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Uma megaoperação no Rio de Janeiro retrata todas as dificuldades no enfrentamento às facções criminosas que se espalham pelo Brasil.
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AprendizadoTranscrição
00:23Vamos logo ver isso aqui, cara.
00:34Vamos lá.
01:01Vamos lá.
01:33Vamos lá.
01:35Vamos lá.
02:05Vamos lá.
02:22Vamos lá.
02:28Vamos lá.
02:39Vamos lá.
03:09Vamos lá.
03:12Vamos lá.
03:28Vamos lá.
03:52Vamos lá.
03:55Vamos lá.
04:25Vamos lá.
04:29Vamos lá.
04:31Vamos lá.
04:36Vamos lá.
05:02Vamos lá.
05:12Vamos lá.
05:15Vamos lá.
05:34Vamos lá.
06:02Vamos lá.
06:05Vamos lá.
06:34Vamos lá.
06:34Vamos lá.
06:37Vamos lá.
06:47Vamos lá.
06:49Vamos lá.
06:51Vamos lá.
06:51Vamos lá.
06:53Vamos lá.
07:49Vamos lá.
07:52Vamos lá.
07:53Vamos lá.
07:55Vamos lá.
07:59Vamos lá.
08:00Vamos lá.
08:00Vamos lá.
08:02Vamos lá.
08:25Vamos lá.
08:25Vamos lá.
08:27Vamos lá.
08:54Vamos lá.
08:57Vamos lá.
09:00Vamos lá.
09:07Vamos lá.
09:17Vamos lá.
09:23Vamos lá.
09:24Vamos lá.
09:24Valeu.
09:25etapa da Operação Contenção, que é aquela operação que busca vôer o avanço do Comando Vermelho.
09:32E hoje nós vamos no QG deles, Complexo do Alemão e Complexo da Penha.
09:41Nossa maior missão hoje vai ser impedir isso aqui, impedir que o vagabundo da Vila Cruzeiro,
09:50onde a Polícia Civil tem 180 mandados de prisão,
09:53e busque a apreensão para cumprir, atravessem para o alemão.
09:59A gente acredita que ao tomar ali aquela encosta ao lado da Serra da Misericórdia,
10:05que é a nossa função de tomar toda aquela pista ao lado, entre a Vila Cruzeiro e o alemão,
10:10o não letal e o poder de fogo vai ser fundamental.
10:14Para evitar o quê? Aquela imagem que nós estávamos vendo agora há pouco.
10:18Olha a quantidade de homens fugindo ali da Vila Cruzeiro nesse momento.
10:23Uma fuga em massas de traficantes, já dezenas passaram por ali.
10:29Pode ser que te pareie, mate, seja lá quem fuda, atiradores pessoalmente.
10:33A nossa intenção, nosso objetivo final é a tomada dessa Serra.
10:38Estaremos combatendo forças da facção Comando Vermelho,
10:44mais reforçadas com membros da facção do Brasil inteiro praticamente lá.
10:50Ao tempo de deixar ver.
10:52Três, nove, nove, nove, nove...
11:08Esses locais viraram esconderijo de criminosos, de armas, de drogas, de produtos de roubo.
11:16E, principalmente, as lideranças fixaram ali os seus locais de moradia.
11:22Só que quando nós adentramos nesse terreno,
11:26o trabalho que nós fazemos não é mais trabalho de polícia.
11:30Polícia nenhuma do mundo faz o que as polícias do Rio de Janeiro fazem.
11:36van-se, van-se, van-se...
12:07Entrando, entrando!
12:17Fogo na barricada, hein? Fogo na barricada, hein? Fogo na barricada!
12:21Fogo na barricada!
12:26Todos os acessos estão com fogo, barricada e chamas
12:31Falou que tem mais de... mais de 200 barricadas e chamas
12:35Fumaça pra caralho que eles não conseguem ver nada
12:50É o escria, porra!
12:53É o escria da puta!
12:57Seis horas e dezoito minutos, numa terça-feira movimentada
13:00Porque tem uma grande operação acontecendo na Penha e no Alemão
13:042.500 agentes nas ruas
13:07É, polícia militar, polícia civil, agentes do Ministério Público
13:10São vários mandados de busca e apreensão e também de prisão
13:14Contra integrantes do Comando Vermelho
13:17Que segundo aí a polícia vem se expandindo bastante ali pela região
13:30Nesse caso nós temos que usar a violência
13:32E aí uma violência muito calculada
13:35Nós temos que saber, por exemplo, que tipo de armamento nós estamos usando
13:39Que tipo de armamento eles usam
13:41Que tipo de táticas eles usam
13:43Que tipo de tática nós podemos usar
13:54Que tipo de tática nós podemos usar
14:12Vamos lá
14:12Vamos lá
14:19Meu nome é Alex, fui conhecido como o Polegar da Mangueira,
14:24comandei o morro com meu irmão mais de 20 anos.
14:28Estou com 51 anos, estou vivendo como consultor de roteiro
14:35e estou aí para contar a minha história.
14:39Já estou há 11 anos fora do crime, quando eu saí do presídio federal
14:43e decidi largar a vida do crime, porque percebi que o cara, quando está no crime,
14:51ele entra num crime muito jovem e ele não tem noção do deserto que ele vai atravessar,
14:57que é uma vida que o cara não tem noção quando está ali com 16, 17 anos, 14 anos,
15:03como muitos jovens hoje entram aí para o crime com 16 anos e não sabem as consequências
15:08que essa vida vai levar a ele.
15:26Isso é traumatizante demais, isso é horrível para a cidade do Rio de Janeiro.
15:38Nós estamos vivenciando uma questão de defesa interna em função do domínio territorial
15:48de grande parte do território do Rio de Janeiro por parte de facções criminosas.
15:53E quando você tem mais de um grupo disputando esse território,
15:58querendo a prioridade ou a primazia nesse negócio, essa disputa entre eles
16:04acaba gerando muita letalidade.
16:06Quanto mais se prende, mais as facções ganham força, quanto mais se mata,
16:13mais as facções se armam para oferecer resistência à atuação da polícia.
16:18É um efeito bola de neve e não é à toa que a polícia descreve seu próprio trabalho
16:24como enxugar gelo.
16:26Nós precisamos de quem faz parte da tropa, que já está na tropa há muito tempo
16:30e já viu diversas gestões, diversos governos indo, voltando.
16:35Enfim, é um trabalho extremamente penoso.
16:38É um trabalho que tem que ser feito, muita gente fala
16:40enxugar gelo, mas enxugar gelo não funciona. Tem que enxugar.
16:43Tem que haver, sim, o combate. O Estado tem que se mostrar presente.
16:47O Estado tem que mostrar que ele adentra em qualquer território.
16:53Se a gente não enxugar gelo, a gente vai morrer afogado.
17:01A gente sabe que a gente está ali na guerra, que é um preço.
17:04Ninguém quer pagar, mas a gente está ali para isso.
17:07É como a gente fala, está no contrato.
17:08Agora, em uma vida de muitos civis ali, o cara tem risco.
17:13Às vezes, o horário da operação, como a operação vai ser desenrolada.
17:17Qual realmente o objetivo da operação é só mostrar força?
17:21É realmente pegar uma liderança?
17:29Não, não, mas fica aqui na fronteira.
17:32Logo no começo da progressão, já fomos emboscados a primeira vez pelos inimigos.
17:43Entre seis e meia e sete horas da manhã, estava chegando já na cidade do Misericórdia, chegando no ponto determinado.
17:50Um meliante estava escondido com roupa guile, bem camuflado, aproximadamente a dez, quinze metros da gente.
17:58E veio me acertar um disparo na coxa.
18:04Calma, calma.
18:07Na hora do disparo, só senti como se fosse um soco na perna.
18:27Já tem um plano de extração para ele?
18:29Não.
18:29Vamos criar um plano de extração agora. Vamos manter a calma.
18:33Blindado.
18:34Blindado não sobe aqui.
18:36Chegou o Sargento Serafim, que foi primordial no meu socorro ali, conversando comigo.
18:44Deu os primeiros socorros também, aplicando outro torniquete.
18:51Ele, como um bom combatente que era, voltou para o combate para ajudar os amigos.
18:57E no segundo momento, já, eu já não estava lá, ele veio a tombar.
19:03Faleceu.
19:04Faleceu.
19:08Faleceu.
19:10Faleceu.
19:11Faleceu.
19:13Faleceu.
19:15Faleceu.
19:16Faleceu.
19:17Faleceu.
19:18Faleceu.
19:19Faleceu.
19:19Faleceu.
19:20Faleceu.
19:20Faleceu.
19:20Faleceu.
19:21Faleceu.
19:22Faleceu.
19:22Faleceu.
19:23Faleceu.
19:24Faleceu.
19:25Faleceu.
19:28Faleceu.
19:29Faleceu.
19:31Faleceu.
19:32Faleceu.
19:32Faleceu.
19:33Faleceu.
19:34Faleceu.
19:34Faleceu.
19:34Faleceu.
19:34A gente só espera que não seja com a gente, com a nossa equipe naquele dia.
19:41A gente precisa conseguir encarar essa realidade que a operação nos escancarou.
19:48Então nós temos hoje grupos armados criminais que dispõem de estruturas paramilitares.
19:55Se a gente pegar os 117 mortos em qualquer exército do mundo,
19:59é um efetivo correspondente a uma companhia de infantaria, uma companhia de fuzileiros.
20:03Equipados, armados, empregando táticas militares, técnicas de guerrilha.
20:26Os fantasmas que eu vi quando eu entrei pro crime, foi quando a gente começa a ver amigos nossos morrendo.
20:34Um amigo tá comigo aqui hoje, aí de repente eu fui dormir num lugar, ele foi dormir no outro,
20:39ou ele ficou na pista e teve a operação.
20:43Pô, fulano morreu.
20:45E eu falei, nossa, mano, que isso?
21:06É, na vida do crime, quando o cara tá dentro de uma guerra, ele vai participar dentro do inimigo dele,
21:10né?
21:11Então, ele tá sujeito a matar e o sujeito a morrer.
21:14Isso é a realidade de uma guerra.
21:16Capitão, já me escutei?
21:19Tô, pode falar.
21:21O copo tá na trilha.
21:22Os caras já tão curto, o copo tá bem perto de vagabundo aí, pô.
21:26Que sensação.
21:27Então, marque sempre ouvir o...
21:32O copo tá na trilha.
22:20O copo tá na trilha.
22:25Mas tem, tinha, não.
22:26A gente não conseguia chegar até eles pra pegar.
22:38Em 2010, quando se tinha um toque que ia ter uma operação,
22:43se intocava todo mundo, então recuava.
22:47Hoje, se um toque ia ter operação,
22:49todo mundo botava fuzil na pista e esperava.
22:52Então, o que acontece? A mentalidade mudou
22:56porque o tráfico hoje parece que virou uma guerrilha.
23:27Então, se caira.
23:29Se cair, se cair, Nitaille.
23:31Se der?
23:31É, ae sobe!
23:45De?
23:48Dei?
23:56Me ajuda, mozão.
23:58Calma.
24:01Segui na bombinha.
24:03Cadê?
24:04No meu colete.
24:06Segui na bombinha.
24:09Zona!
24:10Vai aqui, Zona!
24:12Vai lá daqui, porra!
24:18Soltando aqui, Soltando!
24:20Na virilha!
24:24Foi três tiros.
24:26Um de rastão no pé, um na torres e um na panturrilha aqui.
24:32Vai, vai.
24:34Bora, bora!
24:36Não, não, irmão, relaxa.
24:40Não, água não, relaxa.
24:42Agora, agora.
24:42Tô aqui, eu tô aqui, tô aqui.
24:45Pega aquele rompe aí.
24:47Segui na perna, né?
24:48Foi?
24:49Vai me tirar?
24:50Não, a gente tá perto.
24:51Não, não!
24:52Não, não, não.
24:53Tá morto, cara.
24:57Quem tá no grupo dele de operações especiais, ele fala,
24:59Bambu, você não recebe dinheiro de dinheiro na mágica?
25:01Tá ali, não.
25:02É, mas trabalho.
25:03É um tapasteu, anexo perigoso.
25:05Qualquer um podia estar trabalhando em algum outro lugar.
25:07A gente vai ali por vocação.
25:11Hoje em dia, é inviável de morarmos nesse lugar.
25:14Barricada pra tudo quanto é lado, e boca de fome em cada esquina.
25:17É muita gente passando com armamento de motos e carros.
25:23Tem muitos trabalhadores, muitas pessoas honestas.
25:26Na sua maioria, gostaria muito que a gente voltasse a ter paz, coisa que eu tinha 40 anos atrás.
25:34Os nossos números de mortes violentas, causadas principalmente pela disputa entre organizações
25:42criminosas, são números piores do que algumas guerras.
25:45Vem!
25:54Vem, vem, vem, vem.
26:11Infelizmente, a população e as próprias autoridades passam a banalizar essa violência de alta intensidade.
26:21O policial tem que ter muito compromisso com o seu disparo, enquanto ele está sendo alvejado,
26:27atingido por diversos tiros que vêm de todos os pontos.
26:56Então, o que a gente vive é um filme.
27:00É cenário.
27:03É, mas as pessoas morrem de verdade.
27:06Lógico, mas quem que morre?
27:08Quem morre é o excluído.
27:11E quando o excluído está morrendo, melhor.
27:14Sinto muito.
27:16A morte do excluído é precificado.
27:20Não há problema.
27:25Planejamento de operação é um assunto muito completo.
27:28Mas, em especial, inicialmente, um amadorismo.
27:31Um amadorismo na gestão pública.
27:34Tudo vão improvisar na hora, do jeito que a gente vai tentar fazer aqui, se der certo.
27:39Eu, gestor, vou colher os frutos daquilo, os frutos políticos daquilo.
27:43E, se tiver algum problema, a culpa é do policial.
27:53A polícia entra, mas não é para permanecer.
27:56Ela não entra para cuidar da população.
27:59Ela entra em uma dinâmica de guerra.
28:01E essa dinâmica de guerra é uma dinâmica espetaculosa.
28:05É para o país inteiro ver na mídia, ler nos jornais e tal, ficar sabendo que o gestor fez alguma
28:12coisa.
28:13Para que haja um combate eficiente ao crime organizado, é primeiro preciso investigar as próprias instituições de Estado
28:21e exercer controles mais rigorosos sobre o uso da força pelo Estado.
28:25Nós temos maus policiais, como nós temos maus profissionais nas diversas áreas.
28:35A gente sempre combate, a gente sempre pune, dependendo da gravidade, são demitidos, são expulsos, são presos.
28:45Na grande maioria das cidades e dos estados aqui, uma viatura com dois policiais consegue chegar a qualquer lugar.
28:51E aqui no Rio de Janeiro, a gente tem que realizar uma grande operação de guerra.
28:56É excepcional você ter que utilizar um veículo desse em uma operação policial.
29:00Por exemplo, a gente ter que substituir, periodicamente, vidros de veículos blindados,
29:06depois de vários impactos como esse, é uma coisa que beira o absurdo.
29:13Uma batalha entre policiais e bandidos do Comando Vermelho voltou a mostrar a dimensão do desafio
29:20que o crime organizado impõe às autoridades e à sociedade no Rio de Janeiro.
29:25A operação policial de hoje é a mais letal da história da cidade.
29:31Pô, amor, tu viu a televisão de alguma coisa que tem palhado aí?
29:36O nome do qual é a hélice de alguém em óbito?
29:41O nome do qual é a hélice de alguém em óbito?
29:45Já se deu uma porrada. Se um encerra aí, já perdemos.
29:50Um encerra aí, outro encerra aí, já perdemos.
30:14Vem! Vem, filho da puta!
30:17Vai tomar! Vai tomar!
30:19Tirou o fuzil! Tirou o fuzil!
30:22Tirou o fuzil! Tirou o fuzil ele!
30:25Tirou o fuzil ele! Tirou o fuzil!
30:28Ele tirou a bandoneada! Vai, vai, vai, vai!
30:36Calma aí, calma aí!
30:38Aqui vai lá! Aqui vai!
30:44A religação do delegado tá baleado, hein?
30:46É porruna, caralho!
30:49Porra, aqui é, vem!
30:50Não!
30:51Porra, tá batendo aqui, porra!
30:53Tem que...
30:54Porra, vai, vai, vai!
30:56Vai, vai, vai!
30:58Esse foi o outro...
30:59Esse foi o baleado.
31:10Desistindo dos colegas pra religar o delegado.
31:34Delegado de polícia.
31:36Tá aqui já, tá aqui já!
31:37Tá aqui!
31:39Tá segurando, pô!
31:40Tá, consente!
31:40Tá, tá, tá!
31:41Tá!
31:44Vai!
31:45Delegado, esse foi um pouco rio nesse momento!
31:48Pega aqui na frente!
31:49Beleza?
31:51Vem, vai, vambora, vambora!
31:52Um, dois, três!
31:53Um, dois, três!
31:53Calma aí!
31:54Calma aí!
31:54Calma aí!
31:55Calma aí!
31:56Calma aí!
31:56Calma aí!
31:57Calma aí!
31:58Calma aí!
32:11Calma aí!
32:11.
32:11.
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32:55acorda três da manhã, que nem eu fui ali, bota o colete, bota o fuzil, a gente está
33:01indo exatamente para tentar desarticular aquilo que, infelizmente, durante anos se
33:09omitiu.
33:22Nós sabíamos que era um lugar complexo, nós sabíamos que ia ter alguma resistência,
33:30mas não tínhamos ideia, eu acho, do tamanho dessa resistência e do tamanho
33:40do exército que esses bandidos têm.
33:45Para aqui, para aqui, para aqui.
33:47Para aqui para descansar.
33:48Aqui, ó, vamos, vamos, vamos aqui.
33:50Aqui, aqui.
33:56Vai, vai.
33:57Força a perna ruim no chão.
33:59Bora!
34:00Segura embaixo, todo mundo.
34:01Bora, bora, bora.
34:03Bora, bora, isso.
34:05Tirar ele logo daqui.
34:06Bora.
34:07Tem a viatura aí.
34:30A gente está lá sangrando pela população, por um ideal, por um ideal de uma sociedade
34:36melhor, por um ideal de não deixar que o crime se perpetue aqui no nosso estado,
34:44também no nosso país.
34:45É isso que eu queria que a população percebesse.
34:49Que o policial está lá dando a vida mesmo.
35:03Começou às seis e meia da manhã.
35:09Era granada, em cima de granada.
35:12Era muita munição.
35:14Era tiro, muito tiro.
35:16Sem parar.
35:21Eu nunca tinha passado por isso.
35:23Olha como que ficou minha casa.
35:28Me fizeram de refém.
35:30Acabaram com a minha casa.
35:35Aqui ficou um bandido, baleado, na minha sala.
35:42Colaram a janela, invadiram minha janela, subiram a laje.
35:47Ficaram com a gente aqui.
35:49Eu fiquei como refém.
35:50Eu, meu filho, meu esposo.
35:54Eu pensei que nós todos íamos morrer, porque veio polícia pela laje e por baixo.
36:00Joga o colete do câmera aí pra nós ver que ele tá aí fora aí filmando.
36:03Calma, tia.
36:04Calma, essa senhora.
36:05Ela vai se entregar.
36:06Ela vai se entregar.
36:08Ela vai se entregar.
36:09Entrega aí na boca.
36:10Então, ela tá querendo se entregar, mano.
36:12Bora, bora, bora.
36:13Deixa, deixa, deixa.
36:14Aí pedi, falei.
36:16Sou refém, sou refém.
36:18Bora, pô.
36:19Bora.
36:20Não vou pegar você.
36:21Bora, irmão.
36:22Tem repórter aqui, Carol.
36:23Tem imprensa aqui.
36:24Tem imprensa aqui.
36:25Cadê a imprensa, mano?
36:26Tá aí?
36:27Tá aí.
36:27Tá aí nada, mano.
36:28Vai querer esculachar nós, não.
36:30O menino que tava comigo me abraçou e negociou com eles o que eles queriam que filmasse.
36:36Mesmo a senhora não tava acreditando.
36:37Achava que eles iam matar eles.
36:39Calma, tia.
36:40Não sai desse ano, não, tia.
36:41Senão os caras vão querer esculachar nós, tia.
36:42Eles falavam que era papo de sujeito homem, que eles podiam se entregar, que o mal ia matar.
36:48Papo de lombre, pô.
36:50Sem esculacha, hein, mano.
36:51Nós vai deixar a arma aqui, aí, mano.
36:54A tia tá filmando aqui também, liga o freste.
36:56Liga o freste.
36:58Não sei.
36:58A tia vai correr, não, mano.
37:00Calma, paciência.
37:01Calma, mano.
37:02Tranquilo.
37:02Chega aí, friendo.
37:04Mostra a câmera.
37:05Olha, olha.
37:05Vai mostrar a câmera pra você, aí, ó.
37:07Aí, olha, olha.
37:11Tá filmando, filhão.
37:12A intenção tá aqui do lado já, pô.
37:15Tá aqui, chega aqui, cara.
37:16Olha aqui, cara.
37:19Chega aí, câmera.
37:20Ô, câmera aí, ó.
37:21Câmera aí, ó.
37:22Aí, irmão.
37:24Tranquilidade, mano, ó.
37:25A tia tá filmando aí, nós vai descer.
37:26Ué, rapaziada, um atrás do outro, ninguém com nada.
37:30Ninguém com nada.
37:31Ninguém com nada.
37:31Aí, foi, foi saindo um por um.
37:34Na geral, sem camisa, nós vai descer aqui devagar, hein.
37:37Filma, tia.
37:38Eu não tô conseguindo.
37:39Filma, tia.
37:40Aperta pra filmar, já tá filmando.
37:42Então, filma, já tá filmando.
37:44Calma, hein.
37:45Calma, hein.
37:46Calma, ó.
37:47Nós tá vendo aí que o fuzil pra dentro tá aí, mano.
37:49Nós tá na mão.
37:50Qual foi?
37:50Nós tá na mão.
37:52Tranquilidade, mano.
37:53Tranquilo, mano.
37:53Calma.
37:54O fuzil tá pra baixo.
37:55Só seguir.
37:56Calma.
37:57Calma, nós tá na mão.
37:58Sem esculaxe.
37:59Sem esculaxe.
38:00Sem esculaxe.
38:01Sem esculaxe.
38:02Sem esculaxe.
38:02Calma.
38:03Vai sair geral.
38:04O bagulho é tranquilidade.
38:05Bagulho é tranquilidade, mano.
38:07Sem esculaxe.
38:08Sem esculaxe.
38:09Aí, ó.
38:09Vai.
38:09Vai um, vai.
38:10Vai outro.
38:16Sem esculaxe.
38:17Sem esculaxe.
38:18Sem esculaxe.
38:20Vai, mas aí.
38:24Vai, mas aí.
38:24Vai, mas aí.
38:27Sem esculaxe.
38:30Vai, mas aí.
38:32Vai, mas aí.
38:33Vem, rapaziada, pode vir.
38:35Ó, tem um amigo morto aqui no chão, aqui, entendeu?
38:38Bagulho é tranquilidade.
38:40Bagulho é tranquilidade, tem um amigo morto aqui, sem esculacho.
38:45Vem, vem, rapaziada, bora.
38:48Bora, rapaziada.
38:49Mas segue aí, segue, segue aí.
38:51Sem esculacho.
38:52Já é, já é.
38:53Calma aí.
38:54Dá mão, dá mão, dá mão.
38:56Sem esculacho, sem esculacho.
38:57Calma aí.
38:58Sem esculacho, sem esculacho.
39:02Bora, bora.
39:03Deixa que eu nos coloco de vídeo.
39:04Bora, rapaziada.
39:06Só fogo e dormi.
39:07Tem gente aí, tem gente aí.
39:08Tem, até mais um.
39:09Vou lá, o cara vai me matar.
39:24Vai, vai, vai, vai.
39:46Todos esses criminosos, principalmente os de menor hierarquia,
39:51eles são carne para moer do crime organizado.
39:56É absolutamente ingênuo você acreditar que esse volume de dinheiro que circula no
40:02crime, ele parte da base da pirâmide para cima.
40:07A polícia aqui trata a gente, que a gente é conveniente ao tráfico, é piranha, é
40:13vagabunda.
40:16Aqui é a minha pensão, olha para o destino, eles deram e jogaram granada, acabaram com
40:23tudo, beberam refrigerante, comeram biscoito, procurando cigarro, ficaram de deboche.
40:30Nasolá Sué, por favor, obrigada, aguenta senhora, bom dizer, aqui não é nada disso.
40:37Aqui eles acham que todo mundo é igual.
40:41Eu acho que a palavra certa é, como é que se diz, preconceito.
40:59Meu filho está acabado, eu mandei ele para a casa da avó dele ontem e hoje ele já me
41:07ligou, mas a gente tem que sair daí urgente.
41:18Tenho medo, não é escuro não porque a gente conversa muito e ele entende, ele vê a realidade
41:25e ele me urfa, ele quer ser uma jogada de futebol para me tirar daqui.
41:33Você segura teu filho e quantas mães conseguem fazer isso?
41:36Poucas.
41:40Quem está de fora não sabe, nem a metade que a gente passa.
41:44Essa sensação de ser refém, de escutar, eu nunca tinha ouvido uma granada tão de perto,
41:50como acabou com a minha pressão.
41:54Aí quando é época de eleição, eles aparecem, entendeu?
41:59Aí faz festa, vende o voto, faz asfalto, bota a voz no porte e depois eu consigo o voto.
42:11E aí faz festa, vende o voto, faz festa, vende o voto, faz festa, vende o voto.
42:40Eu nunca acreditei em nenhum anúncio de segurança pública quando a segurança pública traz a violência
42:45para dentro da comunidade, enche uma comunidade de policiais, de fuzil.
42:50Trinta anos, não resolveu? Vai resolver agora?
42:52Não, não, não lembra o voto, não lembra o voto agora pra fora.
43:02Gente, a outra vai vir lá.
43:07Vende o voto, vende o voto, vende o voto agora.
43:14Aí, ó, pega, pega, manda puxa a agulidade aí.
43:21No segundo que a polícia saiu daquele território,
43:25todas as bocas de fumo voltaram a funcionar normalmente.
43:30O poder exercido pelo Comando Vermelho
43:33sobre a população, sobre o território, ficou intacto.
43:39Prender bandido só não é mais popular hoje em dia do que matar bandido.
43:56Música
44:39A sociedade chegou no seu limite.
44:42A sociedade está com o seu tecido de tolerância esgotado.
44:47Então, este sentimento, em função de todo o descaso de segurança pública, de toda uma história, sem política, sem nada
44:59palpável para a sociedade, ela, obviamente, apoiou.
45:04Como eles não veem no horizonte nenhuma outra saída que seja eficaz, qualquer saída para eles é um alívio.
45:13E se eu disser que a política de matança, que o Estado faz, de entrar, por exemplo, no Complexo da
45:22Penha e matar mais de 100 pessoas,
45:25é natural que o poder público diga, mas eram bandidos, eles estavam armados e atiraram em nós.
45:32É confronto.
45:33Só há necessidade de se combater o crime desse jeito, porque a gente não está construindo nenhuma alternativa para que
45:41seja diferente.
45:43E aí vai uma coisa que eu não me conformo.
45:46Quando vem esses narcoativistas falarem que foi chacina, que foi massacre, que foi matança.
45:57Por que não foi?
45:59Foi questão de sobrevivência.
46:01Deus humano!
46:03Justiça!
46:06Justiça!
46:07Justiça!
46:09Justiça!
46:10Justiça!
46:12Oh, meu Deus, meu filho!
46:16Oh, meu filho, não, meu filho!
46:19Oh, meu filho!
46:28Isso aqui é pra você ouvir sua mãe quando eu te der conselho, tá?
46:32Tá escutado?
46:34É isso aqui que você vai ver.
46:36O número oficial de mortos na operação policial de ontem no Rio de Janeiro praticamente dobrou na manhã desta quarta
46:43-feira.
46:44Moradores das comunidades da região do Alemão e da Penha resgataram corpos da mata onde houve o principal confronto.
46:51Não, é.
46:51É, é.
46:53Não, é.
46:59Vamos fazer um İslam.
47:01Obrigado, segurança.
47:02Obrigado.
47:03Obrigado.
47:05As parças do Sul do Sul.
47:06Isso aqui tem a ser um bénédio que tem um homenagem.
47:32Eu queria prestar minha solidariedade para todas as mães que perderam seus filhos.
47:40Porque nem mamãe deveria passar por isso, mas eu acho que falta realmente para eles também,
47:48além das escolhas da vida que eles fazem, são escolhas equivocadas, mas sem dúvida,
47:55falta uma oportunidade.
48:02Eu não criei meu filho para ser bandido.
48:06Como mãe eu acreditava que uma hora ele ia viver algo diferente, que ele ia despertar
48:15para sair disso, porque a gente sabe infelizmente que o caminho do crime é a morte ou é a cadeia.
48:26A gente sai, mas não sabe se vai voltar, entendeu?
48:31Eles estão por todo o campo.
48:33Estão no muro, estão na rua, estão na favela, estão por todo o campo, entendeu?
48:38Seis horas eu tenho que fechar as portas e ficar dentro de casa.
48:55Acho que eu ainda vejo muito isso, uma visão meio romantizada, meio ultrapassada, baseada no lance de luta de classes,
49:01que vê o policial ainda sempre como sendo um opressor e um narcotraficante, um miliciano como, entendeu, a vítima da
49:10sociedade.
49:23Tchau, tchau, tchau.
49:52O Brasil está passando por um momento de dificuldade
49:59no qual o crime é um problema de Estado
50:03e não como um problema restrito ao Rio ou São Paulo.
50:06Você vê IPCC, eu acho que é um problema muito maior.
50:13Mas eu diria que o primeiro problema a ser enfrentado
50:18é o domínio de território.
50:20Qualquer lugar do mundo, o bandido, quando vê a polícia, foge.
50:24No Rio, ele enfrenta. Por quê? Porque o território é dele.
50:37Os fuzis começaram a aparecer já nos anos 90.
50:41São armas produzidas para a guerra
50:44e que agora estão utilizadas em território urbano.
50:52Nossos presídios
50:55são uma parceria público-privada do Estado com o crime organizado.
51:01Você olha para essa gente ao lado do Marcola, do Fernandinho Beramar.
51:05À medida em que eu banalizo o presídio federal,
51:08não tem mais onde pôr o Marcola.
51:10O Brasil acaba livre.
51:16Nós não podemos nutrir a ilusão de que um país
51:19com 16 mil quilômetros de fronteira terrestre
51:22vai conseguir fechar a fronteira literalmente.
51:28Essa operação na Faria Lima,
51:31eu comparo assim com um novelo
51:33que a gente puxou o início do fio do novelo.
51:37Todos os lugares onde o PCC
51:39identificou uma oportunidade de negócio,
51:42eles agiram ali como agentes econômicos racionais.
51:47A milícia só existe com descendência
51:51da estrutura de segurança pública do Estado do Rio de Janeiro.
51:56Na verdade, o policial só é respeitado,
51:58ele só vale o mal que ele causa,
52:00o mal que ele pode causar.
52:05A corrupção é histórica, chegou aqui com a corte.
52:09Nós já identificamos que algumas lideranças
52:14do crime organizado
52:15estavam buscando algum tipo de interferência
52:18no processo eleitoral.
52:28Cabe a gente compreender
52:29que a segurança pública é direito
52:32e responsabilidade de todos.
52:34Todos nós falhamos.
53:12A CIDADE NO BRASIL
53:42A CIDADE NO BRASIL
53:57A CIDADE NO BRASIL
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