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Flávio Bolsonaro cresce nas pesquisas, mas direita precisa de um nome moderado, avalia Fausto Pinato.
No programa Os Três Poderes, da revista VEJA, o deputado federal Fausto Pinato (PP-SP) analisa o avanço do senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas presidenciais e discute se ele reúne as condições políticas para representar uma direita mais moderada e competitiva.

Pinato reconhece que Flávio sempre foi “o mais moderado do clã Bolsonaro”, mas afirma que o desafio será se desvincular da ultradireita e ampliar o diálogo. “Cabe a ele mostrar que não é refém dessa ala mais radical”, diz o deputado, citando temas sensíveis como política externa, relação com os Estados Unidos e China e erros do passado, como a condução do debate sobre vacinas.

Para o parlamentar, a polarização extrema segue favorecendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “O PT vê Flávio Bolsonaro como o melhor adversário”, avalia, lembrando que a rejeição ainda pesa mais do que o crescimento momentâneo nas pesquisas.

Pinato defende que a direita precisa conquistar eleitores moderados, social-democratas e pragmáticos. “O Brasil precisa de um pacificador, não de um guerrilheiro ideológico”, afirma. Ele também aponta a necessidade de um projeto nacional que vá além do agronegócio, com investimentos em tecnologia, inovação e indústria de defesa.

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Transcrição
00:00Deputado, bom dia, bem-vindo.
00:02Queria saber, deputado, as pesquisas têm mostrado um crescimento significativo
00:07do senador Flávio Bolsonaro na corrida presidencial desse ano.
00:11Queria saber se, mesmo diante desse fato e da possibilidade até
00:15de ser um candidato muito competitivo, o senhor ainda acha que tem que ser
00:20um nome mais moderado para disputar, para representar a direita.
00:24Olha, o Flávio sempre foi, do Cranho Bolsonaro, a pessoa mais moderada.
00:27Isso é contestado, temos que ser justos também.
00:30Eu critico em alguns pontos, principalmente o Eduardo, em relação à agressividade,
00:34em relação às manobras feitas com o Trump.
00:36Agora, cabe ele se demonstrar que não é refém dessa outra direita.
00:41Nós sabemos que o pai hoje está preso graças à outra direita, que é vinculado
00:45o seu irmão, o Olavo de Carvalho, essa turma.
00:47O pessoal mais moderado, o Ciro Nogueira, a Tereza Cristina, a Paulo Guedes,
00:51eles não estão respondendo o processo, estão tudo em paz, fizeram uma boa gestão
00:55no governo Bolsonaro.
00:55Agora, ele vai conseguir trazer os moderados?
00:59Não sei, né?
01:00Ter um diálogo, por exemplo, a questão dos BRICS, relação comercial com a China,
01:04essa dependência de bater continência em relação ao Trump.
01:08Isso causa um pouco de medo.
01:09Agora, o crescimento é natural porque a rejeição do PT, vamos ser bem claros,
01:14essa questão de já ganhou, isso aqui que eu vou falar serve tanto para o presidente Lula
01:17como para o Bolsonaro.
01:18Lá atrás, o presidente Bolsonaro achava que se fosse o Lula, estava ganho.
01:22E não foi assim, perdeu a eleição por pouco e perdeu.
01:26E nesse sentido agora, eu percebo também que o presidente Lula e o PT vê o Flávio
01:31Bolsonaro como o melhor adversário, tendo em vista que a rejeição é muito grande do
01:35PT.
01:36Agora, cabe ao Flávio Bolsonaro pacificar os ânimos, reconhecer alguns erros em relação
01:41à vacina, erros em relação a ataques desnecessários a algumas nações amigas.
01:47Nós temos que entender que quando o Lula era Che Guevara e o PT era guerrilheiro, perdeu
01:51três eleições.
01:52O Bolsonaro, com a máquina na mão, foi o primeiro presidente que perdeu a eleição
01:55porque virou o quê?
01:57Virou muito guerrilheiro de ultradireita, muito ultrapista.
01:59Eu acho que a maestria agora é conquistar esses eleitores mais moderados, que são poucos,
02:04mas são conscientes, principalmente esse eleitor social-democrata, esse eleitor que independente
02:09de esquerda e direita, preza pela democracia, preza pelo restabelecimento do Estado Democrático
02:14e Direito, não ficando preso nessa bolha insana, que de certa forma está levando um ódio
02:20muito grande aos eleitores.
02:22E essa bolha não se quebra por causa dessa polarização, tendo em vista que os partidos
02:27de centro e centro-direita não têm condições e não têm coragem de soltar um candidato,
02:31mesmo que perca, mas que seja uma terceira voz pensando em 2030, porque é isso que o
02:35país clama.
02:36Um pacificador, um político pragmático, que não quer um país nem para a esquerda, nem
02:40para a direita, um país para frente, pensando unicamente no interesse do país.
02:44Nosso país é um país do agronegócio, mas nós precisamos urgentemente, diante dos
02:48fatos e acontecimentos que estão acontecendo, principalmente com os Estados Unidos, a inconsciência
02:51do Trump, é investir em indústria de defesa.
02:53Nosso país é rico.
02:54Investir em tecnologia, inovação e sair apenas do agronegócio, que, volto a dizer,
03:00é importantíssimo, mas um país que quiser desenvolver tem que ter tecnologia, inovação
03:04e pesquisa.
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