a Cargill.
25:12E aí o que acontece?
25:13Muito desse aumento de preço, ou seja, desse aumento de margem,
25:18acaba ficando com a indústria frigorífica e não indo para o produtor, para o pecuarista.
25:26Então, acho que tem mudanças aí todas na indústria que estão acontecendo e que isso vai ter um efeito no
25:35Brasil.
25:35Mas esse efeito não é no momento zero, porque, só para você ter uma ideia,
25:41o Brasil nem tem cota para os Estados Unidos exclusiva, como foi feita essa cota para a Argentina.
25:46O Brasil entra na cota de outros países do mundo, que dá mais ou menos uns 52 mil toneladas.
25:52Então, rapidamente, em janeiro, essa cota já acaba e o Brasil, então, tem que vender carne para os Estados Unidos
25:59a uma taxa, uma tarifa de aproximadamente 26%, que é a taxa para vender carne nos Estados Unidos,
26:07quando as cotas são quase a zero, muito próximo de zero.
26:11Então, acho que esse tema é um tema de longo prazo.
26:15O Brasil vai ganhar, mas vai ganhar onde? Vai ganhar numa abertura de outros mercados,
26:22vendendo para outros mercados, e que os Estados Unidos vão ter que abrir mão,
26:28porque ele vai ter que atender o mercado interno.
26:30Então, o Brasil pode, de fato, ocupar espaço.
26:32Só para, em termos de números, o Brasil hoje é o maior exportador de carne do mundo.
26:3925% do mercado mundial de carnes é brasileiro.
26:44Só que metade desses 25% é de exportação brasileira para a China.
26:50Então, a China é, novamente, importante ressaltar aqui, um parceiro comercial muito importante,
26:57e o Brasil tem uma dependência da China.
27:00O que a China faz?
27:01Ela organiza os preços mundiais, porque o Brasil produz muito,
27:05tem um rebanho aí de mais ou menos 240 milhões de cabeças,
27:09então é muito grado, é quase mais que o dobro dos Estados Unidos.
27:15E isso tem uma relação estreita.
27:18Então, o preço do boi no Brasil já subiu, vai subir um pouco mais,
27:23mas não é que vai dobrar de preço, triplicar de preço,
27:26e o Brasil, por essa questão americana, vai mudar totalmente.
27:32Isso é um processo longo que vai acontecer, e aí entra toda a questão que a gente tem falado,
27:39que é rastrabilidade, que é padrão ambiental, previsibilidade.
27:44O Brasil precisa sair da produção de volume e entrar na categoria de guardião da segurança alimentar mundial.
27:52Esse é, sem dúvida alguma, o caminho que o Brasil deve trilhar.
27:57Então, os preços vão subir, mas não vai subir para todo mundo,
28:02vai subir para aquele que está melhor posicionado.
28:05Eu sei que você vai ficar de olho e quando isso acontecer, você vai chamar a gente.
28:09Gustavo, muito obrigada pela entrevista, por clarear esse assunto,
28:14que é muito importante para o Brasil,
28:15mas que há poucas pessoas hoje especialistas em comentar esse assunto,
28:21mas você traz clareza para a gente.
28:23Muito obrigada, viu? Bom dia.
28:24Obrigado. Obrigado. Eu que agradeço. Boa semana.
28:27Obrigada.
28:29Essa é a sorte, né, de trabalhar aqui na Veja, na Editora Abril, né?
28:34Você tem ótimas pessoas para falar sobre assuntos muito espinhosos,
28:39que a gente não domina, mas você tem pessoas para conversar sobre isso.
28:43Não só os nossos entrevistados, que a gente convida, mas também os colunistas, né?
28:47Como o Gustavo Junqueira, que é um especialista em agronegócio.
28:51Lembra que eu disse para vocês que a gente vai falar sobre dólar?
28:55Será que está fantajoso comprar dólar, comprar moeda e guardar,
29:00esperar que ela valorize, depois vender, ganhar nessa alta da moeda?
29:06Que é o que o mercado chama de comprar na baixa e vender na alta.
29:10A gente vai falar sobre dólar, né?
29:13Se vale a pena investir também em ativo financeiro, em dólar, com o Bruno Nunes,
29:18ele que é sócio e diretor de investimentos da Guia Multifamily Office.
29:22Seja muito bem-vindo, Bruno, e uma ótima semana.
29:26Muito obrigado, Viruz, que é uma ótima semana para você também.
29:29Bruno, já vou pedir para você responder.
29:31Porque é o momento atual, assim, é o momento ideal para a gente comprar dólar.
29:38Eu acho, assim, quem vai viajar está baixo, mas está alto também, né, Bruno?
29:43Mas vai lá, explica para a gente.
29:46Boa.
29:46Sou economista e, como economista, a gente sempre faz uma brincadeira, né?
29:50Que o dólar é uma invenção de Deus para milhares de economistas.
29:54A gente realmente tem uma capacidade muito limitada de prever para onde vai a moeda.
29:59Acho que tem uma questão muito simples aqui, Viruz,
30:01que a gente realmente tem fatores externos do próprio país, né,
30:04que emite o dólar, que é os Estados Unidos.
30:07E também tem a questão relativa, né?
30:09Qual que é o outro país que tem a moeda que está sendo analisada?
30:11No nosso caso, a nossa moeda real, que é brasileira.
30:15Então, do ponto de vista mais prático,
30:18acho que a questão de para onde vai a moeda, né?
30:20Agora há pouco você estava comentando sobre o boletim Focus.
30:23Semanalmente são feitas pesquisas pelo próprio Banco Central
30:27para perceber, para tentar entender o que os especialistas, né?
30:30Pessoas do mercado financeiro acreditam que deva ser o destino da moeda
30:34até o final do ano, né?
30:35A gente vê esse valor de 5,50 muito bem ancorado.
30:39O mercado acha que há motivos para acreditar realmente
30:42que o dólar deva ficar em torno de 5,50,
30:44enquanto a realidade nos mostra que ele está mais para perto de 5,20, né?
30:49Essa semana, recentemente, a gente viu algumas pessoas muito influentes
30:53no mercado financeiro comentando sobre o valor justo da moeda.
30:56Deveria ser um pouco mais próximo de 4,80.
30:58A gente já ouviu até 4,40.
31:00Então, isso tudo para reforçar o que eu falei no começo, né?
31:02A gente tem opinião de todo jeito e você pode escolher a que você
31:06se sentir mais confortável.
31:07Mas, claro, o nosso trabalho, né?
31:10Enquanto responsáveis por ajudar a gestão patrimonial de algumas famílias,
31:13é realmente dar um norte.
31:14E aqui eu acho que tem uma questão muito importante.
31:16Quando a gente pensa em ter dólar na carteira,
31:19não é apenas com o conceito de segurar algo que tenha reserva de valor, né?
31:24Que seja valioso.
31:25A gente acredita muito que a importância do dólar seja investível de fato, tá?
31:30Então, a gente acha que o correto, o mais sensato,
31:33não é apenas comprar dólar por comprar,
31:36seguindo um movimento, às vezes, de manada, né?
31:382026 é um ano eleitoral, a gente sabe das consequências para o nosso país.
31:42A gente sabe que, às vezes, o estresse do mercado
31:47provoca movimentos tensos na moeda, né?
31:49E a gente sempre fala.
31:50As pessoas, por algum motivo, elas gostam de comprar quando subiu muito, né?
31:54E quando, às vezes, está vindo em queda,
31:56gera exatamente essa constreinação que você mesmo colocou, né?
31:58De que, poxa, caiu, mas parece que ainda está caro.
32:01Será que é a hora?
32:02Então, o que a gente sempre tem feito, né?
32:05Para ajudar as pessoas,
32:06é trazer um pouco, né?
32:07O que os pesquisadores do ano passado,
32:09em janeiro de 2025,
32:11os pesquisadores da FGV trouxeram à tona, né?
32:14Que se a gente fosse olhar para uma questão de vida,
32:16a quantidade, né?
32:18Ou o percentual de dólar que o brasileiro deveria ter
32:20no seu portfólio, só para repor o padrão de vida,
32:23está muito próximo a 16% para classes
32:26mais baixas, médias, né?
32:28E para quem tem um patrimônio
32:29mais elevado,
32:30esse número chega a 18%.
32:32Então, veja bem,
32:32apenas para repor nível de
32:36poder de compra, tá?
32:38E aí, a gente sempre acredita muito
32:40que o melhor caminho,
32:41quando a gente pensa, portanto,
32:42em ter dólar,
32:43não é apenas ter ele de forma isolada,
32:45mas sim usar ativos financeiros internacionais
32:47para investir.
32:48A gente fala muito sobre um conceito,
32:50que é o home bias, né?
32:52Que nada mais é do que
32:53a gente, enquanto brasileiro,
32:55gostar muito do nosso país
32:56e acreditar que o Brasil
32:57tem os melhores negócios,
32:59as melhores oportunidades do mundo
33:00e não achar que precise,
33:02portanto, investir lá fora.
33:03Mas a realidade, Verusca,
33:05a gente sempre tenta bater na tecla, né?
33:07Para os nossos investidores,
33:08é que o Brasil representa
33:10aproximadamente 2% do PIB global.
33:13Se a gente for olhar
33:13para o mercado de renda fixa, né?
33:15O que tem de renda fixa brasileira
33:17comparado com a renda fixa no mundo
33:19também fica na casa de 2%.
33:21Então, você achar que o seu dinheiro,
33:24o seu patrimônio,
33:25que você vai acumulando ao longo do tempo,
33:27deva ficar somente no Brasil,
33:29porque você está com receio
33:30se o dólar vai subir um pouco
33:31ou cair um pouco,
33:33é você jogar fora toda oportunidade
33:35de diversificação internacional
33:36que existe no mundo, né?
33:37Então, de uma forma bem simples,
33:39se a gente olhar para os últimos 10, 20 anos,
33:42tudo o que aconteceu no mundo,
33:44a revolução digital,
33:45essa questão da inteligência artificial atualmente, né?
33:48O Brasil, infelizmente,
33:50não consegue trazer isso como oportunidade
33:52para a gente investir de forma tão fácil,
33:54porque o epicentro da inovação,
33:57das oportunidades de investimento no mundo,
33:59realmente não passam, infelizmente, pelo Brasil.
34:02Até comparando com os emergentes, né?
34:04Que o Brasil é um país emergente,
34:06o Brasil traz uma certa insignificância, né?
34:08O que é muito triste para a gente como brasileiro,
34:10que acredita, gosta e está aqui vivendo o Brasil,
34:13fazendo as coisas acontecerem,
34:15mas a realidade é que o Brasil tem essa dificuldade
34:19de ser protagonista na carteira de um investidor
34:21que seja mais consciente, tá?
34:23Então, comparando apenas com emergentes,
34:26para você ter uma ideia,
34:26a cesta dos emergentes que a gente acompanha muito
34:29no índice MSCI,
34:32o Brasil representa menos de 5% de todos os emergentes.
34:36Então, até comparando com os nossos pares,
34:38a gente tem China, Taiwan,
34:39tem muita gente à frente.
34:41Bruno, uma pergunta que eu sempre tive vontade de fazer.
34:46O dólar custava, no início dos anos 2000,
34:50R$ 2,00.
34:51A gente volta para esse patamar?
34:54Não tem sentido.
34:57Infelizmente, a gente vê os principais modelos
35:00de precificação da moeda
35:02apontando para, quando muito benigno,
35:05patamares como R$ 4,40, R$ 4,50.
35:07E lembrando que o preço da moeda
35:09tem questões próprias do país, como eu comentei.
35:13Então, o balanço comercial,
35:15a nossa capacidade de exportar e importar
35:16tanto produtos quanto serviços.
35:18Mas também tem uma questão muito forte,
35:20que ela é além dos números frios,
35:22que é a percepção de risco de um país.
35:25Tem a questão estrutural da diferença da taxa de juros.
35:28Nesse momento, por exemplo,
35:30a gente vê os Estados Unidos cortando os juros no curto prazo,
35:33mas a gente percebe que o juro de longo prazo
35:36da moeda americana,
35:37que a gente sempre olha para os juros de 10 anos nos Estados Unidos,
35:40ele tem ficado num patamar firme.
35:41E toda essa discussão de para onde vai
35:44a política fiscal americana,
35:46essa questão do endividamento,
35:47acaba mantendo os juros de longo prazo
35:49da economia americana mais elevado.
35:51E aí, esse diferencial de quanto você ganha
35:53para investir lá fora,
35:54comparado com aqui dentro, no Brasil,
35:57já não é mais tão absurdo,
35:59principalmente com o que a gente imagina que vai acontecer,
36:01que é esse possível corte de juros
36:03ao longo dos próximos meses aqui internamente.
36:06Então, é um outro mundo,
36:08uma outra realidade,
36:09os preços vão se ajustando,
36:10e para a gente voltar
36:12àquele cenário legal,
36:13de dólar a dois,
36:15todo mundo comprando coisa importada,
36:17num preço muito barato,
36:19realmente muito distante,
36:20é um sonho.
36:21Viajando para fora, né?
36:23Nossa, eu viajei muito para fora
36:24com esse dólar mais barato.
36:26Agora, Bruno...
36:27Em 2007, né?
36:29Nossa, fantástico.
36:30Fiz um mochilão pela Europa,
36:32acho que em 2003, maravilhoso.
36:35Bruno, quando a gente fala
36:38sobre efeitos do dólar
36:39na economia brasileira,
36:40quando a gente fala que o dólar alto
36:42favorece as exportações,
36:44não é só isso, né?
36:44E que o dólar baixo favorece
36:47para a queda de preços, né?
36:49Favorece a queda da inflação.
36:51Não é só isso também.
36:52Aí, queria ir além
36:54desse raciocínio que a gente faz.
36:55Dólar alto no Brasil,
36:57qual é o efeito?
36:58E dólar baixo no Brasil,
37:00qual é o efeito também?
37:02Boa.
37:02Eu acho que a questão mais óbvia
37:04e trivial que você já trouxe, né?
37:05Que é essa questão do impacto
37:06do balanço comercial.
37:09Acredito que,
37:10na visão dos investidores, tá?
37:12Existe uma certa empolgação
37:14e, ao mesmo tempo,
37:16um medo,
37:16quando a gente tem esse processo, né?
37:18A gente chama, tecnicamente,
37:19de overshooting, né?
37:20Se a gente for lembrar,
37:21dezembro de 2024,
37:23parecia que o mundo
37:24ia acabar no Brasil.
37:25A gente,
37:26se não me falha a memória,
37:27o dólar
37:28beliscou ali 6,20.
37:29Naquele momento,
37:30todo mundo queria ter dólar,
37:31queria pensar em comprar um pouco,
37:33porque parecia que realmente
37:34não teria outra alternativa.
37:36Então, quando o dólar sobe muito,
37:38a gente tenta ir atrás dele.
37:40E é muito difícil você correr atrás
37:41de algo que já está em movimento.
37:43Geralmente, a gente toma
37:44as piores decisões.
37:45Então, o que eu queria
37:47usar aqui de reflexão,
37:49acho que,
37:50para o lado de quem investe,
37:52para o fluxo de capital global,
37:53hoje, Verusca,
37:54a gente tem uma facilidade,
37:56acho que o avanço da tecnologia,
37:58o fato da gente estar
38:00aqui no Brasil
38:01e com alguma simplicidade,
38:02por ajuda de várias instituições financeiras,
38:05poder investir globalmente,
38:06eu acho que é um alerta positivo, né?
38:09A gente tem que aproveitar
38:11essas oportunidades
38:12que o mercado tem nos dado,
38:13de com mínimos muito acessíveis,
38:16aproveitar para realmente
38:17começar essa diversificação internacional,
38:20porque quando realmente
38:21o mercado estica,
38:22quando o dólar sobe
38:24e pega um ritmo de valorização
38:25um pouco mais elevado,
38:26seja por méritos
38:27dos outros países lá fora
38:28ou por conta das nossas
38:29próprias dificuldades internas,
38:31quem já está posicionado
38:33consegue ter ganhos
38:34e consegue passar
38:36com mais alívio
38:37por momentos mais tensos.
38:38Então, sim,
38:40a gente faz uma comparação
38:42olhando para o passado,
38:44só uma referência,
38:46a gente gosta como brasileiro
38:47de investir na nossa renda fixa,
38:49que ela tem uma boa rentabilidade,
38:51quando a gente olha
38:52entre 2010 e 2025,
38:54então uma análise
38:54de mais ou menos 15 anos,
38:57quem teve o dinheiro
38:58aplicado em dólar
38:59e recebeu pelo menos
39:002% ao ano
39:01em alguma aplicação
39:02nesse período,
39:04conseguiu empatar
39:05com quem investiu
39:06em algo que dê 100% do CDI.
39:08Então, ter o dinheiro em dólar
39:10quando ele der essa esticada
39:12não é apenas pela moeda em si
39:14que foi lá,
39:15se valorizou,
39:16mas porque existem oportunidades
39:17de negócios muito boas
39:18para poder aproveitar
39:19e trazer essa sofisticação
39:20para os portfólios.
39:21E só para referência,
39:24se o dólar mais 2%
39:26acabou entregando um resultado
39:28idêntico ao CDI
39:29nessa janela
39:30que a gente comentou,
39:31esses 15 anos
39:32entre 2010 e 2025,
39:34é importante ressaltar
39:36que, por exemplo,
39:36a bolsa americana,
39:37o Australian Impulse 500,
39:39que pega aproximadamente
39:40as 500 maiores,
39:41mais relevantes empresas
39:42dos Estados Unidos,
39:43teve uma alta anualizada
39:45de 14% ao ano.
39:47Então, quem sem muito esforço
39:48conseguiu investir
39:49no mercado americano
39:50e foi paciente,
39:51visão de longo prazo
39:52acabou tendo um resultado
39:53muito legal.
39:54Então, se a gente for
39:57tentar voltar aqui
39:58para a sua pergunta,
40:00eu acho que o dólar alto
40:01e o dólar baixo
40:03faz parte de um ciclo
40:04de longo prazo.
40:05Vamos ver momentos
40:06que a moeda sobe
40:06e momentos que a moeda cai,
40:08seja por questões brasileiras
40:10ou questões internacionais.
40:11E o que o investidor inteligente
40:13tem que fazer?
40:14Aproveitar o que a gente chama
40:15que, de fato,
40:16é o único almoço grátis.
40:18Os economistas falam muito
40:19sobre isso,
40:19não existe almoço grátis.
40:21E realmente não tem,
40:22exceto um,
40:23a diversificação.
40:24A diversificação é o único presente
40:25que os economistas deram.
40:27Então, investir lá fora,
40:28ter posição em dólar
40:30é uma questão
40:32de diversificação inteligente.
40:33Você pode fazer isso
40:34sem muito esforço.
40:35Então, esquecer um pouco
40:38esse ciclo de sobe e desce
40:39da moeda,
40:40que é o que eu estou tentando
40:41desancorar
40:41todos os telespectadores
40:43dessa ideia
40:44e tentar entender
40:45no que a gente investe.
40:46Porque existem oportunidades
40:47de bons retornos
40:48para a gente aproveitar
40:50independente da moeda.
40:51Por exemplo,
40:52nesse caso,
40:52hoje,
40:53a gente fica muito preocupado
40:54se ao mandar
40:55ou ter recurso em dólar,
40:57a gente vai ter
40:58algum problema.
40:59Mas, na prática,
41:00a gente deveria entender
41:02que os retornos
41:03que a gente tem
41:04no portfólio
41:04tendem a amortizar,
41:06tendem a amortecer
41:06muito bem
41:07as oscilações da moeda.
41:08Nem tudo são flores.
41:10A gente precisa
41:11ter atenção
41:11quando vai fazer
41:12qualquer investimento
41:13lá fora,
41:13porque,
41:14apesar dos benefícios
41:15da diversificação,
41:16tem complexidades tributárias,
41:18a depender
41:18de como é feito,
41:20você pode ter impacto
41:21na sucessão.
41:22Então,
41:22há alguns alertas
41:24que,
41:24hoje em dia,
41:25com acesso à informação
41:26na internet,
41:26com a vida dos especialistas,
41:27você consegue contornar
41:29muito bem isso,
41:29mas não dá para ficar
41:30de fora desse mundo
41:32que se desenvolve.
41:34Bruno,
41:35muito obrigada
41:35pela sua entrevista.
41:37O Bruno Nunes,
41:38que é sócio
41:39e diretor de investimento
41:40da Guia Multifamily Office.
41:42muito obrigada,
41:43viu?
41:44Uma ótima semana.
41:46Obrigado para você também.
41:48Gente,
41:49vamos seguir por aqui
41:50ainda que eu tenho
41:50algumas notícias
41:51para trazer para vocês
41:53e que a gente
41:54deixa de atenção,
41:56né?
41:57Não vai ser
41:58propriamente uma agenda
41:59porque são fatos
42:00que já aconteceram,
42:02mas que fica
42:02de atenção aí
42:03porque a gente
42:05não pode esquecer
42:06que mercado financeiro
42:07está sempre de olho
42:09nas decisões
42:10do governo,
42:11sempre de olho
42:12nas decisões
42:13ou falas
42:13de integrantes
42:14do governo
42:15e sempre em decisões
42:17e de olho
42:18em relações internacionais,
42:20tudo o que acontece
42:21lá fora.
42:21Então,
42:22eu quero trazer para vocês
42:23que ontem,
42:24durante a festa
42:27de comemoração
42:28dos 46 anos
42:29do Partido dos Trabalhadores,
42:30o PT comemora
42:3246 anos
42:33amanhã,
42:3410 de fevereiro,
42:35mas o partido
42:36começou a...
42:37desde sexta-feira
42:38se reuniu o Salvador,
42:39as principais lideranças
42:40e fez um comunicado
42:42e aí o presidente Lula
42:43apareceu no domingo,
42:45como vocês estão vendo
42:45aqui nas imagens,
42:47e em discurso
42:48o presidente
42:49falou sobre
42:51Venezuela,
42:52Cuba
42:53e China.
42:54Vamos ver um trechinho
42:56do que ele disse
42:57aí no discurso.
42:59O nosso país
43:00é um país soberano.
43:03A gente quer trabalhar
43:05com todo mundo,
43:06mas a gente não quer dono
43:08e não quer voltar
43:08a ser colonizado.
43:10O nosso país
43:11é solidário
43:13ao povo cubano
43:14que é vítima
43:16de um massacre
43:17de especulação
43:18dos Estados Unidos
43:18contra eles.
43:21O presidente
43:21diz também,
43:23elogiou os negócios
43:24que vem fazendo
43:25com a China,
43:26a parceria comercial
43:27com a China
43:29e falou sobre
43:30a Venezuela,
43:30que quem,
43:31mais uma vez,
43:31quem decide
43:32o destino
43:33da Venezuela
43:34são os venezuelanos
43:35e não os Estados Unidos.
43:37A gente trouxe
43:37esse assunto
43:38para vocês
43:38porque sempre
43:39que o Lula
43:40fala algo
43:41pode apimentar
43:42a relação
43:43com os Estados Unidos.
43:44Eu não estou dizendo
43:45que apimenta,
43:46tá gente?
43:46Estou dizendo
43:46que pode apimentar
43:48dependendo até
43:48do humor
43:49do presidente
43:51americano.
43:51Lula
43:51que está com uma viagem
43:53não está agendada
43:55mas está com previsão
43:56de viajar
43:57para os Estados Unidos
43:58e visitar Trump
43:59na Casa Branca
44:00em março.
44:01Outro assunto
44:02que eu quero trazer
44:02para vocês
44:03foi a eleição
44:04em Portugal.
44:06Ontem foi realizado
44:07o segundo turno
44:08das eleições presidenciais.
44:09Você está vendo aqui
44:10o vencedor.
44:11Pode colocar
44:12para a gente...
44:13Não,
44:13esse aqui não é o vencedor,
44:14né?
44:14Esse aqui
44:15é o que disputou
44:16a eleição.
44:18O vencedor
44:19foi o socialista
44:20moderado
44:21Antônio José Seguro.
44:22Ele derrotou
44:23esse candidato
44:24que está aqui
44:24que é o de extrema direita
44:26André Ventura.
44:28O Seguro
44:29hoje
44:29ele é
44:30o primeiro
44:31presidente
44:32de Portugal
44:33primeiro presidente
44:35comunista.
44:36Pode voltar
44:36para mim
44:36Joel?
44:38Porque esse
44:39não é
44:39o vencedor.
44:40O vencedor é outro.
44:41Esse foi o adversário.
44:43Hoje
44:44o Seguro
44:44que venceu
44:45as eleições
44:45lá em Portugal
44:47é o primeiro
44:48presidente socialista
44:49de Portugal
44:50em 20 anos.
44:52E ele
44:54assumiu o poder,
44:55ele que venceu
44:56o segundo turno
44:56das eleições
44:57em Portugal
44:58com o apoio
45:00inclusive
45:01das lideranças
45:03conservadoras.
45:04Outro assunto
45:05que eu quero trazer
45:06o primeiro
45:07ministro
45:08das relações
45:09exteriores
45:10da Rússia
45:11Sergei Lavrov
45:13pode colocar
45:13para mim
45:14a imagem
45:14em tela cheia
45:15por favor
45:16deu uma entrevista
45:17ontem
45:18a jornalistas
45:18e alertou
45:19que alguns
45:19governos
45:20estão buscando
45:20dominar
45:21com a
45:22inteligência
45:22artificial
45:23nas forças
45:24armadas
45:25dizendo que
45:26os membros
45:26dos BRICS
45:27não aceitarão
45:28nenhuma tentativa
45:29de minar
45:29a soberania
45:30e que os países
45:32não permitirão
45:32a violação
45:33de suas soberanias.
45:35Lavrov
45:35disse ainda
45:36que os Estados Unidos
45:37estão perdendo
45:40a influência
45:41econômica
45:41e o peso
45:42na economia
45:42global.
45:44Os BRICS
45:45compreendem
45:45Brasil,
45:46Rússia,
45:46Índia,
45:46China,
45:47África do Sul,
45:47Egito,
45:48Etiópia,
45:48Irã,
45:49Indonésia
45:50e Emirados Árabes Unidos
45:51e cobre
45:53mais de um terço
45:53do PIB mundial
45:54e metade
45:55da população
45:56mundial também.
45:5710 horas e 45 minutos
45:59são as principais
46:00notícias
46:00que tem poder
46:01de mexer
46:02com a nossa
46:03economia
46:04aqui no Brasil.
46:05Eu, Verusca Donato,
46:06agradeço
46:06a sua audiência
46:07aqui no programa
46:08Mercado.
46:08Amanhã às 10 horas
46:09da manhã
46:10a gente está de volta
46:11com mais uma edição
46:12do programa
46:13com as principais
46:14economias do Brasil
46:14e do mundo.
46:15Eu te espero.
46:16Beijo.
46:39e aí
46:39a gente está de volta
46:39de novo.
46:40E aí
46:50a gente está de volta
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